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História Mauricinhos (Não) Se Apaixonam - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Nem demorei tanto, vai :)

Hoje não quero tagarelar muito então eu não vou falar que meu @ no Twitter é webvantae, e nem que se quiserem falar sobre a fic usem a #MauricinhosTK, não vou falar!

Obrigado a todos que estão me mandando mensagens falando da fanfic, amo muito vocês e isso me ajuda demais a continuar. <3

Eu to com um roteiro pronto pra esse história e o capítulo 10/11 OSGOSSHOSJESL eu queria falar mas 🗣️🗣️🗣️🗣️

Tá, parei. Boa leituras, nenéns.

Capítulo 8 - 08 - Estaca zero.


— Enfia tudo na boca de uma vez, Taehyung! 


— Dá pra se acalmar? É muito grande. — O Kim disse, tomando cuidado ao ver um resquício do líquido branco escorrer por sua mão. 


— Eu quero voltar a dormir!


— Então espera. Ninguém mandou aceitar comprar casquinha de baunilha pra mim, sabendo que iria ter que esperar eu acabar. 


— Você mandou! Me ameaçou, Taehyung. 


— Que absurdo! Você entendeu tudo errado. — Se fez de desentendido, dando mais uma lambida no sorvete. 


Jeongguk estava esgotado e não eram nem 9 horas da manhã ainda. 


Taehyung praticamente implorou para que Jeongguk o levasse até a sorveteria da cidade, já que fazia exatamente uma semana desde que o loiro não saia. O único amigo com carteira de motorista era Jimin, e ele nunca acordaria antes de meio dia em um domingo nem que fosse para salvar sua vida. Então Jeon, que também tinha carteira, se viu encurralado e cedeu ao pedido do rapaz. 


Fazia exatamente um dia desde o incidente com a mão de Taehyung, que se perguntava o tempo inteiro o motivo de precisar enfaixar sua mão se fora apenas uma queimadura. As horas passavam tão lentas para o Kim, trancado no dormitório sem poder sair para treinar, o que era outra coisa que ele não entendia. Entretanto, Jimin disse que não deveria contrariar a enfermeira. 


O diretor, obviamente, já sabia de toda a situação, mas não fez questão de visitar o dormitório para ver como o rapaz estava. O que deixou Taehyung bastante incomodado, afirmando que desde que era menor, o diretor se preocupava em cuidar dele. 


— Talvez ele esteja mais tranquilo porque Jeongguk está com você, Tae. — Jimin repetia, tentando consolar o amigo. 


E Jeongguk, obviamente, não dava a mínima atenção para seu “drama”. 


Hoje está sendo tão monótono quanto ontem, e os dois sabem que vai ser assim pelo resto da semana. Contudo, o que mais excitava o Kim era pensar que faltavam 2 meses para o acampamento de verão, e, consequentemente, 2 meses para a seleção dos TMEs. Jeon não ligava a mínima para isso, nem ao ponto de perguntar o motivo de tanta animação para um teste que, aos olhos do mais novo, é tão fútil. 


Não iria se inscrever nem que lhe pagassem.


— Meu Deus, Taehyung, você é muito lerdo! — Exclamou, já segurando o volante do carro, vendo a velocidade na qual o rapaz se aproximava. 


— Mauricinho, você não tem treino nenhum hoje e não vai fazer nada quando chegar em casa, então sossega essa bunda aí. — Brincou enquanto, finalmente, fechava a porta do carro e colocava o cinto.


— Idiota. — Murmurou rindo, e dando partida no carro.


Taehyung se inclinou para a frente, vendo o rosto do rapaz mais nitidamente.


— Meu Deus! O mauricinho sabe sorrir! — Ele debochou, rindo mais abertamente, com um sorriso retangular que chamou a atenção de Jeon.


— Que mentira, Taehyung, já ri mil vezes das suas piadas sem graça.


— Por que você riu, se achou sem graça?


— Pra você calar a boca.


