História Mas se você vier... - Capítulo 220


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Categorias Frank Iero, Gerard Way, My Chemical Romance
Personagens Bob Bryar, Frank Iero, Gerard Way, Mikey Way, Personagens Originais, Ray Toro
Tags Amor, Amor Gay, Bromance, Elizabeth Jules, Família, Frank Iero, Frerard, Gay, Gerard Way, Homossexual, Homossexualidade, Lgbt, Longfic, Long-fic, My Chemical Romance, Romance, Yaoi, Yaoi Romance
Visualizações 72
Palavras 20.089
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lírica, Poesias, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi trouxas! <3

Demorei, mas cheguei!
E já estamos no 220!
Faltam apenas dois caps, omg!

Espero que gostem.
Boa leitura. <3

Capítulo 220 - Donald


Fanfic / Fanfiction Mas se você vier... - Capítulo 220 - Donald

-S2-

Pov Donald

 

Depois de todas as coisas que haviam acontecido naquele curto espaço de tempo, eu ainda me sentia entorpecido.

Perdi meu filho Ryan, e depois, logo em seguida quase perdi Gerard.

Passei momentos terríveis, de angústia, de dor, de solidão…

Naquela sala de espera do hospital, aguardando notícias de meu filho, pude contar mais com o apoio de Frank do que com o de Mikey.

Quem diria…

Meus olhos se abriram depois daquele dia.

A sensação de quase perdê-lo mais uma vez, foi devastadora o suficiente para me lembrar da importância de meu filho.

O desespero de Frank, a desolação, a forma como ele ficou quando pensou que Gerard tinha partido… Era amor, não tinha outra palavra para descrever um sentimento tão forte, tão indomável.

Era amor e ninguém se atreveria a negar aquilo, por incrível que pareça, nem eu.

Mas ao presenciar tais momentos, e os que se seguiram, toda a confusão e o esforço que aqueles dois faziam para estar um ao lado do outro, saber que eles estavam juntos, livres e felizes me deixava estranhamente feliz.

Nunca pensei que tal sentimento me ocorreria por uma razão daquelas, mas eu estava feliz por eles. Pela união, e até mesmo pelo casamento que viria em breve. Eles mereciam mais do que qualquer um aquela felicidade na vida, e quem era eu para me opor?

Mas mesmo que dias tenham passado, e eu tenha mantido contato constante com Gerard e Frank para saber como estavam, algo mais me perturbava.

Mikey.

Eu sabia pouco dele, falava pouco com ele, na verdade desde o hospital não havia falado nada, e isso me abalava muito.

Antes eu era um acomodado, não me importava em estar longe dos meus filhos, eu sempre me achava o dono da razão, e me afastava deles o tempo todo.

Mas depois de tudo que houve, eu não aguentava mais, queria saber deles, e ter o respeito deles novamente; eu estava decididamente obstinado e lutaria por isso, mesmo sem saber direito como e por onde começar.

Estava voltando de mais um dia de trabalho naquele momento, entrei em minha casa, e logo dei de cara com Scott assistindo desenhos sentado no sofá.

Ele ainda estava ali para cuidar de Maddie, desde a minha última conversa com ela, quando pensei que ela estava melhorando um pouco e reagindo depois da perda de nosso filho, eu tive que contá-la sobre a gravidez de Donna, e isso a devastou.

Há dias ela não saía da cama, e só o irmão podia oferecer um pouco de companhia e conforto quando eu não estava presente.

_ Scott, como sua irmã está?_ perguntei assim que me aproximei dele.

_ Oi pra você também, Way.

_ Desculpe… _ eu disse me sentando ao lado dele e completei _ Oi, Scott. Como sua irmã está?

_ Mal, graças a você. Acho que sabe._ ele disse deixando o copo de suco de lado.

_ Scott, eu sei o que pensa a meu respeito e…

_ Não precisa dizer nada, nós dois já sabemos muito bem o que pensamos um do outro, e a franqueza sempre foi recíproca._ ele disse e eu assenti seriamente _ Só gostaria muito de acordar um dia, e de repente descobrir que minha irmã tenha mudado de ideia, que ela tenha enxergado quem você é, e que saia comigo desta casa, para começar uma nova vida.

_ É isso que você quer?

_ Sim, mas pouco importa, porque isso jamais vai acontecer, mesmo sabendo de todas as suas canalhices, e até da gravidez da sua ex-mulher, ela não deu pra trás um instante. Maddie jamais deixaria você, ela mesma disse que só sai dessa casa morta.

_ Isso não é verdade.

_ É sim, você sabe como ela é, creio que já tenha a conhecido o suficiente para compreendê-la.

_ Eu só quero que sua irmã seja feliz, só isso.

_ Não gostaria de ter que dizer isso, mas pela minha irmã eu o faço._ ele disse _ Se quer vê-la feliz, deve passar mais tempo como ela. Acho que a essa altura somente você pode trazê-la de volta.

_ Estou me organizando no trabalho, pretendo tirar uns dias para dar total atenção a ela.

_ Isso é bom._ ele disse _ E… Eu acho que um filho seria uma boa ideia.

_ Eu não quero que Maddie tenha um filho agora, nós acabamos de perder o Ryan e ela está completamente desestabilizada, física e emocionalmente.

_ Eu sei, também não gostaria, mas… Ela fala nisso o tempo todo. Sempre que conversamos é a mesma coisa, ela diz que quer ter um filho, que só isso pode curar toda a dor da perda.

_ Eu preciso conversar com ela, mais uma vez. Esse bebê que Donna está esperando com certeza a afetou muito.

_ Afetou sim, e minha irmã é louca de continuar com você depois de tudo isso, mas é uma decisão dela, que eu nunca vou compreender, mas tenho que aceitar.

_ Eu agradeço pelo tempo que está dedicando a ela nas minhas ausências, mas peço que se organize, pois em breve, não tarda muitos dias, e eu vou poder ficar sozinho com ela.

_ Isso quer dizer que vou ter que sair daqui...

_ Sim, eu nunca vou poder agradecer tudo que fez, mas está na hora de você voltar a sua vida. Você é um jovem, e ficar cuidando de Maddie é minha responsabilidade; você precisa se levantar desse sofá, reabrir sua escola de natação, arrumar um namorado e… Esquecer Frank.

_ Ei! Eu… Não estou mal por causa dele, eu…

_ Scott, não seja fingido comigo, você pergunta dele todos os dias, e agora mais ainda porque sabe que eu falo com ele.

_ Eu fiquei preocupado depois de tudo que vi, o atentado, as coisas que ele passou chocaram todo mundo; e a propósito, falou com ele hoje? Como ele está?

_ Pela milésima vez, ele está bem. Muito bem, e em breve vai se casar com meu filho.

_ Eles vão… Se casar?_ ele me perguntou parecendo triste, perdido.

_ Sim, eles vão. E pare de sofrer por uma coisa que já acabou há tempos.

_ É que… Meu relacionamento com Frank terminou de um jeito horrível. Eu fiz uma coisa horrível.

_ Você fez uma coisa?_ perguntei sorrindo fracamente _ Eu fiz várias, mas de que importa isso agora? Já está feito, tudo que fizemos já foi, e o que temos em comum é que ambos temos que seguir em frente, sem cometer os mesmos erros.

_ Gostaria de pedir perdão para Frank um dia, pelas coisas que fiz.

_ Seja lá o que fez, acredite, Frank nem pensa mais nisso. E seja lá que espécie de relacionamento foi esse que tiveram, não se culpe tanto pelo término, pois com ou sem os seus erros, isso estava destinado a acabar.

_ Você acha?

_ Eu tenho certeza. Mais dia, menos dia, Frank voltaria com Gerard, como voltou. O relacionamento deles apesar de complicado, confuso, e cheio de idas e vindas, é algo único na vida dos dois, e apesar dos pesares eles vão se casar, estão muito decididos sobre isso.

_ Eu fico feliz por eles então._ ele disse cabisbaixo.

_ E eu também. O que aqueles dois tem é algo que talvez ninguém compreenda, nem eles mesmos, mas todos sabemos que é forte.

_ Eu sei que sim.

_ Então pare de se lamuriar, e me dê só mais uns dias para resolver umas coisas, e depois, quero que saia desta casa, que volte para a sua vida.

_ Vou fazer melhor do que antes, nos meus futuros relacionamentos vou ser alguém melhor.

_ Assim que se fala._ eu disse e fiquei pensativo _ Meu Deus, quem diria? Acho que virei conselheiro de drama gay.

_ Não é um conselheiro ruim._ disse Scott rindo voltando ao desenho enquanto eu me levantei do sofá.

_ Ha ha._ ironizei e segui para o meu quarto.

Assim que abri a porta, aquele clima de tristeza me ocorreu, como acontecia todos os dias, sem parar.

Ver ela deitada naquela cama, quase sempre dopada, infeliz, era a razão de minha infelicidade.

Foi assim que percebi o quanto a amava, ao me dar conta que a infelicidade dela, era a minha também.

_ Don..._ ela disse como sempre, eu não fazia ideia, mas por mais que eu entrasse em silêncio, ela sempre despertava quando em minha presença, abria os olhos tristes de todos os dias e me observava.

_ Eu estou aqui, Maddie._ falei deixando minha pasta em cima da cômoda e me sentei ao lado dela na cama, logo a abraçando.

_ Que bom que chegou._ ela disse _ Como está seu filho? Como estão todos?

_ Ele está bem, estão todos bem._ falei _ Mas e você?

_ Na mesma._ ela falou cabisbaixa _ Queria ter podido estar ao seu lado quando precisou de mim.

_ Se você está nessa situação é por minha culpa, então não tem que se desculpar por nada. O único errado aqui sou eu.

_ Donna esteve com você? Você viu ela?

_ Não, ela está fora da cidade como te falei, lembra?_ perguntei e ela assentiu _ Donna ainda não sabe de tudo que aconteceu.

_ Você me contou… Pediu que o tal noivo dela a tirasse da cidade para protegê-la, ela e o bebê.

_ Maddie…

_ Donna naquela idade vai conseguir ter um filho; mesmo sem esperar ou querer, ela vai conseguir, vai realizar o meu sonho.

_ Eu sinto muito pelo que eu fiz._ falei aquilo, pois já havia pedido perdão mil vezes, e ainda me sentia a pior pessoa do mundo.

_ Naquele dia, quando me disse que ia até a sua antiga casa, pedir o divórcio, eu quis acreditar, por mais que soubesse no fundo que… Isso dificilmente aconteceria, você não admitia, mas era apegado demais a ela, e… Foram pra cama, só pode ter sido naquele dia, não tem outra explicação para essa criança.

_ Foi naquele dia, Maddie. E eu sinto muito. Eu não devia ter feito tudo aquilo com você, com Donna; estava sendo infiel com as duas, a culpa é toda minha, eu… Estava louco.

_ Estava mesmo._ ela falou e me olhou triste _ Antes, eu sabia que era a sua amante, sabia que eu era a mais errada na história, mas depois que eu engravidei e você veio viver comigo, eu acreditei em você, acreditei que não sentia mais nada por ela, e que era só meu.

_ Eu estava só com você, mas confesso que fiquei louco quando me vi entre a cruz e a espada. Donna de um lado, você do outro. Um divórcio iminente, um filho pra nascer, eu… Surtei. Sabia que perderia Donna, mas no fim das contas não queria perdê-la.

_ Admiro sua franqueza agora._ ela disse secando uma lágrima que rolou _ Espero que continue.

_ Eu vou, pode me perguntar qualquer coisa. Não vou esconder mais nada, custe o que isso custar.

_ Eu quero saber se ainda a ama._ ela falou aquilo firmemente e eu senti um aperto no peito. O antigo Donald mentiria com toda a facilidade do mundo, mas a essa altura, não era o que eu faria, já não conseguia mais, mesmo sabendo que isso a magoaria mais ainda.

_ Eu ainda a amo._ falei pondo fim nos instantes de puro silêncio e ela caiu no choro, então a abracei forte. Como era difícil ser sincero, como era difícil, eu não fazia ideia antes.

_ Eu sabia, eu sabia…

_ Maddie, eu amo Donna de uma forma diferente; minha relação com ela teve tantos altos e baixos que nem lembro, mas ela foi a mulher da minha vida, minha primeira paixão quando era um adolescente, a mãe dos meus filhos, ela esteve ao meu lado em todos os momentos, mas… Minha vida com ela estava longe de ser um conto de fadas. Nós éramos incoerentes juntos, nos fazíamos infelizes mesmo sem querer; enquanto ela me sufocava eu a negligenciava, e isso nos afastou muito.

_ Por que está me dizendo isso tudo agora?

_ Porque dizer que eu amo ela não diminui o amor que eu sinto por você. _ falei _ Eu errei muito com todos, fiz as mulheres mais incríveis que eu conheci sofrerem, e não sabe o quanto isso me dói.

_ Então você ainda me ama?

_ Mas é claro. Eu te amo mais do que tudo._ falei e ela sorriu no meu abraço _ Não posso apagar tudo que vivi com Donna, e nem a gratidão que sinto por tudo que ela me proporcionou, mas meus sentimentos por ela nesse momento não são mais os de antes, eu a amo como alguém muito especial, não como a mulher com quem divido a minha vida, porque essa é você. É com você que eu estou, e eu digo isso todos os dias, eu estou aqui.

_ Mas eu não te faço mais feliz como antes, não sou mais bonita, interessante, nem me lembro mais como eu era quando a única coisa que nos unia era um caso, nossas noites de alegria, diversão… Eu achei que teríamos uma família quando engravidei, mas então perdemos nosso filho e... Tudo desapareceu._ ela disse chorando.

_ Nosso Ryan se foi, mas não foi a nossa culpa, não foi sua culpa.

_ De qualquer forma Donna vai ter mais um filho, e eu continuo aqui, sem meu bebê.

_ Se eu pudesse voltar no tempo nunca teria feito aquilo com Donna.

_ Se essa criança está a caminho é porque tem que nascer, e se nós perdemos o nosso filho foi porque fizemos tudo errado. Deus nos castigou._ ela falou chorando e eu a abracei.

_ Você precisa parar de acreditar nessas bobagens, o que aconteceu com nosso filho não teve nada a ver com nossos erros, foi uma tragédia.

_ Foi mesmo. Ele era lindo… E eu não tenho nenhuma foto dele._ ela falou e eu engoli o seco _ Don, você ouviu o que meu médico disse no outro dia, que vou poder ter mais filhos.

_ No futuro nós pensamos nisso.

_ Eu quero ter esse filho agora._ ela disse trêmula _ Nós temos um quarto pronto, e podemos usar as roupinhas, as fraldas do Ryan. Eu tenho certeza que dessa vez eu consigo, eu vou ser mãe._ ela completou chorando e eu segurei as mãos dela.

_ Maddie, tudo bem que seu médico disse isso, mas você precisa de mais tempo, nós precisamos de mais tempo. Você é muito jovem ainda, vai ter tempo para ter filhos no futuro.

