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História Mais uma chance para o amor - Capítulo 20


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Notas do Autor


Boa noite Resilientes 🏹👑🖤

Gostaria de começar essa nota agradecendo de todo meu coração pelos 100 favs da história. É surreal! Eu jamais imaginei que isso levaria à tanto e sou muito grata ao tanto de amor e carinho que venho recebendo de todas vocês. É uma honra poder escrever para pessoas tão lindas, iluminadas e queridas. Gratidão por tudo! ✨

Obrigada Sara @evilsouat pela inspiração e pela foto 🖤✨ Obrigada Amanda Girassol @ihamanda pela montagem linda!

Acho que me empolguei com as palavras nesse capítulo rsrsrs. Tá chegando o momento de muita coisa acontecer e meu coração tá ansioso para isso. Espero que gostem e que esteja à altura. Boa leitura!

Todo meu amor pra vocês!
Um suave bater de asas.

Carol Mills Hood 🍎

Capítulo 20 - Parte XX


Fanfic / Fanfiction Mais uma chance para o amor - Capítulo 20 - Parte XX

"Senhora Encantada, que espera no muro

A vida é curta e a espera é longa

As estrelas, lá no alto, desaparecem com o amanhecer

Senhora Encantada, que espera no muro

Seu conto apenas começou

Vem lá de longe, da Terra de Lugar Nenhum

O vento sopra um som bem conhecido

Senhora Encantada, seu amor a muito se foi

Oh querida, ouça minha alma e cuide do meu choro

Pois todo meu choro pode inundar um rio no meu coração

[...]

Oh minha querida, agora eu não posso conter meu choro

Minhas lágrimas me afogaram e eu me recuso a acreditar

O que resta à minha volta

É tudo tão estranho, é tudo tão escuro

E eu estou completamente sozinho aqui

Para juntar os pedaços do meu coração

Pequena Senhora, seu conto tem um fim

Pois seu amor aos céus foi enviado

Ele se transformou em faíscas que brilham com as estrelas

...e a noite ele sempre estará lá

Para sua senhora o olhar

E assim ele nunca morrer"


Shaman - Fairy Tale


Floresta Encantada Reino I

Regina estava parada na sacada de seus aposentos contemplando as estrelas. Era algo que ela gostava de fazer quando sentia a saudade por ele doer em seu peito. Ela não tinha esse hábito, de olhar para o céu, mas foi algo que ele lhe ensinou a apreciar após uma noite especial para eles.

Flashback on

"Aonde está me levando, Robin?"

"Como você é curiosa, Milady, eu já disse que é uma surpresa" diz ele enquanto puxa Regina pela mão, adentrando na floresta de Storybrooke. Eles estavam no Granny's quando Robin a convidou para um passeio à luz da lua, o que ela rapidamente aceitou. Por mais que amasse estar com seu filho, ela não via a hora de estar sozinha com ele. Faziam dias que não tinham um pouco de privacidade e, vendo que Roland havia ficado no acampamento e Henry ficaria bem pois toda a família Encantada estava no restaurante, ela não pensou duas vezes ao aceitar o convite. Mas ele a estava levando cada vez mais para dentro da floresta e suas lindas botas de salto fino protestavam a cada passada que ela dava, se enfiando na terra e dificultando sua caminhada. Ele poderia ao menos tê-la avisado e assim ela vestiria algo mais apropriado, mas Robin é assim, um espírito livre que simplesmente faz o que vier à sua mente na hora. Ele não cansa de surpreendê-la. Desde que chegou em sua vida o ladrão colocou tudo de cabeça para baixo, não só sua rotina mas também tudo que se passa em sua mente e coração. Ela, que sempre fora muito metódica com tudo em sua vida, de repente se viu escapando da prefeitura em seu horário de trabalho para se encontrar com ele apenas para roubar uns beijos, esperava Henry dormir para então descer às escondidas para abrir a porta e Robin entrar para passar a noite com ela (ou ele simplesmente aparecia na sacada de seu quarto no meio da noite apenas porque estava com saudades). Regina Mills estava se comportando como uma adolescente e ela não tinha absolutamente nenhum controle sobre isso. Caminharam mais alguns minutos floresta à dentro quando finalmente pararam e Robin tirou sua echarpe e vendou os olhos dela.

"Isso é realmente necessário, Robin? Eu já não faço idéia de onde estou, não precisa me vendar". Ela diz e ele a ignora completamente.

"Não estrague o momento, meu amor. Agora, seja boazinha e mantenha os olhos vendados" diz ele.

Meu amor.

Ela não sabe dizer precisamente quando ele começou a chama-la assim mas ela sabe que não quer que isso pare nunca mais. Eles ainda não disseram as três palavras um para o outro, mas quando ele a chama assim, ela sente como se escutasse eu te amo todas as vezes. Ela gostaria de fazer o mesmo, mas sua maldita insegurança sempre a bloqueia. O mínimo que ela pode fazer é deixá-lo feliz vendando seus olhos para uma surpresa e é exatamente isso que ela está fazendo. Ela quer que ele se sinta amado assim como ela se sente, ela quer que ele saiba o quanto ela o ama, mesmo que ela não diga. Ele caminha com ela sendo guiada por mais um tempinho, até que param. Ela sente uma brisa batendo em seus cabelos negros e o cheiro de mato e água se misturam ao ambiente. Nenhum som pode ser escutado à não ser os típicos da floresta. Ela sente as mãos dele indo ao nó da venda e começando a desamarrá-la.

