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  3. Capítulo 22

História Mãos ao Alto! - Os Alencar 2 - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Capítulo 22


Rhuan

Esfrego meu rosto, cansado depois de horas enfiado dentro desta sala e fazendo planejamentos. Nubia saiu tem algum tempo e eu a invejo. Estico meus braços acima da minha cabeça e tento clarear minha cabeça confusa e espanto os pensamentos preocupados. Meu celular vibra em meu bolso e eu suspiro ao ver o nome da minha mãe na tela.

Eu já tenho muitos problemas. Acrescente minha mãe e tudo isso vira de cabeça para baixo.

— Sim, mãe?

Rhuan, eu posso saber por que há dois homens do outro lado da rua olhando para dentro de casa?

Meu doce Jesus, nada passa despercebido por essa mulher? E qual o problema desse pessoal do Rodriguez? Ninguém consegue se disfarçar direito?

— Mãe, a senhora andou bebendo de novo?

Rhuan, eu sou sua mãe! Me respeite ou eu arranco sua língua fora com um canivete cego!

— Desculpe, mãe — falo com um muxoxo.

E então? Você vai me dizer ou vai fingir demência?

Fingir demência é uma boa idéia.

— Fique tranquila, mãe. Esses homens estão apenas fazendo o trabalho deles. 

Rhuan, você fez faculdade. Trabalhou duro para conseguir pagar por isso. Me diga que esses homens não são cobradores de drogas.

Abaixo minha cabeça até bater a testa contra a madeira. Eu queria rir, mas parecia ser desrespeitoso.

— Não, mãe. Eles não são.

Então, o que é?

Suspiro, virando minha bochecha contra a mesa.

— Eu estou resolvendo uns problemas no trabalho que requerem segurança para minha família. Apenas isso. Precaução.

Há o silêncio na linha e eu não sei se ela comprou isso. Então há um resmungo baixo e sua voz volta a preencher a linha.

Eu não gosto disso e não gosto do som da sua voz. Vicenzo não conseguiu tirar nada de você. Será que eu terei que espremê-lo como uma espinha, Rhuan Javier Alencar?

— Cristo, mãe! — Esfrego meu rosto e Caleb apenas me olha com um arquear de sobrancelha. — Eu estou bem! O trabalho anda desgastante e é apenas isso.

Eu não acredito em você. O que está te preocupando?

Um lunático me seguindo e sabendo quem é minha família é o que me preocupa. Mas, óbvio, que eu não digo isso.

— Mãe...

O telefone é tomado da minha mãe e Caleb abre um largo sorriso ao falar com minha mãe. O que ele está fazendo?

— Grande Mãe! Como vai? — Gira a caneta entre os dedos e me lança um olhar e uma piscadela. — Sim, eu estou com Rhuan. Estamos um pouco ocupados no momento.

Suas bochechas se avermelham e sobe até nas suas orelhas.  Engole em seco e pigarreia, coçando a garganta.

— Não exatamente isso. E, sim, nós estamos. — Seus dedos tamborilam sobre a mesa. — Eu estou de olho nele, Grande Mãe, não se preocupe. Sim, se houver algum problema eu vou avisá-la. Vou cuidar dele agora. Nos falamos mais tarde. 

Caleb desliga e me devolve o celular com um sorriso, as bochechas ainda um pouco rosadas. Arqueio uma sobrancelha.

— O que minha mãe disse que causou vergonha em você?

— Uh... — Seus olhos desviam para o papel na sua frente. — Talvez ela tenha perguntado se estávamos... Hm...

— Transando?

— Sim. — Assente e se remexe na cadeira. — E se estamos usando proteção.

Me reclino na cadeira, um sorriso lento se abrindo no meu rosto.

— Não por muito tempo, eu espero.

Seus olhos escurecem na minha direção e meu sorriso escorrega quando vejo sua mão indo na direção do seu pau e o ajeitando dentro da sua calça. Quem diria que eu poderia causar uma ereção em Caleb Ferraz Vasconcelos?

Volto a olhar para meus relatórios quando me lembro dos exames que fiz pela manhã antes de encontrar Caleb. É certo que como participamos da polícia, sempre fazemos exames de rotina, mas estes... Estes eu precisava ter certeza antes de jogar na direção de Caleb e poder empurrar a barreira para longe.

Estremeço apenas com o pensamento dele inteiro dentro de mim, sem um plástico nos separando. Pele na pele. Resmungo, agora eu ostentando uma ereção dolorida. Bato as mãos contra a mesa, tentando me fazer pensar um pouco fora dessa linha de desejo e luxúria que sempre permeia ao redor quando Caleb está por perto.

