História Marks Of The Past - Capítulo 34


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Categorias As Crônicas de Bane, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jem Carstairs, Jordan Kyle, Magnus Bane, Raphael Santiago, Simon Lewis
Tags Abo, Família, Filhos, Heronstairs, Malec, Mpreg, Romance, Shadowhunters
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Palavras 3.827
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 34 - Sua Decisão


UMA HORA ATRÁS

 

- Dr. Kyle, precisamos de ajuda com a medicação de uma paciente. – disse um dos enfermeiros da clínica.

Jordan apenas assentiu e seguiu o enfermeiro até a ala em que o paciente estava.

O ômega estava gestante e com alguns hematomas em seu corpo.

Jordan suspirou triste e pegou o prontuário do paciente, logo vendo o que poderia passar para tirar sua dor e curar seus ferimentos infeccionados.

- Obrigado, doutor. – agradeceu o ômega, assim que Jordan lhe passou a receita médica.

Jordan sorriu e se despediu do ômega, logo indo para sua sala novamente. E, caso conseguisse chegar até ela, iria apenas resolver alguma papelada ou atender mais um ou outro paciente.

Mas, alguém passando por aquela porta, pedindo ajuda, gritando por socorro, não o deixou ir.

- Peguei você... – disse Jordan, assim que passou um braço envolta da cintura do ômega e o segurou firmemente.

O ômega lhe olhou com seus olhos quase sem vida e apenas deixou-se ser carregado pelo alfa.

Jordan o levou até sua sala de atendimentos e o colocou sobre a cama com lençóis brancos que chegavam a cegar.

- Traga um copo d'água para ele. – pediu Jordan, para uma das funcionárias ali, que assentiu e foi atrás de pegar e trazer para o ômega, que bebeu tudo e agradeceu em seguida. – Está melhor agora?

- Sim, obrigado. – disse o ômega.

- Bom... – suspirou Jordan. – Gostaria de me dizer o que houve? – perguntou, receoso, mas sem escolha. Precisava saber o que havia acontecido com o ômega para poder ajudá-lo.

- E-eu fugi. – começou o ômega, trêmulo.

- Por que fugiu? – perguntou o alfa, com calma, sem pressioná-lo mais do que ele aguentaria.

- E-eu precisava. Precisava s-sair de lá. – sua voz começava a falhar e as lágrimas a rolar por seu rosto, um pouco, avermelhado.

- O que aconteceu… Lá? – fez uma tentativa, que deu certo.

O ômega limpou as lágrimas e, erguendo seu olhar, respondeu.

- Ele não é um homem bom.

- Quem não é um homem bom? – perguntou, já assustado, mas ainda com mais medo de não receber uma resposta.

- E-eu o amava. – continuou o ômega, com as lágrimas molhando seu rosto novamente. – O amava tanto que achava normal o que ele falava para mim. A forma que ele agia quando me levava a um encontro. A-a forma possessiva q-quando eu encontrava algum amigo. – Jordan apenas o deixou por tudo para fora. Ele parecia precisar disso. – A forma que ele falava comigo quando eu não fazia aquilo que ele queria. Seja na cama ou até mesmo para comermos. – seus olhos encontraram os de Jordan. - E-eu apenas precisava ir embora dali quando vi a oportunidade.

- Fez bem em ir. – opinou Jordan, com um sorriso pequeno contornando os seus lábios cheinhos.

- S-será mesmo? – perguntou o ômega. – Não tenho tanta certeza disso.

- Por quê?

- Porque tenho certeza que ele irá me procurar até me… Até me achar.

 

===

 

- Pai... – sussurrou Gabriel, nem mesmo dando tempo de Alexander se aproximar do menino para que o corpo exuberante de tal alfa aparecer ali, adentrando o local sem nem mesmo ser convidado pelo morador.

Alexander nem mesmo precisou focar seu olhar para saber quem estava na sua frente, afinal, ainda se lembrava muito bem daqueles fios loiros e daquele sorriso travesso e, às vezes, amigável.

- Jace. – o nome saiu rasgando pelos lábios do alfa.

