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História Marionetes do Destino - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo 1



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Todo o Reino do clã Scorpion encontrava-se em luto pela partida precoce de seu rei,  Kardia, o soberano cujo brasão ostentava o símbolo do escorpião havia perecido de uma doença desconhecida do coração que queimava seu corpo em uma febre irreversível, ainda no auge do vigor, forte e imponente ninguém poderia imaginar que seu rei perderia a batalha para uma enfermidade. 


Poucos dias antes de sua morte o corpo antes tão viril mostrava-se fraco e indefeso, apenas uma sombra do homem que outrora fora. Os belos e anelados cabelos já não refletiram a luz dourada de antes e os olhos de um azul límpido, estavam enevoados e coberto pelo véu da morte. No leito de morte pediu que seus dois filhos se juntassem a ele e quando os viu adentrar seu quarto, verteu-se em lágrimas, alí não estava o soberano do clã Scorpion, o rei de Antares, ali estava apenas um pai se despedindo dos seus filhos. 


Kardia olhou para Saga, seu primogênito, aquele que o destino havia salvo ainda recém-nascido de uma morte injusta, morte essa que levou sua querida esposa e seu outro filho para o abismo desconhecido de uma outra vida. Segurou sua mão com a força que ainda lhe restava, gravando os traços daquele que era sangue do seu sangue, um reflexo de sua amada, pediu que reinasse de forma justa em seu lugar, que honrasse seu clã e seu povo e também, que cuidasse de seu irmão mais novo, embora ambos já fossem homens crescidos, para ele, acima de tudo eram irmãos e deveriam se unir. 


Se esforçando Kardia chamou seu caçula, que não hesitou em segurar sua mão com força a voz já embargada pelo choro e os olhos tão azuis quanto o céu já lacrimejando. Ah, embora Milo possuísse 18 anos sempre seria sua criança, aquela esperança que a guerra lhe presenteou. Tão carinhoso, tão vivo, mesmo não sendo seu legítimo era quem mais se parecia com ele. Pediu em um fio de voz que auxiliasse seu irmão no reinado, enquanto Saga era direto e justo, Milo possuía uma empatia e carisma de que se precisa em um lider, ele seria o equilíbrio perfeito para seu irmão. 


Ao testemunhar seu pai fechar os olhos definitiva e eternamente, Milo jurou fazer de tudo para ajudar seu irmão, não prendendo o choro desesperado que se seguiu.

Saga por outro lado, derramava lágrimas silenciosas apertando a mão de seu pai já sem vida, aquela cena ficaria gravada em suas memórias eternamente, seu pai vencido pela doença, imóvel desprovido do fôlego da vida e seu irmão agarrado a ele em um choro desesperado, derramando toda a sua dor naquele lamento angustiante. 





Após a morte do rei Kardia, seu primogênito Saga assumiu o trono e como todos esperavam, reinou de forma majestosa, honrosa e leal para com seu povo. O luto entristeceu todo o reino, porém uma nova era nascia, Saga prometia uma era de paz e fartura para o reino e todos estavam ansiosos para a liderança do filho daquele que foi amado por todos. 


E foi assim como previsto, junto com seu irmão Milo, Saga trouxe abundância para o reino que durou por gloriosos dois anos até que pouco a pouco o reino começou a decair, Saga tornou-se egoísta, mesquinho e futuramente vil e desumano, aos poucos o rei bondoso e justo se transformou no tirano desalmado. Ninguém soube dizer o que aconteceu com o primogênito do falecido rei e o reino consequentemente perdeu sua vivacidade, os dias de glória do Clã Scorpion foram enterrados junto ao corpo do falecido rei Kardia, e com Saga ascendeu a era mais sombria que o clã já enfrentou. 



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Toda  Antares estava em polvorosa os gritos dos cidadãos podiam ser ouvidos a quilômetros de distância, a praça central estava lotada de pessoas indignadas, ofensas eram jogadas contra os guardas que estavam no local, inexpressivos esperando uma ordem para silenciar aquela multidão insadecida. 


Os berros irados da multidão reverberavam pelos aposentos reais, desconexos, porém a indignação estava mais que explicita, ele sorriu para seu reflexo, não havia nada que ele apreciasse mais que os brados histéricos de uma multidão. Impotentes, mesmo que não concordassem com suas ações não poderiam ir contra, afinal ele era o rei, a autoridade máxima, o soberano de Antares e sua vontade absoluta. 

Uma serva se aproximou colocando o mando vermelho em suas costas, a coroa dourada incrustada de pedras preciosas reluzia em sua cabeça adornada por madeixas pretas lustrosas. Estava na hora do espetáculo. 



Sua boca estava seca, a garganta doía e apenas respirar era dificultoso. Ali na cela em que estava, a luz do sol não o alcançava, faziam alguns dias que se encontrava preso ali daquela forma patética como um criminoso, um criminoso que não era. Ainda lhe custava acreditar como havia chegado naquele ponto, seu próprio irmão lhe acusara de traição! Jamais tal ato teria se passado por sua cabeça, nem mesmo nos seus piores pesadelos. Era verdade que não o reconhecia mais, porém chegar ao extremo de lhe condenar? Era inacreditável. Tentou revidar, argumentar com seu irmão, mas nada funcionou e agora julgava ser tarde demais. Ele poderia pensar que tudo não passava de um pesadelo se os gritos da população do lado de fora não o atestassem da veracidade da realidade e do destino cruel que lhe esperava.

