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História Maybe, we - Capítulo 20


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Notas do Autor


Oi, como estão???? Me desculpem pela demora :(

Viram os novos banners???? Obra do meu anjinho @vhoparing, obrigada meu amor fiquei apaixonada!!!! O Allen também me ajudou muuuuuito aqui, obrigada neném ♡

Eu surtei >>> surtei <<< quando vi que chegamos aos 100 kkkkkkkkkkkk Não esperava mds kkkkkkkkkkkkk e também os comentários vocês são incríveis mds to surtando de novo! Obrigada obrigada obrigada!!!!


Para "compensar" vocês esse cap está e n o r m e kkkkkkkkkkkk. Espero que gostem, boa leitura ♥️

Capítulo 20 - Surpresa!


Fanfic / Fanfiction Maybe, we - Capítulo 20 - Surpresa!



Estavam no meio da semana, e mais importante, no meio da semana de provas, mas era aniversário de Jinyoung e embora ele tenha dito que não planejava comemorar, Jaebeom quis fazer algo especial. 

Resolveu buscar o mais novo no trabalho, para que chegassem mais cedo e fez um jantar especial, além de ter comprado um vinho bom e doces. 

Soube que tinha feito a coisa certa no momento em que Jinyoung saiu do restaurante acompanhado de alguns colegas e percebeu seu carro do outro lado da rua, ficou surpreso, deu para ver como ficou tímido enquanto se despedia dos colegas e apontava para o carro. O sorriso que ele tinha quando entrou era tudo para Jaebeom.

— Oi meu amor, feliz aniversário — disse, não conseguia conter seu tom apaixonado, àquela altura do campeonato já tinha aceitado que faria tudo por Jinyoung e para manter aquele sorriso no rosto dele. Jinyoung se aproximou e o abraçou, Jaebeom prontamente retribuiu, beijando-o na bochecha. 

— Obrigado — murmurou, afastando-se para colocar o cinto de segurança. — Você nem me avisou que vinha, quase morri do coração! 

— Quis fazer um surpresa — explicou, Jaebeom se esticou e pegou uma caixa de presente no banco de trás. 

— Jaebeom… Eu disse que não queria presentes… 

— Eu sei, é só uma lembrancinha, é seu primeiro aniversário comigo, não acha que é especial? — perguntou, Jinyoung que havia hesitado em pegar a caixa finalmente pegou e abriu, a face se iluminando conforme via qual era seu presente. — Gostou?

— Eu amei! Oh, e parece tão quentinho também… — Sorriu, os dedos correndo pelos pelinhos internos do moletom rosa claro ao mesmo tempo em que Jaebeom ligava o motor. — Obrigado, é lindo. 

— Que bom que gostou. Como foi no trabalho? 

— Foi normal, mas não vai acreditar no que a Jimin me contou! — Jinyoung riu, e logo contou como ela estava indo no trabalho.

Foram emendando uma coisa na outra até que chegaram ao apartamento de Jaebeom, onde Jinyoung se viu surpreendido outra vez. A mesa estava linda, até um vasinho de flores Jaebeom tinha colocado, não conseguia acreditar no carinho de Jaebeom por ele. 

Estavam jantando, ele já tinha tomado banho e usava o moletom novo, que era tão confortável quanto bonito, o professor percebeu que ele havia parado de comer e o encarava fixamente.

— Está tudo bem? — Quis saber, Jinyoung piscou várias vezes, os olhos redondos com lágrimas acumuladas.

— É que… Está tão tarde, e-e você fez tudo isso por mim! Não sei se mereço tanta atenção. 

— Claro que merece meu amor, tudo isso e muito mais. Quando tiver uma folga, podemos sair e comemorar direito, o que me diz?

— Não precisa, isso… Isso é perfeito, obrigado. — Agradeceu outra vez, expirando para tentar se livrar do nó em sua garganta, às vezes era difícil acreditar que Jaebeom gostava tanto assim dele, sentia-se bobo por pensar assim, mas era simplesmente incrível que alguém gostasse dele daquela maneira. 

— Deixa de ser bobo, Park Jinyoung, coma antes que esfrie — disse, feliz por que ele tinha gostado de sua surpresa. 

Jinyoung sorriu e voltou a comer, o olhar apaixonado estava derretendo Jaebeom por dentro, tão encantador. Aquele homem era simplesmente lindo demais, o amava tanto que começava a doer, céus, Park Jinyoung era sua salvação e sua ruína. 

Jantaram e comeram muitos doces, Jaebeom insistiu que ninguém lavaria a louça naquele momento, por isso Jinyoung apenas ajudou a colocar na pia, deu um gritinho quando o professor agarrou sua cintura sem aviso, tomando os seus lábios sem hesitar. 

Jinyoung se entregou imediatamente, a língua se movendo no ritmo gostoso de Jaebeom, os sons que pareciam estalinhos e era deliciosos ecoavam pela cozinha enquanto o corpo dele se arrepiava sob as mãos firmes de Jaebeom. 

O coração deu um salto quando sentiu a mão pesada apertando seu bumbum, arfou entre um beijo e outro e se afastou poucos centímetros para recuperar o fôlego. Jaebeom não se deu por satisfeito, logo a boca beijava e mordia toda a área exposta do pescoço de Jinyoung, as mãos tentavam se infiltrar dentro do moletom rosa.

— Seus gatos estão vendo isso... Não tem vergonha? — perguntou, um pouco descompensado, mas se contradizendo ele inclinou o pescoço para dar acesso aos beijos de Jaebeom. Via com os olhos espremidos o gato siamês perto da porta da cozinha, enroscando-se com um brinquedo.

— Desculpa, não consigo mais evitar, pestinhas, já para o quarto por favor! — disse, segundos antes de segurar o rosto de Jinyoung e beijá-lo, enquanto ele ria sem conseguir controlar.

— É melhor se formos nós dois… — murmurou, segurando o professor pela camisa, dando passos para trás, trazendo-o junto. 

*

Estava frio quando Jinyoung acordou, um pouco perturbado pelo sono agitado, Jaebeom estava encolhido um pouco longe e dormia profundamente. Ele também queria dormir, estava cansado, mas olhando as horas no relógio percebeu que poucas horas tinham se passado desde que tinham adormecido, e não conseguiria dormir de novo.

Levantou e levou junto um dos cobertores, colocou um direito sobre Jaebeom, ele estava sem roupas e mesmo que tivessem uma vida sexual bastante ativa aquela altura do campeonato, ele estava corando com a imagem. Deu um beijinho na bochecha dele e se afastou, Venus estava em cima do sofá, entre algumas almofadas, apenas o rosto era visível e apaixonado como era pela gatinha, foi até ela sem pensar duas vezes. 

Quando tirou uma das almofadas para fazer carinho nela, percebeu Cotton escondido ali, ele era tão fofo também, todo peludinho com os olhos azuis. Engoliu seco e foi com toda calma do mundo para fazer carinho no gato, dizendo o quanto gostava dele e queria que aquela amizade desse certo. 

— É uma bandeira branca, está vendo? Vamos lá… Seja bonzinho, é meu aniver- — Interrompeu-se chocado quando seus dedos tocaram o pelo macio e o gato não esboçou reação, muito menos lhe atacou. Sorriu eufórico, mas se controlou, acariciando o gatinho com calma para não assustar e nem machucar o bichano. 

Conseguiu acariciar o gato por alguns minutos, na cabeça, atrás das orelhas, lugares onde Jaebeom havia dito que ele gostava.  Tinha um sorriso do tamanho do mundo e aproveitou para dar atenção a Venus também, não queria sua menina com ciúmes. Estava entre os dois gatos, conversando com eles e ainda parecia uma criança que ganhou seu doce favorito quando Jaebeom apareceu.

O Im estava um pouco sonolento ainda, havia acordado quando Jinyoung saiu da cama, ficou na dúvida se levantaria ou não, mas perdeu para a própria curiosidade e valeu a pena pela cena bonita dos três no seu sofá. 

Seu coração ficava tão feliz toda vez que Jinyoung sorria, vê-lo derretido de amor por seus gatinhos era muito bom e ele não sabia explicar, mas poderia chorar de felicidade. 

