1. Spirit Fanfics >
  2. Mauricinho >
  3. Eu não quero que chegue perto do meu filho

História Mauricinho - Capítulo 1



Notas do Autor


Ui, essa aqui foi pura criatividade!
Espero que gostem, se gostarem por favor comentem e favoritem!!!!
Betado pela ótima @Taekook_guktae
capa pela talentosíssima @Kimanuh

Capítulo 1 - Eu não quero que chegue perto do meu filho


 

— Não? — O Alfa repete, incrédulo — Como assim, não?

 

O Alfa Kim sorri debochado, e a ômega Kim abaixa a cabeça submissa pela briga de feromônio dos dois alfas.

 

— Eu não quero que chegue perto do meu filho, fique longe de Namjoon. — O homem mais velho responde sério, fazendo o garoto cerrar os punhos. 

 

— O senhor sabe quem eu sou? Sabe de quem sou filho? — O Jeon fala se arrumando na cadeira como se as roupas de marca e a lamborghini prata na entrada da casa não mostrassem sua condição familiar.

 

— Eu achei que demoraria um pouco mais para que tentasse me impressionar com o dinheiro de seu pai, Jeon Jungkook — o homem diz ácido —  mas vejo que me enganei. 

 

O moreno passa as mãos pelo cabelo, irritado e respira devagar tentando controlar o gênio forte, mas não é fácil, quando se é um Jeon não costuma se ouvir muitos nãos.

 

— Olhe, vim aqui com a melhor das intenções — O mais novo repete pela décima vez — Namjoon me disse que vocês gostariam de me conhecer e ver que minhas intenções com ele são sérias e dignas, e que não estou para brincadeira. — O jovem dá seu melhor sorriso — Quero pedir sua permissão para namorá-lo.

 

— Permissão negada. — O Kim repete. — Pegue seu carro chic e vá atrás de um ômega do seu tipo.

 

— Ômega do meu tipo? — Repete mais alto, fazendo o quase sogro rir.

 

— Do tipo rebelde, que não liga pra nada e nem pra ninguém, do tipo que se apoia no dinheiros dos pais e por ser rico acha que pode fazer tudo. — responde — Esse é seu tipo, Jeon.

 

O garoto sente o sangue correr mais rápido e tenta controlar seu lobo que rosna irritado.

 

— Acha que não sei das suas passagens pela polícia? Acha que não vejo suas tatuagens, e não estou ciente das loucuras que se envolve? — O homem lança um olhar desgostoso ao outro — Não quero meu garoto envolvido com isso.

 

— Eu não sou mais assim, eu mudei, Namjoon me mudou. — O outro exclamou exasperado. 

 

— E as passagens pela polícia, como irá mudar isso? 

 

— Eu já paguei por elas. — O alfa diz entre dentes.

 

— Claro, já pagou. — O homem se levanta seguido de sua mulher e encara o garoto com o olhar entediado — Não quero ninguém fichado na minha casa, rua.

 

O Jeon se levanta calmamente, indo contra todos os seus instintos e sorri para o homem que franze as sobrancelhas. 

 

— Como quiser, senhor Kim. Voltarei em alguns dias, teremos essa conversa novamente e sei que irá mudar de opinião.

 

O homem bufa e o rapaz após sorrir para a senhora que não o olha sai porta afora entrando em seu conversível, se Kim Dong-yul não fosse o pai de seu Namjoon, já teria feito o favor de avançar contra o homem desprezível, nunca havia conhecido alguém tão difícil de se lidar, não sabia como um homem daqueles havia tido um filho tão doce.

 

Jungkook descansa a cabeça com raiva, sempre teve tudo o que quis, e no momento queria Kim Namjoon. O ômega com  covinhas estava o enlouquecendo, não aceita flores, não aceita chocolates e nem mesmo um carona, nem mensagens Namjoon respondia, o ômega só dizia a mesma coisa “Se quer falar comigo, peça primeiro permissão aos meus pais”. 

 

Jungkook bufa, olhando o relógio, são apenas três da tarde e ele já está de mau humor,se tivesse tido a aprovação dos Kim iria buscar seu garoto agora, e beijaria todo o corpo do outro até que o ômega estivesse cansado de gemer seu nome, mas não podia, pois os pais do Kim havia negado seu pedido de namoro. O garoto bufou mais uma vez, sabendo que o ômega não aceitaria um namoro escondido, ou pelo menos alguns amassos sem compromisso como o alfa já havia pedido — Implorado — várias vezes.

 

Restava ao moreno duas opções: ou desistia de Kim Namjoon, o que lhe renderia ainda algumas punhetas em homenagem ao garoto e a vergonha de ter sido rejeitado. 

 

Ou…

 

… Ou usufruia do fato de estar em 4025 e ter dinheiro o bastante para voltar no tempo e reverter suas fichas criminais.

 

A cabeça do garoto estava um caos, Namjoon era gostoso, inteligente e sabia que no fundo o garoto era safado também, Jungkook não pretendia namorar de verdade com ele, não seriamente e com certeza não para se casar, mas mesmo assim, não era motivo para o senhor Kim rejeitar o seu pedido como se ele fosse um cachorro sarnento.

 

É um Jeon, filho de Jeon Chung hee e Jeon Eun, não era qualquer garoto com cem dólares no bolso, seu pai era um Ceo da maior rede de automóveis do mundo e sua mãe era uma empresária do ramo da moda, Kim Dong-yul não tinha o direito de lhe tratar assim.

 

O Alfa arrumou sua postura, e chamou Ti, a inteligência artificial de seu automóvel.

 

— Ti, saia devagar para aquele nojento não me achar inconsequente, e depois acelere até Seokjin, preciso de um favor. 

 

— Ok, senhor Jeon, deseja mais alguma coisa? — A voz andrógina questiona passando a acelerar o carro lentamente e o garoto ri — Mande um vinho caro para Seokjin, algum daqueles cheios de frescura que ele gosta, vamos amaciá-lo um pouco.

