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História Marine Soldier - Capítulo 34


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Notas do Autor


Oiee! Como está a quarentena de vocês?
Resolvi fazer esse capítulo especial enquanto o Soluço e a Astrid ainda estavam na enfermaria, porque sim, eu não contei uma boa parte do que aconteceu lá, e quis deixar suspense no capítulo anterior - não sei foi perceptível, mas okay.
Desculpa por erros de ortografia.
Boa leitura!

Capítulo 34 - Especial - Natural


  Normal Pov 

 

  Astrid olhava para a parede a alguns metros de distância; sua face não demonstrava nenhuma expressão, até porque, a única coisa que sentia naquele momento era aquele misto de emoções, as quais não tinha certeza o que eram, mas sabia que estava apaixonada. Estava tão distraída tentando digerir tudo aquilo, que nem mesmo sentia a queimação causada pelo maço de algodão umedecido no álcool entrando em contado com sua pele cortada.

  Simplesmente havia perdido a noção do tempo.

  Isso não era comum dela: "desligar" de um momento para outro, e ficar pensando sobre coisas aleatórias; mas naquele momento, as coisas eram diferentes.

  - Prontinho. - anunciou o Capitão, fazendo com que ela voltasse ao mundo real.

  Nem mesmo percebera o momento em que seu Capitão parou de usar o algodão para enfaixar o machucado com uma gaze.

  - Ah... M-muito obrigada, senhor. - agradeceu. 

  Astrid se levantou, e, assim que estava prestes a apoiar sua perna machucada no chão, sentiu aquela queimação insuportável na mesma, fazendo com que um gemido de dor saísse de seus lábios. No mesmo instante, ela retirou sua perna do chão, causando um pequeno desequilíbrio.

  Soluço, assim que percebeu o - quase - desequilíbrio da menina, correu para pegá-la, caso ela caísse - o que acabou por não ocorrer. Ele apenas ficou lá, uma mão segurando o antebraço de Astrid, enquanto a outra se localizava nas costas da menina; o que trouxe os dois um pouco mais próximos um do outro.

  Tal ato, acabou por deixar Astrid corada.

  Após alguns segundos - que mais se pareceram horas - os dois se separaram, ambos constrangidos. Astrid abaixou a cabeça, tentando esconder e controlar o rubor nas bochechas, enquanto Soluço colocou a mão na nuca, também de cabeça baixa.

  - Então... Eu acho que você deveria ficar aqui, só até a dor passar... - aconselhou Soluço, sem olhar nos olhos da loura. 

  - S-sim... Claro...

  Ela, com uma perna só, andou - ou melhor, pulou - até a maca, que obviamente não estava tão longe, e sentou. Seu Capitão ficou ali, parado a observando.

  Os dois estava imóveis, tensos até. Não se olhavam nos olhos. 

  Astrid até teria uma desculpa naquele momento; estava digerindo todas aquelas emoções, que, durante seu tempo na escola, apenas ouvira falar sobre, nunca havia sentido aquilo, até este momento. Agora Soluço, não teria. Pelo menos era o que a cadete achava.

  O Haddock já tinha sentido muitas coisas por muitas garotas; mesmo que reservado e extremamente duro com as pessoas, ele ainda tinha sentimentos. Mas nada chegava perto do que sentia quando, especificamente, aquela menina loura de olhos azuis se aproximava dela. A menina cujo nome combinava perfeitamente com a personalidade: Astrid, que quer dizer Guerreira Amazona, ou Celta.

  Claro que se ele fosse um jovem qualquer, irresponsável do jeito que seu pai quisesse que fosse em alguns momentos, e completamente desesperado por alguém, ele teria feito diversas cantadas bobas e ridículas para a menina.

  O que antes eram trinta segundos, se tornaram um minuto, que de repente, se tornou quinze, e então trinta; trinta minutos sem conato visual e/ou uma palavra se quer trocada.

