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História Margaridas em baixo d'água; - (Fillie) - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Lembranças a flor da pele;


Millie

Aquela festa. Eu não me lembro como cheguei ai. Eu só sei que eu estava trancada no banheiro, e tinha um cara bêbado no chão, desacordado eu acho. Entrei em desespero e tentei abrir a porta, mas estava trancada por fora. Comecei a socar a porta, e de repente eu estava chutando a porta e gritando por ajuda. Aquele cara estava acordando, e quando percebi, aquele cara era um conhecido. Jason. Isso só piorava tudo, me virei pra porta e voltei a socar aquela porta de madeira idiota. E soquei ainda mais quando senti alguém abraçar a minha cintura por trás.

- Ah, Millie.. que coincidência nós dois aqui. É uma das maravilhas do destino não acha?

- Me solta! ME SOLTA! NÃO ENCOSTA EM MIM!! - Eu continuava socando (agora o ar, já que Jason resolveu me afastar da porta), e chutando. Com todas as forças que continham em mim. - SOCORRO! ALGUÉM??? - eu continuava gritando.

Jason estava beijando o meu pescoço e eu ficava cada vez mais assustada, as lagrimas rolavam soltas pelo meu rosto. Minha visão estava turva, e eu estava ficando sem ar. Uma pontinha de esperança se acendeu quando ouvi um baque. Alguém havia dado um murro na maçaneta.

Mas voltemos a três meses antes dessa festa, porque esse tempo colaborou muito para que eu estivesse aqui onde estou agora.

Eu havia acabado de chegar em casa. Aquele lugar continuava sombrio. Eu havia passado três anos com a minha avó no México. E agora ali eu estava, de volta em casa. Por escolha minha claro, mas eu já estava me arrependendo. Meu pai entrou na casa um pouquinho antes de mim, com algumas das minhas malas. Ele estava tão feliz em me ver, que ali lembrei o porque tinha voltado.

- Seu quarto continua do mesmo jeito querida. Pode ir desfazer suas malas, e vou pedir algo pra gente comer.

- Ok... hm.. pai! - chamei.

- Oi...

- Estou feliz por estar em casa... - sorri.

- Eu também estou querida... - vi que ele estava com vontade de chorar, então peguei minhas coisas e subi as escadas. Fui em direção ao meu quarto.

Meu quarto realmente continuava do mesmo jeito. Ainda tinham pôsteres pelas paredes, e minha penteadeira ainda tinha luzinhas coloridas em volta, com fotos presas nos cantos. Meu guarda roupas com portas espelhadas continuava la, e cheio de adesivos que eu colei quando mais nova. E varias prateleiras com as mais variadas coisas. Coisas como minha coleção de óculos escuros em formato de coração, e um jarro de vidro cheio de conchas. Tinham também origamis de papel coloridos presos por fio nylon, pendurados no teto. Fitei a prateleira cheia de fotos, logo abaixo de pequenos quadros quadradinhos, com pinturas que eu fiz com minha mãe.

No chão, o tapete felpudo, logo ao lado da minha cama. Me joguei na cama e aproveitei aquele breve momento de descanso. Menos de 5 minutos depois eu estava desfazendo minhas malas e guardando tudo no guarda-roupa. Uma hora depois tudo estava dobrado e guardado, e as malas estavam novamente em seu lugar, em cima do guarda-roupa. Desci as escadas e vi meu pai pegando a comida com o motoboy, e logo em seguida ir pegar sua carteira em cima do balcão. Tirei do bolso da calça algumas notas e entreguei ao motoboy. Deixei ele ficar com o troco como gorjeta e fechei a porta.

- Obrigado querida, mas você não deveria se preocupar com isso.

- Deixa disso pai, vamos comer, eu quero conversar um pouco com o meu pai.. - Sorri e me sentei  mesa da cozinha.

Começamos a comer.

- Pai, eu preciso ir a escola né? Você já resolveu isso?