As lembranças da última vez em que falara com o outro alfa, voltando de uma vez só. Nunca mais atendera ás ligações ou respondera as mensagens do outro, assim como não aparecia nos encontros marcados pelo mesmo.

Magnus, que havia ido até a cozinha para beber um copo d'água, voltara para a sala e logo se deparando com o loiro que a muito tempo não via.

Os olhos do novo alfa presente ali, caíram sobre Magnus, que lhe olhou assustado por um momento.

O instinto de proteção veio para o ômega, passando correndo por Alexander e indo na direção dos filhos, protegê-los. Gabriel, assustado, foi para perto de Magnus e Alexander.

- Olá, Alexander... – disse o loiro.

Mas, diferente da forma que seu nome era pronunciado por Magnus, se sentia estranho e completamente apavorado quando era dito por Jace. Principalmente quando o outro sorria daquela forma perversa e… Sombria.

- Vejo que as coisas mudaram, ao mesmo tempo que não, por aqui. – disse Jace, se referindo às crianças, mas ainda sim Magnus estando ali. – O que aconteceu para voltar com esse… Ômega? – perguntou com uma cara de asco. – Engravidou ele e…

- E não te interessa. – interrompeu Alexander. – O que faz por aqui, Jace?

O alfa loiro abriu um sorriso perverso, sabendo que havia ferido o sentimento alheio e isso… Infelizmente, lhe agradava muito.

- Tinha alguns assuntos para tratar por aqui. – disse por fim. – Afinal, gostaria da sua ajuda mais tarde. – disse a Alexander, mas com seus olhos indo em direção a Magnus.

- Para o que? – o alfa perguntou, fazendo a voz ficar mais firme e atrair a atenção do outro para si.

Jace sorriu ferino e adentrou mais um passo na casa.

Por impulso, Alexander resmungou, fazendo Magnus entender que Jace não iria parar por ali.

- Se acalme, Alec. – disse Jace, rindo. – Não vou tocar nos seus… Melequentos.

Alexander rosnou e ativou seus olhos de alfa para Jace se afastar enquanto Magnus pegava os filhos e Gabriel para saírem dali, deixando apenas Alec e Jace na sala.

Jace continuava a rir.

- Diga logo o que quer, Jace! – disse Alexander, já agoniado com a presença do outro ali.

- Ok, nervosinho. – terminou de adentrar a casa e se sentou no sofá, se sentindo em casa. Alec apenas revirou os olhos, mas nada disse, já que não iria mesmo adiantar. – Vim para cá a uns três dias e meu… Companheiro, desapareceu.

Alexander arregalou seus olhos.

Desde quando Jace Herondale havia arrumado um companheiro?

Jace, o mesmo que era desrespeitoso com os ômegas desde os dezessete anos de idade. Jace o mesmo que disse que nunca iria amar um ômega.

- Como ele desapareceu? – pergunta Alexander, curioso, ao mesmo tempo que com raiva pelo que ele falou de seus filhos e seu ômega – que ainda não era seu novamente.

- Não sei. – disse dando de ombros, como nem mesmo se importasse. - Eu fui a uma boate na mesma noite em que cheguei aqui, sabe, aquela em que te levei para esquecer o… Magnus, certo? – perguntou rindo. Ele sabia muito bem que o ômega era Magnus, Alexander sabia disso. – Então, quando cheguei em casa, ele não estava mais lá. Para a sorte dele, claro, porque se não iria ter que me ver a noite toda com aqueles ômegas maravilhosos que eu…

- Chega, Jace! – gritou Alexander. – Não sei quem é seu ômega, mas tenho certeza que ele teve motivos para ir embora. E, não vou mentir, fico feliz que ele tenha ido.

Jace riu com escárnio.

- Você não faz ideia do erro que ele cometeu, Alexander. – o alfa se levantou, ficando próximo ao corpo de Alec. – Mas ele vai saber quando eu encontrá-lo.

Alexander engoliu em seco.

Aquele olhar… Não o reconhecia mais. Ele não era mais o Jace de sua infância e adolescência. Aquele Jace não existia mais e isso era… Terrível.

