História Maybe Im just their obstacle - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Eu estava quieta no meu canto torcendo que ninguém resolvesse dar uma de bom samaritano e viesse perguntar se estava tudo bem comigo. Mas claro que o Vinicius iria fazer isso, ele era meu melhor amigo, afinal de contas, então quando ele sentou ao meu lado no corredor do colégio e passou o braço pelos meus ombros, eu não reclamei.

— O quê aconteceu?

— Nada.

— Me engana que eu gosto. - Rimos.

 

Ele ficou em silêncio até eu estar pronta para falar algo.

— Sabe aquelas decisões que na hora parece que não vão influenciar muito tua vida, mas depois você fica questionando o que podia ter acontecido se você tivesse agido diferente?

— Na verdade, não sei não. Mas você pode me explicar.

— É uma história meio longa.

— Não precisa contar se não quiser.

— Não é isso, eu até quero contar, mas eu acho que você não vai ter paciência de ouvir tudo.

— Você pode tentar.

— Ta, mas não vale se arrepender depois.

— Isso eu não garanto. - Ele falou e deu um sorriso torto logo em seguida indicando que era brincadeira.

— Bom, por onde eu começo?

— Do começo seria o mais normal.

— Eu acho que do final faria mais sentido. Esses dias que eu fiquei doente em casa, o tedio me consumiu varias vezes, eu começava a ler um livro ou a ver um episodio de alguma série, mas tinha horas que nem isso me contentava, então eu me rendia ao prazer de mexer no Facebook, daí em um desses quatro longos dias, eu acabei topando com uma postagem de um cara que estudou comigo no meu antigo colégio, o São Vicente. E aí, entediada como eu estava pensei "Por que não stalkear ele?" e claro que eu fui fazer exatamente isso e enquanto eu fuçava o Facebook dele eu encontrei varias fotos e postagens dele e da namorada muito apaixonados e acabei descobrindo que os dois já vão fazer três anos de namoro. TRÊS ANOS. Ok, eu sabia que fazia tempo que os dois estavam juntos, mas eu não tinha noção que era tanto tempo assim e aí quando eu descobri que o namoro deles durou tanto tempo assim e comecei a me questionar e me perguntar como seria se eu tivesse tomado determinadas atitudes diferentes com ele.

— Tá, eu me perdi na parte que o tempo de namoro do teu ex-colega de classe causou tantos questionamentos nessa cabecinha doida aí.

— Então, digamos que ele não era só um colega de classe.

— Hmmm, entendi tudo.

— Não, não entendeu nem um décimo de tudo.

— Explique-me então.

