História Masterpiece - Capítulo 2


Escrita por: e byunhips

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Lu Han, Sehun
Tags Assalto!au, Baekhun, Baekhyun, Hacker!sehun, Hunbaek, Sebaek, Sebaekdreams, Sehun
Visualizações 140
Palavras 7.960
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Depois de um tempo, finalmente uma continuação.

Boa leitura ;)

Capítulo 2 - Dinâmica Fundamental


3 de abril, 10:04 — Las Vegas, Nevada

Sete semanas antes


 

Eu só havia estado em um avião uma vez, e foi durante a infância, quando meu irmão e eu nos mudamos para a China. Ele tinha dezesseis anos e eu, doze; havíamos nos mudado a pedido dos nossos pais, segundo ele, porque não tinham dinheiro suficiente para nos manter na Coréia, e Han conseguiria um trabalho com um tio chinês quando chegássemos no país vizinho.

Eu não reclamava de morar com ele num apartamento onde as portas mal abriam direito e havia tantas goteiras que sequer tinha baldes suficientes para segurar a água das infiltrações. Havíamos ido para ali porque não tínhamos outra opção, e eu entendia isso.

O que eu não entendia era por que, mesmo depois de anos, nossos pais sequer tentaram nos contatar. Não éramos ricos, mas se eu arrumasse um emprego e ajudasse meu irmão, nós provavelmente conseguiríamos juntar dinheiro o bastante para as passagens.

Han nunca falava sobre nossa família, e acho que é porque era mais difícil para ele, que vinha segurando a barra há tanto tempo. Não a de estar longe dos nossos progenitores, mas a de ser pai, mãe, irmão mais velho e provedor, tudo em um. Ele colocava tudo o que precisávamos para sobreviver dentro de casa, e eu era grato por isso. Por ele não ter me abandonado como nossos pais fizeram.

Era um dos motivos de eu ainda não ser capaz de entender o seu sumiço. Eu estava a ponto de desistir de acreditar que ele voltaria, e então, Han simplesmente apareceu, como se houvesse previsto que minhas expectativas estavam tão baixas que eram quase nulas, e sentisse que precisava mudar isso.

Às vezes, enquanto ele estava longe e eu ficava completamente sozinho em casa, eu me perguntava se ele também havia se cansado de mim. Se foi minha culpa ele ter caído fora. E não houve um único dia em que não me senti culpado pelas coisas que eu não podia mudar, pelas que não fiz, pelas que sabia que podia ter feito.

Era muito complicado, exigia mais de mim ficar sozinho do que estar na presença do meu irmão. Talvez isso se devesse ao fato de eu já estar habituado a ela porque, bem, ele era tudo o que eu tinha pra chamar de família, de lar. E no meio daqueles seis meses, eu também me pegava questionando se havia perdido isso também.


 

+


 

A AV22 enviou minha passagem por e-mail dois dias antes, para que tivéssemos tempo de nos organizar e viajar para Sichuan, onde ficava o aeroporto internacional mais próximo da cidade onde vivíamos.

Junto com a passagem, vieram dois avisos: o primeiro era que eu seria recebido por um membro deles, que deveria ser a única pessoa a se identificar para mim no aeroporto. O segundo dizia que eles sabiam da minha dificuldade em, hum, defender-me de forma útil, então também estavam enviando um outro membro para “tomar conta” da minha segurança, o que, na língua de qualquer pessoa como meu irmão e eu, significava alguém pra ficar na minha cola e garantir que eu não fizesse merda e fodesse com tudo.

Encontrei o primeiro deles quando fui pegar minha mochila no despache. Assim que a tirei da esteira, ele simplesmente surgiu de algum lugar, sorrindo de um jeito que parecia meio forçado, como se não quisesse estar ali.

“Vamos?” Foi tudo o que ele disse, e então eu o segui até o estacionamento.

Meu irmão sempre me disse pra não entrar no carro de estranhos, e eu me pergunto o que ele pensaria agora, porque eu estava fazendo exatamente isso. Quer dizer, ele nem sequer havia me dito seu nome, eu podia estar sendo sequestrado sem saber.

Para minha sorte, não era um sequestro. Ele era o tal membro mesmo, entregou-me um cartãozinho com a árvore delicada que representava a AV22, dizendo para guardá-lo caso eu precisasse de alguma coisa. Não entendi muito bem, já que era um cartão em branco, mas guardei do mesmo jeito.

“Meu nome é Yixing.” Ele finalmente se apresentou. “Vou ficar de olho em você até tudo estar pronto e sou eu quem vou tirar você de Las Vegas depois que estiver com o dinheiro.”

Só balancei a cabeça para aquela onda de informações, não sabendo exatamente se eu deveria dizer alguma coisa, e também não sabendo o que dizer.

“Não se esqueça disso.” Continuou, apertando o botão para ligar o carro. “Nós estamos sempre de olho.”


 

+


 

Eu fui deixado na porta do Caesar’s Palace, onde Yixing afirmou que eu deveria procurar pelo outro membro no lobby. O nome dele era Byun Baekhyun (achei que fosse um nome falso ou coisa do tipo, porque não imaginava que eles explanariam suas identidades verdadeiras dessa forma) e, caso não me encontrasse antes, eu deveria falar qualquer coisa relacionada ao número um e ele apareceria como mágica.

Meio que tive de seguir isso à risca, e nem sei como explicar o quanto eu fiquei surpreso quando funcionou. Parecia algum tipo de radar. Ou talvez fosse só o fato de ele estar a um passo de distância quando eu mencionei o número um.

“Você é diferente do que imaginei que seria.” Foi a primeira coisa que ele disse, estendendo a mão para pegar minha mochila. Pensei que fosse carregá-la, mas tudo o que fez foi testar o peso, antes de me devolvê-la.

“Diferente?” Perguntei, tirando meus óculos para limpar as lentes. “Como assim?”

“Menos interessante.” Explicou. “Pensei que você fosse um cara super nerd com blusas de Star Wars e essas coisas, mas você parece só um universitário frustrado, gracinha.”

Franzi as sobrancelhas, rejeitando o comentário em silêncio. Queria rebater, mas não estava a fim de criar caso por nada. Só achei estranho a AV22 ter mandado uma criança pra cuidar de mim. Pensei que eles quisessem se certificar de que eu estaria seguro quando fosse, hum, roubar um dos cassinos mais famosos de Las Vegas.

