História Mas ele é só um bebê! - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai
Tags Baeksoo, Cdf4, Cdflopinhos, Chankai, Chankaifeels, Exo!pais, Familyau!, Kaiyeol, Soobaek
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Palavras 7.575
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁAAAAAAAAAAAA PEOPLE!
Vim com a minha segunda (?) ChanKai, acho, que escrevi pro projeto do Clube dos Flopinhos e o ChanKaiFeels com o tema de dia dos pais e eu ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeei tanto escrever, meu Deus!
Quero agradecer demaaaaaaaaaaaais a Gi, te amo linda, que fez essa capa porreta! E a Mika, deusa, que não só me doou o começo do plot, como betou. Deusa. Te amo linda.
É a primeira family!au que eu escrevo e to bem feliz com o resultado (terminei tudo em três dias!!) e eu espero que vocês curtam também <3
Enfim, boa leitura chuchus <3

Capítulo 1 - E ele só tem três aninhos!


 

Do KyungSoo nunca se imaginou pai sendo tão jovem, ainda mais solteiro. Mas quando ele deu por si, com apenas seus 24 anos de vida, ele tinha um bebê de poucos dias no braço, muitas responsabilidades e um desespero supremo de que não iria conseguir. Não era como se o Do fosse uma pessoa irresponsável que não sabia o que era uma camisinha e ficava com mulheres aleatórias. Na verdade, Do KyungSoo era gay e estava muito bem com aquilo.

Do Jongin aconteceu como um pequeno milagre.

Sua irmã mais velha havia engravidado do garoto e entrado em desespero quando se deu conta disso porque o pai da criança havia lhe largado para casar com outra mulher no Japão. O Do mais novo se compadeceu do desespero da irmã e prometeu ajudá-la com seu emprego de arquiteto recém-formado para assim proporcionar as melhores coisas possíveis para o bebê.

Foi numa segunda-feira chuvosa, às nove da noite, que Kyungsoo recebeu uma ligação para informar que sua irmã havia sido atropelada. Foi chegar ao hospital, apenas em seus pijamas, que recebeu a notícia que a garota que havia tanto admirado e praticamente lhe criou depois da morte precoce dos pais estava morta, mas que o bebê havia sobrevivido.

Era por isso que Kyungsoo chama o pequeno Jongin, todos os dias, de seu pequeno milagre.

Nunca omitiu a verdade ao menino, sempre tendo o cuidado de falar sobre sua irmã e de como ela o amava de maneira que o garoto pudesse respeitar e aceitar a existência de sua mãe ainda que não estivesse com eles. Mas, mesmo assim, Jongin agarrou Kyungsoo como se fosse seu próprio pai em vez de tio e o Do não se viu na coragem de mudar aquilo.

 

    

    Kyungsoo agora chegava na casa dos 40, com uma estabilidade financeira invejável e um filho muito manhoso e ciumento a tiracolo. Era bem verdade que namorados eram muitíssimo complicados quando se tratava de ter Jongin como filho porque, aparentemente, o garoto não gostava de ninguém que o Do ousava trazer para a casa.

Mas também não era como se o Do mais velho ficasse muito atrás…

Jongin era aquela criatura mimada porque o arquiteto simplesmente dava tudo para o garoto e o protegia como se o mesmo fosse de porcelana. Jongin era seu bebê, que mesmo que na identidade dissesse que já estava em seus dezesseis anos, para o Do ele sempre teria três aninhos

 

 

— Mas pai… Por favor! Todo mundo vai nessa festa, eu nunca vou para nenhuma confraternização da minha turma. Por favoooor! — E lá estava o Do mais novo, com seu biquinho e olhos de cachorrinho abandonado que Kyungsoo já estava imune.

— Jongin, você não é todo mundo. E eu não acredito que você veio no meu escritório apenas para me irritar sobre essa festa que eu já te falei um milhão de vezes que você não vai! — O arquiteto fora completamente categórico em sua negativa, sentando em sua mesa, tomando um gole de café não olhando propositalmente para o filho.

— Baekhyun! Diz para ele que eu tenho idade o suficiente para ir para uma festa da minha sala de aula — Jongin vendo que o pai estava resoluto usou todo seu charme para cima do sócio do pai que riu abertamente com a manha alheia.

— Deixa ele ir, Soo… Não é como se adolescentes fossem irresponsáveis, que compram bebidas com identidades falsas e terminam a noite transando no banheiro!

— Tio Baek! É pra você me ajudar — Ditou birrento, fazendo o Byun gargalhar outra vez.

— Desculpa, Nini. Não me meto nas decisões do seu pai. Da última vez, você quebrou o pulso na viagem e ele ficou uma semana inteira falando que a culpa era minha por ter o convencido a deixar você ir.

— Papaaaaaaaaaaaai… Por favorzinho!

— Não é não, Jongin. Estando isso resolvido, por que você veio aqui?

Jongin bufou, cruzando os braços em frente ao corpo da maneira mais birrenta possível como se tivesse acabado de falar para o garoto que ele nunca mais ia poder se divertir na vida.

— Vim pegar o dinheiro do meu figurino para a apresentação do festival de primavera — Murmurou depois de um tempo, ainda birrento — Você saiu de casa sem me dar e hoje é o último dia de pagar.

— Vai se apresentar Jonginnie? Vai dançar? — Baekhyun perguntou curioso e o menino apenas assentiu com a cabeça — Eu posso ir? Adoro te ver dançando!

— É um evento fechado para os pais, por isso não te chamei — Kyungsoo respondeu no lugar do Jongin, fazendo com que dessa vez fosse o Byun que tivesse um bico nos lábios. Nem parecia ter seus 41 anos.

— Bom, são dois convites. Mas como a mamãe não está na terra, a gente pode dar pro tio Baek e falar que ele é seu namorado — Jongin falou com a expressão não mais amarrada — A escola é inclusiva e bem tranquila com isso. E tio Baekhyun é praticamente minha mãe mesmo.

