História Mate Nosso Caminho Para o Céu - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Antigos Deuses, Gods Americans, Guerra Santa, Namjin, Religiões Asiáticas
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Palavras 2.458
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Nada é o que parece.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Mate Nosso Caminho Para o Céu - Capítulo 1 - Prólogo

Neste mundo há pessoas que não sobreviveriam diante a crueldade do mundo. Eu vendo sonhos para estas pessoas."

 

Em algum lugar do Pacífico, 1937.

Há tempos já não era o mesmo, a mudança de clima anunciava a chegada da nova estação. Sob o barulho da copa das árvores, agitadas pelos primeiros ventos de Outono; roubando-lhes fácil a folhagem.

O frescor da manhã, produto da garoa noturna, incentivando-as a voarem para longe ou curiosas; buscarem entrever o que se passava ali, naquela construção estranha e cinzenta construída entre elas.

Não era tempo, mas ela se desprendeu afoita do galho. Ainda verde e viçosa, pousando somente ao alcançar a pequena janela de vidro, alta demais para que a garota que a viu chegar pudesse alcançar. Ficara ali, contra o vidro, observando a menina agarrada à boneca de pano suja de terra, sozinha. Encolhida num canto do cômodo em penumbra, entre a parede mal rebocada e os estoques amontoados de água, mantimentos e gasolina, que ela sabia pertencer aos homens que estavam do lado de fora.

Seu choro era baixo como para não assustar sua pequena boneca, reflexo da mãe. Poderia até mesmo dizer que cantarolava baixinho a niná-la. Buscando conforto em silenciosa oração nas crenças maternas.

_ Halmoni. - chamou lânguida - Halmoni. Yondung Halmoni. Pode me ouvir? - rogou entre uma pausa e outra, em que escolhia com temor as palavras diante a deidade - Não tenho presentes para você. Mas és primordial e assim como o vento que não podemos ver, mas podemos senti-lo, podes entrar e sair de todos os lugares sem ser pega. - buscou pelo ego da deusa, sob a voz embargada - Estes homens estranhos nos trouxeram e nos prendem aqui. Não posso nem mesmo olhar a face do Sol. - seu olhar se ergueu para a pequena janela, o único foco de luz ao continuar a falar - Mas podes ouvir a minha voz. Tire-me daqui Grande Senhora e a adorarei por toda minha vida. - a súplica incontida - Eu te oferecerei presentes como um dia fez minha mãe e a mãe dela. Tecidos, bolos de arroz, incenso e os melhores chás. Farei o que quiseres! - exclamou, punindo-se mentalmente, recolhida em si - Por favor… já não vejo minha irmã há muitos dias… - confessou com lamento.

No canto oposto do cômodo em meio a penumbra quase negrume, ela vislumbrou algo se mover, junto a voz melodiosa vinda dali.

_ Ah, ela já está morta há muito tempo. Ela não quis se abrir pro sama lá em cima, então ele atirou nos miolos dela. - antes que as palavras lhe pesasse, ela adiantou-se com expectativa.

_ Halmoni?

_ Não… - das sombras, revelou-se o dono daquelas palavras que enfim a atingiam com efeito. Um jovem belo de origem japonesa, vestido elegantemente em trajes europeus, modernos para época; o que facilmente encheu-lhe os olhos. Enquanto o escutava com quase fascinação, como soava-lhe bem o próprio dialeto coreano ao se comunicar consigo - Os Deuses estão muito ocupados para ouvi-la.

_ Quem é você?! - demandou, assustadiça. Encolhida em si, ao riso bem-humorado e discreto do sujeito.

_ Você quer ajuda, não quer? - tentou, aproximando-se e se curvando diante os olhos da garota - Deixa eu te contar uma história então. - sussurrou num pedido mudo - “Era uma vez… - falava-lhe com exagero em sua voz, como se abrisse um espetáculo teatral, entre a comédia e a tragédia, afastando-se dela com ímpeto como se tomasse seu papel - … 200.000 mulheres que se ferraram.” - brandiu, batendo palmas ante as próprias palavras, cujo ato repentino a assustou - Gostou da história? O que achou? - indagou. Ela temia que fosse um lunático, com seu sorriso quase maldito no rosto, próximo ao de um anjo. Masculino, mas de feições etéreas, até mais delicadas do que as suas; próprias aos seus 13 anos de idade - Porque é essa a história das ‘mulheres de conforto’. - exclamou como se confessasse-lhe um segredo, voltando a aproximar-se dela - Merda, você ainda nem sabe o que são as mulheres de conforto. - praguejou, caminhando entre as pilhas de suprimentos sob o olhar incisivo da mesma.

