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História Maresia - Capítulo 3


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Notas do Autor


Hj foi um pouquinho mais cedo. Aproveitem!

Capítulo 3 - Inimizades


Aquele era mais um dia normal em Porto-Celeste: de manhã cedo tinha que ter um barraco entre os dois caras mais bravos da região, onde eu sempre apartava a briga. Sério, eu só não larguei o emprego porque não tinha nenhum outro que contratava mulheres para tal. Daria tudo para que o senhor Niccals e o Russel-san dividissem um mesmo ambiente sem quase matar um ao outro, porém, pelo visto eles nunca iriam se unir...

Mas enfim, vamos esquecer isso e falar de onde eu moro: Porto-Celeste; que nada mais é que uma ilhazinha que faz parte das ilhas Maldivas. Ela é chamada assim porque o mar é tão azul, tão azul que o céu e o oceano são um só nos dias de verão. Aqui é bom pra se viver, não tem poluição, tem poucas pessoas, um pequeno povoado, vida simples, natureza por todo o lado… um paraíso.

E como toda cidade pequena aqui também tinha as suas lendas — que eu prefiro chamar de fofoca —, sendo uma delas sobre o meu chefe.

Alguns diziam que o senhor Niccals era um mago feiticeiro que fazia remédios pra curar as pessoas em troca de alguma quantia em dinheiro, outros especulavam que ele era um bruxo que mexia com magia negra, coisas ocultas e profanas, e por conta disso ninguém se atrevia a mexer com ele com medo de virar sapo ou algo assim… 

Rá!!!

Dá pra acreditar?!

Que lorota sem sentido!

Se fosse assim, o grandão já teria virado numa ratazana monstruosa há muito tempo! Que piada!

Fui tirada de meus pensamentos quando senti dedos com unhas afiadas pousar em meu ombro, e foi aí que percebi que ainda encarava na direção que Russel tinha ido.

— Não ligue pra esse bundão, Wasabi! Você tem todo o direito de seguir a carreira que quiser! E daí que cê gosta de viver perigosamente? A vida é sua. — Disse ele amistoso, tentando me animar.

Olhei para a mão no meu ombro e para as fuças dele, não gostando muito do contato físico.

Murdoc poderia pegar qualquer coisa maior de 18 anos que tenha pernas, contudo ele sempre foi muito respeitoso comigo por algum motivo, mesmo ele sendo grudento demais pro meu gosto.

Murdoc nunca admitiria pra ninguém, mas o motivo dele não dar em cima de mim talvez seria medo de ficar sem nenhum dente na boca, já que né, eu era filha de um certo com fama de ser super protetor aos extremos… ou talvez, por que ele me visse como uma adolescente mesmo; a julgar pela minha aparência oriental fofinha e o meu tamanho. Sério não estou exagerando, eu era mais baixinha que as irmãs da enjoada da Docinho! Isso era uma constrangedor… uma vergonha!!!

Lentamente, afastei a sua mão verde do meu ombro com as pontas dos meus dedos e cruzei os braços soltando um suspiro pesado.

— É, eu sei… Mas o Russ só tá preocupado…

— Preocupado com o que? Ele sabe que você era a melhor da classe nas aulas de natação.

— Peraí! — Exclamei surpresa com a fala do esverdeado, desfazendo os meus braços com o susto. — Como é que você sabe disso?

— E-eu disse isso?! — Ele tentou desconversar, coçando a nuca como se estivesse procurando uma mentira.

— Disse sim! O senhor não poderia saber de uma coisa tão íntima minha se me conhece apenas só seis meses.

— M-mas eu não disse isso, eu só supus que você era a melhor já que nada tão bem quanto muito marmanjo por aí, hehe. —  Niccals explicou sorrindo de forma nervosa.

Franzi o cenho para ele, aquilo estava estranho.

— Mas…

— "Mas" nada! Agora vamos parar de enrolar que conversa é perda de tempo, garota! 

— Hai…

Não tinha como ele saber disso se a menos o esverdeado me conhecesse desde criança… porém, apenas concordei derrotada, talvez fosse paranoia minha, certo?

Como eu disse antes, cidade pequena, todo mundo fazia fofoca de qualquer um.

— Bora cambada, mexam esses rabos preguiçosos daí!!!  Quem for da pesca, vão pros barcos e quem for do mergulho, entrem na base para pegar os equipamentos agora! — O senhor Niccals ordenou gritando com aquela voz anasalada e rouca dele, tampei um dos ouvidos protegendo o que sobrou dos meus tímpanos. Poxa, será que não dava para ele berrar longe da minha orelha?!

