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História Maniac. - Capítulo 6


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Notas do Autor


Iai fanfiqueiros

/Avisos/

[Alerta de Hot]
É leve porém
[Alerta de drama]
Entre o sucesso e a lama
[Alerta de tema sensível]
Estejam preparados

/Fim dos avisos/

Aproveitem com moderação!

Capítulo 6 - Wisteria


Suponhamos a existência uma belíssima flor, cujas pétalas exalam o aroma mais viciante. No entanto, entrar em contato com essa planta causa uma terrível consequência: uma alergia tão intensa, que se não for tratada logo, vai machucar bastante. Valeria a pena arriscar seu bem estar por um prazer momentâneo?


Foi por conta daquela vez na cozinha da casa do Tomioka. Shinobu não aguentava mais toda essa ambiguidade, nunca admitiram nada sério e até viam outras pessoas se vez em quando. Mas ela, angustiada, confusa e repleta de emoções pelo homem as quais nem conseguia descrever,  precisava saber por que continuavam com aquilo, se havia realmente algum sentido. O que eram um pro outro afinal de contas? Uma válvula de escape, uma fonte para sexo? Ou algo mais? 

O jovem, tolo e desajeitado, tentou, gaguejou porém não atingiu nenhuma resposta que agradasse a moça, que não demorou para se irritar. Acabaram discutindo aos gritos e a objetos jogados no piso o que eram de verdade para o outro. Afinetaram-se, criticaram-se aos berros e aos argumentos mais ilógicos e fúteis de todos, numa briga que já nem tinha mais sentido.

Shinobu, entre lágrimas e guiada pela mágoa, se descontrola e estapeia a face do rapaz, que fica perplexo. De repente, caí a ficha, Shinobu sente a consciência pesar quando vê o rapaz levar a mão à bochecha, onde havia se machucado. Antes que pudesse pedir desculpas, no entanto, Tomioka a puxa para si, envolvendo-a num beijo intenso que imediatamente converteu sua raiva em ardente paixão. 

Giyuu a põe de bruços sobre o balcão, colocando seu corpo contra o dela. Aproxima-se do seu ouvido, sussurrando galanteador:

"Eu não sei explicar o que nos sentimos um pelo o outro. E me parece que é uma situação recíproca. Mas no agora, pelo menos, sei de uma coisa" Tomioka imprensa o corpo da menor, que geme em resposta ao sentir o membro rígido, mesmo por entre os tecidos das roupas "No agora, eu te quero, Kocho. Quero-te, quero seu futuro, quero até uma família. Eu só consigo pensar em estar com você no agora, Kocho." O jovem desce a mão pelos shorts da garota, desabotoando e removendo a peça do corpo da menor.

"E por quanto tempo esse agora vai durar?" Pergunta ela, recebendo um silêncio como resposta. Giyuu remove seu corpo de cima e em silêncio se afasta.

"Eu… eu não sei"

"Então…" Shinobu se vira, correndo e empurrando Tomioka contra a bancada atrás dele "Talvez nós devêssemos aproveitar o máximo do agora" A moça o puxa pela gola da camiseta, beijando-o de modo semelhante ao que fizeram a pouco. O rapaz momentaneamente para o ato, fitando Kocho nos olhos.

"Mesmo que nos machuquemos?" Pergunta.

"Mesmo que nos machuquemos" A mulher responde, sorrindo apenas com os lábios. Era genuíno, porém escondia também certa hesitação e soturnidade. Não queria o ferir, muito menos que lhe ferisse. Contudo há um preço para toda escolha que se faz, e nunca se prevê com exatidão as consequências. Tudo o que se pode fazer é arriscar, e Kocho nessa época estava disposta a isso, mesmo que lhe ferisse.

Giyuu logo envolve as pernas da mulher em volta de seu quadril, suspendendo-a no ar e tentando se levar até a cama de seu quarto, esbarrando pelas paredes onde faziam pausas para mais carícias. Jogou a Shinobu na cama, em seguida retirando a própria camiseta e indo pra cima da moça. Segurou-a pelas mãos, carinhosamente, encostando suas testas unidas, contemplando por breves segundos a feição da parceira antes de levar a si em direção aos seus lábios atraentes. Kocho, porém, começou a se perder no beijo, desconcentrando-se à medida que o moreno se inseria e se movimentava dentro dela.

