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História Masquerade’s Love - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, minha gente! (Caso alguém tenha interesse em ler isso), é a primeira história que lanço no spirit então se tiver algum erro, me perdoem.

Me inspirei muito em livros de romance de época, até tirei de inspiração. Se alguém gosta deste estilo, imagino que vai gostar dessa fic. Kissus

Capítulo 1 - What a night!


 *“ Um homem charmoso é muito agradável e um homem de boa aparência é, sem dúvida, uma visão que vale a pena, mas um homem honrado, ah, minha querida leitora, é pra eles que as jovens deveriam correr” 

— [📖] O Visconde Que Me Amava



 Era século XIX, e um grande baile ocorria na grande Paris.


  Um baile reservado para a alta sociedade, como uma forma de comemorar a queda do rei Carlos X. Mas o foco dessa história não é a política, portanto deixaremos essa parte de lado.


  Não era um baile qualquer, não mesmo, era um baile de máscaras. E certo loiro ficou muito feliz ao saber que poderia se esconder, a pior parte de ser solteiro são as mães casamenteiras que corriam atrás dele nesses eventos.


  Não era nem por ser bonito, o que era um bônus para as pretendentes, mas sim pelo título que carregara. 


  Adrien era filho do Conde Gabriel Agreste, o que o tornava um visconde. O que esse título significava? Seus antepassados tinham funções importantes para a Coroa, mas agora não passava de uma simples etiqueta para enfeitar seu nome.


  Pura bobagem, era o que Adrien pensava, mas pelo menos conseguiam honrar seus antepassados. O problema eram as garotas que acabavam de debutar correrem atrás dele, para receber somente um título e nada mais.

 

  Como dizia o livro Orgulho e Preconceito, até então pouco conhecido na época, “Uma verdade mundialmente consagrada é a de que um homem solteiro, dono de uma grande fortuna, deve estar precisando se casar”, e era o que a sociedade nessa época acreditava fortemente.


  Mas Adrien não pensava desse jeito. Como poderia pensar em casar logo, sendo que sua casa fora palco de um grande amor verdadeiro?


  Emilie e Gabriel Agreste era um exemplo de amor perfeito, desde o primeiro momento que se viram, estavam apaixonados. A governanta de sua casa dizia que estava no casamento deles, e que antes de se beijarem, riam igual bobos.


  “Foi a primeira vez que vi um casamento tão feliz!” Ela dizia, “As velhinhas acharam isso ridículo, mas eu achei que deveriam ter mais casamentos assim.”


  Para o horror de seus avós, Emilie insistia em amamentar o bebê quando nasceu, discordando da maioria dos aristocratas que diziam que não deveriam conviver com os filhos. Quando o mesmo cresceu, o fazia caminhar pelos campos, ensinando-lhe filosofia e recitando poemas toda noite antes de ir para a cama.


  Seu pai o ensinou a nadar, a cavalgar e mais outras coisas, dedicando-se ao único filho da casa. Desse modo, Adrien o admirava com a maior devoção.


  E foi vendo o exemplo dos pais que o jovem, ainda criança, disse que só casaria com alguém que gostasse, que o fizesse ter coragem de trocar algo tão nojento como um beijo e aguentar uma pessoa em seu encalço pelo resto da vida. 


  E então, tudo mudou. Era engraçado, refletia algumas vezes, como um único instante pode mudar todo o curso de uma vida. Mas falaremos sobre isso mais tarde.


  Tinha se mudado com seu pai há algumas semanas, sendo este o primeiro baile que ia em Paris. Já veio para cá algumas vezes, mas por pouco tempo.


  Ser novo por aqui já era um bônus para ele, ainda mais de máscara, fora o que pensara, até colocou lentes cor de âmbar nos olhos, para dificultar. Mas teve o efeito contrário, as mães de damas solteiras adoravam carne nova.