_ Deixe-me ser o primeiro a contar que você será uma delas. No momento que esses filhos da puta japoneses puseram os pés fora do país deles e decidiram que eram superiores a vocês e que deveriam ser Colônias deles... e esta é a forma mais gentil de nomear o que farão ao seu país! - ressentiu, supostamente a nacionalidade não lhe pertencendo, mas os humanos aos quais citava.

_ Deixe-me ilustrar ao menos o que farão a vocês, mulheres de conforto. - demandou com um sorriso cínico - Vocês são tiradas de suas casas, coagidas ou por meio de promessas mentirosas de emprego. E vocês vão, porque vêem suas famílias morrendo aos poucos de fome e ignoram que aqueles malditos estejam sugando tanto da terra de vocês que não se importam mais se comem ou não. E adivinhem só!? - demandou com necessidade - O único emprego que terão será dar para o Exército Imperial. - como ele podia dizer aquilo… sorrindo? - Não, não, me perdoe, me expresso errado. -  sibilou cavalheiro - Vocês não receberão nada por isso. - a mão em punho do rapaz às vistas da garota se abriu, como para reforçar o que dizia; nada, simplesmente nada. - Terão entre 11 e 14 anos de idade, serão confinadas em cubículos, estupradas trinta, sessenta vezes ao dia. Tratadas de forma degradante, sofrerão queimaduras de cigarro acompanhados de espancamentos e até mesmo serão esfaqueadas ou terão seus úteros arrancados. - exclamou com ainda mais ímpeto, arrancando algo invisível no ar, sem perdê-la de vista - Com alguma sorte, certos dias da semana não serão violentadas mais que vinte vezes para que tenham tempo de lavar os uniformes de seus estupradores e as camisinhas que reutilizarão, já que o governo mandou um estoque limitado. - pausou.

_ E tudo p’ra que? Para levantar a moral deles? P’ra satisfazer os desejos sujos dos soldados? Da porra de um Exército que irá perder a guerra!? - indagou exigente - A única notícia boa é que cada vez que esses filhos da puta tocarem vocês, estarão contraindo uma caralhada de doenças e com sorte terão seus sacos cortados fora! - a perspectiva parecia lhe agradar - Mas isso não mudará os índices elevados de suícidio, após ou para evitar esses abusos. Essa será a realidade de vocês por mais de 10 anos. - explicou em voz baixa, como se lhe contasse um segredo sujo - E rezem, rezem o mais alto que puderem, para o deus mais próximo, porque eu ainda nem comecei. Um década depois vocês estarão ferradas e quarenta anos depois disto; FER-RA-DAS. Sete décadas depois de terem sido libertas e vocês ainda estarão sendo fodidas: velhas, sozinhas, amarguradas e sendo desprezadas por seus familiares, principalmente homens. Afinal, quem quer ser irmão, sobrinho ou marido de uma mulher de conforto? Uma mulher usada por todos e mais alguém, quando o patriarcalismo de seus países é bem claro quanto a isso.

_ Estarão presas em silêncio na vergonha e humilhação pelos abusos que sofreram. No fim, não saberá para onde ir, não terá dinheiro algum. E sem casa ou família, dormirá nas ruas. - pausou, quietando sua voz e seus passos alterados - Não sente raiva? - sugeriu com desconcertante calma à garota ainda encolhida no chão, mas com suas lágrimas secas como seu âmago - A raiva é boa. - ele caminhou devagar até ela, falando com experiência - A raiva… faz as coisas acontecerem. Você derrama lágrimas para Yondung Halmoni, mas é eu que estou aqui poupando-lhe do sofrimento de descobrir o que lhe espera. A menos, é claro… - novamente, afastava-se de ela, como se brincasse em segredo de pique-pega, no que ela nunca poderia alcançá-lo, apenas vislumbra-lo escorregando da ponta de seus dedos - … Que me permita ajudá-la. - sussurrou, virado de costas para ela. Houve uma movimentação brusca por parte da garota, que se ajoelhou, inclinada na direção do homem, temendo puxar-lhe a barra da calça com súplica:

_ Por favor… - o rapaz sorriu ante suas palavras e virou-se com alegria.