"Espero que você goste" Robin sussurra em seu ouvido e ela sabe que, não importa o que seja, ela vai amar de qualquer jeito. Quando sente a venda ser completamente tirada, Regina abre seus olhos e seu coração se enche de amor por tudo que vê: um bela clareira no meio da floresta com poucas árvores e algumas flores, uma perfeita visão do rio logo abaixo quebrando na margem de forma calma, uma toalha de piquenique estendida, vinho, pães, frutas e chocolates. Acima deles a lua cheia iluminava o ambiente de forma perfeita e parecia que todas as estrelas do Universo estavam concentradas naquele pedacinho de céu só deles. Muito emocionada e com os olhos cheios d'água, Regina se vira para Robin que não consegue esconder a ansiedade.

"Robin isso é..." ela olha diretamente nos olhos azuis que tiram seu fôlego todas as vezes "mais do que perfeito. Em todos os sentidos"

"Você gostou? Eu sei que é simples mas eu quis te fazer uma surpresa. E aquele dia na lareira foi tão mágico, queria algo tão especial quanto" termina ele visivelmente nervoso. Regina se aproxima e enlaça o pescoço dele com seus braços enquanto ele faz o mesmo com sua cintura. Unem as testas num gesto de carinho.

"Você é um sonho, Robin. Um tão perfeito que tenho medo de acordar e perceber que de fato não é real" ela diz. Ele se afasta um pouco para poder olha-la, tirando uma das mãos de sua cintura para acariciar seu rosto com carinho colocar uma mecha caída de volta ao lugar.

"Isso não é um sonho. Regina... você é o meu futuro. Eu não vou à lugar nenhum. Isso se você quiser estar comigo, é claro"

"Eu quero, Robin. Estou e estarei com você. Sempre"

Eles se beijam apaixonadamente. Suas línguas dançam uma coreografia já conhecida por ambos mas sempre surpreendente. O encaixe deles é perfeito e a química inexplicável. Beijar sua alma gêmea é ir para o céu e voltar apenas fechando seus olhos. Quando o ar se faz necessário, eles se afastam e Robin planta um casto beijo na cabeça de Regina. Ela se sente tão cuidada, tão segura. Ele pega em suas mãos, a levando em direção à toalha.

"Vem aqui!" Ele diz se sentando e puxando Regina para si, encaixando-a entre suas pernas, e deixando um cheiro em seu pescoço quando se acomodam. Ela não consegue parar de sorrir. Enquanto Robin enche duas taças de vinho, ela olha para o céu, não se cansando de observar a grandeza do Universo. A lua em toda sua majestosidade parecia brilhar unicamente para eles.

"Você não estava brincando quando disse que íamos passear à luz do luar" brinca ela "olha essa lua maravilhosa! Ela parece exclusiva para nós"

Robin entrega à ela uma taça de vinho, a abraça por trás, beija sua bochecha e descansa o queixo em seu ombro antes de responder:

"Eu bati um papinho com os astros e pedi um favorzinho para eles ontem. Parece que fui atendido"

"Ah é? E que favorzinho foi esse, posso saber?" Questiona ela, sem conseguir tirar o sorriso bobo dos lábios.

"Que hoje a noite o céu estivesse tão magnífico quanto a mulher que eu traria para apreciá-lo" ele diz. Regina vira o rosto para ele, permitindo que ele veja seus olhos marejarem na mesma hora em que ela lhe dá o sorriso mais perfeito que ele já viu na vida "e por mais que eles tenham atendido ao meu pedido, esse céu não chega nem aos pés do quão maravilhoso é o sorriso que eu estou tendo a sorte de ver agora então eu acredito que eu sou um homem de muita, mas muita sorte" termina ele se aproximando e deixando um beijo casto em seus lábios. Quando se afastam ele limpa de forma delicada a única lágrima que foi capaz de escapar dos olhos de Regina. Antes que ela pudesse dizer algo, ele eleva sua taça "Vamos brindar"

Ainda sem palavras, ela aproxima sua taça da dele, sem nunca desconectarem o olhar um do outro.

"À nossa segunda chance, às novas oportunidades de felicidade, nosso futuro e principalmente ao amor. Eu te amo Regina Mills" e encosta sua taça na dela. Ela congela.

Ele disse que a ama.

Ele disse que a ama.

Ele disse que a ama.

Vendo o desespero nos olhos de Regina e não querendo que suas palavras acabassem com o momento deles por conta da insegurança dela, Robin prossegue:

"Você não precisa me dizer. Eu sei. E isso significa o mundo pra mim" ele bebe um gole do vinho incentivando-a à fazer o mesmo. Regina pega as duas taças e deposita no chão. Ela se senta de frente para ele, entrelaçando sua cintura com suas pernas, segura o rosto dele entre suas mãos e finalmente consegue fazer com que seu cérebro, coração e boca funcionem ao mesmo tempo:

"Robin, eu...eu quero que você saiba que..." Ela o encara querendo que algo dentro dela grite tudo que ela gostaria de dizer para ele. Entendendo sua luta, Robin toma seus lábios nos dele em mais um beijo de tirar o fôlego. Ela o puxa para si, os aproximando o máximo que pode. Robin enfia suas mãos em seus cabelos, tomando tudo que pode dela. Ela se afasta sem fôlego e diz:

"Eu posso te provar de outra forma... Eu posso te fazer sentir"

"Meu amor, você não precisa me provar nada. Eu sei e eu sinto. Não se sinta pressionada pelo que eu disse. Eu precisava dizer, Regina, apenas isso. E está tudo bem se você ainda não se sente preparada para dizer de volta"

