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História Manuscrito (O viúvo) - Capítulo 20


Escrita por: Rainha_de_Mirkwood

Capítulo 20 - Bálsamo


Ter Légolas consigo era uma espécie de bálsamo sobre uma ferida aberta, sabia que havia sido errado tê-lo tirado do berço aquela noite e o colocado novamente a seu lado na cama, mas precisava de um pouco de tranquilidade, alguns de seus sonhos eram presságios, tinha a impressão de que a rainha ainda caminhava por esse mundo, isso era impossível, porém era isso que sentia.

Apesar de ter acordado muito cedo, antes mesmo do sol raiar não saiu de sua cama, fitou os fios loiros do príncipe, chamuscados em alguns pontos pela arte cometida na noite anterior. Era tudo muito estranho, Calen era dotada de dons premonitórios, isso não era uma característica sua, mas e se ela pudesse ter contato com ele? Estava se iludindo, sabia que estava, a dor pode ofuscar o julgamento e até mesmo a sanidade de um elfo, nunca enlouqueceria, mas poderia ter lapsos preocupantes em seu caminho.

Olivie tinha se dedicado, ouvia os planos de Citara, absorvia o que útil havia no que sua amiga tramava. Todas as boas características que Citara carregava, também existiam nela própria, era virgem, de origem nobre e simplesmente linda. Sua família era de Rivendell, era muito bem cuidada e protegida, tinha a excelente educação que uma donzela pronta a casar-se também tinha, sua maior idade ia ser um dia antes do banquete das estrelas, então tinha muitos planos para isso. O rei era um elfo muito honrado, certamente se renderia a ela.

— Mãe o que acha dessa pelúcia? – Olivie mostrou para sua mãe a última pelúcia que costurou com esmero.

— Está linda... É presente para alguém? – a elfa sabia que sua filha só costurava e bordava para si mesma ou quando pretendia presentear alguém.

— Sim... – sorriu satisfeita olhando a obra em suas mãos.

O rei alimentou-se sem pressa, Légolas tinha o apetite imenso, de modo que sempre o alimentava primeiro enquanto mordiscava seu próprio café da manhã. Sua fome já havia sido bem maior, no momento comia praticamente para sobreviver, já a bebida, ele podia beber ainda cedo, mas nunca junto do bebê.

— A neve está próxima... Você se lembra da última vez que nevou? – o elfinho devorava uma fatia de pão coberta por pasta doce de amendoim. Sua rainha adorava a neve e levou Légolas para brincar, fazer bonecos e desenhos meio ao manto branco e imaculado, era doloroso recordar e saber que nesse ano seria ele a lidar sozinho com uma criança que possivelmente iria querer brincar. Como achar ânimo para acompanhá-lo? Pediria que Sammy o fizesse, talvez assim escapasse de ter que fazer algo tão...

Passou a manhã em reunião com o conselho, agora que Osíris era segundo conselheiro muita coisa caminhava de forma mais rápida, somado ele com o sincronismo estranho que tinha com Lithel, afinal eram general e capitão. Osíris pensava muito nos súditos mais desfavorecidos, enquanto que Lithel pensava em meios de fortalecer todo reino, de modo que o rei via-se no papel de equilibrar ambas as coisas e fazer ele próprio seu plano de cuidados. Queria seu reino rico, próspero, assim como cada elfo tendo seu lugar e função respeitado, pois ali trabalhavam por aptidão, não era bom por armas na mão de um agricultar ou forçar um guerreiro a alimentar galinhas. Cada função devia ser devidamente valorizada, não se faz bolo sem ovos, não se protege as fronteiras com o arado.

Após o almoço passou um tempo precioso sozinho, saboreando seu vinho e divagando, sobre a mesa havia alguns papeis bagunçados, nenhuma atenção deu a isso, fechou os olhos e usufruiu da pequena paz instalada, fugindo de pensar na doce rainha. Ainda veria alguns artesãos, para si mesmo já havia adquirido tudo que necessitava, era a vez de cuidar das necessidades de seu filho. Légolas crescia no ritmo dos elfos, isso queria dizer que as roupas do ano anterior serviam, embora estivessem levemente mais apertadas, uma diferença quase imperceptível.

Um pequena fila havia se formado na frente da câmara real, os artesãos ansiosos por venderem seu trabalho, além de serem bem pagos, ganhavam enorme prestígio quando o príncipe ou o rei vestiam algo feito por eles, pois os nobres costumavam comprar nas mãos dos escolhidos do soberano.

Olivie não era uma artesã, mas usaria aquela fila como desculpa para ver o rei, sabia que Citara não teve sucesso algum no jantar, ela já previa que aquela abordagem baseada apenas em sua aparência não seria efetiva, embora o visual fosse algo a chamar atenção de machos, não era suficiente para fazer a cabeça de um elfo experiente como o rei. Orgulhava-se de seu raciocínio lógico, embora tivesse o mesmo objetivo que a maioria das donzelas que cobiçavam a coroa, tinha maior confiança no que faria.

