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História Maze Runner - A última variável - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Último teste


Fase 3 -  Isolamento

Amelia ainda estava sonolenta quando ouviu a voz de Minho, ela levantou rápido e procurou pelo garoto no Berg, foi o tempo exato para dois guardas agarraram ela e Newt e os separassem. Talvez ela tivesse tomado uma pancada na cabeça, ela só se lembrava da confusão, do caos e de repente do completo nada.

Nada.

Quando as pessoas pensam em não ver nada, pensam no escuro, na total escuridão onde o escuro é tudo o que existe… Só que o que Amelia via era uma luz forte e densa branca, ela tinha certeza era a visão dela e não o lugar, possivelmente o CRUEL brincando com sua cabeça. Naquela etapa não se importava muito mais, parecia ser um ciclo em que ele pegavam os garotos, faziam testes, davam a eles esperança só pra arrancar de novo. 

Os dias foram passando enquanto Amelia tentava manter a cabeça em plena ordem, o que devia ter falhado já que estava começando a ter alucinações, às vezes ouvia a voz dos outros garotos. Às vezes ouvia a voz de Alby. E o corpo dela não parecia ajudar a sobreviver naquele lugar, crises de febre, fadiga e indigestão começaram a ocupar totalmente seu tempo assim como as memória que a atropelavam com mais frequência agora.

Instalações do CRUEL, 4 anos atrás

Amelia estava em uma sala escura, o homem não se assustou quando acendeu a luz e encontrou a garota ali. Arquivos estavam espalhados pela mesa, e a garota transparecia por todos os pontos do rosto raiva. Ele respirou fundo.

— Leu o que não deveria não é? —  perguntou.

— O senhor sabia que sou a mais velha daqui? — O homem ficou quieto —  Eu vi bastante do efeito do fulgor nas pessoas, vi famílias serem destruídas, vi  crianças ficarem doentes e outras órfãs uma atrás da outra. Você não sabe o quão grande foi minha surpresa quando soube que a culpa é de vocês!

— Amelia se acalme.

— Não! — ela bateu a mão na mesa — Vocês vão sacrificar mais centenas de crianças para que possam reparar o erro que vocês criaram! O CRUEL  é tão… tão… Hipócrita.

Ele suspirou.

— Eu sei que é — Amelia respirou fundo, tentando se controlar, mas ainda estava na defensiva — Olha, se acalme, eu concordo com seu ponto de vista — ele disse com calma, se sentando na mesa — Mas sem uma cura, nem todos os seus amigos, e muitas outras pessoas, não poderão viver também.

— Mas maioria deles sim, e parcela imune vai viver bem, sem ser ratos de laboratórios tendo cada um dos seus sentimentos testados. Tem noção dos danos que faz a eles?

— Sim, os Psis…

— Que se danem eles! Eles são apenas crianças! Olhe para ISSO, para essas variáveis, você não vai apenas mexer com o cérebro deles, os que sobreviverem terão as almas quebradas para sempre. Todo esse sofrimento psicológico para quê? O que vem depois da terceira fase?

— O que você propõe? Que larguemos tudo e deixemos todos morrer?

— Proponho um plano B,  que me dê uma chance de formular um.

Ela ouviu um barulho, baixo e delicado, mas ela reconheceu como o destrancar da porta. Abriu seus olhos e vendo pela primeira vez em dias encontrou uma sala branca e vazia, e para sua surpresa seus ouvidos não mentiram: a porta estava aberta.

Podia ser uma armadilha, podia ter outra variação de um verdugo no corredor, mas ela nunca saberia a menos que saísse e explorasse o local para o qual foi raptada.  A curiosidade venceu a razão e Amelia caminhou para fora encontrando um corredor igualmente branco, sem janelas, apenas alguns poucos quadros nas paredes. Ela estava na sala número 6, talvez Newt e Minho deveriam estar perto dela, ela seguiu pelo corredor e para o conforto de seu peito ouviu pela primeira vez em dias a real voz de Minho, mas não dá melhor forma possível, ele estava gritando com alguém.

— Faça uma escolha — um homem falou,  entre respirações mais pesadas — Qual dos nomes você escolhe?

— Todos eles — Minho disse, e para o desespero dela, forma como proferiu isso era como se estivesse choramingando.

Amelia foi seguindo a voz dele  pelo corredor e ela escancarou a porta da sala 8 a tempo de ver o homem agarrando o Clareano pela camisa, recuando com a mão direita, e com o punho fechado e acertar  o rosto de Minho. Não era a primeira vez que o fazia, ele havia batido nele mais de uma vez.