E então Taehyung não falou mais nada, apenas sorriu e sentou corretamente no carro mais uma vez, observando a estrada e o dia ensolarado lá fora. A escola era longe, quase a duas horas da cidade, por isso tudo que os alunos precisam se encontram facilmente lá mesmo. 


— Dá pra fechar essa janela? — Jeongguk perguntou, ranzinza. — O barulho do vento me dá agonia. 


— Você é estranho. — Disse, ainda com metade do rosto para fora da janela. 


— É sério, fecha isso. 


— Claro que não! É tão bom, sentir o vento no seu rosto, ainda mais quando estão dirigindo rápido. 


— Isso bagunça o cabelo todo, Taehyung. 


— Sério? Você não me contou que iria desfilar depois daqui. 


Jeon bufou. 


— Obviamente eu sou bonito naturalmente, mas esse som do vento entrando é irritante. 


— Ah, para de show! Você não tem curiosidade de saber como é dirigir enquanto ouve uma música boa, sentindo o vendo no seu rosto, e sorrindo? — Taehyung sorria igual a uma criança idealizando aquilo. 


— Não, Taehyung, eu não tenho mais 13 anos. 


— Para de ser ranzinza, mauricinho. Abre essa janela! — Riu, se pondo mais perto de Jeon e apertando o botão que abria a janela do carro, e dificultando a visão do mais novo na pista — Olha como é maravilhoso! 


— Você é maluco? Eu poderia ter batido o carro! 


A sensação era realmente boa. O vento batia contra o rosto de Jeon, de maneira rápida e ao mesmo tempo delicada, trazendo paz para o corpo inteiro do rapaz. Sorriu ao colocar um pouco da cabeça para fora, nem mesmo ligando se seu cabelo ficaria bagunçado depois disso, e apenas nao fechou os olhos para aproveitar mais o momento pois estava dirigindo. 


— Seu sorriso é bonito — Taehyung disparou, sem nem ao menos escutar o que falava. 


— O que disse? — Ele perguntou, a postura ereta novamente, e a expressão séria. 


— Nada. Eu só queria saber se gostou da sensação de sentir o vento no seu rosto. 


— Hm, acho que sim. Não é nada demais, parece criancice. 


— Ah, claro, então você não estava curtindo? — Perguntou ironicamente. 


— É, não é ruim, mas… — Antes que conseguisse terminar de falar, sua voz foi abafada pelo toque de ligação de seu celular, que estava jogado no banco atrás dele. 


O pegou, sem tirar os olhos da estrada, e viu que era uma ligação de seu pai. Respirou fundo, e só então conectou a ligação no rádio do carro e atendeu. 


— Alô, appa. — Ele disse, percebendo que fazia um bom tempo desde que o chamava assim. 


— Alô. Apenas liguei, obviamente obrigado por sua mãe, para saber se já se acostumou. 


Sua voz estava abafada. Ele deve estar em uma reunião. 


— Eu nunca vou me acostumar. — Mentiu por pura birra, nem ligando se Taehyung estava escutando aquilo. 


— Que bom que você está bem. 


— Quando eu falei que estava bem? 


— Você não está? 


Ele hesitou em responder, mas, prevendo a briga que aquela pequena conversa causaria, mudou o assunto. 


— Estou dirigindo agora, eu lhe ligo mais tarde. 


— Qualquer coisa pra não falar com a família, não é, Jeongguk? Você não cansa de ser assim? Insensível, nem ao menos gosta de falar com as pessoas que cuidaram de você por todo esse temp-


Antes que o homem terminasse de falar, Jeon apertou fortemente o botão para desligar a ligação, a paz que consumira a minutos atrás não existindo mais. 


Taehyung ficou calado. Ele sabia que a situação entre os dois, pai e filho, não era uma das melhores, mas não sabia que era assim. Viu os dedos do rapaz apertarem com mais força o volante. Parecia tenso de repente, angustiado. Com raiva. 


— Você está bem? — Perguntou baixinho, como se estivesse com medo de que Jeon explodisse e o jogasse para fora do carro. 


Jeongguk apenas afirmou com o rosto, e Taehyung permaneceu calado novamente. Era melhor assim. 