 

— O vinho Domaine Leflaive Montrachet Grand Cru foi comprado e está sendo teletransportado para o laboratório onde se encontra o senhor Kim, chegará em vinte e sete segundos. Deseja mais alguma coisa, senhor Jeon? 

 

— Sim, — O alfa diz fechando os olhos — Que acelere esse carro. 

 

— Seu desejo é uma ordem — Ti diz sem emoção, acelerando o carro até o coração do Alfa errar uma batida. 

 

Jungkook adora as comodidades da vida moderna.

 

[...]

 

— Você é idiota, Jungkook? — Seokjin diz,  os olhos arregalados indignado com a proposta do outro.

 

— Ouça, eu só vou, ou melhor, não vou na festa. — O Alfa diz facilmente — Eles não vão me pegar com as drogas, e eu não vou ser preso, é perfeito!

 

— Não, não é. — O beta responde — Primeiro que o que temos é um protótipo, ainda não foi lançado para o público. — O garoto diz levantando um dedo e em seguida outro — Segundo que eu não vou permitir que faça isso só porque não aceita um não e terceiro, se é que precisa de um terceiro motivo — ele fala alterado — A festa é na porra de sua casa, você convidou um traficante porque quis!

 

O Alfa revira os olhos para o melhor amigo que bufa audivelmente

 

— O que custa Seokjin? Não vou fazer nada de errado, não vou bagunçar a linha temporal.

 

— Você sempre diz que nunca vai fazer algo errado, e sempre faz! — O Kim fala mais alto — Lembra o que eu te disse naquela noite Jungkook? 

 

O Alfa revira os olhos, novamente, ao ouvir a mesma coisa pela milionésima vez. 

 

— Eu disse para cancelarmos, mas você não aceitou, então eu disse para parar de se meter com aquelas coisas erradas, e com aquela gente que não valia nada, novamente você não me ouviu, e por último — O beta levanta a voz — Eu disse para você se acalmar que eu chamaria um advogado mas você surtou e insultou um oficial. 

 

— E eu posso consertar tudo isso! Fazendo exatamente o que falou. 

 

Seokjin suspira cansado, não é fácil ser amigo ou melhor babá do Jeon.

 

— Você tem que crescer Jungkook, já tem vinte e cinco anos, você precisa amadurecer pelo menos um pouco. 

 

— De novo isso? — Jungkook murmura e o outro bufa. 

 

— De novo isso sim! Você tem faculdade e isso serviu para que até agora? — O beta diz exasperado — Aparentemente nada, você só vai de festa em festa, de cama em cama de segunda à segunda. E agora — Jin ri — Agora está incomodado porque aparentemente achou um ômega que não sentou no seu pau em três segundos de conversa e quer voltar no tempo só para não receber um não.

 

— Quer saber ? — O Alfa diz irritado — Eu vou embora. 

 

— É bom que vá.

 

Os feromônios do Beta flutuam no ar mostrando sua raiva e insatisfação, e o Jeon sabe que só há um sentimento que pode o ajudar.

 

teria que apelar para o carinho que o garoto sentia por si.

 

— Eu não vou para casa, vou para a empresa dos Min, eles também tem um protótipo de máquina do tempo e eu tenho certeza que Yoongi não vai negar um pedido meu.

 

Seokjin cerrou a mandíbula nervoso e o moreno segura um sorriso com a previsibilidade do amigo. Sua maior sorte era o sentimento paternal que o mais velho tinha por si, sempre tentando o ajudar, sempre querendo o melhor para ele.

 

— Deus, você é inacreditável, inacreditável Jungkook — o rapaz suspira triste e o Jeon quase se sente culpado — Yoongi é a porra de um mercenário, se você fosse um pouco mais racional pensaria nas consequências que isso pode acarretar. Mas você nunca pensa nisso, não é?

 

— Então faça você, ou irei até ele, como irá conviver com a culpa se algo acontecer comigo, Seokjinie? 

 

O olhar odioso do Beta encontra o divertido do Alfa.

 

— Você é baixo.

 

— E você me ama.

 

O Kim suspira fundo, e tenta evocar toda a paciência possível.

— Você entende que mudar o passado afeta o presente? Não é uma brincadeirinha. 

 

— Só me diga o que preciso fazer, juro que vou me comportar.

 

— Certo — O Beta responde  ainda incerto — Você deve interferir o menos possível na vida de outros, não pode de jeito nenhum falar que é do futuro. — O mais velho arruma os cabelos — lembre-se que quando se altera o passado sempre haverá consequências.

 

— Ok, ok — O mais novo diz impaciente 

 

—  Te darei vinte e quatro horas lá, assim que eu te mandar, você se tornará o Jungkook do passado, mas terá a mesma mentalidade de hoje, você será como um impostor que roubou o lugar dele, mas quando o tempo estourar será sugado de volta, e seu eu do passado tomará o lugar sem se lembrar de nada, e não podemos prever que outras burradas ele pode fazer. Realmente quer fazer isso?

 

— É óbvio que sim.

 

— Então não desperdice o tempo.

 

— Não irei. 

 

— E me faça um favor, não me beije antes de ir para a festa, tenho pesadelo com isso todas as noites. 

 

O Jeon revira os olhos e sorri sacana. 

 

— Vou fazer você me chupar. 

 

O Beta rola os olhos e puxa o garoto para  um tubo oco de cor azulada, o ajudando a entrar, e uma nuvem de vapor gelado resfria a pele quente do Alfa.

 

— Você vai sentir sonolência, a viagem será rápida.

 

Jungkook não tem tempo de responder, rapidamente seus olhos pesam e ele é sugado para sete anos atrás.


 

[...]

