1. Spirit Fanfics >
  2. Malleus Maleficarum >
  3. Caça às Bruxas

História Malleus Maleficarum - Capítulo 7


Escrita por: kiri_nami

Capítulo 7 - Caça às Bruxas


 

BRADBURY - 2004

 

Faziam três dias que eu começara a frequentar a casa da minha família... Três dias desde que minha mãe aceitara restaurar meus poderes para que eu pudesse livrar a cidade do que quer que estivesse fazendo mal àquelas meninas. Já tínhamos feito muito progresso, e eu conseguia fazer alguns feitiços sem me cansar.

Era noite de sábado, e eu estava de pé em frente ao espelho do banheiro terminando de pentear o cabelo. Connor, Chanyeol e eu nos encontraríamos na casa do médico-legista para nossa primeira reunião após coletar algumas informações e provas. Além disso, o primeiro havia conseguido marcar um encontro com o seu chefe na delegacia daqui a dois dias, e eu andava ansioso para todos os lados; até mesmo meus colegas, Einar e Isabella, quem eu via com baixa frequência pelos corredores do motel, haviam notado meu estado de nervos.

Tranquei a porta do quarto e na mesma hora meu celular tocou. Era Connor que me esperava lá embaixo para uma carona. Desci as escadas com calma, e quando pus o pé no chão, a lâmpada começou a piscar.

-Agora não, por favor - implorei baixinho, começando a caminhar. Se a assombração que estivesse atrás de mim queria me pegar, teria que suar um pouco pra isso. À medida que eu avançava a luz falhava em cima de mim, eu eu pude ouvir passos além dos meus. Alguém gritou e ouvi vidro se quebrando, mas parecia que o som estava dentro da minha cabeça. Os passos aumentaram e ficaram mais pesados, e eu me atrevi a olhar para trás, mas não vi nada; apenas passos que se intensificavam e as luzes que falhavam.

Apressei ainda mais o passo e o som ficou ainda mais próximo, virei o rosto mais uma vez e quando o barulho estava tão próximo que parecia grudado em mim, esbarrei em alguma coisa e caí de costas.

-Opa, tudo bem aí? - reconheci a voz de Connor e olhei para cima, vendo ele encostado na traseira de um carro esporte.

-Oi - esfreguei a cabeça no lugar onde a placa ficava. Ela começara a latejar - Estou muito atrasado?

-Não... Ei, você está bem? - ele se abaixou e franziu a sobrancelha - Vi você correndo apavorado, mas não tinha nada pra lá.

-Ah, só achei que estava atrasado, só isso - sorri, apesar de ainda estar sentindo o peito doer de tão forte que meu coração batia. Escondi minhas mãos trêmulas e me levantei - Vamos?

������

Durante toda a viagem eu segui calado enquanto Connor matraqueava sem parar. Ainda estava tentando entender como não percebera as intenções ruins daquela coisa se aproximando, nem como não consegui ver. Era algo muito poderoso... Poderoso demais até para minha mãe. Eu precisava pegar mais pesado nos treinos se queria acabar logo com aquilo.
 

Estacionamos em frente a uma casa com grades de ferro e cerca elétrica. Um gramado vasto se estendia na frente da casa e um caminho de pedra conduzia até a porta da casa, que era toda em pedra escura. Parecia mais um castelo gótico do que uma casa, e eu podia apostar que fazia mais frio lá dentro do que em toda Bradbury.

Atravessamos o gramado e Connor apertou o botão da campainha enquanto eu esperava mais atrás, admirando a arquitetura sinistra do lugar. Se tivessem gárgulas nas colunas, com certeza eu confundiria com a casa do Drácula.

A porta foi aberta e ele nos atendeu; vestia jeans, moletom e tênis no maior estilo informal.

-Boa noite - foi o que disse antes de dar um passo para o lado e nos permitir entrar. A casa era ainda mais sinistra do lado de dentro, com móveis que pareciam datar do século XIX e um relógio enorme com pêndulo. Que tipo de pessoa tinha um relógio de pêndulo em casa em plenos anos 2000?!

Seguimos até a sala de jantar que tinha um lustre com muitos cristais e nos sentamos. É pouco dizer que ficamos analisando documentos e construindo teorias em menos de quatro horas, pois quando decidimos fazer uma pausa para o café, os primeiros raios de Sol já despontavam por trás das montanhas enevoadas.

