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História Mar de Rosas - Taekook - Vkook - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura✨

Capítulo 3 - Capítulo dois


  Taehyung gostava de festas . Gostava de ver gente e de conversar. Divertia-se escolhendo a roupa que ia vestir, se maquiando, lutando para arrumar o cabelo.

Gostava de Mark e JungWoo – na verdade, foi ele que apresentou os dois, quatro anos antes, quando ficou claro na sua cabeça que Mark seria melhor como amigo que como amante.

O casamento foi organizado pela Votos.

Até que tinha uma quedinha por Lucas, pensou Taehyung, suspirando ao estacionar o carro diante de um edifício contemporâneo de dois andares e virar o retrovisor para retocar a maquiagem.

Era bom sair com ele para jantar, ir a uma festa, a um show. O problema era o termômetro de emoções. No dia em que se conheceram, Taehyung lhe deu uma sólida nota 7, com grandes possibilidades de melhorar. Além disso, achou-o esperto e divertido, e ficou impressionada com sua boa aparência. No entanto, o beijo do primeiro encontro fez o termômetro despencar para um mísero 2

A culpa não era dele, admitiu, enquanto saía do carro. Faltava algo mais . Fez outras tentativas. Alguns outros beijos – beijar era uma das suas atividades prediletas. Mas ele nunca conseguiu superar aquele 2 – e olha que estava sendo generoso.

Não é nada fácil dizer a um homem que você não tem intenção de dormir com ele. Há sentimentos e egos em jogo. Mas precisou fazer isso. O problema, ao que parecia, era que ele não havia acreditado.

Quem sabe não encontrava na festa alguém que pudesse apresentar a ele?

Assim que entrou no ambiente preenchido por música, vozes e luzes, sentiu o humor melhorar. Ele adorava uma festa!

Olhou em volta e viu um monte de gente conhecida.

Cumprimentou alguns com beijinhos, outros com abraços e foi procurar os anfitriões. À distância, reconheceu um primo emprestado e acenou. Taeyong, pensou, e fez sinal para indicar que dali a pouco voltaria para falar com ele. Solteiro, divertido, belíssimo. Combinaria com Lucas.

Daria um jeito de apresentá-los.

Encontrou JungWoo na espaçosa cozinha da casa, conversando com amigos e reabastecendo uma bandeja com aperitivos.

– Taehyung! Achei que você não pudesse vir.

– É só um pulinho. Você está incrível.

– Você também. Ah, obrigada! – exclamou o jovem, pegando o buquê de tulipas rajadas que Taehyung tinha levado para ele. – São lindas!

– “Caramba, estamos na primavera!” é uma frase que não me sai da cabeça. Esse buquê mostra que tenho razão. Quer uma ajuda?

– De jeito nenhum. Deixe-me pegar uma taça de vinho para você.

– Só meia. Estou dirigindo e realmente não vou poder ficar muito tempo.

– Então, meia taça de Cabernet. – JungWoo deixou as flores em cima da bancada para liberar as mãos. – Veio sozinho?

– Na verdade, meio que combinei de encontrar o Lucas.

– Ahhh! – exclamou JungWoo, alongando-se bastante.

– Não, não tem nada a ver.

– Ah.

– Olhe, isso você pode deixar que eu faço – disse Taehyung ao ver o amigo pegar um vaso para pôr as flores. – O que acha de Taeyong e Lucas?

– Estão juntos? Não tinha percebido.

-Não, é só uma especulação. Acho que se dariam bem.

– Claro. Acho que sim. Mas vocês combinam tanto, digo, você e Lucas...

Taehyung fez um muxoxo.

– Onde está o Mark? Não o vi lá na sala.

– Provavelmente no terraço, tomando uma cerveja com Jungkook.

– Jungkook está aqui? – Taehyung mantinha as mãos ocupadas e foi em tom casual que disse: – Preciso ir lá dar um oi para eles.

– Estavam falando de beisebol da última vez que os vi. Sabe como eles são.

