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História Marcas do passado - (Malec) - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Capítulo 7


Fanfic / Fanfiction Marcas do passado - (Malec) - Capítulo 7 - Capítulo 7

 Não consegui pregar os olhos durante a noite, minha mente estava a mil, viajando entre a ligação de Vivian e ao fato de James poder realmente estar vivo, estava desesperado para vê-lo, ansioso com o que poderia acontecer quando o encontrasse e com medo pelo mesmo motivo. Levantei eram cinco horas da manhã e meu voo estava marcado para as oito, ainda tinham três torturantes horas antes de ir para Vermont. Tomei banho, me troquei e arrumei uma mala pequena, seriam alguns dias fora caso ele realmente estivesse vivo, e depois o traria para casa, por isso não havia necessidade de tanta coisa. Desci para a cozinha e Sammuel estava sentado tomando café da manhã no balcão. Ele parecia ter dormido tanto quanto eu e assim que me viu se levantou.

 - Bom dia, Sammuel. Não se incomode, fique, preciso de companhia.

 - Bom dia, senhor Lightwood. - Fui até onde a cafeteira estava e enchi a maior xícara que tinha com o café recém feito, depois fui até uma banqueta ao lado de Sammuel e me sentei em silêncio, minha cabeça estava doendo e não sabia ao certo o que dizer.

 - O senhor gostaria que eu preparasse algo para comer? Lucy chega mais tarde e não tem nada feito.

 - Não se preocupe comigo, não estou com fome. Ligue para Lucy e peça para que ela não venha hoje. Vocês dois estão dispensados durante esses dias em que ficarei fora.

 - Mas e se seus familiares ligarem ou vierem aqui? - Dei de ombros.

 - Ignore, Sammuel. Considere isso uma folga muito merecida para vocês dois. - Ele assentiu. - Você conseguiu alugar um carro em Vermont para mim?

 - Sim senhor, o carro vai estar disponível assim que o senhor chegar ao aeroporto. - Assenti, terminei de tomar meu café e me despendi dele. - Espero que tudo dê certo, senhor Lightwood.

 - Eu também Sammuel, eu também. - Fui para meu quarto terminar de ajeitar minhas coisas, chamei um táxi e decidi ir para o aeroporto, não queria me atrasar e nunca ninguém poderia prever o trânsito em Nova Iorque, principalmente no caminho de um aeroporto num sábado.

 No caminho liguei para Freya avisando para a partir de segunda cancelar todos os meus compromissos e os reagendar para duas semanas mais tarde, os que não pudessem era para ela passar para Jace ou até mesmo para um dos meus pais e em seguida liguei para a casa dos meus pais.

 - Que inesperado telefonema e tão cedo.

 - Que inesperado você atender o telefone. - Ela suspirou.

 -  Alexander? Aconteceu alguma coisa?

 - Estou oficialmente de férias.

 - Como assim, Alexander?

 - Por que está tão surpresa?

 - Fora pelo fato de que faz um bom tempo que você não tira férias? Por ser uma decisão tão abrupta.

 - Eu decidi mesmo de última hora, estava precisando.

 - Filho, tem mais alguma coisa que não está me contando? 

 - Por que sempre tão desconfiada? Não tem nada demais, são só alguns dias e já liguei para Freya reagendar meus compromissos e os que não derem, pedi para ela passar para você, ou papai ou Jace.

 - Tudo bem. E para onde você está indo?

 - Informação demais, não acha? Tchau mamãe, até mais.

 - Alexander? - Esperei antes de desligar e ouvi ela suspirando. - Aproveite e tome cuidado.

 - Pode deixar. - E encerramos a ligação, tinha decidido não contar para ninguém para onde estava indo e o que estava indo fazer, isso só me traria mais estresse e nenhuma outra pessoa precisava saber até eu realmente saber se James estava ou não vivo. E se tudo não tinha passado de uma mentira. 

