História Mar de Amor - Capítulo 4


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Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Personagens Karol Sevilla, Personagens Originais, Ruggero Pasquarelli
Tags Argentina, Drama, Karol Sevilla, Lionel Ferro, Lutteo, Mar, Praia, Romance, Ruggarol, Ruggero Pasquarelli, Sebastián Villalobos, Soy Luna
Visualizações 182
Palavras 2.387
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá pessoas, como estão? Eu sei que disse que postaria às quartas, porém, amanhã é feriado e não sei se dará para estar por aqui, por isso trouxe logo hoje. Uma vez por semana e ainda haver atraso é triste né? hahaa

Bom, espero que gostem do capítulo de hoje. Não tenho muito o que falar sobre ele, na verdade, é o começo da história, hora de apresentar a vida de cada um, as situações nas quais estão envolvidos e o início da interação da Karol e do Ruggero.

Boa leitura ♥

AHHH, não posso deixar de agradecer por vocês terem adicionado a história e estarem tão participativos. Espero não decepcioná-los *-*

Capítulo 4 - Dois


RUGGERO

Não podia dizer que nunca havia sentido minha cabeça doer como aquela manhã, pois estaria mentindo. A ressaca tinha virado uma constante na minha vida desde que minhas noites não serviam mais para dormir e sim para shows e todas essas coisas que minha carreira me trouxe de bônus ou ônus, como queira. Carreira... só de pensar nessa palavra me causava um riso amargo por lembrar do pé que as coisas estavam. 

Me levantei da cama, tentando fazer com que minha cabeça balançasse o mínimo possível. Parecia que havia algo solto lá dentro e não era a melhor sensação do mundo. Olhei ao redor e tive de me esforçar para me lembrar que quarto era aquele, até me dar conta que tinha parado em uma pousada qualquer, que fatalmente já vira dias melhores. Mas na minha atual circunstância, era a única coisa que poderia pagar sem muitos prejuízos. Não ficaria na minha casa que estava à venda, e receberia visitas, nem fodendo. Era otário, mas ainda não tinha me tornado um amante do masoquismo. 

Falando em pagamento, tinha de acertar isso na recepção, com a garota que dorme por lá. 

E falando na garota que dorme por lá, precisava agradecer pela gentileza de ontem. - Encarei a bandeja que estava no pé da cama. - Nas últimas semanas, gentileza não era algo que eu vinha recebendo de quem quer que fosse. 

Fui até o pequeno banheiro que havia no quarto e me surpreendi com o fato de ter uma banheira nele, era impressionante como ela havia cabido ali. Me reservei ao direito de tomar um banho bem demorado e quente. E apesar de ter fechado meus olhos durante todo o instante em que estive imerso naquela água cheia de sabão, fui capaz de pelo menos não deixar que meus pensamentos me levassem para buracos nos quais eu não queria me enfiar. 

Abri minha mala, pela primeira vez que chegara ali e pus para fora uma bermuda jeans e uma camisa branca. A ocasião não pedia nada muito a mais que aquilo. Na realidade se eu pudesse passar despercebido seria muito bom.  

Desci e vi que as pessoas já estavam encerrando o café da manhã. Baixei a cabeça quando passei por uma menininha, que parecia ter uns 10 anos, e me direcionei para a recepção. Como ontem, a menina – acho que seu nome era Karol – estava atrás do balcão, com a diferença de que agora mantinha-se acordada. 

— Hum... bom dia. — Ela tirou os olhos dos papéis que estava analisando, bastante concentrada, e me encarou. Não tinha reparo que seus olhos eram verdes. 

— Ah, bom dia, senhor Pasquarelli. — A voz animada e o sorriso frouxo, me fizeram sorrir também, ainda que minha cabeça tivesse a ponto de explodir e eu não tivesse motivo algum para realmente achar aquele dia bom. 

— Eu vim acertar as coisas para que possa ficar aqui. Quantos dias, o quanto tenho que pagar, essas coisas. 

— Claro, claro. — Karol mexeu no computador que abriu uma página diferente, deveria ser o sistema do lugar. — Então qual seu nome completo? 