Sabia perfeitamente. Conhecia Jeon Jungkook havia mais de uma década, desde que ele e o irmão de Jimin, Jisung, dividiram um quarto em Busan. E Jungkook passava muito tempo na casa dos Park's. Recentemente tinha se mudado para Seul e aberto sua pequena e exclusiva empresa de arquitetura.

Ele também dera o maior apoio quando os pais de Jimin e Jisung morreram no acidente com seu avião particular. E tinha sido uma espécie de salva-vidas quando eles decidiram abrir a Votos, refazendo o projeto da casa da piscina e da casa de hóspedes para adequá-las às necessidades da empresa.

Era praticamente da família.

Sem dúvida iria lá falar com ele antes de ir embora.

Com a taça de vinho na mão, virou-se bem na hora em que Lucas entrava. Como era bonito, pensou. Alto, com um físico invejável e sempre com aquele brilho nos olhos. Talvez só um pouquinho artificial, o cabelo sempre impecavelmente cortado e as roupas com caimento perfeito, mas...

– Aí está ele. Oi, Woo. – Mostrando-se ainda mais perfeito, entregou ao anfitrião uma garrafa de Cabernet, cumprimentou com um beijo no rosto e abriu um sorriso caloroso para Taehyung. – Estava mesmo procurando você.

Beijou-o com tanto entusiasmo que quase conseguiu mais alguns pontos em seu termômetro de emoções.

Taehyung conseguiu se afastar um pouquinho e pôs a mão livre no peito dele, para que nem pensasse em beijá-lo de novo. Abriu um sorriso e disse de forma amistosa:

– Oi, Lucas.

Com o cabelo louro-escuro despenteado pelo vento e um casaco de couro aberto sobre um jeans desbotado Jungkook entrou, vindo do terraço. Olhou para Taehyung com as sobrancelhas erguidas e um sorrisinho nos lábios.

– Oi, Tae. Não quero interromper.

– Jungkook! – exclamou ele, afastando-se mais um pouco do outro. – Você conhece o Lucas , não conhece?

– Claro. Como vai?

– Bem. – Lucas se virou e passou o braço pelos ombros de Taehyung. – E você?

– Não tenho do que reclamar. – Jungkook pegou uma batata chip e a mergulhou num molho. – Como vão as coisas lá na mansão? – perguntou a Taehyung.

-Estamos cheios de trabalho. A primavera é, por excelência, a estação dos casamentos.

– A primavera é, por excelência, a estação do beisebol. Vi a sua mãe um dia desses. Ainda é a mulher mais bonita que já existiu.

O sorriso casual de Taehyung se abriu, brilhando como um raio de sol.

– É mesmo.

– Ela se recusa a deixar seu pai para ficar comigo, mas a esperança é a última que morre. Bem, até logo. Tchau, Lucas.

Quando Jungkook saiu, Lucas se virou para ele. Conhecendo bem aquele movimento, Taehyung se virou também, evitando ficar presa entre ele e a bancada.

– Eu já não me lembrava que tinha tantos amigos em comum com JungWoo e Mark. Conheço quase todo mundo aqui. Preciso dar um oi para algumas pessoas. Ah, aí está alguém que eu queria muito que você conhecesse.

Entusiasmado, pegou Lucas pela mão.

– Você já conhece meu primo Taeyong ?

– Acho que não.

-Há meses que eu não o via. Vamos lá falar com ele para que eu possa apresentá-los.

E saiu puxando-o pela festa.

Jungkook pegou umas castanhas e ficou conversando com um grupo de amigos, enquanto observava Taehyung conduzir pela multidão o Jovem Executivo a Ser Exibido. Ele estava

simplesmente... deslumbrante, pensou.

E não era só sexy. Tinha aqueles olhos amendoados, o corpo curvilíneo, a pele dourada, o cabelo cacheados e os lábios carnudos e macios. Lindo de morrer! Sem contar o calor e a luz que pareciam emanar dele. Um pedaço de mau caminho.

Além disso, pensou Jungkook, era quase um irmão de seu melhor amigo.

De qualquer forma, era raro vê-lo sem que estivessem por perto os amigos, alguém da família ou um monte de gente. Ou, como hoje, com um cara qualquer.

