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História Make You Wish I Was Dead. - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Chapter three - Family


Fanfic / Fanfiction Make You Wish I Was Dead. - Capítulo 3 - Chapter three - Family

POV: Lily.

 

Dizer que eu estava ansiosa para reencontrar meus irmãos era mentira. Não é como se eu pudesse simplesmente chegar para eles e dizer “hey, então. Acharam que eu estava morta né? Pois então, acharam errado”. Eles deviam estar no mínimo furiosos comigo. Me pergunto como eles vão reagir ao descobrir que mamãe e papai sabiam.

Depois da conversa inspiradora que tivemos com os adultos nós três caminhamos até o quintal onde os garotos jogavam quadribol. Observei meus irmãos e senti um medo irracional tomar conta de mim. O problema de quando você toma decisões como a que eu tomei dois anos atrás, é que você não pensa em como contar a verdade quando a hora chegar.

- Crianças venham comer. – gritou alguém da cozinha e logo eles desceram. Eu observei meus irmãos e não consegui evitar um sorriso. Esses idiotas não haviam mudado nada.

James continuava com seu sorriso irritante no rosto e parecia ter crescido alguns centímetros, enquanto Alvo estava ainda mais parecido com papai. Seus olhares passaram sobre nós e pousaram em mim.

- Lily?! – disse (vulgo berrou) Alvo correndo em minha direção. Eu concordei e ele me deu um abraço tão apertado que eu pude sentir toda a minha coluna estalando.

- Eu sabia! Sempre soube! Você é irritante demais para morrer assim tão fácil! – comemorou ele, dei uma risada. James se aproximou e me deu uma olhada.... Fria?

- Vamos, as pessoas estão esperando. – disse ele, Alvo lhe deu um tapa.

- Você percebeu que nossa irmã morta está aqui.... Viva. – falou ele, meu irmão mais velho se virou para mim.

- É muita coragem você aparecer aqui depois dessa sua brincadeira de mal gosto Lilian. Mas é claro, todos estamos incrivelmente felizes de te ter de volta. – falou ele ironicamente e virando as costas. Fiquei em choque. Tudo bem que eu não esperava ser recebida com flores nem nada do tipo, mas isso com certeza foi inesperado.

James passou o almoço inteiro em silêncio - o que não era muito comum - e Fred não parecia muito contente, o que me fez pensar que talvez Anne não estivesse numa situação muito melhor que a minha. As duas únicas pessoas que pareciam genuinamente felizes em nos ver eram Alvo e Louis (que parecia não querer desgrudar de Dom). Rose fez alguns questionamentos, mas como sempre não fez questão de conversar muito conosco. Hugo pareceu feliz em me ver, mas não quis saber de conversar.

Quando fomos embora a situação ficou ainda pior. Alvo fazia muitas perguntas sobre Beauxbatons enquanto mamãe e papai ouviam atentamente, James por outro lado parecia não querer nem ver minha cara e muito menos ouvir sobre como tinha sido meus dois últimos anos. Depois de ter respondido pelo menos umas duzentas perguntas sobre a escola mamãe nos mandou para cama pois já estava tarde. Ela me abraçou fortemente e me deu um beijo.

- Por favor não vá para lugar nenhum. – pediu papai enquanto me abraçava, dei uma leve risada.

- Prometo. – respondi assim que ele me soltou. Subi e segui até meu quarto, mas barulhos vindo do quarto ao lado do meu me fizeram parar.

Encostei meu ouvido a porta e pude ouvir mais claramente os soluços vindos do quarto de James. Abri lentamente a porta e o vi sentado na beirada da cama com o rosto entre as mãos. Ele levantou os olhos e me encarou, em seguida desviou o olhar.

- Está tarde. – disse ele, encostei a porta e adentrei o quarto.

- Posso me sentar? – pedi, ele não respondeu e eu me acomodei a seu lado.

- James, eu sinto muito. – pedi, ele permaneceu em silêncio.

- Quando você desapareceu, eu continuei dizendo para mim mesmo que era apenas momentâneo. Que você estava chateada e que quando se acalmasse você voltaria para casa. – começou ele.

- Mas isso não aconteceu. E em questão de meses mamãe não queria nem sair da cama, papai não parava mais em casa e Alvo estava destruído. – continuou ele, senti meus olhos arderem.