  Aquele silêncio deixava ambos irritados, talvez até mais do que os gritos aleatórios que o Cabeça Dura dava do nada, ou ainda mais do que quando Perna de Peixe começava a falar sobre artigos científicos que não interessavam a ninguém - a não ser que estivessem no meio de uma epidemia, sem cura ou coisa do tipo.

  - Sabe... Hofferson. - Soluço quebrou o silêncio, aliviando Astrid. - Eu nunca achei você iria tão longe, antes de me contar sobre o ocorrido com sua família.

  Naquele momento, Astrid e seu superior fizeram contato visual, finalmente. A expressão da recruta era quase indescritível; era difícil saber se estava incomodada por ter citado sua família - que era um tópico sensível para ela -, ou se estava surpresa, por finalmente ter percebido que havia chegado longe.

  De pessoas que Astrid chegou a conhecer, apenas duas foram mandadas para casa, mas ao todo, a quantidade de gente chegava a ser demasiada. Claro que ainda havia gente suficiente para lotar alguns andares de hotel - quem sabe uns cinco, dependendo da quantia de camas em um quarto -, mas mesmo assim, eram muitas pessoas.

  - Hmm. - era tudo que ela conseguia dizer. Eram muitas coisas se passando em sua cabeça: flashbacks bons e ruins, momentos no colégio em que não levara ninguém para apresentações de final de ano, ou de dia dos pais/mães, pois não tinha ninguém. Estava pensando em tanta coisa ao mesmo tempo, que até chegou a comparar um livro que lera há algum tempo com o fato de algumas pessoas selecionadas serem mandadas de volta para casa por não serem "suficientes", ou "do agrado" de seus superiores. 

  O silêncio tomou conta de tudo novamente, mas desta vez não incomodou a menina tanto quanto da última.

  - Olha, Astrid. - aquela havia sido a primeira vez em que ele, Soluço Haddock, chamou algum de seus recrutas pelo primeiro nome, o que deixou a menina um pouco sem graça. 

  Parecia até que já tinham uma intimidade enorme; claro, ele pode ter visto sem querer - ou não - os seios de Astrid - talvez até seu copro nu por completo -, e ela pode ter imaginado coisas indecente sobre os dois juntos, mas isso ainda era esquisito.

  Ele deu um suspiro antes de prosseguir com sua fala:

  - Essa pergunta pode ser meio besta, ou sei lá... Mas é algo que eu penso constantemente. - ela assentiu para que o mesmo prosseguisse com sua fala. - Você já pensou na possibilidade de seus pais, ou irmão, estarem vivos?

  A pergunta deixou Astrid um pouco confusa. Por que tocar nesse assunto agora? Os flashbacks já a deixaram um pouco emocionada, e agora falar sobre sua família talvez a faça chorar.

  - J-já. - gaguejou. - Bastante, na verdade. - seus olhos merejaram. Ela se segurou para que as lágrimas não caíssem de seus olhos.

  Ela ficava emocionada facilmente - bem menos agora, depois de certo tempo na marinha -, mas esse assunto a deixava mais que o normal.

  - E como você imagina isso? - agora, ele estava sentado ao lado dela, talvez até perto de mais.

  - Ah, bem. - ela olhou para as mãos, que estavam apoiadas no colo. - Eu acho que... Talvez eu nem estaria aqui. Quem sabe em casa, cuidando dos sobrinhos que Jack, possivelmente, já teria me dado, e viciando eles em alguns livros e filmes. - ela riu um pouco, o que fez Soluço dar um sorriso. - Acho que eu estaria na escola, cursando o terceiro ano do Ensino Médio, porque, na verdade, eu ainda tenho dezessete anos; faço dezoito me breve. Não é muito comum, pelo menos onde morava, ter adolescentes de dezessete anos no último ano da escola. Meus pais estariam aposentados, já que me tiveram um pouco mais tarde do que o normal. Estariam morando numa casa bem longe da cidade.

  Se tinha uma coisa que os pais biológicos de Astrid gostavam de reclamar, era do barulho completamente desnecessário vindo de casas de festa, e das buzinas dos carros. 