- Já sim,você vai estudar na Wayllester é claro.

- Wayllester..? - minha voz falhou.

- Claro, você já estudava la antes de ir morar com sua avó. Pensei que seria bom. Fiz sua matricula quando você disse que iria voltar pra casa. Eu sei que ta no meio do ano, e que você pode se sentir meio perdida nas matérias, mas você estudava numa escola bem avançada la no México, vai ser fácil, você entra no ritmo rapidinho. - ele sorriu.

- Eu sei, e está ótimo. Obrigada. - sorri de volta e voltei a comer.

 

[Quebra de tempo]

 

Encarei meu reflexo no espelho. A saia plissada xadrez, preta e vermelha, e camisa social branca, a gravata vermelha. Tudo aquilo, não combinava comigo. Peguei minha mochila, e coloquei nas costas. Meu pai bateu na porta aberta.

- Estou saindo pro trabalho mais tarde hoje, posso te dar uma carona no seu primeiro dia. Saio em 5 minutos.

- Valeu pai, vou só terminar aqui e já estou descendo. - Voltei a me encarar no espelho. Arrumei as meias três quartos branca, e amarrei os cadarços dos meus tênis carmim. Eram os mesmos all stars velhos de sempre. Comprei ele com a minha mãe numa viagem, e eu me lembro perfeitamente daquele dia.

Peguei meu celular e o blazer de cima da cama e desci as escadas. Meu pai já estava no carro, então sai tranquei a porta e entrei no carro.

Em alguns minutos eu já estava na frente da escola. A escola que eu conhecia tão bem.

-- -- -- -- --

Narrador 

Não muito longe dali, numa sala de aula qualquer do segundo andar, alguns alunos ja sabiam da recém chegada.

- Quem?

- Uma garota nova... chega hoje.

- Não é exatamente nova... Millie Bobona Brown já estudou aqui antes, mas saiu por algum motivo. Sei la, vai ver não aguentou a pressão. - Ele riu.

- Pressão?

- É ruivinha, ela sofria bullying. Porque sempre foi a maior nerdona, e era toda esquisita, usava uns óculos estranhos, e cabelo amarrado.

- Ai gente credo, pra que fazer isso com a garota?

- Ela era bem fragil, do tipo facil de zuar. Era uma diversão facil.

- Diversão?

- Vocês falam assim porque não viram na época, mas era simplesmente hilário.

- Credo Finn, que horror.

- "credo finn, que horror" - Finn imitou a garota. - Relaxa ruivinha, eu não sou mais aquele idiota e você sabe.

- Eu espero mesmo...

Nesse meio tempo os alunos entravam na sala, seguidos pelo professor.

- Sentem-se, por favor. - o homem pediu. - Ah sim... deem boas vindas a sua nova colega de classe... - ele olhou um papelzinho em suas mãos - Millie certo? Pode se sentar ali! Do lado da Sadie, a garota de cabelos ruivos.

Sadie acenou para a garota, que foi até ela e sentou-se ao seu lado.

- Oi.. - Sadie sorriu para Millie. Mas a garota só acenou, com semblante sério, e colocou a mochila na parte de trás da cadeira.

Finn não havia se dado o trabalho de olhar pra garota até que o professor fizesse a chamada.

- Millie Bobby Brown... - ele disse.

- Aqui... - Millie olhou pra ele, e o homem marcou a presença dela.

Quando Finn ouviu aquele nome, tão conhecido pra ele, finalmente olhou a garota. O garoto ficou no minimo surpreso. A garota tinha mudado muito.

Seus cabelos longos, lisos e finos, haviam se tornado cachos curtos, na altura do ombro, e seus cabelos tinham muito mais movimento do que antes. O que antes era um rosto infantil e desengonçado agora era mais delicado e detalhado. O corpo de Millie obviamente havia mudado. Agora tinham curvas, e detalhes muito diferentes do corpo de uma criança. Os óculos redondos de armação marrom tinham ficado pra trás, e agora lentes de contato ocupavam o seu lugar. E no lugar do aparelho, dentes retinhos e brancos. Nos labios o gloss de cereja que a garota sempre usara, mas agora Finn notava.