- Vai me ajudar encontrá-lo, ou não? – perguntou Jace, novamente, mas dessa vez, com o semblante mais sério. – Não posso viver sem ele, Alec. – sua voz tinha um timbre baixo, que se fosse qualquer um que não tenha conhecido Jace no início da vida adulta, acreditaria que o alfa estava realmente triste e não apenas mentindo.

- Saia da minha casa... – disse o alfa, em um tom baixo.

- O que? – Jáce perguntou confuso, mas logo rindo. – Você só pode…

- Saia da minha casa, agora! – Alexander grunhiu para Jace.

Com um sorriso traiçoeiro, Jace saiu da casa do alfa.

Alexander acompanhou sua saída, indo até a porta e esperando até que o alfa entrasse no carro e saísse de seu terreno.

Magnus não demorou a aparecer ao seu lado e Alexander lhe olhar.

- As crianças estão no quarto. – informou Magnus, antes que o alfa lhe perguntasse. – O que houve?

- Ele nunca vai mudar, não é? – perguntou o alfa, mesmo com Magnus não sabendo lhe responder por não conhecer Jace o suficiente, principalmente no início dessa vida que ele odeia ômegas.

Magnus sorriu desolado para o alfa e pegou em sua mão.

- Tem certeza que não é melhor ir… “Ajudá-lo”? – perguntou o ômega.

- Por mais que eu veja que seria melhor, não acho que devo me envolver nisso. – respondeu, vendo Magnus assentir ao seu lado. – Devo ligar para a polícia?

- Me diga o que houve primeiro.

O alfa assentiu e, ainda segurando a mão de Magnus, o puxou até o sofá.

- Ele, pelo visto, arrumou um namorado. – começou Alexander. – Mas ele vive traindo ele e quando os dois vieram para Nova York, esse namorado resolveu fugir enquanto o Jace estava em uma boate, se divertindo. Agora, Jace está querendo ajuda para procurá-lo, mas estou com medo de que isso não seja toda a história.

- Acha que ele…

- Que ele possa bater em um ômega? – concluiu a pergunta de Magnus, sentindo o carinho em sua mão.

O ômega assentiu.

- Sem dúvidas. – concluiu.

Magnus pensou por um momento e finalmente concordou com o alfa.

- Ligue para o policia. – disse, soltando a mão do alfa e pegando seu celular. – Vou ligar para Jordan e perguntar se apareceu alguém por lá. Ele disse como o ômega é? – indagou, já digitando o número.

- Não disse nada. – respondeu Alexander, já escutando a chamada sendo efetuada. – Boa noite, aqui é o Alexander Lightwood. Gostaria de fazer uma denuncia sobre um alfa, que provavelmente é violento com seu parceiro e está atrás dele pelas ruas e não sabemos se isso vai acabar bem.

- Aguarde um momento, senhor. – disse a atendente.

Alexander apenas assentiu e observou Magnus se afastando para falar com Jordan ao telefone.

- Oi, Jordan. – cumprimentou Magnus. – Está tudo bem por aí?

- Sim, claro. – respondeu. – E por aí?

- Está sim, mas eu queria te perguntar uma coisa rápida.

- Claro, pergunte.

- Por acaso, apareceu algum ômega por aí que esteja fugindo de um alfa?

Jordan demorou alguns segundos antes de responder. O alfa parecia estar se afastando de alguém e Magnus percebeu isso, já que esperou até que ele respondesse.

- Magnus, apareceu sim. Esse ômega contou um pouco sobre o porque quis fugir e agora está dormindo na minha sala de atendimento.

- Oh, Deus. – disse Magnus. – Mas, me sinto mais tranquilo em saber que ele está aí. – alertou a Alexander que o ômega estava por lá. – Não deixe nenhum alfa loiro entrar aí, principalmente se for um chamado Jace Herondale, entendido?

- Sim, mas…

- Eu já estou indo para ai, okay?

- Tudo bem, vou te esperar.

Magnus encerra a ligação e arruma as crianças para eles poderem ir para a clínica. As crianças, ainda sonolentas, se despedem do pai com um abraço apertado enquanto Magnus não sabe como se despedir de Alexander. O alfa, vendo a indecisão do ômega, decide por si e o puxa para um abraço apertado e rápido.

Magnus e as crianças entram no carro e vão para a clínica enquanto Alec fica com Gabriel.