_ Eu quero um filho seu, e quero logo! Nunca vou esquecer Ryan, mas acho que só um bebê para me trazer a felicidade que eu perdi._ ela disse enquanto eu secava seu rosto _ Você está nessa calma porque já tem dois filhos perto de você, um a caminho, e um fora do país._ ela disse, pois eu já havia contado a ela sobre James, o filho que tive e descobri há pouco tempo _ Mas e eu? Eu quero ter uma família também, com você.

_ Nós vamos ter._ falei seriamente e ela assentiu _ Eu te prometo que vamos conseguir ter esse filho que tanto quer, um dia. Mas antes de começarmos um tratamento, e tudo isso, eu quero que receba aqui um médico que possa te ajudar.

_ Que tipo de médico, Don?

_ Um psiquiatra.

_ Eu não sou louca, Don. Eu não sou.

_ Eu sei que não é, mas nós precisamos de ajuda para lidar com a nossa perda, e você mais do que eu; você gerou nosso filho e foi a que mais sofreu com isso tudo. _ falei _ Conversei hoje cedo com Gerard por telefone, falei de você pra ele, e ele me recomendou um médico que ele tem muita confiança; Gerard mesmo disse que caso ele e Frank não tivessem recorrido a esse profissional, nunca teriam melhorado, e muito possivelmente não estariam juntos e felizes agora.

_ Bem, se ele diz… Sabe que gosto muito do seu filho.

_ Sei que sim._ falei sorrindo _ E Gerard me disse mais, ele falou que no grupo de terapia que frequentava, soube que a terapeuta tratava de vários casos, soube até que tinha grupos de mães que haviam enfrentado perdas como a nossa; você… Não gostaria de ir um dia desses? Eu providencio tudo e sei que vai ajudar.

_ Se você me levar, eu prometo que me esforço e vou. Me lembrar do meu filho é a única coisa que me dá um pouco de alegria.

_ Eu fico feliz em ouvir isso, sei que vai te fazer bem._ falei.

_ Eu farei isso por você, por nós. Quero me levantar dessa cama e ser a mesma mulher de antes, embora eu saiba que será muito difícil alcançar isso.

_ Eu vou te ajudar com tudo._ falei sorrindo _ Já pensou em voltar a pintar? Lembra que você adorava aquelas aulas de pintura quando estava na escola?

_ Me lembro._ ela disse sorrindo fracamente _ Eu nunca mais havia pensado nisso, mas devo admitir que preciso me ocupar, e talvez essa seja uma boa escolha.

_ Será._ eu disse e peguei meu celular no bolso _ Eu vou fazer uma lista de compras, e você me diz tudo que precisa para voltar a pintar.

_ Tudo bem._ ela disse sorrindo e então começou a me dizer os materiais que costumava usar.

Eu sorri animado ao vê-la daquele jeito.

Há tanto tempo que não a via sorrindo, e nem com uma perspectiva, mas eu estava decidido a unir forças com ela, para atravessarmos aquele momento.

-S2-

No dia seguinte.

Ao saber que Maddie estava um pouco mais disposta, e que com a minha ajuda e a do irmão havia levantado aquela manhã e começado a pintar com os materiais que eu havia comprado pra ela, fiquei muito feliz; e ela mesma me incentivou a ir fazer algo para resolver-me com meu filho Mikey, então era isso que eu faria.

Fui ao meu escritório, enfrentei algumas reuniões da gestão, e depois dirigi até Jersey, mas não fui a casa de Mikey, pois segundo Gerard ele não estaria lá, e sim na loja que por fim tive a oportunidade de conhecer.

Cheguei lá, e logo que me apresentei para o jovem vendedor ele sorriu, e pediu que eu o acompanhasse até o escritório de Mikey; certamente o jovem devia achar que eu tinha uma relação boa, ou pelo menos normal de pai e filho com Mikey, coisa que não acontecia.

Ele me anunciou a Mikey, e eu logo entrei na sala, ficando a sós e frente a frente com meu filho.

_ Que surpresa, filho. Esse lugar é incrível, melhor do que eu esperava, parabéns._ falei me referindo a loja e ele tirou os óculos se levantando e vindo até mim.

_ Que surpresa por quê? Eu construí tudo aqui, por acaso achou que eu não tinha competência?

_ Não, eu…

_ Não diga nada, sei bem o que pensa a meu respeito, e só recebi o senhor para não ser descortês, mas peço que saia. Não quero ter que chamar meus seguranças e que todos saibam o tipo de relação que tenho com meu pai.

_ Que isso, Mikey?_ perguntei chocado _ Eu vim aqui conversar com você, só isso.

_ Eu sei que o senhor e Gerard já estão agindo como os melhores amigos, mas comigo não é bem assim. Você não fez ele perder as duas mulheres, fez isso comigo, e isso não posso perdoar, tampouco esquecer.

_ Eu já me desculpei, filho, sinto muito pelo que fiz.

_ Eu sei, mas seus sentimentos não vão trazer elas de volta, nem elas, nem meu filho que está crescendo longe de mim por sua culpa.

_ Seu filho ainda é muito pequeno, e você vai ter todo tempo do mundo com ele. Eu vou consertar tudo.

_ Então boa sorte para o senhor, porque eu já tentei de tudo e elas não querem nem me ver._ disse Mikey.

_ Filho, eu…

_ Saia da minha sala, por favor._ disse Mikey mantendo a porta aberta para que eu saísse.

_ Mikey…

_ Saia, vá conversar com Gerard, o seu favorito, e me deixa em paz!

_ Para de besteira, Mikey..._ eu ia dizendo até que ele me empurrou para fora da sala e bateu a porta com força _ Eu vou consertar tudo, garoto! Você vai ver!_ gritei parado ali em frente a porta até que…

_ Senhor Way, o que está fazendo aqui?_ perguntou Frank, e eu me virei e vi ele.

_ Eu… Vim falar com Mikey.

_ E as coisas não foram muito bem, suponho.

_ Não… Deu tudo errado._ falei cabisbaixo.

_ Eu posso ajudar com algo?

_ Acho que não, só eu posso e devo fazer alguma coisa.

_ E o que o senhor pretende fazer?

_ Não faço ideia, mas eu tenho que pensar logo.

_ Eu estava indo pegar um café, tomar um ar, por que o senhor não vem comigo? Podemos pensar em algo juntos.

_ Tudo bem._ falei e fui com ele até uma pequena cafeteria que funcionava dentro da loja, nós fizemos nossos pedidos e fomos até uma das mesas; eu me sentei e ele se colocou à minha frente _ Esse lugar é mesmo muito acolhedor, eu estava dizendo a Mikey o quanto gostei.

_ Aqui é um lugar muito especial mesmo, Mikey fez tudo. Até a ideia da cafeteria que foi recentemente inaugurada aqui dentro foi dele, e está fazendo o maior sucesso.

_ Bom saber._ falei _ Mas me diz, o que você faz aqui?

_ Eu cuido do estúdio, dos assuntos da gravadora, e de algumas partes chatas, como finanças._ ele disse e eu ri.

_ Eu sei como é, na minha empresa de construção acontece a mesma coisa, se eu pudesse e fosse mais jovem, é claro, voltaria aos projetos, é a parte mais incrível do trabalho, mas agora só me restaram papéis e mais papéis.

_ Mas eu tenho certeza de que o senhor realizou muitas coisas.

_ Sim, fiz tudo que eu queria, e ainda mais, só que para isso, passei tempo longe demais de casa, da minha esposa, e dos meus filhos. Não cometa esse erro, Frank. Família sempre em primeiro lugar.

_ É o que Gerard diz, e nós estamos nos organizando para que nessa nova fase de nossa vida, nós tenhamos bastante tempo para nós dois, e para as crianças.

_ Fazem bem._ falei _ E como vão os preparativos para o casamento?

_ Vão bem, nós sabemos que ainda é cedo. Há poucos dias passamos por tudo aquilo, e foi muito difícil, mas já estamos procurando informações juntos sobre tudo que precisamos para nos casar, e são tantas coisas, tantos detalhes; vai demorar até acertarmos tudo.

_ Vocês vão conseguir, eu sei que vão.

_ E o senhor, vai se casar oficialmente com Maddie?

_ Nós ainda não falamos sobre isso, mas acredito que sim, nós vamos.

_ Acho que o senhor deve pedir a ela. Deve ser isso que ela está esperando.

_ Não havia pensado nisso antes, nessa formalidade, nós já vivemos juntos, então ela é minha esposa.

_ Sim, mas talvez ela se importe, o senhor deve conhecê-la bem o suficiente pra saber.

_ Sim, ela se importa.

_ E como ela está? Gerard comentou algo comigo sobre ela estar muito deprimida pela perda do bebê.

_ Ela está muito triste sim, não só por isso, mas principalmente.

_ Acredito que a gravidez de Donna tenha a afetado também.

_ Sim, foi isso mesmo. Depois de tudo que passou, a gravidez de Donna a deixou pior do que estava.

_ Eu imagino, coitadinha._ Frank disse _ Se eu e Gerard pudermos fazer algo, uma visita talvez.

_ Isso, acho que ela gostaria de se arrumar um pouco, receber pessoas; ela gostou de Gerard, vai gostar de você com certeza.

_ Eu espero que possamos ajudar, não posso imaginar a dor que vocês passaram. O que aconteceu com o filho de vocês foi uma tristeza.

_ Foi mesmo muito doloroso, mas estamos tentando nos manter firmes, eu estou tentando na verdade, e ajudá-la.

_ O senhor é muito forte, me lembra o jeito de ser de Gerard._ ele disse e eu sorri _ Tomara que vocês dois atravessem esse primeiro momento que é com certeza o mais difícil.

_ Nós vamos.

_ Ah, e antes que eu me esqueça, devo dizer que Donna já voltou do campo, e antes que pergunte, está muito bem, ela e o bebê.

_ Que bom, eu preciso vê-la. Talvez amanhã eu faça uma visita.

_ Faça isso, e verá como ela está linda, a barriga está crescendo sem parar.

_ Eu quero muito vê-la._ falei _ Nunca quis ter filhos, e mesmo assim acabei tendo vários, e sinto que ainda vou ter mais.

_ Pois é, em breve três filhos, já é um bom número.

_ Na verdade com esse bebê que está a caminho serão quatro.

_ Como assim? Eu não entendi._ ele falou deixando a xícara de café de lado.

_ É que recentemente eu descobri que tenho um filho, ele é bem mais jovem que Gerard e Mikey e está vivendo fora do país, já formou até uma família lá, e eu tenho uma neta que também não conheço.

_ Meu Deus, senhor Way! Eu não fazia ideia, quem mais sabe disso?

_ Somente Maddie, e você agora.

_ E… Como ele se chama?

_ Ele se chama James, e eu mal posso esperar para conhecê-lo.

_ Por que ainda não o conhece, então?

_ A mãe dele exigiu que eu me reconciliasse com meus filhos antes de conhecer James. Reencontrei ela há pouco tempo, eu a contei tudo que estava passando e ela me garantiu que vai me apresentar ao meu filho, mas só quando eu consertar tudo; eu já fiz as pazes com Gerard, só falta Mikey.

_ O senhor vai conseguir, Mikey te ama muito, mas ele tem muita mágoa. Às vezes parece um menino rejeitado, e não um homem crescido.

_ Eu sei, há pouco ele me disse algo sobre Gerard ser o favorito, e eu não o culpo, eu mesmo o fiz enxergar as coisas assim. Errei com ele.

_ Então agora o senhor precisa mostrar que mudou, que não pensa do mesmo jeito, e que ama os dois igualmente.

_ Eu preciso descobrir um jeito de uni-lo as mulheres que tanto ama, só isso fará ele me ouvir, mas nem sei por onde começar.

_ O senhor pode fazer uma visita, e ver o que elas precisam, o que querem dele.

_ Acha que elas me receberiam?

_ Acho que sim, vale a pena tentar.

_ Sabe onde elas estão morando?

_ Eu não, mas Gerard sabe, ele já foi lá algumas vezes, e posso conseguir o endereço com ele.

_ Por favor, Frank. Eu preciso ir lá agora mesmo, pois só depois que recuperar Mikey, eu vou poder contar a ele e a Gerard sobre James. Quero contar a Donna e depois para os dois, porque se eu contar pra Gerard primeiro, Mikey vai ficar com ciúmes.

_ Vai mesmo, pode apostar._ ele disse mexendo no celular e eu terminei de beber meu café enquanto ele certamente falava com Gerard; e pouco depois me disse _ Aqui, é esse o endereço._ ele me mostrou e eu assenti.

_ Nem preciso anotar, sei onde fica o prédio.

_ Mas fica com o meu número, qualquer coisa que precisar, me liga._ disse ele me entregando um cartão e eu assenti.

_ Não vou tomar mais o seu tempo, sei que é muito ocupado.

_ Eu sempre tenho um tempo para o pai do meu futuro marido._ ele disse eu sorri _ Boa sorte, senhor Way. Seja confiante e vai dar tudo certo.

_ Torça por mim. Até mais, Frank.

_ Até mais._ ele disse seguindo até sua sala certamente, enquanto eu me levantei e saí rapidamente da loja e fui até meu carro.

Sem pensar duas vezes dirigi até o prédio que não ficava longe dali, e quando cheguei lá, estacionei meu carro e mostrei um de meus cartões ao porteiro.

Ele permitiu que eu entrasse sem me anunciar, porque aquele era um dos muitos prédios naquela cidade que a minha empresa havia construído, sorte a minha, porque pude ir até o andar desejado e bater a porta.

_ Quem é?_ ouvi Alicia perguntar.

_ Sou eu, Donald Way, pai do Mikey._ falei e poucos segundos depois elas abriram a porta.

_ Senhor Way..._ disse Alicia me abraçando e depois veio Kristin me abraçar; melhor recepção do que eu esperava na verdade.

_ O que o senhor faz aqui?_ perguntou Kristin.

_ Eu vim visitar vocês e ver meu neto, posso?

_ Claro, por favor, entre._ disse Alicia e eu entrei no pequeno apartamento.

_ Como vocês estão se virando aqui?

_ Mais ou menos, ainda tem muita coisa pra arrumar, mas com o tempo nos ajeitamos._ disse Kristin.

_ Entendo._ falei.

_ O senhor quer um café ou um suco?_ perguntou Alicia.

_ Não obrigado, acabei de tomar café._ falei _ Só estou ansioso para ver meu neto.

_ Vou buscá-lo._ disse Kristin.

_ Venha, senhor Way, fique a vontade._ disse Alicia tirando os brinquedos do sofá para que eu sentasse _ Não repara a bagunça.

_ Está tudo bem._ falei e me sentei no sofá ao que ela se sentou no da frente _ Você parece cansada, menina. Tem trabalhado muito?

_ Sim, eu que estou cuidando de todas as despesas no momento, então tenho trabalhado muito, foi uma sorte o senhor ter me encontrado hoje em casa, me liberaram mais cedo depois de dois plantões seguidos.

_ Pra que isso, menina? Meu filho Mikey tem dinheiro, e eu também tenho, é só dizer quanto precisa._ falei pegando a minha carteira.

_ Não senhor, nós não queremos nada. Gerard já nos ajudou em outro momento, nós compramos muitas das coisas aqui com o dinheiro dele, mas já foi ajuda o bastante.

_ E Mikey?