Talvez, por fim, houvesse uma conclusão: não importava, realmente não importava. Por que continuavam? Quem sabe. Tomioka olhava para baixo e via o seu mundo lhe contemplando através daquelas janelas repletas de suspense e paixão que eram os olhos dela — e para ele, isso era suficiente.

Um lance que começou por curiosidade e provação, permaneceu pelo amor maníaco que os dois desenvolveram. Tinham que somente o parceiro poderia dar prazer verdadeiro para eles e virse versa. Não era saudável, sentiam-se dependentes do outro — Contudo não conseguiam enxergar isso, nada mais importava contanto que estivessem juntos. E sinceramente,  contentariam-se pelo tempo indefinido que duraria.

Porém, não esperavam eles que tal validade imprevisível se aproximava, tudo isso porque nessa mesma vez que se resolveram, foram descuidados e se esqueceram da proteção. 

Shinobu, sentada nas lantejoulas gélidas do banheiro, desesperada, olhou para o teste em suas mãos tremendo, incrédula: havia ficado grávida dessa vez. Entretanto, não achava que estava pronta para maternidade, não queria o filho. Mas, por outro lado, não conseguia tirar Tomioka da cabeça e a conversa que tiveram daquela vez:


"Kocho, eu falei sério" disse o homem, abraçado a menor debaixo das bagunçadas cobertas brancas da cama, pouco após terminarem o ato. "Sobre fazer uma família"

"O-o quê?" A moça soltou um riso nervoso

"Se, seja lá o que temos, for real… Eu adoraria ter uma família com você"

Shinobu não soube como reagir. Nunca que esperaria ouvir tais palavras sair da boca dele. Tinham impacto, ao mesmo tempo que lhe confortava.

"Você é idiota? Sabe o quão difícil é cuidar de uma criança?" Shinobu se separa do abraço, sentando-se na beira do colchão, cobrindo sem cuidado seu corpo nu com os tecidos finos do lençol.

"Acho que a gente conseguiria dar conta disso aqui" 

"A gente? Aqui?" 

"É, aqui em casa."

"Você tá me chamando pra vir morar com você nesse apartamento minúsculo?"

O rapaz fica em silêncio por poucos segundos, pensando.

"Você não precisa vir se--"

"Cala boca" Interrompe-no. A moça então sorri, pulando entusiasmada em cima do rapaz deitado "Eu… eu quero sim!"


Encontrou-se num paradigma moral. Precisava tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre, contudo era jovem, estava confusa e ainda existia tanta coisa que não tinha feito. Não era hora para ser mãe. Sentou-se perdida, sem ninguém para lhe apoiar, nem mesmo aquele por quem criou um elo de dependência. Chorou no abafar de suas palmas uma lástima furiosa de tanta angústia. Na dúvida e no desespero, engoliu as pílulas recomendadas que fariam efeito em poucas horas. Não havia mais o que fazer. Abraçou a caixa dos remédios ao corpo, refletindo se havia realmente feito a escolha certa. 

A culpa foi algo que não podia anular, porém não se arrependia. Apenas não sabia como iria contar para o Tomioka. O homem teria ficado tão feliz quando soubesse que estava grávida, não queria imaginar como ele reagiria ao saber o que tinha feito. Decidiu carregar mais um fardo: tornar sua atitude uma elipse.

Por sorte ou azar, nem precisou, pois o rapaz encontrou as embalagens jogadas no lixo. Na mesma cozinha onde tudo foi anteriormente resolvido, ocorreu o pior momento da vida do ex casal. 

Tomioka enraivecido, achou-se traído, depois de tudo o que tinha feito pela mulher ela foi capaz de fazer uma das piores coisas sem mesmo ter lhe consultado. Cuspiu sua indignação na cara dela, batendo na mesa, deixando seu emocional dominar. Shinobu tentaria se desculpar, porém as palavras de Giyuu vieram tão ríspidas que a fez envolver-se em seu orgulho e liberar uma defesa de mesmo nível: a verdade.

"SIM, GIYUU. EU TOMEI COMPRIMIDOS ABORTIVOS." gritou exaltada "SIM, EU ESTAVA GRÁVIDA." Sua voz tremulava "E eu… EU NÃO QUERO SER MÃE DE UM FILHO SEU"

Tomioka a encarou em choque.

"Consultá-lo? Quem é você pra dizer que eu deveria consultá-lo? Nós não somos nada! Ou você vai negar?"