 

O Alfa abre o olhos, ainda sonolento, e levanta de forma lenta se sentindo enjoado, antes que se situe algo o atinge e ele cai rolando no chão, o garoto resmunga segurando o rosto de onde escorre sangue  tentando olhar ao redor procurando o que o atingiu. 

 

— Não, não não… — Um resmungo chega aos ouvidos do moreno e logo seu rosto é segurado com brutalidade — Só um cortezinho, não foi nada — A voz reclama metade indignada e metade aliviada. — Caralho, você precisava surgir no meio da rua mesmo?

 

O Jeon mexe sua cabeça se livrando do aperto e fixa seu olhar na figura à frente, perdendo o fôlego. Jungkook já havia visto homens bonitos, já havia saído com modelos famosos mas aquele à sua frente parecia uma visão divina. 

 

O garoto de cabelos verdes e cheiro de hortelã podia facilmente ser a reencarnação de afrodite.

 

— Vo-você, uau… — O Alfa com cheiro de limão gagueja — Caralho você é lindo… 

 

Os olhos do rapaz se tornam dourados, mostrando seu lado lúpus e Jungkook ofega.

 

 Ômegas lúpus são o tipo mais raro de hibridismo na sociedade atual.

 

— Será que eu bati muito forte no Mauricinho… — O ômega fala mais para si que para o outro. — Tenho algo para você. — O garoto diz abrindo a mochila surrada e tirando um band-aid cor de rosa e uma toalha média. 

 

Ele se aproxima do Alfa e passa o pano de forma cuidadosa, em seguida abrindo a embalagem colando o curativo no local do corte. 

 

— Pronto, Mimadinho, logo sua carinha bonita estará normal.

 

O rapaz diz se levantando e se aproximando da causadora do acidente, uma bicicleta velha de cor azul, Jungkook se levanta mexendo o pescoço de forma dolorida e caminha chegando ao lado do Lúpus que monta na bike o olhando de forma risonha.

 

— Fraquinho para um alfa hein — Ele diz sorrindo e o outro sorri de volta pela associação.

 

— Você… Quem é você? — Jungkook pergunta pois um rosto como o do garoto a sua frente em alguns anos seria a capa de revistas, e nunca tinha visto-o na vida. 

 

— Kim Taehyung, e você? Tenho quase certeza que já te vi na TV…

 

— Jeon Jungkook.

 

— Então é você o filhinho de Chung Hee… Eu esperava mais, na TV você era mais bonito. 

 

O Alfa solta uma risada desacreditada, era bonito, tudo bem que seu “eu” do passado não era lá deslumbrante como seu “eu” atual. Mas mesmo assim era lindo. — Eu sou lindo na TV, ômega, mas sou deslumbrante pessoalmente.

 

— Minha bicicleta o achou deslumbrante quando passou por cima de você.

 

— Essas coisas não estão obsoletas? — O homem do futuro pergunta — Achei que a fabricação tinha acabado nos anos dois mil. 

 

— E acabaram, mas é uma herança de família.

 

— Cacareco de família, eu diria.

 

Um rosnado baixo escapa do dono do objeto assustando o moreno que se afasta levemente. 

 

— Meça suas palavras com a minha magrela, idiota. — O garoto revira os olhos — Me arranja entrada para a festinha.

 

— Como sabe da minha festa? 

 

— Eu não sabia… Mas agora que sei, me arranja uma entrada aí — O garoto fala insinuando como se fosse óbvio — eu ‘tô afim de conhecer como é uma festa de rico.

 

— Interesseiro.

 

— Eai vai me arranjar, ou não? — O rapaz pergunta impaciente e Jungkook ri.

 

— A festa será cancelada, mas… — O garoto pensou por um instante, se dissesse o que queria agora iria contra tudo o que seu melhor amigo falou.

 

Mas… Que mal faria um pouco de diversão? Não iria bagunçar nada, certo? Depois o ômega a sua frente poderia voltar a sua vida normalmente.

 

—  Eu tenho uma proposta a te fazer, Taehyung.


 

[...]

 

O Alfa se levantou da garupa da bicicleta sentindo a bunda dolorida. Como alguém poderia perder seu tempo andando numa coisa desconfortável como aquela?

 

Foi desperto de seus pensamentos quando Taehyung assobiou, chamando sua atenção.

 

— Uau, então assim é a casa dos filhinhos de papai? Deve ser bom não se preocupar com as goteiras à noite…

 

— Vem, vamos entrar.

 

— De quem é essa casa? — o garoto pergunta descendo da bicicleta  e o acompanhando. 

 

— Meu melhor amigo, Kim Seokjin.

 

Bastou uma interfonada, e logo o Kim aceitou a entrada de ambos, Taehyung encostou sua bicicleta na entrada passando o cadeado como se alguém fosse roubar a relíquia.

 

— Vamos logo, não quer saber como é uma casa de rico por dentro?

 

— Como você é babaca. — o garoto responde — É bom que não faça eu me arrepender — diz se levantando — ou vai descobrir que os lúpus são piores que as lendas que contam por aí.

 

Um arrepio percorreu a espinha do Alfa lembrando de todas as lendas acerca dos lobos lúpus, sempre visto como animais selvagens que atacavam seus oponentes sem dó ou piedade, sanguinários e extremamente cruéis.

 

O garoto não teria coragem de o atacar, certo? Era apenas um doce, ou não tão doce, ômega…

 

— Está ameaçando me morder Taehyung-sshi? — debochou — Eu adoro o tipo selvagem. 

 

Um rosnado sinistro parte dos lábios do garoto e seus olhos se tornam da cor de metal derretido. 

 

— Ok, vamos com calma, calma. — falou se afastando do outro — vamos apenas entrar na casa.

 

Isso pareceu acalmar o lúpus que sorriu e passou a caminhar mais rápido encarando o jardim florido da mansão. Logo eles atravessaram o espaço e irromperam na sala monocromática do Beta que os esperava.