Aquilo pegou o Do de surpresa. Conhecia Baekhyun há um bom tempo, haviam se formado juntos, inclusive. Fora impossível não ter a presença do mesmo constantemente em sua vida e na vida do Jongin, mas não imaginava que o filho o visse daquela forma tão significativa.

Aparentemente, aquilo pegou o Byun de surpresa também, já que o mesmo tinha uma expressão surpresa no rosto e os olhos levemente marejados. Tinha muito carinho pelo Do mais novo - e pelo Do mais velho também - e se viu realmente tocado.

— Isso foi… Lindo, Nini. Mas eu acho que… Que talvez não seja uma ideia tão boa assim.

— Não começa! Sério. Vocês transaram bêbados uma vez e daí? Isso cria um tabu onde nem fingir que são namorados, podem?

— JONGIN!

— O que? Eu sei o que é sexo, pai. E pelo amor de Deus, acha que eu não notei que vocês ficaram estranhos depois que eu acordei e vi o tio Baek saindo caladinho de manhã cedo enquanto você escondia aquelas garrafas de soju vazias? Eu super sei o que rolou, coroa. E acho, na moral, que vocês estão sendo idiotas. Demais. Todo mundo transa com o melhor amigo!

— Como assim todo mundo transa com o melhor amigo, Jongin? O que você e o Sehun estão… Vocês não…

Jongin não pode deixar de rir do desespero do pai, negando com a cabeça.

— Sehun é como um irmão pra mim. E ele namora com o Junmyeon do terceiro ano. Então, não, não estou transando com o meu melhor amigo, se isso te preocupa.

— Me preocupa sim, você é um bebê! Não tem idade pra transar! Você nem deveria tá falando disso!!!

— Pai, me dá o dinheiro, não to afim de receber de novo todas aquelas instruções de DSTs e de como adolescentes cheios de hormônios são inconsequentes. Nem é como se eu pudesse engravidar alguém sendo gay.  

O Do suspirou, o corpo praticamente deslizando na cadeira enquanto a cabeça latejava. Desde quando Jongin falava tão tranquilamente a palavra transar? Por céus, ele era só um garotinho!

— Além do mais, tio Baekhyun se você não for pra minha apresentação eu vou ficar muito chateado! Então é bom que aceite a ideia de que será meu padrasto ao menos por um dia. Na verdade, por mim, podia ser a vida inteira. Eu gosto de você. Melhor que os caras otários que o papai leva pra casa e querem tomar o meu lugar.

— TOMA SEU DINHEIRO! — O Do ditou todo nervoso, deixando as notas em cima da mesa que foram facilmente pegas pelo filho.

— Promete que vai pensar com carinho sobre a festa? Por favorzinho… Você pode ir me levar e buscar. Por favoooooor, pai! — E lá estava o biquinho de volta nos lábios carnudos do mais novo.

— Jongin…

— Só diz que vai pensar, por favor!

— Tudo bem. Eu vou pensar!

— Ah! Eu te amo papai! — Jongin cantarolou animado, deixando um beijo na bochecha do mais velho para fazer o mesmo na do Byun e por fim, sair do escritório de ambos.

Aparentemente, Do Kyungsoo não era tão imune aos biquinhos do Jongin assim.

 

 

Kyungsoo sentia toda extensão da sua coluna doer, possivelmente o grito dos seus quarentas anos sendo jogados em sua cara. Tinha sido um dia muito cheio, agradar clientes era um inferno ainda mais quando os mesmos não queriam abrir a mão para pagar o valor justo daquilo que eles realmente queriam.

E ainda tinha o Baekhyun. Mas ele não queria pensar nisso agora.

O Do deixou o molho de chaves do apartamento em cima do centro que havia na sala ampla e quase gemeu descontente quando viu a pilha de pratos que tinha em cima da pia deixando claro que havia muito mais do que o filho dentro de casa.

Suspirou deixando a pasta em cima do sofá enquanto retirava o blazer, indo em direção ao quarto do Jongin, ouvindo as risadas altas mesmo que a porta estivesse fechada. O filho nunca conseguia ser discreto em nada.

— Você realmente acha que ele está afim de mim?

— Eu tenho certeza! Ele pratica… Tio Soo! — Kyungsoo acabou se assustando porque focou no diálogo da dupla que não notou sua presença, mesmo com a porta aberta.

— Olá Sehun! Como está?

— Tô bem! Vim fazer um trabalho de Biologia com o Nini, mas já terminamos — Explicou, apontando para os livros na cama enquanto o Do assentia.

— Já jantaram?

— Já sim papai. Pedimos frango frito.

— Tudo bem, vou ficar no quarto. Vai dormir aqui, Sehun?

— Ah não, tio! O Jun vem me buscar daqui a pouco, vou dormir na casa dele.

— Jun? — Kyungsoo arqueou a sobrancelha

— O Junmyeon, papai! O namorado do Hunnie. Eu te falei essa semana. Ele é do terceiro ano, maior de idade, tem carro e tudo mais.

— Seus pais sabem disso, Sehun?

— Do Jun? — Perguntou e viu o mais velho assentir com a cabeça — Sabem sim. Eu o levei lá em casa, meus pais adoraram ele. Ele vai fazer vestibular para direito! Aí como meus pais estão viajando, eu pedi pra dormir no Jun e eles deixaram.

— Você nunca vai dormir na casa de um namorado, entendeu Jongin? — O moreno que até então estava em silêncio, franziu a testa sem entender a falar repentina do pai.

— Mas eu nem estou namorando pai…

— Não vai namorar também! — Ditou quase enojado — Onde já se viu, um bebê de dezesseis anos dormindo na casa de outros homens mais velhos…

— Tio, o Jun tem 18 anos. Não é velho…

— Você é uma criança, Sehun.

— Você que é um velho, papai — Jongin revirou os olhos — Velho e gagá que não fala coisa com coisa. Eu hein… Vai jantar, você deve está delirando de fome.

— Sem namorados, Do Jongin!

— Tchaaaaaaaaaaaaaaaau pai — Jongin murmurou praticamente colocando o pai para fora do quarto.

O Do parou no meio do corredor, negando com a cabeça. Onde já se viu, uma criança daquela dormindo na casa de namorado? Nunca que aquilo aconteceria consigo.