Um homem com a aparência de Kim Taehyung estava sempre acompanhada por um cara.

Mas olhar não tira pedaço... Jungkook apreciava linhas e curvas, tanto nas construções quanto nas mulheres. E, na opinião dele, Taehyung era arquitetonicamente perfeito. Comeu mais castanhas, fingiu que prestava atenção na conversa e o fitou deslizando pelo aposento com aquele balanço no andar.

O modo como ele parava, cumprimentava as pessoas, esperava, ria ou sorria parecia casual, observou Jungkook. Ao longo dos anos, porém, meio que fez um estudo a seu respeito. Ele tinha um propósito.

Com a curiosidade aguçada, ele se afastou do grupo e se misturou a outras pessoas, a fim de mantê-le em seu campo de visão.

O tal do Lucas não parava de acariciar as costas dele e passou o braço pelos seus ombros. Taehyung sorria bastante para ele, fitando-o com aqueles cílios espessos. Mas sua linguagem corporal, bem... também tinha estudado a linguagem corporal dele... e não havia sinal algum de receptividade.

Ouviu quando ele gritou Taeyong! e, antes de abraçar um ruivo muito bonito, deu aquela risada que fazia seu sangue ferver.

Começaram a conversar, rindo daquele jeito que os homens fazem, mantendo a distância apropriada para se examinarem antes de começarem a fazer os famosos elogios um à outro. Você está lindo! Emagreceu, não foi? Adorei o cabelo . Pelo que notara, esse ritual tão particularmente feminino sofria umas variações, mas o tema era sempre o mesmo.

Taehyung achou um jeito de ficar numa posição que deixasse o cara que estava com ele de frente para o ruivo.

Foi então que entendeu tudo. Ele recuou uns centímetros, ergueu uma das mãos e deu uns tapinhas no braço de Lucas. Queria se livrar dele e pensou que o ruivo pudesse distraí-lo.

Quando ele escapou dali, indo em direção à cozinha, Jungkook levantou seu copo de cerveja, como num brinde.

Bela jogada, Taehyung, pensou. Bela jogada.

Ele saiu cedo da festa. Tinha uma reunião no café da manhã, às oito horas, e depois o dia seria cheio, com direito a visitas e inspeções a obras. Em algum momento no meio disso tudo, ou talvez no dia seguinte, precisaria arranjar um tempinho para rascunhar algumas ideias para as mudanças que queria fazer no estúdio de Jin, agora que ele estava noivo de Namjoon e os dois moravam juntos.

Não sabia bem como faria isso sem descaracterizar as linhas e a forma da construção. Mas queria pôr as ideias no papel e brincar um pouco com elas antes de mostrar qualquer coisa a Jin.

Ainda não tinha se acostumado com essa história de Jin se casar... e com Namjoon. Era impossível não gostar dele, pensou. Os dois não tiveram muito contato quando estudaram em Busan. junto com Jisung. Mas o cara era gente boa.

Além disso, ele fazia os olhos de Jin brilharem. E era isso que importava.

Com o rádio ligado no volume máximo, ficou repassando mentalmente as ideias para criar um espaço extra que servisse de escritório para Namjoon fazer... o que quer que professores de inglês fizessem em seus escritórios.

Enquanto dirigia, a chuva que ficara inconstante o dia todo reapareceu na forma de uma neve fraquinha. Abril na Coreia, pensou.

Seus faróis iluminaram um carro parado à beira da estrada e ele viu um homem de frente para o capô aberto, com as mãos na cintura.

Jungkook parou, saltou e, com as mãos nos bolsos, aproximou-se de Taehyung.

– Há quanto tempo!

– Que droga! Ele morreu do nada. Simplesmente parou! – Ele agitava os braços, frustrado. Jungkook se afastou um pouco para não ser atingido pela lanterna em sua mão. – E está nevando. Está vendo isso?

– Estou, sim. Já verificou o combustível?

– Não ando por aí sem gasolina. Não sou idiota. É a bateria ou o carburador. Talvez uma dessas mangueiras ou correias.

– Bem, isso já reduz bastante o leque de possibilidades...

Ele deu um suspiro profundo.