_ Se assim é o desejo do seu coração. - assentiu, como se invocasse a algo - Só pedirei uma coisa em troca mais tarde. - a menina assentiu quase imperceptível, mas não para o maior - Não se esqueça que a Morte não vê rostos, vá e busque pelo homem com o sinal do Sol às suas costas. - diante dos seus olhos inquietos, ele desapareceu como se desfizesse ao vento numa miragem longínqua. Onde antes, ele esteve de pé havia um fleche de luz, seguindo-o, viu-o nascer da fresta da porta entreaberta. Estava alucinando, imaginou.

Receou, assustada, fugir. Ou talvez…

Ela levantou-se e na ponta dos pés descalços, alcançou a porta e a entreabriu cuidadosa. Não havia ninguém pelo corredor que se estendia diante de si, cuja quietude a incentivou a avançar. Uma sensação de clandestinidade e perigo enquanto buscava, no fundo, por Ele. Não se importara com as portas fechadas ao seu caminho, por onde facilmente poderiam surpreendê-la, exceto por uma; que permitia que uma luz amarelada escapasse por debaixo dela.

Com a palma da mão sobre a madeira a empurrou, hipnotizada por seu interior ainda desconhecido. Seus olhos com facilidade se fixaram no estranho objeto ao lado da cama, que irradiava uma claridade intensa e alaranjada de aspecto encardido, com quase sua altura. Nunca em sua vida no campo viu algo como aquilo -uma estrela de tão perto. O objeto pelo qual conheceria anos mais tarde por abajur de piso, era uma ironia blasfêmia, ainda mais ao ter sido importada da América pelos próprios japoneses.

_ O que faz aqui, garota? - ralhou o homem com agressividade, surgido de algum lugar além da sua percepção, indo na sua direção. Homem de quarenta e poucos anos, cabelos pretos e lisos em corte militar, faltava-lhe a camisa sobre a barriga pálida e saliente. Notara a calça aberta, revelando sua atividade recente sobre a cama ainda bagunçada e suja de sangue. Decerto, algum superior sendo o primeiro a desfrutar da nova ‘remeça de garotas’.

Ele se achegou a ela e a segurou pelo braço, rude.

_ Não me lembro de tê-la chamado. - disse próximo a sua orelha - Mas já que estás aqui pode fazer um servicinho pra mim. - o homem a puxou para si, envolvendo seu pescoço entre os lábios ressecados e duros, correndo-lhe a língua áspera sobre a pele intocada. Segurando-a pelos braços com possessividade, ele aprofundou o ósculo contra sua pele. O que a enojou, a saliva dele fedia a podre.

_ Não deixe que eles nos peguem.- ela sussurrou ao homem submisso ao desejo de ter o seu corpo, o militar parou subitamente o que fazia e se afastou minimamente, o suficiente para fitar os lábios pequenos da mesma e vê-los se mexendo silenciosos “queime todos”.

Prontamente, o homem a largou. Com seu rosto voltado para o uniforme pendurado no gancho de parede, rápido, ele alcançou a peça de roupa e dela sacou a arma; conferindo a munição e golpeando o ferrolho para alimentá-la. Em seguida, ele saiu pela porta como se não a visse mais.

Surgira um curto silêncio, seguido pela explosão do tiro há alguns metros dali e o grito feminino de desespero, parecido ao de uma telespectadora de uma cena hedionda, como aquelas dos shows de horrores.

As aberrações presas em suas gaiolas, como se lhes sussurrassem que se tivessem mais sorte poderia estar no lugar delas. Elas tem tudo que vocês sonham na palma das mãos.

Ao fundo, a profusão infernal de sons; entre gritos e rangidos, tiros e objetos sendo jogados. Ela ainda continuou por algum tempo no quarto, olhando com encanto o abajur de piso.