— Tá. Vou voltar para o começo agora. Eu estudei no São Vicente desde que eu tinha 4 anos, no jardim II, até os 11, no 7°ano e, logicamente, eu fiz muitas amizades nessa época, umas mais duradouras que as outras, obviamente, e o Rodrigo foi uma delas, ele estudou comigo do jardim II até o 6° ano quando ele repetiu de ano. Mas isso não vem ao caso, a gente estudou junto todos esses anos e obvio que viramos amigos, só que ele nunca fez questão de esconder o quanto ele queria ser mais do que só meu amigo. Praticamente todo mundo da sala sabia que ele tinha um leve crush em mim e olha que nessa época a palavra crush nem tinha pensando em virar gíria aqui no Brasil, mas enfim, o fato é que ele tinha um crush em mim e vivia de boa com isso, eu também sabia, mas naquela época eu era adepta do lema "Se fazer de doida pra melhor passar". Nessa época, eu tinha uns 10 ou 11 anos e se hoje com 18 eu ainda não sei lidar com caras gostando de mim imagina nessa época, enfim, a gente vivia assim, ele afim de mim, eu fazendo a desentendida e seguindo o famigerado baile. Eu lembro que teve até um dia que ele pediu um anel da mãe dele emprestado para me dar de presente e me pedir em namoro, as minhas amigas sabiam e até ficaram lá assistindo e achando tudo muito fofo. E eu, como a boa cuzona que sou, só ri e mandei-o parar de besteira. Nisso ficou até o final do meu 7° ano, quando a gente já não estava mais na mesma sala, quando foi no final desse ano, 2011 eu acho, o colégio que a gente estudava resolveu fechar as portas, a faculdade que funcionava no mesmo prédio abriu outro colégio no mesmo lugar para quem não quisesse trocar de lugar, o colégio Ateneu. Ele continuou por lá junto com alguns amigos nossos, mas eu fui para outro colégio. De vez em quando eu ainda ia lá visitar o pessoal e matar as saudades, mas sempre era muito rápido e eu dificilmente o via. Até que no final desse ano, 2012 os padres que eram responsáveis pelo nosso colégio que fechara resolveram fazer uma missa para os ex-alunos se reencontrarem e eu fui com algumas amigas minhas. Para a minha surpresa eu acabei encontrando ele por lá... Ele e outro colega nosso, e acho que foi aí que tudo começou a desandar. Assim que eu cheguei em casa tinha uma mensagem no falecido MSN desse nosso colega, o Leo, dizendo que o Rodrigo era louco por mim e perguntando se eu teria coragem de ficar com ele, com o Rodrigo. E não sei por que, mas de repente toda a negação que eu fazia questão de jogar nas pessoas, quando elas zoavam com a gente, sumiu e eu falei que sim, "teria coragem", talvez eu tivesse começando a amadurecer um pouquinho ou o meu BV estivesse começando a assumir o controle do meu cérebro. Enfim, o fato é que eu falei que tinha coragem de ficar com ele e ai nós nos reaproximamos, eu e o Rodrigo, mas eu e o Leo também. Isso era outubro de 2012, eu acho, mas eu sei que por umas três ou quatro semanas nós começamos a conversar constantemente, não só por MSN, mas por telefone também e eu deveria ter captado esse sinal quando eu tive a chance, porque se tem duas coisas nas quais eu não sou boa são falar ao telefone e manter uma longa conversa, mas com ele eu consegui fazer os dois, e muito bem, nós passávamos horas e horas ao telefone e eu adorava. Paralelamente a isso eu continuava conversando com o Leo e ajudando ele com os problemas de superação de relacionamento dele que, hoje em dia, eu desconfio que tenham sido só para me fazer ter peninha dele. Enfim, a gente continuava conversando e viramos muito amigos, principalmente porque a ex dele era uma menina com quem eu tinha tido uma briga feia quando estudava no São Vicente, então falar mal dela era uma coisa que eu sempre estava disposta a fazer. Enfim, voltando ao Rodrigo, a gente ficou nessas conversas longas e telefônicas até o dia que ele resolveu me pedir em namoro, isso sem a gente nunca ter dado um beijo sequer (quer dizer, isso é tema para outra história), e eu por algum motivo que até hoje eu não sei identificar, acabei aceitando. E a gente começou nossa história conturbada, se é que eu posso chamar aquilo de história. Eu fui ver ele em um dos jogos de interclasse do Ateneu, nos trocamos um selinho e continuamos nosso "namoro", continuamos isso por um mês mais ou menos, mas eu acabei "terminando". Ok, aqui eu tenho que fazer um adendo, ele era um amor de pessoa, o tipo de cara que se eu tivesse a oportunidade hoje em dia eu namoraria, o tipo que se preocupa com você, que pergunta como foi seu dia, que diz que ouviu uma música e lembrou de você, ou seja, ele faz tudo aquilo que eu vivo reclamando de não ver mais nenhum cara fazer atualmente. Só que naquela época, com seis anos a menos que agora e muito menos maturidade do que agora, eu só achava que ele era muito grudento e eu simplesmente não queria aquilo, então, eu fui lá com a desculpa mais esfarrapada do mundo, uma espécie de "Não é você, sou eu" adaptado para pré-adolescentes e terminei com ele. - Ele fez uma careta de desaprovação para mim.

— Eu realmente não acredito que você fez isso com o pobre do garoto.

— Você acha isso tudo ruim? Ainda piora.

— Oh, não.

— Oh sim, lembra que eu uma vez eu comentei que eu não sabia terminar as coisas e nem dizer não com facilidade?

— Lembro...

— Bom, eu já melhorei bastante, por exemplo, quando eu terminei com ele, eu não fiz isso pessoalmente, pelo menos não a primeira vez...

— Meu Deus, me diz que você não terminou pela internet. - Não respondi. Ele balançou a cabeça em sinal de decepção.