Enquanto Chanyeol passava o café, Connor saiu para ir à padaria, e eu fiquei na sala, analisando o quadro onde fotos das meninas estavam dispostas, cada uma rodeada por papeis com informações como nome dos pais, escola, endereço, nome de amigos e os locais que costumava frequentar. Nossa única pista era a escola, que era comum para todas elas... Mas era a única escola do ensino médio na cidade, e elas possuíam círculos de amizades distintos.

Eu precisaria ir até a escola, e até a casa dessas meninas. Era o único jeito de investigar... A polícia deve ter vasculhado tudo e investigado, mas se tivesse alguma coisa sobrenatural ali, eu sentiria.

De repente dois braços circundaram minha cintura por trás e eu levei um susto, mas era apenas Chanyeol me abraçando. Ele cheirou meu cabelo e depositou um beijo suave na minha nuca, o que me fez arrepiar.

-Vem tomar um pouco de café e relaxa, você está parado na frente desse quadro há uns cinco minutos sem se mexer. Estava dormindo em pé?

-Só estava pensando - coloquei as minhas mãos por cima dos braços dele e me virei para encará-lo. Ele levou uma das mãos enormes até minha bochecha e fez um carinho ali. Meu coração falhou uma batida e eu quis correr dali e me jogar na frente de um trem.

Nosso contato visual foi cortado quando o barulho da porta se abrindo se fez presente. Nos separamos a tempo de Connor entrar na sala com uma sacola da padaria que havia ali perto. Nós organizamos a mesa e enquanto o médico e eu comíamos em silêncio, o policial falava sem parar.

-Obrigado pela comida, mas estou atrasado para encontrar minha equipe - falei enquanto olhava o meu relógio de pulso. Eu estava realmente atrasado.

-Mas nós ainda não definimos as fun... - Connor começou a falar, mas fomos interrompidos pelo toque de um telefone. E depois mais um, e outro. Nós três nos entreolhamos e cada um foi para um cômodo, afinal, ninguém poderia saber da nossa investigação independente.

Quando atendi, fui recepcionado pelos berros de Isabella, que perguntava onde eu havia me metido. Ela estava totalmente histérica.

-Calma, já estou chegando - falei com a voz mais mansa possível.

-Calma o caralho, Baekhyun. Acharam outro corpo.

������

Se não fosse por Connor no banco do motorista, com certeza já teríamos sido enquadrados pela polícia por excesso de velocidade. O oficial dirigia como se disputasse a final da Fórmula 1, buzinando e derrapando pela pista. As pessoas que estavam fazendo sua caminhada saíam correndo para a calçada assustadas, apontando para o veículo em que nós três estávamos. Eu estava no banco de trás, me segurando nas tiras sem par dos cintos de segurança, sentindo meu corpo pular a cada lombada.
 

Em menos de cinco minutos estacionamos na frente da casa da vítima, que estava cercada por policiais, a equipe forense e civis curiosos. Uma mulher estava sentada na calçada chorando muito e berrando palavras soltas enquanto um homem a abraçava e escondia o rosto nos ombros dela. Engoli em seco e fechei os punhos.

-Eu preciso ir para o necrotério - Chanyeol disse assim que Connor e eu saímos do carro.

-Pode ir com o meu carro, mas quero que me busque na delegacia - o policial sorriu, apontando para o amigo. O mais alto retribuiu o sorriso e depois lançou um olhar sério para mim, no que eu apenas assenti. A mensagem era clara.

"Tome cuidado."

Connor mostrou seu distintivo e eu mostrei meu crachá ao policial que vigiava a entrada da casa, uma construção simples, com um gramado estreito, um portão de ferro e a garagem aberta e pequena. Subimos o pequeno degrau de entrada e passamos pela porta aberta, sendo recebidos pela equipe forense passando de lá pra cá colocando tudo que pudesse nos saquinhos de evidência. O chão tinha manchas vermelhas enormes e algumas pegadas, e a porta de um dos quartos parecia ter sido pintada de vermelho de cima a baixo, com certeza era o quarto da vítima.

A pobre coitada estava estirada no tapete, seu olhos arregalados e a boca aberta, como se tivesse morrido gritando. Seu peito estava completamente estraçalhado, e onde devia estar o coração, não tinha nada. Seu fígado estava jogado aos pés da cama, completamente dilacerado. Os lençois estavam tingidos em vermelho e revirados, e o vidro da janela estava quebrado e sangue pingava sem parar.