— Certo. Você não vai me dizer quem é o técnico que você conhece?

— Nu-huh. — Caleb balança a cabeça e me olha. — Você confia em mim, Rhuan?

Arqueio as sobrancelhas para seu olhar sério. Isso era mesmo uma pergunta?

— Você sabe que eu confio em você. Só não me faça querer chutar sua bunda depois. — Aponto.

— Chutar eu não sei. Talvez bater?

Engasgo com minha saliva e o olho, só para encontrar seu rosto afundado no mapa do prédio e sua estrutura. Maldito provocador.

Nós sentamos nossas bundas pelo dia todo, riscando planos de como abater os homens do prédio e se infiltrar no segundo andar. Rodriguez havia deixado claro para os atiradores que iriam subir nos prédios laterais que não era para matar, apenas atordoar. Balas de borracha eram o indicado.

Teríamos um suporte na rua, rádios ligados e conectados. Nubia ficaria dentro da van, de olho nas câmeras enquanto eu Caleb iríamos por dentro. Segundo ele, sua equipe era muito boa com invasão. Kiko era o melhor na mira e Gabriel sabia cancelar sensores de movimento via celular e computador. Então ele ficaria na van com Nubia. Como a troca de turnos acontecia de madrugada, nós teríamos que invadir muito antes, para não ter mais de dezenove homens em um prédio abandonado.

Minha preocupação era não conseguir chegar a tempo de encontrar as garotas. Isso era mais importante do que as armas e drogas dentro das caixas. A porta do meu escritório se abre e Nubia surge carregando seu copo de café e um saco de biscoitos de chocolate para mim.  Nubia se aproxima e eu apenas grunho uma saudação enquanto Caleb é um verdadeiro cavalheiro e lhe concede uma saudação decente.

— Vocês ainda estão aqui?

— Rhuan não larga o osso — Caleb fala.

Eu bufo, indignado com suas palavras.

— Eu sou esforçado! Quero que tudo dê certo e nada passe despercebido.

— Claro — fala de forma arrastada e desvia os olhos para o mapa outra vez.

Nubia ri, empurrando o saco na minha direção e o cheiro me faz resmungar de fome. Puxo três biscoitos redondos de uma vez e quase gemo quando o chocolate derrete na minha língua.

— Vocês dois não se largam mais — comenta, tomando um gole do seu café.

— Não fique com ciúmes — resmungo olhando o papel em minhas mãos e limpando a boca das migalhas e minha camiseta. — Aliás, talvez ele se torne meu parceiro.

— O quê?

Se Caleb estivesse bebendo algo, teria cuspido naquele instante. Nubia bufa, batendo seu copo de café sobre a mesa.

— Sem essa!

Ergo meus olhos do papel e fito seu rosto carrancudo com um sorriso simples.

— Eu sei sobre a vaga na Interpol, querida.

Seus olhos se arregalam e ela desaba na cadeira ao meu lado. Suas sobrancelhas franzem e então cruza os braços, encolhendo os ombros.

— Eu não sei por que estou surpresa. Você sempre descobre tudo.

— Sim, eu sou um gênio.

— E muito humilde também. — Caleb comenta.

Mostro minha língua para ele ao mesmo tempo em que pisca para mim. Nubia bufa, fechando meu relatório.

— Vá tomar um banho e descansar. Saímos daqui cinco horas e quero seu cérebro afiado.

Olho-a com olhos cerrados e me levanto com as mãos sobre a mesa e me inclino sobre ela.

 — Meu cérebro é afiado a qualquer momento do dia.

— Eu discordo — Caleb comenta, sorrindo ao ir à direção da porta. — Há momentos que você parece bastante disperso.

— Você, seu grande provocador. — Atiro um dedo na sua direção enquanto ele ri.

— Eu vou esperar você no banheiro coletivo. Não demore.

Banheiro coletivo? Ele vai mostrar essa bunda para todo mundo? Grunho, pegando minhas coisas quando Nubia late uma risada.

— Sabe, Rhuanzito? Estou feliz que ele seja bom para você.

Sorrio de lado, olhando-a.

— Oh, sim? E o que denunciou isso?

— Você sorri de verdade quando ele está por perto. E a tensão em seus ombros se dissipou mesmo preocupado com o caso, quando Caleb te toca ou apenas te olha, tudo em você muda. — Ela se levanta, recolhendo seu café, e beija minha bochecha. — Seja feliz. Você merece muito isso.

Aperto seu ombro e beijo sua testa. Nubia pode ser uma farpa debaixo da unha às vezes, mas eu a considero como uma irmã.

— Obrigado.

