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História Mais uma vez - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente, aqui está minha one para o Festival Swan Queen com músicas da Marisa Monte.

Vamos conversar um pouquinho? Aconteceu de tudo e está sendo um sacrifício trazer essa história até vocês. Bem, no momento estou escrevendo as notas da história pelo celular e sem luz em uma parte da cidade.

Vou fazer meu máximo, porque me empenhei demais em criar essa história que acabou de nascer mas já é importante demais para mim.

Eu conheço essa música há algum tempo, e a primeira versão dela que escutei foi gravada pela Stella Miranda e Katia B na época da dupla Xicotinho e Salto Alto. Quem me conhece sabe o quanto eu sou fã da Stella e ter a oportunidade de escrever uma one com uma música que já escutei tantas vezes foi maravilhoso.

Em 2008, a Marisa cantou a música na gravação de seu cd, e que versão maravilhosa. Artista completa que fala, porque a letra é de uma potência magnífica e cantada facilmente em vários estilos musicais.

E sobre a história, essa ideia já vinha povoando minha mente há algum tempo e ao ver tudo o que mais uma vez falava só conseguia pensar nesse plot então resolvi desenvolver.

Bem, é isso! Vamos a história

Capítulo 1 - Mais uma vez


Fanfic / Fanfiction Mais uma vez - Capítulo 1 - Mais uma vez

- Alô... – escutou com nervosismo a voz falar do outro lado da linha.

O silêncio se fez presente em seu quarto mal iluminado enquanto segurava o telefone com suas mãos trêmulas. Já não era a primeira vez que tentava ligar para Emma.

Só que ao escutar a voz de sua ex-mulher perdia toda a coragem que levava meses para reunir. Mais uma vez havia sido silenciada pela covardia. Acabava se contentando com as migalhas que se achava digna de receber.

Perdeu as contas de quantas noites passou em claro. E naqueles momentos de insônia pensava nas possibilidades que talvez nunca mais se concretizassem. O fim parecia algo tão improvável quando ainda eram um casal apaixonado. Aliás, quando tudo terminou ainda se amavam bastante. Infelizmente o amor deixou de ser suficiente quando as brigas passaram a ser mais constantes.

Assim vieram os rompimentos, apesar de todas as tentativas de salvar a linda história de amor que construíram ao longo dos anos. Entretanto, a falta de diálogo passou a ser o maior obstáculo entre as duas. E quando conseguiam conversar tudo terminava em mais discussões.

Até que um dia Regina se cansou e deu um basta em tudo aquilo. Aquele casamento já não era mais suficiente. E as lembranças dos dias felizes já não lhe confortavam mais. Depois de idas e vindas optou por pedir a separação.

Quatro anos haviam se passado e a sensação de vazio em seu peito nunca mais se dissipou. Saudade deixou de ser apenas uma palavra no dicionário e as lembranças do passado lhe dominavam nas noites mais silenciosas. E em dias assim ansiava por escutar a voz que mais sentia falta de ouvir. Mesmo que fossem por alguns segundos.

- Regina... – a voz de Emma soou embargada. – Eu sei que é você. Por que você nunca fala nada em todas as vezes em que me liga? Todas as noites me questiono por que não conseguimos ser suficiente uma para outra.

Aqueles questionamentos de sempre lhe doíam demais. Só não tinha coragem de respondê-los e dar voz a uma tristeza que consumia sua alma a cada dia que ficava longe de Emma. Também se fazia as mesmas perguntas todos os dias ao adormecer. Ficava pensando se Emma também sofria na solidão de um quarto vazio.

○○○

- E então? Deu positivo ou negativo? – a loira não conseguiu conter sua ansiedade ao ver a esposa saindo do banheiro segurando firmemente os dois testes de gravidez em suas mãos.

Após três anos de casamento decidiram que era hora de ter um filho. Depois de analisarem todas as possibilidades que possuíam optaram pela fertilização in vitro pelas chances maiores de engravidarem. Depois de passarem por todos os procedimentos o óvulo fecundado foi transferido para o útero de Regina.

Depois disso ambas as mulheres tiveram que lidar com a ansiedade que sentiam enquanto esperavam para saber se o procedimento tinha dado certo. Naquele dia fizeram um teste de gravidez no laboratório por ser o mais confiável, no entanto, Regina não conseguiu conter sua curiosidade pela espera e comprou alguns testes na farmácia quando saiu do trabalho.