"Eu não me sinto pressionada, eu só preciso demonstrar do meu jeito o que eu sinto. Me deixe te dizer o que eu quero muito te dizer mas que minha insegurança ridícula me poda" e dizendo isso ela o beija novamente. Robin corresponde ao beijo com todo amor que ele possui. Beijar Regina é, sem dúvida, uma das melhores coisas de sua vida, ele jamais vai se cansar da sensação de seus lábios no dele. Os beijos vão ficando mais intensos e a necessidade por mais grita por todos os seus poros. Pouco a pouco as peças de roupa vão saindo, pele com pele despertando ainda mais sensações. Eles permanecem sentados, Robin no chão e Regina em seu colo. Ela rebola, buscando por mais, tombando sua cabeça para trás, dando total acesso à Robin e sua boca maravilhosa, que não perde tempo e deixa beijos molhados e delicadas mordidas por todo seu pescoço. Ele a levanta com cuidado, o suficiente para que finalmente se encaixem. Robin tomba a cabeça para trás absorvendo a sensação de preenchê-la. Enquanto desliza sobre ele lentamente, Regina observa as estrelas sendo refletidas nos seus azuis claros preferidos enquanto queimam de desejo. Quando estão totalmente conectados, ela começa a fazer movimentos lentos, seus braços em volta do pescoço de Robin, e ele a segura pela cintura, ajudando-a. Eles se olham como se pudessem enxergar a alma um do outro, trocando respirações e sentimentos sem a necessidade de palavras. Regina o beija enquanto acelera os movimentos, Robin tenta acompanhá-la, mas ela está inteiramente no comando. Ele permite que ela faça tudo que ela quiser. Se essa é a forma que ela quer lhe demonstrar seus sentimentos, Robin está mais do que feliz em aceitá-la. Percebendo suas paredes se apertarem em torno dele, ele sabe que não vão durar muito. Ele a abraça mais forte, trazendo-a ainda mais perto de si, aprofundam o beijo. Estão tão conectados que poderiam se tornar um. Eles vêem juntos, perdidos na boca um do outro. Ofegantes eles se separam, Regina se mantém em seu colo. Uma brisa fria passa por eles e ela, num estalar de dedos, veste as roupas de ambos e tem um cobertor para eles. O casal se deita na toalha, afastando a comida e deixando apenas o vinho e os chocolates próximos. Robin os cobre até a metade do corpo, se deita e puxa Regina para si. Eles ficam em silêncio contemplando as estrelas de mãos dadas.

"Esse é o céu mais lindo que eu já vi na minha vida. Aliás, esse lugar é muito lindo e agora muito especial, Robin" ela diz encantada.

"Eu fico feliz que tenha gostado, Regina. Eu escolhi esse lugar com muito carinho e ter a sua aprovação de forma tão entusiasmada enche meu coração de alegria e alívio, por ter feito a escolha certa"

"Escolha certa para quê?"

"Para construir a nossa casa" diz e se vira para olhar para ela "Regina Mills, futura senhora Locksley, você está deitada na varanda de seu futuro lar, onde eu, você, Roland e Henry faremos muitos piqueniques juntos"

Regina senta-se em um pulo. Virando-se para ele, ela pergunta incrédula:

"Você está falando sério?"

"Eu nunca falei tão sério em toda minha vida" ele responde, se sentando também.

"Você está me pedindo em casamento?" ela pergunta com os olhos arregalados e a boca seca em desespero. Robin solta uma gargalhada antes de responder:

"Hoje não, meu amor, pode voltar a respirar" brinca ele "Podemos viver nesse mundo moderno que você criou mas eu ainda sou um homem de princípios e principalmente de muita honra. Quando eu for pedi-la em casamento vai ser algo digno e à sua altura"

Ela sorri pra ele que devolve o sorriso enquanto brinca com seus dedos nos dele.

"E aí, Milady, o que me diz?" Ele pergunta.

"É perfeito. Tudo perfeito, Robin. Assim como você" ela se aproxima e sela seus lábios com carinho "uau... nossa casa! Eu você e os meninos" diz ela mal podendo conter sua felicidade e ansiedade apenas com a idéia "podemos ter cavalos?" Robin, sorrindo, a beija mais uma vez e a traz para si novamente. Deitando-se, Regina descansa a cabeça em seu ombro enquanto faz carinho em seu peitoral, Robin fazendo o mesmo em seus cabelos.

"Podemos ter tudo que você quiser, meu amor" ele diz. Ela então se vira mais uma vez para olha-lo nos olhos que ela tanto ama e diz:

"Eu quero te dizer tanta coisa, Robin. E eu vou dizer, só te peço um pouco mais de paciência. Existem barreiras que são mais difíceis de ultrapassar"

Ele sente quando ela solta a respiração de forma pesada, decepcionada com ela mesma por não ser capaz de vocalizar o que sente depois desse turbilhão de novidades e sensações. Ele então a beija e diz:

"Não tenha pressa, meu amor. Teremos a vida toda pela frente..."

Flashback off


Tinker entra sem bater nos aposentos de Regina e a encontra na sacada. Quando se aproxima, percebe que a amiga está chorando enquanto olha as estrelas. Antes que ela pudesse perguntar, Regina diz:

"Eu nunca falei para o Robin que o amava. Ele me disse mas eu não disse de volta. E ainda pedi que ele tivesse paciência comigo, sobre dizer à ele sobre meus sentimentos... e ele, tão maravilhoso como era, simplesmente me disse para não ter pressa pois tínhamos a vida toda pela frente...meses depois ele estava morto, assim como todo o nosso futuro"

Tinker se aproxima e toca o ombro da amiga como um gesto de carinho e solidariedade. Quando Regina se vira para ela, a dor e o arrependimento estão estampados em suas feições. Seu coração se parte e ela precisa se agarrar com força em seus propósitos se não contaria tudo para a amiga ali mesmo.

