História Mar de Contos - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Hentai, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - 10 Meses


10 meses sóbrio, devo admitir.

Só porque você está limpo, não significa que você não sente falta disso.

A porta do carro abriu e logo ela sentiu vontade de fechar e mandar o motorista levá-la de volta para casa, ou melhor, para o aeroporto e pegar o primeiro voo para longe daquela cidade que tivesse. Ela respirou fundo e saiu do carro, logo o vento frio bateu em seu rosto e ela acelerou o passo. Havia muita coisa em sua cabeça, parecia que os 10 meses em que esteve fora não foram nada, somente de estar naquela cidade tudo voltava e com força total.

Não tinha avisado que iria aparecer, nem mesmo para Dina, então todos ficariam bem surpresos, talvez alguns não tão felizes, mas já era tarde para se arrepender, passou pela porta giratória e foi até o segurança, ele olhou duas vezes para ela e então ficou espantado.

- Senhorita Joana.  – Ele liberou a passagem para ela. – Bem vinda de volta. Todos estão no estúdio C.

- Obrigada. – Ela tentou sorrir, mas acabou fazendo uma espécie de careta.

Estúdio C.

Aquele lugar tinham tantas memórias, era até difícil respirar quanto mais se aproximava da sala. 

Ela tinha ido embora para Miami com a desculpa de que estava com saudade da família e precisava repensar sobre sua carreira, pegou todos de surpresa, bem não todos, mas fora definitivamente um choque. Seu empresário ligava todos os dias, com medo de que ela resolvesse sair de uma vez da banda, o que cogitou algumas centenas de vezes.

Mas ela não podia.

Era seu sonho aquilo tudo, não poderia deixar que seu lado emocional dominasse tudo. Foram 10 meses afastada de todos, mal falou com sua família. Ela se sentia limpa, de tudo. Mas agora, era como se toda a sujeira estivesse voltando e sabia que iria piorar.

Joana deu uma olhada pelo vidro da porta, conseguiu avistar algumas de suas companheiras de banda, mas ela... Ela não estava lá. Colocou a mão na maçaneta e abriu de uma vez. A primeira a notar uma pessoa nova ali foi Dina, seu rosto ficou em um mix de surpresa e choro eminente, ela correu até a morena e abraçou com força, toda sua força. Sentiu seus pés deixarem o chão e logo mais pessoas estavam naquele abraço. Ouviam-se choros, risadas e gritos de euforia. Até ela estava com lágrimas nos olhos agora.

- Ok, ok. Vamos deixar que ela respire, não queremos que ela corra daqui mais uma vez não é? – Dina disse enxugando suas próprias lágrimas.

- Nós sentimos tanta saudade! – Ally falou sem soltar o braço de Joana.

- Por favor, não nos deixe mais. – Norma falou com a voz embargada.

- Me desculpem. – Joana disse timidamente. 

- O que eu fiz não foi justo com vocês. Eu não tenho nem palavras...

- Para com isso Jo, você fez o que precisava fazer. – Dina a interrompeu. 

- Mas você está aqui agora e isso é maravilhoso.

- Camila irá surtar quando ver você! – Ally falou sorrindo.

Pronto. Ali estava tudo voltando e somente pela menção daquele nome. Para disfarçar, Joana aproveitou para abraçar dois de seus produtores musicais que estavam lá, sentia falta de verdade daquelas pessoas, mais do que imaginava. Só não sentia falta daquele sentimento de embriaguez.

- Então, o que vocês estão fazendo aqui? – Joana perguntou.

Um baque na porta fez o coração dela disparar, sentiu que precisava sentar pois suas pernas ficaram bambas assim que colou os olhos naquele rosto. A outra garota tinha as bochechas vermelhas, provavelmente do frio cortante de lá de fora e uma expressão de choque e um tanto sofrida. Dina passou o braço pela cintura de Joana e a segurou com força. Obrigada Deus por Dina, agradeceu em pensamento a garota.

- Surpresa!!! – Gritou Ally para Camila enquanto a puxava pelas mãos.

- Joana. – Ela balbuciou. – Eu não sabia que você iria voltar hoje.

Joana não sabia o que fazer, queria muito passar direto por Camila e ir embora. Mas queria muito correr para ela e abraçar. Se continuasse daquela forma, todo mundo iria desconfiar da situação. Que merda, Joana, por que não pensou nas possibilidades antes de aparecer ali?

Quando percebeu, Dina já a tinha soltado, e Camila estava a abraçando pelo pescoço com toda a força que tinha. Não, não, não. Joana queria gritar para que ela parasse, mas não tinha força para tal esforço que falar exigia.

Camila a soltou e afastou-se o mais rápido que podia, sem manter nenhum tipo de contato visual.

- Ela apareceu de surpresa aqui, Mila. – Norma falou animada, parecia que somente Dina notara o clima estranho que estava ali.

- Isso é... Fantástico. – Camila falou com a voz esganiçada. 

A voz dela sempre ficava daquele jeito quando estava prestes a chorar.

Joana não aguentava ficar mais um minuto ali, disse que precisava ir ao banheiro e saiu do estúdio o mais rápido que conseguiu.