 

Jungkook encarou o melhor amigo, Seokjin de sete anos atrás era tão bonito quanto o atual, o garoto não havia mudado nada. Exatamente nada.

 

— Caramba, você é lindo. — ao seu lado o ômega suspirou espalhando feromônios por toda a sala — Eu já tinha te visto na TV, mas pessoalmente é incrível… 

 

Seokjin riu brevemente olhando as bochechas coradas do garoto e alternando o olhar entre o desconhecido e o amigo — Muito obrigada, você também é lindo, amigo do Jungkook.

 

O Lúpus parecia salivar com a visão do dono da casa, e Jungkook o encarava desacreditado.

 

— Taehyung, meu nome é Taehyung. — O garoto diz se aproximando do Beta — Você está solteiro?

 

O Alfa da sala arranhou a garganta, mas a atenção dos outros rapazes continuavam um no outro.

 

— Tecnicamente, sim.

 

O Jeon tinha certeza que havia ouvido Taehyung ronronar com a resposta espalhando seu cheiro bom por toda a sala novamente. 

 

— O que eu preciso para ter uma chance com você?

 

O Kim mais velho arregalou os olhos, olhando finalmente para o Alfa que parecia tão chocado quanto.

 

O beta esquadrinhou o recém chegado, percebendo sua idade. 

 

Taehyung era novo demais para si.

 

— Alguns anos a mais, creio eu. 

 

— Eu tenho quase vinte e um anos! — Exclamou o lúpus mais alto, sem que ninguém acreditasse. 

 

— É mesmo? E falta quanto tempo para completar vinte e um, uns sete anos?— Jungkook perguntou deixando o outro sério. 

 

— Seu boboca. 

 

Os mais velhos caíram na gargalhada, fazendo o ômega corar ainda mais e se sentar envergonhado no sofá. 

 

— Você é fofo, mas não quero me meter em problemas.

 

— Ok, pode parar de flertar com um menor de idade e focar em seu melhor amigo que está necessitado de sua ajuda? — Jungkook interrompe os Kim’s.

 

— Você sempre está necessitado de minha ajuda, Ssaeng.

 

— Mas agora é realmente sério.

 

O dono da casa revira os olhos de forma divertida. — E é sempre sério.

 

— Preciso cancelar a festa.

 

— Você deve estar brincando…

 

— Nunca falei tão sério em toda a minha vida.

 

Antes que o Jeon percebesse, tinha o pescoço apertado pelas mãos do Beta furioso. 

 

— Seu merdinha! 

 

— Hyung! 

 

Os olhos do garoto se arregalaram com a força do aperto, e tentou empurrar os ombros do amigo que o prensava contra o sofá.

 

— Você não pode cancelar agora, seu idiota. Aquele maldito traficante vai comer o nosso fígado!

 

Jungkook não sabia o motivo de seus músculos não responderem a sua ordem de empurrar o rapaz acima de si, mas sentia os sintomas da privação do oxigênio o acometerem. 

 

Seokjin não o mataria, certo?

 

Certo? 

 

Ergueu seu olhar para o Lúpus no outro sofá tentando pedir ajuda,mas o garoto parecia se divertir com a visão, sua língua passeava pelos lábios e a mão acariciava a nuca despreocupadamente.

 

Seokjin poderia o matar que Taehyung nem se levantaria do lugar.

 

Quando teve seu pescoço liberto do aperto, rolou do sofá caindo no chão com um baque surdo.

 

— Você é inacreditável, inacreditável sinceramente…

 

O Alfa tinha noção que estavam falando algo ao seu redor, mas seu corpo se preocupava mais com recuperar o ar. 

 

— O que vamos fazer agora? 

 

— Eu — o garoto tossiu sentindo a garganta seca — Tenho um plano…

 

O Jeon se levantou se sentando novamente no sofá e olhando desconfiado o Kim que já estava de volta ao seu lugar como se nada tivesse acontecido.

 

— Envolve a minha pessoa, uma ida ao hospital e uma matéria sensacionalista sobre agressão grave e como minha festa foi invadida por vândalos. 

 

Os garotos o encararam incrédulos. 

 

— Acidente? 

 

— Escutem, vai ser perfeito! Vamos convidar os seus primos chatos, Seok, e começar a festa cedo, antes que o Chong chegue, Taehyung vai ligar para a emergência e dizer que me achou em um beco caído desmaiado, e que alguns homens correram quando ele se aproximou. Para fechar com chave de ouro…

 

Sorri para ambos. 

 

— Seok você vai tirar muitas fotos da festa e quando os homens do chong chegarem tem que convencer aquela sua prima insuportável à denunciar para a polícia como se tivessem invadido minha festa, e como você é meu melhor amigo acreditarão em você.

 

— Isso pode dar errado de tantos jeitos… — O mais velho murmura. — Por que não torcemos para a polícia não aparecer?

 

— Ela vai aparecer, acredite.

 

— Por que não subornam algum policial para avisar se a polícia vai ou não invadir? Não é como se não tivessem dinheiro para isso. — O adolescente sugere.

 

— Bem… — Seokjin fala olhando torto para o alfa que resmunga — É uma boa ideia, temos feito isso desde…

 

— Sempre. — o Jeon completa

 

— Sempre, acabaram descobrindo o nosso informante, e agora metade da polícia de Seul quer nos prender e a outra metade gostaria de nos ver presos.

 

— Vida de rico é sempre movimentada assim? 

 

— Quando se tem um amigo inconsequente,sim.

 

Jungkook revira os olhos e bufa alto — Então, todos estão de acordo com o plano?

 

O Beta concorda com a cabeça mas o Lúpus solta uma risada sarcástica. 

 

— Depende… O que vou ganhar com isso?

 

O Alfa aperta os olhos desacreditado da audácia do adolescente.

 

— Que tal eu não te processar por ter me atropelado? 

 

— E que tal eu quebrar sua cara de verdade para te dar um bom motivo para ir ao hospital? — O rapaz diz se levantando rapidamente. 