_ Ele ofereceu dinheiro, mas nós não quisemos aceitar.

_ Posso saber por quê? Ele tem obrigação de manter o filho dele, é o mínimo.

_ Nós sabemos, mas… Não queremos nada dele.

_ E pretendem se manter afastadas dele, presas nesse apartamento para sempre? Um dia Thomas vai crescer e querer saber dele.

_ Nós sabemos, e isso tudo nos perturba muito, mas… Ainda estamos muito magoadas._ Alicia disse cabisbaixa e eu assenti, então Kristin voltou a sala com o pequeno em seu colo.

_ Diz oi para o vovô._ ela falou e colocou o pequeno no meu colo.

Eu sorri emocionado; ele estava enorme, lindo, com os olhos verdes brilhando, os dentinhos nascendo, um enorme sorriso. Meu coração parecia que ia explodir quando abracei ele junto a mim; pensei nos meus filhos, mas principalmente em Ryan.

_ Thomas… Como você cresceu._ eu disse sentando ele no meu colo _ Eu sou seu vovô Donald.

_ Vovô..._ ele disse com as mãozinhas gorduchas tocando o meu rosto, e eu não conseguia parar de sorrir.

Então pensei no meu filho que estava pra nascer, e que eu não teria a felicidade de poder ver crescer.

_ Senhor Way, está tudo bem?_ perguntou Alicia ao tirar o bebê do meu colo.

_ Sim, estou._ falei voltando a mim.

Alicia se sentou com Thomas em seu colo e Kristin se sentou ao lado dela.

_ Mais uma vez eu agradeço por terem me recebido, e ofereço ajuda em nome da minha família e do meu filho.

_ Nós agradecemos mais uma vez, senhor Way._ disse Alicia _ Mas é melhor não.

_ Meninas, não sejam tão teimosas, vocês duas se perdoaram depois de todas aquelas revelações que eu fiz, por que não perdoam meu filho também?

_ Acontece que das poucas vezes que falamos com ele desde o ocorrido, ele não foi sincero._ disse Kristin.

_ Como sempre, ele veio com desculpas e mais desculpas, ao invés de assumir os sentimentos.

_ Mas se ele fizesse isso, vocês seriam capazes de perdoá-lo?_ perguntei e elas se entreolharam em silêncio _ Vocês ainda o amam?

Então as duas começaram a chorar, e Thomas passou a olhá-las seriamente como se entendesse tudo.

_ Sim, nós o amamos._ disse Alicia.

_ Foi muito difícil deixar a nossa casa, deixar ele, mas Mikey nos desapontou muito; ele mentiu e fez coisas erradas._ falou Kristin.

_ Mas ele está arrependido e mudou.

_ Nós precisamos saber disso dele, saber que podemos ter confiança de novo._ disse Kristin.

_ Não queremos mais desculpas esfarrapadas, queremos a verdade._ disse Alicia e eu tive uma ideia naquele instante, sabia o que elas queriam, agora só precisava fazer a ponte entre elas e Mikey.

_ Pois então eu vou conversar com meu filho._ falei me levantando e elas fizeram o mesmo.

_ Ele está falando com o senhor?_ perguntou Kristin.
_ Não, mas vai falar.

_ Senhor Way, não se incomode tentando fazer algo por nós._ disse Alicia.

_ Eu não farei nada, meu filho que vai fazer tudo._ eu disse sorrindo e abracei as duas rapidamente já parado em frente a porta. Então deixei um beijo na cabecinha de Thom que sorriu _ Cuide bem delas, Thomas.

_ O senhor já vai?_ perguntou Kristin.

_ Sim, eu tenho um dia cheio hoje, passar bem._ falei e elas acenaram assim como meu pequeno neto.

As duas ficaram lá sem entender nada, e eu fui depressa até o elevador; depois corri até meu carro, liguei-o, e segui de volta pra loja.

Eu tive uma ideia, e precisaria da ajuda de Frank.

Mas quando cheguei em frente a loja, vi ele saindo do local.

Olhei em meu relógio de pulso e percebi que devia ser o horário de almoço dele.

_ Frank!_ o chamei antes que ele entrasse em seu carro e fosse embora.

_ Senhor Way, o senhor aqui de novo?

_ Sim, sei que é seu horário de almoço, mas você precisa me ajudar.

_ Você visitou elas?

_ Sim, e já sei do que precisam._ falei _ Eu pago um almoço pra você.

_ Está bem, só preciso ligar para Gerard e avisar a ele que não vou poder almoçar em casa hoje.

_ Deixa que eu ligo pra ele, você vai na frente e se certifique de que Mikey não me veja entrando. Ele ainda está aí, não está?

_ Sim, ele sempre almoça sozinho na sala dele, o coitado não tem com quem almoçar.

_ Por enquanto._ falei e coloquei o meu celular no ouvido, já aguardando que Gerard atendesse.

_ Me espera aqui._ disse Frank assentindo e foi até os outros corredores, certamente se certificando de que Mikey estava mesmo na sala dele.

Enquanto isso Gerard me atendeu.

_ Alô, pai.

_ Sim, filho. Sou eu, liguei para avisar que Frank vai almoçar comigo hoje, por isso não vai poder ir pra casa.

_ Com você? Por quê?

_ Ele está me ajudando com umas coisas, depois te explico tudo.

_ Poxa pai, para de perturbar o Frank. Minha mãe fez um almoço delicioso, e esperávamos que ele viesse comer conosco.

_ Para de fazer drama, garoto! Eu sei que sua mãe faz almoços deliciosos todos os dias, e que você almoça e janta com Frank todos os dias também.

_ Isso é verdade.

_ Pois então, só estou pedindo um pouquinho da companhia dele hoje, e é por uma boa causa.

_ Tudo bem…_ ele disse a contragosto.

_ Não seja tão ciumento, e vá se ocupar dando atenção às crianças e a sua mãe. Sei que tem muito a fazer.

_ Tenho mesmo, cuide bem de Frank.

_ Pode deixar. Tchau, filho.

_ Tchau, pai._ ele disse e eu desliguei guardando meu celular em meu bolso.

_ Senhor Way, pode vir._ falou Frank que havia voltado, então eu segui atrás dele até a enorme sala.

_ Esse é seu escritório?

_ É sim, gostou?

_ É bom, mas eu tenho certeza de que posso ajudar a ficar melhor.

_ Fique a vontade, eu não entendo nada de construção mesmo._ disse Frank_ Sente-se.

Eu o fiz e falei:

_ Vou fazer os pedidos para nosso almoço logo, assim teremos tempo para o que vamos fazer.

_ Está bem, mas o que vamos fazer?

_ Você já vai saber._ eu falei e então fiz a ligação, pedi o que Frank queria para o nosso almoço, então desliguei meu celular e olhei pra ele.

_ Agora me conte, já estou ansioso.

_ Vou começar do começo, eu fui até lá como sabe; fui muito bem recebido pelas duas, e vi meu neto.

_ E como estão?

_ Estão bem, Thomas está enorme, e lindo.

_ Sei que sim._ ele disse sorrindo _ Mas e então?

_ Conversa vai, conversa vem, elas acabaram revelando que ainda amam Mikey, e que são capazes de perdoá-lo.

_ Isso é bom, é maravilhoso, mas então?

_ Então disseram que não querem mais saber de desculpas, querem que ele seja totalmente sincero.

_ Então elas querem que ele assuma de uma vez por todas o que todo mundo sabe, que ele ama as duas.

_ Sim, Frank. Exatamente. Conhecemos Mikey, e ele dificilmente faria isso sem uma ajudinha.

_ Tudo bem, mas acha que elas vão aceitar ficar com ele… Desse jeito?

_ A essa altura da minha vida, não duvido de mais nada, só sei que preciso tomar providências e agora mesmo.

_ E que providências seriam essas?

_ Eu pensei em escrever uma carta para elas, sabe, como se fosse de Mikey. Nessa carta teria basicamente o coração dele aberto.

_ E um pedido de jantar, vai por mim, isso funciona. Acabei de reatar um casal com essa tática._ disse Frank.

_ Parece boa ideia. Uma carta com todos esses sentimentos ali, expostos, sem nenhum tipo de vergonha, e um pedido de uma chance, para que ele possa se redimir pessoalmente.

_ É isso, perfeito, mas... Como faremos Mikey escrever tudo isso sem ele saber?

_ É porque ele não vai escrever, Frank. Eu conheço meu filho, ele surtaria e não conseguiria fazer nada.

_ Então como faremos, senhor Way?

_ É aí que você entra, Frank. Você vai escrever a carta.

_ Eu?

_ Sim, você mesmo. Você conhece bem mais sobre palavras bonitas e sentimentos do que eu.

_ Mas e como vou fazer a letra dele? Tenho certeza de que elas conhecem de cor.

_ Você pode pegar algum papel que tenha a assinatura dele por aqui, e copiar.

_ Mas isso não é crime?

_ Claro que não, Frank. É por uma boa causa, e além do mais, quem ia nos denunciar, ele?

_ Se desse certo, ele agradeceria.

_ E vai dar.

_ Eu não sei, senhor Way...

_ Você precisa me ajudar, Frank. Nem sei por onde começar uma coisa dessas, tenho certeza de que sabe. Por favor…

_ Tudo bem, eu ajudo o senhor. Vou ver se acho algo com a assinatura dele aqui._ disse Frank se dando por vencido e eu sorri enquanto ele procurava.

_ Obrigado, Frank. Nós vamos conseguir fazer isso, e vai ser hoje.

_ Tomara._ ele disse sorrindo e continuou revirando as gavetas.

_ O que foi?

_ Eu não tenho nada com a assinatura dele aqui. Esses papéis ficam com ele, hoje dei uma olhada em uns relatórios, mas já os devolvi.

_ Então vá lá buscar, precisamos disso para copiar.

_ Eu vou lá, espero que ele não desconfie de nada.

_ Vai dar tudo certo._ falei e Frank se apressou saindo da sala, e logo foi a de Mikey que ficava bem próxima a dele.

Eu me levantei não contendo a ansiedade e fui bem devagar até lá, mas parei atrás da porta que ficou entreaberta.

_ Mikey, desculpe entrar desse jeito, mas eu preciso daqueles relatórios de hoje cedo._ ouvi Frank dizer.

_ Por quê?

_ Preciso dar uma olhada em umas coisas que… Havia esquecido.

_ E o que é? Não confia mais em mim?

_ É claro que eu confio, mas na pressa de ir pra casa, acabei esquecendo de passar muita coisa para o meu computador, nem vou poder ir pra casa almoçar, tenho que consertar o que fiz.

_ Tudo bem, aqui estão._ ouvi Mikey dizer e respirei aliviado.

_ Obrigado, eu… Posso demorar um pouco, se importa?

_ Não, sem problema._ disse Mikey.

_ Então até mais, Mikey.

_ Até mais._ ele disse e Frank logo saiu da sala fechando a porta e dando de cara comigo.

_ Que susto, senhor Way!

_ Shhh! Mikey não pode sonhar que eu estou aqui, lembra?_ falei e peguei a papelada das mãos dele _ Deixa eu te ajudar com isso.

_ Obrigado._ disse Frank e voltamos a sala dele, logo ele fechou a porta e eu fui me sentar onde estava antes.

Olhei os papéis em minhas mãos e sorri.

_ Era disso que precisávamos.

_ Vamos escrever primeiro, depois eu tento fazer a letra dele._ disse Frank e eu assenti _ Mas acha que elas vão acreditar que logo Mikey, que é sempre tão discreto e atrapalhado com as palavras ia fazer tudo isso?

_ Eu não sei, mas espero que sim. É a nossa única chance.

_ Então enquanto nosso almoço não chega, vamos começar, ainda temos que entregar isso, é melhor não demorarmos.

_ Frank, eu não tenho palavras pra te agradecer. Depois de tudo que eu fiz…

_ Senhor Way, para com isso. O senhor já não é mais aquela pessoa de antes, e eu não esqueci o que fez por mim quando quase fui preso.

_ Não fiz mais que a minha obrigação, é pra isso que serve a família.

_ Então, vamos ajudar Mikey. Ele merece ter a família dele de volta.

_ Sim, e ele terá._ falei sorrindo e então começamos nossa tarefa.

Era mesmo uma missão quase impossível.

Pouco tempo, muita a fazer.

E a parte mais difícil segundo Frank, não foi “fazer a letra de Mikey”, foi na verdade escrever aquela carta e deixar de um jeito parecido com ele, como se ele a tivesse escrito.

Nada dramático demais, com poucas palavras, mas que dissesse tudo.

Enfim, depois de muitas tentativas e nossos almoços devorados enquanto pensávamos e Frank passava aquilo tudo a limpo, estava pronta.

_ Finalmente, senhor Way._ ele disse e eu sorri olhando a carta.

_ A letra está idêntica, Frank.

_ E o senhor conseguiu ajudar muito na escolha das palavras, quem diria._ ele disse e eu ri.

_ Vamos ver como ficou._ falei e então comecei a ler em voz alta _ Ali, Kris, sou eu, Mikey. Como sabem, não sou bom com palavras, nunca fui, e muito por isso estamos todos afastados agora. Mas tentarei ser breve, e colocarei meu coração aqui com toda sinceridade; peço que me perdoem pela abordagem, a recorri, pois já não via mais saídas. Antes de mais nada, devo começar pelo óbvio, que sinto falta de vocês três, Alicia, Kristin, e Thom. Sinto falta de vocês duas ao meu lado, e do nosso filho trazendo alegria a esta casa; aqui nunca mais foi o mesmo lugar desde que se foram, e eu nunca mais fui feliz; não sem vocês, aqui sozinho, nesse lugar cercado de lembranças. Essa é a nossa casa, o lugar de vocês. Essa é a nossa família, eu, Ali, Kris e nosso pequeno Thomas. Eu não tenho mais vergonha de quem somos, e nem de dizer que amo as duas igualmente, que quero viver com as duas e ter uma família que apesar de diferente, vai ser muito feliz. Só preciso de uma chance para mostrar isso, para mostrar o quando cresci longe de vocês, e o quanto seremos felizes juntos. Eu sei que tudo pode parecer confuso, compreendo isso, mas tenho muito mais a dizer, então peço que se vocês ainda me amam, venham até a nossa casa hoje a noite, estarei esperando vocês três com um belo jantar, e um pedido de desculpas pessoalmente. Precisamos conversar, e eu preciso dizer que amo vocês, frente a frente, pela primeira vez.

Até hoje a noite.

Com amor.

Mikey.

_ O que o senhor achou?_ me perguntou Frank.

_ Ficou perfeita, se melhorar estraga.

_ Não acha que fomos ousados demais? E se elas não gostarem…

_ Frank, eu estive com elas, eu senti que era isso que elas queriam, acredite, elas vão gostar.

_ Então vamos nos apressar, temos que entregar isso.

_ Vamos._ falei, saímos da sala dele, e logo em seguida da loja.

Fomos para o carro de Frank, e ele quem dirigiu logo parando do outro lado da rua do prédio delas.

_ Como vamos entregar?_ perguntei em voz alta _ O porteiro me conhece, se eu fizer isso elas podem desconfiar; e você o mesmo.