E a lista de perguntas de praxe para qualquer hospedagem seguiu, ela deveria fazer aquilo com frequência, uma rotina chata e monótona de perguntas e respostas, mas por incrível que pareça, Karol fazia com satisfação. Uma estranha satisfação. 

— E quanto tempo o senhor deseja ficar aqui? 

— Esse é o problema, ainda não sei. Tenho negócios para resolver na cidade daí é meio indeterminado. 

— Entendo. Podemos deixar em aberto e o senhor vai pagando as diárias enquanto permanece aqui. Sem fazermos um pacote. — Ela me abriu um sorriso, como se quisesse me convencer que aquela era a melhor opção, ainda que fosse a única. 

— Tudo bem, perfeito. 

— Bom, espero que seja uma boa estadia, senhor Pasquarelli. Qualquer problema que tenha é só falar comigo. Sou a proprietária. — Ela entoou com orgulho e eu me surpreendi. 

— Dona, sozinha? 

— Sim! — Assentiu animada. — Por quê? 

— Meio nova né? 

— Vida ruim, lembra? — Ela repetiu o que eu lhe disse ontem, mas eu não entendi o porquê da menção. E também não perguntei, não me interessava. Apenas confirmei com a cabeça. 

— O que tem por aqui por perto? — Olhei pela porta, recebendo a claridade do sol em meus olhos. 

— Praia, senhor. 

— Além de praia? 

— Mas se o melhor de Gesell é a praia... — O ruído da gargalhada me fez rir... de novo. 

— Não precisa me chamar de senhor, sou Ruggero. 

— Ah, sim. Você tinha me dito isso ontem, mas como estava... 

— Bêbado. Inclusive, obrigado pela atenção. 

— Não foi nada. — Agora parecia encabulada. 

— Foi sim. Bom, já que só tem praia, vou visitá-la, né? 

— Sim. Não vai se arrepender. 

— Tá bom. Tchau, Karol. 

— Tchau, Ruggero. — Não havia esquecido seu nome. 

 

KAROL

Por que a senhorita veio sozinha, menina? — A enfermeira perguntou em um tom apavorado, enquanto furava pela segunda vez o meu braço, para que pudesse em seguida dar continuidade ao processo. 

— Infelizmente não deu para trazer ninguém. — Não quis dizer a ela que na verdade eu não tinha ninguém quem trazer. Não queria incomodar os meus amigos. 

— Mas hoje é sua primeira sessão e os efeitos colaterais serão bem fortes. 

— É, eu sei. Já passei por isso. — Tentei dar-lhe um sorriso de quem não estava ligando para a gravidade do problema, mas acho que não fui muito convincente, visto que a mulher me olhou com uma cara de pesar tão evidente que fiquei com uma certa vergonha. 

Eu sei que sairia dali pior do que entrei, pelo menos naquele momento. As sessões de hemodiálise me deixavam enjoada e tonta. Quando mais nova cheguei a desmaiar de tão mareada que fiquei. Mas sabia também que no outro dia estaria bem e pronto, não era preciso mobilizar ninguém para que passasse por tudo aquilo comigo. 

— Bom, senhorita, agora vou ligar o dialisador e o tratamento irá começar. A senhorita pode ficar à vontade, há umas revistinhas aí do lado, caso queira ler e se não tiver nada que agrade, sugiro que na próxima sessão venha com algo que goste, um livro ou fones de ouvido como a maioria dos jovens que passam por aqui. —A enfermeira deu um sorriso simpático. — Acredito que assim, as 4 horas passarão mais rápido. 

— Tudo bem, obrigada, viu? 

— Por nada, senhorita. 

—Escuta, qual o seu nome? 

— Eu? Sou Lize. 

— Prazer Lize, sou Karol. Caso nos vejamos mais vezes... — Sorri. 

— Prazer, Karol. — Ela se retirou e me deixou lá, deitada, ouvindo o barulhinho do dialisador, que nesse momento, era o meu melhor amigo. Olhei em volte e tinham mais duas pessoas fazendo o mesmo procedimento. De alguma forma aquilo me reconfortava um pouco. 