 

 

— Você tá pegando muito pesado, Soo. Jongin não é uma criança. Ele é bem crescido, na verdade. É natural que ele namore e faça outras coisas a mais com um possível namorado. O melhor amigo dele não se tornou uma má influência… Você tá é muito surtado.

— Baekhyun, o garoto ia dormir na casa do namorado, que é bem mais velho do que ele!

— Dois anos é pouquíssimo tempo! E o cara tem um carro, o amigo do Jongin tá mais do que certo — Riu dando de ombros, mas logo parou ao ver a expressão fechada do melhor amigo — Kyungsoo, você precisa entender que o Jongin cresceu e que naturalmente essas coisas vão acontecer.

— Eu vou ter uma síncope. De verdade. Eu vou… Eu vou me matar. É isso.

— Para de drama homem — O Byun revirou os olhos e tornou a sorrir — Você tá precisando ser chupado pra vê se relaxa e deixa seu filho viver…

— Tá me oferecendo um boquete?

— Um boquete e um copo de água não se nega a ninguém, já diz o ditado…

 

 

Quando Jongin escolheu balé com seus seis anos, Kyungsoo achou que seria uma coisa de momento, mas com o tempo, foi percebendo que a sua prole havia nascido para a dança tal qual um mais um eram dois. Sempre o apoiou incondicionalmente em relação àquela arte e trabalhou muito com ele sobre as possíveis ignorâncias que viriam em conjunto com aquelas escolhas.

Era filho único de um pai solteiro que era assumidamente gay e completamente apaixonado por balé. Era óbvio que toda a negatividade viria tal um foguete em direção ao menino. Mas Kyungsoo realmente trabalhou bem nisso, o mandando pra terapia desde novo, conversando com ele abertamente sobre todos os problemas e o acompanhando em tudo para apoiá-lo.

Logo, não fora algo tão estranho para o Do estar sentado em uma das cadeiras de fundo (era melhor pra gravar todo o palco), ao lado do Byun, esperando a hora que o filho se apresentaria com seu solo de dança ao qual o próprio havia coreografado (Jongin repetiu aquilo mil vezes durante os dois últimos meses).

— Você sabe qual é o tema? — Baekhyun perguntou animado, o iPhone já nas mãos, pronto para gravar seu protegido.

— Ele só falou que teve liberdade artística para fazer o que quisesse. A professora dele disse que confiava em seu potencial e o deixou fazer tudo, da escolha da música até o desenho do figurino — Kyungsoo explicou baixo, mas completamente orgulhoso, arrancando um sorriso do Byun.

— Isso explica porque ele estava tão agitado para essa apresentação. Mas eu tenho certeza que ele irá se sair bem. O Nini é um artista nato!

— To um pouco preocupado. Ele vomitou de manhã cedo e até chorou falando que não queria mais se apresentar. Ele disse que não queria passar vergonha em frente a escola inteira. Não queria que o nervosismo atrapalhasse ele porque se não ele vai ficar mal consigo — Murmurou em suspiro, genuinamente preocupado com o Do mais novo.

— Vai dá tudo certo, Soo. O Nini nasceu pra isso. Vai ser a melhor apresentação de todas. O que não é bem difícil, já tô querendo me matar com todas que assisti até agora.

Baekhyun levou o dedo a têmpora, como se a mão fosse uma arma e fez um pequeno barulho de tiro como se tivesse se matando, arrancando uma risada do Do que logo levou a mão aos lábios para não fazer muito barulho, já que ocorria outra apresentação.

— A dele é a próxima, aí podemos sair depois disso e ir encontrá-lo nos bastidores. Você deixou o buquê de rosas fácil de pegar?

— Claro paizão! Não se preocupe, elas estão na recepção, pedi pra secretária colocar um pouco na água para continuarem bonitas pra quando entregarmos ao Nini. Ele vai se sentir o próprio dono da dança!

Kyungsoo sorriu e empurrou o ombro levemente contra o do outro em uma brincadeira que fez o outro sorrir também.

— Acho que nunca te agradeci por tudo isso. Por… Sabe… Sempre me ajudar com o Nini, ser essa pessoa presente pra ele e pra mim. Na verdade, você está aqui mesmo quando sigo sendo um idiota contigo e sei lá…

O Byun fez um gesto para que o mesmo deixasse pra lá, fazendo um carinho sutil na bochecha do Do com o polegar.

— Eu faria qualquer coisa por você ou pelo Jongin. Não tem o que agradecer. E eu te entendo, eu realmente te entendo. E está tudo bem…

— Eu só… Eu sei que o Jongin diz que gosta de você, mas ele odeia todos os meus namorados, eu não quero que ele te odeie! Não você!

— Shh… A gente fala sobre isso outra hora. Jongin vai entrar no palco.

O Do assentiu e não pôde deixar de ser grato pela existência do Byun que sempre parecia um anjo em sua vida.

 

 

Uma música baixa e calma começou a tocar, fazendo com que o arquiteto erguesse o celular, assistindo a entrada do filho pela tela do iPhone, mas rapidamente desceu o celular para o colo para ter certeza se via o que estava vendo. Tocou no rosto só para confirmar que o óculos estava sobre o rosto e percebeu que sim, estavam. Não era ilusão ou miragem… Aquilo realmente estava acontecendo.

— Mas…

Baekhyun que estava concentrado em gravar e ver o Do mais novo, riu baixinho quando ouviu o murmúrio do melhor amigo. Assim que bateu os olhos no Jongin, sabia que o melhor amigo ia surtar e quase virou a câmera para a expressão do Do mais velho se não tivesse prometido ao afilhado que iria gravar sua apresentação.

Jongin estava lindo, isso era fato. Uma legging preta, costumeira de suas apresentações de dança, mas na parte de cima tudo que existia era uma cropped marrom em conjunto a um laço em volta do seu pescoço. A barriga do garoto ficava praticamente de fora o tempo todo por conta dos seus passos - que eram extremamentes sensuais.