— Ace, você vem comigo, vai me ajudar a entregar os equipamentos. — O senhor Niccals ordenou para o rapaz também de pele esverdeada e óculos escuros.

— Beleza, chefia. — Ace falou parando de conversar com seus amigos e sorrindo de forma desdenhosa para o outro ser esverdeado.

Acontece que, quando Ace me olhou por debaixo de seus óculos de sol, desfez o sorriso e abaixou a cabeça. Também desviei o olhar e segui o meu chefe e todo mundo entrar no estabelecimento, que nada mais era que o escritório do Senhor Niccals. Ele fazia pagamento, tinha vários freezers para conservar peixes e frutos do mar e guardava os equipamentos para a gente usar.

Ace apertou o passo e ficou na minha frente andando com as mãos na frente do bolso, me evitando, e essa foi a deixa perfeita para eu estudá-lo dos pés à cabeça. 

Não me julguem, eu não tinha culpa de gostar de observar os outros!

Mas eu não podia resistir aqueles cabelos longos e oleosos que viviam caindo em seu rosto; o que eu mais gostava neles era que era bom de puxar. Como se estivesse lendo os meus pensamentos, Copular passou a mão pelo cabelo lentamente.

Desci o olhar vendo o casaco de couro e desci mais um pouquinho… ah, nem vou falar falar das calças dele, apertando a… Ai!

Tirei a vista do gost… Digo, do Ace e olhei pro lado onde alguém tinha esbarrado em mim e interrompido minha "observação''. Neste momento vi os olhos selvagens e furiosos da Docinho me fuzilando. Ela tinha uma carranca e fez aquilo de propósito! Eu fiz o mesmo fechando a cara pra ela enquanto alisava meu ombro. Pelo visto ainda estava com raiva do que eu fiz. 

Qualé! Foi apenas um deslize… ou melhor dois… 

Foi um "acidente", eu juro que não faço mais!

Após alguns segundos a menina que usava shorts escuros e camisa listrada de verde e preto se cansa de me encarar e vai pegar seus equipamentos junto com os outros numa fila. 

Hump, ela é uma cretina isso sim, sempre copiou meu corte de cabelo, minhas roupas, e até a cor dos meus olhos (eu sei que disso ela não teve culpa, já que ela nasceu com eles); mas a questão é que a Docinho me provoca desde o colégio só porque eu sou asiática… eu tinha que fazer alguma coisa!

Teria me vingado de outra forma se o grandão não tivesse me proibido de usar minhas habilidades marciais no lindo rostinho emburrado dela…

Caminhando calmamente, eu também ia me juntar à fila, mas o senhor Niccals me arrastou pelo braço até o canto do cômodo e me deu os equipamentos (que nada mais era que um balde de metal para colocar os moluscos, um par de nadadeiras e uma máscara de mergulho).

— Mas… senhor Niccals…! — Guinchei meio desconcertada. —  Mas e a fila?

— Esqueça essa bosta, você sabe que é a minha queridinha, então tem o direito de passar na frente desses imbecis na hora que eu bem entender. — O mais velho falou com o mesmo carisma que sempre tinha.

— Mas isso não é trapacear?

— Querida, se eu não vivesse passando a perna nos outros, eu não estaria onde não estou hoje. — Murdoc sorriu de forma maligna, mostrando seus dentes pontudos  — Eu gostaria de ir com você, mas cê sabe que eu não curto água salgada pinicando as minhas partes, hehe. Então fica pra próxima. — Deu de ombros grunhindo no final da fala.

— Heh, seeeei. Todo dia o senhor fala isso. Já estou começando a achar que não gosta muito de banho. — Disse olhando de forma acusatória pra ele.

— Que idiotice! Mas é claro que eu gosto! — Falou ele tossindo de forma falsa, fingindo estar ofendido. — Agora chega de conversar bosta, Macarrão! Você ainda quer ser a primeira a ter um local bom pra pegar ostras e mariscos ou não?!

Ele estava certo. Gostava de coletar frutos do mar sozinha, e odiava quando alguém ficava me seguindo para saber onde ficava o meu esconderijo super secreto (que nada mais era uma praia deserta, cheia de rochedos e super afastada do povoado; cercado por uma densa floresta) pra saber de onde eu tirava tantos moluscos, então eu tinha que sair cedo.

Balancei a cabeça que sim várias vezes sem nem raciocinar e ele empurrou as tralhas que segurava no meu colo. Não perdendo tempo, Murdoc me empurrou levemente até a saída do estabelecimento. Quando o assunto era persuadir os outros por meio de lábia, o mais velho era profissional.

— Então caia fora daqui, macarrão, e não volte até ter se divertido pra cacete hoje!


Notas Finais


Até o próximo domingo! Nyah!


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