História Mar de Contos - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Visualizações 1
Palavras 685
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Hentai, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Apenas um mundo


O vento frio batendo no meu rosto era a única coisa que eu tinha para ter a certeza que ainda existia um pouco de mim no mundo. Minhas mãos enterradas no meu sobretudo preto, a cada segundo tentando de alguma forma achar calor para conforta-las. Mas não, eu não achei. Eu nunca mais acharia. Mexi meu pé na grama hidratada pelo sereno da noite com a intenção de fazê-la confortável para meu encontro. Sentei a frente da lápide escrita "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" - era a frase favorita dela, do livro favorito dela que me dera naquele verão. Ah... o silencio...

- Você gosta, certo? - pensei passando a mão no pequeno relevo que as palavras formavam - você gosta de ouvir o silencio comigo, certo?

Retirei minha mão com cuidado como se a falta daquele contato fosse deixar minha pele junto. 

Doentio? Eu diria saudade.

Quando se perde algo momentaneamente, você tem a certeza que ira ver tal coisa novamente, cedo ou tarde. É a chamada saudade controlada. Você sabe que ira retira-la do seu coração e terá a chance de não senti-la novamente. Quando você perde algo subitamente, você não estava preparado. Ninguém nunca esta preparado. E a saudade que vem é a mais desesperadora possível. Ela corroê mais do que qualquer ácido, ela passa através das suas veias ate chegar em seus pulmões, sufocando. Ela parece retirar tudo o que te faz feliz, guarda em um pote de vidro e então arremessa em direção a uma parede de concreto. Você vê a sua felicidade destroçada no meio do chão, mas seus pés estão presos. Você não pode fazer absolutamente nada. Você pode somente observar. Ver o mundo crescendo, evoluindo ao seu redor e você estagnado. A saudade é algo incontrolável. A saudade é a maior fraqueza que um homem pode ter. 

O vento ficou mais forte fazendo um som opaco em meu ouvido e me retirando novamente dos meus monólogos internos. Puxei para perto a minha bolsa e de lá, retirei um livro com a capa "o pequeno príncipe". Deixei-o ao lado e então achei o que queria: um paninho bege úmido.

Passei devagar, retirando as marcas do tempo já presente. Cada letra foi retornando ao seu brilho original. A luz amarela que vinha do poste estava sendo meu mais novo companheiro naquele momento. Já satisfeita, pousei o paninho na minha perna e fui a procura dos lírios que deixará dentro do saco plástico fora da bolsa.

- Oi Laura... - segurei os lírios com força como se fosse a primeira vez que eu falava com ela -quanto tempo, amor - falei encarando a grama - trouxe suas favoritas - coloquei a frente da lápide ainda encarando o chão.

- Sinto sua falta - uma lagrima teimosa desceu pela minha bochecha sem nenhuma intenção presente de ser a única - como anda o paraíso? Ouvi dizer que necessito me manter forte porque eu não pertenço a ele - deixei uma risada sem humor sair - quatro anos certo? Seria egoísmo eu querer você comigo, aqui e agora? - falei em um tom um pouco mais alto, quase uma súplica - merda! 

Levantei sem dar muita atenção à forma que fiz. Tentava conter as lágrimas com a minha mão direita enquanto a esquerda ficou com o trabalho de colocar tudo novamente a bolsa. Saí o mais rápido que pude. Com a cabeça baixa, minhas mãos sem vida nos bolsos do meu sobretudo, sai do cemitério sem olhar para o caminho. Os pássaros começavam a cantar e a luz do sol formando seus primeiros raios solares do dia. Choquei-me ombro com ombro com uma desconhecida. Ela estava apressada, quase corria

- Desculpa! Mas as melhores sementes são as dos primeiros minutos do dia - falou já longe com a mão levantada e um sorriso o rosto.

Voltei meu olhar para baixo mas dessa vez encarando meus pés.

- Semente... dia... pressa... isso definitivamente lembra o dia que conheci Laura - sorri com meu pensamento transbordando de lembranças - de uma forma estranha, engraçada ou até mesmo sobrenatural, me lembra.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...