— Oh, também perdeu o sono? — Jinyoung perguntou quando o viu parado ali, observando-o de longe, ele assentiu e juntou-se a ele no sofá, ocupando espaço no colo de Jinyoung também, deitando a cabeça nele. 

Ficaram mais algum tempo ali, conversando e rindo, brincando com os gatos, até eles irem embora quando o Sol começou a surgir. Deitaram juntos no sofá, Jinyoung estava tocando e tentando contar todas as pintinhas nos braços e no tronco nu de Jaebeom, mas parecia impossível tal qual as estrelas do céu.

— O que está fazendo? — Jaebeom perguntou rindo quando Jinyoung puxou descaradamente o cós de sua cueca, olhando dentro de suas calças. — Park Jinyoung!

— Vendo se tem mais alguma, ora essa! — respondeu prontamente, com um sorriso arteiro e olhar inocente, apesar das bochechas ganhando um tom mais avermelhado. Soltou o elástico e o abraçou, beijando a face de expressão desacreditada, abraçando Jaebeom mesmo quando ele tentava escapar de seus braços. 

— Você é inacreditável, Jinyoung — murmurou, rindo entre um beijinho e outro, até sentir os dedos quentes em um ponto específico de suas costas, o que o fez gelar por dentro.

— Desculpa! — pediu, afastando-se como se ele tivesse se queimado. — Dói?

— Não, eu esqueço dessa coisa — respondeu, relaxando outra vez, o rosto próximo ao dele. 

Ficou orgulhoso de si mesmo por não ter desviado o olhar, por mais que Jinyoung estivesse olhando para o seu peito, e embora não quisesse abrir aquela caixinha onde guardava alguns de seus piores sentimentos, não parecia tão ruim se fosse com Jinyoung. 

Andava repetindo para si mesmo que não havia uma pessoa melhor para que se abrisse, guardava coisas demais e ainda tinha muitas resistências, mas podia começar por ali. 

— Está tudo bem, como eu disse, eu esqueço… — disse, colocando o braço dele sobre si outra vez, Jinyoung parecia mais cauteloso agora ao abraçá-lo.  

— Jaebeom, me diga se estiver passando de algum limite, mas por que eu sinto que tem a ver com sua família? Você só fica assim quando fala deles… 

— Não está errado. 

— Onde você se machucou? — perguntou com receio. — Tem certeza que não dói?

— Sim, é muito velha, consegui quando tinha mais ou menos o tamanho da Yeji — contou, rindo ao lembrar de sua estupidez naquele dia. — Estava fugindo do meu pai, mas tem certeza que quer falar sobre a cicatriz feia nas minhas costas? É assim que quer começar o dia? 

— Vou ficar com mais medo de falar com a mãe depois dessa conversa? — Jaebeom ficou sem resposta, e ele percebeu que era péssima ideia usar seu senso de humor ruim para aliviar o momento. — Foi ruim para você, não foi?

— Sim, mas a minha família é complicada e você já sabe disso. Eu lembro um pouco da sua mãe e pelo que você diz, eu sei que ela não chega nem perto dos meus pais. É normal ter medo, mas acho que você podia dar um voto de confiança a ela. 

— Vou tentar — sussurrou, o coração perdeu o compasso quando Jaebeom segurou seu rosto e beijou sua boca carinhosamente. 

Um silêncio confortável se instaurou entre eles, Jaebeom ainda pensando em muitas coisas e Jinyoung se perguntando se ele acharia estranho se pedisse para ver a tal cicatriz. Era a primeira vez que via Jaebeom inseguro sobre algo nele mesmo, não gostava daquilo. 

— Jaebeom, seus pais ficaram muito bravos? — Continuou sussurrando, inseguro apesar do olhar tranquilo mais velho. — Eles… eles bateram em você?

— Não. Eu fugi antes — disse rindo, os dedos correndo distraidamente os cabelos castanhos que caiam sobre a testa dele, Jinyoung não estava gostando da tristeza refletida no olhar de Jaebeom, sentia em seu coração também. — Estávamos na casa de praia e papai descobriu aquela revista, sabe… aquela. Eu não era muito inteligente e não escondi direito, ele ficou furioso e minha mãe sem reação. 

— Ficou com muito medo? — Jaebeom assentiu, passando por cima do nó que havia se formado em sua garganta para continuar. 

— Seojun me mimava sempre que estava em casa, exibia com orgulho para os amigos, como se eu fosse um troféu ou algo do tipo, mas ficava bravo sempre que eu fazia algo que não devia. Era difícil ser uma criança que não pode errar. Com a minha mãe era diferente, ela era carinhosa e geralmente me protegia de tudo — contou, pensando outra vez em como devia ter sido difícil para sua mãe também. 

Jinyoung mal respirava, sentia a pressão da mão dele em suas costas, o segurando firme. Jaebeom secou rapidamente o canto dos olhos, antes que derramasse alguma lágrima e abraçou a cintura dele outra vez.

— Nesse dia eu senti que não ia ser como costumava ser, andava numa fase difícil e tinha me afastado dela, achei que o Seojun fosse me matar e ela não diria nada, nunca vi ele tão irado, então eu corri. — Riu outra vez, não suportava mais manter os olhos abertos, então os fechou e apoiou a testa no ombro de Jinyoung.  

Reviver certas coisas sempre traria de volta as emoções que havia enterrado e lá estava ele, como havia ficado naquele dia tanto anos atrás. Assustado e indefeso, nunca havia se sentido sozinho até aquele momento, e desde então lutava contra essa sensação, o vazio que ficou depois que perdeu o amor de seu pai. 

—  Fui longe, eu era bom corredor, sabia Jinyoung? Já fui muito atlético! — disse, fazendo Jinyoung rir sem querer de seu tom convencido. — Mas eu também não era muito inteligente, já disse isso né? Lembro que passei debaixo de um arame farpado e me cortei, doeu e melou minha blusa de sangue, mas só parei de correr quando subi numa árvore bem longe de casa.

— Mas e quando você voltou? Brigaram muito com você? 

— Ah… Eu não voltei, Seojun me achou primeiro — murmurou, apertando a cintura dele, sentia que Jinyoung é quem estava tenso agora. — Ele não encostou em mim, mas eu acho que preferia ter apanhado, honestamente teria doído menos do que as palavras dele.

— Jaebeom, eu sinto muito — sussurrou, Jaebeom teve que se afastar para olhar para ele  não acreditou que Jinyoung estava chorando, mas a voz quebrada o entregava. 

— Por que está chorando? — perguntou, com um riso sem força.

— Porque eu não quero que sofra, nunca, não merece isso — disse, Jaebeom não soube porque aquilo aumentou infinitamente a sua vontade de chorar, que vinha contendo a duras penas até ali. —  Não precisa se fazer de forte perto de mim, deve ter se sentido tão abandonado e machucado pelas pessoas que sempre te amaram, só consigo imaginar quão doloroso isso foi.

— Pareceu… Hum, não sei… Ah, que tipo de pessoa tem coragem de dizer para o filho que deixou de ser seu pai, só por ele não ser o que se espera dele? — Indagou, odiando a maneira que sua voz falhou. — Achei que ele sempre me apoiaria, teria orgulho de mim, e o pior é que eu queria odiar ele o tempo todo por isso, por ter parado de me amar, mas eu não consigo, sou um idiota...

— Não é — negou, passando suavemente as mangas do moletom debaixo dos olhos dele, coletando as lágrimas que iam se acumulando. — Sei que não é fácil ser deixado por um pai, você não é idiota, não diga isso.

— Jinyoung, acho que odeio tanto essa coisa nas minhas costas porque me lembra do dia em que perdi isso, meu pai, e também porque é realmente muito feia, quer ver? Mas não pode rir, é feia de verdade…

— Você é um pouco idiota sim, eu não faria isso. E não preciso ver nada, não quero te deixar desconfortável, não tenho problemas com uma cicatriz pequena, mas agora eu sei que você sim, está tudo bem.

Ignorando o que ele tinha dito  Jaebeom se virou, deixando que ele visse o que mais odiava em seu corpo. Ficava pouco acima do quadril, não devia ter mais do que seis centímetros, uma linha irregular que tinha uma cor um pouco mais rosada, mas não entendeu porque Jaebeom a odiava tanto. Certamente era mais pelo que ela representava, uma marca externa de uma ferida que ele tinha em sua alma. 

