História Mamãe, nós devemos contar? - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abuso, Doméstico, Feminismo, Mulher
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Palavras 511
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Violência
Avisos: Estupro
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Atualmente, é quase que inevitavelmente olhar para uma dona de casa e não imaginar seu suposto sofrimento, em seu dia a dia. O Brasil é um dos países com uma taxa de violência altíssima e entre estas está a violência e abuso domestico, perdendo apenas para o cárcere privado de mulheres sem voz.

Não é questão de feminismo e sim do ser humano, em si. Homens têm seus corpos e mulheres não passam a mão e nem tentam o estuprar, quando estão dormindo. Mas e quando, nós estamos? Até quando seremos suas vítimas?

Hoje, o abuso está em palavras, mas amanhã pode ser dentro da sua própria casa. Não fique calado, denuncie.

Capítulo 1 - Mamãe, nós devemos contar para a polícia? (Único).


Mamãe, nós devemos contar para a polícia que ele também te estuprava?


Estava chovendo mais uma vez, o que era de se esperar para dias de inverno como estes — como os dias de inverno em que nós sempre passávamos, aqui em Gramados, no nosso único e amado lugar. Olhei para o relógio na parede, esperando que todo aquele barulho se cessasse, mas ele, o barulho, olhava pra mim, e continuava gritando e se estalando em minha cabeça, pela escada da copa, até o quarto da mamãe e o papai.


Ela deveria ter me escutado quando os policiais vieram aqui, mais cedo. Eu disse a ela: “mamãe, conte a verdade para eles, diga que o papai também te bate!”. O que recebi: um peteleco na cabeça, por sua mão gélida e enfaixada — quebrada pelo papai — me dizendo que crianças não devem se meter em assunto de gente velha. Mas, poxa! A mamãe sempre diz que não podemos deixar as pessoas nos baterem.


Será que ela mentiu?


Ouço o ruído esguio de seu choro, depois o agudo e grave de um tapa em seu rosto (ou nádegas). Papai estava sendo violento nesta noite e mesmo que a mamãe gritasse, não adiantaria — ele sempre se dava bem com suas desculpinhas.


Como na vez em que a empurrou (“acidentalmente”) da escada. Seu corpo se quebrou em três: braço, quadril, perna. Quando a polícia chegou para investigar o caso, tudo que papai disse foi que a mamãe estava tendo problemas mentais, e que agora, ela precisava de mais cuidados especiais em casa. A mamãe nunca teve algum problema se quer que fosse mental. O papai sempre se dava bem com suas desculpas, por mais falsas que fossem.


Mas mãe! Olhando agora para seu corpo, jogado no meio do quarto, sangrando pelo chão, fico chorando baixinho, pensando nas coisas que deveria ter feito para que você não se sentisse tão triste e vazia. Pensando no que o papai não deveria ter feito a você.


Era tão linda!


Mamãe, nós devemos contar para a polícia que ele também te estupra?


Pergunto baixinho, vendo seu rosto se franzi e depois o “não” que é encaixado com um leve balanço de sua cabeça. Tento questionar, mas ela logo cala meus lábios com suas mãos, olhando novamente para cima.


Um olhar assustado inunda sua expressão facial, junto com o desespero de me proteger — o que era em vão, já que suas mãos estavam amarradas à cama, e pés também.  Tombei um pouco minha cabeça, para tentar decifrar o que significava aquilo e dentro seus olhos pude ver.


A lâmina afiada, o corpo alto do homem em boa forma, a cabeleira negra igual a minha e o esforço em levantar aquele objeto cortante.


Olhei para trás, me virando completamente, tentando me esquivar — o que foi falho — o objeto adentrou a minha cabeça e perfurou o meu cérebro, fazendo com que  tudo que trabalhava rápido ali, se enfraquecer aos poucos.


Mamãe você também pode contar aos policiais que ele matou sua própria filha?


E logo, a escuridão, sem presunção do céu, tomar conta de mim.




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