 

— Tudo bem, tudo bem, vamos nos acalmar. — O jeon diz se afastando do outro. — O que você quer?

 

— Já que você perguntou… Tem uma coisa que você pode fazer por mim.

 

[...]

 

Jungkook queria acreditar que estava novamente pegando carona na garupa de um amontoado de metal sem  inteligência porque não tinha outra opção e não porque dali podia sentir melhor o cheiro do ômega. 

 

— Por que parou? — O alfa pergunta quando o lúpus estaciona em frente a uma casa amarela e a olha de forma intensa.

 

— É aqui. 

 

O Alfa concorda descendo a bicicleta e olhando a casa que mesmo no passado lhe parece familiar. 

 

Muito familiar.

 

— Você mora aqui? — Jungkook pergunta — Notando a vizinhança humilde e os jardins floridos com margaridas. 

 

A mãe de Namjoon plantava margaridas.

 

O moreno balança a cabeça tirando os pensamentos.

 

— morava, não é mais meu lar. — O rapaz diz parecendo abatido. — Vamos entrar? 

 

— Han… Claro. — O homem concorda seguindo Taehyung, que tira a chave do bolso e destranca a porta.

 

— Você acha que se eu pedir Seokjin aperta meu pescoço como fez com você? 

 

O Alfa tosse desconcertado encarando o outro que continua ocupado coma fechadura. — Você quer dizer quando ele tentou me matar?

 

— Ele ficou tão bonito tentando te matar… — O garoto diz sorridente e o outro bufa.

 

Ele abre a porta sem muita cerimônia, não vendo ninguém em casa. 

 

— Seus pais moram aqui? Acho que não estão.

 

— Eles vão chegar em um instante… 

 

Taehyung agiu rápido, empurrando o Alfa contra o sofá e sentando em cima dele, e fez questão de aromatizar seu cheiro por tudo insinuando o flerte.

 

— O quê? — O Jeon perguntou assustado quando o garoto em cima de si, arrastou os lábios pelos seus. — Taehyung seus pais vão chegar…

 

— É exatamente por isso, vamos dar um showzinho, o que acha? 

 

A garganta do homem do futuro secou, Taehyung era tão bonito e tinha um cheiro tão bom… Definitivamente queria beijá-lo todo, queria arrancar sua roupa e senti-lo, mas havia algo estranho no garoto.

 

O ômega era bem desenvolvido, tinha um corpo bonito e repleto de curvas, mas seu rosto mostrava a marca da juventude e o cheiro puro deixava a mostra a virgindade intacta, o Jeon duvidava que o garoto tivesse mais que dezessete anos e definitivamente não ficaria com uma criança.

 

Ainda mais para irritar os pais do outro.

 

— Quantos anos você realmente tem? Eu não fico com crianças.

 

— Eu não sou uma criança! — O de aparência mais jovem falou irritado — Eu juro que tenho quase vinte e um anos.

 

— Quase? — O Alfa perguntou debochando e tentando ignorar o corpo quente debruçado sobre o seu — E quando irá fazer vinte e um?

 

— Bem… Daqui quatro anos.

 

O moreno demorou alguns segundos para realizar a conta, mas assim que percebeu que o garoto deitado em cima de si tinha apenas dezessete anos seus olhos se arregalaram e ele o segurou com força para tirá-lo de cima de si, mas a porta abriu fazendo e por ela passaram  Kim Dong-yul, sua esposa e Namjoon.

 

Jungkook os encarou em choque vendo “seu” ômega a sua frente, Namjoon parecia exatamente o mesmo, com os moletons grandes e as calças jeans de lavagem clara, o que acordou o garoto do futuro do torpor foi o lúpus beijando seu pescoço como se não estivesse notando os outros na sala, mas o Alfa Kim o tirou de cima do Jeon rapidamente, derrubando o garoto e pegando o Jeon pelo colarinho. 

 

O pai de Namjoon parecia estar fazendo uma força absurda para não socar o Alfa mais novo, seu rosto estava vermelho e suas veias mais aparentes como se a qualquer momento fosse perder o controle, e Jungkook rezava para que ele não perdesse.

 

— Solte ele! — Taehyung gritou — Pai, solte ele.

 

— P-pai? Ele é seu pai? — o Jeon perguntou e o homem empurrou suas costas contra a parede o fazendo arfar sem fôlego.

 

— Sim, eu sou o pai dele, seu merdinha. — O homem respondeu segurando o queixo do mais novo com raiva — Eu não aceito que tente desvirtuar o meu filho dentro da minha casa!

 

— Filho, como pôde fazer isso? — A senhora Kim perguntou com lágrimas — Deus, onde eu errei com você? 

 

O lúpus rolou os olhos não se sensibilizando com as lágrimas da mãe ou o olhar incrédulo do irmão.

 

— Talvez controlando a porra da minha vida em tudo! Acha que eu não ouvi a conversa de vocês com os Jung? Eu não vou me casar com alguém que não quero!

 

— É para seu bem, Taehyung! — Namjoon grita — Hoseok te ama.

 

— Pois que ele enfie o amor no meio do cú! Eu não quero e eu não vou me casar com ele. — O lúpus diz firme — Você devia me apoiar Namjoon, eles nos tratam como marionetes.

 

— Tae… — O ômega mais velho diz incerto sendo cortado pelo Pai.

 

— Então para você é  bem melhor se perder com um qualquer, é isso, Kim Taehyung? — O pai do ômega diz empurrando Jungkook para o meio da sala  o soltando, fazendo o garoto se esborrachar no chão.

 

— Se fui eu que escolhi esse qualquer então sim, é melhor.

 

O silêncio tenso paira sobre a sala, então o senhor Kim passa a rir. 

 

— Você é minha maior vergonha, moleque. — O homem diz sério — Se quer tanto sua liberdade vá embora. 