Jinyoung conteve o impulso bobo de tocar outra vez, e dizer qualquer coisa. Sendo sincero, estava um pouco orgulhoso por Jaebeom ter passado por tudo aquilo, ele seguiu em frente mesmo machucado. Sempre soube que ele era uma pessoa resistente, mas percebia que só podia imaginar todos os perrengues que ele já tinha superado. 

Ficou tocado por ter ouvido um pouco mais sobre ele, pela confiança depositada em sua pessoa, os olhos voltaram a arder, mas ele conteve sua emoção besta. Jaebeom voltou a virar de frente para ele outra vez e fez uma careta engraçada quando disse que já tinha pensado em usar pomadas e tudo, mas que se sentiria estúpido usando. 

— Você é perfeito, Im Jaebeom. E eu te amo por inteiro, cada pedacinho seu — disse, segurando o rosto dele para deixar um beijo casto em seus lábios. Quando ele sorriu, Jinyoung sorriu também. — Meu coração é seu, e não tem reembolso nem devolução. 

— Ainda bem, porque eu planejo guardar por muito tempo, muito tempo mesmo — sussurrou, segurando a cintura dele, puxando-o até estar sobre seu corpo. — Quer tomar café da manhã fora? Comer com calma em um lugar legal?

— Quero ficar aqui, aqui para sempre — respondeu, deitando a cabeça contra o peito descoberto dele, a ponta dos dedos desenhando formas aleatórias ao redor de uma pintinha que ele tinha ali. — Acho que depois das pintinhas no seu rosto, essa é minha favorita


*


O dia mal havia começado e Jaebeom já se sentia pronto para começar uma briga. Em relação a Seojun ele sempre se sentia assim, e quando parou de precisar da ajuda dele para conseguir uma punição ao professor de Yeji, a sensação se intensificou. 

Tinha certeza que seria o dia que finalmente brigaria com ele, tudo porque Yeji havia ligado cedo para desmarcar com ele, disse que iria ficar com a mãe por um tempo. Não tinha como não ter dedo de Seojun naquilo, ela parecia tão desanimada que doeu e quando soube o porquê, Jaebeom iria começar uma briga. 

Não demorou a chegar a casa dele, e a menina já não estava em seu quarto, a governanta da casa avisou que já tinha ido com a mãe. Jaebeom respirou fundo, desceu as escadas e foi direto para o escritório de Seojun, passou por um engravatado no corredor, mas ignorou e seguiu até ser chamado por ele. Virou-se para trás e encontrou um homem de terno perfeitamente alinhado, assim como o cabelo e um sorriso brilhante que lhe deixou desconfortável. Encontrou uma aura muito familiar a de Seojun e não gostou disso.

— Desculpa, mas eu conheço você?

— Acredito que ainda não, mas sou um amigo antigo do seu pai. Você é o Jaebeom, não é? — perguntou, estendendo a mão, confuso e ainda desconfortável Jaebeom fez o mesmo e o cumprimentou. — Lee Hanbin, é um prazer.

— Igualmente, agora se me dá licença… 

— Claro, é claro — sorriu outra vez, tinha algo a mais naquele sorriso, como se soubesse de algo que não estava dizendo e que deixou Jaebeom inquieto, mas não criou caso e seguiu até o escritório de Seojun. Podia ser coisa sua não gostar de empresários engravatados por traumas pessoais.

Entrou na porta sem bater, e seu pai que analisava alguns arquivos em cima da mesa os guardou imediatamente dentro de um envelope laranja.

— A que devo a honra de sua visita, Jaebeom? — Seojun disse, levantando da mesa para ir até a estante lateral, de onde tirou uma garrafa de whisky. — Aceita?

— Pode me dizer porque Yeji saiu daqui para passar tempo indeterminado com a mãe? 

— Porque sente saudades dela, Jaebeom. Yeji passa tempo com ela sempre que pode... Vai continuar a vir aqui cuspindo fogo por tudo o que ela fizer? 

— Sim — respondeu sem hesitar, não perdendo a postura. 

Até onde sabia, o namorado da mãe ainda morava com ela, Jaebeom não conseguia imaginar Yeji querendo voltar para aquela situação, algo não estava certo. 

— Tem certeza de que nada aconteceu? 

— Desculpe-me Jaebeom, mas eu não sou como você fantasia nessa sua cabecinha perturbada, jamais faria algo a ela — disse, bebendo um gole antes de deixar o copo sobre a madeira escura, encostou o quadril contra a mesa, olhando Jaebeom de cima. — Com a Yeji aqui, estou descobrindo como é ser pai outra vez e não vou intencionalmente magoar a minha filha, a única coisa boa que já fiz nessa vida. 

Jaebeom respirou fundo, fingindo não sentir o golpe. Cruzou os braços e soltou o ar devagar, olhando nos olhos de Seojun, como que para demonstrar não estar abalado, pois seria ridículo se estivesse. Por mais que quisesse, não conseguia ver mentira nas palavras de Seojun, ele realmente pensava daquela forma sobre a menina. Mas então, por que havia feito o que fez? O Im insistiu um pouco mais. 

— Tenho certeza que algo aconteceu, Seojun. A última mensagem que ela me mandou me dá certeza absoluta disso, o que você fez? 

— Já disse, não fiz mal algum a ela! 

— "Não sei se quero ficar em um lugar onde não pertenço e não mereço." — Jaebeom leu parte da mensagem, Seojun recuou e sentou em sua cadeira, dando confirmação de que sim, algo havia acontecido. — O que você fez?

— Eu… Nós… Eu a levei para a empresa, e apresentei a algumas pessoas, posso ter dito que não passarei meu cargo para nenhum de vocês e ela deve ter interpretado errado.

— Você é inacreditável! Para mim? Não, obrigado, não faço questão, mas a Yeji… Você é inacreditável!

— Ora Jaebeom, é mais fácil você começar a viver de acordo com o seu nome e herdar a empresa do que a Yeji. A menina não tem o mesmo preparo que você — falou, bebendo um gole significativo de whisky em seguida, dava para perceber que não estava confortável. — Desde que nasceu, eu fiz tudo o que pude para criar o presidente perfeito, você falava três idiomas antes dos doze, tinha tutores particulares e eu sempre o levei para a empresa comigo, para ficar familiarizado, fiz tudo e você jogou isso no lixo! 

— Eu não fiz coisa alguma, Seojun. E nada te impede de dar o mesmo preparo para Yeji se assim ela quiser! Não venha me dizer que não pensou sobre isso, não você, que tinha minha vida planejada antes mesmo de eu nascer.

— Não é tão simples… 

— Por que ela não pode ser sua sucessora? — Indagou, percebendo que o seu pai evitava olhar em seus olhos. 

Era muito desconcertante ver como sua irmã era a única pessoa que o deixava daquela forma, quase humano. Quando falavam dela, Seojun realmente se importava e era tão estranho, Jaebeom não admitiria ter ciúmes ou inveja, mas sentia algo incômodo e tentava esconder. Tudo ficava mais fácil quando ele ignorava a sensação pesada no peito e concentrava-se na irmã, precisava cuidar dela, apenas isso.

— Já disse, ela não tem preparo para isso.

— Ela só tem quinze anos! Pode preparar ela com tempo de sobra se quiser.

— Jaebeom, não! 

— Por quê? — insistiu, Seojun bebeu o resto do conteúdo em seu copo e levantou-se para servir um pouco mais, ficando de costas enquanto o fazia. — Se for o que ela quer, Yeji será perfeita para o trabalho.

— Jaebeom, cale a boca.

— Não, você vai me dizer o porquê disso, não quer que a filha de fora do casamento fique à frente do seu império? Seojun, juro por Deus, se estiver fazendo isso por algo tão idiota…

— Não! Não é nada disso, eu assumi a paternidade, Jaebeom. Dei meu nome a ela, darei tudo o que ela quiser enquanto viver, mas isso não. 

— É ridículo! — Levantou-se e viu os ombros de Seojun tensionarem sob o terno caro. —  Vai se arrepender disso, Yeji é uma líder natural e não sou eu que estou dizendo. Sabia que ela reuniu um grupo com alunos mais novos e está ajudando eles a estudar? A supervisora me contou, ninguém pediu que ela fizesse, Yeji tomou a iniciativa porque viu eles com dificuldade. Ela é inteligente, tem carisma e bondade, será uma líder muito melhor do que você jamais sonhou em ser, lutarei por ela até o fim.