- Regina... – disse a loira sentindo o nervosismo dominar todo o seu corpo. – Responde alguma coisa. Deu certo?

- Emma! – a morena respondeu esboçando um sorriso iluminado que fazia jus à luz da lua cheia. – Nós estamos grávidas. O resultado oficial só sai amanhã, entretanto, temos dois testes de farmácia com resultado positivo. Em breve teremos um bebê para cuidar e compartilhar todo o nosso amor.

- Meu amor, eu estou me sentindo tão feliz. – Emma se ajoelhou em frente a Regina e depositou um beijo no ventre ainda plano da esposa.

As duas mulheres se abraçaram e em seguida Emma rodopiou a esposa pelo cômodo onde puderam pela primeira vez extravasar a felicidade que sentiam. Observaram que na maioria dos filmes que assistiram juntas ao longo do relacionamento sempre acabavam retratando a fertilização in vitro como algo bem superficial.

E ali nos meses em que se prepararam para isso que foram ter a real noção do quão desgastante o procedimento poderia ser para algumas tentantes. Felizmente para Emma e Regina havia sido tranquilo e não encontraram nenhum empecilho que pudesse atrapalhar o processo. E mesmo assim havia sido intenso para ambas as mulheres. Principalmente durante o período que estimularam os óvulos de Regina para que fecundassem com o espermatozoide do doador que escolheram.

- Sempre imaginei que ficaria muito feliz com a nossa gravidez, só que está sendo algo além do que eu imaginei. – a loira confidenciou. – É uma sensação de felicidade que não cabe dentro do peito.

- Eu te entendo perfeitamente. – a morena comentou com a voz embargada. – Porque eu também estou me sentindo da mesma forma. Você tem ideia da nossa sorte? Tem casais que tentam engravidar por anos e não conseguem e para a gente deu certo em nossa primeira tentativa.

- Eu passei a ter sorte a partir do momento em que te conheci. – declarou. – A partir daí a vida passou a ter um novo significado para mim.

- Eu ainda não consigo explicar como é a sensação de estar grávida. – admitiu enquanto admirava os olhos verdes da esposa. – Estou sentindo um frio gostoso na barriga que parece ser uma mistura de felicidade e medo. E acredito que a partir de agora será sempre assim. Tomamos a decisão de colocar um bebê em nossas vidas que dependerá da gente para tudo e eu não poderia imaginar viver tudo isso com outra pessoa que não seja você. Eu te amo Emma Swan.

- Eu também te amo Regina Mills. – disse Emma acariciando o rosto da morena que com os olhos fechados apreciava o gesto de carinho.

Beijaram-se.

Quando se beijaram pela primeira vez foi por impulso. Tentavam se convencer de que tinha sido coisa do momento. Um beijo casual e sem significado. Da segunda vez ainda não admitiam que sentiam algo uma pela outra. E com o tempo vieram vários beijos. Cada um deles com novos significados. O amor se fortalecia mais a cada dia. No dia do casamento foi algo singelo como se ambas as mulheres acariciassem os lábios uma da outra. E agora não foi diferente. Com aquele beijo selavam uma promessa de sempre uma estar pela outra.

○○○

Delicadamente passou uma de suas mãos pelo seu ventre e se permitiu derrubar algumas lágrimas enquanto se perdia em algumas lembranças do passado. Se fechasse seus olhos Regina conseguia se recordar nos mínimos detalhes de quando Emma a rodopiou ao redor do quarto quando descobriram a gravidez.

Sentia falta da simplicidade daqueles momentos. Já não conseguia mais esboçar um sorriso sem parecer algo forçado. Rodopiar pela sala em comemoração a algo não era a mesma coisa sem Emma. Já não beijava alguém sem se preocupar com o que acontecia ao seu redor.

Em dias como esse suas antigas lembranças vinham à tona sem nem ao menos lhe pedir permissão. Já não bastava sua luta diária em tentar lidar com as consequências das escolhas que tomou em seu passado. Infelizmente mesmo optando pela distância nunca conseguiu superar o fim de seu relacionamento.

Abriu a porta do guarda roupa com apreensão procurando por sua velha caixa de recordações. No dia a dia evitava remexer com aquelas lembranças. Deixava todas as suas memórias guardadas dentro de uma caixa ornamentada com fotos das duas.