Desde quando ela usava aquele gloss? A uns 7 anos? Mas porque agora ele parece mais vermelho... e mais brilhante?

Finn afastou aqueles pensamentos. Era obvio que ele ficou impressionado com a nova Millie, mas ele não quer nada com ela. Eles são diferentes demais... não é?

 

Millie 

 

Quando entrei na sala, eu gelei. Acabei caindo na mesma classe do Finn. O garoto que mais me azucrinou no fundamental. Ele sempre foi muito popular, então tudo que ele fazia, os amiguinhos dele copiavam. Entrei na escola um ano depois dele, e eramos amigos. Mas no 6 ano ele resolveu infernizar a minha vida. Foram anos de bullying. Eu duvidava que ele fosse me reconhecer, mas eu cai justamente na turma dele. Ele me olhou por alguns segundos, e desviou o olhar quando percebeu que eu tinha notado os olhares dele.

As aulas se arrastaram até o intervalo, mas finalmente o sinal tocou. Eu sai da sala apressada, e comecei a procurar o Noah. Ele e o Jason eram meus únicos amigos, mas quando eu fui embora, só o Noah continuou sendo meu amigo. Eu e o Jason brigamos feio. Então eu e o Noah estávamos loucos pra nos ver. Fui até o patio da escola e comece a procurá-lo. Parei ao lado de uma árvore pra ver se via ele dali. Senti alguém cobrir meus olhos por trás...

- Adivinha quem é.. - ouvi uma voz conhecida.

Permaneci em silencio.

- Marco.. - falei.

- Polo! - ele respondeu e me virei na hora.

- Noah! - Pulei no pescoço dele e abracei ele forte.

- Millie! Eu estava morrendo de saudades. - Ele disse quando nos soltamos.

- Eu também.. Vim direto te procurar.

- É bom mesmo - ele riu. - E como está a Abuela?

- Ela está ótima, já que eu vim pra cá, ela foi fazer uma viajem espiritual na Índia.

- Porque na Índia?

- Sei lá... mi abuela estas muy loca - sorri.

- Depois você vai me dar umas aulinhas de espanhol... eu vou reprovar nessa matéria se não melhorar minhas notas urgentemente!

-Puedes contar conmigo, te ayudaré!

- Ai Millie você nem vem, não entendi nada, falou grego..

- É espanhol... - ri.

Ele riu e balançou a cabeça negativamente.

- Hm... Noah... e o Jason? - ele suspirou.

-  É complicado, ele mudou bastante sabe...? Ele não é mais aquele amigo que a gente tinha.

- A gente teve aquela briga quando eu fui embora...

Eu lembrava exatamente daquele dia, três anos atrás.

Flash back on

- Sério? Você vai me deixar aqui?

- Entende o meu lado Jason.. não da mais... aguentar tudo aquilo...

- Mas eu sempre vou te proteger.

- Mas Jason..

- SEM MAS MILLIE! QUE DROGA, VOCÊ SÓ PENSA EM VOCÊ?

- Desculpa... é que isso é o melhor pra mim..

- E pra mim??

- Desculpa...

- Eu gosto de você Millie, e agora que você sabe disso? Vai me deixar mesmo assim?

- Jason... desculpa, mas eu não sinto o mesmo... - olhei meu relogio de pulso - Eu não posso perder o voo... Tchau Jason - Abracei ele e entrei no taxi. Abri a janela do carro e acenei pro Jason. Quando o carro deu partida ouvi Jason gritar:

- VAI SE FODER MILLIE!

Abracei minha mochila, e chorei. Chorei pelos meus amigos, chorei pelo meu pai, e chorei pela minha mãe. Eu estava deixando um pai triste, um amigo muito bravo, um amigo triste. Estava deixando boa parte da minha vida pra trás.