 

 Já faziam algumas horas que estava na estrada com nada mais que o café em meu estômago. Passava do meio-dia e estava começando a sentir muita fome, Vermont era um lugar lindo, mas o maior dos problemas é que era composto por florestas e na maioria, casas de  luxo e fazendas, espaçadas entre si e sem muita coisa entre elas, a não ser é claro pequenas lojas que vendiam produtos inimagináveis a base de boldo, e eu odiava boldo. Depois de mais alguns quilômetros encontrei um posto onde decidi parar para um lanche.

 Meu voo tinha atrasado algumas horas para o meu agrado e por consequência não tinha conseguido chegar ainda no endereço que Vivian havia me passado, estava estressado com isso, com tudo na verdade e minha dor de cabeça não tinha passado, apenas piorado com tudo isso.

  Desci do carro e fui até a mercearia, onde pedi um lanche natural e um copo de suco de laranja. Enquanto esperava peguei meu celular do bolso e tinham algumas chamadas não atendidas de Maryse e de Jace. As ignorei mais uma vez, por mais que essas não fossem verdadeiras férias eu não queria falar com eles sobre elas, não ainda, e sabia que se ligasse para qualquer um dos dois eles iriam me encher de perguntas que não queria responder. Não queria ficar mentindo e nem escondendo mais coisas. Isso me cansava.

 Fui até a galeria e abri uma foto de James que havia salva. Fiquei o observando por algum tempo e tudo o que pensava até ali era sobre meus temores com esse reencontro. Comecei a passar pelas fotos observando como ele sempre parecia tão alegre e senti as lágrimas se formando em meus olhos e a sensação esquisita em minha garganta, sabia que quando o encontrasse tudo poderia estar diferente, ele poderia estar diferente, um nós poderia nunca mais haver e isso me deixava destruído, principalmente pelo fato de existirem as fotos, de nelas estarem tudo bem, de nas minhas memórias nós estarmos bem e por um momento eu quis que nada disso estivesse acontecendo, desejei que ele estivesse realmente morto porque assim tudo seria tão mais simples e no mesmo momento que me peguei tendo esses pensamentos eu me arrependi amargamente, me arrependi porque amava ele, amava nós e o fato de ele estar vivo deveria ser algum sinal do universo, Deus poderia ter finalmente me ouvido e eu estava querendo jogar tudo isso fora para que não tivesse que lidar com ele, com esse reencontro e reviver o fato de Adam ter falecido de eu ter acreditado que o próprio James estar morto, não queria reviver as memórias do acidente. Nada disso, mas sabia que era preciso. Talvez depois de tudo, as coisas ficassem bem e era a essa ideia que decidi me agarrar.

 Continuei passando as fotos até que a última me fez parar e me lembrei daquele exato momento.

 " - Magnus, eu não preciso anotar agora, se precisar eu peço para a sua irmã.

 - Não, claro que não. Ela não precisa de você a atormentando ainda mais porque quer me ver. - Arqueei a sobrancelha e ele abriu aquele sorriso genuíno. Se levantou ainda nu da cama e pegou um post-it onde anotou seu endereço. - Pronto!

 Terminei de fazer o nó em minha gravata e peguei de sua mão, o virei dos dois lados e vi que tinha mais coisa anotada.

 - Acho que não posso levar isso. - Disse e mostrei o outro lado cheio de coisas. Magnus bufou e se aproximou de mim, sentia sua respiração em meu pescoço, nossas alturas eram bem próximas mas mesmo assim eu era alguns centímetros mais alto. Ele colocou a mão no meu bolso da frente e pegou meu celular enquanto eu o observava e então ele tirou uma foto do papelzinho.

 - Pronto, agora está no seu celular. - Ele me entregou o celular e fiquei o observando por mais um tempo. - Assim você não vai ter maiores dificuldades se quiser me visitar, isso a qualquer hora. - Ele piscou e sorriu. Me aproximei mais e dei um beijo leve em sua testa.