"Ele sabia sobre os seus sentimentos, Regina. Não se martirize por isso"

"Ele sabia, mas nunca escutou o que gostaria de ter escutado. Eu fui muito egoísta, Tinker. Eu não soube aproveitar o amor dele e não fui digna de fazê-lo se sentir tão único e amado assim como ele fazia com que eu me sentisse"

"Não diga bobagens, Regina. Vocês são almas gêmeas, vocês são o amor mais puro e verdadeiro que existe no Universo"

"Nós éramos, você quis dizer, porque tudo só faz parte de uma lembrança. Agora eu falo que o amo para o vento, para as paredes, para sua lápide...e não fui capaz de dizê-lo para ele. Eu sou patética"

Tinker quer gritar para Regina tudo que sabe, mas olhando para sua protegida tão vulnerável por tudo, a faz ter absoluta certeza de que está agindo certo em omitir tudo. Ela está um caco, mesmo quase um ano depois. Outra decepção a mataria. É melhor que seja assim. A fada então abraça sua amiga, mais uma vez despejando doses de amor e tranquilidade para aquele coração judiado.

"Não pense mais nisso dessa forma, Regina. Robin não gostaria de vê-la sofrer por algo que não é verdade. O amor de vocês sempre foi algo real e iluminado. Ele jamais se sentiu menos amado por você. Não sofra por isso. Venha, vamos entrar, você precisa descansar"

"Você pode passar a noite aqui?" pergunta Regina.

"Eu não vou a lugar nenhum hoje, Regina. Durma que eu estarei do seu lado para o que você precisar"

Regina se dirige para sua cama e quando se deita é que percebe o quão exausta ela está. Tinker vela por seu sono, o que não demora acontecer. Vencida pelo cansaço, tanto físico quanto psicológico, a fada também se entrega ao mundo dos sonhos. Adormecida, ela é incapaz de perceber os pequenos espasmos que partem de Regina, claramente sonhando com algo.

Ela está em sua sala na prefeitura. Robin, Hades e Zelena estão com ela. Eles estão discutindo mas ela não ouve nada, apenas vê as bocas se mexendo e as expressões faciais e corporais alteradas de todos os envolvidos. De repente Robin se coloca à frente dela, um braço protetivamente a deixando longe enquanto o outro está em direção à Hades. Ela vê perfeitamente o momento em que o raio se acende e uma luz azul atinge Robin. Ele se vira para ela, seu corpo tomba no chão mas sua alma continua a olha-la. Ele estende o braço tentando alcançar seu rosto mas, antes que pudesse ter sucesso, ela se dissipa, deixando apenas o cadáver de Robin sobre seus pés. Ela se joga por cima de seu corpo inerte e chora em desespero. Não vê Zelena matando Hades. Não importa. Seu mundo caiu e ela não tem mais forças para lutar. Aos poucos o ambiente vai mudando. Ela vê o corpo de Robin se dissipando como sua alma havia feito e entra em desespero mais uma vez. Para onde ele ia? Ela então se põe de pé e percebe que não está mais em sua sala na prefeitura e sim naquele mesmo corredor escuro e frio de seu sonho dias atrás. O cão de três cabeças está sentado à sua esquerda, inerte, e a luz dourada se aproxima dela novamente, mas dessa vez ela sabe que é ele. Regina corre em direção à luz, mesmo que seus olhos doam pela claridade. Quando estão bem próximos, a luz diminui e a silhueta perfeita de Robin está diante dela. Ela quer abraça-lo e beijá-lo mas tem receio de se aproximar e se decepcionar em não poder senti-lo. Sendo assim, Robin de aproxima e a traz para si. Eles juntam suas testas e seu nariz de forma delicada, a saudade grita e faz o peito doer. Assim que sente o toque de Robin sobre si, Regina explode em sensações e sentimentos.

"Robin, meu amor, é você mesmo?"

"Sim, Regina. Sou eu, meu amor"

"Eu sinto sua falta, Robin. Eu sinto tanto a sua falta..." Ela está chorando, não sabe se aquilo é real mas sinceramente não quer saber. Estar nos braços dele mais uma vez está sendo a realização de um sonho impossível.

"Eu também sinto sua falta...espere por mim..." Ele diz antes de começar a desaparecer. Regina entra em pânico

"O que você está dizendo?"

"Espere por mim..." Ele repete antes de sumir completamente. Regina dá um pulo da cama, assustada. Está suando e seu coração tão acelerado quanto jamais esteve. Foi um sonho, mas um sonho estranho... Um sonho muito real. Ela pode senti-lo, seu toque. Tinker que acordou tão assustada quanto Regina pelo pulo que a mesma deu na cama, vê a amiga sentada imóvel e a contemplar o nada falando sozinha.

"Espere por mim" diz Regina

"O que disse, Regina?" Pergunta a fada.

"Espere por mim" ela repete e olha para a amiga.

"Esperar por você onde?" Tinker está confusa. Ela segura as mãos da amiga "Regina o que está a dizer? Estou confusa"

Regina tão confusa quanto, narra todo seu sonho para a fada que ouve atentamente a cada detalhe e descrição dada por sua protegida. Quem entra em desespero agora é ela. Será que esse sonho é um sinal? Um sinal de que a alma de Robin também está lutando para voltar? Totalmente confusa e com muitas teorias borbulhando na cabeça, Tinker mais uma vez resolve ir para um terreno seguro para ganhar tempo.

"Se acalme, Regina. Foi apenas um sonho. Amanhã podemos decidir como agir sobre isso, tudo bem? Agora tente dormir novamente. Nós vamos desvendar tudo isso" Regina concorda, o que deixa Tinker mais aliviada por ter ganhado mais um tempo com ela. Quando sua protegida finalmente adormece, Tinker se levanta, agitada demais para dormir. O que está acontecendo? Ela tinha que voltar para a Terra do Nunca. Precisava conversar com Bruma, saber de Robin. Falando para si mas querendo que suas preces fossem ouvidas lá no submundo, a pequena fada diz:

"Por favor pessoal, não demorem. Eu não sei o quanto mais eu aguento a barra por aqui"

XXX


Submundo - Palácio de Hades

Robin e Regina descem para se encontrarem com Perséfone. A mesma criada que os conduziu para o quarto agora os leva para a sala onde a Deusa se encontra. Assim que adentram o recinto de aparência pesada mas muito organizado e de bom gosto, avistam sua anfitriã sentada próxima à uma lareira. Eles se aproximam com cautela até chamarem sua atenção.