- Papai posso te fazer uma pergunta? – pergunta o pequeno alfa, ao lado de Alec.

- Claro, Gabriel. Você pode falar comigo sobre tudo. – diz sorrindo.

- Você e o tio Magnus vão voltar a ficar juntos? – pergunta Gabriel e Alec arregala os olhos com a pergunta de uma criança tão pequena. Realmente não esperava por isso.

- Bom querido, eu realmente espero que isso um dia possa acontecer, pois eu amo muito o Magnus e os gêmeos e eu queria que nós fossemos uma linda família. – diz Alec, com um olhar apaixonado.

- Que legal, eu espero que tudo dê certo para você, papai. Então, eles seriam meus … irmãos? – pergunta Gabriel, curioso e confuso.

- Algo como isso e eu fico feliz que você nos aprova. – diz, pegando Gabriel em seu colo e lhe dando um beijo em sua bochecha.

 

===

 

Assim que Magnus chegou em sua clínica, deixou as crianças com uma das técnicas dali e foi direto para a sala de Jordan.

Iria entrar sem bater, mas resolveu não assustar o ômega que provavelmente estaria dormindo. Então, elevou sua mão e deu duas leves batidas. Em poucos segundos Jordan a abriu e saiu para o lado de fora, intrigando a Magnus.

- O que houve? – perguntou Magnus, confuso ao ver o semblante de Jordan.

- Ele parece assustado ao mesmo tempo que consegue me dizer tudo. – disse Jordan, se escorando na parede branca e suspirando. Estava abatido com a historia do ômega.

- Talvez ele esteja confiando em você. – sugeriu Magnus, e com pesar, perguntou. – O que ele disse para você?

Jordan abaixou sua cabeça e suspirou pesadamente, se lembrando de tudo o que ômega havia lhe contado durante o tempo que passaram sozinhos.

- Ele me disse que o seu alfa companheiro, abusava dele. Mas não parece ter lesões em seu corpo, mas sim na mente. – sua voz estava pesada, Magnus percebia isso. – Ele o maltratava com palavras e forma de agir com ele. Quando perguntei diretamente se ele batia nele, ele não negou, mas também não me disse que sim.

- Eu tenho quase certeza que esse alfa é um amigo, ou ex-amigo, de Alexander. – sussurrou para Jordan, se aproximando. – Não posso dar a certeza, mas sei que ele seria sim capaz de fazer isso. Não cheguei a conhecê-lo em sua pior fase, mas, pelo que sei, ele é agressivo, possessivo e muito sarcástico.

- Podemos já chamar a polícia? – questionou Jordan, cruzando os seus braços e lançando um olhar sério para Magnus, que balançou a cabeça.

- Alexander já fez isso, mas apenas citando o desaparecimento do ômega e o fato do alfa está lhe procurando de forma agressiva, digamos assim. – disse Magnus, checando seu celular para ver se havia recebido alguma mensagem de Alexander, mas não havia nada.

- Sei. – sussurrou o alfa. – Mas e quanto a ele? – perguntou, se referindo ao ômega.

Magnus pensou por um momento e viu que a melhor opção, no momento, era conversar mais com o ômega e depois entregar o caso a polícia. Mas, no momento, precisava cuidar do psicológico do ômega e não deixá-lo mais atordoado.

- Vou entrar. – avisou Magnus. – Ele está acordado, certo?

- Na verdade, não. – Jordan foi em direção à porta. – Ele estava cansado. Parecia ter corrido bastante até chegar aqui, procurando por ajuda.

- Vou entrar, de qualquer forma. – disse, já passando pelo alfa e abrindo a porta.

- Tem certeza? – questionou Jordan, segurando Magnus. – Ele pode se assustar.

Mas que proteção era aquela? Magnus não entendia a atitude do amigo. Nunca havia agido daquela forma. Eram profissionais ali, mas Jordan estava agindo com… Sentimentos?

- Sou ômega, ele não vai se assustar ao sentir meu cheiro. – Magnus sorriu ao tentar convencer o alfa, que soltou o ar que prendia e o soltou.

Assim que Magnus entrou, sendo seguido por Jordan, viu as costas do ômega viradas para si.