Quando saiu, logo adiante, avistou o corpo caído no chão sem vida. Os olhos abertos como a ferido da bala em seu pescoço; morto, afogado no próprio sangue. Na ponta dos pés, ela o deixou para mais à frente testemunhar a mortalha que se formava: o chão coberto pelos corpos inertes dos homens que a faziam refém e das mulheres que assim como ela estavam presas.

“A Morte não vê rostos”.

Mas não sentiu, nem mesmo por elas. Estava anestesiada demais para aquilo, até mesmo para se importar com os que ainda de pé, lutavam entre si aos punhos, pedaços de madeira e facas. A munição finda não puderam recarregar as armas, movidos por um sentimento demasiado desesperador para buscarem por mais projéteis, estavam cegos, poderiam matar o próprio filho recém nascido alegando verem a face do demônio.

Porém a ela nada sucedeu, a ignoravam completamente como a um gwishin -uma alma vagante entre a guerra dos vivos.

Viu o homem ao seu lado enfiar uma faca no olho do outro, o sangue então esguichando, sendo então golpeado pelas costas com o pé de uma mesa por um terceiro. Mais à frente, viu o militar com uma barra de ferro golpeando com voracidade a cabeça de outrem, mesmo após aquele cair ensanguentado no chão, quebrando-lhe o crânio. Ou mesmo o sujeito que enforcava o colega com os braços de maneira doentia.

Os corpos que se espalharam tinham lesões desde furos de bala, cortes profundos, socos violentos ou membros quebrados. Um em especial tinha o pescoço partido brutalmente. O homem era o lobo do homem.

Ela, contudo, continuou em meio a chacina sem olhar para trás, mas sem medo de olhar mais perto a insanidade humana. Do lado de fora do prédio de dois andares de cor bege, com mais alguns passos, voltou-se para o mesmo. Como assistisse o espetáculo principal; o show de horrores. Estava arruinada desde o princípio de tudo aquilo, se ainda pudesse teria os alertado que não a tocassem, pois era frágil, mas amarga em seu coração.

Do segundo andar, fitou indiferente o homem sendo jogado quase sem pulso, para findá-lo ao estabacar no chão. Podia quase sentir um sentimento mórbido aninhado ao peito.

Mirou a fumaça escura surgir e pouco a pouco dar lugar às chamas que consumiriam todo o lugar.

Ficou ali, as chamas já altas crescendo ainda mais diante de si, enquanto segurava, pendurada, sua boneca de pano pela mão. Os olhos de botões desta brilhando com o reflexo do fogo, poderia dizer que por vida própria.

_ Eles não irão mais nos machucar. - prometeu a menina de vestidinho branco de laços.

Kawaii tomino no me niya namida.

Imouto koishi to koe ga giri.

Nakeba kodama ga jigoku ni hibiki,

Jigoku nanayama nakatani meguru,

Kawaii tomino no hitoritabi

Jikoku gozarabamo de kigetamore

Kawaii tomino no merijushini.


Notas Finais


¹ Mulheres de Conforto' não apenas um história, mas uma realidade hedionda.

² "Lágrimas nos olhos da pequena Tomino
Ela grita por falta de sua irmã
O choro ecoa por todo o inferno
Nas sete montanhas e sete rios do inferno
A viagem solitária da pequena Tomino
Para receber você no inferno,
Como um sinal da pequena Tomino."

* Tomino's Hell (Inferno de Tomino) é um poema japonês amaldiçoado escrito por Yomota Inuhiko em um livro denominado "The Heart is like a Rolling Stone". O mesmo foi incluído em "Saizo Yaso" uma coleção de 27 poemas, 1919.

A lenda conta que ler o poema em voz alta pode trazer consequências trágicas ao leitor, até mesmo causar a morte, aqui, claro, utilizei apenas um trecho.

Ahhhh minha primeira fanfic sobrenatural au!bts, ç.ç que emozaum. Já aviso que é só pros fortes essa fic, ao longo de toda a estória haverão acontecimentos do tipo, claro, que preferencialmente sempre da Ásia. E para quem já assistiu a série "Deuses Americanos" (recomendo) já podem ter uma boa ideia da história, mas esta terá seu próprio rumo.


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