  Pelo menos agora estava ao lado de seu melhor amigo: Nino Lahiffe. Estudaram juntos na universidade, quando Adrien era apaixonado pela física e tudo que a envolvia. A amizade seguiu forte até então, ainda mais quando se mudou para a capital.


  Olhando ao redor, pôde reconhecer alguns rostos familiares, e alguns ele não tinha intenção de ficar a menos de 5 metros perto. 


  Ouviu um gritinho e olhou para a direção do som. Uma garota desconhecida parecia acudir uma outra, que reconhecia bem sendo Lila Rossi. Para dizer de maneira rápida, o rapaz não gostava dela nem um pouco.


  Percebeu que o vestido de Lila num tom laranja claro na parte da cintura estava vermelho, sujo de vinho. Percebeu na hora que a culpada era a outra garota, que por leitura labial conseguiu ver que ela repetia um “desculpedesculpedesculpe”.


  Não conseguiu esconder um sorriso de canto em ver Lila tão indignada por uma coisa tão sem importância. Logo depois, ela disse algo de forma bem ríspida com a garota e se afastou com passos firmes.


  — É errado achar merecido? — Disse o rapaz de cabelos e pele morena.


  — Contanto que não fale na frente de Lila, não é. — E trocaram um olhar divertido, já esquecendo da cena que aconteceu.


  — Com licença? — Os dois olharam para o lado, vendo uma menina que usava também um vestido laranja, mas de cor mais forte, que destacava seus cabelos castanhos-avermelhados e sua pele bronzeada. Era muito bonita, de fato. — Me desculpe atrapalhar, mas estou sem meus óculos por causa da maldita máscara, então não estou enxergando nada!


  — Te entendo. — Nino disse, já que também usava óculos, mas estava sem agora. — Ir para bailes é um terror para os míopes.


  — Finalmente alguém me entende! Deveríamos nos rebelar.


  — Deveríamos sim, se quiser, eu providencio algumas placas dizendo “mais respeito, queremos enxergar direito!” — Nino brincou. A garota deu um pulinho, animada.


  — Eu adorei!


  E Adrien estava completamente excluído da conversa. Ainda bem que não se importava com isso, se contentando em observar o casal.


  — Que indelicadeza a minha! Sou Alya Cesáire.


  — Nino Lahiffe ao seu dispor, e esse ao meu lado é Adrien Agreste. Falando nisso, acredito já ter ouvido falar seu nome.


  — Ah, pode ter ouvido, ou melhor, lido. Eu ajudo com o jornal L’ami de Paris.


  — Eu o leio toda manhã, você está responsável por que parte?


  Antes que Alya fosse responder, Adrien interrompeu:


  — Se me derem licença, quero tomar um pouco de ar.


  — Claro, nos vemos depois. — Nino disse e Alya deu uma breve despedida.


  Se afastou e soltou o ar aliviado, ainda bem que a jornalista não o reconheceu. Notou tarde demais que não tinha dançado até agora e Aquela era a única mulher tolerável para compartilhar uma quadrilha.


  Mas foi melhor assim, assim Nino teria a chance de dançar com a moça, talvez até duas vezes, quem sabe.


  Para tomar um pouco de ar fresco, saiu por uma das portas da grande mansão em direção ao jardim. Passeava tranquilamente bebericando seu ponche até ouvir uma voz feminina:


  — Mas que merda! 


  Estranhou, nunca em toda sua vida vira alguma mulher dizer palavras de baixo calão. Só às vezes ouvira sua mãe dizer algo impróprio, e não passava de “que inferno”. A voz reclamou de novo:


  — Eu sou a pessoa mais desastrada de toda Paris, não, da França! 


  Passando por trás de uma roseira, foi até onde a voz ia. Pela pouca iluminação, viu a dona da voz de costas, agachada.


  — Posso te ajudar, senhorita? 


  A senhorita em questão lançou um pequeno grito e deu um pulo, tropeçando no caminho e caindo de vez no chão. 


  Adrien, se esforçando o máximo para não rir, chegou perto e a ofereceu a mão, que foi aceita. Ao levantar e a olhar nos olhos, viu que era a moça do acidente há alguns minutos.