_ Dá uma olhada._ Frank falou apontando para um garotinho que estava vendendo flores na rua. Nós nos entreolhamos e sorrimos.

_ Ei, garoto!_ eu o chamei e ele veio correndo.

_ Quer uma flor, tio?

_ Quero duas, e um favor._ falei colocando umas notas na mão dele que se espantou.

_ Tudo isso?!

_ Sim, agora preste atenção no que vai ter que fazer._ eu disse entregando a carta a ele que assentiu.

_ Pode dizer.

_ Você vai até o porteiro daquele prédio, e vai dizer que tem uma encomenda para as senhoras Alicia e Kristin do trezentos e um, e que elas duas tem que receber isso juntas.

_ Entendi.

_ Então repete o que eu disse.

_ Tenho uma encomenda para as senhoras Alicia e Kristin do trezentos e um, e que elas duas tem que receber isso juntas.

_ Perfeito._ falei sorrindo _ Você faz a entrega e não diz quem mandou, deixe a carta, as duas rosas lá e saia correndo.

_ Está bem, tio. Pode deixar.

_ Agora vai, eu tenho pressa! Se mexe, garoto! _ falei e o menino saiu correndo e foi até a entrada do prédio.

Eu e Frank sorrimos e ficamos ansiosos aguardando o que se seguiria.

_ Vai dar tudo certo, senhor Way._ falou Frank.

_ Sim, vai dar._ falei sorrindo; de longe observamos o menino fazer a entrega e trocar umas palavras com o porteiro, que pareceu confuso, até porque logo depois o garoto saiu correndo.

Em seguida vimos o porteiro entrar em sua cabine e telefonar para as duas certamente.

Minutos depois, Alicia e Kristin com o Thom no colo, aparecem confusas, e recebem as flores e a carta.

As duas olham em volta, mas eu e Frank estávamos longe de suas vistas, e a essa altura protegidos pelo vidro escuro do carro.

_ É agora, elas vão ler._ disse Frank e até eu que estava otimista fiquei nervoso.

As duas leram a carta ali mesmo na entrada do prédio e ficaram muito sérias enquanto o faziam.

Eu e Frank nos entreolhamos seriamente, com medo de que elas não tivessem gostado, ou que tivessem desconfiado de algo, mas por fim, algo nos surpreendeu.

Alicia pareceu ter terminado a leitura, então as duas se entreolharam sorrindo, e se abraçaram forte.

Elas pareciam tagarelar algo, e até mesmo Thomas sorria como se entendesse tudo.

_ Deu certo, senhor Way! Deu certo!_ comemorou Frank e nos abraçamos animados.

_ Graças a você, Frank. Muito obrigado!

_ Não me agradeça tanto, o senhor que teve a iniciativa e toda a ideia.

_ Mas para todos os efeitos, Mikey quem fez tudo.

_ E precisamos preparar a casa dele para um belo jantar._ disse Frank ligando o carro.

_ E avisá-lo de seu compromisso para hoje.

_ Ele vai levar um baita susto.

_ Vai sim, mas acha que vai querer falar comigo?

_ No momento certo. Vamos… Surpreendê-lo._ Frank disse e eu não entendi nada.

_ Como assim?

_ Isso mesmo que o senhor ouviu._ ele disse voltando a loja _ Nós poderíamos contar tudo pra ele agora, ou deixar para contá-lo bem na hora, quando ele chegar na própria casa, ver tudo arrumado, e todos começarem a chegar._ Frank disse e eu ri.

_ Frank, você é um gênio! Essa ideia é com certeza bem melhor._ falei sorrindo _ Pode deixar que eu vou pra casa dele e apronto tudo.

_ Eu ligo para um decorador que conheço para ir lá te ajudar, e depois o senhor cuida de encomendar a comida.

_ Tudo bem, deixa comigo.

_ Eu vou voltar ao trabalho, mas o senhor depois vai me contar como foi tudo, não esqueça de conversar tudo que tem para conversar com Mikey.

_ Pode acreditar, eu vou te contar com detalhes.

_ Esperarei por isso._ ele disse sorrindo _ Ah, e quando estiver tudo pronto me avise, só então deixarei Mikey sair daqui e ir pra casa.

_ Mais uma vez obrigado, Frank.

_ De nada, senhor Way. Boa sorte com a conversa, vai dar tudo certo._ ele disse e nos abraçamos assim que ele parou o carro em frente a loja _ Mantenha contato.

_ Pode deixar, até mais!_ falei saindo do carro dele e indo para o meu ao que ele acenava em frente a enorme loja.

_ Até mais!_ disse Frank e eu logo entrei em meu carro e dirigi até a casa de Mikey.

Estava empolgado, parte do meu plano já havia dado certo, agora só faltava conversar com meu filho e ver tudo dando certo para ele, finalmente.

-S2-

Horas depois…

Eu acho que me empolguei um pouquinho demais.

Passei o restante do dia, até o anoitecer na casa de meu filho, com os empregados dele e aquele decorador que Frank havia mandado para me ajudar.

E ele ajudou bastante, nós dois compramos muitos enfeites, deixamos a casa impecável, parecia mais um restaurante de luxo no dia dos namorados; tudo ficou impressionante.

Decoração vermelha, pois segundo o decorador, tinha tudo a ver, e eu não duvidei.

Rosas, muitas rosas, corações, velas, taças de vidro, bebidas.

O jantar, este havia acabado de chegar, eu já havia ligado para Frank e pedido que fizesse Mikey vir para casa dele o quanto antes.

_ Senhor Way, está tudo pronto. Acho que elas vão chegar a qualquer momento._ disse a empregada de meu filho.

Foi ela que me recebeu mais cedo, e que me deixou entrar sem hesitar.

Era uma das antigas empregadas de Donna, nos conhecíamos há anos, sem contar que só de saber o que eu estava aprontando, ela quis ajudar.

_ Pode ir descansar, eu recebo a todos. Mais uma vez, muito obrigado.

_ Disponha senhor Way, espero que dê tudo certo e que todos voltem pra cá.

_ Vamos torcer._ eu disse sorrindo e ela se foi para seus aposentos.

Enfim havia chegado a hora.

Estava tudo na mais perfeita ordem.

Apenas eu na casa naquele momento, havia dispensado o decorador, e os empregados.

Mikey precisava da casa apenas para si naquela noite, quanto mais privacidade para todos, melhor.

Eu estava extremamente ansioso, esperava que Mikey chegasse logo, para que eu pudesse fazer a surpresa, conversar com ele, e prepará-lo para o que estava por vir, mas não achei que as meninas viriam tão cedo.

Pois elas vieram.

Olhei pela janela da casa, e vi elas chegando em um táxi.

Vieram as duas muito bem arrumadas, e com o Thom igualmente impecável.

Naquele instante eu fiquei nervoso de verdade.

Mandei uma mensagem desesperada para Frank:

“Elas acabaram de chegar. Onde está Mikey?!”

“ Ele saiu há um tempo, já deve estar chegando. Distrai elas enquanto isso.”

“Eu vou tentar.”

“Fica calmo, e boa sorte.”_ enviou Frank por fim, e eu tive que guardar meu celular porque ouvi a campainha da casa tocar.

Engoli o seco e fui abrir a porta.

_ Alicia, Kristin, vocês estão lindas!_ eu falei abraçando elas.

_ Obrigada, senhor Way._ disse Alicia.

_ Que surpresa ver o senhor aqui._ disse Kristin.

_ Eu sei que parece um pouco estranho, mas eu passei aqui para conversar com meu filho, e ao saber o que ele estava aprontando, eu decidi ficar para receber vocês, e para ver meu neto._ falei pegando Thom no colo, ele que sorria para mim como se me conhecesse há tempos.

_ Mas o senhor viu ele hoje mesmo.

_ Mas eu já estava cheio de saudades._ falei, e sim, essa parte não era mentira, eu gostaria de passar muito mais tempo com o pequeno _ Por favor, entrem.

Elas o fizeram e olharam tudo em volta meio nostálgicas e surpresas.

_ Uau, achei que a casa estaria um desastre sem nós._ disse Kristin.

_ Até que Mikey se virou bem, está tudo limpo, lindo, e que decoração maravilhosa._ disse Alicia olhando tudo em volta.

_ Isso não acaba aqui, a melhor parte é a sala de jantar, eu já dei uma olhada e está linda.  Vocês podem ir lá ver._ falei.

_ Nós vamos._ disse Kristin _ Deve ter dado um trabalho enorme preparar tudo isso.

_ Deve ter levado horas._ completou Alicia.

_ Com certeza levou, mas vocês merecem._ eu disse.

_ Obrigado senhor Way, mas onde está Mikey?_ perguntou Kristin

_ Ele está… Terminando de se arrumar, no quarto dele. Podem esperar um pouco?

_ Não tem problema, depois do dia de trabalho, e de toda essa arrumação, suponho que ele deva estar exausto._ falou Alicia.

_ Então podemos esperar um pouquinho até ele terminar de se aprontar._ disse Kristin.

_ Se é assim, podem ir ver como está a casa, eu fico com Thomas enquanto isso.

_ Então está bem. _ falou Alicia.

_ Não demoramos._ disse Kristin e elas saíram da sala.

Olhei para Thom que estava abraçado a mim e disse:
_ Agora estou com medo de dar tudo errado, se seu pai demorar demais, elas vão descobrir tudo.

_ Vovô..._ ele disse tocando o meu rosto e eu sorri.

Então fui até a janela e fiquei olhando a rua com Thom.

Torcendo para que Mikey chegasse em poucos minutos, a todo tempo eu olhava em meu relógio de pulso, olhava para o corredor com medo de elas aparecerem e estranharem a demora de Mikey, depois olhava a rua de novo… Até que o carro dele parou na garagem da casa e eu olhei para Thom e nós sorrimos um para o outro.

_ Papai..._ disse Thomas apontando e eu sorri mais ainda o abraçando.

_ Sim, Thom. É seu pai._ eu disse e fui para o centro da sala, esperando por Mikey, que assim que abriu a porta, sorriu emocionado e veio correndo até o pequeno.

_ Thom… Filho._ ele disse trazendo-o para seu colo, e chorou em meio ao sorriso enquanto o pequeno o abraçava com a mesma intensidade. Ele certamente sentiu muita falta do pai, e agora eu não fazia mais do que a minha obrigação em reuní-los. Me arrependia muito por não ter considerado nada, por não ter pensado duas vezes antes de separar aquela família, pois mesmo Mikey errando, era problema dele, não meu. E quem era eu pra falar? Sempre menti até demais, mas hipocrisia nunca foi meu forte _ Finalmente posso te ver. Senti tanto a sua falta, filho..._ disse Mikey sorrindo assim como Thom.

_ Papai..._ o pequeno falou e Mikey o abraçou mais ainda; só momentos depois daquela forte emoção ele me olhou firmemente nos olhos.

_ O que está fazendo aqui... Com meu filho?

_ Filho, eu que fiz tudo isso acontecer._ eu disse ajeitando o cabelo dele.

_ O que está fazendo? Do que está falando?

_ Você precisa parecer arrumado, e não temos muito tempo, só precisa saber que..._ eu ia completar, mas não deu tempo, tarde demais.

_ Meu amor…

_ Meu amor…

Disseram elas, uma após a outra ao entrarem na sala e virem direto abraçar Mikey.

_ Alicia, Kristin… Vocês vieram?_ ele perguntou olhando para elas duas ali, bem à sua frente.

Mikey sorria pasmo, e eu devia estar com a mesma cara, pois fiz um bom trabalho afinal.

_ Claro que sim._ disse Alicia.

_ Nós recebemos a sua carta._ falou Kristin.

_ A minha carta?

_ Sim, recebemos a sua carta e entendemos tudo._ falou Alicia.

_ Nós já te perdoamos há muito tempo, Mikey. Só precisávamos saber o que nos provou hoje._ disse Kristin.

_ E o que eu provei?_ ele perguntou e eu olhei pra ele quase surtando, pois ele ainda não havia tido a sagacidade de notar o que estava acontecendo.

_ Que você as ama, filho! É o que estava me dizendo, não é mesmo?_ eu perguntei o incentivando e só então ele se tocou e sorriu.

Eu peguei Thom depressa do colo dele e Mikey pode abraçar as duas de uma vez só.

_ Sim, eu amo vocês duas._ ele disse e depois olhou para elas sorrindo, as duas já estavam chorando e eu quase estava chorando também _ Nunca achei que conseguiria dizer isso, nunca pensei que aceitariam, eu sempre fui tão covarde, mas agora… Eu vejo que não posso mais fugir da verdade, eu amo vocês, e espero que me aceitem.

_ Claro que sim, Mikey. Nós só queríamos a sua honestidade, e já tivemos tempo o suficiente para assimilar seus sentimentos a nosso respeito._ disse Alicia.

_ Essa acabou por ser a nossa família, e não podemos perder isso por nada no mundo._ disse Kristin.

_ Pensem o que pensarem, vamos continuar juntos, todos nós._ ele disse abraçando as duas e sorriu olhando para Thom por um momento _ Nunca mais se afastem de mim.

_ Não nos afastaremos._ disse Alicia.

_ Não mesmo._ completou Kristin.

_ Você é mesmo um homem de sorte, filho. Duas moças tão lindas, que amam tanto você..._ falei e elas riram ao que ele me olhou então.

_ Pai!

_ Senhor Way, muito obrigado por ter segurado Thom, mas acho que ele vai gostar de dar uma voltinha na casa._ disse Kristin pegando o bebê de meu colo.

_ E voltar ao antigo quarto._ disse Alicia.

_ Vamos levá-lo até lá, e depois vamos jantar._ disse Kristin, e Mikey sorriu olhando pasmo para as duas que seguiram pelo corredor e logo sumiram de nossas vistas.

_ Pai, meu Deus… O que você fez? Como… Conseguiu tudo isso?

_ Eu fiz isso tudo, mas com a ajuda de Frank, sem ele nada teria acontecido.

_ Devo me lembrar de agradecê-lo depois, agora sei porque ele estava me apressando feito um louco para que eu voltasse pra casa._ falou Mikey sorrindo.

_ Pois é.

_ Pai… Você conseguiu, conseguiu trazer elas de volta pra casa, pra mim… Obrigado._ ele disse e eu sorri o abraçando forte.

_ Não sabe há quanto tempo sinto falta de estar assim, perto de você, filho.

_ Acho que o senhor nunca me deu um abraço desses na vida.

_ Mikey, me perdoe. Eu sei que fui o pior pai do mundo com você; se eu já não fui grande coisa com Gerard, imagine com você… Filho, eu sinto muito. Depois que perdi seu irmãozinho Ryan, e depois de perceber todas as burradas que fiz, eu mudei tanto… E sei que palavras não vão fazer você me amar, me respeitar do dia pra noite, mas se me dê uma oportunidade, se deixar que eu me aproxime aos poucos, eu provarei pra você o quanto mudei, e o quanto te amo.