Foi automático, ela atacou o homem lhe socando o rosto e enquanto ainda estava surpreso o jogando com força contra uma parede, ele pareceu desnorteado e Amelia se ajoelhou para ver melhor o amigo.

— Você está bem? — ela agarrou o rosto dele com as mãos. Minho agarrou suas mãos, ele sorriu mesmo com o rosto muito machucado — Ele fez isso com você?

— Sim, eu fiz — O homem puxou Amelia com uma força incrível, e apertando uma faca contra seu pescoço ele a separou de Minho, o Clareano fez menção de se mexer — Nem pense nisso garoto, ou eu corto o pescoço dela e sabe que tenho coragem pra isso.

Ele voltou a se sentar no chão, mas de forma que mostrava estar apenas esperando uma brecha para agir.

— Não a machuque.

— É claro que você se importa mais com o bem estar dela que com o seu — o homem fez um movimento rápido, um corte profundo surgiu no rosto de Amelia deixando gotas vermelhas escorrerem dele,  então a faca voltou para seu pescoço — Podemos continuar com isso o dia todo. Não estamos com pressa e não vou parar até que você me dê uma resposta. Você só tem que me dizer um nome. Diga logo! Agora, qual nome? Diga!

O tempo no deserto deu a eles a brecha necessária para que apenas com uma troca olhares, sem dizer uma única palavra, Minho soubesse exatamente o que dizer. 

— Todos eles, seu plong cara de mértila — ele sorriu.

O homem quase não demonstrou surpresa na expressão fácil, mas recuperou-se com quase a mesma rapidez com que escorregara. Ele soltou Amelia e dando um passo para trás e tirando as dobras da roupa ele largou a faca na mesa.

— O teste está encerrado — disse o homem —  Vocês estão livres para ir.

Os dois correram um para o outro, e ele escorregou para o braços dela, os dois ficaram pelo maximo de tempo possivel abraçados até que os guardas entraram no cômodo e separando-os com muita força, os escoltando de volta aos seus dormitórios. Ela chorou por todo o tempo que teve disso até dormir, o que ajudou, porque tentaram trazer comida para ela.

Instalações do CRUEL, um pouco mais de 3 anos atrás

Ela estava sobre várias plantas, algumas de uma instalação do CRUEL, outra do labirinto, o homem encarava pacientemente enquanto ela trabalhava, as mãos se mexendo freneticamente pelos papéis fazendo anotações aqui e ali, quando terminou ela  se recostou na cadeira parecendo exausta.

— Acho que é isso, eles poderam sair em segurança por aqui — ela disse apontando para uma planta completamente desenhada por ela, o homem desviou os olhos para ela — Eu já escolhi o local, é seguro, e me certifiquei de é ideal para que eles possam…

— Por que nunca fala “nós”, por que sempre eles?

— Por que você se daria o trabalho de dar uma olhada na minha ficha médica mesmo? — ela respondeu com um leve sarcasmo, mas deu uma piscadela a ele — Não sou uma imune valiosa, e não há discussão sobre isso. Eu sempre deixei claro desde o princípio que não me incluía ao plano, não sei o por que de estar tão surpreso.

— Se é sobre o que aconteceu… Quando você era mais nova— os olhos escuros da garota a encararam — Nós poderíamos…

— Não — seu tom de voz era inflexível, quase como se tivesse tomado decisão a muito tempo. Mas depois voltou a ser afável e gentil — Foi uma benção não ter mais esse peso sobre meus ombros, posso me concentrar no que é realmente importante, e de qualquer maneira não é sobre isso que estou falando.

O homem abriu a boca, mas nenhum som saiu.

— Se é o que deseja… 

Ela suspirou.

— Acho que meu trabalho aqui acabou, vou voltar para o dormitório antes que te coloque em confusão.

— Amelia espere — ele parecia ansioso — Eu entendo que não concorda com nossos métodos, mas agora que sabe de tudo você não consegue ver como nosso trabalho é importante? Consegue entender Teresa melhor?

— Eu entendo, melhor agora do que antes. Eu sei que vocês só queriam o melhor para todos — mentira, queriam o melhor para própria pele — Mas não mudei minha opinião sobre o fulgor. Não tem cura para aquilo, eu sei que não tem, e sinto muito.

— Tudo bem criança, eu já aceitei essa possibilidade a tempos.

— Você não é como eles, você ainda é bom, uma pessoa boa. Por favor, tome cuidado para não perder isso — ela disse um pouco da verdade dessa vez. Abriu a porta, abriu um sorriso falso e convincente — Boa Noite Chanceler.

— Boa noite Amelie.