Kyungsoo estava em um estado quase catatônico. O que seu bebê fazia naquelas roupas sensuais dançando aquela música sensual e rebolando!!! Rebolando de uma forma muito sexy! Céus, mais o que é isso? Meu Nini só tem três aninhos, isso tá muito errado!

O Do só fora desperto de seu desespero quando ouviu uma voz grave ao seu lado seguida de uma risada. O rosto virou para encarar a criatura alta - sim, aquele adolescente tinha a ousadia de ser mais alto do que ele, mesmo sendo muito mais novo - espalhafatosa demais para não ser percebida.

— Meu Deus! Jongin tá gostoso demais, puta merda — A tal criatura alta murmurou para outra pessoa que diferente dele, era mais baixinha — Digo, ele sempre foi, mas… Olha essa criatura rebolando!

— Fica quieto, Chanyeol. Tá atrapalhando a filmagem — O outro murmurou em meio a uma risada.

— Não, porra! Sério. Meu Deus. Só queria ele sentando na minha cara. Ah, vai se foder velho! Esse garoto é perfeito demais pra minha sanidade… Vou sair dessa apresentação mais duro do que pedra.

— Espero que você saiba que esses comentários ridículos vão sair no vídeo que vai ser postado na página da escola.

— Confio em você pra editar, Jun…

Calma.

Muita calma.

Quem aquele garoto achava que era pra falar aquelas coisas pornográficas do seu bebêzinho???? E daí que ele tinha 16 anos? Pro Do, ele só tinha três aninhos e fim!

A mão do mais velho já estava fechado em punho e só não voou em cima da dita criatura porque Baekhyun lhe beliscou na cintura e o olhou sério como quem dissesse que o esfolaria se ele ousasse fazer qualquer coisa.

Kyungsoo respirou fundo, mas guardou bem em mente a cara do sujeito. Que aquele adolescente tarado não desse mole por aí… Se o Do pegasse, o quebraria no pau, sem sombras de dúvidas!

 

 

Ainda tinha uma expressão fechada quando foi encontrar o filho nos bastidores de sua apresentação. Apertava o buquê vermelho com força enquanto assistia ele - ainda naquelas roupas malditas - apertando o Byun em um abraço apertado enquanto o mais velho repetia o quão maravilhoso o garoto era dançando.

Quando ambos se soltaram, o moreno virou para o pai com um sorriso e os olhos pintando em expectativas. O Do tornou a suspirar e entregou o buquê ao garoto, que pegou enquanto o sorriso morria e era substituído por um pequeno bico.

— Não gostou da minha apresentação, pai? Eu fui ruim? A coreografia ficou superficial? — Perguntou num tom quase choroso, os olhos completamente perdidos.

— Não meu filho, só… — Fitou o Do mais novo dos pés a cabeça, percebendo os olhos marejados que o fez puxá-lo para um abraço — Eu só estou orgulhoso demais para conseguir expressar isso. Você foi incrível, Nini. Eu tenho muito orgulho de você, querido.

E logo o sorriso aberto voltava ao rosto do dançarino que finalmente se sentia completo. Tinha feito uma ótima apresentação e seu pai havia adorado!

— NINI!!!!!!!

Se Baekhyun não tivesse puxado Kyungsoo, era possível que ele tivesse levado um chute no momento em que o Sehun pulou por cima do Jongin para abraçá-lo de uma maneira completamente exagerada.

— Você vai me matar, Hunnie! — Jongin resmungou, mas tinha um ar risonho quando o Oh finalmente saiu de cima de si.

— Você foi tão incrível! A coreografia ficou perfeita. E o figuro??? Tá todo mundo falando! Tenho certeza que você vai ser o destaque do jornal da escola. Ao menos o Jun falou que acha que vai. Aish… Vou ser o melhor amigo do dançarino mais famoso da escola!

— Sério? Todo mundo curtiu! Tipo… Todo mundo?

— Ahaaaaam — Sehun riu maldoso, dando um tapinha no ombro do amigo — Até o pessoal do terceiro ano e tals.

— Até…

— Aham. Até…

Kyungsoo estreitou os olhos, sentindo que tinha uma informação muito grande e clara bem na sua frente, mas não conseguia notar. Baekhyun se limitou a rir, negando com a cabeça enquanto apoiava o queixo no ombro do Do mais velho, percebendo que depois de tantos abraços, o buquê estava quase todo destruído.

— Eu já vou indo. Papai e o Baekhyun tiveram que fechar o escritório hoje de manhã por minha causa, não quero atrapalhá-los ainda mais — Kyungsoo só voltou a si quando ouviu o filho se despedindo do melhor amigo.

— Não vai mesmo pra festa?

— Não. Eu não tive autorização — Jongin murmurou, mas acabou dando de ombros. Já havia aceitado depois de tantas negativas do pai.

— Que pena… Tipo… Af. Seria perfeito se você fosse.

Baekhyun envolveu os braços envolta da cintura do Do e beijou delicadamente seu pescoço, fazendo-o tremelicar.

— O Nini podia mentir pra você, podia simplesmente ir para essa festa de todo jeito, mas não. Ele segue perfeitamente suas ordens — Murmurou contra a audição alheia, mordiscando a orelha deixando-o completamente vermelho — Eu vou contigo levá-lo e buscá-lo. Você limita os horários. Ele não vai beber ou se drogar se você falar para ele não o fazer. Deixa o menino ir, uh? Prometo te distrair enquanto ele tiver na festa…

— Baek…

— Três horinhas, uh? Da tempo da gente fazer muita coisa e ele se divertir. Ele é um bom garoto… E eu vou ser um bom garoto pra você.

Kyungsoo fechou os olhos, suspirando fundo tentando ignorar o carinho discreto que recebia. Baekhyun era realmente um grandíssimo filho da puta. Foi nesse joguinho, enquanto tinha o pau enfiado na garganta alheia que foi convencido de deixar Jongin fazer aquela viagem.

Era um golpe baixo e barato que o Byun sempre tentava lhe desdobrar no que era referente a superproteção do Jongin e o Do se sentia um fraco porque no final, ele sempre, sempre cedia.