_ Pai… Eu também te amo._ ele disse me olhando com os olhos marejados _ Não faz ideia, mas… É por isso que eu tenho esperado a minha vida toda, um abraço seu, um olhar, um eu te amo… Você sempre foi tão próximo de Gerard, e distante de mim, me sentia tão diferente de vocês, tão deslocado, tão indigno, mas agora, ao ver que depois de tudo você ainda gosta de mim, eu… Nem sei o que pensar.

_ Eu não gosto de você, eu te amo. Sempre te amei muito, filho, mas era burro demais pra me expressar, pra te trazer para o meu lado como deveria ter sido desde o princípio. Muito do que deu errado na sua vida foi minha culpa, essa sua insegurança, esse medo desmedido e essa comparação que sempre fazia com seu irmão, era por minha causa, era o que eu fiz a vida toda, e o que te levei a fazer.

_ Mas tudo isso já passou, eu aprendi muito com a vida, e o senhor também.

_ Você me perdoa, filho?

_ Sim, claro que sim._ ele disse me abraçando novamente.

_ Então vai mesmo me dar uma chance? Para estar perto de você e da sua família?

_ Dou quantas chances quiser, graças ao senhor eu tenho a minha família de volta. Você os trouxe até aqui, e me ajudou a dizer o que eu sentia… Nunca vou esquecer.

_ Então tenha coragem, filho. E não abaixe a cabeça pra ninguém. Muitos vão estranhar a sua família, mas você não pode fazê-lo, você tem que ser o primeiro a saber que a sua família é perfeita, perfeita pra você.

_ Nunca achei que diria isso, mas… Você é o melhor pai do mundo._ ele disse sorrindo e eu sorri também.

_ E você é o melhor filho. Eu tenho os melhores filhos do mundo; completamente diferentes, mas incríveis, cada um do seu jeito.

_ Então não acha mais que Gerard é melhor…

_ Nem termina de dizer isso, Mikey. Eu era um louco, um completo louco, então é melhor esquecer tudo que eu dizia antes._ falei e ele sorriu mais _ Nenhum dos meus filhos é melhor que o outro, eu sei que todos são diferentes, mas eu os amo igualmente.

_ O senhor disse isso de um jeito…

_ Que jeito?

_ Todos, falou como se tivesse mais filhos._ ele disse e riu _ Para de brincadeira pai.

_ Isso aí é outra história, e amanhã eu te conto.

_ Que?

_ Mikey! Mikey..._ chamaram as meninas no outro cômodo.

_ Você as ouviu, é melhor ir até lá._ eu disse o abraçando rapidamente _ Eu vou embora para não atrapalhar mais ainda, deixe um abraço para elas e para Thomas.

_ Tudo bem._ ele disse e ao que eu estava abrindo a porta da casa, ele me chamou _ Pai..._ eu me virei e olhei para ele mais uma vez _ Obrigado.

Com apenas um sorriso nos despedimos, e eu saí daquela casa aliviado, com a certeza de que as coisas estavam finalmente se encaixando.

Por fim, tudo estaria em seu lugar.

-S2-

No dia seguinte…

Acordei ansioso por tudo que viria.

Estava feliz por ver que Maddie havia levantado mais uma vez da cama, e que continuava a pintura que começara no dia anterior.

Tomei café da manhã com ela, no jardim da casa, pela primeira vez fora do quarto em tempos, e depois nos despedimos; a deixei na companhia do irmão e fui para a minha empresa.

Fiz tudo que tinha que fazer, avaliei contratos, participei de reuniões importantes e informei meus funcionários de minha futura ausência; seriam alguns dias apenas para me dedicar a Maddie, eu devia isso a ela, então deixei cada um no escritório com suas respectivas incumbências e saí de minha empresa, já no final da tarde.

Dirigi até a casa de Gerard.

Fui lá para ver todos eles, mas principalmente para falar com Donna, teria uma longa conversa com ela. Precisava fazer aquilo.

Assim que saí de meu carro e toquei a campainha da mansão Iero Way, uma jovem de cabelo rosa me recebeu.

_ Senhor Way!_ ela disse despreocupada e me abraçou como se fossemos velhos amigos.

_ Alex?

_ Sim, sou eu mesma! Pode entrar!_ ela disse animada e eu o fiz.

_ Obrigado por ter feito tudo que pedi no dia do atentado, se não fosse a sua ajuda, essa casa teria virado de pernas para o ar.

_ O senhor quase me deixou louca com tantas ordens, mas eu fiz o que pude. Não fossem os direcionamentos do senhor, eu teria surtado.

_ Imagino que sim._ eu disse sorrindo e logo sorri mais ainda ao ver quem vinham correndo.

_ Vovô! Vovô!_ disseram as crianças ao que me abraçaram fortemente.

_ Eu já estava com saudades de vocês._ falei sorrindo e olhei os cachorros enormes que latiam a minha volta.

_ Nós também estávamos com saudades, vovô!_ disse Miles.

_ Gostou dos nossos cachorros?_ perguntou Lily.

_ Sim, eles são lindos. Vocês que cuidam deles?

_ Nós ajudamos._ falou a pequena Li sorrindo.

_ E como você está, vovô?_ perguntou a linda e carinhosa Cherry.

_ Eu estou bem, querida. Obrigado. E vocês? Como estão?

_ Nós estamos todos bem..._ disse Ban olhando como se procurasse algo _ Mas… O senhor trouxe algo pra mim?

_ Eu não trouxe, Ban. Como fui me esquecer? Prometo que da próxima vez trarei doces._ falei e ela sorriu assim como os demais.

_ Bandit Lee Way, o que eu já falei sobre pedir coisas?!_ perguntou Gerard entrando na sala bravo.

_ Desculpe, papai._ disse Ban olhando-o com cara de sapeca.

_ Eu posso saber o que os cachorros estão fazendo aqui?!

_ Nós estávamos brincando lá fora com eles, e nos seguiram quando viemos correndo ver o vovô._ disse Li.

_ Vocês sabem que não podem deixá-los entrar, pra isso que tem um quintal enorme._ disse Gerard olhando o chão com desgosto _ Que bagunça fizeram, daqui a pouco o Frank chega e vai encontrar tudo revirado!

_ Nós podemos..._ ia dizer Miles.

_ Já pra fora! Voltem a brincar no jardim, eu vou chamar alguém pra me ajudar a limpar tudo isso depressa._ ele disse e no outro instante os pequenos já tinham saído correndo.

_ Saindo de fininho pra não ter que limpar a bagunça..._ disse Alex saindo da sala e eu ri trazendo Gerard para um abraço.

_ Oi, pai.

_ Oi, filho._ eu disse e olhei-o.

_ Desculpe o mau jeito.

_ Está tudo bem, só não fique com essa cara emburrada por uma bobagem dessas, crianças são assim mesmo.

_ Eu sei bem como as crianças são. Todos os dias aqui com esses quatro têm me ensinado muito.

_ Eu já vi isso antes, nem sei quantas vezes você e Mikey deixaram sua mãe louca trazendo um monte de sujeira para dentro de casa._ falei e ele sorriu.

_ Nem me fale, coitada da mamãe.

_ Por falar nela, eu vim aqui vê-la. Ela está?

_ Ela está sim, no momento está no estúdio de Frank tocando piano, ela adora passar o tempo livre lá, e sei que Frank não se incomodará que conversem lá, é um lugar mais silencioso, no entanto eu vou perguntar a minha mãe se ela quer recebê-lo antes.

_ Tudo bem, faça isso, filho. Preciso muito falar com ela.

_ Imagino que sim._ ele disse e sorriu _ Mas antes disso devo dizer que estou muito feliz pela ajuda que deu a Mikey, Frank me contou tudo.

_ Eu falei com ele hoje cedo e como prometido, dei detalhes de tudo que houve; e pra falar a verdade, não podia ter sido melhor.

_ Ainda bem que as coisas estão entrando nos trilhos.

_ Sim, e vai melhorar cada vez mais.

_ Assim espero._ disse Gerard _ O senhor quer comer ou beber algo enquanto espera que eu chame minha mãe?

_ Não, obrigado. Eu espero aqui, filho.

_ Pode se sentar enquanto isso, fique a vontade._ ele disse; eu me sentei no sofá e esperei uns poucos minutos até que ele voltasse.

_ E então?

_ Ela irá recebê-lo. Me acompanhe._ disse Gerard e eu o fiz, mas antes de entrar ele me olhou e completou _ Pai… Por favor, meça as palavras com ela. Mamãe está bem, mas…

_ Eu sei, ela não pode ficar nervosa. Vou tentar de todo o jeito não alterá-la, filho, por mais que o que eu tenha pra dizer não seja algo fácil.

_ É algo grave?

_ Você já vai saber. Por favor, peça a Mikey que venha para cá, pois depois de falar com a mãe de vocês, pretendo ter uma conversa com os dois.

_ Está bem, eu vou ligar pra ele agora mesmo. Agora vai lá falar com a mamãe.

Assenti e entrei no estúdio logo fechando a porta e me vendo a sós com Donna.

Me aproximei dizendo:

_ Agradeço por me receber.

Ela assentiu e então finalmente a vi de frente, me sentei ao lado dela no sofá e sorri emocionado.

_ Você está linda, Donna.

_ Que surpresa, em nenhuma das vezes que fiquei grávida você me fez tal elogio.

_ Eu devia estar cego, porque você está maravilhosa. Sua barriga está crescendo tão depressa._ falei e ela sorriu.

_ Pois é, esse bebê aqui dentro é muito forte, eu sei.

_ Sim, ele é._ falei convicto _ Mas me conte: como foi a sua estadia no campo?

_ Foi tudo maravilhoso.

_ Jared te tratou bem?

_ Sim, muito bem._ ela disse me olhando então _ Você está tão estranho, Donald.

_ Estranho como?

_ Não parece mais bravo, ou cheio de ciúmes… Se fosse antes você teria entrado aqui gritando e me levaria a força pra casa. Nunca aceitaria eu estando grávida de um filho seu, ficando sob os cuidados de outro homem.

_ Mas o que passou, passou, Donna. E você não faz ideia do quanto eu mudei.

_ Acho que faço, e é por isso que te recebi aqui hoje._ ela disse me surpreendendo _ Soube o que fez por Mikey, soube que fez as pazes com Gerard, com Frank… Graças a Deus, Don. Eu já havia perdido as esperanças sobre você, mas finalmente tem tomado as atitudes corretas._ ela disse chorando e eu segurei as mãos dela.

_ Sim, e eu não quero mais me afastar de todos vocês, não quero mais ter aquela relação distante e autoritária com a minha própria família, eu quero fazer parte.

_ Você faz, inevitavelmente você sempre fará, a diferença é que agora todos o amam, e o respeitam muito.

_ Eu não fazia ideia até pouco tempo, mas família é algo bem mais importante e valioso do que eu julgava ser; quando perdi todos, eu perdi minhas referências, perdi meu chão, e me vi sem rumo. Descobri que minha vida não faz sentido longe de todos que amo._ falei e toquei a barriga dela _ Sei que não devo pedir algo assim, mas… Gostaria muito que ficasse. Não quero que meu filho cresça fora do país, tão longe de mim.

_ Don… Eu sinto muito, mas agora mais do que nunca, eu sei que eu vou.

_ Por que está tão certa disso?

_ Depois daquela viagem ao campo, me dei conta de tantas coisas. Ter aquela privacidade, aquela calma e tempo apenas ao lado de Jared, me fez acalmar o coração e ter um vislumbre do que será nossa vida no futuro.

_ Será uma vida boa?

_ Sim, será muito boa. Ele é muito carinhoso comigo, é gentil, tem o coração bom, não se importa com o meu passado, com o fato de eu ser divorciada, mãe de filhos adultos e… Grávida. Ele só quer estar comigo, do jeito que eu sou, e mais nada. Não preciso fazer nada para agradá-lo, nada além de ser eu mesma. E tudo é recíproco._ ela disse e eu assenti, pois sabia que era verdade. Quando o liguei no dia que tudo aconteceu, ele não hesitou um segundo sequer para mover céus e terras no intuito de protegê-la.

_ Eu… Também estou certo de que ele é um bom homem.

_ Por quê?

_ Eu só… Sei._ falei tentando me manter calmo _ E fico feliz que estejam juntos, principalmente por saber que está com alguém que a merece, alguém digno de você, por fim.

_ Sim… E já que estamos sendo sinceros aqui, devo confessar que antes dessa viagem, por mais que eu negasse, ainda sentia a sua falta.

_ A minha falta?_ perguntei surpreso e ela assentiu.

_ Eu tinha até vergonha de dizer em voz alta, mas me acostumei tanto em ser dependente de você, que quando te vi finalmente, oficialmente distante, eu… Me perdi.

_ Também senti a sua falta, muita… Você não faz ideia._ eu disse a abraçando, então sem perceber umas lágrimas rolaram por meu rosto.

_ Don… Por que está chorando?_ ela perguntou e eu me contive lembrando de todo horror que passei sozinho; sem ela, saber do que estava acontecendo com Gerard, e eu ali naquele hospital depois do atentado… Foi a única vez de todas que quase perdemos nosso filho, que ela não esteve ao meu lado _ Don… Diz alguma coisa. Está desse jeito pelo seu filhinho que se foi? Pelo… Ryan?

_ Por tudo, Donna. Por tudo..._ falei lembrando daquele pesadelo que enfrentei, perder meu filho e lidar com aquilo tudo completamente sozinho _ Você fez muita falta.

_ Eu nem consigo imaginar tudo que passou, Don. Eu sinto muito..._ ela disse e me olhou _ As vezes penso em ir falar com Maddie, vê-la, saber como ela está, mas com essa barriga eu fico sem jeito.

_ Não me surpreendo ao ver a sua bondade, que teria coragem de ir visitá-la depois de tudo que te fizemos, mas é melhor mesmo que isso não aconteça.

_ Creio que a minha gravidez a tenha afetado.

_ Demais. Eu contei a ela e… Ela ficou pior do que estava.

_ Coitadinha…

_ Ela tem passado por maus bocados, mas a sua maneira tem sido muito forte. E eu tenho tentado animá-la de todo jeito, agora mesmo tirarei umas férias e vou me dedicar cem por cento a ela.

_ Faça isso, Don, e sem hesitar. Se essa moça ainda continuou com você mesmo sabendo de tudo, ela de uma forma que eu nem posso questionar, te ama.

_ E eu amo ela, tivemos que passar por tudo isso para eu saber, para eu sentir com tamanha força que esse sentimento não pode e nem vai sair de mim.

_ Eu sei, dá pra ver nos seus olhos. Eu também tive que passar por maus bocados para ver que meu amor por Jared é bem maior que o que eu supunha, não que isso mude, ou apague o amor que vivemos juntos, mas que seja uma nova chance para todos nós.

_ Assim será, eu sei._ falei e ela sorriu.

_ Espero que no futuro vocês tenham um filho lindo, e que possa cuidar dele, Don, encontrar essa paternidade que pouco a pouco, com cada um de seus filhos você tem a aprender.

_ Eu também quero muito que isso aconteça._ falei e logo fiquei sério _ Mas por falar em filhos, lembro-me porquê vim aqui falar com você.

_ Veio falar algo sobre os meninos?

_ Na verdade vim te contar algo, não é sobre Gerard e Michael, é… Um outro assunto, algo que descobri recentemente e que me sinto na obrigação de contá-la, mas peço que tenha calma.