Flash back off

 

- Oque aconteceu no tempo que eu estive fora?

- Vamos falar sobre isso em outro momento, agora eu quero curtir a minha melhor amiga. - Ele colocou o braço sob o meu ombro.

- Vamos ali comprar algo pra comer, vem, eu te pago um lanche!

- Que isso, ta querendo me conquistar é?

- Cala a boca - ri.

 

Narrador

Na sala de aula, Finn, Sadie e Caleb se reuniam como sempre.

- Qual é a do Finn? - Caleb jogou alguns salgadinhos na boca.

- Sei lá, ele ta assim desde que a novata chegou.

- Ué? Porque?

- Parece que ele e ela já se conheciam antes... ele foi um babaca com ela..

- Que barra... mas o Finn? Ele sempre foi tão gente boa.

- Pois é, graças a mim, eu sou uma ótima influencia - Sadie sorriu.

- Da pra vocês pararem de falar de mim como se eu não estivesse aqui? - Finn resmungou.

- Ah, é que você estava no mundo da lua...

- É cara, oque ta rolando?

- Sei lá... essa garota tem cara de problema... e ainda tem o Jason...

- O babaca do terceiro? O que tem ele..? - Sadie estava focada no pacote de salgadinhos.

- Ele e a Millie eram amigos... e uma vez a gente brigou por causa dela...

- Por causa dela? - Sadie tirou sua atenção do pacote de salgadinhos, e olhou pro Finn.

- Depois eu explico direito essa história...

- Ah não! Agora você fala!

- Não sei não...

- Fala logo, nós somos seus amigos, conta logo! - Sadie limpou as mãos.

- Tá... Os meus amigos estavam zoando a Millie de novo, e eu já estava de saco cheio daquilo. Já tinha perdido a graça e eles estavam passando dos limites... Eles começaram a empurrar ela, e ela caiu. Eu pedi pra eles pararem mas eles não me deram ouvidos... - Finn fez uma pausa. - fiquei entre eles e a Millie, e obriguei eles a parar. Aí, quando me virei pra ajudar a Millie a levantar ouvi o Jason gritar comigo.

Flash back on

- SAI DE PERTO DELA FINN!!

- Calma Jason...

- CALMA O CARALHO, VOCÊS FICAM ENCHENDO O SACO DELA! SAI DAQUI FINN! - Jason deu um soco no rosto de Finn com tanta força que o garoto foi pra trás.

- Jason para! - Millie gritou.

Flash back off

- E ai ele tentou me dar outro soco, mas a Millie segurou o braço dela, e tirou ele dali... ai umas duas semanas depois, a Millie viajou pro México, e o Jason ficou louco, disse que a culpa era minha e outras coisas...

- Uau... Mas... o Jason ainda é meio surtado..

- É... exatamente por isso... eu to preocupado com a Millie... ele ficou muito bravo com ela, tenho medo que ele faça algo com ela...

- Mas porque você se importa?

- Me sinto meio na obrigação, depois de tudo que eu fiz com ela...

Bem nesse momento o sinal tocou e alguns minutos depois, vários alunos entraram na sala. Milie se sentou no seu lugar, e logo após se sentar, Jason apareceu na porta.

- A Millie ta aqui nessa sala? - ele disse aparentemente calmo.

A garota se levantou, e Jason fez sinal para que ela seguisse ele. Ela o fez. Finn se levantou um minuto depois e foi atrás dos dois.

Eles estavam no corredor da sala, Millie estava escorada em um armário, e Jason a sua frente. Eles começaram a conversar calmamente, mas logo depois parecia uma discução. E Jason estava ficando vermelho, e agressivo. Finn foi até lá.

- Algum problema por aqui? - Quando ele chegou, Millie estava de cabeça baixa, e Jason cuspia as palavras, irritado.



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