Quando ela voltou a  acordar, o cheiro da comida havia sumido do quarto o que a acalmou muito, mas seu estômago roncava o que estava a deixando bem preocupada.

Você precisa dar um jeito de falar com eles sobre a comida” a voz de Alby ecoou em sua mente… Ah ouvir a voz dele doía tanto.

“Ah é bem fácil para você de falar isso, está morto, ela nem consegue enxergar” isso foi Minho, ela queria que ele estivesse ali “Mas concordo que, infelizmente, a cura pra isso não vai cair do céu”.

“Se ela não pedir ajuda a única alternativa é ficar sofrendo sozinha aqui, é a melhor ideia a curto prazo” Newt “Bem então ela precisa de um plano”. 

“Não sabemos se tem câmeras no quarto, ou se tem alguém ouvindo lá fora, o que nós sabemos com certeza que temos?”  Alby disse, quase podia imaginá-lo ali, sentado na mesinha.

— Que alguém trás comida, três vezes ao dia em horários distintos  — ela concluiu.

“Isso mesmo Amelie. Tem que falar com essa pessoa”.

“Ah o que faríamos sem você Alby? E o que garante que a pessoa vai ajudá-la em espertão?” — era Minho de novo “Não é função dela falar com os prisioneiros de mértila”.

“É função dela alimentar Amy, se ela não concluir seu objetivo, talvez tenha que tomar outras medidas”.

— Mesmo sendo um ideia de plong,  acho que vocês tem razão, quer dizer eu tenho razão.

Quando tentaram colocar o prato de comida pelo vão da porta a garota parou o prato.

— Pode, por favor, passar um recado para o Chanceler — a pessoa do outro lado pareceu intrigada — Ah se não for incômodo, diga pra ele dar uma olhadinha na minha ficha médica, acho que o fulgor não é meu maior problema agora.

— Mais o Sr. Janson…

— Não importa,  o Chanceler vai entender o que é necessário fazer... Por favor.

— Está bem, vou falar com ela.

Algumas horas passaram, a porta abriu, dessa vez inteira.

— Meu deus Amelia você está realmente péssima — uma mulher disse — Espere alguns instantes logo sua visão vai voltar — ela respirou fundo, assim que os olhos da garota focaram nela, ela havia envelhecido um pouco desde a última vez que a vira mas ainda se lembrava — Então que falta de sorte em.

— Onde está Anderson?

— Ele morreu, já faz muito tempo, o fulgor…

Não tinha com o fulgor entrar nas instalações do CRUEL, Amelia sabia bem disso, por que eles tomavam cuidado para que o grupo controle ficasse em segurança, ela sabia disso por causa de Newt.

— Sua cobra suja! O vírus nunca teria entrado sozinho, foi você contaminou o Chanceler Anderson! Ele queria encerrar as coisas depois dos Testes de Labirinto. Ele queria nos liberar. Mas você jamais poderia permitir isso, poderia? 

Dra. Paige sorriu.

— Você sempre foi mais esperta que a maioria não é Amelia? Mas me poupe de sua raiva, você só entende meus passos por que também é uma cobra. Você pode se fazer de santa, mas tem mais sangue nas mãos do que eu. Ou acha que eu não olhei a sua ficha? — o tom de voz dela ficou provocativa — Impressionante, você matou 20 guardas antes de se entregar para o CRUEL, e tinha o que na época 12 anos? 

— Eu não matei 20, atordoei a maioria.

— Ah me desculpa então.

— Pare de me enrolar, quanto a doença já se espalhou?

— Muito, muito mesmo, sem o devido tratamento eu não sei como ainda está de pé.

— Como eu vou contar isso pra Minho… — ela cochichou.

— Como é? — Paige se sentou numa cadeira que estava na sala — Está preocupada em como vai contar para o garoto e não com os efeitos que isso vai causar a você? — ela olhou feio para mulher, o ódio fluindo dela como água — Newt tem falado com você enquanto dorme.

Ela quis esbofeteá-la por apenas mencionar o nome de Newt, mas se controlou, violência não funcionava com nenhuma das duas.

— Ah sabe, é difícil se manter são aqui. Bom saber que sou o jeito dele se manter funcionando, embora eu prefira os meus métodos — Amelia deixou- se no chão — Eu posso ficar sentindo dor e não enlouquecer de vez, mas é uma sorte só minha.

— Anderson sempre gostou do seu humor estranho. Você é esperta sem dúvidas, sempre soube derreter o coração dos outros, o problema é que eu também sei — ela suspirou — Ele deixou algo para você, para ajudar com a dor — Paige se levantou — É um presente, você pode escolher usar ou não, vou entender seu lado independente da escolha. Só esconda dos outros, eles não sabem que vim pessoalmente ver você e muito menos posso te ajudar.