Lembrou-se do dia em que Emma chegou em sua casa com o sorriso serelepe e a presenteou com a caixa customizada no primeiro dia dos namorados em que passaram uma com a outra. Segundo a loira aquela caixa era para guardar tudo o que achasse importante.

E a partir daí Regina passou a guardar ali dentro tudo o que remetia a história das duas. Observou algumas flores que haviam secado com o tempo. Releu bilhetes com declarações de amor da época em que namoravam. Até o guardanapo em que Emma a pediu em casamento. A loira queria pensar em algo especial para fazer o pedido, entretanto a história de amor entre as duas se construía através de suas próprias entrelinhas.

Cada objeto guardado ali dentro contava uma história. Eram fragmentos de uma história de amor. Alguns desses objetos a faziam sorrir com nostalgia enquanto outros a envolviam em uma melancolia. Desde o divórcio convivia com sentimentos tão opostos duelando dentro de seu peito. Cada vez mais se questionava em que momento o relacionamento com Emma havia perdido sua essência.

Quanto mais tempo ficava longe de Emma mais se distanciava da felicidade que um dia lhe pertenceu. A vida era como um jogo de tabuleiro onde os dados guiavam cada movimento dos jogadores. Já na vida eram os obstáculos que conduziam o destino de cada um.

E foram intermináveis os obstáculos que enfrentou durante o casamento com Emma. Ao lado de sua esposa vivenciou emoções intensas e superou quase todos os percalços. E pela primeira vez em quatro anos se permitiu segurar em suas mãos as lembranças que se pudesse gostaria de esquecer. Levou ao peito o par de sapatinhos de tricô amarelo que nunca foi usado e nunca cumpriu seu dever de aquecer um pezinho de um bebê.

○○○

Regina estava intrigada com Emma nas últimas semanas. E para ajudar seus hormônios estavam aflorados por causa da gravidez e por isso colocou em sua cabeça que a esposa não sentia mais desejo por ela. Ela a princípio tentou não surtar com as suas desconfianças, entretanto tudo que ela fazia para chamar atenção de sua esposa não dava certo.

No dia anterior Regina foi ao shopping com sua irmã mais velha e ambas as mulheres ficaram por horas escolhendo uma lingerie nova para que a morena pudesse surpreender Emma quando chegasse do trabalho. E como resultado a esposa lhe deu um selinho rápido e entrou no banho nem ao menos reparando no sutiã de renda que usava.

- Zelena. – disse com a voz embargada assim que a irmã atendeu ao telefone. – Eu não sei o que aconteceu, mas acho que Emma não me ama mais.

- Não é possível Regina. – a ruiva respondeu incrédula. – Emma é louca por você. Só falta beijar o chão que você anda.

- Zel, pare de brincadeiras. Eu estou falando sério. – a interrompeu. – De uns tempos para cá Emma perdeu o desejo por mim. Será que é por que eu estou gorda e feia?

- Nós não iremos entrar nessa discussão novamente. – foi categórica ao chamar a atenção da irmã. – Lembra do que conversamos ontem? Talvez ela esteja com muito trabalho acumulado.

- Você não sabe de nada Zelena. – replicou impaciente. – Eu pesquisei no Google e tem parceiros que perdem o desejo sexual durante a gestação. E se acontecer isso com Emma?

- Regina, não era você a senhorita que vivia falando cuidado com o extremismo do Google? – ironizou a irmã caçula.

- Para Zelena. – falou emburrada. – Eu liguei para que me ajudasse, mas pelo que parece terei que me aconselhar com o Google de novo.

- Mana, dê tempo ao tempo. – a aconselhou. – Antes de tudo por que você não conversa com a Emma? – sugeriu. – Aí você fala como está se sentindo. Talvez ela nem tenha percebido que você se sente sozinha.

- Eu não sei o que seria da minha vida sem os seus conselhos. – confessou.

- Seria uma vida completamente miserável. – se gabou. – Você seria uma surtada sem os meus conselhos.

- E você é uma convencida Zelena. Tenho quase certeza de que já te falaram isso. – a morena implicou. – No entanto, é a única irmã que eu tenho e eu te amo muito.

- Eu também te amo Regina. Acho que seu lado sentimental está me afetando. – falou. – Agora vai conversar e se resolver com sua esposa.