 

— Dong-yul! — A ômega berra enfurecida — Ele é nosso filho, é nosso Taehyung.

 

— Chega Sungmi. — O homem a corta — Ele foi um erro, ele é incontrolável eu não o suporto mais.

 

— Não! — a mulher diz chorando se agarrando ao filho que encara Namjoon com fervor.

 

— Venha comigo Nam, por favor venha comigo. 

 

O Alfa mais novo observa o irmão Kim mais velho apertar os punhos e desviar o olhar, sem querer responder o irmão.

 

— Namjoon… — O mais novo chama sendo segurado por sua mãe. — Venha comigo, seremos nós dois, como sempre.

 

O garoto não o responde e Taehyung beija a testa da mãe, se soltando dele rindo em seguida. 

 

— Vamos, Jungkook, é hora de ir. — Ele caminha rapidamente para a fora sem olhar os outros. — Adeus mãe, adeus pai — O lúpus diz sorridente — Adeus Hyung…

 

Jungkook precisou correr para alcançar o garoto que já começava a subir na bicicleta. Tomou seu lugar na garupa e por longos minutos Taehyung pareceu ter envelhecido longos anos ao observar a casa.

 

— Vamos, mimadinho, nosso tempo aqui acabou.

 

Aos poucos a bike passou a se afastar do local, seguindo em direção à casa de Seokjin, um silêncio estranho pairava entre os dois garotos, mas não foi quebrado por nenhum deles. Não demorou muito para que voltassem à mansão do Kim, o Alfa tentava não estranhar a face tão séria no rosto juvenil. 

 

— Eu preciso tomar um banho, onde posso ir? — o adolescente perguntou a Seokjin que levantou as sobrancelhas em uma pergunta muda. 

 

— Eu te levo, Taehyung… 

 

Os dois seguiram calados pelo corredor,  e assim que a porta de um dos quartos de hóspedes foi aberta  o ômega entrou para o banheiro. Demorou longos minutos para que o Alfa ouvisse o chuveiro sendo ligado, e muito mais para que o Jovem saísse do banheiro. 

 

O rapaz saiu enxugando os cabelos, e se sentou ao lado do Jeon na cama.

 

— Então… Você ia se casar? 

 

— Não, mas meus pais achavam que podiam me forçar. Idiotas…

 

— E o que você vai fazer agora? Eu posso te ajudar… 

 

— Eu estou cansado de ser ajudado — disse em tom indignado — eu quero quebrar a cara, quero conseguir minha liberdade, eu quero viver, Jungkook. Eu já fui privado demais, eu quero viver.

 

A palavra ressoa na mente do alfa “viver”, e então ele se lembra quem realmente é Kim Taehyung.

 

— Taehyung… Você… Bem, você vai morrer.— O Alfa tentou soar o menos estranho possível.

 

— Achei que todos iríamos. 

 

— É que você, bem, vai morrer hoje. — responde.

 

— Isso é uma ameaça? 

 

— Não, vai ser um atropelamento, e será hoje.

 

— E como você saberia disso? — debochou, o encarando.

 

— Se hipoteticamente eu dissesse que vim do futuro, o que diria? 

 

— Que você é louco — O lúpus revira os olhos — Mas talvez  isso explicasse porque eu pisquei os olhos um segundo e você apareceu na frente da minha magrela.

 

— Você acredita em mim? 

 

— Na verdade não, mas irei evitar sair na rua hoje — O adolescente dá de ombros — sabe por via das dúvidas. 

 

Um silêncio confortável paira sobre o quarto incomodando o ômega. 

 

— Desculpe sobre mais cedo… Sabe a confusão.

 

— Tudo bem, mas só para deixar claro que não rolaria nada entre a gente.

 

— HÁ duvido que iria resistir a mim.

 

— Você se acha muito para um virgem, Kim.

 

— Idiota… Então você é namorado do meu irmão?  — O garoto pergunta se sentando mais confortável na cama e encarando o Alfa corado. — Não sou cego ok, eu percebi o olhar que lançou a ele. 

 

— Eu tentei ser namorado dele, sabe no futuro em 4025, mas não deu muito certo. Ele é do tipo certinho e seus pais não me aprovaram.

 

— Eu transaria com você — O de cabelos verdes fala calmamente — Meu lobo fica ok com isso e seu cheiro é bom.

 

— Isso foi a coisa mais romântica que já me falaram — O moreno diz risonho — Mas você ainda é uma criança para mim, desista.

 

— Tanto faz, eu arranjo outro.

 

O Jeon ri fazendo o outro corar — Está tentando me fazer ciumes? Não vai conseguir. E desista de Seokjin,ele não vai te enforcar.

 

Apesar do pequeno ômega já estar conseguindo.

 

— Viva o suficiente para conhecer minha cama Taehyung, e acredite, não irá se arrepender.

 

— Fala sério, quer que eu fique virgem por mais sete anos? Eu já aguentei longos dezessete!  Não pode nem me dar uma provinha do que está por vir?

 

Assim que as palavras deixaram a boca do garoto e alfa o derrubou na cama, inclinando seu corpo por cima e segurando seus punhos fazendo Taehyung arfar.

Se o Kim fosse um pouco mais honesto diria que o cheiro de Jungkook o enlouquecia, algo que nunca havia acontecido antes e que seu corpo ansiava pelos toques quentes do mais velho.

 

Jungkook passou seu nariz na curvatura do pescoço do adolescentes fazendo o outro gemer alto apenas com o carinho singelo, Jungkook não podia culpá-lo afinal o ômega só tinha dezessete anos, mas isso o fez consciente que a brincadeira que começara não poderia ir muito longe e deveria parar já.

 

— Confie em mim, espere por mim. — O alfa sussurrou se afastando enquanto o garoto tentava se recuperar da respiração acelerada. — Amanhã… Eu não serei mais eu, terei voltado para o futuro.