Seojun não respondeu, abaixando o copo para que não ficasse claro como estava tremendo. O problema era muito diferente do que Jaebeom imaginava. Sabia que a filha era uma garota excepcional, não dizia isso a ninguém, mas passou a amá-la e a via como um cristal precioso demais. 

Não estava contente por tê-la magoado, mas quanto a deixá-la se aventurar no mundo empresarial, nunca havia sido uma dúvida. Não iria permitir. Acreditava no sucesso da filha, mas morreria antes de permitir que ela fizesse parte daquele mundo estressante, competitivo e que muitas vezes tirava parte da humanidade das pessoas. 

— Jaebeom, se essa era sua preocupação pode ir agora, conversarei com ela depois, não foi minha intenção magoar a menina, mas achei que fosse óbvio.

— Você é desprezível.

— Temos opiniões parecidas. Agora vai, tenho muita coisa para ver — disse, virando-se para encarar o envelope sobre a mesa. Estava muito curioso sobre o conteúdo que poderia encontrar ali, Jaebeom acompanhou seu olhar e suspirou. 

Conversar com Seojun e conversar com uma parede era a mesma coisa. A diferença, talvez, fosse a parede não ser tão frustrante. Jaebeom pensou outra vez em levar Yeji pra morar com ele, mas teria que ser uma casa nova com dois quartos e ela teria que concordar com isso, o que ele duvidava. Apesar de tudo o que aconteceu, ele sabia que ela gostava de Seojun. 

Não era fácil compreender, chegou a se questionar se não era de ter um pai que ela gostava e não de Seojun, mas ficava claro quando via os dois que ela gostava dele de verdade. Era impressionante, mas ela dizia que ele era bom para ela e deixava Jaebeom maravilhado que a garota fosse tão bondosa a ponto de conseguir perdoar e amar alguém como ele, mas respeitava as decisões da menina. 

Jaebeom suprimiu todos os xingamentos que gostaria de direcionar ao pai, junto da frustração e indignação, preferiu ir embora antes que ele lembrasse da herança de sua mãe e começasse a lhe importunar por isso.


*


Saber o código para abrir a porta não significava que deveria, afinal, não morava mais ali. Jinyoung tocou a campainha e aguardou, Jung não demorou a abrir. O mais novo sorriu ao vê-lo, puxando o para dentro. Jung disse que precisava conversar, mas Jinyoung parecia precisar mais, percebeu só de olhar para ele.

— Por que está tremendo? Aconteceu alguma coisa? — perguntou, Jinyoung escondeu as mãos debaixo das coxas, os olhos um pouco inchados sorrindo enquanto Jung ria. — Hyung…

O Lee estreitou os olhos, o que causou em uma crise de risos no mais velho. Sabia que ficaria mais fácil depois que conversasse com ele, saiu da casa da mãe e o primeiro lugar que pensou foi a casa de Jung. Jinyoung desviou o olhar ignorou o frio na barriga, que estava sentindo desde que levantou naquele dia, devia ter passado, mas ainda estava ali.

— Eu contei para a minha mãe — respondeu baixinho, batucando os pés no chão. — Contei que gosto de homens e que tenho um namorado.

— Oh! E como ela reagiu? 

— Ficou surpresa — murmurou, querendo rir do choque na expressão do amigo, qualquer coisa para não pensar no nervosismo que sentiu. — E-eu fiquei… Hum… Apavorado, sabe? 

— Eu imagino, você é tão apegado. Por favor me diz que tudo ficou bem no final, esse seu suspense está me matando! — resmungou, precisava saber que tinha dado tudo certo. Seu coração se partiria se não fosse assim, entendia a importância do apoio da família, e Jinyoung era muito ligado a sua. Não queria que ele sofresse. — Hyung, o que aconteceu?

— Chorei — respondeu, rindo enquanto deitava no ombro do mais novo. — Acho que nunca chorei tanto, mas aí a minha irmã começou a chorar também e mamãe acompanhou, foi tão engraçado… 

— Então por que está tremendo tanto assim? 

— Por que ela disse que só quer minha felicidade, que… Que não importa quem eu amo, apenas que seja uma pessoa boa e que me ame também — disse, coçando os olhos para espantar as lágrimas. 

Uma hora havia passado e continuava abalado, o apoio da família era o que queria, mas teve tanto medo de não ter isso e quando percebeu que sempre teria, não importando as circunstâncias, ficou daquele jeito. 

— E por que o nervosismo? Isso é uma coisa boa, hyung…

— Eu sei, mas ela queria conhecer, sabe, meu namorado — disse, sentindo a garganta secar só em pensar. 

— E qual o problema? Tenho certeza que vai tratar ele bem, talvez sua irmã encha o saco do pobre coitado porque ela é assim, mas não vejo grande problema.

— Mas nós não podemos — respondeu rapidamente. Jung voltou a espremer os olhos, enquanto Jinyoung parecia querer sair correndo.

— Jinyoung não me diga que se meteu com homem casado!

— Não, nada disso! — defendeu-se rapidamente. — É só… É que nosso relacionamento é complicado. E-e e ele é bem reservado e eu também, não acho que é o momento para conhecer famílias e tudo o mais. Eu nem ia dizer que tinha alguém mas a Jimin percebeu, então elas sabem.

— Ah… eu entendi. Vocês continuem no ritmo de vocês, sei que sua mãe vai entender, até eu entendi — disse, fazendo Jinyoung sorrir e o abraçar pelo pescoço, quase sufocando. — Ah, hyung! 

— Você é o melhor, Lee Jung! — Beijou a bochecha dele com força, arrancando um gemido sofrido. — Ah, não quero mais falar sobre isso, o que queria conversar?

— Eu desisti de desistir da faculdade.

— O quê? Jung! Sério?

— Uhum… Andei pensando e conversei com meus pais, não foi legal não, mas eu consegui um acordo. — Suspirou enquanto um vinco preocupado tomava forma entre as sobrancelhas de Jinyoung. — Obrigado por ter me apoiado e feito pensar direito, se não fosse você eu provavelmente estaria largado na rua, sem família, sem dinheiro e um lugar para ir.

— Mas eu não fiz nada… E o seu sonho, Jung? Isso também é importante, como vai fazer? — perguntou, Jung sorriu e segurou suas mãos, apertando com carinho.

— Deu tudo certo no fim, hyung. Depois que me formar, terei que fazer o curso de administração também, mas eles prometeram que eu vou ter tempo livre pra fotografia e para viver a minha vida. Tive medo de passar dificuldades se abandonasse tudo, mas também de ficar como eles e não ter tempo para as pessoas que amo. Eles estão sempre juntos, mas nunca vi um abraço, nem darem mãos… Não quero ser assim.

— Eu entendo… Então está feliz assim? — indagou, vendo o Lee assentir. — Também acho que é um bom plano, estou feliz que tenha se resolvido.

— Jackson hyung também me ajudou, agradeça a ele por mim.

— Oh, fale com ele você, ele vai ficar feliz também — falou e Jung concordou. — Então a guerra entre você e seus pais chegou mesmo ao fim? 

— Sim! 

— Fico feliz por você. 

— E como foi nas provas? Não me disse, está mais tranquilo, hyung?

— Ah… Eu sinto que fui muito bem, mas você sabe, nao é bom comemorar antes da hora — murmurou, o mais novo rolou os olhos.

— Eu acredito que tenha ido. Você se dedica, hyung.

— Nem tanto como deveria.

— Mais do que a maioria. Está com fome? Tem tanta comida aqui, acho que mamãe manda alguém trazer quando estou fora, porque parece que está brotando magicamente na geladeira! 

— Bem que eu queria comida brotando magicamente na minha geladeira também. — Riu seguindo Jung para a cozinha. 

Fizeram um lanche juntos, e uma bagunça grande também, enquanto Jinyoung limpava o molho que havia respingado no chão, Jung lavava a louça. 

— Jung — chamou, levantando-se do chão para ir jogar os lencinhos sujos no lixo.