— Se eu disser que ainda piora você vai sair correndo e nunca mais querer ser meu amigo?

— Eu superei o fato de você não gostar de Supernatural, eu acho que eu consigo superar o que quer que venha agora.

— Tudo bem, como eu dizia, eu terminei com ele com todo o papo "Não é você, sou eu" e bem... No dia seguinte, havia jogo do interclasse lá no Ateneu e eu fui assistir e ele, obviamente, estava lá, ele até veio conversar comigo perguntar o que diabos tinha acontecido e eu só desconversei e falei que eu não era para namorar e me misturei com o resto da galera para meio que fugir dele e assim foi o resto do dia. Depois disso tudo a gente ainda continuou se falando, mas bem menos e com o tempo nos afastamos totalmente.

— Se você me disser que ainda piora a nossa amizade vai ficar seriamente abalada. - Fiz uma careta envergonhada.

— Ai não. O que mais?

— Lembra do Leo que eu citei aleatoriamente, no meio da historia? Pois é, depois que a gente terminou eu continuei conversando com ele, porque afinal de contas, a gente era amigo, o Rodrigo ficou puto porque achou que eu tinha terminado com ele por causa do Leo, o que NAO FOI O CASO, pelo menos disso eu posso me orgulhar. Mas enfim, como eu dizia, eles acabaram se afastando um do outro por minha culpa e depois de um tempo... Eu acabei começando a gostar do Leo e... Ficando com ele.

— Ahhhhh. Se você não fosse minha melhor amiga eu provavelmente socaria essa carinha linda agora.

— Se eu mesma não fosse sentir a dor eu também me socaria.

— Ainda piora?

— Não, pelo menos não do ponto de vista #RODRIGOTEAM. Eu estava caidinha pelo Leo, mas depois que a gente ficou nós nos afastamos e eu paguei de otária mesmo. Acabou que eu me afastei de praticamente todo mundo que ainda estudava no Ateneu e ficou por isso mesmo. E se serve de consolo, o Rodrigo depois ainda tece um leve gostinho de vingança.

— Que tipo de vingança?

— Uns dois anos depois ele voltou a falar comigo do nada e me chamou para sair, eu aceitei e ele me deu um bolo com uma desculpa esfarrapada que estava no hospital. Eu queria ficar pistola com ele, mas eu bem que merecia aquilo então eu só superei.

— É. Merecia mesmo.

— Pois é, isso foi uns quatro anos atrás, depois disso a gente se distanciou de novo, ele conheceu a Camila e depois os dois começaram a namorar e estão juntos até hoje. - Dei de ombros.

— E você percebeu que fez besteira?

— Não exatamente. Quer dizer, eu sei que eu fui extremamente otária com ele, que imaturidade nenhuma é justificativa para agir como eu agi com ele e sim, eu fiquei me questionando sobre o que poderia ter acontecido se eu não tivesse terminado com ele naquela época, como seria se eu tivesse insistido mais um pouquinho em nos dois, se eu poderia ter aprendido a ser um pouco menos coração de gelo, se a gente teria mudado um ao outro e durado muito tempo juntos, mas ao mesmo tempo eu não posso negar que se nos dois tivéssemos ficado mais tempo juntos talvez ele não estivesse com a Camila hoje e, caramba, é inegável a química deles dois, eles fazem um casalzão da porra e eles parecem muito aquele tipo de casal que vai namorar por uns bons 6/7 anos, se casar e morrer velhinhos juntos e por mais egoísta e cuzona que eu seja eu não posso negar que eles parecem muito muito felizes juntos. Então, não, eu não posso dizer que estou arrependida de tudo o que fiz, talvez eu me arrependa do modo como eu fiz, mas não dos meus atos em si. E quem sabe eu não tenha sido um dos obstáculos que levou os dois a estarem juntos no fim. - Dei de ombros.

— O que eu mais odiei em tudo isso é que você consegue ser incrivelmente madura em meio a tudo isso quando eu estaria surtando e sendo uma típica garota de 18 anos mimada e egoísta. - Ele revirou os olhos.

— Isso é porque eu sou muito madura. A própria adulta madura.

— Pior que é mesmo.


Notas Finais


Espero que gostem x)


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