  "Será que não é mais fácil eles esperarem o motorista se tocar, e até ser multado, ao invés de ficarem buzinando desesperadamente para que ele se mexa?", eles geralmente diziam, sem contar o famoso: "Se está com tanta pressa, por quê não saiu de casa mais cedo?", e aquele ditado popular, que, certamente, não saia do vocabulário de sua mãe: "Quem tem pressa come cru.", ou algo do gênero.

  Astrid sorriu com a lembrança. Mesmo sendo muito nova na época, não podia esquecer como eram seus pais, desde suas características físicas, quanto seu jeito de ser.

  - Quem sabe, agora eu estaria estudando muito para entrar em alguma faculdade, e eu, obviamente, estaria pedindo ajuda para o Jack com o meu dever de química, porque ele, com certeza, teria se formado em Engenharia Química.

  Era tão estranho criar um futuro, que para ela, seria impossível de alcançar. De certa forma, era bom, pois poderia ter uma breve imagem de como sua vida poderia ter sido; mas claro, poderia ser ruim, pois estaria alimentando algo que, além de não poder mais ter ocorrido por conta das mortes precoces dos pais e do irmão, seria algo de sua imaginação, e poderia nunca acontecer.

  Naquele momento, algumas lágrimas haviam escapado dos olhos de Astrida, deixando suas bochechas umedecidas.

  Ao perceber o que estava chorando, ela virou o rosto, na tentativa de escondê-lo.

  - M-me des-desculpa. - ela soluçou.

  Soluço, no mesmo instante, pôs sua mão direita no queixo da menina, delicadamente, para que estivessem face a face. Com o polegar, secou as lágrimas que escorriam pelo rosto da loura. Não sabiam de onde aquela intimidade havia surgido, mas nem se importavam com isso. Apoiou levemente seu rosto na mão áspera do moreno, se sentindo, de certa forma, mais leve com o carinho que recebia.

  A menina se arrependeu de abrir seus olhos, pois no mesmo instante percebeu que ficara presa por aquele orbes esmeralda. Não era preciso palavras naquele momento para perceberem que se importava um com o outro; apenas com um olhar, podiam se comunicar. Era como se ele a dissesse: "Não se preocupe, tudo ficará bem.", enquanto sua única resposta naquele momento poderia ser o choro e os soluços; os quais o antigo Soluço diria que eram extremamente desnecessários. Ela tinha muita sorte de que, naquele momento, seu Capitão havia mudado, mesmo numa quantia mínima.

  Quando perceberam, seus lábios estavam conectados, lançando choques de eletricidades pelo corpo dos dois. De repente, o beijo fica mais quente, como se nenhum dos dois quisessem parar. Acabam por se reajustar na maca, ficando em posições mias confortáveis para ambos. Soluço sentado na maca, envolvendo os braços na cintura de Astrid, que estava em seu colo, com os braços envolvidos em seu pescoço.

  Com o passar dos minutos, começaram a rolar algumas "mãos bobas" aqui ou ali. Certamente se ambos estivessem na escola, quem sabe, o máximo que poderia acontecer seria uma bronca de algum professor, ou até mesmo dos pais; mas aquela não era a realidade deles. Caso fossem pegos, pelo menos Soluço teria, além de ter quebrado uma regra da marinha, teria quebrado uma lei.

  Ao perceber isso, Soluço se afastou, deixando a loura confusa.

  - E-eu... Eu sinto muito...

  Assim que essas palavras saíram de sua boca, ele a retirou de seu colo, e a deixou na maca, delicadamente. Se recompôs limpou a garganta e foi na direção da porta, antes de se virar a ela:

  - Tenha uma boa noite, Hofferson.

  Nada melhor do que ser deixada para trás logo no seu primeiro beijo.

  


Notas Finais


Não sei se o capítulo ficou do agrado de todos, mas se não, paciência. Foi o que consegui por hoje.
O que vocês acharam de tudo isso?
Espero que tenham gostado do capítulo, mesmo que um pouco corrido.
Beijos!


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