A verdade era que Jeon apenas queria ter uma conversa tranquila com seu pai, mesmo que não pareça, ele queria ser mimado pela família, mas não com dinheiro, ele queria carinho. Queria cuidados. Queria atenção. Isso tudo faltava em sua vida. 


Sempre achou que, quando crescesse, iria namorar uma garota gentil e carinhosa, que lhe daria tudo que seus pais não lhe deram. Mas, por algum motivo, Jeon desistiu da ideia de namorar no último segundo. 


Entre transas e ficadas, ele tentava se sentir vivo, se sentir amado, acolhido, seguro, mas nada até hoje o deu essa sensação. Nenhuma das pessoas até hoje na qual Jeongguk ficou tiveram coragem de se aprofundar e dar a ele o que ele realmente queria. 


E isso era exaustante.


Ser excluído da própria família por puro ego. Mas ele não sabia como mudar aquilo. E, hoje em dia, ele não sabia e muito menos queria. Se a família o achava um "rodado, alcoólatra e sem rumo", o problema é totalmente deles. 


A verdade é que a oportunidade de conhecer novas pessoas, fora do seu ciclo da cidade grande, foi muito boa e veio realmente a calhar nessa sua fase da vida. Ver novos rostos, conhecer novas personalidades, e não apenas meninas, está sendo tão bom que Jeon quase se esquece que já existiu um dia em que ele queria se jogar de um prédio apenas para não vir parar nessa escola maluca. 


Ele não esperava viver uma paixão aqui, e nem em nenhum outro lugar do mundo, mas conhecer novos amigos seria bom. 


[...]


A chegada na escola demorou um pouco, principalmente para Taehyung, que nunca se acostumaria a ficar calado por horas apenas esperando o tempo passar. Ele queria puxar assunto, perguntar sobre qualquer idiotice que fosse, assim como ele fez falando para Jeongguk abrir as janelas do carro. Mas todos merecem ter seu espaço. Até mesmo o mauricinho. 


— Precisa de ajuda, Taehyung? 


— Não, obrigado. 


Ficaram quietos enquanto deixavam o carro no subsolo da escola, e subiram pelas escadas até chegar a recepção, pela qual nem Jeongguk passou quando chegou aqui.


Um rapaz alto, moreno e muito bonito estava cochilando, sentado em frente a mesa da recepção. Taehyung soltou uma risada nasal. 


— Eu já falei sobre meu irmão, não falei? 


— O monitor? Sim, já falou. 


— Eis aqui ele. Ei! Acorda, seu preguiçoso! — Ele sacudiu o rapaz, que acordou num pulo, assustado — O que você tá fazendo cochilando aqui, Namjoon? 


— Não enche, Taehyung. Hoje é domingo. 


— Achei que monitores não descansassem. 


— É claro que descansam. Eu não sou de ferro!


Assim que o olhar do rapaz caiu em Jeongguk, arregalou os olhos, e tentou disfarçar sua presença ali. 


— Desculpa, mas eu acho que te conheço. — Jeongguk falou, tentando analisar o rosto do homem. 


— Acho que está enganado. Deve ter se confundido. 


— Não estou não. Eu já sei! Você estava no sorveteria, no dia em que vim para cá. Hoseok me apresentou você. — Ele sorriu, mas então se lembrou de outro detalhe — Espera… Você não falou que tinha conseguido um emprego em uma empresa? 


Taehyung caiu na gargalhada. 


— Você falou isso pra ele? — O loiro limpou as lágrimas do riso exagerado, no canto dos olhos — Joon, mentir é feio! 


— Eu não estou entendendo nada. Por que você falou isso? 


— Eu só… — Suspirou fundo — Só fiquei com medo do Hoseok ter conseguido um emprego melhor que meu. Ser monitor chefe disso aqui é muito bom, mas só aqui dentro, lá fora… parece meio vergonhoso. 


— O Hoseok conseguir um emprego? — Dessa vez foi Jeon quem riu — Fala sério! O Hoseok só saber sair pra beber e pegar pessoas. Acho que é por isso que a gente se dá tão bem. 