— Tudo bem. Você pode ir para essa festa — Resmungou, fazendo o Jongin arregalar os olhos porque ele sequer havia pedido outra vez, mas abriu um gigantesco sorriso quando percebeu a forma que o seu Tio Baek estava abraçado com o pai.

— MESMO?

— Eu te levo e vou te buscar às 23h. E nada de bebidas ou drogas, entendeu?

— EU AMO VOCÊS — O mais novo gritou, pulando em cima do casal e os apertando em um abraço.

 

 

Uma semana havia se passado desde a fatídica festa, que de fato, não havia sido tão ruim assim. Jongin cumpriu certinho seus horários e seu hálito deixava claro que seguiu bem as recomendações do pai e não ingeriu uma gota sequer de álcool. O Do mais novo parecia bem mais feliz desde esse dia e o arquiteto começava a cogitar a entregar um pouco mais de liberdade ao filho e trabalhar em si mesmo uma compreensão de toda questão adolescente que cercava a vida do garoto.

Em conjunto daquilo, Baekhyun e ele pareciam ter entrado num relacionamento não nomeado de uma vez por todas. Jongin nesse meio tempo veio conversar com ele, falando que da mesma forma que queria ser livre, também deveria parar com toda sua birra em relação a quem o pai se envolvia. Claro que o garoto também disse o quanto preferia que fosse seu tio Baek, mas que se fosse qualquer outra pessoa, faria o máximo para entender.

Aquilo pareceu o suficiente para o Do arriscar a se relacionar com o Byun e tinha cada vez mais certeza que aquilo era uma boa escolha, porque agora Jongin e Baekhyun pareciam mais próximos do que tudo, por isso, nem se chocou quando chegou mais cedo de uma reunião e encontrou o filho sentado na mesa do melhor amigo/sócio/quase namorado.

 

— Mas eu não tenho coragem de falar pra ele! Não sei o que eu faço, tio!

— Eu vou conversar com ele, uh? Ai de noite, você vai falar com ele — Baekhyun sorriu confiante ao tempo que fazia um carinho na mão do quase-enteado.

— Você é o melhor do mundo! Obrigado Tio.

— Achei que o melhor do mundo era eu — Kyungsoo finalmente resolveu falar, vendo o filho dar um pulo enquanto o melhor amigo/sócio/quase namorado arregalava os olhos.

Novamente o Do sentiu que havia algo ali que ele ainda não estava percebendo.

— E você é, querido. O Jongin só tenta me iludir mesmo!

— Hey, que calúnia! Os dois são os melhores do mundo pra mim. Eu amo vocês demais.

Kyungsoo acabou sorrindo. Talvez aquela fosse a informação que não estava percebendo. E aquilo o deixou bem feliz.


 

Na verdade, não era não. Percebeu aquilo horas depois quando foi deixar o Baekhyun em seu apartamento e o mesmo pediu para que ouvisse o filho hoje a noite e fosse compreensível. Quando fechou a porta e encontrou a figura do filho encolhida no sofá, sabia que algo muito grande e terrível tinha acontecido.

Até deixou o número da ambulância na discagem rápida. Algo lhe dizia que ia sofrer um infarto naquela noite.

— Oi pai… Sei que deve tá cansado, mas… Eu meio que queria falar com o senhor.

Do nada disse, apenas se afundou no sofá ao lado do filho, o coração palpitando e as mãos gélidas. Céus… O que diabos Jongin tinha feito?

— Eu não gosto de esconder as coisas, não do senhor. Nunca. Mas eu não sabia como te falar e estou evitando essa conversa tem uns dias. É que… Eu sei que me ama muito e sei que toda sua proteção é porque quer cuidar de mim. Mas pai, eu tenho 16 anos, sabe? Não sou mais aquela criancinha. Eu cresci e to vivendo minha vida. Eu te respeito incondicionalmente e por isso eu queria muito que o senhor pudesse me compreender.

— Você matou alguém?

— Quê? Não. Não. — Sorriu nervoso, coçando a nuca — Eu… Ai meu Deus, que difícil. Tá. Ok. Certo. Eu to namorando. É isso.

O arquiteto se manteve em silêncio por longos minutos. Sequer piscava.

Seu bebê…

O seu bebêzinho…

Ele estava namorado.

Certo.

Tinha um cara dando uns beijos no seu bebê.

CÉUS, TINHA UM CARA BEIJANDO SEU NINI!!!!

QUEM ESSE CARA ACHAVA QUE ERA?

— Com quem? — Foi tudo que conseguiu falar em meio a todo desespero que lhe tomava

— Ele se chama Chanyeol. É do terceiro ano, amigo do Junmyeon, o namorado do Hun. A gente se conhecia tinha um tempo já, mas quando o Sehun começou a namorar a gente meio que se aproximou mais e… Sei lá, acho que acabou rolando. Eu comecei a gostar dele e ele começou a gostar de mim e ai ele meio que me pediu em namoro. E eu meio que aceitei.

— Meio que aceitou?

— É. Eu disse a ele que aceitava, mas que eu tinha que conversar com o senhor também. E que ele teria que vir aqui em casa e se apresentar formalmente para demonstrar que era algo sério e respeitoso.

Kyungsoo tornou a suspirar, massageando as têmporas. Aquele conjunto de informação havia lhe dado dor de cabeça, mas não podia ignorar a última fala do filho. De fato Jongin tinha 16 anos e sabia que aquilo ia chegar em algum momento. Sabia também que proibir não seria uma boa opção, ainda mais quando o filho se mostrava tão maduro em relação ao assunto e queria ter um relacionamento sério e com o apoio do pai.

Era difícil para o Do compreender que seu bebê já não era mais tão bebê assim. Mas sabia que não podia sufocar o filho de uma forma tão ruim.

— Sexta-feira.

— Quê?

— Sexta-feira. Traga ele aqui na sexta-feira de noite. Vamos ter um jantar e você me apresenta ele formalmente.

— Você tá falando sério? — Jongin sorriu animado e Kyungsoo se limitou a assentir com a cabeça — OBRIGADO PAI, EU TE AMO!