- Eu estava arrasado. Mas meu senso de responsabilidade falou mais alto, eu sou o mais velho. Não tinha tempo para lidar com o que eu estava sentindo, estava mais preocupado em garantir que meu irmão caçula não definhasse até a morte. – ele disse e eu senti uma lágrima escorrer por minha bochecha.

- O tempo passou e mamãe e papai superaram e depois de verem o estado deplorável que Alvo estava papai contou que você estava viva sem que mamãe soubesse, ele disse que você precisava de um tempo – explicou ele, vi uma lágrima escorrer por seu rosto.

- E o pior. É que eu não conseguia parar de pensar que isso era tudo minha culpa. Eu não fui um bom irmão, eu fazia brincadeiras idiotas e por isso eu não merecia sentir sua falta. – continuou ele, segurei a sua mão.

- Não foi sua culpa. – tranquilizei, ele deu uma risada sem humor.

- Foi sim. Eu era um babaca Lily. – respondeu ele, dessa vez eu ri.

- Não diria um babaca, mas um idiota com certeza. – brinquei, ele riu.

- Eu sinto muito, muito mesmo. – disse ele, sorri fracamente.

Foi então que eu percebi. Eu não guardava mágoa de nenhum deles. Era estranho, mas estando aonde eu estava agora me fez perceber como eu sentia falta deles. Sentia falta das piadas, das pegadinhas sem graça de James, dos treinos de quadribol aos fins de semana com papai, de comprar o material no beco com a mamãe, de fazer trégua com Alvo para aprontar com James. Senti lágrimas descerem por meu rosto.

- James eu sinto muito. – pedi, ele me olhou e deu um sorriso.

- Depende, vai me dar uma razão boa o suficiente para eu perdoar os dois anos que eu passei miserável me culpando pelo que tinha acontecido. – brincou ele, dei uma risada e suspirei.

- Eu.... Apenas não achava que eu fosse boa o suficiente. – falei simplesmente, ele me encarou incrédulo.

- Boa o suficiente? Para que? Exatamente? – questionou ele.

- Para tudo. Para ser filha da família Potter, irmã dos incríveis James e Alvo Potter. – expliquei, ouvi uma risada vinda da porta. Olhamos e vimos Alvo parado nos encarando.

- O que? Se estamos abrindo o coração entre irmãos eu acho que mereço estar aqui, não? – perguntou ele, James riu e eu sorri.

- É muito engraçado você dizer isso. A única coisa que os alunos mais velhos falavam era sobre como a filha caçula dos Potters era um gênio e como ela podia ser irmã de dois garotos que não tinham nada além de beleza, notas medíocres e um certo talento para quadribol. – falou James, eu o olhei incrédula, Alvo concordou.

- Meu ego foi ferido várias vezes. – disse Al, dei uma risada. Sorri marota.

- Então eu vou feri-lo novamente. Fui adiantada de ano. – contei, James caiu na risada e Alvo arregalou os olhos.

- O que? Você está no meu ano? – perguntou ele incrédulo, concordei.

- Lilian você não é justa. – resmungou ele, papai apareceu na porta.

- Achei que a mãe de vocês tinha dito para irem dormir. – falou ele, Alvo se virou para ele.

- Como assim a Lily adiantou o ano? – ele falou, papai me olhou com um sorriso.

- Então ela já contou. – disse ele, Alvo bufou.

- Mas isso não vale. É trapaça. – resmungava meu irmão, eu e James rimos. Papai ignorou com um sorriso no rosto.

- Não demorem. A menos que queiram sua mãe acordando o vilarejo inteiro com seus gritos. – falou papai, concordamos.

Assim que ele saiu eu me levantei e abri meus braços. Alvo revirou os olhos sorrindo e veio a meu encontro, James deu uma risada e se juntou a nós.

- Me desculpem. – pedi, eles concordaram.

- Só não tente fugir de novo, senão eu te mato. – falou James, ouvi Al falar algo como “e eu ajudo”.

Eu e Al andamos até a porta, mas antes que eu pudesse sair ouvi meu irmão me chamar.

- Lily. – falou ele, me virei e o encarei.

- Sim? – respondi, ele deu um sorriso.

- Você não mudou nada. – disse ele sorrindo, revirei os olhos.

- As pessoas normalmente diriam “você está bonita” – respondi.

- Mas você sempre foi bonita. – disse ele como se fosse obvio.

- Ah certo, e você fazia questão de me chamar de feia o tempo inteiro por que motivo, exatamente? – questionei arqueando a sobrancelha.

- Por que é para isso que servem os irmãos mais velhos. – disse ele simplesmente. Dei um sorriso.