— Agora vai. E não esqueça seus biscoitos. Enfrentei um inferno de fila para pegá-los.

Resgato o pacote e saio da sala correndo, indo para o vestiário. Encontro Caleb envolvendo uma toalha ao redor da sua cintura e o olho carrancudo. Tiro minha camisa ao mesmo tempo em que um dos caras sai do chuveiro e se enrola em uma toalha, jogando um olhar para Caleb entrando em seu chuveiro.

Não olhe essa bunda. Ela é minha.

Rosnando, tiro minhas roupas e vou para o banheiro vazio ao seu lado. Olho para seu rosto sorridente enquanto se ensaboa e luto contra a vontade de atirar meu sabonete na sua cara. Caleb se inclina na minha direção com um sorriso perverso.

— Você deveria ver sua cara agora.

— Vá se foder — grunho, virando as costas para ele.

Sua risada baixa vibra por minha espinha, fazendo os dedos dos meus pés enrolarem.

— Eu já disse que pretendo. E você não faz idéia de como eu quero. Você, Rhuan Javier Alencar, despertou em mim os piores desejos que podem existir.

Seguro o gemido na garganta e tento pensar em corpos mutilados, Vicenzo vestido de mulher e Pablo usando maquiagem. Tudo para não ter uma ereção no banheiro coletivo. Suspiro, passando o sabão por meu corpo e evito contato visual com o provocador atrás de mim. Minutos depois ouço seu chuveiro ser desligado e então ele sai enrolando a toalha ao redor da sua cintura.

Me enxáguo, tentando fora na missão que temos dentro de poucas horas. Saio do chuveiro e caminho até meu armário, vendo Caleb sentado no banco e enxugando seus cabelos, já usando uma cueca. Seus olhos sobem por meu corpo até chegar aos meus olhos.

— Consegue dormir um pouco?

— Depende. — Olho para seu pau inchando dentro de  sua cueca e sorrio. — Eu me sinto um pouco ligado. E você?

Seu grunhido é a única coisa que recebo quando ele se levanta e resgata sua calça. Depois que Caleb não saiu mais do meu escritório desde que descobriu sobre quem eu sou de verdade, Rodriguez disponibilizou um armário para Caleb. É prático, principalmente quando passamos horas repassando os relatórios até tarde da noite.

Visto uma camiseta limpa quando Caleb passa por trás de mim e beija minha nuca.

— Te vejo no quarto, sexy.

Bendito seja o homem que inventou os quartos de descanso na polícia. Recolho minhas coisas e saio do banheiro, vendo Caleb desaparecer no corredor e entra na terceira porta da direita. Olho para os lados quando seguro a maçaneta e entro em seguida. Minhas costas batem na porta e eu ofego quando as mãos de Caleb puxam minha calça aberta e sua boca envolve meu pau.

— Cristo! — Jogo a cabeça para trás e mordo meu lábio inferior. — Muito impaciente?

Seu zumbido em minha carne é a única resposta que eu obtenho. Caleb suga como um maldito profissional para quem praticamente acabou de aprender. Minhas pernas fraquejam quando o orgasmo bate em mim e mordo meu punho para não gritar enquanto ele engole tudo. Caleb beija minha coxa e sobe, deixando um beijo no meu queixo e então na minha boca.

— Cama.

— Há mais? — pergunto sorrindo enquanto Caleb apenas balança a cabeça e me ergue no colo. — Ei! Eu sei andar.

— Claro que sabe.

Ele me deita sobre a cama de solteiro e se aconchega ao meu lado, seu braço envolvendo minha cintura e seu rosto se aconchegando em meu pescoço.

— Hm, o que você está fazendo? — pergunto sonolento.

— Durma, Rhuan. Eu acordo você em breve.

Remexo o quadril, sentindo seu pau duro contra minha bunda.

— Mas você ainda...

— Rhuan, cale a boca.

Eu bufo, fechando meus olhos e caindo como uma pedra em um sono sem sonhos. O primeiro há muitos anos desde que eu me lembro.

 

*

 

Sexy, acorde.

Resmungo, virando para o lado e ignorando a voz insistente no meu ouvido.

— Vamos. Você vai perder a ação.

— Me deixe dormir — resmungo.

Mãos sobem por dentro da minha camisa e meus olhos se abrem quando seus dedos cavam nas minhas costelas. Eu salto, xingando até sua última geração.

— Maldição, Caleb! A gente acorda as pessoas com um beijo ou um boquete, não com cosquinhas! — exclamo, jogando as pernas para fora enquanto ele me olha sorrindo.