– Que droga, Jungkook! Sou florista, não mecânico.

Ele riu.

– Boa justificativa. Já acionou o seguro?

– Vou fazer isso. Mas achei melhor dar uma olhada antes para ver se não era algo simples e óbvio. Por que não fazem essas partes dos carros mais simples e óbvias para facilitar a vida dos motoristas?

– Por que as flores têm nomes latinos tão estranhos que ninguém consegue pronunciar? Sempre me pergunto isso. Posso dar uma olhada? – indagou ele, estendendo a mão para pegar a lanterna. – Caramba, Taehyung, você está congelando!

– Teria vestido uma roupa mais quente se soubesse que acabaria parado na beira da estrada no meio da noite, em plena tempestade de neve.

– Mal está nevando. – Jungkook tirou o casaco e o ofereceu a ele.

– Obrigado.

Taehyung se enrolou no casaco enquanto ele se debruçava sobre o motor.

– Quando foi a última vez que fez uma revisão nele?

– Não sei. Tem um tempinho.

Jungkook virou-se para ele e lançou-lhe um olhar penetrante com aqueles seus olhos de um tom cinza-fumaça.

– Esse seu tempinho deve ter sido nunca. Os cabos da bateria estão corroídos.

– O que isso quer dizer? – Taehyung se aproximou e enfiou a cabeça sob o capô, ao lado dele. – Você sabe consertar?

– Posso...

Eles se viraram um para o outro. Tudo o que ele conseguia ver eram aqueles olhos castanhos amendoados e, por um instante, até perdeu a fala.

– O que foi? – perguntou Taehyung, seu hálito morno atingindo os lábios dele.

– O quê? – Que diabos estava fazendo?, pensou. Ergueu-se, tratando de se afastar da zona de perigo. – O que posso fazer é uma chupeta para que você consiga chegar em casa.

– Ah, claro, que bom. Muito bom.

– Depois você vai ter que levá-lo à oficina.

– Claro. É a primeira coisa que vou fazer. Prometo.

A voz dele ficou um pouco mais alta, o que o fez se lembrar do frio.

– Entre no carro, vou tentar ligar aqui. Não dê a partida e não mexa em nada até eu mandar.

Jungkook foi buscar o próprio carro e o deixou de frente para o dele. Enquanto pegava os cabos, ele saiu de novo.

– Vim ver o que você vai fazer – explicou Taehyung . – Caso eu precise me virar sozinho algum dia.

– Está bem. Temos os cabos e as baterias. Tem o lado positivo e o negativo. Não vá confundi-los porque, se ligar ao contrário...

Ele prendeu um na bateria, deu um gemido meio estrangulado e começou a tremer. Em vez de se assustar, Taehyung riu e deu um tapa no braço dele.

– Seu idiota. Eu tenho irmãos. Conheço bem as suas gracinhas.

– Esses irmãos deveriam ter lhe ensinado a fazer uma chupeta numa bateria arriada.

– Acho que ensinaram, mas não prestei atenção. Tenho um conjunto desses cabos no porta-malas, junto com outros materiais para emergências. Mas nunca precisei usar nada disso. As peças do seu carro brilham mais que as do meu – acrescentou ele, franzindo a testa para o motor.

– Acho que até o fogo do inferno é mais brilhante que o seu motor.

Ele deu um suspiro profundo.

– Agora que vi isso, não tenho como discutir.

– Volte para o carro e ligue o motor.

– Ligar? Está de brincadeira – disse ele.

– Quando ele pegar, se é que vai pegar, não o desligue.

– Entendido.

Lá dentro, Taehyung cruzou os dedos e virou a chave. O carro engasgou e roncou, fazendo Jungkook estremecer, mas por fim voltou à vida.

Taehyung pôs a cabeça para fora e deu um sorriso.

– Funcionou!

Jungkook pensou que aquele sorriso era tão poderoso que seria capaz de ressuscitar uma centena de baterias mortas.

– Vamos deixar carregando por uns minutinhos e depois eu o acompanho até em casa.

– Não precisa. É contramão para você.

Prefiro acompanhá-lo para ter certeza de que não vai ter problemas de novo pelo caminho.