Após encerrar a ligação com a irmã, Regina resolveu seguir o conselho de Zelena e tentaria conversar com Emma para entender o que estava acontecendo com a esposa. Por mais difícil que fosse controlar suas emoções Regina faria o máximo para compreender as razões de Emma ter se afastado.

Como ainda escutava o som do chuveiro no banheiro que dividiam desceu até a cozinha e colocou em uma bandeja os cupcakes que havia assado mais cedo. Eram os preferidos de Emma. Ao entrar no quarto com o doce a esposa já havia saído do banho e estava vestida. Tinha na cabeça uma toalha para tirar a umidade dos fios mais rápido. Não tinha como Emma ficar mais adorável. Regina quase havia se esquecido dos motivos que a fizeram ir até o cômodo.

- Emma, acho que precisamos conversar. – a morena depositou a bandeja em cima da mesinha de cabeceira e chamou Emma para se sentar com ela na beirada da cama.

- O que foi? – questionou nervosa. – Está acontecendo alguma coisa com você e o bebê?

- Nós estamos ótimos. – a tranquilizou. – Quero conversar sobre a gente. Entendo perfeitamente que uma gravidez muda a vida de um casal e mesmo que a gente tenha durante meses se preparando para isso estou te achando meio distante e não é de hoje. Você mudou de ideia? Ou não me ama mais?

- De onde você tirou isso Regina? – a loira indagou surpresa pela pergunta. – É claro que eu te amo. Quer dizer amo vocês dois com tudo de melhor que tenho em meu coração.

- Mas então por que eu não sinto isso? – perguntou com a voz embargando. – Você anda muito ocupada nos últimos dias e quando tento passar algum tempo com você sempre aparece algo melhor e eu fico sozinha. Ontem passei horas escolhendo uma lingerie para te surpreender e nem ao menos notou. É por que eu estou gorda?

Emma não respondeu ao questionamento e saiu do quarto deixando Regina aos prantos ali. Voltou alguns minutos depois com uma caixinha toda ornamentada de patinhos e entregou na mão da esposa.

- Não chore meu amor. – disse com um sorriso adorável no rosto enquanto enxugava as lágrimas da morena. – É para o nosso bebê. Quero que saiba que meu amor por você cresce mais a cada dia.

- Por que ficou tão distante? – suspirou enquanto admirava a caixinha que sabia que tinha sido feita pela esposa.

- Por que você não abre o presente? – sugeriu. – Acho que vai entender.

Delicadamente a morena abriu a caixinha e chorou mais ainda quando viu ali dentro um par de sapatinhos de tricô amarelo. Hormônios. Só que dessa vez era um choro de emoção ao pegar em suas mãos o minúsculo sapatinho que seu bebê iria usar quando nascesse.

- Agora eu estou chorando de emoção. – disse Regina dando um singelo sorriso ao aceitar das mãos de Emma um lenço para enxugar as lágrimas – Que sapatinho mais lindo.

- Eu que fiz. – confessou. – Eu tenho feito aulas de tricô porque eu mesma queria fazer um presente para o bebê. Você sabe que eu sou péssima em atividades manuais e por isso demorei um pouquinho mais para aprender. Mas, quando terminei esse sapatinho senti meu coração aquecido assim como esse sapatinho vai aquecer os pezinhos de nosso bebê quando nascer.

- É lindo. – Regina sorriu emocionada. – É o sapatinho mais lindo que eu já ganhei. Foi feito por você e eu consigo ver sentimentos em cada linha tricotada. Agora eu que estou me sentindo uma boba por ter achado que você não me amava mais.

- Isso eu tenho que concordar. – ambas as mulheres riram. – Meu amor por vocês dois é a única certeza que tenho em minha vida.

- Eu já disse que te amo hoje? Regina questionou ao mesmo tempo em que puxava Emma para um beijo apaixonado.

- Disse sim. – riu travessa. – Disse quando você acordou e fez carinho em meus cabelos pensando que eu estava dormindo. – confessou surpreendendo Regina. – Eu presto atenção em todos os seus detalhes. Inclusive não vejo a hora de poder tirar eu mesma a lingerie que está usando.

- Você notou! – exclamou Regina sorrindo. – Eu sou muito boba mesmo.