 

— Você não irá se lembrar de mim, então? — O lúpus pergunta baixo.

 

— Não, não irei, mas Seokjin cuidará de você.

 

O ômega balança a cabeça em negação.

 

— Já cuidaram demais de mim. Jungkook é meu momento de voar.

 

— Dia quinze de outubro de 4025, na empresa CTU no escritório de Kim Seokjin às três e meia, eu estarei lá te esperando.

 

— E o que você vai fazer agora?

 

— Bem… 

 

[...]

 

— Presta atenção! — Jungkook fala rápido e o Beta o olha alarmado — Eu fiz uma besteira muito grande e preciso de sua ajuda.

 

— Você quer dizer uma besteira maior do que ter convidado um traficante e uma corja de viciados para a sua festa? E agora estarmos por um triz de sermos presos ou mortos?— Seokjin fala retórico. 

 

— Seokjin — O Alfa diz nervoso — Dessa vez é uma coisa maior que tudo isso, eu fiz uma besteira que não pode ser consertada.

 

— Você tá me assustando — O garoto mais velho diz se sentando na cama do moreno — tem a ver com o menor de idade?

 

— Tem a ver com ele. Tem a ver com muita coisa.

 

— Ok, se acalme e me fale.

 

O Alfa passa a mão pelos cabelos passando a andar pelo quarto de forma nervosa.

 

— Eu queria Kim Namjoon ok? Só que ele disse que queria a aprovação dos pais e eu realmente queria ele e fui atrás disso, mas eles não me aceitaram, não queriam alguém com ficha criminal…

 

— Eu não os critico — O beta replicou sendo calado pelo olhar do moreno mais novo.

 

— Eu não aceitei o não então eu pedi para você me ajudar a limpar minha ficha criminal voltando na noite da festa e impedindo tudo.

 

— Como? 

 

— Seokjin eu voltei de 4025 com uma máquina do tempo que você fez. 

 

O rapaz sentado arregala os olhos.

 

— Mas aí não foi a pior parte, a pior parte foi que eu conheci Taehyung e Jin… Eu sei quem ele é. — O Alfa diz ansioso — Eu não percebi antes, Kim é um sobrenome tão comum… Seoul é enorme! Mas é ele,  o irmão mais novo de Namjoon. O irmão falecido de Namjoon.

 

— Isso é um tipo de brincadeira? — O beta diz desconfiado — Ou você só usou as porcarias dos seus novos amigos? 

 

— Ok, você não acredita em mim e eu realmente não posso te julgar, mas eu juro que é a verdade. Eu juro. 

 

— Me fale algo do futuro, algo que prove que está falando a verdade.

 

— Você é um cientista famoso, meu pai financiou sua pesquisa, você gosta de vinhos caros e nós ainda somos melhores amigos.

 

— E… Min Yoongi? Nós estamos juntos? — O mais velho pergunta com as bochechas coradas. 

 

— Não, eu meio que destrui o que havia entre vocês, eu te beijei um pouco antes da festa  e ele viu. 

 

— Oh… 

 

O Alfa passa a mão pelos cabelos nervoso — Eu vou ser preso, a polícia dá uma batida na festa e encontram drogas pela casa, o Min te dá uma escolha, ou ele ou eu, e bem… Você vai comigo, então acaba tudo entre vocês. — A face de Seokjin fica pálida e o Jeon de arrepende no mesmo instante de ter contado a verdade — Mas ele ainda é apaixonado por você, então já que eu não vou te beijar pode ser que dê certo.

 

— Eu meio que… — O Kim fala tímido — Eu tenho esboços de máquina do tempo no meu escritório, então talvez eu acredite em você… 

 

— Um talvez é melhor que nada. 

 

— Como Taehyung irá morrer? 

 

— Namjoon não me falou muito, eu tenho uma lembrança vaga de algo sobre atropelamento mas não tenho certeza. 

 

— Merda, isso é muito vago, sabe mais alguma informação?

 

— A única coisa que ele me disse, foi que o garoto morreu assim que os abandonou e aparentemente...Isso aconteceu hoje.

 

O olhar do Beta é de pena — Alterar isso vai alterar muitas coisas na rede do tempo, o destino não deve ser alterado, Kook.

 

— Ele não pode morrer, ele não merece morrer! — O Alfa fala. 

 

— A morte de Taehyung implica uma série de coisas,que deixarão de acontecer se impedirmos o destino de seguir seu curso natural.

 

— Eu não posso deixá-lo morrer…— O Alfa diz de forma cansada.

 

— Ele é um garoto incrível, eu sei. Eu espero que sua vinda tenha mudado algo, mas nós não podemos e não vamos mudar uma coisa dessas. 

 

Jungkook sabia que Seokjin estava certo, de uma forma estranha ele sentia que Taehyung devia morrer, por mais que não merecesse. 

 

Taehyung precisava morrer para que o mundo não mudasse, e ele não deveria influenciar pois era algo maior que si, maior que que o dinheiro dos seus pais, era algo irreparável.

 

Só havia algo maior que o destino, que era o orgulho do garoto Jeon. 

 

— Quando isso tudo terminar, eu vou te recompensar, eu juro!

 

— Jungkook, não!

 

— Escute, vamos só fingir que não sabíamos sobre a morte dele. Pronto!

 

O beta o encarava incrédulo.

 

— Isso pode abrir uma fenda temporal e engolir uma década inteira de nossas memórias! — O homem gritou — Você está louco?

 

— Eu compro aquele vinho caro, cinco daquele francês para você!

 

O Jeon desviou do vaso lançado em sua direção e arregalou os olhos para o beta que mostrava as presas, e tinha os olhos verdes. 

 

— Seok… — Ofegou se afastando quando as roupas do mais velho começaram a rasgar.

 

Seokjin estava se transformando em lobo.

 

Jungkook paralisou, olhando para o animal que o encarava furioso, Seokjin pulou no peito do garoto arrancando um grito do deste que caiu no chão como lobo por cima de si.