Aquele carinha fez parecer que eu ia só roubar uma loja de conveniência.


 

. . .


 

21 de abril, 16:52 — Tonopah, Nevada

Cinco semanas antes


 

“Você precisa segurar assim.” A mão de Baekhyun era firme sobre a minha, apertando meus dedos para envolverem o cabo com força.

Ele se afastou um passo, a fim de analisar minha posição.

Suspirei, abaixando o braço.

“Por que estamos fazendo isso mesmo?”

Estávamos no meio do deserto, quase três quilômetros longe da pista da Rota 83, que nos levaria de volta para Las Vegas, e até aquele momento eu não fazia a mínima ideia dos motivos para Baekhyun ter quisto ir pra aquele lugar.

“Porque eu sou seu apoio, meu bem, não vou estar lá cem por cento do tempo.” Ele suspirou também, revirando os olhos para a minha expressão de desinteresse. “Vai, me dá isso, vamos tentar algo diferente.”

Entreguei a arma para ele, aliviado por não sentir mais o peso dela em minhas mãos. Eu segurava computadores, não semiautomáticas carregadas.

“Eu tô com fome.” Comentei, vendo-o andar até o carro para buscar alguma coisa. Quando voltou, estava sem a arma e com faixas nas mãos. “Que porra é essa? Karate Kid?”

“Não me faça desistir de você agora, gracinha.”

Tirei os óculos. As lentes estavam sujas de laranja e parecia que minha miopia havia virado o filtro Sépia. Parecia bonitinho, mas não era muito agradável, na verdade.

“Baekhyun, eu nem sei por que você ainda se dá o trabalho de fazer isso, você sabe que…”

“Que você é um fracasso com tudo que não seja computadorizado?” Interrompeu. “Sei, sim.”

Eu jamais admitiria em voz alta, mas aquilo me ofendeu um bocado. Eu ter problemas com tudo que não tivesse uma placa-mãe ok, mas ele não tinha nenhum direito de jogar isso na minha cara.

“Vamos lá, se esforce um pouquinho.” Ele insistiu, cobrindo a distância entre nós e pegando minhas mãos, começando a enrolar a faixa em uma delas. Quis me afastar, mas não o fiz. “Eu não posso te proteger o tempo todo, quero garantir que você não vai se machucar se eu não estiver por perto.”

Respirei fundo, balançando a cabeça afirmativamente, forçando-me a concordar com aquilo. Eu podia ceder um pouco, certo? Por ele. Mesmo que não fosse fazer diferença nenhuma, porque eu ainda teria reflexos horríveis, ainda seria míope e ainda teria dificuldade até para diferenciar esquerda de direita numa briga. Eu não era do tipo que arrumava confusão por aí, pelo menos não diretamente. Minha confusão era nos fóruns da internet, nos códigos de hacking, nas contas bancárias que eu roubava de vez em quando, nos lugares que invadia através da rede.

Essa era a minha anarquia, meu espaço.

Pensei que entender isso fosse o suficiente, mas parece que eu estava meio equivocado.

“Tem que manter a guarda alta.” Baekhyun explicou, posicionando-se em frente a mim, à uma distância de quase um metro. “Mas não alta demais. Se estiver com problemas, os primeiros lugares que vão tentar atingir são a sua barriga e a sua cabeça. Guarda alta o tempo inteiro, mas não demais, para você conseguir se defender rápido o suficiente. Entendeu?”

Não.

“Uhum.”

Ele assentiu.

“Não tão alto, gracinha, socos no estômago doem mais do que você imagina.” Avisou, aproximando-se para abaixar meus braços e colocá-los na posição certa. “Qual é a sua dominante?” A minha cara de confusão deve ter sido bem óbvia, porque ele esclareceu: “A sua mão. Qual delas domina?”

Balancei a direita, surpreso por ele não saber que eu era destro. Canhotos usam mouse invertido.

“É essa que você vai manter mais perto do rosto.” Continuou com a explicação. “A esquerda é a sua defesa. Se te atacarem, você usa os antebraços para se defender, sempre o esquerdo primeiro. Sua mão dominante precisa estar livre ou você vai apanhar pra caralho sem conseguir bater de volta na mesma potência. Até aqui tudo bem?”

Eu não era feito para aquilo. Nunca na vida precisei usar força – talvez apenas para abrir um vidro de conserva – e violência menos ainda. Eu não era fraco, tinha uma boa estrutura corporal e sabia disso, mas eu também não era forte. Baekhyun podia me desmontar com um soco e confesso que eu tinha um pouco de vergonha disso, mas o que podia fazer? O tempo que ele passou treinando para ser o que era eu passei programando, preenchendo linhas de código, aprendendo coisas que poderia usar pra me beneficiar. Eu não sabia porra nenhuma de autodefesa.

A minha sorte era ser discreto e levar uma vida simples (confesso que mais por costume que por vontade), porque querendo ou não eu tinha uma fama construída na rede, e um momento ou outro isso ia chegar em mim de alguma forma. A polícia sabia que alguém fazia aquelas coisas, cometia aqueles crimes, eles só não sabiam quem, porque eu era bom em mascarar tudo, porque sabia me esconder. Se – ou quando – eles me descobrissem, seria o meu fim.

Baekhyun tinha razão.

Que utilidade eu tinha longe de um computador?

“Ei.” Ele chamou. “Você se distrai fácil, isso é um problema. Tente se concentrar aqui.”

“Eu tô com fome.”

Ele suspirou.

“Eu também, gracinha. Vou te levar pra comer hambúrguer depois, mas vamos terminar isso primeiro.”

Assenti, posicionando-me para esperar pelo que viria em seguida.

Eu só não imaginei que ele ia, literalmente, socar-me. Eu deixei a guarda alta, mas não alta o suficiente, e Baekhyun avançou sobre mim sem hesitação, seu punho se chocando contra o meu rosto de forma dolorosa.

“Avisei pra manter a guarda alta, porra.” Ele retrucou quando me afastei, sua mão se esticando em direção ao meu rosto para tentar analisar. “Vai ficar inchado, melhor colocar um gelo e…” Afastei sua mão, ajeitando a postura. Se ele tivesse socado com um pouco mais de força, eu teria caído no chão, mas por sorte só me desequilibrei. “Que foi?”