"EU NUNCA DISSE QUE--"

"VOCÊ TAMBÉM NUNCA DISSE QUE ÉRAMOS ALGO, TOMIOKA!" Ela grita, exaltada "Eu só tô tão cansada disso tudo. Eu… eu não entendo como no final eu ainda acabo voltando para você. Eu não aguento mais você me iludindo com esse papo de 'te quero no agora'. E agora você me fala de criar uma família! Poupe-me!"

"SHINOBU! MAS EU… Eu... Eu falei sério"

"Sério? Igual das outras vezes que a gente brigou? Eu não nasci ontem, Tomioka. Eu não aguento mais enganar a mim mesma nesse 'amor' sem noção. Me fala, você nunca sequer admitiu nosso relacionamento abertamente pra alguém, né?"

Tomioka não responde.

"Eu sabia. Você sempre fez questão de discrição, até naquela vez do armário. Sabia que era uma furada. Mas eu aceitei, mesmo sabendo que iria me machucar. Vai ser sempre assim, não é? Eu venho aqui, a gente transa e fica só nessa. Igual quando éramos mais novos." Shinobu fala, se afastando da cozinha e indo em direção ao quarto.

"Não, claro que não. Nós somos mais maduros agora" Tomioka segue a moça.

"Ha…" Ela ri sarcasticamente "Grande maturidade nós temos agora." Shinobu reúne suas coisas que estavam espalhadas pelo cômodo e põe em uma mala.

"Shinobu, por favor… Será que tem como você me escutar?! Vamos conversar e resolver isso!"

"Se tem uma coisa que eu aprendi com nosso… seja lá o que nós tivemos, é que nós só despertamos o pior em nossas vidas. Não vale a pena cheirar o aroma dessa flor urticante."


//


Shinobu lembra da dor que foi entrar naquele táxi. Por fora mantinha toda uma postura forte e impermeável, mas assim que o veículo começou a andar, desabou em lágrimas. Olhou pela janela e viu que o Tomioka estava a gritar palavras horríveis as quais não sabia se seria melhor entender ou não quais eram. Chegou a ver o homem, depois de cansar a garganta, cair de joelhos na calçada, provavelmente chorando ao perceber que não tinha mais volta — e  sentiu como se seu coração tivesse faltando um pedaço. Pensou naquela hora que era assim que finalmente acabaria aquele caso maníaco, que enfim poderia ter um novo recomeço, sem o tal do Giyuu Tomioka. Nunca achou que se encontraria na frente daquela calçada outra vez, mas aí estava. 

Aproxima-se da porta, toca a campainha. Questiona o porquê de estar ali, de ter ido de acordo com suas promessas de sobriedade questionável. Olha para a tela do seu celular, tão brilhante que ardia. Marcava 02:25AM. Arrependia-se progressivamente do que tinha feito. Por que diabos tinha ido? Por que tinha mandado aquela mensagem? 

Sente-se cambaleando, apoia-se na parede para equilibrar-se. Sente suas pálpebras pesarem, solta um bocejo espontâneo. Shinobu se senta no chão próximo à porta, checando se havia alguma mensagem do rapaz — e não se surpreende de não ter. Era típico dele esquecer de responder, nem era por maldade, era apenas parte do que fazia dele o esquecido, distraído, o estranho e com número limitado de amigos Giyuu Tomioka. Shinobu, lembrando de como gostava de zoar o rapaz por suas atitudes previsíveis e taciturnas, deixa escapar um sorriso de sua face, pouco antes de se render a um sono profundo.

Em meio ao domínio subconsciente, percebe ao longe o barulho de chaves, seguidos pelo destrancar de uma porta. Sente seu corpo levitar, gentil e cuidadosamente carregado até repousar em uma pilha macia, talvez uma cama. De relance, brecha suas pálpebras e vê uma silhueta familiar lhe cobrir com um lençol e apagar as luzes.

Espera, era o Tomioka?




Notas Finais


Memórias Póstumas de Brás Kochō


Btw, só por curiosidade, algum de vcs faz aniversário nesse período de quarentena???

/Fatos Interessantes/
• O último capítulo da fic já está em processo de escrita;
• Eu fiquei meio receosa de postar esse capítulo pelo o que acontece nele, talvez seja só paranóia minha;
• A versão original (mental) do capítulo teria um pouco mais de tapa na cara porém achei que seria exagero;

Obrigada por lerem, espero que tenham gostado
Permaneçam em casa pelo amor de Deus e até o próximo capítulo!


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