- Mas, eu te amo mesmo assim. – se declarou. – Mas, também tive a minha parcela de responsabilidade nisso tudo. Você acabou se acostumando com meu jeito impulsivo. – falou. – Afinal, meu pedido de casamento foi feito em um guardanapo no meio de nossa cafeteria preferida porque começou a tocar a nossa música e eu senti que o momento era aquele. E eu nem ao menos tinha um anel de noivado.

- Foi um dos dias mais especiais da minha vida. – comentou. – Com ou sem anel de noivado eu me senti a pessoa mais realizada do mundo.

- Eu sempre fui impulsiva e deixava o momento me guiar em quase tudo em minha vida. Mas, desde que nos planejamos para engravidar e descobri que teria um bebê com você comecei a me questionar sobre muitos assuntos. – desabafou. – E eu percebi que teria que mudar um pouco ao ser mãe. Não poderia lidar com tudo na base do impulso. Não seria certo. Algumas coisas só descobriremos quando o bebê nascer, entretanto, eu queria aprender a me planejar desde agora. Por isso quis me comprometer ao máximo em tricotar o sapatinho que nosso bebê irá usar. É mais do que um sapatinho. Foi um momento de muito aprendizado para mim.

- Foi e será o presente mais lindo que ele vai receber. – se emocionou com as palavras da esposa. – Eu te amo Emma Swan.

Mais uma vez se beijaram. Novos beijos repletos de novos significados foram trocados por ambas as mulheres naquela noite. E Regina teve a atenção da esposa em todos os sentidos que se pode imaginar.

○○○

- Eu não consigo mais. – disse com a voz trêmula enquanto apertava os lençóis brancos da cama enquanto fazia força. – Está doendo muito.

Regina não sabia o que lhe machucava mais naquele momento. Se era a dor física ou a que sentia em seu coração.

Naquela manhã havia despertado apreensiva porque desde o dia anterior não sentia o bebê mexer. Ainda não sabiam o sexo. Deixariam para descobrir na hora do nascimento. Emma não queria preocupar a esposa, entretanto, também se preocupava e tentava guardar dentro de si mesma todas as suas preocupações para não deixar a morena mais apreensiva ainda.

Só que agora nada disso mais importava. Tentavam lindar com a ausência. Ausência de tudo. De movimentos. De um coração batendo. E de explicações. Pois, até a última consulta que fizeram não havia nada de errado com o bebê. Passado o choque veio a parte mais difícil. A de se preparar para um nascimento onde não poderiam escutar ao menos um barulho de choro. Teriam que se contentar com o silêncio.

Injeções de ocitocina. Teriam que induzir as contrações. Por mais difícil que fosse tiveram que tomar uma decisão. Parto normal ou cesariana? Ambas as mulheres tiveram que esquecer por um momento a dor que sentiam e se preparar para um parto que jamais imaginariam ter.

- Eu não aguento mais Emma. – Regina chorou após mais uma contração.

Já estava há uns vinte minutos empurrando e nada acontecia. Não aguentava mais toda aquela situação. Sentia-se culpada. Quem sabe se tivesse procurado o médico mais cedo evitaria tudo o que estava acontecendo.

Evitava pensar que depois que o bebê nascesse não escutaria seu choro. Não veria seus movimentos. Ela e Emma nem ao menos haviam decidido qual nome colocariam nele. Não teriam nada. Era assim que seu coração estava no momento. Um monte de nada.

- Eu não quero mais empurrar. – disse se encolhendo em posição fetal na cama. – Não quero mais.

- Meu amor. – disse Emma chorando enquanto falava com a esposa. – Vamos empurrar nós duas, ok?

Acordou com o pijama que usava encharcado de suor. O pesadelo era o mesmo de sempre. Sua respiração estava entrecortada e lágrimas caíam sem reservas de seu rosto. Várias lembranças destoadas que insistiam em lhe atormentar por vários anos sem lhe dar trégua.

Em seu pesadelo o medicamento era injetado em suas veias. E então vinha a dor insuportável. Lancinante. As contrações lhe acompanhavam em forma de pesadelo por todos os dias desde que seu bebê havia nascido sem vida.

Acordava desses pesadelos com seus próprios gritos. E em algumas das vezes seu estômago doía da mesma forma de quando estava em trabalho de parto.