Resolvi me aconchegar na cadeira, fechar meus olhos e por sorte conseguiria dormir. Seria um longo tempo a se esperar.

(...)

Lize não havia me deixado sair do hospital assim que terminara a hemodiálise. Segundo ela, era importante que eu ficasse algumas horas em observação, apesar de eu achar esta uma péssima ideia, visto que quanto mais as horas passavam, pior eu ficava. Portanto chegar em casa era primordial. 

Meu celular tinha vibrado inúmeras vezes, com o nome do Lionel estampado na tela. Não queria atendê-lo, o que iria dizer? Não sou do tipo de pessoa que consegue sustentar uma mentira por muito tempo. No mais, eu tinha avisado a ele que estava saindo para resolver uns problemas, então... 

Quando a enfermeira enfim me deixou sair do hospital, já haviam se passado duas horas desde o término no tratamento. Ela esperou comigo do lado de fora até que o táxi que chamei chegasse e não sei... me afeiçoei a ela. Havia sido uma boa companhia, de hora em hora ia até mim, ver se tudo estava correndo como deveria, cuidou de mim. Talvez tenha sentido pena, por eu ser a única a estar naquela sala sem ninguém do meu lado. E tenho que dizer que se for assim, ela sentirá pena de mim todas as vezes. 

O carro parou em frente a pousada e eu entreguei algumas notas de dinheiro ao motorista. Saí me escorando na porta e neguei a ajuda que ele me ofereceu. Eu podia ver o cenário ao meu redor girando discretamente. No meu estômago, parecia haver um nó enorme e pesado, que estava me causando ânsia de vômito a cada passada que eu dava. Provavelmente eu não deveria estar com a melhor das feições porque mais de uma vez o taxista havia perguntado se eu estava bem. Ok que o fato de eu ter acabado de sair do hospital contasse um pouco, mas o que consegui enxergar de minha boca, no espelho retrovisor, era notório que estava branca como papel. 

Baixei as mangas da minha blusa de frio para tampar os curativos dos furos causados pelas agulhas, tudo o que eu não precisava naquele momento, era de perguntas. Dei a volta na varanda, queria ir até a guarita dos salva-vidas, gostava de lá. Sem contar que um pouco de vento no rosto, melhoraria meu estado de espírito. Mas quando cheguei no deque, não consegui avançar mais. 

Inclinei meu corpo para frente e pus a mão no estômago, correndo tanto quanto consegui para pôr tudo para fora, por cima da cerca que separava minha propriedade da areia da praia. E foi bem nessa areia que tudo foi despejado. 

— Ei, tá tudo bem? — A voz rouca não me era familiar. 

— Eu só... — Levantei meu rosto, limpando a boca e quando dei conta, estava em frente ao Ruggero. — ...só estou um pouco enjoada. 

— Quer que eu chame alguém? —  Ele ia saindo, mas o impedi. 

— Não! Não, por favor. — Vi suas sobrancelhas se juntarem, o traço de desespero na minha voz foi um tanto quanto palpável. 

— Tá acontecendo alguma coisa? — Sacudi a cabeça em negativo. 

— Você quer ajuda? — Sacudi a cabeça negando novamente. 

— Tudo bem! —Ele riu e sentou-se em um dos bancos que havia no deque.  

Ao que entendi, ele esteve ali me observando todo o tempo, visto que a primeira coisa que fez, foi pegar um copo com um líquido escurecido dentro, e derramar um gole em sua boca. 

— Mesmo assim obrigada pela preocupação. — Consegui em fim me fazer coerente. 

— Nada, retribuição. — Ruggero levantou o copo em minha direção, como se estivesse brindando algo, e sorriu. Mas rapidamente desviou sua atenção para outro lado, para o mar. 

Voltei a me pôr ereta, passando a manga da blusa mais uma vez contra minha boca e me certificando de que estava minimamente bem para chegar ao meu quarto. 

— Sabe? Você tinha razão, o melhor de Gesell são as praias. São lindas. Não sei o porquê de nunca ter tido a curiosidade de conhecê-las. — Parei no meio de caminho e o encarei. 