"Robin. Regina. Sentem-se por favor" diz ela apontando para o sofá em frente à sua poltrona. Os dois fazem o que foi pedido, mas nenhuma palavra havia sido trocada ainda "posso oferecer algo para vocês beberem?"

"Não, obrigada. Estamos bem" responde Regina por ela e por ele. Ela jamais comeria ou beberia algo do submundo, ainda mais oferecido pela mulher de Hades, e muito menos deixaria Robin o fazê-lo.

"Não há nada envenenado, se é o que a preocupa, Regina" dispara Perséfone.

"Estamos bem" repete Regina, tentando ser educada. Ela está tentando manter a sanidade dentro daquele lugar e com aquela mulher. Não pode ficar respondendo qualquer trocadilho da forma que realmente gostaria ou ficariam em apuros. Por ela, eles já estariam a muito tempo lá fora à procura de Robin, ao invés de ficarem aqui perdendo tempo. Sem mais insistências da Deusa em relação à bebida, ela se dirige para Robin e comenta:

"Muito bem, Robin. Me diga tudo que puder sobre essas Outras Partes. Tenho todo o tempo do mundo..."

"Mas nós não temos. Se contarmos toda a história você nos leva até ele?" Diz Regina, impaciente, tomando à frente de Robin, que apenas a olha com súplica para que não deixe seu temperamento jogar tudo para os ares, como quase ocorreu no primeiro encontro deles.

"Eu posso pensar no caso de vocês. Se eu achar que a história valeu a pena, sim...se não, vou me divertir vendo vocês fugindo do meu cão"

Não havia outra saída para eles. O palácio era muito bem guardado por Fúrias e eles não conseguiriam escapar sem serem vistos. Parece que não escapariam da sessão de histórias e ambos começam a torcer para que seja o suficiente. Eles não tinham outro plano. Regina, não pode negar que a idéia de matá-la não lhe passou pela cabeça, seria o nais simples e rápido meio de sair dessa palhaçada, mas ela era uma Deusa, e portanto, imortal. Parece que Robin tinha razão, eles teriam que tratá-la bem e buscar sua confiança, talvez fosse o único modo de saírem dali, ou pelo menos tentar. Robin coça a garganta e antes que uma das duas se mate apenas com o olhar, se coloca à frente:

"Muito bem, Sua Alteza. Eu lhe direi o que está curiosa para saber. Quando nascemos, nossa alma se divide em duas partes, assim como todos temos nosso lado bom e nosso lado ruim. Essas outras partes, por sua vez, também se dividem em outras duas partes, uma dessas partes fica conosco e a outra se instala no coração de outra pessoa, e vice versa. Durante toda nossa vida vivemos e buscamos por amor, carinho, atenção. Quando essas almas têm a sorte de se encontrarem, ocorre o encontro de ALMAS GÊMEAS, seja ela pelo amor ou pela amizade. Uma conexão tão única que é impossível tentar explicar em palavras, apenas pode ser sentida. Eu e Regina somos a parte "ruim" de um casal que viveu na Floresta Encantada, mas que já tentou sobreviver em outros reinos também. O amor deles é tão grande que foi passado para suas outras partes também, no caso, nós. Eu e Regina tivemos essa sorte de nos encontrar e sermos felizes juntos" e ele a olha e segura sua mão, recebendo um pequeno aperto de sua amada "nossas Outras partes já não podem dizer o mesmo. Regina e Robin sofreram muito para ficarem juntos e, quando isso parecia que ia acontecer, Hades o matou. A Outra Parte da minha Regina dos deu de presente todo um futuro livre das merdas do passado que os fizeram sofrer e atrapalharam sua evolução, mas como viveríamos em paz e tranquilos sabendo que nossas outras metades sofrem por um erro que não foi deles? Que foram arrancados um do outro por uma injustiça? Impedidos de viver uma história por conta de erros de outros? Então resolvemos sair em busca da alma dele para devolvê-lo à ela. E é isso que viemos fazer aqui" completa ele.

Perséfone, que até então ouvia tudo atentamente, pergunta:

"E como foi que ele morreu? O que ele fez para que Hades o matasse?" O semblante dela era impassível, longe de poder mostra-los o que estava achando de todo aquele enredo.

"Absolutamente nada. Apenas defendeu a minha Outra Parte" diz Regina "Hades tinha problemas com Zelena, minha irmã, e não com eles. Durante uma briga, ele me ameaçou, quer dizer minha Outra Parte, com o raio, achando que isso afetaria Zelena. Robin então se colocou à frente, levando toda a carga disparada pelo raio em seu lugar. Hades, antes de ser morto por Zelena, havia dito que quem morresse através daquele raio teria sua alma destruída e perdida para sempre, mas não acreditamos nisso. Graças a uma amiga que sempre lutou para ajuda-los, viemos parar aqui. Vou lhe contar o que aconteceu" e assim Regina conta tudo à Deusa, desde a união de seus corações até mesmo o roubo do corpo de Robin. Perséfone não a interrompeu nenhuma vez, mas quando ela terminou de contar toda a história, a questão que saiu de sua boca fez Regina se perguntar se não haveria sido melhor se tivesse omitido alguns fatos.