Se a perguntassem o motivo de sua separação não sabia explicar. Tudo havia acontecido tão rápido que mal teve tempo de absorver tudo o que aconteceu em tão pouco tempo. Entretanto, a perda do bebê havia sido um dos estopins. Tinha consciência disso. A perda tão repentina havia sido difícil para ambas as mulheres e a partir daí o relacionamento entre elas nunca mais foi o mesmo.

O que era para ser uma das épocas mais felizes de suas vidas se tornou um pesadelo de uma hora para outra. Não souberam lidar com suas próprias dores. Ambas sofriam de forma isolada e não conseguiam compartilhar uma com a outra a dor que sentiam.

Assim começou o distanciamento e as desculpas. Hora extra no trabalho. Era a desculpa mais usada por Regina. Afinal, a morena sabia que se usasse a papelada como válvula de escape a impediria de lidar com sua própria dor. Se ocupar com as responsabilidades do trabalho a impediria de sofrer sozinha por sua perda. Tinha que ser assim. Não podia colocar mais um fardo sobre as costas de sua esposa.

Toda vez que pensava em Emma se perdia em todas aquelas lembranças. Ainda a amava com todo seu coração. Passou quatro anos se perguntando se Emma ainda sentia o mesmo. E no dia anterior teve a certeza do que se questionou por tanto tempo ao ouvir mais do que um “alô” falado por ela.

Agora quatro anos depois do término percebeu que foi teimosa. Quer dizer, ambas foram teimosas. Ao invés de unirem suas dores e superarem juntas a perda do filho preferiram se isolar e cada uma lidar sozinha com as dores de perder um filho.

Era um menino. O chamaram de Henry. Quando ele nasceu apesar de toda a dor que massacrava seu coração Regina o pegou no colo por uma única vez. Ele era tão pequeno. Parecia estar dormindo serenamente. Os fios castanhos pareciam a mistura perfeita de seu cabelo com o de Emma. Ali naquela rápida despedida sentiu que um pedaço de seu coração havia ido embora junto com o filho.

Por vezes até evitava pensar em sua ex-mulher, pois sabia que perderia horas pensando no que poderia ter feito para dar certo. Se ela sentia sua falta? Se também chorava todos os dias agarrada ao travesseiro até adormecer?

E como Emma lhe questionou no dia anterior também se perguntava diariamente por que não conseguiram ser suficiente uma para a outra. E cada vez mais chegava à conclusão de que não lutaram o suficiente para dar certo.

Todo o processo de separação foi tão difícil porque ainda se amavam. Se não existissem sentimentos não doeria tanto dar fim ao que viveram juntas. Passou anos sentindo uma dor que nunca foi amenizada. E o vazio em seu coração só seria preenchido ao lado dela.

Ela só não sabia como dar esse primeiro passo. Os obstáculos a levaram para caminhos diferentes no tabuleiro da vida. No entanto, ela só tinha uma vida para ser vivida e já havia perdido muito tempo dela com suposições.

- Emma. – dessa vez respirou fundo e reuniu toda a coragem que conseguiu mesmo assim sua voz saiu embargada.

- Regina. – Emma a respondeu. – Aconteceu alguma coisa?

- Ontem eu tentei te ligar. Estou me sentindo em pânico. – finalmente desabafou o que vinha lhe afligindo há dias. – Estou grávida de novo e não sei o que fazer.


Notas Finais


O que acharam? Teve umas partes bem difíceis de escrever, mas senti que escrevi o que precisava escrever para essa one.
Como falei lá em cima, essa ideia já tava em minha mente há alguns meses, então tenho alguns planos para ela quando terminar umas das fics que tá em andamento.

Uma lista de leitra com todas as fics participantes do festival
https://www.spiritfanfiction.com/listas/festival-marisa-monte-5915017


Pra quem não conhece vou deixar minhas outras fics abaixo

Contato
https://www.spiritfanfiction.com/historia/contato-7203984

Piece by Piece
https://www.spiritfanfiction.com/historia/piece-by-piece-18724739

Novos Caminhos (Conto original)
https://www.spiritfanfiction.com/historia/novos-caminhos-13993453

Piece by Piece (One shot para o festival Swan Queen divas do pop)
https://www.spiritfanfiction.com/historia/piece-by-piece-12708237

Mudaram as estações (One shot para o festival Swan Queen músicas dos anos 90)
https://www.spiritfanfiction.com/historia/mudaram-as-estacoes-11148148


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