Era verdade. A única diferença entre os dois, é que Hoseok não vive mais na sombra dos pais, e muito menos depende deles para ter dinheiro. Tem bastante guardado. 


— Tudo bem, tanto faz. Eu só preciso que você me prometa que não vai falar isso para ele. 


— Hm? Ah, sim. Claro. — Sorriu gentilmente — Não esquenta, não vou falar nada. 


[...]


— Você só pode estar brincando! — Hoseok gargalhou, assim que Jeon terminou de falar. 


Assim que chegou no dormitório, Taehyung se jogou no sofá e Jeongguk correu para o quarto, se deitou de bruços na cama e pediu para Yoongi o passar o número de Hoseok. E então ele falou tudo. Falou sobre sua vida aqui dentro, sobre as pessoas na qual já ficou, e, por último, falou sobre Namjoon. 


Jeongguk não era fofoqueiro, mas entre melhores amigos não existem segredos. E Namjoon já não deveria gostar muito dele, visto a forma que Jeon o tratou na sorveteria, um motivo a mais para não gostar dele não mudaria nada. 


— Estou falando sério. Eu também não acreditei, mas ele é o irmão mais velho do meu colega de quarto, e não trabalha em empresa nenhuma. Acredita que ele se preocupou se você estava com um emprego melhor? 


— Por incrível que pareça, não me surpreende. — Hoseok disse — O Namjoon sempre quis ser o melhor da sala, e lutou muito pra ser Presidente do Grêmio estudantil. Ele é inteligente pra caramba, muito mesmo, mas tinha muita sede por poder lá dentro. Aí deve ser a mesma coisa. 


— Pra falar a verdade, eu nem sei. Hoje foi a primeira vez que vi ele aqui, eu acho. Nunca vi ele rondando a escola, ou pelo menos, se vi, passou despercebido. 


— Mas me fala, como está sendo aí. 


— Ah, eu já te falei tudo. Não é tão ruim quanto eu pensei. 


— Você tá falando da escola ou das pessoas? — Maliciou. 


— Dos dois. — Riu. 


— Hm, e você sabe me dizer se- Oi, Guk — Yoongi parecia ter tomado o telefone das mãos de Hoseok, sorrindo. 


— Oi, Yoon. 


— Eu estou precisando sair e conhecer pessoas novas também. Sabe me dizer se tem alguém aí disponível? 


Jeongguk pensou um pouco. 


— Todo mundo aqui está disponível, ninguém pode namorar. Mas… pensando aqui, o Jimin faz muito o seu tipo. 


— E ele é legal? Bonito? 


— Ele é tudo isso e muito mais. E é muito soltinho também, faz bem seu tipo. 


— Espera, acho que você não entendeu… eu estou procurando por alguém que não se apegue, apenas uma ficada de uma noite, talvez uma transa, mas só. Não precisa fazer meu tipo. Não vou pedir a pessoa em casamento. 


— Yoongi, até eu pediria o Jimin eu casamento. Você vai ver. Qualquer dia a gente combina de sair e-


— MAURICINHO! — Taehyung gritou da sala, e Jeon saiu do quarto em um pulo. 


— O que foi? Você se machucou de novo? 


— Não. Só queria que você pegasse água pra mim. 


Yoongi e Hoseok, que ouviam tudo já que Jeon não tirou a chamada do viva voz, gargalhavam. 


— Não acredito que você fez eu parar minha conversa pra isso. Você só está com a mão enfaixada, Taehyung, não as pernas. 


— Mas também queimei minha perna. 


— Mas foi pouco, não está mais doendo. 


— Como é que você sabe? Ela dói muito! 


— Ah é? Quando? 


— Nas horas que eu preciso me levantar. — Riu — Por favor… 


Jeongguk bufou e caminhou até a cozinha, vendo que Hoseok e Yoongi já haviam desligado a ligação, levando a água até o rapaz.


— Só pra você me deixar em paz. Tomara que se engasgue. 


— Como sempre muito gentil. 