— Você é péssimo para ser acordado e se eu começasse te chuppando, não íamos sair daqui tão cedo. — Aponta o final da cama. — Suas roupas estão ali. Se apresse. Te encontro lá em baixo em dez minutos.

Grunho, observando ele sair e fechar a porta ao passar. Levanto e pego a roupa dobrada ao pé da cama e sorrio ao ver a camiseta preta com o emblema da PF no bolso. Tiro minhas roupas e visto o uniforme, colocando a roupa usada dentro da mochila e levando de volta para meu armário.

Desço até o térreo com passadas largas e vejo os brilhantes carros da polícia parados alinhados e o grupo conversando em voz baixa. Nubia está escorada na van preta enquanto Caleb mostra algo no papel para ela enquanto Einstein observa com uma mão no queixo. Me aproximo com um sorriso e mãos na cintura.

— Prontos para um pouco de ação?

Todos erguem os olhos para mim.

— Estávamos esperando apenas a donzela. — Einstein sorri.

Eu não sei qual o problema desse cara comigo. Arqueio minhas sobrancelhas, me virando para Caleb.

— Não me diga que ele é o cara que destrava a fechadura.

Caleb abre um sorriso maldoso e um calafrio desce por minha espinha. Não! Eu não ia invadir um prédio e ficar sabe Deus quanto tempo na companhia de um cara que acha que é um cientista maluco. A risada de Caleb me faz cerrar os olhos.

— Não, não é ele. Mas eu gosto de atormentar seu cérebro afiado.

Ergo o dedo do meio na sua direção e me viro para Nubia.

— Tudo certo com as câmeras?

— Comecei a rodar o programa. No caminho para lá já vai estar completo e pronto.

Aceno e me viro para Kiko.

— Estou confiando que você vai abrir o caminho se necessário.

— Eu nunca falhei — diz, tocando o punho da sua arma.

— Todos estão aqui?

Nos viramos para a voz fria de Rodriguez se aproximando e seu semblante sério faz alguns darem um passo para trás. Tiro um pó imaginário da minha camiseta e sorrio.

— Estamos. Pontualmente.

Seus olhos me analisam e o canto da sua boca se ergue minimamente.

— Onde está seu colete?

— Uh... No carro? — Arrisco.

— Vista-o. Não quero uma bala cravada no seu peito.

— Eu queria pensar que esse argumento é sobre manter minha vida intacta porque gosta de mim e não porque sou seu melhor investigador.

Rodriguez bufa e Caleb me empurra na direção do caro da ponta enquanto Nubia entra na van junto com Gabriel.

— Porque você o provoca?

— Oh, você acha que isso é provocar? Você não viu o meu pior. — Rio enquanto ele balança a cabeça.

Caleb tira um colete do banco traseiro e estica para mim. Eu enfio meus braços e passo a prendê-lo no meu peito enquanto Caleb verifica suas armas em seus bolsos e eu admiro a forma como sua calça abraça sua bunda.

Eu sempre amei esse uniforme.

Vejo-o pegar as chaves do carro e eu quase vibro sobre ele.

— Oh, me deixe dirigir! Apenas uma vez!

Ele me olha de esguelha.

— E porque eu deveria?

— Porque eu tenho carteira. Porque sou eu quem está no comando dessa operação e porque eu nunca dirigi um carro desses na minha vida!

O sorriso de Caleb se abre devagar enquanto eu pulo, olhando entre as chaves e o carro.

— Certo. Mas não bata. Eles descontam do meu salário.

— Isso!

Tomo a chave da sua mão e entro no banco do motorista praticamente cantarolando. Caleb senta ao meu lado, rindo enquanto passa o cinto.

— Você parece um garoto que ganhou o melhor brinquedo no Natal.

— Isso é mil vezes melhor — vibro.

Ligo o motor e o som quase gemo de excitação. Nunca fui fã de carros, mas sempre quis dirigir um desses. Saio da vaga e os outros nos seguem não de muito longe. Pegamos ruas opostas para não alertar ninguém, mesmo sendo de madrugada. Coço meu pescoço e me lembro de algo que vi em sua casa quando procurei por uma calça em seu guarda roupa.

— Você está com a minha gravata, não está? Aquela que eu esqueci no seu carro na noite da boate.

Sutil nunca foi parte da minha personalidade. Olho na sua direção e o vejo analisando sua unha. Suas bochechas se tornam mais escuras na meia luz e sei que ele está corando.

 — Eu não faço idéia do que você está falando.

Bastardo. Ele sabe muito bem do que estou falando, mas se quer agir assim, então é assim que vai ser. Viro na próxima rua e paro no sinal vermelho, me deixando virar para olhá-lo.