Thranduil olhou encantado as roupinhas que se acumulavam no canto, lembrava a época onde começaram a tecer as primeiras roupas, quando príncipe ainda era um feto no ventre materno, ele quis ser pai primeiro de uma menina, mas Calen garantiu que seria um menino, que se ele quisesse ser pai de uma princesa teriam de fazer outra tentativa. Nunca seria pai de uma princesa... Jamais engravidaria outra fêmea, não queria ser pai de uma criança que não fosse de sua amada. Légolas seria para sempre filho único.

— Entre... – deu permissão para o próximo artesão entrar. Varreu a figura feminina com o olhar, a elfa tinha os cabelos bem escuros, um castanho quase negro, olhos azuis profundos e nitidamente inteligente, as tranças em suas madeixas feitas com extremo esmero, o vestido que usava era certamente bastante caro, havia cetim e seda cobrindo o corpo dotado de curvas sutis. Sem dúvidas seria perfeita quando adulta, talvez isso ocorresse em breve, era difícil determinar sua idade, apenas era nítido ser bem jovem.

Olivie reverenciou de maneira profunda e perfeita, não o encarava por mais que alguns segundos, queria demonstrar desse modo sua pureza, assim como modéstia e humildade.

— O que trouxe... – disse para aparentemente acanhada elfa.

— Eu trouxe um conjunto completo... – na mesa colocou um pacote e o abriu com cuidado, havia uma camisa, uma calça, um casaco, além de um par de meias e luvinhas de lã, tudo numa tonalidade de verde claro.

O rei tocou o conjunto, era realmente harmonioso, havia bordado em alguns pontos, com alguns animais no punho, alces conseguiu notar, ela estendeu o cachecol que contava com cordeirinhos, sorriu, Légolas adoraria o trabalho daquela artesã.

O coração da jovem elfa acelerou-se, quando viu o sorriso na face do rei, ele não costumava sorrir facilmente, embora o sorriso não fosse direcionado a si mesma, sentiu-se bem, seria demais pedir que em algum momento ele sorrisse para ela e por ela?

— Deixe seu preço na tesouraria... Ficarei com todo conjunto... – voltou seu olhar para artesã outra vez, ela estava extremamente corada.

— Há algo mais... – anunciou, sua voz estava um tanto diferente, uma sobrancelha do elfo se ergueu, parecia interessado, mas não mais havia o sorriso em sua face e nem mesmo vestígio de alegria, era como se tivesse colocado sua armadura novamente.

— Seja breve... – detestava perder tempo, mas daria a chance de mostrar seu trabalho, afinal o conjunto era a melhor aquisição que havia feito aquele dia.

— Isso... – abriu um segundo pacote sobre a mesa, mostrando as pelúcias que havia confeccionado com afinco. – Sei que está vendo roupas para o inverno, mas acho que o príncipe gostaria das pelúcias... – sua estratégia real era fazer com que o rei a visse de modo diferente, afinal ela pensou em seu filho a um nível que duvidava que qualquer costureira o teria feito.

Olivia tinha noção de ser sábio chamar sua atenção de modo indireto, que visse que ela tinha um bom coração que alcançava até mesmo seus interesses familiares, poderia ser uma boa madrasta para o menino e claro uma excelente rainha. No tempo certo poderia ser mãe de seus próprios filhos.

— Um alce, um cordeiro... – viu ambas as pelúcias. – Um cavalo e... Um boi?

— Na verdade é uma vaca... – sorriu, estava ansiosa pela reação que viria do elfo.

— Confeccionou brinquedos... Acho que foi a única a fazê-lo, afinal eu não encomendei nada do tipo... – até tinha achado graça do que havia a sua frente. – Está mesmo precisando de dinheiro, por isso está mirando para todo canto, é isso, não é mesmo?

— De nenhuma maneira, eu apenas queria servi-los de uma boa maneira... – defendeu-se, não era isso que esperava escutar, queria ver reconhecimento imediato, encantá-lo com sua aparente sensibilidade.

— Servir... – sua boca amargou as duas ultimas elfas que usaram essa palavra queriam aproveitar-se. – Vá a tesouraria acertar as contas sobre o conjuntinho, pode levar essa mini fazenda com você! – seu tom já era frio e levemente tedioso.

— Majestade... – tinha gastado muito tempo fazendo aquilo tudo, tinha que ter sucesso em chamar sua atenção para seu modo maternal e sua sensibilidade. – Eu não sou uma artesã, tão pouco sou costureira...

— Mesmo?! – tinha notado o modo como ela se vestia, parecia vir direto da nobreza, assim como a postura mais altiva que a média dos que faziam trabalho manual. – Não foi você a fazer, é isso?

— Também não... Eu tricotei e costurei pessoalmente... – respirou fundo, o encarou de maneira breve, prendendo sua atenção novamente sobre os brinquedos. – Confeccionei as pelúcias...

— Acerte seu preço na tesouraria... Sua profissão diferença alguma faz! – estava sem paciência.