Escutou, de onde estava, a respiração tranquila do ômega.

- Ele parece bem. – comentou Magnus. – Parece tranquilo e isso é… Estranho.

- Por que acha isso? – perguntou confuso.

Magnus se virou para Jordan.

- Ele está sendo abusado por um alfa, mas está confiando em outro. – disse por fim. – Ele está tranquilo com sua presença aqui. Ele está confiando em você mesmo tendo sofrido com outro e isso… Isso é raro, Jordan. - sorriu, vendo o rosto ainda confuso do amigo.

- E-eu acho que... – Jordan não pode concluir sua opinião, até mal formada, porque o resmungo do ômega fez com que a atenção, tanto de Magnus quanto a sua, fosse tomada para si.

O corpo do ômega sobre a cama, se virou.

Magnus, no mesmo instante arregalou seus olhos.

Aquele rosto.

Puxou em suas lembranças.

Ele o conhecia muito bem.

- Simon. – sussurrou.

 

===

 

- Por que o pai e o papai ainda não voltaram? – perguntou Gabriel, enquanto Alexander o ajudava se vestir para ir dormir.

- Acho que eles devem ter ido à casa da sua avó Elena. – respondeu o alfa, mas também sentindo o estranhamento dos dois não terem aparecido ainda. – Vá dormir e assim que acordar eles já estaram em casa. – beijou a cabeça do pequeno alfa e o ajeitou na cama.

- Boa noite, Alec. – disse Gabriel, pela primeira vez em sua pequena vida, o chamando pelo nome.

Não ia mentir, se sentiu um pouco mexido com aquilo. Mas, talvez fosse certo assim. Ele tinha Will como seu pai biológico e ainda teria Alec como seu pai, tio, irmão… Tudo junto em um só.

Alec sempre estaria ali para ele.

- Boa noite, meu pequeno platinado. – disse sorrindo, enquanto desligava a luz do quarto de Gabriel e saia do quarto olhando para o menino.

Suspirou assim que chegou à sala e se jogou no sofá ao fim de descansar do dia agitado.

Apesar de ter acabado de uma forma não muito boa, com Jace aparecendo, a tarde havia sido muito boa com Magnus ali e as crianças também.

Sorriu se lembrando de todos os momentos com o ômega na cozinha.

Ao sentir seu celular vibrando entre sua nádega e o estofado, o pegou rapidamente e continuou a sorrir ao ver o nome de Magnus piscando em sua tela.

- Magnus. – disse o alfa, assim que atendeu e o levou a sua orelha.

- Você não vai acreditar no que vou te dizer. – disse o ômega, do outro lado da linha.

- O que houve? – perguntou Alexander, ao ver que a voz do ômega parecia preocupada e levemente assustada. No mesmo instante, pensou em Jace, que poderia ter seguido Magnus e as crianças.

- Você se lembra de Simon? – perguntou Magnus.

- Ãnhn... – o alfa tentou se lembrar, mas o nome não lhe vinha à cabeça.

- Aquele que ficou com o Jace no dia da fogueira, quando nós dois nos conhecemos. – Magnus tentou ajudá-lo a se lembrar.

- Ah, sim. – disse Alexander, finalmente se recordando do rosto do rapaz. – Ele já namorou o Jace naquela mesma época e... – parou para pensar. Não! Não podia ser ele. – Espera! Não me diga que…

- Sim, é exatamente isso. – disse Magnus. – Eu fiquei tão impressionado quanto você.

- Magnus, eu não posso acreditar nisso. – o alfa murmurou. – Jace me dizia que o amava, mas que terminaram por não darem certo. Nunca imaginei que eles estariam juntos novamente e que Jace fosse capaz de fazer isso com ele.

- Pois fez. – suspirou Magnus. – Preciso ir agora. Tenho que ver o que poderei falar com ele para conseguir respostas e saber se ele vai querer fazer uma denuncia contra o alfa.

- Contra Jace. – sussurrou Alexander, pensando no amigo, que não era mais o mesmo há muito tempo. – Acha que ele vai querer?

- Eu espero que sim.