— Você ainda vai à mesma lanchonete durante suas férias? Aquela que serve bolinhos verdes e aquele chá estranho que você toma?

Suas sobrancelhas franzem com a estranheza da pergunta.

— Como você sabe sobre tudo isso?

— Vicenzo comentava e às vezes você falava sobre esse lugar em especial. — Encolho os ombros, agora eu com bochechas vermelhas de vergonha por bisbilhotar e ser pego no flagra.

Caleb sorri e aponta o semáforo.

— Está vede.

— Eu sei ver cores — resmungo.

Arranco com o carro e entro na rua de trás do prédio, estacionando entre duas garagens em um beco quase coberto pela escuridão. Desligo o motor quando Caleb pergunta:

— Porque você me perguntou sobre a lanchonete?

Sorrio, me virando para ele na parcial escuridão.

— Porque eu passei por aquela rua semana passada. E, sabe o que é mais interessante?

— Vindo de você? Qualquer coisa. — Bufa.

Passo o braço por trás do seu banco e me inclino levemente na sua direção, apenas a luz vermelha do painel o iluminando.

— Eu vi uma pequena loja com uma cereja brilhante na frente.

Seus olhos se arregalam levemente antes de se virar para frente e pigarrear.

— Sim?

— Oh, sim. E o mais interessante é que eu passei na frente da vitrine convidativa e havia um rapaz bastante bonito no balcão.

Caleb engasga, seus dedos se movendo sobre o painel.

— Hm. Você entrou?

— Oh, não. — Balanço a cabeça, meus dedos correndo por seu pescoço. — Mas ele acenou para mim de lá de dentro quando um cara grande saiu da porta dos fundos e o abraçou. E eles vendem coisas interessantes lá. O suficiente para um homem curioso entrar para olhar.

Caleb gira no assento, seus olhos cerrados.

— Escute aqui, Rhuan, se você entrou naquele lugar e aceitou qualquer oferta daqueles dois pervertidos...

Minha cabeça cai para trás quando eu gargalho e me esquivo de seus dedos quando ele belisca minhas costelas.

— Estou falando sério aqui, Rhuan!

Eu paro de rir e olho em seus olhos sérios. Seguro seu rosto em minhas mãos e beijo suavemente sua boca franzida em irritação.

— Eu não vou aceitar nada de ninguém, meu bem. Eu sou seu, esqueceu? E eu não compartilho. Não você.

Suas linhas suavizam e sola um lento suspiro quando o rádio chia e a voz de Nubia soa alta dento do carro.

Estamos a postos. Câmeras desligadas.

Pego o rádio e clico no número três.

— Atiradores?

Alvos neutralizados.

Volto para o canal de Nubia.

— Peça para saltarem. Caleb e eu estamos no caminho. — Desligo o rádio e o coloco no bolso da perna, acenando para Caleb. — Espero que seu cara esteja lá quando chegarmos.

— Ele vai estar.

Coloco o fone de ouvido e prendo o fio no colete, Caleb me imitando. Saio do carro e corremos em silêncio até a parte lateral do prédio. Saco minha arma quando Einstein quebra o cadeado e me esgueiro pelo muro quando Kiko acerta o guarda da frente. Entramos, nossos pés triturando as pedras do caminho até a porta da frente quando dois caras surgem pelo hall.

Ergo minha arma, acertando o da direita enquanto Kiko pega o da esquerda. Einstein manipula seu tablet e olha para as escadas na lateral da entrada.

— Vamos seguir por aqui. Já que a chave está deste lado.

— Consegue ver se há algum sensor? — pergunto.

— Sim. O código está sendo acessado. Em dois minutos vai ser desligado.

Assinto, subindo pela escada logo atrás de Kiko. Passamos o primeiro andar e damos uma volta para ter certeza de que não há mais ninguém. Aperto meu fone no ouvido ao começar a subir para o segundo andar.

— Como estamos?

Aparentemente não há mais ninguém. Vitor e Nanda deram a volta no quarteirão para ver se há algum possível olheiro, mas tudo está vazio.

Chegamos no segundo andar e olho para Einstein que assente, Kiko indo na frente com a arma em punho.

— Está quieto demais.

Eles não sabiam da nossa vinda.

Caminho lentamente até a única porta de ferro com um painel d inox ao lado. Minha nuca arrepia e olho na direção da janela.

— Será, Fada?

— Não gosto do seu tom. Você está tendo aquela coisa na sua nuca, não está?

Suspiro, olhando para Caleb.

— Isso me cheira mal.

— Você acha que Andreas nos deixou entrar? Qual seria o objetivo dele?

Passo a Mao em minha nuca, o comichão presente e me deixando incomodado.