  Mesmo com a iluminação da lua, conseguiu ver seu rosto mais de perto. Seus cabelos negros que refletiam um brilho azul estavam presos num coque muito bem executado. Seus longos cílios protegiam seus olhos azuis e seus lábios finos estavam retorcidos de vergonha. Mesmo com a máscara vermelha cobrindo metade de seu rosto, a achou bonita.


  — Aconteceu algo? — Disse. — Jurei a ouvir praguejar.


  — É imaginação sua. — Soltou um riso sem graça, e tinha certeza que se tivesse em uma luz melhor, conseguiria ver seu rosto avermelhado.


  — Deve ser. Mas tem algo te incomodando, isso eu posso afirmar.


  — Sinceramente, tem sim. É que eu sou desastrada, não basta a cena que fiz lá no meio do salão, minha meia enroscou em algum galho. — Ela começou a tagarelar.


  Olhou para baixo para ver algo, mas como era com a meia, a saia do vestido estava tampando.


  — Eu posso ajudar.


  A garota do vestido vermelho soltou um som incrédulo.


  — Eu não posso fazer isso, você vai ter que levantar meu vestido!


  Ah, bem... Era verdade. Adrien sentiu uma pinicação subir nas suas bochechas.


  — Me desculpe... Mas então o que iremos fazer?


  — Por isso que eu estava reclamando sozinha, gênio! — A moça colocou as mãos na cintura.


  — Então admite que estava xingando sozinha? 


  Adrien a desmascarou da mentira. Mas quando a mesma abriu a boca, ouviram uma terceira voz:


  — Filha, onde você está?


  A garota na sua frente parece ter sofrido um ataque, balançando os braços como uma marionete. E Adrien compartilhou o sentimento, apesar de se conter.


  Se alguém os visse no jardim no escuro, já teria palco para fofocas. E essas fofocas sempre acabavam em casório ou perda de honra.


  — Filha?


  — Se esconde! — Gritou sussurrando. Adrien olhou para ela como se dissesse “onde?” 


  — Eu ouvi sua voz, querida. — A voz estava perigosamente perto.


  Sem pensar, a garota do vestido vermelho o empurrou no meio do mato. Ou melhor, nas roseiras.


  Adrien queria urrar de dor ao sentir espinhos rasgando sua pele, mas não queria casar agora, então segurou com todas suas forças.


  — Aqui está você. 


  — Sim, mãe. Não estava me sentindo bem.


  O que seria pior do que a mãe os flagrarem? Os espinhos começaram a parecer mais confortáveis.


  — Sério? Vamos para casa.


  — Não, mãe. Eu só quero ficar um tempo sozinha, me entende? — a voz dela estava nervosa.


  — Ah, sim. Desse jeito, estou entrando. Qualquer coisa sabe onde estou. Mas se piorar só mais um pouquinho...


  — Tudo bem, au revoir.


  Ouviu passos se afastarem e o silêncio.


  — Ai, meu Deus! Me desculpe.


  — Não diga isso. — Estava de olhos fechados, decidindo onde doía mais.


  — Deixa eu te aju—


  — NÃO! — Ele gritou, mas logo se acalmou, dizendo pausadamente: — Não. Me toque.


  Ela piscou, mortificada. Por um instante, Adrien achou que ela iria chorar.


 — Estou bem, ok? — A tranquilizou. — Só-Ai! Só machuquei um pouco.


  — Eu disse, não disse? — Ela mexia as mãos, num misto de sentimentos. — Eu sou um desastre, por isso nem minha mãe aceita me ajudar a dançar.


  Ele só conseguiu pensar que a mãe da garota era esperta.


  — Deixe-me ao menos oferecer-lhe a mão.


  — Certo, mas só me puxe, mais nada. Só me dar a mão e puxar para fren—


  Em um pulo, ela agarrou sua mão e o puxou para fora do roseiral.


