História Mar de Contos - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Hentai, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - 0,02 Segundos


Estudos comprovam que uma pessoa em média demora 0,2 segundos para se apaixonar. E quando isso acontece, doze áreas do cérebro liberam químicos indutores de euforia (dopamina, adrenalina, etc). De acordo com pesquisadores, o efeito é quase como a euforia de quem usa cocaína. Fora que os químicos liberados não afetam apenas a parte emocional, mas também áreas do cérebro ligadas ao intelecto.

E o mais legal: diferentes partes do nosso cérebro se apaixonam. Cada um para um tipo de amor diferente, ou pelo menos foi isso que eu entendi.

Eu acredito em amor a primeira vista, sabe? Daqueles que você olha para a pessoa durante menos de 0,2 segundos e você imagina como seria conversar com ela, "trocar uma ideia", como minha avó diria. Acredito que você pode se apaixonar pelo olhar, aquele que te mostra quem a pessoa realmente é por dentro mesmo sem ela te mostrar. E, principalmente, acredito que esse tipo amor pode durar sim.

Demorou menos de 0,001 milésimos para que os meus olhos se apaixonassem. 0,99 para que a paixão se espalhasse pela minha cabeça. 0,97 pelo meu tronco. 0,95 pelo meu corpo inteiro. 0,90 a paixão já se impregnara nas minhas células, até chegar ao meu coração. 0,80 centésimos e todas as partes do meu corpo e espirito estavam juntas e misturadas naquele sentimento.

Não que eu quis, pelo contrário. Eu não queria ter a olhado e visto o meu mundo virar de cabeça para baixo em menos de 0,02 segundos, batendo um recorde tão rápido que, se os cientistas soubessem, eles me prenderiam numa sala para ver que tipo de criatura frágil eu era a ponto de me apaixonar tão rápido.

Talvez eu fosse masoquista. Fosse. Hoje eu vejo o quão burra eu fui.

Me pergunto se eu tivesse a olhado num segundo diferente eu teria sentindo a mesma ebulição dentro de mim. Segundos fazem muitas diferenças. E se eu nem prestasse atenção quando ela começou a cantar? Impossível. Qualquer um com a cabeça no lugar iria fazer a mesma coisa que eu: encarara-a de boca aberta, como se não acreditasse que um ser humano pudesse cantar daquele jeito. Hm... E talvez se eu não tivesse olhado naqueles olhos... Outra missão impossível. Eles são tipo um imã, sabe? É quase como se te obrigasse a olhar no fundo daquele mar verde.]

E eu me afoguei, desde a primeira vez.

Entenda: eu não conhecia aquele mar. Não conhecia as regras da praia, muito menos quem podia ir para o fundo e quem tinha que ficar na beirada. Porém, ele era tão chamativo, sedutor... Ele implorava para que eu corresse, tirasse as boias – ah, vale lembrar que eu também não sabia nadar -, e quase que voasse sem medo para o fundo. O mar disse que ela estaria lá para me ensinar ar regras. Uma braçada de cada vez, uma pernada logo depois. Ela foi me ensinando, e eu fui aprendendo. Às vezes eu sentia medo, muito medo mesmo, de me afogar. Mas ela me prometeu que sempre estaria ali pra impedir que eu me afogasse.

E ela esteve. Por tanto tempo ela esteve, meu Deus.

E nós nos aventurávamos bem lá no fundo para que ninguém pudesse ver e descobrir nossa "brincadeira proibida". Durante todo aquele ano o mar esteve manso, e nós conseguimos ser felizes, nunca ficando cansadas de nadar, nadar e nadar. Na verdade, o que valeu a pena mesmo era a companhia uma da outra. Tudo bem, nós vivíamos juntas, principalmente por dividimos o mesmo sonho de sair por aí levando nossa música mundo a fora – junto com nossas outras colegas, e incríveis amigas, de grupo. Mas aquele mar... Aquele mar era só nosso. Aquela bolha era só nossa, e ninguém podia entrar.

Até coisa tomar uma proporção diferente. A nossa brincadeira passou a ser só nos fins de semanas, já que o resto do tempo estávamos ocupadas demais seguindo nosso sonho musical. 

Mal tínhamos tempo para nós mesmas, imagina para ir nadar. Porém, continuávamos ali, trocando aqueles olhares de animação e entusiasmo para o bendito fim de semana.

Vale ressaltar que eu me apaixonava por ela cada dia mais. Os meus 0,02 segundos de paixão foram aumentando, aumentando e aumentando. Eu pensei que nunca fosse achar o fim. E realmente não achei, continuo amando-a mais do que a mim mesma, mas isso não precisa ser comentado.

O problema começou quando o mar se revoltou. É, ele ficou irritado demais por não termos mais tempo para ele. E toda vez que nós íamos – e esperávamos sermos recebidas de braços abertos -, ele se revoltava. Ficava agitado, perigoso. E a música nos chamava de novo, então não tínhamos tempo de tentar conversar com ele para que ele pudesse se acalmar e nos acolher como velhas amigas.