— Hum? — Olhou para ele sobre o ombro, Jinyoung limpou o suor da testa com a manga da blusa.

— Você acha que eles ainda estão me espionando? — perguntou, sentando em uma das cadeiras da mesa.

— Quem?

— Seus pais…

— Ah! Não, eles não estão. Tudo o que sabem sobre você é do começo do ano hyung, quando a gente se conheceu.

— Isso ainda é tão estranho… — choramingou, Jung terminou a louça  e fechou a torneira. 

— Eu sei, me desculpe por isso — desculpou-se, virando para ele. — Prometo que não vou deixar ninguém mexer com você. 

— Não é sua culpa — disse, com um sorrisinho. — Mudando de assunto, o que tem aprontado com com aquele garoto, um baixinho do cabelo curto? Não desgrudam mais…

— Ele é a pessoa mais engraçada que já conheci, hyung! — Empolgou-se rapidamente, sentando a frente de Jinyoung com um sorrisão. — Queria que ele fosse da nossa turma para ir na nossa viagem! Oh! Falando nisso, não acredito que vai perder a oportunidade de passar um fim de semana com seu professor favorito!

— Para de chamar ele assim! — protestou, não aguentava aquela zoeira sem ficar vermelho. Cobriu suas bochechas, enquanto o mais novo ria.

— Desculpa. Jinyoung hyung, seu namorado não tem ciúmes do professor Im? 

— O quê? — Gargalhou, querendo morrer internamente de tanta vergonha, a verdade passava tão longe daquilo.

— Eu sei que gostava dele, você não me engana hyung, aqueles tremores quando via ele era vontade de sentar naquele homem, eu tenho certeza! 

— Lee Jung! — gritou horrorizado enquanto o mais novo ria.

— É sério! Não tem outra explicação, tanto que melhorou depois que você arrumou um namorado, passou a vontade de dar pro professor? 

— Nunca te ouvi falando assim, estou horrorizado — sussurrou, escondendo o rosto entre as mãos. 

— Desculpa, influência externa, o Hwangi fala muito sobre isso, ele é doido com o professor Im — disse, jogando seus cabelos para trás, não percebeu a expressão de desgosto que passou pelo rosto do mais velho. — Sabe quem é? Ele é irmão da Sooyeun, não é do nosso curso, mas deve ter visto...

— Óbvio que vi, vocês não se desgrudam — respondeu, nem se esforçando para esconder a pontada de ciúmes que sentiu. Não apenas de Jung, mas de Jaebeom principalmente.

— Ih! Ciumento… Que bonitinho — cantarolou, esticando a mão para apertar a bochecha de Jinyoung, que o afastou com um tapinha. — E seu namorado, é assim também? Ele não sente ciúmes do professor? Ah! Ele não deve nem saber, né?

— Eu… — Não conseguiu falar, rindo nervoso. Bagunçou seu cabelo e deitou a cabeça na mesa, olhando para Jung completamente vermelho, até as suas orelhas queimavam. — Meu namorado não tem motivos para ter ciúmes do professor Im.

— Hum, se eu fosse ele ficaria de olhos abertos. Você muda quando falamos do professor, hyung — disse com os olhos grandes pingando malícia. — Por isso que não vai com a gente para a viagem, ficar tanto tempo com o Jaebeomie seria demais? 

— Yah! Me respeita garoto — esbravejou, levantando se para cruzar os braços, Jung rolou os olhos.

— Então não vai vir mesmo? Como vai fazer para conseguir seus pontos? 

— Não posso, eu tentei perguntar e o professor disse que já tinha tudo em acordo com a agência de viagens… — Seu desânimo ficou evidente, havia perdido totalmente a graça.

Ficou até um pouquinho chateado com Jaebeom no meio da semana, quando ele questionou do porquê de seu nome não estar na lista dos alunos que iriam para conhecer a vila de hanok. Jinyoung nem lembrava de quando essa lista havia passado na sala, e Jaebeom vendo a tristeza dele disse que até o levaria no carro dele, mas perceberam que seria estranho demais e teriam que dividir um quarto, o que seria ainda mais suspeito. 

Estava frustrado, era o único da turma que não iria e para piorar, tinha ganhado um trabalho extra para substituir o trabalho de campo da turma. Pensou até em fazer greve, mas perdoou o professor depois de uns amassos no escritório dele. A memória fez o rosto esquentar outra vez.

— Eu passei a lista, te perguntei antes de entregar, mas você também… Seu cabeção! — resmungou, bagunçando os cabelos do amigo. — Prometo tirar muitas fotos para você. 

— Obrigado, você é o melhor.

— Hyung, tem mais um tempinho para mim ou tem que ir embora?

— Tenho sim, faz tanto tempo que não ficamos juntos, do que precisa? — perguntou, endireitando-se para olhar o mais novo nos olhos. 

— Pinta meu cabelo? Cansei de usar esse loiro — rolou os olhos, o garoto vivia mudando entre loiro e castanho desde que o ano tinha começado, não era surpresa querer trocar outra vez.

— Você confia em mim nesse nível, Lee Jung? — indagou, querendo rir só de pensar no desastre que aquilo poderia se tornar. Os olhos dele brilhavam em expectativa enquanto assentia. — Tudo bem então.

— Vou comprar a tinta, volto já! — avisou, saindo correndo. Jinyoung foi atrás, ele já estava calçando os sapatos quando chegou na sala. 

— Jung…

— Oi? — Olhou para Jinyoung, abrindo a porta. O Park hesitou por um segundo, mordendo o canto da boca, suspirou. — Trás uma para mim também?

— Qual cor? — questionou muito mais animado do que já estava.

— Preto — respondeu, vendo o amigo murchar como se fosse um balão furado. Jung rolou os olhos e assentiu. — É que… castanho eu cansei e dá trabalho, não tenho tempo.

— Como o rei da impulsividade pode ser tão previsível? 

— Não vou responder essa pergunta — disse, com um bico emburrado. 

— Volto logo! — Jogou um beijo no ar, correndo porta a fora. 

Jung não demorou a voltar e logo os dois estavam no banheiro, rindo de coisas aleatórias enquanto esperavam o tempo da tinta para lavarem os cabelos. O Lee estava lavando o cabelo debaixo do chuveiro quando a porta da sala bateu, Jinyoung esticou o pescoço e tentou ver quem estava na sala, não conseguiu evitar a tensão que sentiu ao ver a mãe de seu amigo.

— Jung… É sua mãe — sussurrou, o mais novo terminou de enxaguar o cabelo e enrolou em uma toalha. — Vou lavar e já vou indo, tá?

— Não precisa ter medo dela. — Também estava falando baixinho. 

— É para não atrapalhar vocês — respondeu, embora soubesse no fundo tinha sim um pouquinho de medo, também não queria estragar o bom relacionamento que Jung parecia estar tendo com os pais. 

O garoto foi para a sala e Jinyoung enxaguou depressa os cabelos, secando mais ou menos com uma toalha. Enquanto penteava com os dedos disse a si mesmo para ter coragem, saiu do banheiro e cumprimentou a mãe de Jung brevemente e não se surpreendeu por ela ignorá-lo, ficou feliz por isso, queria que fosse assim para sempre, mas Jung não gostou da atitude. Saiu antes que ele dissesse qualquer coisa e deixou uma mensagem no celular dele, agradecendo a companhia, voltariam a se ver em breve.


*


Jinyoung estava esparramado no chão com Venus dormindo em sua barriga quando Jaebeom chegou em casa, o professor olhou para aquela cena e sorriu enquanto calçava seus chinelos, sentiu como se todo o peso em seus ombros ficasse ali e não o acompanhasse para dentro de casa. Foi até eles, sorrindo quando Jinyoung o notou, deitou-se ao lado dele, o sol estava fraquinho pelo horário, mas ainda estava gostoso.

— Está me esperando tem muito tempo? — Jaebeom perguntou, Jinyoung fez que não, fechando os olhos. 

Continuaram a tomar banho de sol em silêncio, Jaebeom precisou lutar contra a vontade de enchê-lo de beijos, também não queria acordar a gatinha.

— E essa folgada está te alugando há muito tempo? — Jinyoung virou o rosto e negou, sua voz estava rouca quando ele falou.