_ Donald, me conte, depois de tudo que houve, eu aguento._ ela disse, eu assenti e engoli o seco, pronto para revelar o que jamais pensei que revelaria.

_ Donna, antes eu peço perdão por isso que fiz no passado, eu errei com você, errei demais...

_ Você me traiu._ ela disse e eu assenti _ Donald, por mais que eu não tivesse provas, eu sempre soube das suas escapadas, das suas farras, e por incrível que pareça, eu achava normal, pensava que era isso que os homens faziam, eu… Estava errada.

_ Sim, mas o que tenho pra te contar hoje não tem a ver com as minhas escapadas, apenas tem a ver com um caso específico que tive, um caso de alguns meses com uma secretária.

_ Como ela se chama?

_ Bandit, você não a conheceu.

_ Não mesmo, não sou de me esquecer.

_ Eu sei, naquela época, Mikey era pequeno e você passava todo o tempo com ele; eu e Gerard saíamos às vezes, e muitas dessas foram na companhia dela.

_ Você levava nosso filho para ver você saindo com amantes?!

_ Sinto muito, sinto muito!_ falei e ela respirou fundo _ Acontece Donna, que eu e essa mulher tivemos um caso.

_ Isso eu já entendi.

_ Durou apenas alguns meses, depois eu terminei tudo com ela; ela se demitiu, e se saiu da minha vida.

_ Então por que falar dela agora?

_ Porque como eu disse, ela não foi uma coisa qualquer, ela chegou na minha vida quando nós enfrentávamos uma crise daquelas, e eu me apaixonei… Acabei não medindo consequências e iludindo uma jovem cheia de sonhos.

_ Medir consequências nunca foi o seu forte.

_ Eu sei, e foi tudo minha culpa, ela só foi mais uma vítima nessa história. Eu a fiz promessas, cheguei até mesmo a pensar em me divorciar de você e ir viver com ela, e Gerard.

_ Pretendia levar o meu filho para morar com sua amante?! Isso nunca!

_ Eu sei que nunca aceitaria, mas cheguei a cogitar essa ideia.

_ E o que o fez ficar?

_ Gerard e aquelas crises, ele teve mais uma bem naquela época, e com você desesperada e ele no hospital, não vi outra opção a não ser terminar tudo com ela, por mais que me doesse. Eu sabia que meu lugar naquele momento, era ao lado de vocês.

_ Você a amava?

_ Sim, e ela me amava também, mas pelo meu jeito de ser, ela se foi para sempre, e eu só a reencontrei recentemente por uma casualidade.

_ E o que ela te contou?_ Donna perguntou como se já soubesse; sim, ela sabia. Eu conhecia Donna, e a sagacidade dela nunca me decepcionava.

_ Ela teve um filho meu naquela época.

_ Não me diga..._ Donna ironizou _ Nem pude imaginar.

_ Donna, eu…

_ Poupe-me as desculpas, Don. Eu já entendi que está arrependido, que sente muito, etc, etc, etc. Agora vá ao que interessa. Onde e como está esse rapaz?

_ Ele está bem, vive fora do país, está morando no Japão com uns parentes da família da mãe, é casado, e tem uma filha que nasceu tem pouco tempo.

_ Isso é muito bom então.

_ É uma história muito louca, acredita que o tio dele, quem vive com ele até hoje e quem o criou é gay?_ falei e ela riu _ Donna! Esperava outra reação de você.

_ Donald, eu te conheço melhor do que você mesmo, e vindo do senhor, nada mais me surpreende. Além do que, nada mais inteligente do destino colocar um gay para criar o seu próprio filho; logo um gay, algo que eu e você até pouco tempo nos recusávamos veementemente a tolerar, quiçá aceitar.

_ De certo que me surpreendi, e volto a me surpreender agora com você._ eu disse sorrindo e ela sorriu da mesma forma.

_ Não vou crucificar você, nem se preocupe em se mostrar arrependido desse jeito, isso já aconteceu há muito tempo, já passou e eu não sou mais a sua esposa. Só me pergunto como Maddie se sentiu sabendo dessa, você contou a ela?

_ Contei sim, e… Ela ficou triste, é claro. Nós acabamos de perder um filho, e eu descobri que sou pai de um rapaz, e que vou ser pai novamente.

_ Essa moça precisa de muito apoio agora, e ajuda.

_ Sim, ela vai começar a terapia essa semana, finalmente aceitou e está reagindo um pouco.

_ Que bom, ela tem que entender que é muito nova, e ainda vai poder se realizar como mãe.

_ Com certeza.

_ Mas depois de tantos filhos você ainda vai querer ser pai novamente? Logo você que nunca quis esse tipo vida.

_ Tem razão, eu nunca quis, mas se aprendi algo na vida, foram com meus filhos. E a essa altura, as minhas prioridades mudaram, e eu gostaria sim de ser pai novamente, no futuro.

_ Então boa sorte pra você, espero que consigam ter um filho em breve._ ela disse e eu sorri _ Mas voltando a falar sobre o rapaz, o que pretende fazer a respeito dele? Vai legitimá-lo, não vai?

_ Certamente que vou, eu mal posso esperar para conhecê-lo, para trazê-lo ao país. Soube que ele é engenheiro, e que luta para conseguir um espaço em outro país, tão longe daqui.

_ Então traga ele logo pra cá, e faça ele trabalhar com você, como sempre quis._ ela disse _ Aposto que o rapaz vai ficar encantado com suas empresas.

_ Só espero que ele me aceite.

_ Ele vai._ ela disse _ Mas deixemos de usar tantos pronomes, como se chama o Way desaparecido?

_ James, ele se chama James.

_ Você vai ter que contar aos meninos sobre o irmão.

_ Acha que eles vão ficar bravos?

_ Que bobagem, Don! Claro que não, eles já são bem crescidos e vão compreender.

_ Mas e você? Não ficou brava comigo?

_ Donald, eu já disse, o que temos agora é uma amizade, meus sentimentos e pretensões mais altas estão sob outra pessoa; e eu não costumo me enganar, você sabe.

_ Eu sei._ falei sorrindo e abracei-a _ Obrigado por compreender, Donna.

_ Não me agradeça, apenas faça o que tem que fazer. Essa moça deve ter tido dificuldades para criar o filho, certamente qualquer ajuda agora é bem vinda.

_ Eu vou ligar para ela hoje mesmo, antes ela não quis nem pensar em me apresentar ao meu filho, quando soube que eu simplesmente não me relacionava bem com nenhum dos meus filhos, impôs como condição para que eu encontrasse James, que eu me reconciliasse com todos, e colocasse tudo em pratos limpos, só depois ela pensaria no encontro.

_ Muito prudente da parte dela, eu faria o mesmo._ ela disse e segurou a minha mão _ Agora pare de se martirizar tanto pelo que foi, e se preocupe mais com o que será, é o que eu tenho feito também.

_ Mais uma vez obrigado._ eu disse e ela sorriu.

_ Tire esse peso das costas e vá falar com os meninos, se sentirá melhor.

_ Com certeza._ falei e toquei a barriga dela _ E você cuide de nosso filho, e me ligue caso precise de qualquer coisa.

_ Fique tranquilo, nós ficaremos bem._ ela disse, eu dei um beijo em seu rosto e me levantei _ Até breve, Don.

_ Até breve, Donna._ eu disse e ela sorriu mais uma vez, então eu saí do belo estúdio e voltei a enorme sala, encontrando lá sentados conversando, Gerard, Frank e Mikey.

_ Senhor Way, vou deixar ter essa conversa a sós com eles._ disse Frank e eu assenti sorrindo.

_ Obrigado, Frank. Por tudo.

Ele apenas sorriu e saiu da sala.

Então eu fui me sentar no sofá entre Gerard e Mikey, e segurei a mão deles.

_ Por acaso Frank sabe de alguma coisa, pai? Conheço ele, e Frank está agoniado desde ontem.

_ Você o conhece bem mesmo. Frank sabe, mas não se preocupem, vocês já vão saber também._ eu disse e eles assentiram.

_ Antes de qualquer coisa, tenho que te agradecer mais uma vez, pai. Por tudo que fez por mim._ falou Mikey.

_ Não me agradeça, filho. Ver você feliz assim basta._ falei _ Mas me conte: as coisas estão bem entre você e elas?

_ Está tudo maravilhoso, eu… Nunca pensei que elas aceitariam esse tipo de relação, mas no fundo, era eu que não aceitava, foi preciso tudo isso para eu abrir meu coração e enxergar que eu não preciso me encaixar em um molde, nem eu, nem minha família.

_ Falou e disse, Mikey._ disse Gerard.

_ Eu não poderia estar mais orgulhoso de vocês dois, da força e coragem que tem. E nem acredito que me aceitaram depois de tanto mal que causei no passado.

_ Isso tudo ficou no passado, pai. _ disse Gerard.

_ E é melhor focarmos no nosso futuro, que será bem melhor._ disse Mikey e eu sorri assentindo.

_ Eu não poderia estar mais feliz._ falei _ Bem... Na verdade eu poderia estar sim, e é por isso que estou aqui, porque falta alguém entre nós.

_ Do que está falando, pai?_ perguntou Gerard _ Está se referindo a meu irmãozinho Ryan que se foi?

_ Não, filho. Ele se foi, quem falta aqui perto de nós, é outro irmão de vocês._ falei e eles se entreolharam seriamente parecendo confusos, então disse logo _ Eu descobri recentemente que tive outro filho, ele é mais novo que vocês e se chama James._ completei e os dois começaram a rir.

_ Para de brincadeira, pai._ disse Gerard.

_ Essa foi boa._ falou Mikey.

_ Parem de rir, vocês dois! Isso é sério, vocês dois tem um irmão mais novo que vive no Japão; que se tudo der certo, em breve virá me conhecer e com sorte se estabelecer aqui na cidade, perto dos irmãos e da família._ falei e eles ficaram sérios então.
_ Ok, pai, então… É sério mesmo? Nós temos um irmão mais novo?_ perguntou Gerard.

_ Sim, vocês tem, eu não brincaria com algo assim.

_ Por que não sabíamos da existência dele até agora? E quem é a mãe dele?_ perguntou Mikey.

_ Bem, a mãe dele teve uma grande decepção comigo no passado, por isso nunca me contou que quando se separou de mim estava grávida. Ela simplesmente criou o nosso filho longe de mim, e se não fosse o destino eu nunca saberia dele._ falei e olhei para Gerard _ Ele é filho de Bandit Lee? Lembra-se dela, filho?

_ Claro que sim, a tia… Eu adorava ela.

_ E ela adorava você. Logo perguntou por você quando a reencontrei.

_ Muito emocionante, mas que é essa?_ perguntou Mikey.

_ Uma antiga secretária do nosso, pai. Eu a conheci e você não, Mikey. Na época você era muito pequeno, certamente nem se lembraria se a tivesse visto._ Gerard disse e Mikey assentiu.

_ Tem certeza de que esse James é seu filho e nosso irmão, pai? Não acha que essa mulher pode estar querendo algo…_ ia falando Mikey.

_ Não, filho. Ela não seria capaz, entendo sua preocupação, mas pense, se quisesse algo de mim, ela teria vindo me procurar há muitos anos, não agora que nosso filho já cresceu e tem até a própria família.

_ Ele tem filhos?

_ Sim, tem uma filha bebê._ falei e eles sorriram _ Eu não esperava a existência desse filho, não fazia ideia, mas saber dele, justo depois que perdi Ryan, me trouxe de volta a esperança. Bandit me disse que eu só poderia encontrar nosso filho quando estivesse de bem com vocês dois, e mesmo longe ele me deu forças e o ímpeto que antes tanto me faltava para me reaproximar de vocês; o que eu julgava ser impossível aconteceu, e aqui estamos.

_ Então agora só falta ele para completar a família._ falou Gerard e eu sorri.

_ Vocês não ficam chateados com isso?

_ De forma alguma, pai. Eu até gosto da ideia de ser o irmão mais velho de alguém. _ disse Mikey e nós rimos.

_ Ele será mais que bem vindo na família Iero Way._ disse Gerard.

_ Eu fico feliz em saber que vocês o aceitam, isso é muito importante pra mim.

_ Se ele é um de nós, tem que vir pra cá._ falou Mikey _ Mas… O senhor já contou tudo isso a mamãe?

_ Sim, acabei de contar.

_ E como ela reagiu?_ perguntou Gerard.

_ Muito bem, eu e Donna temos agora uma relação de amizade que nunca pensamos ter. Ela não é mais minha esposa, então não tem mais as mesmas preocupações de antes; ainda assim, eu me arrependo de minhas traições no passado e de tudo que fiz, mas se esse filho vive, não importa a circunstância que ele nasceu, ele tem que saber que tem um pai, que tem irmãos, sobrinhos e uma família imensa aqui esperando por ele.

_ Isso, pai. Você deve encontrá-lo o quanto antes._ falou Mikey _ E com sorte ele chegará a tempo para o casamento de Gerard.

_ Creio que meu irmão estará presente sim, pois ainda faltam semanas para o casamento. Nós estamos esperando passar o luto para marcar uma data oficial.

_ Compreendo, filho. E acredite, do que depender de mim, o irmão de vocês estará aqui para esse evento tão esperado.

_ Tomara, pai._ falou Mikey _ Você por acaso tem uma foto dele para sabermos como ele é?

_ Não, eu não tenho nada.

_ E não procurou por ele no facebook?_ perguntou Gerard.

_ Eu não faço ideia de como se faz isso, talvez possam me ajudar.

_ Ah se podemos, eu sou ansioso demais para esperar um encontro. Vamos procurar por ele!_ disse Gerard pegando seu celular e Mikey assentiu pegando o dele também.

_ Vocês… Conseguem achar alguém assim?

_ Com sorte conseguimos._ falou Gerard.

_ É muito difícil alguém não ter facebook hoje em dia, ainda mais jovem._ disse Mikey _ Então, pai, nos diga onde ele está morando, de onde veio, tudo que sabe.

Eu assenti e então dei as poucas informações que tinha, e por incrível que pareça, não demoraram cinco minutos pesquisando e Mikey o encontrou.

_ Pai, acha que é esse aqui?
_ Sim… É ele, eu tenho certeza._ falei sorrindo emocionado ao ver James Lee, meu filho na foto de perfil de seu facebook.

_ Ha, achei primeiro!_ se gabou Mikey e Gerard revirou os olhos.

_ Deixem-me ver!_ falou Gerard pegando o celular de minhas mãos e sorriu assim como Mikey _ Ele é parecido com você, pai. É parecido conosco.

_ Menos pelos olhos._ disse Mikey sorrindo e eu comecei a chorar, então eles me abraçaram.

_ Ele é tão bonito, e parece feliz..._ falei e toquei a tela do celular _ Olhem, nessa foto está a família dele, a esposa, a filhinha… Minha neta.

_ Ele tem uma bela família mesmo._ falou Gerard.

_ Pai, não chora, agora sabemos que ele está mesmo bem._ disse Mikey me abraçando assim como o irmão e eu assenti.

