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História Manhã seguinte - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Gestos


capítulo.04
GESTOS

Depois da gente, eu fiz três tatuagens — e nenhuma delas me marcou tanto quanto o seu toque.

É engraçado porque... eu mudei de cidade porque queria criar um novo começo pra mim, mas como eu podia fazer isso enquanto você estava em cada mínima coisinha dentro da minha mochila? Ainda que eu cruzasse os sete mares, somente com a roupa do corpo, você ainda iria comigo porque seu cheiro, toque e abraço foram como uma tatuagem bem no centro da minha alma, onde ninguém jamais conseguiu sequer a olhar de soslaio. Você tem um espaço aqui. Só seu.

Ainda quilômetros de distância, o peso de segurar a mão de um outro alguém e deixar que ele vá em frente afunda meus órgãos e me faz querer vomitar lágrimas espessas. Eu desaprendi gestos de afetos porque não consigo achar ninguém merecedor deles, não do jeito que você foi. Mesmo que eu tente, eles não parecem... reais.

Durante todos aqueles finais de tarde, quando olhava pra você enquanto o sol de ponha atrás da gente, eu corria a ponta dos meus dedos pelo seu rosto, gravando cada marquinha, a posição dos seus sinais, a profundidade dos seus olhos e a inclinação perfeita do seu nariz. Então eu fechava os olhos e memorizava-os, um por um, pedaço por pedaço, pra nunca esquecer. Você me dizia que não precisava decorar porque sempre estaria ali para que eu pudesse olhar no fundo dos seus olhos sempre que quisesse.

Agora eu olho no rosto das outras pessoas, fecho os olhos, tentando fazer o mesmo, mas quando eu os abro... é só você que eu vejo. Em tudo. Eu procuro você, inconscientemente, em todas as pessoas que se aproximam. Mas então, quando tocam no seu nome... eu desvio o assunto todas as vezes que minha tia pergunta sobre você, tentando esquecer que ninguém conseguia fazer ela dar gargalhadas como você fazia enquanto a gente tomava um café nas tardes de domingo.

Depois de você, não existiu nenhum momento em que eu não estivesse hesitando sobre o que falar e como agir. Isso porque você era a única pessoa ao meu redor que compreendia meus demônios e me olhava com amor e paciência enquanto o mundo todo tinha flechas apontadas para o meu pescoço. Você quem me beijava singelamente e entrelaçava nossos dedos, sorrindo de lado.

Você era a única pessoa com quem eu conseguia me sentir real.

Na varanda do meu apartamento, eu me pergunto frequentemente se é você que está em cada parte minha ou se sou eu quem ficou completamente em você.



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