Viu Jongin lhe abraçar e acabou o apertando de maneira amorosa ainda que sentisse um peso em seu coração.

Quando foi que ele tinha ficado tão grande?

 

 

— O que você tá fazendo aqui? — O arquiteto indagou vendo a figura ruiva na porta da sua casa no início da noite.

— O Jongin me convidou para o jantar. E como quero a total aprovação do meu enteado, eu pensei que seria horrível da minha parte não vir — Baekhyun explicou num sorriso, deixando um selar no bico emburrado que surgiu nos lábios do Do.

— Vocês dois vão me deixar de cabelo branco. Isso sim.

— Ah, não tem problema. Você vai ficar ainda mais sexy, querido — Piscou para o outro, finalmente entrando no apartamento — Cadê meu filhote?

— Tá terminando de arrumar o quarto. Não sei porquê. Ele nunca arruma, nunca. Agora quer arrumar. Como se o namoradinho dele fosse entrar lá… — Resmungou e o Byun acabou rindo.

— Deixa o menino! Ele está feliz que você tenha aceitado o namoro. Ele realmente estava com medo de como você reagiria. Mas você se saiu muito bem, tô orgulhoso de ti querido.

— Desencosta. Vai pra perto do seu cúmplice. To irritado com vocês dois. — Kyungsoo tornou a resmungar, mas sorriu quando recebeu um selar demorado nos lábios do ruivo que apertou o nariz no final de tudo e foi em direção ao quarto do Do mais novo.

O arquiteto voltou para a cozinha para terminar o jantar e quando terminava de colocar o último prato na mesa, o interfone tocou para avisar que alguém subia. Aparentemente Jongin e Baekhyun estavam entretidos sabe-se lá com o que, porque não saíram possivelmente por não terem ouvido o barulho do interfone.

Quando ouviu as batidas na porta, caminhou até a mesma, abrindo-a sem muita pressa até finalmente encarar a figura que estava na sua frente.

Kyungsoo se tornou arquiteto pelo amor a arte e pela incrível memória fotográfica que tinha.

    Ele nunca esquecia um rosto quando via.

    E ele jamais esqueceria do rosto do idiota que ficou falando pornografias sobre o seu filhinho em sua apresentação de dança.

— Boa noite, Senhor Do. Sou Park Chanyeol, namorado do Jongin.

 

O Do estreitou os olhos enquanto fitava bem a figura alta. A primeira vontade que teve foi socar até quebrar todos os dentes daquele ser pervertido, mas foi impedido por um toque suave no ombro.

— Olá Chanyeol! Seja bem-vindo. Sou o Baekhyun, o quase padrasto do Jongin — De uma maneira não muito discreta, o Byun empurrou o Do da porta, de forma que permitisse que o Park pudesse entrar.

— Você chegou! — Jongin constatou o óbvio, indo até o garoto para lhe deixar um abraço apertado, recebendo um beijo casto na testa.

Ah claro, o Park ia pagar de rogado para tentar fazê-lo de trouxa. Kyungsoo ia quebrar aquele garoto na porrada.

— Senta Chanyeol. Eu e o Soo vamos pegar alguma coisa pra você beber. Sinta-se em casa, uh?

O arquiteto não tinha ideia de como chegou na cozinha, mas quando deu por si, Baekhyun lhe olhava com uma cara feia e os braços cruzados como se ele tivesse feito algo de errado.

— Você ia socar o garoto! — Acusou irritado

— Eu ainda vou na verdade! — Rebateu igualmente irritado.

— Você não pode socar alguém só porque ele está namorando o Jongin, Kyungsoo. Sério que você criou esse jantar para esse tipo de atitude idiota? Seu filho está extremamente feliz e você quer bancar o idiota?

— Você por um acaso sabe quem aquele paspalho é?

— Alguém que o Jongin gosta muito?

— Ele é aquele idiota que ficou falando aquelas barbaridades do meu bebê, na apresentação de dança. Qual é, Baekhyun. Ele falou abertamente que estava de pau duro vendo o Jongin dançar!!

Baekhyun olhou completamente desacreditado para o Do, estapeando a testa como se tivesse ouvido a coisa mais absurda do mundo.

— Você nunca teve dezessete anos, Kyungsoo? Nunca ficou duro só pelo balançar do ônibus? Isso é natural dessa idade! A gente tem hormônios correndo solto no corpo e céus, o seu filho é lindo! Óbvio que alguns caras e garotas pensam essas coisas dele.

— Não vou deixar meu filho namorar com uma criatura dessas, Baekhyun!

— Pelo amor de Deus, Soo! Ele falou aquilo num calor do momento, nem mesmo estava namorando o Jongin. Aconteceu, mas você precisa se concentrar no agora. Chanyeol ama seu filho e quer ficar com ele, e se pra ficar com ele tem que te conhecer e provar que é uma boa pessoa, ele tá aí pra isso. Então… Dá uma chance para o garoto. Pelo Jongin.

 

 

— O Jongin me falou que você estava no terceiro ano. Para o que pretende prestar vestibular, Chanyeol? — Fora a primeira coisa que o Do falou desde que todos sentaram na mesa para jantar.

— Música. Quero ser professor de música. Meus pais tem uma loja de instrumentos musicais e eu cresci rodeado disso — Explicou calmamente, arrancando um sorriso bobo do filho que fez o Do sentir o estômago embrulhar.

— Ser músico hoje em dia não é algo muito fácil…

— Acho que nada hoje é muito fácil, senhor. Mas eu realmente gosto disso e acredito que se eu me esforçar e entregar todo meu potencial, eu vou ser um bom profissional.

— Você pretende casar com o meu filho?

— Pai!!!! — Jongin olhou completamente irritado para o mais velho que manteve a expressão completamente neutra.

— Acho que é muito cedo para responder isso. Eu e o Jongin estamos muito novos, temos outras prioridades agora como a faculdade e o futuro profissional. Gosto muito do seu filho, senhor Do. E espero ter a oportunidade de algum dia, sim, tê-lo como meu esposo. Porém não é realmente algo que penso agora.