— Vinha sempre por aqui? 

— Eu tenho uma casa aqui. Na verdade, tinha, estou vendendo. — Ele fez uma careta e bebeu mais um gole do que estava em seu copo. 

— Se eu fosse você, não venderia... — Dei de ombros. Era suspeita para falar, mas amava aquele lugar. Cresci ali e não me via fora de Gesell. 

— Já não depende mais do que eu quero. — Ele deu uma risada desgostosa e eu, me arrastando, fui até o banco onde o Ruggero estava sentado e deixei meu corpo cair ao seu lado. 

Quase nenhum dos hóspedes se dava ao trabalho de se sentar naquele deque, pelo menos não mais. Depois que o "progresso" chegou pela cidade, todos preferem as festas, os restaurantes e praias badaladas. 

— Você está com uma cara péssima. — Ele voltou a me olhar. Apesar de eu estar observando o mar, podia sentir seus olhos sobre mim, era quase uma sensação incômoda. 

— Eu estou. — Sorri e o fitei. — Mas você também não está dos melhores. 

— É, não estou... — Pela primeira vez o vi dar uma risada que além de mostrar os dentes, me brindou também com um tímido ruído. Ruggero ficava muito mais bonito assim. 

— Sinto muito pelo o que te aconteceu, quer dizer... 

— Ah, tudo bem. 

— Na verdade não está tudo bem, mas pode ficar, né?  

Tem que ficar. — Ruggero falou, pensativo. 

— Sabia que eu não tinha ideia de quem era, quando chegou aqui? —Falei achando aquele fato realmente engraçado. Porque era notório que o cara era nacionalmente conhecido e eu estava enfiada em algum buraco qualquer durante todos esses anos para não ter me dado conta disso. 

— Uma pena que tenha ido me procurar no Google, então. Ultimamente tenho preferido o anonimato. — Ruggero me olhou e chocou seu ombro de leve contra ao meu, em um gesto divertido. 

— Ah querido, tem coisas piores nessa vida. Acredite! Você tem talento, pode começar de novo. 

— Foi isso que eu disse a minha noiva. — Ele pareceu surpreso com o fato de ter alguém que reconhecesse seu talento. 

Na verdade, eu nunca tinha ouvido uma música dele, não inteira. Então julgar seu talento não era algo que eu estivesse apta. Mas, queria vê-lo um pouco mais entusiasmado. Minha mãe me ensinou que a gente não bate em cachorro morto, afaga. 

— Precisou dizer isso a ela? 

— Quando ela disse que não me queria mais porque eu estava pobre, precisei. — Ruggero virou o último gole que estava em seu copo. Ainda não tinha ficado bêbado, mas naquele ritmo era questão de tempo. 

— Então você teve sorte. 

— Qual site de fofoca não te informou direito que estou acabado, Karol? 

— Mas pelo menos se livrou dos sangue sugas. Você estava cheio deles, pelo visto. — E ele ficou em silêncio. Nós ficamos em silêncio. 

O dia já estava terminando, o céu começava a ganhar sua cor alaranjada, nos informando que o sol estava se pondo. Havia passado grande parte no hospital e me sentia exausta. Agora que tinha sentado, estava difícil voltar a levantar. 

—  Posso te pedir um favor? 

— Sim. — Ruggero voltou a me encarar. 

—  Pode me ajudar a chegar ao meu quarto? — Vi em seus olhos que ele queria saber o porquê de eu estar daquele jeito. Mas agradeci silenciosamente por ele não ter perguntado nada. 

— Claro! 

Nós subimos as escadas, devagar. Eu me escorei nele e o Ruggero me amparou até chegar ao segundo andar, no meu quarto. Foi gentil o bastante para me pôr sentada na cama e se ofereceu para trazer algo para que eu comesse, mas neguei. Já tinha feito demais por mim. Afinal de contas o hospede era ele. Depois que saiu não me lembro de ter ficado acordada por muito mais tempo.  

O amanhã seria um outro dia.



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