— Eu não sei. Vamos levar o que tem aí dentro e esperar para ver o que acontece.

Caleb assente e se vira para Kiko e Einstein.

— Dêem a volta e fiquem nos corredores com visão para a chegada de alguém. Eu vou precisar de alguns minutos aqui.

Ambos assentem e saem, desaparecendo pelos corredores. Franzo as sobrancelhas ao vê-lo se ajoelhar e tirar uma pequena bolsinha de couro do seu bolso da perna direita. Ele a abre eu arquejo ao ver todo tipo de ferramenta.

— O que é tudo isso?

— Eu sou o cara que você precisa para passar por isso. Apenas fique quieto para que eu possa trabalhar. Fique de guarda.

Retira uma pequena chave e olha atentamente para o painel de inox, procurando os parafusos. Ele os retira devagar e puxa a parte da frente aberta, revelando os fios escondidos. Caleb enfia a chave entre os dentes enquanto analisa o sistema.

Olho para ele com espanto evidente.

— Você sabe como quebrar um sistema de segurança? E porque não há nada sobre isso na sua ficha?

Caleb grunhe, a chave ainda entre seus dentes e isso me parece quente pra caralho. Tira um pequeno display e o pluga a uma entrada lateral do teclado numérico enquanto insere a chave no buraco abaixo. Os números começam a rodar quando ele puxa uma pequena tesoura de dentro da sua carteira mágica.

— Não está na minha ficha porque eu nunca mencionei o fato de saber fazer isso. E eu posso não ter o QI do Sheldon, mas eu tenho um cérebro que funciona, sabe?

Olho-o ceticamente e me apoio na parede com o braço, meu rosto inclinado na sua direção.

— Você assiste The Big Bang Theory?

Suas sobrancelhas franzem, e eu não sei é por minha pergunta ou se é por estar tentando quebrar o código de acesso.

— E quem não assiste TBBT? É quase como perguntar se alguém não vê B-99.

— Case-se comigo — falo em um gemido.

Caleb abre um largo sorriso antes de voltar a se concentrar no quadro à sua frente. A tesoura corta um fio amarelo e ele a guarda novamente quando três bolinhas acendem em vermelho.

— Eu acho que é um pouco cedo para esse pedido, mas foda-se, eu não me importo. — Seus olhos sorriem na minha direção rapidamente. — Eu me casaria com você, porque é o homem certo para mim e eu percebi que não posso ficar um minuto sem você. Então não me oponho que poderia fazer esse pedido outra hora e de uma forma melhor, sexy.

Porque ele insiste em dizer palavras doces para mim? Eu já estou enrolado no seu dedo mindinho apenas com seu sorriso.

Maldito provocador.

Cruzo meus braços quando uma das três bolinhas vermelhas se torna verde e o primeiro jogo de números está completo. O filho da mãe está conseguindo.

— Você, definitivamente, deve ser meu parceiro quando Nubia saltar para a Interpol.

— E se eu não quiser fazer parte da DINPO?

— E quem não quer?

Ele me olha com sobrancelhas arqueadas e eu rolo meus olhos.

— Certo, mas eu vou manter a vaga aberta para você. Pense nisso com muito carinho e dedicação. Sem pressão. — Sorrio. — Ok, preciso perguntar: em uma briga de intelecto, quem ganharia: Sheldon ou Tony Stark?

Suas sobrancelhas franzem de novo. O quadro apita e mais uma bolinha fica verde e outro jogo de número acende. Seu dedo gira a chave e olha para mim quando o último jogo de números começa a girar no visor.

— E porque haveria uma batalha de intelecto entre eles? São de universos diferentes.

— As pessoas se perguntam quem ganharia em uma luta entre Stuart Little e Remy de Ratatouille. — Encolho os ombros ao mesmo tempo em que o visor de números para com uma sequência e a última bolinha fica verde. — Então, quem ganha?

A última bolinha acende e há o som de um bipe e três travas se deslocando. Caleb fecha o painel e guarda suas ferramentas quando a porta se abre.

— Entre Remy e Stuart?

— É óbvio que Remy ganha. Ele é um rato de esgoto. — Bufo. — Perguntei sobre Sheldon e Stark.

— Stark, é óbvio.

— Por quê? — pergunto curioso, olhando ao redor da sala e vendo caixas e mais caixas de armas ilícitas, assim como sacos de drogas etiquetados e rotulados.

— Porque Stark é o mais inteligente, claro.

— Eu quero fatos, meu bem. — Gesticulo com a mão.

Eu quase perco o funcionamento do meu próprio cérebro quando o olho e vejo seu sorriso de lado, principalmente quando ronrona para mim.