"Zelena é sua irmã?" Questiona ela de modo frio. Regina engole seco, mas não havia o que fazer à não ser enfrentar a verdade. Estando no submundo, ela não queria nem imaginar o castigo que enfrentaria caso usasse sua magia ou fosse pega mentindo.

"Sim, ela é, infelizmente. Você a conhece?" responde ela de maneira firme.

"Zelena, aquela que esquentava o meu lado da cama enquanto eu estava fora? Sim, eu a conheço. Conheço até seu cheiro impregnado no meu travesseiro. Ela destruiu a minha vida...ela e Hades, é claro"

Dor podia ser vista nos olhos da Deusa e um toque de compaixão por ela surgiu no coração de Regina. Toda aquela mulher ousada e abusada que conheceram algumas horas atrás deu lugar a outra, com uma fragilidade aparente quando o assunto dizia respeito ao seu coração.

"Se me permite dizer, Alteza, não temos nenhuma ligação ou qualquer tipo de relacionamento com Zelena" diz ele tentando amenizar a situação "apenas estamos aqui por Robin" diz Robin.

Deixando seus limites e bom senso irem para o espaço, Regina encara a mulher ruiva à sua frente e questiona:

"Você sabia do caso deles?" Ela dispara. Robin apenas fecha os olhos. Eles iriam morrer agora, pensou ele. Mas para sua surpresa, Perséfone não conseguiu nem sustentar o olhar de Regina. Ela abaixou a cabeça e se levantou com sua taça de vinho. Começou a andar em círculos pelo aposento em silêncio, parecendo perdida em suas próprias idéias, buscando uma maneira de falar sobre aquilo. Finalmente depois de um tempo rodando em volta de sua poltrona, ela se vira para o casal, especificamente mirando Regina, e responde:

"Sim, eu sabia" ela devolve a taça à mesa de centro e senta-se novamente em sua suntuosa poltrona "Vocês conhecem a minha história?"

"Sinto dizer-lhe que não, Alteza" diz Robin. A Deusa toma um suspiro, que mais pareceu uma busca por coragem, e deu início à sua história:

"Eu sou filha da Deusa Deméter e Zeus. Deméter é responsável pela fertilidade e ciclo da vida na Terra. Minha mãe sempre me criou muito livre e eu quase não ficava no Olimpo, gostava de estar na Terra, vendo todas as coisas incríveis que ela poderia nos dar. Acompanhar o trabalho de minha mãe me fazia muito feliz. Certo dia, estava eu em um campo quando fui raptada por Hades e levada ao submundo. Hades havia sido vítima da flecha do Cupido, que juntamente com Afrodite, achou que ele deveria viver um amor. Acontece que ele foi atingido pela flecha justamente enquanto estava voltando de uma ida ao Olimpo, e calhou de eu estar justamente onde ele estava passando. Ele se apaixonou perdidamente por mim, me tomou a força em sua carruagem, abriu a Terra e me trouxe com ele ao submundo. Minha mãe procurou por mim por dias, e quando finalmente soube o que aconteceu, sua ira e tristeza desestabilizaram toda a vida na Terra. Nada mais florescia, nada mais dava frutos. A Terra ficou infértil e a morte predominava não somente os campos e agricultura, mas toda a forma de vida. Desesperado, meu pai mandou que viessem juntamente com minha mãe me buscar mas acontece que... eu me apaixonei por Hades. Ele sempre me tratou muito bem. Me dava atenção, carinho e muito amor. Algo que eu nunca havia experimentado. Eu me apaixonei por ele e consumei nosso amor. Quando minha mãe aqui chegou, exigindo que eu fosse embora com ela, quem não quis ir fui eu, escolhendo permanecer com Hades nas profundezas. Eu sentia muitas saudades de minha mãe e da Terra, e, à pedido de meu pai por conta da imensa tristeza e fúria de minha mãe estar desestabilizando o mundo, Hades e ele entraram em um acordo: eu ficaria com minha mãe na Terra um terço do ano, e o que restou eu passaria com Hades aqui no submundo. Isso não diminuía a tristeza de minha mãe nesse período, o que torna a Terra fria e infértil por três meses todo ano. Parecia um bom acordo no começo, todos estavam felizes com as condições. Mas para Hades começou a ser insuficiente. Eu soube de sua primeira escapada para a Terra alguns anos atrás durante o período que eu estava fora. Ouvi alguns burburinhos no Monte Olimpo sobre alguns deuses dizendo terem visto Hades vagando pela Terra sem motivo aparente. A princípio achei que me procurava por saudades, e não descarto essa possibilidade. Mas em uma dessas subidas ele conheceu essa mulher. Desde então, sempre que eu subia para a Terra, ficava sabendo das andanças de Hades por aqui. Eu estava desconfiada, mas meu coração não queria aceitar. Até que ano passado, quando retornei de meu período na Terra, encontrei vestígios dela em meus aposentos: um lenço com sua inicial bordada em verde. Como se não bastasse, seu cheiro estava impregnado em meu lado da cama. Aquilo foi demais para mim, e toda aquela dúvida e não aceitação dos fatos explodiu. Assim que Hades chegou do julgamento em que estava condenando algumas pobres almas, eu o confrontei. No início ele negou que estivesse tendo um caso, mas eu não recuei e depois de muito pressioná-lo, ele confessou. Disse que seu nome era Zelena, que a havia conhecido numa região chamada Oz e que não resistiu aos seus encantos... Ouvi-lo dizer aquilo foi como sentir a vida se esvaindo de mim. A confirmação de que fui traída me destruiu. Eu dedicava minha vida à ele, sempre ao seu lado, abdiquei de minha liberdade por amor à ele, mas nada disso parecia importar. Todo aquele amor que ele me disse sentir quando me raptou pareceu ser nada mais do que uma atração e um desejo de conquista e poder. Me senti como um objeto que só era valioso enquanto podia servir aos seus desejos. Me senti usada. Ele ainda teve a indecência de me dizer que a culpa era minha por me ausentar, sendo que o acordo nunca foi feito considerando as minhas vontades, mas sim de todos os demais envolvidos. De repente percebi que fui usada minha vida toda" ela faz uma pausa para tomar fôlego e Regina, sensibilizada pela familiaridade dos sentimentos deixou escapar um "sinto muito" de seus lábios. Foi baixo, mas que não passou despercebido por Perséfone, que apenas acenou com a cabeça, agradecida pelo conforto em forma de palavras. Assim ela prossegue "eu fiquei possessa, com Hades, com ela e comigo também por ter sido tão estúpida. Comecei a juntar minhas coisas para ir embora daqui, eu não mais aceitaria ser traída por ele, mas Hades entrou em desespero. Começou a dizer que me amava e que Zelena havia sido apenas uma aventura para suprir a falta que sentia de mim, que ela não significava nada para ele e que eu era a única dona de seu coração. Se ajoelhou aos meus pés e implorou para que eu ficasse e desistisse da idéia de deixá-lo. E eu, sonsa que sou, resolvi que daria à ele uma segunda chance. Como havíamos colocado toda à verdade para fora, acreditei que poderíamos resolver tudo e seguir em frente. Disse à ele que só ficaria se ele nunca mais voltasse a procurar Zelena, o que ele me jurou fazer. Eu o perdoei e o aceitei de volta, o amando tanto ou mais do que antes, querendo me fazer ser o suficiente para ele não ter o desejo de buscar algo fora de nossas vidas. Após o período de inverno, tive que voltar à Terra para junto de minha mãe, ajudar a manter a ordem das coisas. Em meu segundo dia fora, soube que Hades havia sido visto fora do Submundo na companhia de uma mulher de cabelos ruivos como o meu. Cega pela minha loucura, abandonei meus afazeres e fui ao encontro deles. Quando finalmente os encontrei, eles estavam conversando em uma floresta. Fiquei escondida entre as árvores mas fui capaz de ouvir sua conversa. Nela, Hades jurava amor à Zelena e propôs à ela que vivessem uma vida juntos. A essa altura eu já duvidava da minha sanidade tamanho ódio e desprezo que eu sentia por ele. Zelena ficou feliz com a proposta e combinaram de se encontrar mais tarde daquele dia para discutirem como fariam aquilo dar certo. Assim que Hades se foi, eu tomei uma decisão. Quando bati à porta da casa de Zelena, o primeiro pensamento que tive foi o de matá-la assim que ela abrisse a porta mas, quando isso aconteceu, eu simplesmente não tive coragem. Olhando em seus olhos eu me vi. Vi uma mulher apaixonada por alguém que ela nem mesmo conhecia, assim como eu. Eu me apresentei à ela como a esposa de Hades, o que a fez recuar. Propus uma conversa, que ela meio relutante no início, aceitou. Eu percebi que ela não era boa coisa assim que a vi. Sua aura escura à denunciava. Lembro também que ao ver aquilo pensei que talvez de fato eles se mereciam. Insistente que sou, consegui que ela me escutasse e então contei tudo à ela. Fiquei surpresa ao saber que ela não sabia de minha existência e, assim como eu, estava sendo enganada por Hades. Vi sua ira através de seus olhos, a mesma que estava enxergando nos meus toda vez que via minha imagem refletida. Depois disso não sei o que aconteceu. Deixei Zelena com sua raiva em frente sua casa e voltei para o submundo. Fiquei à espera de Hades, sabia que ele voltaria enfurecido, mas eu estava preparada para enfrentá-lo. Aquele homem jamais se aproveitaria de mim novamente. Eu esperei e esperei e esperei. Quando finalmente fui informada que ele havia retornado, imaginem minha surpresa quando me deparei apenas com sua alma diante de mim"

"Então foi isso o que aconteceu" diz Regina "após sua conversa com Zelena, ela e Hades se encontraram como o combinado. Conhecendo bem Zelena, ela deve ter cuspido tudo na cara dele, juntamente com sua ira. No mínimo ela deve ter dito à ele que não o aceitaria mais, o que causou toda a confusão"

"Certamente" disse Perséfone "Hades nunca aceitou um não como resposta. Abusava de sua condição de Deus para que as pessoas sempre se sentissem inferior à ele e quando alguém ousava desafiá-lo ou contrariá-lo, seu abuso de poder se sobressaia e ele tirava vidas sem arrependimento. Eu sempre busquei transforma-lo em alguém mais justo, até mesmo consegui algumas absolvições em julgamentos injustos. Mas não podia mudar a essência de quem ele era"

"Robin e Regina estavam na prefeitura quando Hades invadiu o lugar. Disse que não sairia de lá sem Zelena. Nessa época, nós estavamos de posse de seu pingente, um no qual nós haviamos aprisionado seus poderes. Zelena certamente contou à Hades sobre isso. Ele chegou possesso na prefeitura e disse que não sairia de lá de mãos vazias" disse Regina.

"No mínimo queria o pingente para chantageá-la: se ela não o aceitasse ele não devolveria seu pingente e ela ficaria sem poderes para sempre" conclui Robin.

"Parece a única explicação possível" diz Regina. Voltando-se para Persefone ela diz "eles disseram diversas vezes para Hades que não estavam de posse do pingente e que o mesmo estava em outro lugar, o que era verdade pois ela o havia deixado com Branca, já que magia de sangue não seria o suficiente para protegê-lo. Nisso Hades retirou o raio de Zeus de suas costas e ameaçou matar Regina. Zelena chegou, houve uma discussão, Robin pedia calma para todos, tentando contornar a situação, mas não houve o que fizesse Hades parar. Ele lançou o raio da morte na direção de Regina, mas Robin entrou na frente, morrendo por ela. Depois disso, Zelena tomou o raio dele e o matou também"

"Só assim para um mortal matar um Deus. Hades morreu por sua própria ganância" diz Perséfone.