-Você está aí! - ouvi a voz irritada de Isabella soar acima de toda cacofonia de conversas e estalos de máquinas fotográficas. Ela e Einar estavam na porta do quarto, ela com a câmera em mãos e ele com os braços cruzados.

-Bom dia? - ergui uma sobrancelha.

-Onde estava? Procuramos você por todo o motel - Einar falou, parecendo impaciente. Ele lançava olhares para o lado de fora da casa a todo momento.

-Dormi na casa de um amigo que reencontrei aqui - dei de ombros - Preciso falar com vocês depois, sobre os depoimentos que colheram.

-Precisamos enviar uma gravação ainda hoje sobre o que aconteceu nesses últimos dias, que material você tem? - Isabella batia os pés no chão impacientemente.

-Descobri pouca coisa, mas pode nos ajudar. Agora vão lá falar com os pais antes que a polícia os levem pra delegacia - balancei uma mão no ar, como se os enxotasse. A camerawoman fez careta, mas foi atrás do colega.

-Tudo bem? - Connor perguntou, erguendo os olhos do corpo da garota. Ela não devia ter mais que 16 anos.

-Sim, só atritos por conta do serviço, coisa normal - dei de ombros e me agachei ao lado dele.

-Não toque nela - um dos membros da equipe forense quase arrancou meu braço fora ao tentar me impedir de tocar no cadáver, mas eu precisava senti-la. Coloquei as luvas a contragosto e comecei a levantar os seus braços, mexer nos cabelos e erguer o tecido da roupa arruinada à procura de alguma marca de ritual ou algo assim.

Nada.

-Connor, precisamos de você lá fora - o policial bigodudo do outro dia apareceu à porta, chamando meu companheiro. Ele me lançou um olhar de desculpas e segui porta afora, enquanto eu o olhava se afastar.

Percebi que a maioria das pessoas já havia deixado o quarto, e algumas das mulheres estavam de costas, terminando de colher evidências. Inclinei-me sobre o corpo e segurei a mão ensanguentada da garota, com o meu rosto quase encostado ao seu.

-Sit superno ipso revelare! - recitei o feitiço de revelação do anormal o mais baixo que pude, sentindo a temperatura do quarto cair drasticamente de um hora pra outra.

-O que é isso? - uma das mulheres no quarto exclamou, esfregando seu braços. Nossas respirações saíam como fumaça no ar, e os móveis começaram a ranger.

De repente a mão dura e gélida que eu segurava se fechou sobre a minha, e as mulheres gritaram. Uma energia quente atingiu o meu peito e eu caí para trás, sentindo meu coração disparar.

Na mesma hora em que soltei a mão da menina, as coisas voltaram ao normal. Olhei para as duas moças à minha direita e elas estavam espremidas no canto da parede, os olhos fechados. Elas não podiam sair dali contando o que haviam visto de jeito nenhum.

-Quod cum vidisset oblitteratum! - falei enquanto apontava para as duas. Agora todos aqueles minutos anteriores não existiriam mais. Me levantei enquanto elas olhavam em volta, confusas, e saí do quarto. Duas pessoas já entravam com uma maca e os sacos de óbito para levarem o corpo ao necrotério. Dei passagem a eles e segui pelo corredor até a porta de entrada da casa, sendo recebido pela luz do Sol. Levantei um braço para bloquear a claridade e desci pelo jardim. Um dos policiais era entrevistado por Einar, e Isabella me lançou um olhar de advertência quando passei por ela, mas eu nem prestei atenção. Precisava chegar ao necrotério o mais rápido possível, pois se eu estivesse certo da minha teoria, até eu mesmo corria perigo naquela cidade.

Quando lancei o feitiço de revelação sobre a garota, eu esperava que nada acontecesse além de um lápis caindo ou a porta batendo, até porquê Bradbury é uma cidade que possui uma energia sobrenatural, porém as proporções daquilo foram catastróficas, e o meu maior medo se concretizou.

A vítima era como eu, ela era bruxa. E se as outras meninas fossem também, isso significava que alguém, ou algo, estava nos caçando, e não iria parar até que todos fossem eliminados.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...