As duas sentiam falta da praia e das coisas que vivíamos lá, mas tinha coisas mais importantes do que "brincadeiras de criança". E foi por causa disso que nos distanciamos. Claro que ainda conversávamos e trocávamos ideias. Ainda tínhamos nossa amizade. Porém, aquele outro lado da coisa não existia mais. E eu sentia saudade. Ela também. Dava para ver em seu olhar o quanto ela queria voltar a nadar.

Nossa música começou a ficar importante, nossa imagem também. Tudo que fazíamos era vigiado pelo mundo a fora, e muita gente procurava qualquer indicio da nossa antiga brincadeira para poder usa-la contra nós mesmas, e o pior, contra a nossa banda. Isso me magoava, e me preocupava também. Mas poxa, eu estava apaixonada! E eu queria viver aquele maremoto novo de emoções.

Mas ela... Ela surtou, sabe? Surtou mesmo. Começou a falar coisas sem sentido, coisas que não tinham nada a ver. Ela se distanciou tanto, tanto que nem parecia mais a mesma.

E eu não reclamei, pois não queria brigar.

Burra. Estupida. Idiota.

O mar ficava cada vez mais agitado, perigoso. E enquanto eu queria domá-lo de novo e mostrar a ela que poderíamos superá-lo juntas e voltar a frequentá-lo, ela começou a ter medo. Sim, ela temeu de algo que a própria disse para eu não temer.

Patético.

Ela se tornou outra pessoa. Amargurada, infeliz, chata. TPM vinte quatro horas por dia. Meu Deus, ninguém aguentava mais. Nem os próprios fãs, que não sabiam e muito menos viviam os bastidores aguentavam mais as patadas, os espinhos, as facas prontas para serem atiradas. E sabe o que ela disse quando eu tentei conversar e converter a situação?

"Vá embora".

Mas eu me recusei a ir de vez. Ainda tentei lutar por qualquer indicio que eu pudesse achar daquele tempo em que era só eu e ela contra a correnteza. Mas aquela pessoa que fez o meu coração demorar menos de 0,80 centésimos para se apaixonar decidiu que eu tinha que ir de qualquer forma.

Ela arranjou um namorado. E esfregava tanto na minha cara quanto na dos que ficavam na praia torcendo e apoiando o nosso nado que tudo aquilo fora uma "imaginação selvagem" da nossa cabeça. Aquela realidade era inventada. Os olhares não existiram. Nem os sorrisos, os toques, as palavras. Foi tudo uma ilusão.

Escrever isso me dá vontade de rir.

Chega a ser patético ver a forma como ela agiu, e age, sobre isso tudo. Nossa simples "brincadeira" virou algo de mentira, algo imaginário. O mar era o assunto proibido. Nós não eramos mais nós. Eramos eu e ela.

Escrever isso agora me dá vontade de chorar.

E eu choro, te garanto que choro. As vezes choro tanto que minha outra amiga, que não tem nada a ver nesse assunto, vem me consolar no meio da noite, tentar acalmar as lágrimas que teimam em descer apressadas de meu rosto. Não que eu esteja menosprezando sua ajuda, pelo contrário - talvez eu só esteja aguentando por causa dela é das maravilhosas pessoinhas que mandam um "eu te amo" tão sincero, mesmo que tão longe -, mas eu realmente gostaria que fosse a de olhos verdes a me visitar no meio da noite. Nem que fosse para conversar, sabe?

Eu queria tanto que nós voltássemos a ser pelo menos amigas. Queria tanto que ela parasse de ser essa pessoa tão amargurada que ela se tornou. Queria que ela parasse de ligar para ele quando tivesse algum problema, e viesse até a mim procurando a solução. Sabe por quê? Porque eu sou a única pessoa nesse Universo inteiro que tem a solução para o seu maior problema.

Assim que eu terminar esse desabafo diário, eu vou tomar coragem para ir até a outra ponta do corredor, bater em sua porta e perguntar se eu posso entrar. Ela deve achar que é algum assunto irrelevante, e vai me deixar entrar. Eu vou parar de olhar para o chão, vou erguer meu olhar, esperando que ela erga o dela também e pare de olhar no celular. E ela vai.

Irá demorar menos de 0,2 segundos para que eu mergulhe naquele mar verde mais uma vez, como se nunca tivesse saído. E vou gritar para que ela me acompanhe, para que não tenha medo. Oras, ele é um velho amigo! Ele sente tanta falta quanto eu, quanto ela! Ele vai estar manso, vai querer nos acolher. Vai gritar de alegria, fazer ondas calminhas nas quais poderemos lidar. Nós vamos ir até o banco de areia lá no fundinho, vivendo novamente o nosso mundinho escondido.

Vamos sorrir. Rir. Falar besteiras. Vamos ser felizes.

Só espero que ela pegue as boias e se prepare para as aulas. Eu vou ensina-la novamente a nadar.

 



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