_ Eu estou ficando um velho chorão._ falei e eles riram _ Não acredito que não vi James crescer, não acredito que sei tão pouco dele…

_ Em breve teremos ele perto de nós, e poderemos conhecê-lo._ falou Mikey.

_ Ele parece ser uma ótima pessoa._ disse Gerard.

_ Sim, tenho certeza de que ele é.

_ Podemos entrar em contato com ele agora mesmo._ falou Mikey.

_ Podemos, mas é melhor não. É melhor eu respeitar o que a mãe dele disse; é melhor eu ligar pra ela e pedir que ela converse com ele antes.

_ Tem razão, pai._ disse Gerard _ Imagina o susto que ele ia levar se um completo estranho mandasse uma mensagem dizendo que é seu meio irmão desaparecido.

_ Seria loucura._ falou Mikeu rindo _ Por isso vamos esperar, mas resolva isso logo, pai. Porque a partir de agora, vamos ficar todos ansiosos para conhecê-lo.

_ Vocês são os melhores filhos do mundo. Obrigado por terem compreendido e por terem me ajudado a encontrar o perfil dele, agora ao menos sei como ele é.

_ De nada, pai._ falou Mikey me abraçando ao mesmo tempo que Gerard.

_ Nós vamos te ajudar com o que for preciso.

_ Eu agradeço muito, mas agora é melhor eu me apressar e ir, vou ligar para a mãe dele logo, mal posso esperar.

_ Pode esperar sim._ disse Gerard _ Que tal se acalmar um pouco e tomar um café conosco?

_ Frank disse que ia preparar, se eu fosse o senhor aceitava, tudo que ele faz é maravilhoso._ disse Mikey e eu sorri assentindo.

_ Está bem, eu fico, mas não vou demorar. Tenho que fazer a ligação e voltar pra casa para ver Maddie. Não gosto de passar tanto tempo longe dela._ eu disse e nos levantamos do sofá.

_ Quem diria, nosso pai apaixonado._ falou Gerard.

_ Quem diria nosso pai com sentimentos, e chorando!_ falou Mikey e eu resmunguei ao que eles riram.

_ Parem, vocês dois! Vamos logo tomar café, preciso contar a Frank que foi tudo bem._ eu disse me referindo a aceitação de toda a família em relação a James e assim o fiz; assim que nos reunimos no jardim para tomar café juntos, eu contei a Frank que foi tudo bem, e ele como sempre tão gentil, me disse que sempre soube que aquela seria a reação da família.

E que família!

Era tão diferente minha visão no momento; tudo que acreditei a vida inteira agora parecia uma grande ilusão, eu estava me enganando sobre tantas coisas, e agora podia ver tudo claramente.

Ver o quanto meu filho era feliz ao lado de Frank, e o quanto um completava o outro.

O jeito que se olhavam, que cuidavam um do outro, que seguravam as mãos em cada oportunidade… Era realmente impressionante.

Algo nos dias de hoje tão raro, algo tão simples, mas tão difícil de encontrar, e eles encontraram.

A família em volta da mesa, as crianças brincando, correndo pelo jardim atrás dos cachorros; algumas vezes caindo no gramado e deixando Gerard louco, o que me fazia rir.

Ver os pequenos com aqueles animais me deu uma sensação boa, uma sentimento de alegria e eu pensei em alguém que precisava sentir aquilo também.

Maddie.

Ela certamente estava desolada pela perda, pelas descobertas, e nada faria ela esquecer tudo que houve, mas talvez uma companhia, um animalzinho a trouxesse um sorriso, um abraço.

Foi então que decidi; eu levaria um filhote para ela naquele mesmo dia.

E esperava que ela ficasse feliz.

Comentei com Frank sobre minha ideia, então ele me deu o endereço de um abrigo de animais que ele conhecia, e pediu que eu me apressasse, pois caso contrário não encontraria o local aberto já que entardecia.

Assim, não tardou e eu me despedi de Gerard, Frank, das crianças, de Mikey, de Donna e de todos ali que me receberam tão bem.

Aquela casa estava repleta de alegria, de paz, e eu com meu coração da mesma forma por saber que Gerard e Mikey finalmente encontraram o seu caminho.

-S2-

Assim que entrei em meu carro, liguei meu celular e cliquei no número de Bandit, que outrora eu havia salvado.

Liguei para ela e comecei a dirigir, sabia que teria algum tempo até chegar no abrigo de animais que ficava no centro da cidade.

Então aguardei ansioso e por sorte ela logo me atendeu.

_ Alô, Ban…

_ Donald?

_ Sim, sou eu.

_ Que surpresa. Como você está?

_ Eu estou bem, e você?

_ Bem, obrigada._ ela falou _ Eu soube do que aconteceu com Gerard, vi na televisão que ele estava presente quando aconteceu aquele atentado horrível. Fiquei muito preocupada com ele, mas tive medo de ligar e atrapalhar, certamente você teve que tomar muitas providências.

_ Você não ia atrapalhar, eu realmente tive que fazer muita coisa, mas… Você nunca atrapalharia.

_ Como seu filho está?

_ Ele está bem. Acabei de vê-lo, ele está ótimo.

_ Que coisa maravilhosa, eu fico muito feliz.

_ Eu também, nem imagina o quanto.

_ Mas se acabou de vê-lo, é por que fez as pazes com ele?

_ Sim, fiz as pazes com ele, e com Mikey. Nós estamos todos unidos finalmente, e felizes.

_ Isso é verdade, Don?

_ É verdade, eu sei que nunca fui o mais sincero, mas acredite em mim. Pode confirmar com meus filhos que está tudo resolvido entre todos nós.

_ Fico feliz em saber, você deve ter enfrentado dificuldades, mas não desistiu, e mesmo com o pouco tempo conseguiu recuperá-los.

_ Você sabe como eu sou, quando estou obstinado a alguma coisa, eu consigo, e agora que estou de bem com meus filhos, o que mais quero é conhecer James, e trazê-lo para cá.

_ Você já conversou com todos sobre ele?

_ Sim, falei com minha esposa Maddie, com Donna, com meus filhos. A família inteira já sabe._ eu disse e ela ficou em silêncio por uns instantes _ Ban...

_ Don, eu… Não sei o que fazer.

_ Como não sabe? Nós combinamos uma coisa e eu espero que cumpra. Quero conhecer o meu filho.

_ Eu sei, mas… Ele está tão feliz._ ela disse chorando _ E eu não quero que ele fique triste, não quero que ele sofra. James não quer conhecer o pai, tenho medo de ele se negar completamente quando souber que você o procura.

_ Ban, ele não vai sofrer, muito pelo contrário. Aqui ele será muito bem recebido, muito bem acolhido. Eu pretendo me desculpar com ele, e me fazer presente daqui em diante se ele me aceitar, e pouco a pouco vou conquistar o amor e confiança dele. De início pode ser confuso, ele vai ficar surpreso e assustado, mas você o conhece bem, você pode convencê-lo a me dar essa chance. Eu preciso recuperar todo o tempo perdido, preciso recuperar ele.

_ Eu… Vou cumprir o que prometi. Vou fazer o possível para que ele te dê essa oportunidade, finalmente sinto sinceridade de sua parte, e se tem boas intenções para com nosso filho, certamente merece conhecê-lo.

_ Obrigado..._ falei sorrindo emocionado enquanto dirigia.

_ Eu só… Preciso de um tempo.

_ Quanto tempo? Eu estou ansioso, quero conhecê-lo pra ontem.

_ Eu compreendo a sua ansiedade, mas preciso mesmo de um tempo, por favor. Preciso ligar pra ele, e pedir que venha até aqui, tenho que conversar com ele pessoalmente; e como ele trabalha, não sei quando poderá vir.

_ Se quiser eu mando as passagens, e trago a família dele inteira; ele pode ficar na minha casa, ou em um belo hotel, é só ele aceitar, e não precisa se preocupar com nada.

_ Está bem, eu pedirei urgência, mas é melhor esperarmos porque ele sabe que não tenho tanto dinheiro assim para trazê-lo de repente.

_ Entendo.

_ Mas farei o possível para ele vir o quanto antes.

_ Obrigado, Ban. Eu quero fazer tudo por ele, e se ele quiser nem precisará voltar a Tóquio. Ele poderá ficar aqui, trabalhar comigo e…

_ Donald, vamos com calma. Mesmo sendo uma vida simples, ele ama a vida dele lá; o que o faz pensar que ele largará tudo que tem lá para vir trabalhar com você aqui?

_ Eu não sei, mas… Eu quero legitimá-lo, e ele é um pai de família agora; se pensar na família dele, pode aceitar um emprego na minha empresa, sei que terá muito mais a ganhar aqui, sendo um dos donos de uma grande empresa, do que lá.

_ Eu agradeço por estar pretendendo fazer tudo isso por ele.

_ Nada menos do que ele merece, é um direito dele.

_ Antes um dos motivos pelos quais eu não deixei ele saber de você, era justamente a certeza que eu tinha, de que você tentaria escondê-lo de todos, como se fosse menos que os seus outros filhos.

_ Eu não nego, teria feito isso, teria cuidado dele, mas de forma diferente dos meus outros filhos, porém agora sou outro, e não vou escondê-lo de ninguém, muito pelo contrário, ele será tratado da mesma forma que todos os meus filhos, e terá os mesmos direitos, afinal, ele é tão filho quanto os demais.

_ Eu… Estou muito feliz pela sua mudança, pela sua atitude, Don._ ela disse emocionada e eu sorri _ Apenas me dê o tempo que pedi e aguarde minha ligação, pois quando menos esperar, eu te direi que nosso filho está vindo para o país, para conhecê-lo.

_ Estarei esperando, Ban.

_ Então até breve, Don.

_ Até._ eu disse sorrindo e desliguei o celular.

Estava feito, agora só me restava esperar, que mais cedo ou mais tarde, eu finalmente conheceria meu filho.

-S2-

Pouco depois, cheguei ao tal abrigo que ficava no fim da rua que Frank e Mikey trabalhavam.

Eu parei meu carro em frente ao local, e uma garota estava vindo fechar a grande porta.

Então corri até lá.

_ Ei! Já está fechando?

_ Sim, senhor. Veio adotar um animal?

_ Sim, eu vim comprar um.

_ Senhor, isso aqui é um abrigo, não uma loja. E o horário de atendimento já acabou.

_ Ei, menina! É sério, preciso muito de um cachorro.

_ Por que não veio um pouco mais cedo, senhor? Uma adoção não funciona assim, de uma hora pra outra.

_ É só um cão!_ falei indignado e ela me olhou com cara feia meneando a cabeça, então peguei minha carteira.

_ Não senhor, nada disso! Eu não vou aceitar dinheiro, se meu chefe souber, me mata! Sem contar que é muito feio o que está tentando fazer.

_ Tudo bem, eu ia te subornar, mas… Já que não aceita, me diga, eu… Posso fazer alguma coisa por esse lugar?_ perguntei e ela finalmente me olhou parecendo interessada.

_ Nós aceitamos doações, temos até uma caixinha pra isso. É para as rações e despesas dos animais.

_ Pois então, façamos assim. Você me deixa entrar e escolher um filhote, e eu faço uma bela doação para esse lugar, não vai faltar ração por um bom tempo.

_ Tem ideia por acaso de quantos animais temos aqui? O senhor é rico por acaso?

_ Está bom para a senhorita?_ perguntei entregando a ela um cheque que tinha na carteira.

_ Pode entrar, Senhor Way!_ ela disse abrindo a porta com um belo sorriso ao segurar o cheque.

_ Espertinha.

_ Fique sabendo que só estou te recebendo aqui por conta de suas boas intenções, pela doação, e pelo seu enorme desejo de ter um animalzinho._ ela falou; eu assenti já dentro da sala de esperas, e terminei de assinar o cheque para o local.

_ Feliz?_ eu perguntei ao mostrá-la o cheque terminado.

_ Felicíssima, o senhor é o nosso melhor doador, vai ganhar até um quadro na nossa parede.

_ Menos, não precisa de nada disso, só quero um filhote.

_ Tem que ser um filhote?
_ Sim, eu doei muito dinheiro, então espero ter o filhote!_ falei e ela assentiu.

_ Nós não temos muitos filhotes, eles são os primeiros a serem adotados. E depois da feira de adoções que tivemos essa semana, só nos restou um filhotinho.

_ Pois então será esse mesmo, me leve até ele. Quero conhecê-lo.

_ Pode deixar, me acompanhe, senhor Way._ ela disse sorrindo e eu a segui pelos corredores do local _ Antes de qualquer coisa, devo me apresentar. Eu sou Oli, e sou cuidadora aqui.

_ Muito prazer, Oli._ falei entrando após ela no grande espaço cheio de cachorros; foi só chegarmos ali e os latidos quase me ensurdeceram _ Meu Deus, quantos cachorros!

_ Pois é, temos muitos! Sem contar com os outros animais, então mais uma vez obrigada pela doação, vai nos ajudar muito.

_ Fico feliz._ falei olhando os animais a minha volta.

_ Que foi?

_ Eu iria a uma loja como todo mundo faz, mas meu genro Frank me incentivou a vir aqui. Disse que temos que valorizar o trabalho das Ongs, que não é legal comercializar seres vivos, e coisas assim.

_ Frank está certíssimo, e ainda bem que o senhor veio aqui, encontrará o amigo que precisa em um de nossos animais.

_ Assim espero.

_ O seu genro… É Frank Iero? O que é dono do estúdio aqui na rua?

_ Sim, ele mesmo.

_ Sabia! Eu adoro Frank Iero, ele é demais!

_ Ele é mesmo._ falei sorrindo.

_ Meu namorado trabalha na loja dele, e ele sempre diz que Frank é um gênio, além de ser o melhor chefe do mundo, o que não deve ser mentira porque Frank é muito legal. Sabe, eu já conheci ele um dia.

_ Ele é mesmo muito legal, mas vamos ao que interessa, nós andamos, andamos e até agora não vi nenhum filhote.

_ Ele está logo ali._ ela falou apontando para o outro corredor.

_ Espero que seja melhor do que esses aqui._ falei olhando com desgosto para os cães que eu via pelo caminho.

_ O que tem de errado com os cãezinhos?

_ Além de latirem, eles são todos feios!_ falei e ela revirou os olhos.

_ Se procurava um cão mudo, e de raça, veio ao lugar errado!

_ Calma, eu só… Não quero levar um animal qualquer para a minha esposa._ falei e ela assentiu.

_ Eu entendo, mas isso aqui é um abrigo para animais abandonados, e quase nunca abandonam animais de raça; geralmente vem parar aqui aqueles que foram rejeitados, que estão feridos, ou que nasceram com alguma deformidade.

_ Eu acho que devia ter ido mesmo a loja.

_ Senhor Way, esses são os animais que mais precisam de uma família! Não menospreze eles, se está aqui é porque precisa de algo, e eu tenho certeza de que qualquer animal aqui poderia oferecer companhia, carinho...

_ Tudo bem, tudo bem… Vou tentar manter a mente aberta, mente aberta._ falei e ela assentiu e sorriu então parando.

_ Que bom, porque chegamos. Esse é o Joy, o seu filhote!_ ela falou me mostrando o cãozinho dentro da pequena jaula e eu dei um passo para trás ao que ele começou a latir pra mim.