Suspirei, sentindo minha cara latejar.

Eu estava puto com ele porque, pra começo de conversa, eu sequer queria estar ali fazendo aquilo, fosse para “me ajudar” ou não. Estava pouco me fodendo. Eu conseguiria escapar, vinha fazendo isso desde que apaguei Yunnan inteira por diversão. Eu podia não saber me defender, mas sabia ser invisível.

“Sehun.” Baekhyun chamou, assim que comecei a me afastar dele, caminhando na direção do carro. “Volta aqui. Sehun! Merda.”


 

. . .


 

6 de abril, 10:11 — Las Vegas, Nevada

Seis semanas antes


 

Baekhyun era irritante.

Não o tipo de irritante chato, o irritante provocador. Ele parecia querer testar minha paciência a cada minuto, como se fosse muito divertido me deixar desconfortável.

Nós teríamos que conviver por algum tempo e fazer aquilo dar certo, mas eu não tinha nem ideia de como conseguiríamos quando eu queria um pouco de paz e ele era a personificação do caos.

“Docinho. Querido. Bebê. Gracinha.” Ele riu quando olhei pra ele, então ergui uma sobrancelha. “Queria saber qual fazia você responder. Vai ser gracinha, então.”

Voltei a olhar para a tela do computador.

“Meu nome não é tão complicado de pronunciar. Eu posso soletrar, se você tiver algum problema de dicção.” Resmunguei em tom baixo. Estava montando a planta do cassino no Sketch Up, ou, pelo menos, tentando fazer isso. Ele estava atrapalhando minha concentração.

“Não seja tão ácido, fica mais bonitinho quando você só cora.”

Revirei os olhos.

“Baekhyun, estou tentando terminar uma coisa importante, você pode parar com isso?” Eu não entendia. Ele gostava de ser irritante ou estava gostando de me irritar? Não era possível que eu realmente teria que aturar essas provocações.

“Desculpe, gracinha.” Suspirei, ouvindo a risada dele, suave, divertida. Sim, ele pegou gosto por atormentar minha existência. “Vou deixar você trabalhar.”

“Obrigado!” Resmunguei, voltando para a minha construção. Ela estava meio torta, mas serviria. Não precisava ser perfeito, precisava ser compreensível.

A AV22 havia me entregado a planta do El Dorado, mas eu precisaria reconstruir o cassino de alguma forma, e estava muito em cima da hora pra fazer uma maquete, eu podia muito bem construí-lo em esqueleto no Sketch Up. Ia facilitar a minha vida, eu esperava.

“Ei.” Baekhyun chamou. Ergui o olhar pra ele, encontrando-o apoiado no batente da porta do banheiro. “Você é uma gracinha irritado.”

Suspirei.


 

. . .


 

19 de abril, 02:57 — Las Vegas, Nevada

Cinco semanas antes


 

“Eu cresci na Califórnia.” Baekhyun continuou. Ele estava me contando a história da sua vida, ou algo do tipo. Também estava meio bêbado, deitado na minha cama com a lateral do corpo pressionada em mim. “Em Pasadena. Com a minha mãe. Por isso sou fluente em inglês e mandarim, mas não sei falar coreano tão bem. É a língua materna do meu pai, e a minha mãe não queria que eu fosse capaz de me comunicar com ele.”

“Quantas línguas você fala?” Quis saber. Havia prestado atenção, mas minha cabeça doía de cansaço e eu já havia esquecido a informação.

“Três. Inglês, mandarim fluente e um pouco de francês, se você quiser testar.” E riu.

Balancei a cabeça, os olhos fechados.

“E se eu quiser de verdade?” Rebati, me arrependendo no segundo seguinte, porque um silêncio mortal caiu sobre nós.

Acho que ele tentou pegar a minha mão, mas acabou apertando minha coxa. Deve ter percebido, porque soltou logo em seguida.

“Você sabe o que dizem sobre garotos que beijam garotos?” A voz dele estava mais próxima do que antes, isso que estávamos deitados juntos.

“Não.” Repliquei. “O que dizem?”

“Que eles…” Ele se interrompeu e então começou a me empurrar pra fora da cama. “Merda, eu vou vomitar.”

E eu, claro, corri pra pegar um balde, rezando pra voltar e ele não estar jorrando as tripas no meu lençol.

Por sorte, não, mas estava quase.

O puxei para fora da cama, ajudando-o a sentar no chão com as costas contra o estrado, o balde entre os braços. Sentei ao lado dele. Eu não ia conseguir dormir direito, de qualquer forma.

Ficamos em silêncio, e então eu decidi falar um pouco sobre mim, já que ele havia me dado tantas informações pessoais de uma vez só. Contei sobre meu irmão, que eu estava ali por causa do dinheiro, acima de tudo, mas também porque queria que ele se orgulhasse de mim.

Baekhyun ficou quieto por bastante tempo. Parei de falar quando cheguei nos meus pais, porque eu não sabia como me pronunciar sobre aquilo. Então acabei ficando em silêncio também e, de repente, quando olhei para o lado, Baekhyun havia dormido.


 

. . .


 

9 de abril, 11:01 — Las Vegas

Sete semanas antes


 

“O que é isso?” Perguntei, apontando com a caneta para a mão de Baekhyun.

Ele fez uma expressão esquisita, então estendeu a palma para que eu pudesse enxergar com clareza.

Era uma tatuagem de meia-lua. Eu tinha certeza que já havia visto aquilo em algum lugar, mas não lembrava onde. Era familiar, disso eu tinha certeza.

“É só uma tatuagem.” Disse. “Não tem um significado exato.”

Perguntei-me se ele imaginava que todas as tatuagens que eu tinha carregavam significados próprios, porque não era bem assim.

“Quando você fez?” Ela era vermelha, mas o tom puxava um pouco pro roxo, e o traço era irregular.

“Faz um tempo. Dois ou três anos.” Ele pegou a caneta da minha mão, inclinando-se sobre a mesa para traçar mais linhas avermelhadas no mapa. “Eu acho que fica no último andar. O último é a área dos fliperamas e coisas eletrônicas, e eles precisam de espaço pra conectar todos os cabos e fazer a tal ramificação que você falou. Acho bem mais provável que fique lá.”

Concordei com ele.