— Ela já estava aqui no sol quando cheguei, eu sentei e ela veio pro meu colo, como resistir?

— O sol foi embora, Jinyoungie — falou, percebendo que já estava escurecendo do lado de fora.

— Onde estava? Você demorou…

— Fui ver o meu pai e depois a Yeji, ela está passando um tempo com a mãe. 

— E está tudo bem? — questionou, havia notado o semblante preocupado do professor.

— Sim, bem, a mãe dela me odeia um pouco, tenho certeza, e a Yeji não queria me ver.

— Não me diga que brigaram de novo! — sussurrou dando um tapinha no ombro dele, Jaebeom sorriu e negou.

— Não, é complicado. Mas contei para ela que ajudei a família que ela queria e amansei a fera.

— Aquela família… 

— Sim. Enfim, a Yeji está bem, então tudo certo. Depois eu volto para ver ela outra vez, na segunda. 

— Estou orgulhoso de você! 

— Não tem motivo para estar — respondeu, sorrindo quando o mais novo rolou os olhos. 

Felizmente ele não brigou, estava feliz por Jaebeom ter feito o que era certo no fim das contas. O silêncio entre eles foi se alongando, Jinyoung começava a ficar tímido com o ar contemplativo dele, até que franziu as sobrancelhas, como se estivesse em dúvida.  

— Você está diferente… — Não foi uma pergunta, embora a resposta não estivesse clara sobre o que exatamente. 

— Estou? — perguntou, segurando ao máximo a vontade de rir diante da cara confusa de Jaebeom. O sorriso  contido e os riquinhos ao redor dos olhos faziam Jaebeom ter vontade de mordê-lo e encher de beijos por ser tão fofo.

— Oh! Você mudou o cabelo! — gritou e imediatamente cobriu a boca, xingando a si mesmo pela reação exagerada.

Recebeu um olhar de Venus e quase pediu desculpa, mas ela fechou os olhos, decidida a ignorar sua presença. Tudo isso enquanto Jinyoung se acabava de rir.

— Gostou? — perguntou, as bochechas corando enquanto Jaebeom passava os dedos pelos fios negros em sua testa, assentindo. 

— Ficou ainda mais jovem — falou beijando a bochecha dele, o rosto de Jinyoung se contorceu em uma careta engraçada e Jaebeom rolou os olhos. — Está lindo, meu amor. Eu vou tomar banho, quer vir comigo? 

— Não quero incomodar ela... — Apontou para a gata dormindo em cima dele, Jaebeom deixou ele quieto e foi para o banheiro.

Mais tarde foram assistir um filme juntos, mas Jaebeom percebia Jinyoung tentando secretamente responder algo no celular e segurar a risada.  Estava mais interessado no celular que havia ganhado da mãe e da irmã, rindo de alguma coisa que os amigos tinham dito. 

Jaebeom entendia que ele estava feliz por ter um telefone outra vez, também gostava de poder se comunicar melhor com ele outra vez, e sabia que ele estava aproveitando para matar a saudade dos amigos, mas o bichinho do ciúmes estava a espreita lhe incomodando.

Tentava ser racional, entretanto começava a sentir a insegurança pela diferença de idade, tinha certeza que Jinyoung estaria se divertindo muito mais se tivesse saído com seus amigos, que tinham idades e energia mais parecidas. Ele não era nem de longe tão divertido como os mais jovens e não queria ser, mas também não queria privar Jinyoung de nada. 

Mas se ele quisesse sair com os amigos, teria ido, afinal, não o obrigou a ir para o seu apartamento. Porém, talvez ele tenha sentido que deveria, porque Jaebeom convidou. Céus, só queria comemorar o fim do período de testes, mas não perguntou se ele tinha outros planos para a noite de sábado. Quando deu por si, estava levantando do sofá, desligando a televisão. Desde quando era tão inseguro assim? 

— Vou sair e comprar alguma coisa para o jantar, acho melhor — falou indo procurar a chave do carro, Jinyoung olhou para ele com um beicinho e olhos de cãozinho arrependido. 

— Mas o filme estava na metade…

— Você nem estava assistindo, meu amor.

— Estava sim, a mulher estava descobrindo agora que… Que… Nem ela sabe de nada por que eu saberia? — Encolheu os ombros e Jaebeom riu, correu as mãos pelos cabelos, Jinyoung continuou com a cara de culpado. — Quer sair? Jackson me chamou para ir na Paradise hoje. Todo mundo vai.

— Ah… Não quero, mas você pode ir! Eu tenho trabalho, então não tem problema.

— Mas eu queria que fosse comigo, vai passar o sábado a noite trabalhando? Custei conseguir uma folguinha… — choramingou, Jaebeom cruzou os braços e inclinou um pouco a cabeça, sem saber o que fazer. 

— Pois é, se quer ir, vai e se diverte bastante, você merece. 

— Mas e você? 

— Você não precisa de mim para ir lá — respondeu, sentando ao lado dele, arqueou uma sobrancelha quando ele cruzou os braços. 

— Mas quero ir com você...

— Não quero, Jinyoung. — Manteve-se firme mesmo com o olhar pidão, o mais novo bufou. 

— Mas você ia tanto lá com seu amigo Mark — argumentou, Jaebeom arregalou os olhos, o nome surgindo quando ele menos esperava o deixou meio perdido.

— Quem disse?

— Importa? — Jaebeom assentiu, como se fosse óbvio demais.

— Se estão  falando de mim, claro que importa! 

— Hum… Jackson... E-e o Jooheon... 

— Ah, claro que foram eles. — Riu, devia esperar isso do boca grande Jackson Wang e seu clone. —  Eu não vou, desculpa.

— Por quê? 

— Jinyoung... —  Esfregou o rosto, deixando a mão na nuca, expirou um pouco irritado, mas o beicinho era fofo demais para que ignorasse.

— Eu costumava ir quando estava solteiro, mas estava parando… E eu queria companhia, mas eu tenho você e lá é tão barulhento e aquelas luzes me dão dor de cabeça!

— Ah... Mas... Mas podíamos comemorar meu aniversário com todo mundo, por causa das provas, não deu! Você disse que sairíamos depois… E o Minhyuk disse que pede para fazerem um bolinho pra mim e tudo!

— Então vá e coma o seu bolo com eles, eu não quero — disse por fim, ignorando a birra e fugindo a qualquer custo dos olhos doces e chorosos que poderiam convencê-lo de tudo. 

Se já estava sentindo uma pontada de insegurança ao vê-lo ao telefone com aquelas pessoas, vê-los tão entrosados ao vivo não lhe faria bem. Que mal tinha evitar uma situação em que sabia que iria sentir ciúmes? Ciúmes era um sentimento muito feio e iria evitar a tudo custo.

— Aposto que se o Mark pedisse... — murmurou, encolhendo-se no sofá.  Jaebeom se virou para ele outra vez assustado, desde quando eles falavam do seu passado daquela forma? Não estava nada confortável. 

— O que disse? — perguntou incrédulo, erguendo uma sobrancelha. 

Jinyoung levantou do sofá e caminhou até a cozinha, murmurando um "nada" no caminho. Ele pegou um copo de água e sentou à mesa, sorrindo quando Venus veio se esfregar em suas pernas. 

— Nao vai sair? — Ouviu Jaebeom perguntar, mas não se virou para vê-lo. 

— Sem você não tem tanta graça — respondeu, pegando a gatinha no colo.

— Jinyoung... Você devia ir se é o que quer, comemorar seu aniversário e tudo o mais, não sou tão divertido assim, tenho certeza que seus amigos irão te entreter.

O estudante não respondeu. Jaebeom não queria lidar com aquilo quando estava tentando evitar uma crise interna de ciúmes. Podia descontar nele e não era o que queria, recolheu o lixo e avisou que levaria para fora.

— Volto já. — Jogou um beijo no ar antes de sair, tentando mostrar que estava tudo bem, deixou um Jinyoung muito confuso para trás. 

— Não acredito, ah, realmente… Que homem confuso! — resmungou, indo pegar outro copo de água, a gata dele no seu colo como um bebezinho.

Jinyoung estava no terceiro copo de água quando o telefone sobre a mesa começou a tocar, ignorou porque era de Jaebeom e estava um pouco irritado com ele. 