_ Esquece, esse é feio demais.

_ Senhor Way, ele é lindo, e gostou de você.

_ Você precisa de óculos urgentemente, e ele está latindo como todos os cachorros aqui estão, e devem latir para todo mundo.

_ Não o Joy, ele gostou de você._ ela falou e eu olhei um instante para o pequeno filhote marrom que latia sem parar para mim.

_ Tá, mas que tipo de nome é esse? Ele é um cão gay?_ perguntei e ela riu.

_ Não é isso, é que… Nossa veterinária que o encontrou abandonado em uma sacola de lixo na rua, o trouxe para cá, e escolheu esse nome. Ela que cuidou dele, deve ter um motivo para o nome, eu nunca entendi, mas sei que deve ter._ ela disse e me olhou enquanto eu tocava a grade e o cãozinho fazia de tudo para tocar a minha mão _ Gostou dele?

_ Até que ele é… Bonitinho, mas… Ele é muito magrinho, tem olhos escuros, e é marrom. Ele vai viver?  

_ Claro que vai, ele é bem forte, passou por maus bocados, e ainda está aqui. Com amor e carinho ele vai crescer bastante e ficar mais bonito ainda.

_ Sei que sim, mas… Eu pensava em levar para a minha esposa um cão daqueles bem peludos, macios, com olhos azuis e…

_ Já disse que não temos cachorros desse tipo aqui, mas se não gostou do Joy, pode continuar procurando, temos muito mais animais.

_ Tudo bem, eu vou dar uma olhada._ falei e ela assentiu seguindo pelo corredor.

Eu olhei mais uma vez para o cãozinho levado, de olhos brilhantes, e latindo por mim, senti um aperto no peito ao olhar nos olhos dele; quase não o fiz, mas…_ Senhor Way, vem._ falou Oli e eu assenti a seguindo por fim, e dando as costas para o pequeno cãozinho _ Não temos mais filhotes, mas temos outros cães que não são velhos, e uns poucos que talvez alcancem mais as suas… Expectativas.

_ Deixe-me vê-los._ falei e segui a garota que me mostrou outros tantos animais, mas nenhum deles me fez sentir aquele calor no peito, aquela conexão que senti com o franzino cãozinho.

A todo momento eu olhava para trás, e com meus olhos procurava por ele.

Era como se algo em mim me chamasse, me guiasse até ele.

_ Então senhor Way, o senhor já viu todos os cães, e como não tem interesse em mais nenhum animal, não sei como posso ajudá-lo. Nada o interessou.

_ Na verdade um me interessou sim, o Joy. E eu quero vê-lo de novo._ falei e ela sorriu.

_ Vem comigo._ disse Oli e eu a acompanhei novamente até o corredor do pequeno cãozinho. Ela abriu a jaula dele e o segurou em seu colo, logo colocando o pequenino no meu.

_ Como você é pequeno, Joy._ falei rindo enquanto ele lambia o meu rosto _ Você cabe em minhas mãos, mas já vi que é muito levado.

_ Ele é sim._ falou Oli sorrindo _ É incrível essa capacidade que os animais tem de não perderem o brilho nos olhos, de não deixarem que as tristezas do passado, os impeçam de serem felizes dia após dia. E eles precisam de tão pouco para serem felizes.

_ Quem nos dera._ falei sorrindo como ela, e abracei o filhote _ Está decidido, vou adotar Joy agora mesmo, espero que minha esposa goste dele.

_ Ela vai amar, pode apostar._ disse Oli e eu sorria tentando conter a animação do cãozinho levado no meu colo _ Vem comigo, o senhor só precisa preencher uma ficha.

_ Tudo bem._ falei seguindo ela para fora daquela sala, e voltamos a de espera.

_ Normalmente o senhor precisaria fazer uma entrevista e conversar com a veterinária antes da adoção, mas eu vou abrir uma exceção apenas porque o Joy gostou muito do senhor.

_ Que bom que ele gostou de mim._ falei sorrindo e ela pegou a ficha que comecei a preencher com dificuldade, pois aquele cãozinho não parava por nada.

_ O senhor deve sair daqui, e ir direto a pet shop aqui ao lado, tem que comprar ração, potinhos para água e comida, brinquedinhos porque ele é um filhote e vai gostar muito, uma caminha e uma casinha.

_ Tudo isso?

_ O senhor é rico, Joy Way vai ser um príncipe daqui em diante!_ ela disse fazendo carinho no filhote.

_ Joy Way, até que não é um nome ruim._ falei e ela riu.

_ Está tudo certo, senhor Way. O senhor pode levar uma das fichas para casa, o cartão de vacinas do Joy, e pode levar seu novo amiguinho para casa. Em breve ligaremos para saber se está tratando bem dele.

_ Vou cuidar bem dele, pode acreditar._ falei sorrindo segurando o pequeno e segui até a porta do local com a menina _ Obrigado, Oli. Cada segundo que passo a mais com Joy, gosto mais dele.

_ Vocês dois serão grandes amigos, sei disso.

_ Tchau, Oli.

_ Tchau, senhor Way. Tchau, Joy!_ disse Oli; eu saí de lá e segui direto para a pet shop que ficava ao lado.  

Enquanto isso o pequeno em meus braços não parava de latir.

_  Calma, Joy. Vou comprar comida pra você, está muito magrinho, precisa ficar forte para crescer._ eu disse e ele latiu como se me entendesse. Eu sorri e pedi a um vendedor que me trouxesse tudo que meu filhote precisaria.

Eu compreia ração, os potes, muitos brinquedos, uma caminha, travesseiros, cobertas, casa e tudo que ele tinha direito. Ah, sem contar com a coleira com o nome dele, e o meu endereço no verso.

No fim das compras, eu estava com tantas coisas que o vendedor teve que me ajudar a levar tudo para meu carro.

Joy estava muito animado, latindo alegre; e eu sabia que ele estava se dando conta de que havia encontrado em mim uma família, assim como eu havia encontrado nele a esperança de trazer alguma alegria a Maddie.

-S2-

Pouco depois voltei para casa, a noite já havia caído e eu estava ansioso pela reação de Maddie, esperava que fosse boa.

Quando estacionei em minha garagem e entrei na casa com o pequeno em mãos, cumprimentei Scott que de cara adorou o filhote, e pedi a ele que fosse pegar em meu porta malas os pertences do pequeno.

Scott foi então buscar o que pedi; era a última noite dele ali, pois dali em diante Maddie contaria com minha presença mais constantemente em casa; não somente naquelas férias.

Abracei Joy e acalmei-o ao que adentrei a casa, então ele como por um milagre se silenciou, mas com os olhinhos atentos ficou observando tudo.

Segui pelo corredor, e assim que abri a porta de nosso quarto, vi Maddie pintando ali, com os cabelos soltos, parecia mais disposta do que todos aqueles dias de tristeza que enfrentara.

Me aproximei com Joy em meu colo, e Maddie ainda de costas concentrada em sua pintura.

_ Don, você demorou hoje.

_ Me perdoe, tive um dia cheio, mas foi o último dia, a partir de amanhã eu estarei de férias.

_ Que maravilha._ ela disse sem conseguir tirar os olhos da pintura, e eu ao que parei atrás dela me dei conta.

_ Seu quadro… Está tão bonito. Não sabia que tinha tamanho talento.

_ É o nosso filho, eu… Quero ter algo para nos lembrarmos sempre dele, o quanto ele foi amado mesmo estando conosco por tão pouco tempo.

_ Ele com certeza sentiu o nosso amor, Maddie. Eu sei disso._ falei e ela assentiu ainda dando pinceladas _ Meu amor, acho que já está bom.

_ Eu quero que fique perfeito.

_ Já está._ falei segurando a mão dela e nesse instante era paralisou, pois alguém resolveu se pronunciar finalmente. Joy começou a latir sem parar estragando a surpresa que eu pretendia fazer, e eu olhei para ele bravo, mas Maddie o olhou e sorriu ao deixar o pincel de lado.

_ Joy, você estragou a surpresa!_ reclamei e Maddie riu o trazendo para seu colo.

_ Don, está tudo bem, eu… Estou surpresa, e feliz._ ela disse acariciando o pequeno e olhou a coleira dele _ Joy Way… Isso quer dizer que ele é nosso mesmo?

_ Sim, eu sei que ele não vai substituir nosso filho, mas eu tive essa ideia, de trazer uma companhia para nós dois. Você gostou?

_ Don, eu amei! Ele é lindo, obrigada!_ ela disse emocionada me abraçando ao que Joy latia todo afobado no colo dela.

_ Eu sei que ele é meio feinho, eu pretendia comprar um outro tipo de cão para você, mas…

_ Donald, para com isso, ele é perfeito, é lindo!_ ela disse sorrindo ao que o levado lambia o rosto dela.  

_ Que bom que gostou.

_ Onde o encontrou?

_ Eu fui a um abrigo de animais e o adotei, bem… Nós o adotamos.

_ Você em um abrigo de animais? Don, eu nunca pensei, mas… Estou surpresa, quanta bondade..._ ela falou emocionada me abraçando de novo, e eu agradecia Frank mentalmente pela ideia _ Mas me conta, quem colocou o nome dele de… Joy? Você?

_ Não, acho que foi a veterinária que o encontrou e cuidou dele._ falei _ Ele não é um cão gay, é só o nome que é meio estranho._ eu disse e ela riu.

_ Que história é essa de cão gay, Don? Você é doido..._ ela disse rindo.

_ Se bem que se ele fosse um cão gay não teria problema.

_ Pois é, sem problemas._ ela disse e eu a guiei até nossa cama, onde ela se sentou com Joy em seu colo, extremamente familiarizado conosco, como se nos conhecesse desde sempre.

Eu sorri vendo ela acariciando os pelos do pequeno, e vendo-o se aquietar aos poucos ao receber o carinho.

_ Don…

_ Sim.

_ Obrigada por trazê-lo para mim, foi o melhor presente que já me deu.

_ Eu fico muito feliz que tenha gostado tanto._ eu disse abraçando-a e logo senti um aperto no peito, pois ouvi que ela estava chorando em meus braços _ Maddie, por que está chorando?

_ Porque eu estou feliz, e depois de tanto tempo de tristeza é como se eu não merecesse mais sorrir, toda essa alegria é estranha pra mim, é como se eu tivesse esquecido o que é tudo isso.

_ Mas você não esqueceu, e eu vou te ajudar a recordar tudo de bom que ficou pra trás, todos os seus sonhos, seus desejos, sua felicidade… Você merece isso, nós merecemos. Já sofremos demais._ falei e ela assentiu abraçando Joy, beijando a cabecinha dele, e depois me olhou segurando a minha mão, deixando então que Joy saísse de seu colo e corresse feliz pela cama.

_  Obrigada por estar aqui comigo, obrigada por suportar tudo sozinho e ainda estar aqui, mantendo nós dois de pé.

_ Obrigado você por se permitir, e por não ter desistido de mim.

_ Não desisti de nós, eu nunca vou._ ela falou e eu segurei o rosto dela encantado ao ver o sorriso que estava ali. Já ia continuar com minhas palavras, mas Joy pulou e meu colo, o que fez Maddie rir e eu ter que segurá-lo e dar algum carinho, já percebi que só assim ele sossegaria, e dito e feito, sossegou _ Ele gostou mesmo de você.

_ Pra falar a verdade eu também gostei desse feioso!_ falei e ela me deu um tapinha rindo.

_ Don!_ ela disse e eu que ri dessa vez, mas logo parei segurando a mão dela.

_ Maddie, eu… Trouxe o Joy com outro objetivo também.

_ E qual seria?

_ Eu quero pedir mais uma vez que me perdoe. Perdão por tudo que te fiz, por tudo que eu fui, por todas as tristezas que você teve que lidar simplesmente por consequência de ter decidido ficar ao meu lado.

_ Eu não decidi te amar, não decidi nada pelo que passamos, eu só resisti a tudo porque estava ao seu lado, e mesmo depois de tudo, é onde o meu coração está, e onde eu ficarei.

_ Então você me perdoa?_ eu perguntei já com lágrimas escorrendo por meu rosto.

_ Claro que sim..._ ela disse me abraçando forte, chorando igualmente emocionada _ Eu te amo…

_ Eu também te amo, e te prometo que mesmo que tenhamos começado do jeito errado, nada vai se repetir, teremos um futuro juntos, uma vida juntos, e eu não vou ser mais um cafajeste com você, e nem com ninguém.

_ Eu sei, confio em você, e me orgulho de ver o quanto mudou, o quanto cresceu desde que estamos juntos e enfrentamos tantas dificuldades.

_ Não fosse você, eu não teria mudado, nunca…

_ E nem eu. De uma menina inconsequente eu me tornei essa mulher que mesmo contra todos, decidiu ficar aqui e lutar pelo que acredita, por nós.

_ E essa mulher tão linda e tão forte aceitaria se casar oficialmente com esse homem arrependido?_ perguntei e ela ficou me olhando por uns segundos sorrindo pasma como se não acreditasse, então Joy latiu no meu colo _ Viu só? Ele quer que você aceite.

_ Isso é sério, Don? Você acabou de sair de um casamento de anos, e além do mais, você nunca pensou em…

_ Maddie, isso é sério, muito sério, nunca falei tão sério na vida.

_ Não quero que se sinta obrigado a fazer isso nem nada, não quero que faça isso só pra me salvar, pra me satisfazer, eu não…

_ Não é só por você, é por mim, por nós. É a primeira vez que posso e quero decidir algo desse nível na minha vida; no meu passado as coisas foram acontecendo fora de controle, contra a minha vontade, mas agora eu estou feliz, em paz, e tomando essa decisão porque eu quero, é o que eu mais quero.

_ Não sei o que dizer, nunca pensei..._ ela falava perdida em meio a lágrimas e eu segurei o rosto dela secando-as.

_ Apenas responda essa pergunta: é o que você quer?

_ Sim… _ ela disse e nos abraçamos forte _ Don, eu aceito.

_ Não vou te decepcionar.

_ Eu sei, amor… Eu sei._ ela disse ainda no meu abraço e no meio de tanta emoção, acabamos sorrindo ao ver Joy latindo sem parar e pulando em nossos colos.

Sabíamos que ele se dava conta de tudo, aquele pequeno era muito esperto mesmo.

Olhei nos olhos de Maddie de novo, e então beijei-a como há muito tempo não fazia, e naquele beijo encontrei a certeza, a confirmação de que meu coração sempre tão sem chão, sempre tão perdido, finalmente havia encontrado seu lugar.

-S2-


Notas Finais


Maddie, Donald e Joy... <3
Eles sofreram muito e agora merecem ser felizes, como todos.

E sim, Mikey fica com as duas na fic; sei que muita gente não vê com bons olhos esse tipo de relacionamento, mas existe, e eu não podia ignorar logo aqui.
Para mim desde que os envolvidos estejam felizes, ok.

Vamos torcer para que eu consiga publicar o penúltimo cap na próxima semana.
Estou ansiosa!

Me contem nos comentários o que acharam.
Até o próximo capítulo.
Beijos <3


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