Estávamos arquitetando um plano, mas tudo começava com informação, e eu não tinha a informação necessária que, no caso, era a gravação das câmeras de segurança. Precisava saber quais ângulos elas filmavam e rezar pra encontrar um ponto cego entre eles. Além disso, elas também serviriam para nos tornar invisíveis durante o roubo.

Uma das exigências da AV22 fora para que evitássemos chamar atenção. Eles queriam o dinheiro, mas queriam que o pegássemos em silêncio. Quando o cassino percebesse que havia muito em falta, já estaríamos bem longe de Vegas.

O El Dorado também era um dos únicos cassinos que funcionava convertendo Bitcoin. O fundo cibernético deles deveria ter o quádruplo de dinheiro que o físico, e eu estava ali pra levar toda essa grana embora. Sabia que ia roubar mais dinheiro do que me pagariam por isso, mas tudo bem. Eu estava fazendo aquilo pelo meu irmão, porque ele ficou feliz de saber que eu tinha domínio sobre alguns de seus códigos, e porque eu queria aquele dinheiro que a AV22 prometeu na nossa conta bancária.

Meu irmão havia tirado fundos sabe-se lá de onde para comprar um carro, uma moto e se manter durante seis meses. Mas, o que quer que ele tivesse feito, não duraria pra sempre. Oitenta milhões também não, claro, mas seria muito mais seguro para nós do que uma renda mais instável. E era isso o que eu queria, melhorar nossas vidas.

Meus códigos eram suficientes para invadir contas bancárias brincando, mas eu não apreciava muito essa arte. Han era quem passava a maior parte do tempo tirando dinheiro de pessoas ricas demais, eu gostava de apagar cidades, hackear sites problemáticos, derrubar fóruns. Eram coisas divertidas pra mim, mas é claro que, vez ou outra, eu cometia crimes também. Era inevitável, porque estávamos em uma via de mão única quando se tratava de redes.

“Vamos precisar de uma distração pra você entrar lá, não vai ser tão fácil.”

“Eu sei.” Olhei pra ele, esperando que continuasse. “O que você tem em mente?”

“Uma ideia ótima.”


 

. . .


 

15 de abril, 20:44 — Las Vegas

Seis semanas antes


 

Estávamos no telhado do Caesar’s Palace.

Eu não fazia nem ideia de como conseguimos subir ali, mas também não estava questionando muito, porque depois de tudo o que vínhamos fazendo, subir no telhado de um hotel era o de menos.

“Acha que dá pra entrar e sair por cima?” Perguntei pra Baekhyun, que observava o telhado do El Dorado através de binóculos. “Porque eu não vi nenhuma entrada lá.”

“Deve ter alguma.” Ele afirmou, ajustando o objeto que tinha em mãos até focar onde ele queria. “Eles precisam de saídas de ventilação, de lugares de emergência e… bem, tem um heliporto ali, então eu não vejo por que não haveria uma entrada. Acho que só precisamos procurar.”

Nós estávamos tentando encontrar um meio de escapar do cassino, porque não dava pra sair pelas portas da frente carregando malas de dinheiro. Tínhamos de ser discretos, e eu não sabia se haviam outras entradas além da porta principal. Eles não tinham nem mesmo uma área de carregamento térrea, o que me fazia pensar que o heliporto servia pra isso.

O El Dorado tinha uma segurança admirável, e eu queria só ver como nós passaríamos por ela.

“Achei.”


 

. . .


 

11 de abril, 17:21 — Las Vegas, Nevada

Seis semanas antes


 

Baekhyun fumava. Eu já imaginava isso, porque ele tinha cheiro de nicotina e eu duvido muito que alguém ande por aí com um isqueiro no bolso sem necessidade.

Portanto, não fiquei surpreso de pegá-lo fumando quando saí da loja de conveniência. Eu fiquei surpreso por ele estar fumando em um posto de gasolina.

“Você está tentando nos matar?” Reclamei, abrindo a porta do carro e jogando as sacolas pra dentro. Ele me olhou de soslaio. “Tem uma placa enorme ali que diz pra não fumar, Baekhyun.”

“Gosto de viver perigosamente, gracinha.” Ele respondeu, sentando atrás do volante logo em seguida.

Acabei por ocupar o banco do carona, um pouco incrédulo sobre a atitude dele. Acho que viver perigosamente não deveria incluir morrer carbonizado, mas se era assim que ele pensava, quem era eu para julgar?

“O que foi?” Já estávamos na estrada de volta para o hotel quando ele se pronunciou. Encarei-o com uma expressão interrogativa que ele captou bem, porque indicou minhas mãos com a cabeça. “Se machucou?”

“Meus dedos estão doendo.” Expliquei, continuando a flexioná-los, a fim de relaxar.

Eu passava muito tempo digitando, em períodos contínuos principalmente, e às vezes minhas mãos ficavam doendo. Não era nada demais, só que incomodava, principalmente porque eu não gostava de sentir dor nenhuma.

“Você vai ser um velho com atrofia muscular.” Baekhyun afirmou, jogando o cigarro pela janela aberta, antes de esticar a mão e pegar a minha.

Por dois segundos, eu pensei no quanto aquilo era gay e no quanto eu não ligava para ser, mas aí ele começou a massagear minhas juntas e eu não soube bem como reagir porque 1) foi totalmente sem aviso e 2) eu nunca tinha reações prontas para coisas do tipo.

Um cara raramente segurava minha mão, e menos ainda uma mulher. Eu estava… nervoso. É, estava nervoso mesmo.

Mas, de qualquer forma, pelo menos eu podia culpar sua gentileza súbita por me deixar daquele jeito.

Acabei percebendo, enquanto o calor da pele dele passava para a minha, que eu era ótimo jogando a culpa nos outros.


 

+


 

O banheiro da suíte era puro vapor, o chuveiro ligado produzindo cada vez mais fumaça, mergulhando o cômodo em névoa. A água não estava assim tão quente, mas o lugar não tinha janela, então era compreensível.

Eu havia acabado de enxaguar o xampu, que tinha um cheiro forte de camomila e Ginseng, quando ouvi a porta do box abrindo. Tirei a água dos olhos antes de olhar para Baekhyun, que estava parado ali, em pé, seminu e com uma expressão calma no rosto. Eu estava enxergando tudo meio borrado, mas ainda dava para dissociar as imagens.