Continuou tomando sua água, de longe Venus fazia a mesma coisa agora, o professor estava demorando a voltar e isso deixou Jinyoung impaciente. 

O telefone tocou outra vez, Jinyoung rolou os olhos, por que ele tinha que deixar aquilo para trás? Na terceira ligação, começou a ter medo de ser algo importante e sentiu as pernas tremendo quando a primeira palavra que leu foi hospital. Levantou correndo para atender, apertou os olhos como se estivesse fazendo o que não deveria, não acreditou que estava fazendo aquilo.

— Alô? — Não houve resposta. — Alô? Oi… você ligou para o celular do Jaebeom, ele saiu, mas volta logo, é alguma emergência?

Não sei… Quem é você? Não sei onde estou, mas tinha esse número anotado perto do telefone, estava escrito filho. Não me lembro de ter tido um filho, mas talvez… Você é meu filho? 

Jinyoung respirou pesadamente, em choque. Oh, não devia ter atendido, realmente não deveria. Deveria ser a mãe de Jaebeom, e ele parecia não querer que a conhecesse, ficou visivelmente desconfortável quando falou dela. 

Estava pisando numa área em que sabia que não devia, Jaebeom iria matá-lo quando voltasse, mas  que faria? Suprimiu o pânico que começava a surgir e concentrou-se na ligação, precisava ajudar se ela estivesse em perigo.

— Eu sou um amigo do Jaebeom, a senhora disse que não sabe onde está, está em um lugar perigoso? O que está vendo? Irei te ajudar.

É um quarto, tem um sofá e uma janela muito grande, meu marido não está aqui — ela disse, e Jinyoung notou que ela falava com dificuldade. 

— E não tem mais ninguém com a senhora? — Ela negou. — Entendo, acha que pode ser algum hospital? 

Não! Nunca fiquei doente, por favor, me tira daqui, quero ir para a minha casa! — Antes que Jinyoung pudesse pensar em como agir, a voz de uma outra mulher soou do outro lado da ligação, era uma enfermeira. 

— Ela está bem? 

Sim, o senhor Im está? 

— Não, mas ele não demora… Tem certeza que ela está bem? — perguntou e a enfermeira confirmou. Disse que Jaebeom saberia explicar, mas que precisava desligar para dar atenção a ela. Jinyoung abaixou o telefone e caiu sentado numa cadeira, o que tinha sido aquilo? 

Jaebeom voltou pouco depois e encontrou o Park congelado no lugar, ele parecia ter visto um fantasma e o detalhe de seu telefone na mão dele não passou despercebido. 

— Jinyoung? Está tudo bem? 

— Sua mãe ligou… — disse e Jaebeom também ficou pálido como uma folha de papel, a boca secou. — Ela está bem? A enfermeira não podia falar, disse que você saberia dizer.

— Ela sabia quem ela era? — perguntou, Jinyoung demorou um pouco para assentir, não tinha certeza, mas achava que sim, afinal falou do marido e de sua casa. — Então sim, já esteve pior. 

— Jaebeom, ela não lembrava que tinha um filho, sua mãe não te reconhece? — Indagou erguendo a cabeça para olhar nos olhos dele, Jaebeom virou de costas, procurando qualquer coisa nos armários para não ter que olhar para ele. — Jaebeom...

— Não quero falar disso.

— Tem certeza? Quantos segredos está guardando? 

— Não é segredo — disse, sendo muito evasivo enquanto pegava um chá que estava no fundo do armário. — Não vai mesmo sair? Seus amigos devem estar te esperando.

— Está bravo por eu ter atendido? Só atendi porque pensei que podia ser uma emergência, eu juro! — Falou, deixando o aparelho na mesa. Jaebeom estava colocando água na chaleira, xingando um palavrão por estar tremendo, colocou no fogo e continuou de costas. — Caramba, acho que nunca fiquei tão tenso e preocupado, como você consegue guardar tudo isso? Por que não me responde? Está bravo, não está? 

— Não estou bravo, só não quero falar sobre isso com você! — Respondeu, sua voz mais alta do que realmente queria. 

Jinyoung calou e engoliu seco, abaixando a cabeça. Era um idiota, claro, ele já devia estar com a cabeça cheia e não precisava de um garoto bisbilhotando em seus problemas. O Im havia se arrependido no segundo em que disse aquilo.

Sentou na cadeira a frente dele e suspirou, colocando os cabelos atrás das orelhas enquanto dizia a si mesmo que era melhor ficar calmo.

— Jinyoung, me escuta um pouco, sim? — pediu, o estudante levantou o olhar e assentiu, os olhos estavam um pouco vermelhos. Jaebeom percebeu como estava sendo idiota, ele só estava preocupado, não merecia o tratamento hostil. — Um dia, eu vou conseguir expressar em palavras o que sinto, mas não hoje. Não quero e não consigo. 

— Desculpa, pensei que... Desculpa. Entendo, sou só um caso, você não tem que me dizer nada, não quero ser intrometido. Desculpa.

— Jinyoung não você não é um caso — negou várias vezes. — Eu tenho mais colegas do que posso contar no meu celular, pessoas que conheci por toda a vida e que provavelmente me ouviriam falar se eu quisesse, mas eu não... Eu não quero falar com ninguém, não ainda.

— Eu entendo, Jaebeom — sussurrou, fungando com um beicinho entristecido, estava mesmo chorando? Ficou com raiva de si mesmo por ser tão patético.

— Me escuta... Não penso em mais ninguém, não consigo me abrir tão facilmente e nunca deixei ninguém chegar mais perto da bagunça que é minha vida do que você chegou. É você e só você. Um dia, eu vou me abrir, mas não hoje. Desculpa, se não quiser esperar até eu me resolver eu entenderei.

— Não, Jaebeom! — Alcançou as mãos dele sobre a mesa, seu olhar era muito mais doce do que triste agora. — Você não tem que se justificar, passei dos limites.

— Não passou. Você se preocupa comigo, me desculpe por ter feito você chorar.

— Você não me fez chorar! — respondeu rápido, as bochechas ganhando cor outra vez. — Chorei porquê... Porque eu… 

— Eu amo você, Jinyoung — disse, Jinyoung recuou na cadeira no susto.

— Ei! Como… Você é inacreditável, Im Jaebeom! — quase gritou, seu rosto estava ardendo e o coração disparando de um jeito que o deixou enjoado. Foi pego desprevenido. 

— Jinyoung-ah, eu te amo! — disse outra vez, rindo do desespero dele. Levantou e foi até o mais novo, abraçando-o e enchendo de beijos na bochecha. — Não precisa se preocupar comigo e nem com a minha mãe, a dona Sehee está sendo bem cuidada.

— Esse é o nome dela? — perguntou, encantando com a nova informação. 

— Sim.

— É bonito, ela deve ser linda como você — falou, com cautela, Jaebeom sorriu e assentiu. 

— Muito mais bonita do que eu, um dia te mostro fotos. Agora, vai tomar um banho para sair com seus amigos, eu vou… Vou retornar a ligação. 

— Mas… Tudo bem, eu vou. 


*


O momento em que Jinyoung chegou na Paradise foi pura comoção, sendo envolvido em um abraço apertado demais e um tanto confuso. Jackson beijou sua bochecha e disse ter sentido saudade do filhinho dele, o que deu espaço para uma breve discussão entre ele e um Minhyuk ciumento. Tinha sentido saudade daqueles encontros caóticos, fazia muito tempo que não os via pessoalmente. 

Sentaram em uma mesa e Jinyoung, que tinha prometido para Jaebeom não beber demais e comer também, ficou com uma cerveja só até esquentar e pedir outra. 

Os amigos passaram um bom tempo se atualizando sobre o que não conversavam por mensagem e tudo que Jinyoung tinha perdido enquanto estava sem telefone, depois ele e Minho começaram a reclamar das provas e da faculdade e os mais velhos comendo amendoins, Minhyuk foi quem pôs fim ao drama.

— Deviam tentar aprender a administrar uma empresa, aí iam ver o que é sufoco — disse, rolando os olhos.

— Eu veria se você deixasse...

— Não se meta com isso — cortou Minho, levantando da mesa em seguida. Jinyoung ficou confuso, mas os outros pareciam acostumados, principalmente Jooheon que apenas negou. 