- Boa noite James. – desejei saindo e fechando a porta.

Entrei em meu quarto e comecei a olhar ao redor. Minhas coisas estavam exatamente como eu havia deixado, com minhas roupas penduradas de qualquer jeito no armário. Os livros que havia comprado no primeiro ano empoeirados na estante junto aos dos anos seguintes e alguns que eu havia comprado apenas para diversão. Ao canto do quarto empoeirada estava minha vassoura e sobre minha cama as bandeiras da grifinória e fotos de família estavam presas a parede. Depois de observar tudo percebi que não tinha essa sensação há muito tempo. Era algo como nostalgia. Suspirei e fui me preparar para deitar.

Quando abri minha mala para retirar o pijama encontrei uma carta com uma letra delicadamente traçada, sorri quando percebi de quem se tratava.

“Querida Lily;

Não posso dizer que me orgulho de estar tendo que me despedir de você por uma carta, mas não acho que aguentaria lhe dizer adeus pessoalmente. Eu espero que seus anos comigo tenham sido proveitosos e que você tenha encontrado o que tanto procurava, embora eu ache que nunca houve nada a ser encontrado.

Você é uma bruxa extraordinária Lilian Luna, e não há nada que a faça mais digna de fazer parte do lugar onde você está do que seu coração bondoso e sua mente brilhante. O mundo com toda certeza pode ser pequeno demais para sua sabedoria, pequena Potter. E do fundo do meu coração eu quero que saiba, que nada faz uma diferença tão grande quanto inteligência e bondade. Seu pai me ensinou isso em diversas ocasiões.

As pessoas podem dizer o que quiserem a seu respeito querida, mas ao fim do dia o que realmente importará é o que você pensa sobre si mesma. Como um último conselho eu lhe digo; as pessoas enxergarão você a partir de como você vê a si mesma. Aprenda a valorizar o dom maravilhoso que lhe foi dado e perceberá que a mudança que você tanto procurava nunca esteve fora, mas sempre dentro.

Tenha orgulho de seja feliz. Afinal; como você enfatizou em diversas ocasiões. O sobrenome é Potter, mas o nome é Lilian. E todos os bruxos sabem o quão grandiosa sua avó foi, ela com certeza teria muito orgulho de você.

Não hesite em me procurar caso precise, mesmo que eu ache que não precisará. Me despeço com o coração leve e feliz. Estou muito orgulhosa.

Fique bem e me escreva.

- Tia Elle.”

Dobrei a carta e sequei as lágrimas teimosas que rolaram por meu rosto. Guardei-a cuidadosamente de volta ao malão e continuei a me arrumar para dormir. Coloquei o pijama e parei em frente ao espelho. Dei uma risada. Cabelos maravilhosamente ruivos e totalmente opacos, confere. Olhos castanhos enormes em um rosto cercado de sardas, temos também. Agora com quinze anos com corpo das meninas do terceiro ano, perfeito. Senhoras e senhores, aí temos a receita perfeita para a fazer a ruiva mais nova e brilhante da família Potter.

No fim das contas, James estava certo. Eu não havia mudado nada, mas subitamente quando as pessoas começaram a notar que eu tinha algo a oferecer. Eu me senti incrível. Mas estando aqui, hoje eu percebi. Eu fui egoísta. Talvez eu precisasse daquilo, mas a verdade foi que eu não me importei com as pessoas que eu machucaria para conseguir me sentir bem comigo mesma.

A cada vez que eu paro para refletir eu percebo. Em todas as piadas de mal gosto que as pessoas falavam, James intervia a meu favor. A cada vez que eu alcançava algo novo, Alvo era o primeiro a sair garganteando sobre como a irmã caçula dele era um gênio. Sempre que havia algum evento importante, papai fazia questão de dizer o quão brilhante eu era. A todo evento de quadribol, mamãe fazia questão de dizer que eu era a melhor artilheira do time da minha casa.

Quando deitei a cama eu senti lágrimas escorrerem copiosamente e um sorriso brotou em meus lábios. Eles não eram perfeitos, mas sempre estiveram comigo e valorizavam tudo o que eu atingia. Sempre. Mesmo meus irmãos com suas piadas idiotas comemoravam qualquer conquista que eu adquiria, por mais estúpida que fosse. Suspirei e me virei para o lado fechando os olhos “ah Lilian Luna, se você só imaginasse que a única pessoa que não te valoriza é você mesma…”.



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