— Quanto tempo demorou para decorar essas frases baratas?

— Como? — Chanyeol perguntou confuso.

— Kyungsoo, não! — Baekhyun ditou baixo e raivoso.

— Esse papinho de garoto centrado que pensa no futuro. Você não é esse garoto e eu sei disso. Eu sei suas reais intenções com meu filho, Chanyeol. E por mais que ele esteja cego porque ele é só um bebê inocente, a mim, você não engana — Ditou sério, encarando o jovem Park que estava completamente vermelho.

— Pai, para com isso!

— Eu te conheci Chanyeol, antes de você pisar nessa casa, sabia? — Sorriu levemente debochado — Você sentou ao meu lado no dia que o Jongin fez sua apresentação de dança. E eu ouvi cada coisinha que você disse a respeito dele. Tudo. Você acha que é esse tipo de pessoa que eu quero com meu filho?

— Senhor...

— Não terminei, Chanyeol — Continuou sério — Você foi um moleque ao tecer comentários tão chulos sobre meu filho. E eu não podia estar mais descontente com a escolha dele. Meu filho sempre me deu orgulho, mas agora… Eu estou só desgostoso.

Chanyeol soltou os talheres de forma cuidadosa sobre a mesa e mesmo que tivesse um misto de constrangimento e vergonha, esboçou um meio sorriso enquanto pedia licença e se levantava da mesa.

— Sinto muito por ter gastado seu tempo, Senhor Do. O jantar estava excelente. De qualquer forma, acredito que não faz muito sentido eu continuar aqui, então… Boa noite. E obrigado mais uma vez.

O tom foi cordial e o Park se curvou de forma educada antes se seguir o caminho para a porta, ignorando os chamados do Jongin. Quando o barulho da porta fechando ressoou pelo âmbito, as lágrimas começaram a rolar no rosto do Do mais novo.

— Como o senhor pode? Sério… Por quê? EU NÃO SOU UMA CRIANÇA, PAPAI!

— Não levante o tom de voz para mim, Jongin. E esse garoto não presta. Se tivesse ouvido as obscenidades que ele falou de você, concordaria comigo.

— E dai???? Ele é meu namorado! E ele pode falar o que for desde que eu esteja bem com isso e eu estou! Ele nunca me forçou nada, nunca foi além dos limites que eu estabeleci. Ele me respeita, papai. E se algum dia acontecer alguma coisa foi porque eu quis. Eu!

— Não vai acontecer nada, Jongin. Porque você não vai namorar esse moleque. Não enquanto estiver debaixo do meu teto.

Jongin abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas pareceu engolir tudo. Fitou o pai por longos segundos e no fim, negou com a cabeça, dando as costas e indo em direção ao quarto batendo a porta com força.

— Eu não devo me meter porque o filho é seu. Mas você está sendo tão ridículo, que eu não consigo ficar calado — Baekhyun se pronunciou — Jongin tem 16 anos. E jovens com 16 anos transam, fodem, se masturbam, chupam, são chupados e todas essas merdas. Eu fiz isso, você fez isso. E você tá sendo um hipócrita do caralho em fazer todo um showzinho a respeito disso.

— Ba…

— Não, Não Kyungsoo. Você devia tá conversando com seu filho, explicando pra ele o que é uma camisinha, um lubrificante. Falando pra ele como o prazer é importante. Falando pra ele que sexo é bom, mas que se ele se sente mal, ele não deve fazer. Que ele tem o direito de pedir pra parar e falar que não quer mais mesmo no meio do ato. Empoderar seu filho, ensiná-lo a não vivenciar práticas abusivas. A cuidar de si, do seu corpo e de sua integridade mental. Proibir, impedir, ser um ignorante só abre espaço pra ele se machucar muito mais. Ele não tem mais três anos, Kyungsoo. Jongin cresceu. E tá na hora de você crescer também.

Levantou da cadeira e não deu espaço para o Do responder, indo em direção ao quarto do garoto.

Kyungsoo apenas suspirou de forma cansada, batendo a testa contra a madeira como se aquilo pudesse aliviar alguma coisa do que estava acontecendo.

Por que tudo se tornava tão difícil quando eles cresciam?

 

 

Estava encostado no carro, rodando a chave do mesmo de maneira distraída, enquanto via um grupo de alunos saindo em meio a risadas e gritos. Crispou os lábios quando finalmente viu quem procurava e caminhou em direção ao mesmo que quando percebeu sua presença, parou no meio do caminho, completamente confuso.

— Senhor Do?

— Olá Chanyeol. Você teria um tempinho pra mim? Podemos… Não sei, tomar um café aqui em frente? Prometo que será rápido.

Chanyeol olhou para um dos amigos e fez algum gesto que o Do não tinha noção do que significava, mas viu o tal amigo assentir em meio a outro gesto.

— Tudo bem.

 

 

— Você quer alguma coisa?

— Não tomo café, mas obrigado — Chanyeol respondeu prontamente e  Kyungsoo quis se estapear por um momento. Esquecia que aquela faixa etária ainda não tinha descoberto a dádiva do poder da cafeína.

— Eu só… Queria te pedir desculpas pelo que aconteceu na sexta-feira. Eu me deixei cegar por toda a superproteção que eu tenho pelo Jongin e falei um monte de coisas a qual eu não deveria. Fui uma pessoa horrível com você e queria realmente pedir desculpas por isso. Jongin ficou muito magoado comigo e eu percebi que peguei pesado.

Chanyeol que tamborilava os dedos na mesa, parou, soltando um suspiro demorado.

— Eu te entendo, acho. Você ouviu umas coisas chatas pra um pai ouvir sobre seu filho e sei lá… Talvez o senhor tivesse certo e coisa e tal.