– Obrigada, Jungkook. Sabe-se lá quanto tempo eu ficaria aqui parado se você não tivesse aparecido. Já estava me amaldiçoando por ter ido àquela festa quando tudo o que queria esta noite era ver um filme e dormir cedo.

– Então por que foi?

– Porque sou um bobo – respondeu, dando de ombros. – Lucas não queria ir sozinho e, bem, eu gosto de festas, então achei que não custava nada encontrá-lo lá e ficar uma horinha.

– Sei. E como saíram as coisas com o ruivo?

– O quê?

– O ruivo que você empurrou para ele.

– Não empurrei ninguém. – Taehyung desviou os olhos. Depois, virou-se de novo para ele. – Ok, empurrei mesmo, mas só porque achei que iam gostar um do outro. E gostaram. Foi uma boa ação que fez valer a saída de hoje à noite. Se não fosse o carro ter enguiçado na beira da estrada... Acho injusto. E meio embaraçoso, já que você percebeu.

-Pelo contrário. Fiquei impressionado. Isso e o molho foram as coisas de que eu mais gostei esta noite. Vou desconectar os cabos, vamos ver se a bateria segura a carga. Se der tudo certo, espere eu entrar no meu carro antes de sair.

– Ok, Jungkook. Fico lhe devendo essa.

– Fica mesmo. – Ele sorriu antes de se afastar.

Como o motor continuou funcionando, Jungkook fechou o capô do carro dele e do seu, jogou os cabos no porta-malas, sentou-se ao volante, acendeu os faróis e fez sinal para ele seguir.

Foi atrás de Taehyung em meio à neve fina que continuava caindo, tentando não pensar naquele instante sob o capô quando o hálito dele aqueceu seus lábios.

Ele deu uma buzinada amistosa quando chegaram à estradinha da propriedade dos Park's. Ele reduziu a marcha e parou. Ficou vendo as lanternas traseiras brilharem na escuridão e desaparecerem na curva do caminho que seguia para a casa de hóspedes.

Permaneceu ali um pouco mais, no escuro, antes de dar meia-volta e pegar o rumo de casa.

Pelo retrovisor, Taehyung viu Jungkook  parado no início da estradinha. Hesitou, perguntando-se se não deveria tê-lo convidado para entrar e tomar um café.

Provavelmente sim – era o mínimo que poderia ter feito –, mas agora era tarde demais. Sem dúvida tinha sido melhor assim.

Não era muito sensato receber alguém àquela hora da noite, e ainda por cima, um amigo da família que fazia seu termômetro de emoções atingir a pontuação máxima. Especialmente porque ainda estava sentindo um formigamento na barriga por causa daquele instante ridículo sob o capô, quando quase se humilhou, agarrando-o.

Isso nunca podia acontecer.

Pensou em ir contar essa maldita confusão para Jimin, Minseok ou Jin – ou, o que seria ainda melhor, para os três juntos. Mas isso também não podia acontecer. Determinadas coisas não se devem compartilhar nem com nossas melhores amigas. Especialmente porque Jin e Jungkook tiveram um rolo tempos atrás.

Suspeitava que Jungkook houvesse tido rolos com muitas mulheres.

Não o censurava, pensou, ao estacionar. Ele também gostava de ter companhia masculina. Gostava de sexo. E às vezes uma coisa levava a outra.

Além do mais, como alguém podia achar o amor da sua vida se não procurasse por ele?

Desligou o carro, mordeu o lábio e virou a chave novamente. Ele fez uns barulhos bem desanimadores, meio indecisos, e então pegou.

Devia ser um bom sinal, pensou, desligando-o mais uma vez. Mas tinha que levá-lo à oficina o mais rápido possível. Pediria uma indicação de mecânico para Jimin, já que ele sempre sabia de tudo.

Entrou em casa e foi buscar uma garrafa d’água para levar para o quarto, no andar de cima. Graças a Lucas e à maldita bateria não conseguiria dormir às onze, mas pelo menos iria deitar à meia-noite. O que significava que não havia desculpa para deixar de fazer o exercício que planejara para a manhã seguinte.