— Eu disse que não tinha um QI alto, sexy. Sendo assim eu não tenho argumentos além do óbvio. Stark ganha porque ele monta armaduras. Sheldon apenas pensa.

Coço minha garganta, não conseguindo contradizê-lo. Por “n” motivos, mas o principal é porque todo o meu sangue saiu do cérebro e foi para o meu pau.

Pisco, tentando recobrar meus sentidos. Olho pela superfície intacta, percebendo como algo está errado nesse cenário. Um choro miúdo chama minha atenção e gesticulo para Caleb se aproximar quando ele termina de fazer a chamada no fone para Nubia.

— Há uma porta escondida. — Testo a maçaneta e dou um passo para trás. — Teremos de arrombá-la.

Caleb pigarreia e dá um passo para perto, levantando um pequeno gancho e balançando as sobrancelhas para mim.

— Para que bagunça? Olhe.

Ele se agacha e insere o gancho, uma pequena agulha na outra mão. Observo como torce na fechadura e então a maçaneta clica se abrindo. Arqueio as sobrancelhas, impressionado.

— Você é um grande arrombador.

— Bem, parece que há coisa sobre mim que você não sabe, ein?

Sorrio, empurrando a porta com a arma em punho e vejo cinco grotas encolhidas no canto. Guardo a arma, erguendo as mãos para elas verem que não sou uma ameaça. Sinto Caleb se aproximar e também Kiko e Einstein param na porta quando a garota da ponta nos olha, reconhecendo a logo da PF nos coletes e suspira de alívio.

— Vamos ajudá-las, tudo bem?

A garota assente, enquanto as outras continuam a chorar. Caleb clica seu fone, dizendo que encontramos as garotas e precisamos de uma ambulância para ver se elas estão bem.

Fisicamente, porque psicológica eu sei que vai demorar em se recuperar.

Descemos as escadas levando as meninas quando o reforço chega para levar todo o carregamento e as drogas. Cachorros sobem correndo, seus narizes pegando o cheiro de algo errado e latindo em resposta. Entregamos as garotas para o médico e seus assistentes ajudam as outras. Agora que tudo está descoberto e arrombado, não há motivos para se manter em silêncio.

Apoio as mãos na cintura quando a voz de Nubia soa no meu ouvido.

Bom trabalho, Lobo.

— Caleb fez o trabalho pesado. Os méritos são dele essa noite.

Ouço o bufar de Nubia do outro lado antes de puxar o fone do ouvido. A mulher adora Caleb, mas não vai admiti-lo nem sob tortura. Não quando ela mencionou aos quatro cantos que ele está na sua lista de idiotas.

Eu sinto meu sangue vibrando com toda essa adrenalina. É sempre assim quando participo de missões. Eu sinto que ainda posso correr milhas e fico excitado por estar quase prendendo um vigarista. Caleb se aproxima com um largo sorriso e acena com a cabeça para a rua.

— Vamos?

Assinto, acompanhando-o pela rua enquanto todo o resto do pessoal termina de limpar a bagunça. Eu faria meu relatório pela manhã, mas agora eu só queria sair dali e acabar com aquela coceira ainda em minha nuca.

Nos aproximamos do carro e enfio a mão no bolso, observando Caleb desativar o alarme quando seus olhos fitam os meus na pouca claridade do poste.

— O que foi?

Sorrio, me aproximando devagar.

— Eu gosto de ver você em ação. É quente.

Caleb rola os olhos e cruza os braços, apoiando o corpo na viatura.

— Você acha, não é?

Aceno, meu corpo ainda vibrando. Estaco no lugar quando seus olhos se tornam encapuzados. Caleb se afasta do carro e apóia as mãos na cintura, sua voz apenas um tom rouco e grosso.

— Mãos no capô. Agora.

Engulo em seco e faço o que ele manda. Sinto seu corpo se aproximar por trás e minha respiração engata quando sua mão envolve minha nuca apertado.

— Eu vou revistá-lo e espero não encontrar nada suspeito.

Sorrio, minha bunda batendo contra seu quadril.

— Talvez eu tenha uma arma na parte da frente. Não esqueça de checar dir...

Ofego quando meu peito bate contra o capô e seu corpo cobre o meu. Sua mão aperta minha nuca mais firme e eu contenho um gemido quando a outra desliza pela lateral do meu corpo até o quadril, e então até a frente da calça tática. Seus dedos massageiam meu pau e agora não consigo segurar o gemido rouco que sobe pela garganta.

