História Marley e Eu - Capítulo 2


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Categorias 101 Dálmatas
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Palavras 1.028
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura sz

Capítulo 2 - Seguindo o sangue azul


Nossa primeira reação como donos de um cachorro foi brigar. Começou na volta para nossa casa, e continuou em discussões e rusgas por toda a semana seguinte. Não concordávamos em qual nome iríamos dar ao nosso Cão de Liquidação. Jenny desprezou todas as minhas sugestões e eu recusei as dela. A batalha culminou numa manhã antes de eu sair para o trabalho. — Chelsea? — eu perguntei. — Esse é um nome tão sofisticado. Nenhum cão macho teria esse nome. — Como se ele se importasse com o próprio nome — Jenny replicou. — Caçador — eu disse. — Caçador é perfeito. — Caçador? Você está brincando, não é? O que deu em você, um ataque de machismo esportivo? E um nome masculino demais. Além disso, você jamais caçou na sua vida. — Ele é um macho — respondi, espumando. — Ele deve ser masculino. Não transforme isto em um dos seus discursos feministas. Isso não estava dando certo. Eu estava perdendo a paciência. No momento em que Jenny iria partir para o contra-ataque, eu rapidamente tentei reforçar meu candidato favorito: — O que tem de errado com Louie? 
— Nada, se você for um frentista de posto de gasolina — ela replicou. — Ei! Olha a língua! Este é o nome do meu avô. Acho que então deveríamos batizá-lo com o nome do seu avô? “O bom cão Bill!” Enquanto discutíamos, Jenny, num gesto automático, caminhou até o estéreo e apertou o botão do toca-fitas. Era uma de suas estratégias de combate marital. Em dúvida, afogue o oponente. Os acordes reggaes ritmados de Bob Marley começaram a pulsar pelos altofalantes, produzindo um efeito meloso praticamente instantâneo sobre nós dois. Havíamos apenas descoberto o cantor jamaicano falecido quando nos mudamos de Michigan para a Flórida. No Meio-Oeste americano apenas ouvíamos Bob Seger e John Cougar Mellencamp. Mas aqui no caldo étnico pulsante do sul da Flórida, a música de Bob Marley, mesmo uma década depois de sua morte, estava por toda parte. Ouvíamos no rádio do carro enquanto descíamos a Biscayne Boulevard. Ouvíamos tomando cafés cubanos na Pequena Havana e comendo carne de galinha à moda jamaicana nos pequenos pés-sujos dos sombrios bairros de imigrantes a oeste de Fort Lauderdale. Ouvíamos enquanto experimentávamos pela primeira vez uma fritada de moluscos no Festival de Bahamian Goombay em Coconut Grove em Miami, e fazendo compras de arte haitiana em Key West. Quanto mais explorávamos, mais nos apaixonávamos, tanto com o sul da Flórida e um pelo outro. E sempre ao fundo, aparentemente, estava Bob Marley. Ele estava lá enquanto tostávamos na praia, enquanto pintávamos as paredes verdes da nossa casa, quando acordávamos ao amanhecer com os gritos dos papagaios selvagens, e fazíamos amor com a primeira luz que filtrava através da pimenteira brasileira que tínhamos em frente à nossa janela. Nós nos apaixonamos pela música dele pelo que ela era, mas também por aquilo que ela definia, o momento em nossas vidas quando deixamos de ser dois e nos tornamos um. Bob Marley era a trilha sonora de nossa nova vida juntos neste lugar estranho, exótico e mal-ajambrado, tão diferente de 
qualquer outro onde tivéssemos vivido. E agora, dos alto-falantes, surgia nossa canção preferida dentre todas, por ser tão pungente e bela, e falar direto ao nosso coração. A voz de Marley tomou a sala, repetindo o refrão várias vezes: “Is this love that I’m feeling?”. E, nesse mesmo momento, como se tivéssemos ensaiado por várias semanas, gritamos, em uníssono: — Marley! — É isto! — exclamei. — Este é o nome que estávamos procurando. Jenny sorriu, o que era um bom sinal. Eu ensaiei: — Venha, Marley! — ordenei. — Sente, Marley! Bom garoto, Marley! Jenny se juntou a mim: — Meu Marley queridinho-inho-inho... — Ei, eu acho que funciona — disse. Jenny também achava. Nossa briga acabara. Finalmente tínhamos o nome de nosso filhote. 
Na noite seguinte, depois do jantar, entrei no quarto onde Jenny estava lendo e eu disse: — Acho que precisamos incrementar um pouco o nome dele. — Do que você está falando? — ela perguntou. — Nós adoramos o nome. Eu havia lido os papéis de registro do American Kennel Club. Como um labrador puro-sangue com ambos os pais devidamente registrados, Marley tinha direito a um registro da AKC também. Isto apenas seria necessário se planejássemos fazê-lo participar de exposições ou ter uma criação de cães, quando este papel realmente se tornava importante. Para um cão de estimação, no entanto, seria supérfluo. Mas eu tinha grandes planos para o nosso Marley. Esta era a primeira vez que eu tinha a chance de me aproximar da nobreza, incluindo a minha própria família. Bem como São Shaun, o cão da 
minha infância, de uma linhagem sem distinção. A minha representava mais países do que a União Européia. Este cão era o mais próximo que eu chegaria do sangue azul, e eu não deixaria passar nenhuma oportunidade que me fosse oferecida. Admito que deixei isto me subir à cabeça. — Vamos imaginar que queiramos inscrevê-lo em competições — eu arrematei. — Alguma vez você já viu o campeão com apenas um nome? Eles sempre têm nomes compridos, como Sir Darworth de Cheltenham. — E seu dono, Sir Dorkshire de West Palm Beach — replicou Jenny. — Estou falando sério — respondi. — Poderíamos ganhar dinheiro fazendo-o competir. Você sabe quanto as pessoas pagam por cães de topo de linha? Todos eles têm nomes extravagantes. — Faça o que você quiser, meu amor — disse Jenny e voltou a ler seu livro. Na manhã seguinte, depois de queimar a mufa até tarde da noite, peguei-a diante da pia do banheiro e disse: — Bolei o nome perfeito. Ela me olhou, cética: — Diga — ela desafiou. — Ok. Está pronta? Aí vai. Pronunciei cada um dos nomes lentamente: — Grogan’s Majestic Marley of Churchill. Puxa, pensei, isso soa verdadeiramente nobre. — Puxa — respondeu Jenny —, isso soa realmente imbecil. Nem liguei. Eu iria lidar com a papelada, e já tinha escrito o nome. A caneta. Jenny poderia torcer o nariz quanto quisesse. Quando Grogan’s Majestic Marley of Churchill recebesse as honras máximas na Exposição de Cães do Westminster Kennel Club dentro de alguns anos, e eu passeasse gloriosamente com ele em volta do picadeiro diante de uma audiência de televisão internacional simplesmente encantada, veríamos quem iria rir por último. 
— Vamos lá, meu duque de nada — disse Jenney —, vamos tomar o café da manhã.


Notas Finais


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