"Eu deixei o diluvio carregar todas as minhas fotos de você, a água encheu meus pulmões, eu gritei alto, mas ninguém ouviu nada."

Um ano atrás elas estavam em uma festa. Camila estava um tanto bêbada e dançava perto dela, não parou de dançar e beber desde a hora em que chegou lá. Ela estava chateada por algo que o namorado fizera e estava em todos os tabloides, mas óbvio que ela não terminou com ele. E então Joana estava lá, tendo que ficar de olho em Camila. Ela odiava ter que ver a garota daquela forma, sabia que no final da noite ela iria para casa chorando.

- Joooo! – Camila a abraçou pela cintura. 

- Por que você tá com essa cara fechada?

Camila estava perigosamente perto. Joana afastou-se um pouco.

- É porque eu queria estar em casa, sabe?

- Awww Jojo, divirta-se, por mim tá? – Camila beijou a bochecha dela demoradamente. 

– Meu deus, seus olhos são tão azuis.

- Você está muito bêbada.

– Não estou! – Ela puxou Joana para mais perto e deu um sorriso. 

- Vem, vamos dançar.

Joana sentiu seu rosto queimar e seguiu a amiga para pista de dança.

"Eu pensei: O céu não pode me derrubar agora, nada dura para sempre, mas isso vai me derrubar."

Entrou no banheiro, jogou água no rosto e tentou respirar calmamente. Era impossível e então era óbvio o que tinha que acontecer. Camila entrou no banheiro.

Joana não olhou para porta, não precisava para saber quem era, continuou lavando o rosto e quando terminou, olhou para onde estava evitando. Camila estava encostada na porta olhando para Joana como se estivesse prestes a gritar com ela, mas estava escolhendo as palavras corretas.

- Eu senti sua falta. – Surpreendentemente, ela não gritou e sua voz estava firme.

- Camila.

- O que Joana?

- Não faz isso. – Joana falou baixo, quase não conseguia olhar Camila nos olhos.

- Por quê?

- Você me quebrou, Camila.

- Joana você era a minha melhor amiga, a pessoa que eu mais confiava e você simplesmente sumiu, sem nunca me dizer o porquê exatamente. – Pronto. Camila estava explodindo.

- Você não ouviu o que eu falei? Você me quebrou. E nunca percebeu isso. Nunca percebeu o modo como você me deixava. Toda vez, toda vez com aquele idiota do seu namorado. Seu namorado perfeito.

- O quê?

O choque daquilo tudo foi maior ainda do que ver Joana novamente. 

– Do que você está falando?

- Até Dina... Até ela percebeu e você não.

- Joana, pelo amor de Deus, do que você tá falando?

- Eu sou... Eu era apaixonada por você.

Camila encarou Joana por segundos que pareciam intermináveis. Joana não sabia o que fazer e pior que não poderia sair dali já que Camila estava bloqueando a porta e chegar perto dela agora estava fora de cogitação.

- Eu não namoro mais. – Foi a primeira coisa que Camila disse.

- Ah...Ummm.

- E foi muito, muito egoísta da sua parte me deixar no escuro, sem saber de nada disso! Você foi uma idiota, Joana! – Ela foi chegando perto. – Não respondeu nada do que mandei para você, nenhuma mensagem. E chega me falando isso, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

E então veio o tapa. 

Joana fechou os olhos e mais rápido ainda, veio o baque do corpo de Camila no seu, suas mãos foram para o rosto de Joana e a trouxe para perto, juntando os lábios nos dela com força.

- Me desculpa. – Camila separou os lábios dos dela. – Eu não queria te bater, me desculpa. – Ela acariciou onde tinha batido.

- Eu... – Joana estava fora de si. Sem entender como tudo aquilo poderia estar acontecendo. – Eu mereci, está tudo bem.

- Eu quase enlouqueci sem você por perto. – Camila estava com lágrimas nos olhos.

- Fui muito covarde.

- Foi, mas você está aqui agora... Por favor, não vá mais embora.

- Eu não entendo... Você gosta de mim?

- Sim, eu não sabia que te amava tanto... Desse jeito, até você ir embora. E eu não tinha como te falar isso, porque você sumiu completamente, ninguém me dizia como te encontrar, onde você estava. Foi horrível, e eu jurei que se você voltasse, eu nunca mais iria falar com você, mas quando te vi... Meu Deus, tudo voltou e eu só quis te abraçar e não soltar mais.

Joana abaixou a cabeça e encostou a testa na de Camila. Sem acreditar em tudo aquilo que estava acontecendo. Não podia ser real. Mesmo nos melhores cenários que imaginou, aquilo nunca acontecia.

- Ca, eu falei que eu era apaixonada... – Ela fez uma pausa. – Eu menti, porque eu sou apaixonada por você.

Camila puxou Joana para si mais uma vez e a beijou, agora de um modo diferente, com mais calma, aproveitando cada momento que seus lábios estavam juntos.

"Foram meses e meses de ida e volta, você ainda esta em cima de mim como se eu tivesse um vestido manchado de vinho, eu não posso mais usar minha cabeça enquanto perdei a guerra,  e o céu ficou preto como uma tempestade perfeita."

 



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