— Você não está mais engraçadinho agora, está? — Seus dedos me apertam e fecho meus olhos, segurando o orgasmo. Eu não preciso de muito quando se trata de Caleb. Apenas sua voz e suas mãos são o suficiente para explodir. — Não tem nada a dizer em sua defesa, sexy?

— Eu... — Engasgo quando seus dedos puxam meu zíper aberto e então envolvem meu pau em um aperto firme. — Porra, Caleb.

Bato a testa contra o capô e inspiro erroneamente quando ele baixa minhas calças e então sua língua está lá. Lambendo, circulando, fodendo. Sua boca suga e minhas pernas falham quando um dedo sonda.

— Foda-se... Apenas entre de uma vez!

Quem diria que eu estaria implorando para foderem minha bunda sobre um carro da viatura de polícia? Esse pensamento me excita ainda mais.

— Diga que fez os exames.

Arrepio com sua voz contra minha pele, seus dentes raspando minha bunda.

— Eu fiz. Mas os resultados saem amanhã.

— Porra do caralho. — Sua língua passa pelo buraco mais uma vez, entrando e saindo e fazendo meus joelhos tremerem. — Eu não posso esperar o resultado.

— Caleb...

Há o rasgo de um lacre e seus dedos mergulham lisos no meu canal. Minha boca se abre quando massageia minha próstata, meus dedos enrolando com a sensação. Então eu sinto a cabeça esponjosa empurrando devagar, sua pele quente pedindo passagem. Arde como uma cadela e eu quero empurrá-lo longe. Mas então sua mão está massageando, incitando. Sua boca corre por meu pescoço, sua língua lambendo minha orelha e eu o deixo entrar sem pensar uma segunda vez.

Seu quadril bate contra o meu e eu tremo quando seus dedos tornam a envolver minha nuca, cravando contra a pele enquanto seu quadril investe contra minha bunda. Sem barreira alguma. Apenas o ato imprudente me faz cerrar os dentes, mas não por Caleb poder ter algo, mas por mim. E se eu colocá-lo em risco?

— Você está pensando, então não estou fazendo direito — grunhe contra meu ouvido e se ergue, agarrando meu quadril com ambas as mãos. — Eu ia dizer se segure, mas não há nada em que agarrar. Então apenas me leve.

Arregalo os olhos quando seu quadril bate com força e eu deslizo sobre o capô, meus dedos tentando se agarrar a algo enquanto seu pau soca cada vez mais forte e rápido.

Sim, Caleb está mesmo me fodendo sobre o carro.

E, foda-se, eu estou adorando.

Seu gemido rouco vibra por minha espinha, meu pau pressionado contra a lataria criando um atrito vertiginoso. Movo de encontro a cada estocada, sibilando com seus dedos apertando minha bunda.

— Tão bom... Porra, tão quente.

Fecho meus olhos quando minhas bolas ficam pesadas e sua mão me puxa de pé. Uma mão agarra minha perna e a ergue, apoiando meu pé no pneu e me deixando mais aberto. Deito minha cabeça em sue ombro e sua boca toma a minha quando sua mão agarra meu pau e puxa, imitando seu próprio pau entrando e saindo da minha bunda.

Puxo minha cabeça longe para respirar e grito quando meu orgasmo me estremece. Não muito depois Caleb grunhe meu nome e sinto seus jatos quentes dentro de mim. Tão íntimo e fodidamente sexy.

Apoio minhas mãos no carro e tento puxar uma respiração para meu pulmão quando o sinto sair de mim e se agachar. Seus dedos abrem minha bunda quando sinto sua porra escorrendo pela minha perna.

— Cristo, isso é a melhor visão de todas. — Seus mordem minha bunda e eu rio.

— Você foi bastante negligente.

— Eu fui. Eu não estava pensando. Desculpe.

Caleb beija minha espinha quando sinto um pano passando por minha pele pegajosa. Olho por sobre o ombro e o vejo sem a camiseta.

— O que você...

— Estou te limpando. Minha bagunça, eu limpo.

— Sua camiseta...

— Eu tenho outra no carro. Sempre carrego uma extra para caso algo aconteça. — Sorri e pisca para mim ao se levantar. — Vamos para casa. Você se sente melhor agora?

Franzo as sobrancelhas, fechando minha calça.

— O que você quer dizer com isso?

— A estática e vibração ao seu redor era palpável. E seus olhos estavam loucos. Você precisava de uma descarga de adrenalina.

Arquejo, minha boca se abrindo.

— Você...

— Eu sei lê-lo, esqueceu? — Sorri, entrando no carro.

Puxo a porta aberta e entro resmungando enquanto Caleb apenas ri. Se eu soubesse o que estava por vir, eu teria aproveitado um pouco mais desse sorriso indulgente e alegre.



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