  Adrien ficou a encarando por um momento, um pouco chocado pela força que continha dentro de um corpo tão pequeno.


  — Sei como puxar alguém. Eu disse que sou desastrada, não idiota.


  Ficou sem palavras novamente, duas vezes em menos de um minuto.


  — Se machucou? — Mudou de assunto, chegando perto e tirando os espinhos que conseguia enxergar. — Céus, suas luvas.


  Adrien encarou suas luvas antes tão brancas, agora sujas de terra e com uma variedade de espinhos em sua palma. Conseguia ver dali uma manchinha de sangue.


  Depois de tirar os espinhos da luva, o loiro percebeu que a garota estava muito mais perto que o permitido socialmente. Quando uma brisa surgiu, sentiu seu perfume ir direto para seu nariz.


  Com isso, seu corpo ficou tenso.


  — Algum problema? — A senhorita levantou os olhos azuis para ele.


  — Por que haveria algum problema? — Disse prendendo o ar.


  — O corpo do senhor se empertigou todo. E também... — Sentiu suas mãos chegarem ao seu colarinho, tirando outro espinho. — Sua voz está meio estranha.


  Ele tossiu, para enganar. 


  — Estava sem ar. — Não era uma mentira.


  — Tá. — Sentiu suas mãos descerem para baixo.


  — O que está fazendo? — Com a indagação, a garota percebeu como seus dedos passeavam livremente pelo corpo do desconhecido e tirou bruscamente.


  — É que tem um espinho ali.


  — Eu tiro esse.


  — Certo. — Desviou o olhar, seu rosto corado ao máximo.


  Adrien sorriu, era engraçado ser o motivo de damas ruborizassem. Tratou de tirar os espinhos que sobraram.


  — Pronto. E o galho?


  — O galho nem é tão incômodo assim. — Disse irredutível.


  — Mas...


  — Mas nada. E por que o senhor estava cheirando o ar?


  Tinha sido pego em flagrante.


  — Eu estava sentindo o cheiros de rosas impregnado em mim.


  A dama de vermelho riu do seu comentário.


  — Isso é verdade. — Ao parar de rir, o encarou séria. — Acho que deveríamos colocar algo nas suas feridas, vai que dá uma infecção.


  — Que tal entrarmos para ver? Mas acho que não vai precisar.


  — Certo. — Ao caminharem para dentro da casa, ela recuou. — Acho melhor não entrarmos juntos.


  — Então eu vou ao lavatório ver se acho algo para passar nas feridas.


  Ela assentiu e Adrien adentrou o salão, parecendo mais cheio do que antes. Driblou os casais que dançavam e chegou no lavatório logo atrás da cozinha.


   A cozinha estava um inferno, cheio de empregados para servir os convidados, puxou uma mulher de idade e perguntou se tinha unguento na casa, sendo atendido rapidamente. Agradecendo a empregada, passou nos dois arranhões de seu rosto e em sua mão, que estava um pouco pior. Decidiu ser melhor não usar mais luvas hoje, as guardando no bolso.


  De volta ao salão principal, avistou Nino e Alya no meio da quadrilha. Passou os olhos ao redor e viu a garota de antes sentada em uma mesa, fazendo parte das damas que não foram convidadas para uma dança. Foi até lá.


  — Olá, senhorita.


  Ela levantou os olhos até ele, surpresa. A mulher com um grande chapéu que estava sentada ao lado falou a ela:


  — Filha, responda o rapaz. — A mulher tinha um sorriso no rosto, animada com o convidado que não conhecia.


  — Eu estava me perguntando se me concederia essa dança.


  Se o sorriso da mãe estava grande, agora cobria todo seu rosto, mas em seus olhos, dava para ver uma ameaça escondida direcionada à filha, do tipo “aceite ou irá se arrepender”. 


  — Seria uma honra.



Notas Finais


Se gostarem, favoritem por favor! Apesar de escrever porque amo, com certeza me faria muito feliz >~<


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