— O que quis dizer foi que são presentes, eu não trabalho por dinheiro, sempre que faço algo pessoalmente é um agrado, um presente! – explicou-se.

— E veio entregar o presente junto à fila dos trabalhadores?! – sorriu em verdadeiro deboche, deu a volta na mesa e ficou ao lado da jovem elfa, viu-a estremecer, mas aquilo não era medo, sabia reconhecer medo quando via, ela era ingênua demais, verde e totalmente crua, lembrava a última adolescente que o abordou. – Tão perspicaz... – os orbes azuis vieram de encontro aos seus e houve confusão ali, ela começava a entender que não foi tão boa ideia.

— Foi conveniente... – começou a falar, seu coração estava tão acelerado que ele poderia escutar. – Afinal tomo o tempo necessário apenas...

— Prestativa... – desdenhou, no ar pegou a alteração que dela vinha, era maravilhoso manipular aquele elemento, podia saber tanto sem nada pergunta.

— Mas gostou do que fiz, não é mesmo? Vossa majestade até mesmo pagaria, leve como meu voto por sua felicidade e pela do nosso príncipe... – usou erguer o olhar e o encontrou quase a fez encolher.

— Nosso... – alguma coisa o incomodou quando ela usou essa palavra. – Já que diz estar presenteando, serei generoso em aceitar o que foi trazido até mim... Mas ainda pagarei por isso, incluso aqueles bichos aleatórios...

— Majestade... – não era exatamente isso que planejava, achou que quando ele soubesse se tratar de um agrado fosse abrandar-se ou quem saber gostar das prendas, porém ele parecia mais receptivo quando achava que pagaria.

— Garotinha... – levantou seu queixo, não era gentil o modo como a tocou. – Não seja gananciosa...

— Mas eu nem ao menos cobrei... – estava confusa, era difícil encarar o elfo como ele a levava a fazer no momento.

— Não se faça de idiota... – disse baixo e ao mesmo tempo gélido. – Nem pense que sou simplório... Vá à tesouraria... – ordenou soltando seu queixo. – Da próxima vez que quiser se aproximar de mim pode ser mais direta, poupa seu tempo e o meu, assim posso dispensá-la mais rápido e não sentir esse seu perfume enjoativo. – a elfa cheirava a maçã e uva, normalmente gostaria do cheiro de frutas, mas na pele dela, levantava no ar de modo enjoativo.

Naquele dia na casa de Evy havia duas crianças novas, Mel e Gucci, uma elfa pouco mais velha que o príncipe e um elfo da idade de Légolas. O príncipe a princípio estranhou as crianças novas, mas logo brincava com ambos.

— É bom se socializarem... – disse a mãe de Mel.

— Com certeza... – respondeu Amy que, sabia perfeitamente que a outra elfa planejava aproximar as crianças, com interesses muito diferentes do simples fazer amizade.

Mel pegou o cordeirinho de madeira que o príncipe havia abandonado temporariamente, o jovem monarca estava concentrado na boneca que cuidava com Evy, ambos embalavam ela e colocavam no berço construído por eles próprios com blocos de madeira. Pela visão periférica o pequeno nobre viu pegarem seu cordeirinho. Ergueu-se e fez algo que toda criança mimada em seu lugar faria.

— Meu! – disse arrancando de uma vez das mãos dela. Mel chorou alto e tentou recuperar o brinquedo, mas dessa vez quem ficou incomodada foi Evy.

Evy tinha o cordeirinho no bercinho ao lado da boneca que cuidava junto de seu amigo, era bem menor que a outra elfinha, mas quando a mesma mexeu onde não devia a tentou afastar no ato, mas foi empurrada caindo na mesma hora.

Légolas irritou-se quando o choro de Evy se fez presente, não gostava com ela chorava, interpôs-se entre as duas elfinhas, caso Mel desse um único passo a empurraria dali.

— Vocês parem com isso! – disse Amy, era nítido que o príncipe não tinha grande limites, mas nunca agiu daquela maneira antes, sabia compartilhar, ao menos o fazia isso com Evy.

— Meu príncipe seja mais gentil com a menina... – Sammy abaixou-se a seu nível, ele pareceu compreender, pegou seu cordeirinho de madeira e entregou-o diretamente na mão de Evy, somente com ela compartilharia seu verdadeiro tesouro.

Olivie chegou trêmula em casa, achou o rei áspero, embora tivesse tentado mostrar o quanto podia ser terna, doce, tudo que uma boa esposa e mãe deveria ser. Onde havia errado? Com certeza descobriria, estava disposta a ser dele, tanto fisicamente quanto em seu título e status, seria a rainha e dividiria o leito com aquele elfo, quebraria sua arrogância ele ainda estaria rendido a seus pés, mesmo que não houvesse amor, despertaria nele desejo, alguma posse e instinto protetor, ele ainda seria dela...

Continua...


Notas Finais


O que você achou???


Vamos jogar, essa é a hora da verdade!!! Quem leu as notas finais escreva nos comentários a palavra chave; BICHO


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