A cueca dele era preta e tinha uma tatuagem de estrela na costela, na lateral. Era pequena, mas eu sabia que era uma estrela porque já havia visto ele trocar de roupa antes e meus olhos eram naturalmente atraídos para qualquer tinta preta cobrindo pele. Ele não tinha muito, mas eu procurava do mesmo jeito, me interessava; eu achava bonito.

Às vezes ele parecia mais velho e às vezes parecia um adolescente; essa dualidade me deixava confuso.

“Posso entrar?” Perguntou, em um tom baixo.

Ele havia deixado a porta do banheiro entreaberta e eu escutava música ecoando do quarto, o que me deixou curioso, porque ele nunca ouvia música alto, e eu menos ainda, mesmo que a suíte tivesse isolamento acústico.

Balancei a cabeça, concordando e me virando de costas para ele porque, bem, eu estava nu, com um pouco de vergonha e molhado. Era uma situação constrangedora, eu tinha certeza, principalmente pelo fato de Baekhyun estar tão confortável.

Eu senti a mão dele nas minhas costas, a ponta dos dedos acompanhando a água que escorria pela minha pele, parando na base da coluna. Não me movi. Não sabia se queria que ele seguisse com o que quer que fosse, ou não. Estava esperando seu próximo passo para decidir se o afastaria.

É claro que eu sabia que não, porque era Byun Baekhyun ali. Ele vinha me deixando com vontade para mudar de ideia no último minuto, o que me confundia bastante, porque eu não tinha como saber se era por minha causa ou só porque ele não estava realmente a fim. Por isso fiquei receoso com sua presença; eu não sabia o que ele queria.

Acabei tomando coragem para me virar. Eu precisaria sair do box uma hora ou outra, então não via muita vantagem em adiar o inevitável.

Quando olhei para Baekhyun de novo ele estava nu, o cabelo molhado e puxado para trás, numa bagunça escura. Olhava para baixo, para o sabonete líquido na prateleira embutida, mas, de repente, ergueu o olhar para mim.

A gente ficou ali, se encarando por uns quinze segundos, até ele desviar o olhar, rindo, e foi a primeira vez que ele riu daquele jeito que eu não sabia explicar. De uma forma que não era para me provocar, mas também não era sem graça. Eu não sabia o que significava, mas sabia que havia achado bonito.

E, bem, eu gostava de coisas bonitas.

Baekhyun me beijou.

Eu beijei de volta, sentindo todo o calor dele na minha pele quando se aproximou para me tocar, abraçando a minha cintura, a mão deslizando nas minhas costas enquanto a outra segurava o meu rosto. Seus lábios se encaixaram nos meus, e a boca dele era quente, macia e com um gosto horrível de nicotina, que eu só conseguia ignorar porque a sensação de beijar ele era melhor que o sabor.

Continuamos no chuveiro por mais uns minutos, aproveitando o vapor e a água quente, e então Baekhyun desligou o registro, pegando na minha mão e me puxando para fora.

Tive tempo de me enxugar de qualquer jeito com a toalha – que estava em cima do balcão da pia –, antes de ser puxado novamente, dessa vez para fora do banheiro, pelo chão acarpetado do quarto, na direção da minha cama. Ela tinha mais espaço que a dele, cheia de bagunça e roupa espalhada em cima.

Nos minutos que levei para me enxugar mais ou menos, Baekhyun havia vestido a cinta-liga. Eu sei porque vi os traços carmim na pele dele, minha visão ainda estava um pouco prejudicada pela falta dos óculos.

“Você consegue me enxergar?” Ouvi sua voz de novo, no mesmo tom baixo de antes.

“Mais ou menos.” Fui sincero, esfregando os punhos nos olhos como se isso pudesse mudar alguma coisa. “Eu só…”

Quando minhas pálpebras se abriram de novo, Baekhyun estava quase em cima de mim, as mãos no meu rosto, e minha visão havia se ajustado. Sorri para ele, com um pouco de vergonha por estar completamente nu, mas excitado demais para querer vestir alguma coisa; ele havia colocado aquela merda de cinta-liga carmim e eu ficava mais duro só de me imaginar chupando aquelas coxas.

O toque dele era quente. Subiu na cama e me guiou mais para trás, até que eu estivesse com as costas apoiadas nos travesseiros. Sua mão acariciava minha perna de forma delicada, cautelosa. Fiquei com vontade de dizer que eu não era de porcelana, mas fiquei quieto, porque percebi que ele estava fazendo aquilo para ver se eu queria.

Estava me deixando decidir.

Até seu olhar sobre mim era mais gentil que de costume, e eu fiquei vermelho igual a um idiota por causa disso. Senti como se fosse dar pela primeira vez e quis me enfiar embaixo das cobertas, esconder-me dele e de todo aquele cuidado que estava tendo comigo, porque, porra, eu esperava tudo, menos isso.

Ele me deixou nervoso e com muita, muita vergonha de estar pelado na frente de alguém de novo.

Baekhyun invadia o banheiro quando eu estava tomando banho, porque ele tinha algum tipo de complexo com escovar os dentes, e só fazia isso quando eu estava no chuveiro. De início, eu não percebia que ele me observava, porque, bem, eu ficava virado para o outro lado, morrendo de vergonha e me perguntando por que eu não tomava banho de cueca. Uma dessas vezes, eu olhei para ele, só para saber se já tinha saído do banheiro para eu poder tomar banho em paz, e ele estava me observando, a cabeça erguida e a boca cheia de espuma branca.

A encarada durou uma fração de segundo depois que o flagrei, mas eu ainda me lembrava dela com clareza.

Por um lado, a culpa também era minha, porque eu não trancava a porta, mesmo que pudesse fazer isso. Naquele momento, fiquei feliz por nunca ter girado a merda da chave. Imaginava que estivéssemos ali por causa daquilo. E estar naquela situação era bom.

Baekhyun me fez flexionar os joelhos, depois que eu concordei em continuar, e eu não queria assistir ao que quer que fosse porque estava querendo me enfiar num buraco e morrer, então estiquei um braço e peguei um travesseiro, puxando-o para cobrir minha cabeça.

Não durou muito, a mão dele o afastou, empurrando meus braços junto, expondo meu rosto.

“Tá com vergonha do quê, gracinha?” Seus lábios pairavam sobre os meus, e ele me beijou, rápido, antes de rir e usar uma das mãos para tirar meu cabelo molhado da cara. “Não é a primeira vez que eu te vejo desse jeito.”