 

===

 

Já se passava da meia noite quando o ômega, Simon, acordou e sentiu a presença de outro ômega no local. Ainda sentia o cheiro de Jordan, mas era distante. Como se tivesse estado ali apenas algumas horas atrás e não voltado mais.

Simon se levantou lentamente e se sentou sobre a cama.

Magnus se virou para ele.

- Olá, Simon. – se aproximou do ômega, que lhe olhou confuso.

Parecia se recordar, mas não por completo.

- Está tentando se lembrar de mim, não é? – perguntou Magnus, rindo.

Simon continuou a lhe encarar mais um pouco.

- Eu sinto que…

- Que me conhece? – concluiu Magnus. – Me conhece sim. – respondeu por ele.

- M-me desculpe. – pediu Simon, fazendo Magnus arquear uma sobrancelha, confuso. – Não consigo me lembrar de v-você.

- Tudo bem. – disse Magnus, se sentando na cadeira de Jordan. – Sou Magnus Bane.

- O-hh. – emitiu um gemido. Ao ouvir o nome, as lembranças vieram. Se lembrou das poucas vezes que conversou com Magnus na escola. As vezes que via Magnus com Alexander, enquanto saia eles e Jace. Jace… A tristeza veio novamente. – Você mudou muito, Magnus. – disse. – Por isso não te reconheci.

- Sim, deve ser por isso. – Magnus sorriu, mas viu o olhar triste de Simon. – Você se lembra de Alexander? – quis iniciar uma conversa amigável com o ômega. Não queria ir direto ao ponto e acabar assustando-o.

- Sim. – respondeu. – Jace falava muito dele a pouco tempo.

- Falava? – perguntou Magnus, aprofundando o assunto. Talvez assim conseguiria chegar onde queria.

- Sim. – seus lábios tremeram. – Jáce mudou muito, mas o amor dele pelo Alec não.

- Alec e ele eram muito amigos. – comentou Magnus, se recordando juntamente a Simon. – Mas tudo mudou, não é?

- Acho que nem tudo, apenas as atitudes dele. – sussurrou Simon, se lembrando do início de seu relacionamento com o Herondale e a diferença de como ele chegou ao fim.

- Como eram as atitudes dele? – aprofundou Magnus, sentindo estar chegando ao núcleo de toda a história.

Mas não estava nem na metade.

- Ele nem sempre foi assim. – começou Simon, com a cabeça baixa e a voz arrastada. – Foi depois de um pequeno incidente.

- Incidente? – indagou Magnus.

Simon o olhou ao levantar sua cabeça, queria falar, mas desistiu.

- Jace não sabe mais como amar. – disse Simon, voltando com seu olhar cabisbaixo. – Ele está confuso e eu entendo. Mas, eu não podia aguentar mais ele agir daquela forma comigo ou até mesmo com ele.

- Você ainda o ama? – precisava perguntar aquilo, por mais que se sentisse mal, precisava saber dos sentimentos do ômega para saber se ele agiria diferente caso se encontrasse com o alfa em uma ocasião como a audiência, talvez.

- Não posso dizer que não tenho sentimentos por ele. – confessou Simon. – Mas, não. Eu não o amo mais.

- Simon, eu sei que ele te machucou de alguma forma. Talvez não física, mas sim psicológica. – disse Magnus, com o rosto mais sério, mas não conseguindo esconder sua tristeza. – Por isso, quero que seja sincero consigo mesmo.

- Eu serei. – comfirmou o ômega.

- Sabe que Jace é um perigo para você e talvez até para outras pessoas. – explicou Magnus, o que Simon já sabia, mas quis garantir.

- Eu sei.

- Quero saber se você quer denunciá-lo e levar com isso até o fim, sem desistir, até que ele esteja atrás das grades. – fora mais direto. – Mas, apenas se você tiver certeza disso.

Simon não precisou pensar muito. Sabia dos riscos que corria se caso fizesse isso, mas também corria riscos se não fizesse.

- E-eu quero, mesmo que eu tenha que contar toda a verdade. E-eu quero que ele pague pelo que fez, mas que também tenha a chance de repensar sobre seus erros e mudar. – disse Simon, sendo sincero.

Magnus sorriu pequeno para ele e assentiu com a sua decisão.



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