— Sim, foi bem… Desconfortável ouvir aquelas coisas, mas… Não justifica as coisas que eu falei. Você deve ser um bom garoto, Jongin realmente parece gostar muito de você. Ele inclusive gritou comigo porque você não queria mais vê-lo já que eu não aprovo o relacionamento de vocês e você não queria causar um problema maior…

— Ah… Só… O Jongin sempre falou muito de como o pai era importante na vida dele. Quando o pedi em namoro ele não disse sim. Ele disse “Quero muito falar sim, mas eu preciso pedir pro meu pai antes”. E eu meio que entendi o como aquilo tinha peso na vida dele. — Chanyeol tornou a suspirar, bagunçando os fios de cabelo — Eu amo o Jongin, senhor. E não vou ser hipócrita em falar que me arrependo do que disse ou coisa do tipo. Ele é lindo e tenho uma porção de desejos do que se refere a ele, mas também o amo e o quero fazer feliz.

— É realmente perturbador ouvir isso tão diretamente, porque… Enfim, Jongin ainda é o meu bebê, e… Ainda não consigo aceitar que ele cresceu.

— O Jongin cresceu e é um homem incrível, Senhor Do. Não digo isso por querer ficar com ele, mas porque foi toda essa maturidade e cuidado que me fez apaixonar por ele.

— Maturidade e cuidado? — Arqueou a sobrancelha desconfiado

— Claro que ele ser lindo e ter um corpo incrível também influenciou nisso — Chanyeol choramingou e mesmo que o Do quisesse socá-lo mais uma vez, acabou rindo — Eu não quero pagar de certinho. Eu não fui eu mesmo no jantar e por isso aceitei tudo que ouvi. Eu não sou perfeito. Tô bem longe de ser. Mas eu realmente gosto do Nini.

— Ele ta doente. Teve uma infecção intestinal porque tomou dois potes de sorvete sozinho e por isso não veio hoje — Ditou de repente, vendo a expressão do Park se transformar em preocupação — Achei que soubesse.

— Ele não tá falando comigo. Disse que não quer ficar perto de alguém que é covarde e tem medo do pai dele — Chanyeol acabou rindo e o Do riu junto — Ele está melhor?

— Está sim. Mas acho que ele ficaria melhor se você visitá-lo.

— Como?

— Eu to indo pra lá agora, você vem?

 

 

— EU QUERO A MORTE, ME DEIXA EM PAZ — Kyungsoo revirou os olhos, batendo outra vez na porta.

— Jongin, abra a porta. Não me faz pedir de novo.

— Você é muito cha… Chanyeol? — A expressão do Do mais novo passou de raiva para choque em milésimos de segundo.

— Oi Nini. Seu pai me falou que você estava doente e eu vim te ver.

— Meu pai? O Kyungsoo? — Apontou pro Do que novamente revirou os olhos.

— E você tem outro pai agora, Jongin?

— O Baekhyun, talvez?

— Sério isso, Jongin?

— Para avisar ao Chan que eu to doente e deixar ele entrar em casa mesmo quando estou proibido de namorar com ele, só podia ser o Tio Baekhyun ué.

— O senhor Do que me procurou, Nini. Ele até me deu carona — Chanyeol falou risonho com a expressão mortificada do (quase) namorado.

— Você… O papai… Quê?

— Eu vou fazer o jantar. A porta do quarto tem que estar aberta, estamos entendidos?

— Mas… Sério? AI MEU DEUS, PAPAI EU TE AMO

Kyungsoo continuou com a expressão neutra, mas não conseguiu não sorrir quando o filho pulou em seus braços e o apertou em um abraço.

Agora tudo ficaria bem.

 

 

Já fazia um pouco mais de seis meses desde que Jongin e Chanyeol passaram a namorar oficialmente. Aos poucos, Kyungsoo foi relaxando sobre o assunto, permitindo que o garoto saísse e pudesse chegar mais tarde e até mesmo deixando o Park dormir na casa deles, desde que a porta estivesse aberta, é claro!

Nesse meio tempo, Baekhyun se mudou para o apartamento e oficialmente foi apresentado como namorado para Jongin que só soltou um “finalmente”. As coisas estavam dentro do eixo e Kyungsoo não podia estar mais feliz.

Escovava os dentes quando ouviu a porta fechando entendo que o Park já havia ido embora. Havia dormido naquela noite no apartamento porque acabou se distraindo com a hora e Jongin não quis deixá-lo ir tão tarde da noite e o Park não quis aceitar uma carona porque não queria atrapalhar o seu querido sogro. Só que o mesmo precisava estar cedo na loja de instrumento dos pais e por isso, o Do supôs que o garoto teve que ir sem nem mesmo tomar café.

Quando terminou de lavar o rosto, se direcionou para a cozinha e sem nem mesmo estar perto, ouviu as gargalhadas do filho com o namorado/melhor amigo/sócio e acabou sorrindo por tabela porque achava aquilo adorável.

— O pai ta dormindo ainda?

— Está sim. Eu tô te falando, eu cansei o homem. Não deixei ele se desconcentrar um segundo que fosse de mim para que ele não ouvisse nada. Essa boca aqui trabalhou horrores!

— Você é o melhor padrasto do mundo, sério. Chan tava super inseguro porque ele realmente achava que o papai ouviria alguma coisa e castraria ele. Mas eu seduzi ele, fiquei fazendo manha e acabou rolando! Foi muito difícil ficar quieto no começo, mas quando a dor passou e eu me acostumei, ficou mais fácil.

— E foi bom?

— Ai, foi ótimo, Tio Baek! Ele foi super cuidadoso e carinhoso comigo. Eu imaginava que seria boa, mas não tão bom assim. Fazer sexo com Chanyeol foi incrível.

— Eu to vendo, está até manca… KYUNGSOO? — O Byun parou a frase na metade quando ouviu um impacto forte e percebeu o Do caído desmaiado na porta da cozinha.

— Ah não. Ele ouviu, não ouviu?

— 99.9% de certeza que ele ouviu sim, Nini…

— Ai tio, me ajuda!

— Filhote, minha boca de veludo é uma maravilha, mas não faz milagre. Você ta fodido querido, e nem é porque deu pro Chanyeol essa madrugada.

— O papai vai me matar.

 

    Ah, ele ia matar mesmo! Seu bebê de três aninhos não faz sexo!

 


Notas Finais


Aqui temos Soo ciumentos e dramáticos: https://twitter.com/DNG458


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