Aquilo não me ajudou a relaxar, mas os beijos dele, sim.

“Confia em mim.” Voltou a falar. “É muito melhor se ficar olhando.”

Deixei um gemido escapar quando a mão dele esbarrou no meu pau, duro e sensível, e cobri a boca com as mãos, sentindo minhas bochechas queimando para caralho por conta daquilo. Ele não pareceu se importar, lançou-mr um sorriso antes de se inclinar no meio das minhas pernas, afastando meus joelhos um do outro com as mãos, os lábios trilhando beijos por cada pedaço de pele que lhe desse vontade, indo das minhas coxas à virilha, ao baixo-ventre, e de volta para as coxas.

Cada selar me deixava mais excitado, e mordi meu dedos quando ele finalmente colocou meu pau na boca, porque estava com receio do quão alto ia gemer pelo contato. Era gostoso. Pra caralho.

Não me lembro quanto tempo fazia que ninguém me tocava, porque eu estava hipersensível e me sentindo bem idiota por causa disso. Bater punheta não era o mesmo que ir para a cama com alguém, eu sabia disso, mas em nenhum momento parei para pensar que a falta de sexo me deixaria, não sei, um pouco desesperado quando transasse de novo.

Baekhyun chupava bem devagar, movendo a língua com calma e deixando meu pau tão molhado que a saliva escorria em fios sobre a pele. Os dedos dele apertavam minha coxa, intercalando com carícias mais suaves.

Eu ainda tinha vontade de me esconder, mas a luz estava regulada tão baixo, a música era tão perfeita construindo um clima e ele estava me chupando com tanta vontade que eu acabei me perdendo no meio dessas coisas. Fechava os olhos ou desviava o olhar para o teto toda vez que ele me encarava, porque sempre que olhávamos um para o outro, Baekhyun fazia questão de aumentar a pressão nos lábios e sugar com mais força, e para mim, que já estava sensível, aquilo era demais.

Ele só parou de me chupar quando eu lhe pedi para fazer. Eu queria gozar, mas também queria aproveitar aquilo. Não era divertido quando só uma pessoa fazia tudo, ainda mais para mim, que gostava da sensação de um pau na boca tanto quanto gostava na bunda.

Baekhyun se esticou na minha direção, engatinhando sobre a cama até estar no meu colo. Eu havia sentado, segurando sua cintura e querendo que ele se aproximasse mais ainda, porque a pouca distância entre nós dois parecia grande demais para a minha necessidade de tê-lo.

Não era difícil tocar Baekhyun. Meus dedos iam naturalmente para lugares que pareciam agradá-lo, porque ele não se importava em gemer quando estava gostando, e assim que conseguia saber onde ele gostava mais. Aparentemente, o pescoço era seu ponto fraco, bem na curva do ombro, e não vou negar que gostei de chupar aquele pedaço de pele e vê-lo se contrair todo como se fosse um boquete.

Eu quis que ele ficasse sentado para poder chupá-lo, deitando de bruços no meio das pernas abertas e alcançando os dedos no cós da cueca. As tiras da cinta-liga que ele usava eram de couro, e eu me lembro da forma como elas delineavam a bunda dele, tornando mais atraente do que pensei que fosse possível.

Baekhyun era gostoso demais para minha sanidade questionável.

Tirei os óculos com uma mão e segurei o pau dele com a outra, movendo os dedos para cima e para baixo devagar, tentando deixá-lo um pouco mais duro antes de colocar na boca. Eu ainda estava um pouco nervoso, então minha mão tremia; como eu não podia segurá-lo com força para não machucar, nem tinha como esconder.

“Quer ajuda?” A voz dele carregava sarcasmo e eu quase, quase desisti.

Mas balancei a cabeça, assentindo.

Baekhyun colocou a mão sobre a minha, guiando meus dedos em um ritmo mais acelerado, apesar de não rápido demais. Acabei me afastando um pouco, deixando ele se masturbar e me inclinando para beijar suas coxas, chupar e morder a pele já arrepiada. Eu tentava ser delicado porque ele parecia bem sensível, mas era difícil controlar qualquer tipo de pressão quando minha mente estava inteiramente focada em gozar e fazer com que ele gozasse também.

Quando eu voltei a deitar, de costas, Baekhyun me beijou por uns segundos e então me mandou virar de bruços e ficar de quatro. Eu demorei para processar a informação, então ele impaciente e delicadamente me ajudou a trocar de posição, acariciando-me, apertando e beijando para me estimular a ser mais rápido.

Acabei com a bunda para cima, os joelhos flexionados e afastados e a cara enfiada no lençol caro, agarrando o tecido branco entre os dedos para descontar um pouco do meu tesão em alguma coisa. Meus óculos estavam tortos, quase caindo, mas o incômodo que eles causavam não era maior que minha preguiça de tirá-los.

Baekhyun me deu uns tapas antes enfiar os dedos molhados de saliva na minha bunda, deixando para avisar de última hora que ia ser no cuspe porque ele não tinha lubrificante.

Eu me desesperei um pouco, não vou negar, mas confiava nele e nós já estávamos na metade, eu não queria parar. Se dava para ir no cuspe, então que fosse.

Mas pedi para que deixasse a minha bunda bem molhada.

Ele riu.


 

. . .


 

13 de abril, 19:45 — Las Vegas, Nevada

Seis semanas antes


 

O quarto estava uma bagunça. As cadeiras da mesa de jantar haviam sido afastadas e estavam espalhadas pelo cômodo, porque precisávamos de bastante espaço.

Havíamos montado um mapa físico para trabalhar em cima, e era ele que estávamos inspecionando agora, prontos para organizar os últimos detalhes do plano. Naquele momento, tínhamos tudo pronto; a ideia da distração que Baekhyun sugerira, para que eu pudesse ter acesso à rede do cassino, e nossa forma de entrar e sair dele em silêncio.

Só não havíamos decidido como isso aconteceria. Independente, já sabíamos como faríamos, só precisávamos de uma situação para nos favorecer.

“O El Dorado não tem muitos pontos fracos, então nós vamos precisar entrar da forma mais óbvia possível.” Baekhyun se virou para mim na cadeira giratória, a caneta vermelha em mãos. Ele parecia meio cansado, mas eu também estava, então era compreensível. Ergui a sobrancelha, esperando pela conclusão. “Vamos nos infiltrar.”