Sem desculpa, repetiu para si mesmo.

Deixou a água na mesinha de cabeceira, ao lado de um vaso com frésias e foi se trocar. Então percebeu que ainda estava com o casaco de Jungkook.

– Ah, não, que droga!

Tinha um cheirinho tão bom, pensou. Um misto de couro e de Jungkook. Aquele não era um cheiro que lhe proporcionaria sonhos tranquilos. Levou-o para a outra ponta do cômodo e o pendurou no encosto de uma cadeira. Agora teria que devolver o casaco, mas pensaria nisso mais tarde.

Um dos meninos talvez precisasse fazer algo na cidade e poderia levá-lo. Não era por covardia que delegaria essa tarefa. Era uma questão de eficiência.

Não tinha nada a ver com covardia. Via Jungkook o tempo todo. O tempo todo . Só não havia motivo para ir à cidade só para isso se alguém já tivesse que ir mesmo. Com certeza ele tinha outros casacos. Não precisaria deste imediatamente. E, se era tão importante, por que não pedira de volta?

As de agora eram mininarcisos, para comemorar a primavera. Mas sua aparência alegre parecia zombar dela. Irritado, apagou a luz.

Prosseguiu com o ritual tirando da cama a pequena montanha de travesseiros, pondo de lado as almofadas bordadas e afofando os travesseiros que usava para dormir. Enfiou-se debaixo do edredom, aninhando-se para sentir o lençol macio em contato com a pele, o aroma calmante das frésias perfumando o ar e...

Merda! Ainda dava para sentir o cheiro do casaco.

Com um suspiro, virou-se de costas.

E daí? Qual o problema de ter pensamentos libidinosos a respeito do melhor amigo do irmão do seu melhor amigo? Não era nenhum crime. Pensamentos libidinosos eram absolutamente normais e razoáveis. Na verdade, até faziam bem. Era saudável. Gostava de ter pensamentos libidinosos.

Por que um homem normal não deveria ter pensamentos desse tipo com um homem sexy, lindíssimo, de corpo fantástico e olhos que eram como fumaça misturada a neblina?

Seria louco se não os tivesse.

Agora, concretizá-los, sim, seria uma loucura. Mas tinha todo o direito de fantasiar.

A culpa era dele.

Já não tinha dito a si mesmo que pensaria nisso mais tarde?

Vestiu uma camiseta para dormir e foi ao banheiro para iniciar seu ritual noturno. Tirar a maquiagem, limpar, tonificar e hidratar a pele, escovar os dentes e o cabelo. Essa rotina diária e seu belo banheiro normalmente faziam com que relaxasse. Amava as cores alegres, a banheira adorável, a prateleira com vasos.


Gostaria de saber o que Jungkook teria feito se ele tivesse se aproximado só mais um centímetro quando estavam ambos sob o capô do carro, e se o tivesse beijado.

Como todo homem, pensou, iria retribuir. E teriam passado alguns minutos bem interessantes e abrasadores na beira da estrada, sob a neve fina. O corpo esquentando, o coração acelerando com os flocos caindo sobre eles e...

Não, não, já estava romantizando tudo. Por que fazia isso? Sempre passava da luxúria saudável para o romance. Esse era o seu problema e certamente estava enraizado na maravilhosa história de amor dos seus pais. Como poderia não querer aquilo para si também?

Trate de esquecer, ordenou-se. Com Jungkook não encontraria nada parecido com “felizes para sempre”.

Então, estavam excitados, abraçados na beira da estrada. Mas... depois desse beijo impulsivo e sem dúvida eletrizante, teriam ficado sem jeito um com o outro.

Aí seriam obrigados a se desculpar ou tentar fazer algum tipo de piada a respeito do que havia acontecido. As coisas entre eles ficariam estranhas e tensas.

O fato era que estava muito tarde para se deixarem levar pela luxúria. Eram amigos, a coisa mais próxima que existe de ser da família. Não dá para ter um caso com amigos ou parentes. Melhor era deixar essas ideias bem guardadinhas só para si mesmo e continuar procurando o amor de verdade.

Desses que duram para sempre.



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