 - Até mais, Magnus.

 - Até, Alexander."

 Era uma foto que não tinha nada demais, era apenas um post-it rosa com o novo endereço de Magnus escrito a mão, contudo aquele momento me fez pensar que ali tinha sido uma despedida nossa, eu mal sabia que tudo isso estava por vir, nem imaginava a possibilidade que dois dias depois de estar com Magnus eu estaria em outro estado atrás do meu marido supostamente morto. Suspirei, ainda observando a foto, a letra dele era linda, parecia exatamente com as letras de antigamente onde as pessoas caprichavam tanto, tinham curvas e era fina, parecia a letra de um rei, dos reis que ele tanto amava estudar.

 Aquela foto, aquela simples foto fez com que muita coisa mudasse dentro de mim, tanto que me senti confuso, aquele não era o momento para isso e eu não precisava de mais um problema, muito menos foder tudo mais uma vez.

 - Eu não posso fazer isso com você. - Sussurrei para mim mesmo e apaguei a foto. Liguei para Magnus, havia uma coisa que teria que resolver antes de me encontrar com James. Esperei alguns minutos até que ele atendeu com  a voz preguiçosa, ele deveria estar dormindo e me peguei imaginando como seria ele acordando, nunca tinha passado a noite com Magnus, muito menos o visto acordar. E suspirei e algo como arrependimento passou por mim, ignorei esse sentimento.

 - Magnus? - Esperei por um momento.

 - Alexander? A que devo a honra? - Fiquei em silêncio ele parecia tão em paz, alegre como sempre e me vi diante de um beco sem saída e não sabia como fazer aquilo. Nem sabia se tinha alguma coisa que deveria terminar, só sabia que precisava fazer aquilo por consideração a ele.

 - Nós não podemos mais nos encontrar. - Agora foi sua vez em silêncio e aquelas palavras saíram com tanta dificuldade de minha boca que até me surpreendi.

 - O quê? Por quê?

 - Magnus, eu só... Tem muita coisa acontecendo agora, muita coisa que eu achei ser impossível e não... 

 - Eu fiz alguma coisa que não deveria ter feito? Me desculpe se foi isso, eu não percebi e... - Eu o interrompi.

 - Não é você, Magnus, eu reencontrei alguém. E não posso fazer isso com você. - E dessa vez a lágrima que escorreu pelos meus olhos não foi por James.

 - Eu sabia que algum dia isso iria acabar, só não esperava que fosse assim. - Sua voz estava diferente e isso me deixou muito mais incomodado do que esperava ficar, eu me preocupava com Magnus, mais do que gostaria. Fechei os olhos. - Então, amigos? - Percebi um certo esforço em sua voz ao dizer essas palavras e nesse momento eu soube que nem amigos poderíamos ser. 

 - Magnus, nossa relação de agora em diante não passará da profissional, nosso contato será apenas para negócios e espero que nada que aconteceu entre nós, em nossas vidas pessoais, interfira nisso. - Usei todo meu autocontrole para dizer essas palavras, sabia que poderia o magoar, mas também sabia que deveria mesmo fazer isso da forma mais clara possível para que não houvesse nada nas entrelinhas e não sabia outro jeito de falar.

 - Então, eu acho que não temos mais nada a conversar. Tchau, Alexander. - Antes que pudesse responder ele desligou e uma parte de mim se foi com ele, foi uma sensação inexplicável, algo que nem tinha ideia de que tinha até agora, era um espaço que Magnus ocupou na minha vida durante esse breve período de tempo, um espaço que agora estava vazio e que doía. Respirei fundo, aquilo deveria ser coisa da minha cabeça, tinha precisado tanto me aliviar com Magnus nesses últimos dias que deveria estar confundindo as coisas, ainda mais agora com tantos sentimentos vindo a tona de uma só vez. Terminei de comer, paguei e voltei para o carro, iria por fim reencontrar James.



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