— É briga boba desses dois, não liga. Falando em briga, você brigou com seu namorado? 

— Jooheon! — Jackson deu um tapa no braço dele, Jinyoung negou. Não tinham brigado, talvez se desentendido um pouco, mas estava tudo bem, não estava? — Jinyoung, não faz essa cara de perdido, vamos dançar? — Jackson convidou, não esperou resposta, puxando-o pela mão antes que pensasse demais.

Passaram um bom tempo dançando, Minho e Jooheon se juntaram a eles e Minhyuk só voltou a aparecer quando estavam de volta à mesa enchendo a cara. Trouxe um bolo lindo, Jinyoung não achou que ele estava falando sério, mas ficou feliz demais por estar.

Tirou muitas fotos do bolo que era branco com algumas estrelinhas em azul, embora tenham ficado tremidas ele era lindo. Riram horrores da vela de 18 anos e Jackson disse que ele parecia ter essa idade quando tirou uma foto dele junto do bolo. Por ele ter confirmado que ia muito tarde, não conseguiram encontrar nenhuma outra, mas estava tão bonito e gostoso que não se importou. 

Estava no seu segundo pedaço quando Jaebeom chegou, vendo-o de longe rindo de algo que Jackson tinha dito, o Im quase voltou para casa. Ele estava feliz e muito confortável com os amigos, não queria se intrometer, mas Jinyoung disse tantas vezes que queria a sua companhia. Nunca se sentiu tão tímido quanto naquele momento em que se aproximou da mesa deles.

— Grande Jaebeom! — Jooheon foi o primeiro a notar sua presença, todos os outros disseram oi também e Jinyoung quase não se moveu, surpreso pela aparição repentina. Até que cederam espaço para ele ao lado dele e Jaebeom disse "oi". 

— Pensei que não queria vir — disse baixo, quando não eram mais o centro das atenções. Jaebeom tinha a mão sobre sua coxa por baixo da mesa e olhou para ele com um sorrisinho e um olhar um pouco arrependido.

— Ninguém nunca me pediu esse tipo de coisa, nem o Mark… Nosso relacionamento não era assim e eu nunca fui uma presença importante assim para alguém, desculpa por demorar a vir e obrigado por me convidar. — Jinyoung sorriu e roubou um selinho rápido. — Vou pegar uma cerveja para mim. Já volto.

Quando ele voltou, não ficou tão de lado quanto pensou, se deixasse sua implicância de lado até admitiria que Minhyuk e Minho eram divertidos, mas os bons pensamentos que estava tendo sobre eles caíram por terra quando foram dançar com Jinyoung. Estavam perto demais. Não havia mão boba e é claro que cada estava em em seu espaço pessoal, mas não queria ninguém tão perto dele, logo se irritou com ele mesmo por ter ciúmes de algo tão insignificante.

— Que cara é essa? — Jackson se jogou ao seu lado, entregando uma cerveja nova. — Jaebeom, continua olhando assim e vão começar a sair raios dos seus olhos.

— O quê? 

— Eles não são ameaça para você.

Jaebeom não respondeu, sabia que não tinha nada demais acontecendo e confiava em Jinyoung, só tinha raiva de si mesmo por estar sendo tão inseguro e precisar de Jackson dentre todas as pessoas para lhe assegurar o óbvio. Não conseguia gostar dele desde que o vira com Mark, e embora não tivesse os mesmos sentimentos por ele, não tinha superado a perda completamente.

Os dois beberam em silêncio por um tempo, Jaebeom até pensou em se juntar a Jinyoung e os outros, porém não tinha a energia. Estava mais preocupado com o tanto que ele estava bebendo, mas não disse nada, não queria ser chato e acabar com a diversão. 

A noite estava deixando de ser divertida para ele, tinha que se policiar em todos os lados e não estava gostando, mas felizmente estava no fim. Logo Jooheon apareceu para se despedir com uma garota estrangeira com ele, então Minhyuk e Minho também se foram, restando os três no sofá.

Jinyoung percebeu rapidamente o silêncio entre eles e para não ter que falar nada sobre o elefante na sala, roubou a cerveja de Jaebeom abandonada sobre a mesa e bebeu calado. Estava na segunda garrafa seguida quando Jackson se despediu, Jaebeom estava bebendo água e apenas acenou. 

— Vejo você na segunda — disse abraçando Jinyoung. 

O mais novo virou o rosto para se despedir também no instante em que Jackson foi beijar sua bochecha, resultando no momento mais estranho de suas vidas e num Jaebeom ligeiramente engasgado com água vendo seu namorado beijando o amigo. 

— Oh, Jinyoung, desculpa! Caramba!

— Foi… Foi um acidente! — gritou para Jackson, seu rosto ardendo de vergonha. — Eu virei de uma vez, desculpa… Ai, não faço nada certo. Foi sem querer!

— Não, fui eu! Desculpa Jinyoung, isso é estranho, certo? — Indagou, com um riso nervoso que o Park acompanhou concordando.

— Super estranho! 

— Vocês vão ficar nisso para sempre? — Jaebeom perguntou, atraindo o olhar assustado dos dois.

Ninguém disse nada, eles se entreolharam e com um último aceno Jackson foi embora. Jaebeom ficou sem reação, sem querer, lembrando de quando Jackson beijava outra pessoa e que ela não estava mais em sua Jinyoung ficou tão desconfortável que não conseguia nem dizer nada, foi tão rápido e vergonhoso, esse tipo de coisa só acontecia com ele.

— Jinyoung…

— Vou pegar mais uma garrafa e aí a gente pode ir! — respondeu depressa, levantando antes que Jaebeom sequer processasse suas palavras. 

Foi imediatamente atrás dele quando percebeu que parecia um pouco tonto, segurou pelo braço e deu apoio, o mais novo tinha aquele olhar de cachorrinho abandonado quando olhou para ele. 

— Jaebeom, você está bravo?

— Claro que não, mas acho melhor não beber mais hoje. Vamos para casa? — Jinyoung assentiu, deixando ele guiá-lo para fora. 

Foram para casa de táxi, e Jinyoung começava a achar que Jaebeom estava bravo sim, porque não disse mais nada por todo o caminho. 

Já estavam na cama quando ele voltou a falar e desejou boa noite, apagando as luzes. O Park virou para o lado oposto e abraçou um travesseiro, se ele tinha mesmo se irritado não era sua culpa, afinal tinha sido mesmo um acidente. Não merecia aquela frieza toda. 

Acordou cedo e a cama já estava vazia, mas de birra não levantou, também estava um pouco tonto e enjoado, devia ter bebido menos. Ficou feliz com a companhia dos gatos dele, Venus era a coisinha mais carinhosa do mundo e Cotton parecia estar ficando confortável com ele agora. 

Quando finalmente teve coragem de levantar ele foi para fora, encontrou Jaebeom sentado de frente para a mesinha da sala, com muitas folhas sobre ela. Só podiam ser provas. Foi até lá na ponta dos pés, ignorando tudo o que tinha acontecido na noite passada e tentou espiar sem ser notado, mas não deu certo, o professor se virou para ele com um olhar nada amigável. 

— O que está tentando fazer? 

— Hum… Nada — murmurou, desviando o olhar. — Já corrigiu a minha? 

— Não vou responder essa pergunta — disse, quase rindo do bico que surgiu nos lábios dele. — Não adianta, seria injusto, Jinyoung. 

— Mas você sabe como eu fico ansioso, vai esperar que eu tenha um piripaque? 

— Todo mundo fica ansioso, posso te oferecer um chá para se acalmar, mas você só vai descobrir sua nota junto do resto da turma. 

— Céus, namorar um professor não tem vantagem alguma, só dor de cabeça — resmungou, sentando no sofá. — Ou será que é ressaca? 

— Tenho remédios, você quer? Pensei que tinha dito que não beberia tanto assim… — Jaebeom voltou a prestar atenção na correção dos testes, mas viu pelo canto do olho quando Jinyoung foi ao banheiro e Venus entrou logo atrás. 





Notas Finais


Não sei nem o que dizer, então vou apenas acenar e ir embora kkkkkkkkklkl Deixe um comentário antes de ir, vou adorar saber o que achou desse pequeno~ capítulo 😁


Até logo, beijos ♥️


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