Apoiei a mão no tampo e olhei para ele com a minha melhor expressão de desdém.

“Que foi?”

“Nada. É que você sonha muito alto.” Resmunguei. “A segurança do lugar é sofisticada ao ponto de eu não conseguir invadir a rede sem estar perto, e você quer que a gente… se infiltre?”

Ele suspirou, ficou de pé e veio até mim, balançando a caneta nos dedos.

“Você pensa muito pequeno, Sehun.” Disse, se inclinando para rabiscar alguma coisa no papel branco. “Você vai estar na rede deles depois que criarmos a distração, então por que não se aproveitar disso para colocar nossos nomes nas fichas de segurança? Você pode colocar a gente dentro, gracinha, é só usar a cabeça.”

Eu quis perguntar se ele já havia roubado um banco ou algo do tipo, mas, sinceramente, não queria ouvir uma resposta. Baekhyun tinha um raciocínio mais rápido que o meu, o que não era muito surpreendente, então eu já imaginava que ele usava isso para se beneficiar, da mesma forma que eu fazia.

“Eu vou tentar.” Disse, observando-o fazer uns desenhos aleatórios no nosso mapa. “Mas precisamos de um Plano B, caso algo aconteça. Na verdade, acho que a gente precisa de um milhão de planos, porque eu não vejo formas que isso não dê errado.”

Baekhyun inclinou a cabeça, cobrindo os desenhos que fazia. As mangas da blusa dele estavam puxadas para trás, até os cotovelos. O ar-condicionado ligado na temperatura mais baixa era o único motivo de usarmos manga comprida dentro do cômodo. Eu não havia parado para prestar atenção ainda, mas agora que estava perto e não tinha mais nada para me distrair, eu estava olhando para as tatuagens que ele tinha nos braços.

Eram bem discretas, palavras únicas ou números, coisas que não pareciam fazer sentido.

Ele me pegou olhando. Eu quis perguntar o que aquilo tudo significava, mas não sabia se receberia uma resposta, principalmente porque Baekhyun nem mesmo fez questão de se pronunciar sobre a minha curiosidade óbvia.

“Você tem um Plano B?”


 

. . .


 

2 de maio, 3:55 — Las Vegas, Nevada

A noite do


 

Meu coração batia tão rápido que eu achei que ia explodir no peito.

Las Vegas era uma cidade turística, e o fato de o El Dorado ter fechado as portas devido a um “possível ataque terrorista” não significava que os outros cassinos ao redor fechariam também. Havia gente para todo lado na rua, turistas curiosos aproveitando as férias e jogadores compulsivos se reunindo em grupos para entrar nos cassinos.

Baekhyun e eu estávamos no carro, com todo o dinheiro no porta-malas.

Ele parecia tranquilo, mas eu estava suando frio, porque alguma coisa tinha de dar errado.

Não foi nada fácil, tivemos de entrar por cima, junto com um helicóptero da equipe de segurança do cassino, e o tempo todo eu pensava que eles iam descobrir que não éramos parte daquilo e nós dois acabaríamos mortos, presos ou coisa pior; eu já ouvira falar de pessoas sendo torturadas em porões, e queria manter meus dedos e minha língua intactos enquanto possível.

Por algum motivo, eles estavam mais preocupados em vedar todas as entradas do cassino que não aquela, porque a preocupação deles era um ataque terrorista, não um roubo. O tiro que Baekhyun dera, aquele que estilhaçou o vidro e fez um inferno dentro do lugar… ele era o motivo de todo mundo estar ali.

Só quando saímos de perto do El Dorado, com Baekhyun em silêncio atrás do volante, foi que eu consegui relaxar um pouco, mesmo que ainda estivesse suando frio.

O dinheiro em espécie estava ali, nos bancos do carro, porque havíamos conseguido tirá-lo por uma saída externa depois que a equipe de segurança terminou de vedar o local, deixando alguns de seus colegas dentro do cassino para vigiar as entradas e janelas.

O dinheiro cibernético estava na conta da AV22, para onde eu havia sido instruído a desviá-lo.

E nós estávamos saindo de Las Vegas, assim como combinamos. Dali para frente, eu seguiria para um lado, seria levado de volta para casa, de volta para o meu irmão, e ficaria rico.

Enquanto Baekhyun… bem, não sabia o que aconteceria com ele. Também não sabia se estava pronto para me despedir.

Mas o pior já havia passado, pelo menos era o que eu achava.

Havíamos conseguido.


 

. . .


 

4 de maio, 23:15 — Tonopah, Nevada

Três semanas antes


 

Eu havia acordado há pouco tempo.

Passamos um dia inteiro na estrada, rodando por Nevada à toa, em busca de uma desculpa para ficarmos sozinhos. Tanto Baekhyun quanto eu precisávamos nos acalmar, e a forma que encontramos de fazer isso foi parar no meio do deserto por quarenta minutos, só nós dois, ouvindo a estática do rádio e trocando um beijo ou outro, porque nenhum de nós estava no clima para transar; ele por estar estressado, eu por estar nervoso demais para sexo.

Aquele dinheiro no porta-malas significava muitas coisas: uma nova vida para mim e para o meu irmão, um crime, o sucesso da AV22, a falência de um cassino amado pelos turistas… Eu sabia sobre essas coisas, mas não sabia o que aquilo tudo significava para Baekhyun, então eu quis perguntar.

E quis que ele respondesse.

“Como assim?”

Tirei o cinto, virando-me no banco para poder olhar para ele. “O que você vai fazer depois que isso acabar?”

Baekhyun suspirou, desligou o carro, tirou a chave da ignição e abriu a janela. Nem precisei vê-lo pegando o cigarro, eu simplesmente sabia que ele queria fumar. Não fizera isso desde que saímos de Las Vegas, então eu já imaginava que era um dos motivos do estresse dele.

“Vou voltar para casa.” Disse, tragando e soprando a fumaça para fora. Estávamos no escuro quase completo, a única iluminação sendo a luz da lua, fraca lá do alto. “Resolver meus problemas e quem sabe ter uma vida normal.”

Eu o encarei por algum tempo, em silêncio. Ele me olhou de volta, erguendo a sobrancelha.