Jeongguk negou com a cabeça e, sem delicadeza nenhuma, tirou as pernas de Taehyung que estavam deitadas no sofá e se sentou no local. 


— Ah, sim, mauricinho, eu tiro minhas pernas pra você se sentar no sofá, obrigado por pedir permissão. 


— Fica quieto. 


E Taehyung ficou mesmo. Ficaram assistindo um programa qualquer na televisão, sem falar um com o outro por um bom tempo. Até que Jeon se levantou decidido. 


— Não vou ficar sem fazer nada o dia inteiro. 


— Você vai pra onde? 


— Treinar. Daqui alguns dias a quadra de basquete vai ser aberta, os testes pra ver quem vai jogar também. Preciso estar em forma. 


— Impossível. Não tem nada aberto hoje, é domingo. Os alunos não treinam em dia de domingo. 


— Eu não posso parar se quero ficar em forma, Taehyung. Se eu parar hoje, vou querer parar amanhã, e depois, e então vai ser impossível voltar a rotina. 


— Credo, Jeongguk, você deveria parar um pouco. Essa sua dieta e seus exercícios estão indo longe demais. Tudo em excesso faz mal, sabia? 


— Taehyung, não enche. Do meu corpo, cuido eu. Se precisar de alguma coisa me liga. 


O Kim preferiu não discutir, e viu Jeon ir até o quarto, trocar rapidamente suas roupas para alguma mais justo e esportivo, e então voltou até sala e pegou seu celular no balcão da cozinha. 


— Estou indo. 


Taehyung não respondeu, apenas assentiu com o rosto, hipnotizado pelo programa de TV. 


Antes que Jeongguk se aproximasse da porta, a mesma foi aberta por Jimin, e Benjamin logo atrás dele. Os dois com roupas casuais, claras e folgadas, e com cara de sono. Jimin claramente tinha acabado de acordar. 


— Vim ver como está o doente. — Jimin brincou. 


— Chegaram na hora certa. O mauricinho ta saindo pra treinar. 


— Em um domingo? — Benjamin perguntou. 


— Por que todo mundo tá querendo se meter na minha vida hoje? Que saco. 


— Você ainda é uma criança, Jeongguk. — Taehyung provocou — Estamos cuidando de você. 


— Criança é a sua bunda. 


Jimin riu. 


— Ben, não estranha, eles são sempre assim. 


— Percebi. A relação de melhores amigos deles é engraçada. 


Taehyung riu sem mostrar os dentes, e olhou diretamente para Jeon. 


— "Melhores amigos"? — Ele perguntou, sorrindo. 


Jeongguk riu nervoso, e foi até a porta rapidamente. 


— Meu horário acabou. Vejo vocês depois. 


Não deu tempo de falar com mais ninguém, Jeon já estava longe, andando em passos apressados. 


[...]


— Jeonggukie, vamos logo! Você deve estar cansado — Jimin disse, se aproximando do rapaz de treinava abdominais a alguns minutos. 


— Jimin, pode ir. De verdade. Eu ainda quero me exercitar um pouco. 


Jimin negou com o rosto. 


— Não. Eu falei que só sairia daqui quando você sair. Não vou embora sem você. 


— Por que isso agora? 


— Porque não é justo o que você está fazendo com seu corpo, Jeongguk. Tudo bem querer estar em forma, mas essa sua dieta está indo longe demais. Isso pode te causar problemas sérios se você não se cuidar e-


— Tudo bem, tudo bem. Você venceu. — Jeon cedeu, se sentando e sentindo seus braços gritarem de alívio — Confesso que estou morrendo de vontade de me deitar na cama e ficar lá até amanhã. 


Jimin riu ladino. 


— Então vamos, se levanta e vamos ficar deitados na cama até amanhã. 


— "Vamos ficar deitados"? 


— Sim. Estou sem ninguém pra conversar hoje, e o Taehyung ta compenetrado demais na TV. Portanto, você vai me aguentar hoje. 


— Eu não gosto de amigo grudento — Brincou. 


— E eu eu perguntei se gosta? Se eu falei que vamos ficar deitados até amanhã, é isso e pronto. 