"O que você fez com Hades? Quero dizer, se a alma dele veio parar aqui novamente, e ele sendo o dono e juíz do submundo, qual foi o seu procedimento?" Pergunta Robin curioso

"Eu o julguei. Como viúva e única herdeira, com sua morte seu destino ficou em minhas mãos. Desde então quem comanda o submundo sou eu e apenas eu. Continuo mantendo minhas funções como Deusa no Olimpo, mas quando chego aqui, julgo cada alma que chegou e estava à minha espera"

"Então você é a Rainha do Submundo agora?" Questiona Robin.

"Sim, eu sou. Ninguém é superior à mim agora" diz ela.

"Você não respondeu a pergunta de Robin" cobra Regina. Perséfone a olha, um tanto perdida, o que faz ela repetir:

"O que você fez com Hades?"

Perséfone pára por um instante e parece considerar se deveria responder ou não. Por fim, ela resolve falar:

"Sua alma era tão suja e pecadora pelos atos que havia cometido em vida que, após mais uma morte injusta, sua condição de ser julgado como Deus fora tirada sem dó. Ele esperou que eu intercedesse por ele, mas eu não o deixaria me enganar mais. Como pagamento de todas as suas dívidas, eu o enviei ao Tártaro. Ele está condenado à viver em sofrimento pelo resto da eternidade, lidando com todas as almas que ele mesmo mandou para lá. Sem direito à reencarnação, não terá suas memórias apagadas, portanto, sua consciência lúcida contribui para o martírio eterno em que se encontra" finaliza a Deusa.

Satisfeita em ouvir o destino recebido por Hades, Regina sorri. Ela gostaria de matá-lo, mas o sofrimento eterno parecia uma opção muito melhor agora. Robin solta sua mão e se levanta indo de encontro à Persefone. Quando chega próximo à Deusa, ele diz:

"Me parece que todos perdemos nessa história, Alteza. A meu ver, nem você e muito menos as nossas Outras Partes, mereciam o que aconteceu. Eu não sei qual o seu desejo, mas espero de coração que encontre a sua paz e sua felicidade. Mas eu conheço os desejos de Regina e Robin, e assim como eu preciso da minha alma gêmea" ele olha para Regina que devolve o olhar com carinho "eles precisam um do outro e merecem mais essa chance. O que me diz? Vossa Alteza disse que já houve restituições de vidas antes, não acha que essa está mais do que qualificada para que isso se repita novamente? "

Perséfone o olha profundamente. Soltando um suspiro, ela diz:

"Tudo bem. Não posso negar que depois de tudo que foi exposto aqui, nada mais justo do que fazer esse resgate. O único problema é que nunca foi feito um resgate de uma alma de um espírito evoluído antes"

"Espírito evoluído? Como assim?" questiona Robin.

"Devido ao sacrifico por amor, a alma de Robin se tornou uma alma evoluída. As almas evoluídas vão direto para os Campos Elísios, não passando pelo julgamento. Antes de chegar ao Campo, porém, existe o Rio Lete. Suas águas causam total esquecimento da vida passada. Os espíritos evoluídos têm a opção de tomar ou não a água, dependendo do sofrimento que passaram em Terra, ou pela saudade que sentem. Muitos optam por tomarem a água para esquecer a vida que foi obrigado a deixar e enfim terem a paz"

Eles entram em pânico por um momento. E se Robin resolveu tomar a água para não sofrer pela saudade? E se ele não se lembrasse de mais nada? Espantando o sentimento errôneo que a tomou, Regina diz:

"Temos que arriscar. Temos que encontrar Robin de qualquer jeito"

"Existe uma grande probabilidade dele ter bebido da água. Nunca soube de nenhum caso onde o espírito quisesse permanecer em sofrimento quando ganha a possibilidade de evolução" diz Perséfone.

Regina se recusa acreditar "Robin é diferente. Ele jamais optaria por esquecer daqueles que ama"

"E como você pode ter tanta certeza?" A deusa rebate. Regina então caminha até seu Robin e segura sua mão antes de dizer:

"Porque eu tenho a sorte de ter um pedaço dele aqui comigo. Assim como possuo metade do coração de Regina. O amor deles é superior à qualquer obstáculo que é imposto à eles. Meu coração negro é completamente apaixonado por uma parte de Robin que me faz verdadeiramente feliz. Se nós, que somos a parte escura da vida deles, jamais optaríamos por essa opção, ele que tem o coração mais nobre e heróico que eu já conheci, não o faria. Robin amou Regina a ponto de dar sua vida por ela. Esse amor não acabaria com sua morte e nem o faria abrir mão dele em troca de sua paz. Ele está lá com suas memórias, eu tenho certeza, nós só precisamos ir buscá-lo" finaliza Regina.

Robin une suas testas e a segura em seus braços com carinho. Perséfone, que assiste à tudo, sorri. Tirando os dois de seu mundinho particular, ela diz a frase que eles mais esperaram ouvir dela o dia todo:

"Robin... Regina... vocês têm a minha permissão para irem em busca da alma de Robin nos Campos Elísios"


Notas Finais


Enfim tá chegando a hora e eu tô muito ansiosa pra isso e nervosa também rsrsrs.
O trecho no início do capítulo é de uma música que eu amo chamada Fairy Tale da banda Shaman. Vou deixar o link abaixo e no twitter para quem quiser escutar. Obrigada por tudo! Me deixem saber a opinião de vocês por favor! 😘

https://youtu.be/gb9_G8kOx64


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