“Qual a sua definição de vida normal?” Questionei, antes que ele me perguntasse o que eu estava pensando.

Baekhyun deu de ombros, tirando o cigarro da boca por mais do que cinco segundos.

“Sei lá.” Resmungou, deslizando para baixo no banco, tentando relaxar. “Talvez uma casa com um cachorro, essas coisas que a gente vê na TV.”

“Eu não olho TV.”

“Não quebra o clima, Sehun.” Ele riu, e eu acabei rindo também.

Quando voltamos a ficar em silêncio, voltei a observá-lo, gravando seus traços, perguntando-me se eu deveria dizer em voz alta o que estava se passando pela minha cabeça naquele momento.

Baekhyun terminou de fumar, jogando a bituca do cigarro para fora e esticando o braço para deitar o banco, procurando uma posição confortável em que ele pudesse descansar, imaginei. Quando encontrou uma, fechou os olhos e respirou fundo, relaxando.

“No que você tá pensando, gracinha?”

Puxei os joelhos para perto do peito, apoiando os braços sobre eles e o queixo nos antebraços.

“Por que você não vem comigo?”

Ele abriu os olhos e me encarou por uns segundos, as sobrancelhas franzidas numa expressão interrogativa.

“Ir com você para onde?” Questionou, continuando a olhar para mim com aquela cara de incredulidade.

Me arrependi de ter aberto a boca.

“Para a China.” Esclareci. Agora que eu já estava na merda, por que não me afundar? “Por que não vem comigo para a China?”

O silêncio cresceu entre nós dois de novo. Eu estava esperando uma resposta dele, mas não sabia o que seria, e ele, aparentemente, estava escolhendo as palavras.

De repente, um apito agudo se fez presente. Baekhyun puxou a manga para trás, expondo o relógio em seu pulso esquerdo. Eu nunca havia reparado que ele usava relógio, e me perguntei desde quando aquilo estava ali; eu era observador, deveria ter reparado.

Ele ergueu o olhar para mim de novo.

“Eu não posso.” Acabou por dizer. “Desculpe.”


 

+


 

O clima entre nós estava estranho.

Eu entendia isso, mas achava que a culpa era minha. Eu realmente não deveria ter aberto a boca, porque, afinal de contas, o que raios faria Baekhyun largar tudo? Eu?

Agora ele estava quieto e distante, e eu não parava de repassar as coisas na minha cabeça, querendo voltar no tempo e ter calado a merda da boca.

Acabei encolhendo-me no canto, virado para a janela, porque olhar o deserto passando rápido por nós enquanto a manhã surgia doía menos do que olhar para ele. Eu sabia que eu deveria aceitar seu não, mas porra, era óbvio que eu não queria! O que tinha de errado em ficar comigo? Era tão ruim na cabeça dele que nem uma chance eu podia ter?

Perguntei-me se, sei lá, Baekhyun de repente pensou que eu estava lhe pedindo em casamento. Não era isso, não estava pedindo nem mesmo para ele namorar comigo. Só queria que ele ficasse por perto, que nos tornássemos amigos, porque a ideia de nunca mais poder olhar na cara dele me incomodava. Eu não queria que Baekhyun voltasse para a Califórnia, mesmo que soasse egoísta pra caralho querer que ele deixasse sua família só para que eu pudesse tê-lo um pouquinho mais.

“Merda.” Ouvi sua voz, e a palavra saiu suspirada, como se aquilo fosse só uma inconveniência chata.

O problema é que inconveniências chatas não incluem uma barreira policial parando seu carro cheio de malas de um dinheiro que não é seu.

Baekhyun parou, é claro. O cara do outro lado, em pé e com o uniforme completo da porra da S.W.A.T, fez um aceno com os dedos. Vi Baekhyun soltar o cinto e destrancar a porta, abrindo-a e descendo. Ele me mandou ficar no carro antes de ir, então eu obviamente obedeceria.

Meu estômago estava começando a doer de nervoso e eu havia voltado a suar frio, porque a barreira estava fechada e era um cerco de policiais, com carros, motos e armas, e armas me deixavam nervoso. Pensei em abrir o vidro para respirar, mas não parecia uma boa ideia. Tinha medo que eles me dessem um tiro na testa.

Respirei fundo para tentar me controlar, mas eu não parava de suar e balançar o joelho para baixo e para cima. Meu nervosismo não ia passar tão rápido.

De soslaio, vi Baekhyun se aproximar do carro e, por um momento, pensei que tudo estava bem, porque não tinha ninguém apontando uma arma para ele. Observei-o contornar o veículo, dando a volta até alcançar a minha porta e, para a minha surpresa, abrindo-a.

“Desce.” A voz dele estava baixa e carregada de algo que eu não conhecia. Achei que ele estivesse nervoso também. Quis acalmá-lo, mas não sabia como.

Fiz o que ele pediu, afastando-me um passo para permitir que fechasse a porta.

Baekhyun suspirou, fechando os olhos por uns segundos antes de se voltar para mim de novo.

“Vira.”

“O quê?” Minha expressão de confusão devia ser óbvia, porque ele ergueu a mão para sinalizar para mim.

“Vira de costas, Sehun.”

Obedeci.

Ele puxou minhas mãos para trás e, quando soltou meus pulsos, eles estavam presos juntos.

“Oh Sehun.” Baekhyun começou, puxando-me pelo braço e me afastando do carro. Eu sentia meu coração bater mais rápido a cada passo, e se eu pensava que ele ia explodir antes, agora tinha certeza. “Você está preso por crimes contra o estado de Nevada. Tudo o que você disser, pode e será usado contra você no Tribunal.”

 


Notas Finais


Masterpiece teve lemon! Até eu fiquei surpresa; independente de não ter sido descrito até o final, acho que ainda conta como sexo, não? Espero que sim rsrs

Não é toda vez que eu penso numa música enquanto escrevo, e dessa vez eu pensei muito em 23, do Chase Atlantic, então estou recomendando que vocês ouçam se puderem, porque ela é ótima aa

Sim, eu optei por não narrar o roubo, porque não queria correr o risco de acabar fazendo apologia a crimes, principalmente quando a história e as consequências dela não caem somente no meu nome, então espero que entendam e possam me perdoar por cortar a parte “emocionante” kkk

Bom, gente, eu acho que é isso. Nos vemos na próxima?


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