Jeongguk negou sorrindo. 


— Você é impossível. 


Então eles andaram novamente até o dormitório, Jimin tagarelando coisas aleatórias sobre a escola. Quando Jimin puxava assunto de repente era até divertido, diferente de Taehyung. Era algo que Jeongguk queria mudar, e nem entendia o motivo de achar isso no loiro tão irritante, mas pretendia mudar. 


Gostava da amizade que estava construindo com alguns alunos da escola, principalmente com Jimin. Ele era sempre um anjo. O único até hoje que Jeongguk chamou de "hyung", mesmo que o Park e Taehyung tenham a mesma idade. 


Estava suado e cansado, apenas queria se jogar na cama e ficar lá por um bom tempo. Ele abriu a porta do dormitório, que por algum motivo estava destrancada, e então paralisou. Ele e Jimin ficaram estáticos ali. 


A primeira visão que tiveram foi Taehyung e Benjamin se beijando ardentemente. O moreno sentado no colo de Kim, enquanto suas bocas se mexiam com urgência. Os cabelos bagunçados e dois botões da camisa de Ben abertos. 


Ao perceberem a porta sendo aberta e a presença dos dois rapazes, eles se afastaram abruptamente. Mas não adiantaria muita coisa. 


Jeongguk não conseguia ver outra coisa. 


Que droga! , ele pensou, O primeiro garoto que eu me sinto atraído tinha que ser justo o peguete do Taehyung? 


Ele abaixou o olhar e caminhou até a cozinha, com a expressão neutra, enquanto Jimin já tinha voltado ao normal. Como se aquela cena fosse normal para ele, mas não para Jeon. 


— Desculpem. — Taehyung pediu, com a voz baixa — Benjamin apenas estava se despedindo. 


— Que despedida boa, hein? — Jimin brincou. 


Benjamin sorriu aliviado, depois de ter ajeitado os cabelos azuis, e então olhou para Jeon. 


— Você quer uma despedida, Jeongguk? — Ben perguntou, atrevido, para todos ouvirem. 


Em qualquer outro dia, horário e situação, Jeongguk gaguejaria e não saberia o que responder, ou pularia em cima dele e aceitaria, mas hoje ele disse em alto e bom som:


— Não. — Falou seco, nem ao menos olhando em seus olhos. 


— Err… Jeonggukie, falei que iria ficar, mas acho que não dá. A gente combina outro dia, tá bem?


— Tudo bem, hyung. 


— Ei! — Taehyung exclamou, indignado — Você chamou ele de hyung? Por que não me chama assim também? Eu sou mais velho que você. 


— Porque não gosto de você. — Disse frio. 


Taehyung riu, com a habitual resposta do mauricinho, e então viu que Jimin e Benjamin saíram de fininho do dormitório e fecharam a porta com força, avisando que estavam fora daquela conversa. 


Taehyung seguiu Jeongguk pelo caminho do quarto, e antes de chegarem lá, falou:


— Mas me fala aí, mauricinho, aquele papo de "melhores amigos" era-


Jeon fechou a porta antes que Taehyung entrasse, e o mesmo abriu com certa desconfiança. 


— Jeongguk, o que foi isso? 


— Isso o que? — Se fez de desentendido. 


— Você bateu a porta na minha cara. — Taehyung cruzou os braços. 


— Eu bati? Hm, nem percebi. 


Jeongguk pegou sua toalha em um salto, indo em direção ao banheiro para finalmente tomar seu merecido banho depois de horas de treino, e também processar o que viu a alguns minutos. 


Por que todas as vezes que eu quero ser legal com ele, ele me dá algum motivo pra me afastar? 


— Tá assim comigo por que eu beijei o Ben? 


— Ache o que você quiser. 


Taehyung bufou, batendo os pés no chão, agoniado. 


— A gente estava começando a se dar bem, não estava? 


E então Jeon abriu a porta do banheiro, e falou apenas uma coisa antes de fechá-la novamente:


— Bem vindo de volta à estaca zero. 




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