 

Seokjin iria o matar.

 

— Jin, sou eu, Jungkook, seu melhor amigo! — gritou, mas o lobo ignorou, apertando seu focinho na bochecha do rapaz

 

O hálito quente do lobo fazia as vistas do alfa embaçar, era quente demais, apavorante demais.

 

— Se afaste dele, Beta. — A voz grossa soou pelo quarto. 

 

Taehyung tinha os cabelos molhados, os olhos dourados e as presas à mostra. 

 

Jungkook nunca havia visto algo tão lindo.

 

O animal travou a mandíbula, e tensionou o corpo, em posição de ataque.

 

O ômega se aproximou de forma calma e rosnou baixo, espalhando seus feromônios mostrando ser o mais forte do território.

 

— Se afaste dele, agora.

 

Lágrimas escorriam pelo rosto do Alfa, seu peito se contraiu de dor pelo peso da pata do animal, quando o lobo se afastou o ar entrou em seus pulmões novamente, e ele se afastou de Seokjin se arrastando até o lúpus que encarava o outro Kim de forma séria.

 

— Temos aproximadamente vinte segundos antes que ele ataque, eu sugiro que corra. — O adolescente sussurrou, e se pôs na frente do outro, esperando que sua presença desse mais tempo para o Alfa.

 

E Jungkook correu, como se sua vida dependesse disso, e de fato dependia.

 

Seokjin nunca havia se transformado em lobo, nunca, lobos normais não tinham esse costume, apenas os lupus  tinham treinamento para controlar suas transformações por seus lobos serem mais instáveis, então se o garoto estava mostrando suas garras.

 

Literalmente.

 

O Alfa havia passado de todos os limites possíveis.

 

Quando alcançou a porta ouviu o rosnado atrás dele, o garoto tentou puxar a porta devagar, mas o som aumentou.

 

Seus ombros tremeram, e seu alfa rosnou acuado dentro de si.

 

Ótimo, até sua essência lupina era um cagão.

 

Se virou dando de cara com o lobo mostrando os dentes, a face do animal estava arranhada, tinha um dos seus olhos fechados e sangue se espalhava por suas patas, e Jungkook tentou não pensar que era de Taehyung.

 

Até porque não poderia ser de outra pessoa.

 

— Hyung você precisa se acalmar…

 

Mas o lobo não parecia querer ouvir, se aproximando de forma predadora.

 

Eu vou morrer, eu vou morrer, foi o último pensamento do garoto antes que o lobo avançasse e tudo ficasse preto.

 

[...]

 

Jungkook teve um espasmo para a frente, batendo a cabeça no vidro com força.

 

— Ei, ei calma! — Seokjin resmungou — o tirando da câmara e limpando o vidro da máquina como se fosse uma preciosidade. — Meus parabéns, você não alterou nada.

 

— Sério? — O Alfa falou surpreso, não escondendo o sorriso, mas esse logo morreu quando viu a cara raivosa do amigo. 

 

— Nada além do fato do antigo presidente nunca ter sido eleito, então temos um idiota no poder, seus pais te expulsaram de casa, mas pagam tudo o que quer, além do mais… Eu acho que me casei com o Yoongi? 

 

— Expulso?

 

— É sério, eu simplesmente me casei com ele.

 

— Como eles tiveram coragem?

 

Seokjin revirou os olhos pensando como eles não tinham tido coragem antes.

 

— Fora isso você continua o mesmo bobão de sempre, não se preocupe — respondeu o outro — Com a diferença de que agora você… não tem uma ficha criminal, já que eu tentei te matar e te deixei em coma por três meses. 

 

— Deus… E Taehyung? O que aconteceu com ele? 

 

— Ele desapareceu… O procurei por anos mas nunca o achei… 

 

— Mas… 

 

O alfa passou a mão pelas madeixas, saindo da máquina e tentando reconhecer o mundo ao redor. Parecia tudo tão igual mas ao mesmo tempo… 

 

— Eu acho que… Vou para casa? Como vou saber onde moro? — perguntou perdido fazendo o beta rir. 

 

— Seu cérebro vai se conectar aos poucos, até amanhã você deve ter se lembrado de tudo. Mas eu tenho uma boa notícia, quer saber qual é? 

 

O Alfa balançou a cabeça ainda atordoado. 

 

— Namjoon está super a fim de você. E os pais dele apesar de não gostarem muito de você te aprovaram e inclusive te convidaram para jantar ontem mesmo.

 

O Jeon puxou os cabelos em pânico — Então deu tudo certo? 

 

— Pode-se dizer que sim.

 

Mas se tudo estava como queria porque se sentia tão mal?

 

O Alfa saiu da empresa ainda com a cabeça nas nuvens. Onde estava Taehyung? Ele estaria vivo? Era só o que conseguia pensar.

 

O garoto havia ficado sozinho aos dezessete anos, sem formação, sem dinheiro e possivelmente ferido. O que poderia ter acontecido?

 

O que de bom poderia ter acontecido? 

 

— Está pensando demais, Mauricinho, isso não combina com você. — Uma voz rouca tirou o Alfa dos pensamentos, e ele se virou vendo Taehyung.

 

Os cabelos antes verdes agora ostentavam um vermelho glorioso, as roupas negras e um olhar confiante.

 

Taehyung estava cem vezes mais belo, Jungkook sentiu o cheiro delicioso, e se aproximou do rapaz, vendo o quão mais sensual e incrível ele havia se tornado. 

 

— Você… Deus, Taehyung, onde você estava todos esses anos? 

 

— Esperando, pacientemente. — Ele o puxa pela cintura. — E agora é bom aquela promessa seja verdade. 

 

— Q-que P-promessa?

 

— Que eu não me arrependeria de esperar para estar na sua cama, vamos logo, Jeon, vamos ver do que é capaz. Mauricinho. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...