Um dos guardas lhe chamou, ele pode ouvir a hesitação na sua voz, claro, Milo era adorado por todos e ainda se lembrava do pesar estampado nos rostos dos guardas quando o prenderam, porém um simples guarda não poderia ir contra as ordens do rei. Milo levantou-se obediente iria enfrentar o desfino cruel que o esperava de cabeça erguida, como sempre fizera com os inimigos. Um saco escuro foi jogado sobre sua cabeça o deixando na escuridão, ainda pode ouvir o sussurrar de desculpas da boca do guarda, todos ali sabiam que ele não merecia tal sentença. Caminhou guiado pelo guarda e ouviu as portas se abrirem logo depois ps brados histéricos antes abafados, agora enchiam seus sentidos, lamentos furiosos e palavras desconexas lhe rodeavam, Milo sabia, palavras essas não direcionadas a si, mas sim aquela injustiça, o povo sabia que seu irmão e rei não estava em seu juízo prefeito e também sabiam que era inocente, mas nada podiam fazer a não ser expressar sua indignação ao vento na vã esperança de que o rei os ouvisse. 


Após ser posicionado o saco foi retirado de sua cabeça e a luz do sol ofuscou seu olhos, precisou piscar algumas vezes para acostumar se com a claridade, então a corda pesada foi posta em seu pescoço selando seu destino tornando real sua sentença. Olhou para seu povo, seu clã com expressões horrorizadas e chorosas por vê-lo humilhado, derrotado e em farrapos, o amado e brilhante príncipe do clã Scorpion reduzido à nada. Ele tentou sorrir e dizer que estava tudo bem, porém não conseguiu o bolo em sua garganta não o deixara dizer uma palavra sequer, afinal ele ainda era humano e um homem mortal que teme a morte. 



Saga rumou para a porta da sacada onde abaixo de si podia-se observar a praça central repleta de cidadãos, não havia se quer um pedaço de terra livre, todos se aglomeraram para ver o espetáculo que iria se seguir, o palanque estava armado, enorme e chamativo digno da apresentação que se seguiria, e ali no centro de toda a comoção encontrava-se a atração principal, seu pequeno irmão quieto e obediente assim como uma ovelha pronta para o abate. Dali ainda podia notar as vestes sujas e os cabelos desgrenhados, humilhado diante o povo, ele merecia aquele traidor. Sim, não deveria apiedar-se por seu destino que ele mesmo buscara, aquele que deveria estar ao seu lado descobriu-se o pior dos inimigos conspirando contra seu rei bem debaixo do seu nariz, por trás de todos aqueles sorrisos falsos e piadas programadas, ali não era seu irmão era o traidor nojento que deveria pagar pelos seus crimes. Sim, e ele como rei, deveria executar a lei. 


Saga levantou a mão e a multidão calou-se. 


— Meus súditos, meu povo. É com profunda tristeza que anuncio esta sentença. — Observou o traidor lhe lançar um olhar de tristeza, porém não deu atenção, queria manipula-lo novamente para que o libertasse. 


— Meu irmão, e príncipe de Antares, Milo "o amado" como vocês o nomearam em tamanha ignorância, manchou o título que vós lhe deram ao conspirar contra a coroa! — A multidão recomeçou o murmúrio, porém Saga com um sinal os calou novamente. 


— Este traidor armou de forma ardilosa e cruel a minha morte, a morte de seu rei e irmão! E com o coração dilacerado eu o condeno à forca! — Dessa vez não parou os gritos da multidão, não queria. Aquele traidor pagaria por sua audácia e ninguém poderia impedir. 


— Mentiroso! — O brado indignado calou a multidão e Saga se viu encarando aqueles olhos azuis cheios de fúria do seu irmão. 


— Mentiroso desgraçado! Como você pode fazer isso comigo, com seu irmão!? Você parará por isso Saga eu juro! — Os olhos de Milo cintilavam de ódio, sua expressão ensandecida diante da morte injusta, porém Saga nada fez. 


— As ofensas de um traidor indigno e morto jamais teram valia, meu caro irmão. — E com essas palavras finais ordenou que fossem adiante na execução. Observou seu irmão cair sob chão falso a corda a pendurá-lo pelo pescoço e os arquejos perplexos da sua platéia como sinfonia para aquele espetáculo. Os olhos de Milo não desviaram dos seus em momento algum.



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Em meio a multidão lamentosa uma figura encapuzada serpenteava discretamente ouvindo os sussurros entristecidos, alguma apresentação havia ocorrido não podia se distinguir de que se tratava, pois o palanque estava quase que completamente desmontado. Próximando-se de uma senhora que limpava os olhos em um lenço. 


— Com licensa, a senhora poderia me dizer o que ocorreu aqui? — A voz identificou como sendo masculina. 


— Uma injustiça! Ocorreu aqui uma execução, coitado do príncipe ele não merecia isso! — A senhora chorosa lamentava. 


— Sim foi um episódio lamentável. — Um homem se aproximou comentando. 


— O pobre príncipe foi acusado de traição, sua alteza jamais faria tal coisa! Embora fosse filho ilegítimo do falecido rei todos o tratavamos como se fosse legítimo! 


— O príncipe não tinha culpa de ser um filho fora do matrimônio, embora isso nunca tenha sido confirmado, todos sabem. — O Senhor comentava junto a senhora. 


— Uma lástima o que o ocorreu, pobrezinho pelo próprio irmão. O rei está maluco! — Jogou a senhora em um surto de raiva. 


— Cuidado com o que diz mulher, podem ouvi-la. 


— Ora, não estou sentindo. O rei não sabe distinguir mais a fantasia da realidade … Executar seu próprio irmão…  — Mais alguns impropérios foram ditos pelo casal de moradores, porém a figura encapuzada já havia se distanciado silenciosa até desaparecer entre a multidão. 



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