— Se não te conhecesse bem Paige, diria que depois de tudo isso, o seu coração amoleceu.

A visão dela voltou a ficar nublada, o que foi insensível da parte deles.

— Vai estar nas suas coisas, é uma dose completa, nada mais nem menos. Não dói nada— e dizendo isso Amelia ouviu seus saltos andarem até a porta — Realmente desejava outro destino pra você.

— Eu realmente espero que tenha conseguido achar o que procura — Amelia disse com sinceridade.

E a porta fechou.

...

Quando o homem Rato entrou na sala Amelia jurava que estava tendo um pesadelo, ela o encarou em silêncio enquanto o mesmo falava, apertou tanto os punhos que achava que machucara as mãos. Controlou bem sua raiva até que ele acabou de explicar que os experimentos acabaram e aquela tinha sido a última fase.

— Fico feliz que tenha cooperado Amelia, seu outro amigo foi bem impertinente quando o visitei… — ela amaria ver Minho respondendo o homem, daria boas risadas, mas no momento apenas sorriu —  Ele parece tanto com você mais jovem — o homem Rato respirou fundo — Me pergunto que resultado teríamos se você não tivesse sido mandada para o labirinto com o grupo A e não precisasse ter aprendido a controlar seu gênio.

O sorriso sumiu do rosto dela.

— Me pergunto quanto pouco tempo será necessário até seu cérebro de mértila sucumbir ao vírus.

Surpresa, uma sincera e rápida expressão de surpresa tomou conta do rosto do homem Rato, mesmo calmo, Amelia viu o medo nos olhos escuros dele. Filha de uma médica, ela sabia muito bem ver alguém com os sintomas do Fulgor mesmo que eles fossem pequenos, a mãe a ensinou porque assim ela podia ficar alerta. 

— Bem, acho que terminamos — ele fechou a pasta — Você já pode ver Newt, já que parece tão ansiosa para ver seus garotos, depois de um banho vocês poderam se encontrar com o restante. Estão fedendo, todos vocês.

Ele mal havia acabado de falar e atropelando no homem ela saiu da sala, encontrou um corredor vazio, mas parecia muito familiar, ela parou na porta esperando por seu guia. 

— Vamos cara de rato, eu não sei o caminho — Amelia tentou conter a ânsia por ver Newt logo e entregar que conhecia a planta do prédio.

— Meu nome é Janson.

— Tá, cara de rato, eu não te ouvi me chamando de Srta.Amelia, ouvi? Pois é, não. Então vamos logo, quero ver meus amigos, e quem sabe eu te chame desse jeito mais tarde.

— Por que soa como Minho falando?

A voz de Newt veio como um bala para Amelia, num tom muito mais nervoso que o habitual, especialmente considerando que não se viam a semanas. Especial se levar com consideração que ele estava falando com ela. Mas a Clareana ignorou e abriu um sorriso límpido. Amelia se controlou para não correr até ele. 

Uma mulher o acompanhava, ela olhou para Janson como se esperasse uma nova ordem. 

— Leve os dois para um vestiário separado dos outros, e não se importe, eles já estão acostumados a ficar juntos  — para a surpresa dela Newt estendeu o braço, seus dedos de agarraram e os dois caminharam em silêncio ao lado da mulher, olhando para o chão enquanto andavam — Ah antes que eu me esqueça, não tentem nenhuma gracinha garotos, já que vocês são os mais comportados do grupo ajam como tal.

Ninguém falou nada pelo caminho, quando deixados a sós Amelia agarrou Newt pela cintura com força, os dois ficaram daquela forma por um tempo até que ligaram os chuveiros e embaixo da água torciam para não serem ouvidos.

— Eu pensei que tivessem te machucado, ouvi gritos seus por dias — ele cochichou muito mais calmo — Quando pararam eu pensei o pior, até que apareceram e disseram que era a maldita terceira fase.

— Sinto muito New, não queria que me usassem contra você, não imagino como foi... 

— Sabia que não era você, teria me chamado de New, e ela não me chamava assim. Você sabe alguma coisa sobre os outros?

— Não, só sei que Minho está bem, ele disse poucas e boas pro homem rato. Espero que não tenham mexido num fio de cabelo dele.

Ela sentiu os dedos encostarem na mão dele, Amelia a agarrou, não sabia qual das duas tremia mais. Imaginou se teria coragem de contar a Newt o que sabia. Ele acabou soltando seus dedos, Amelia se virou dando de cara com as costas dele,  encarou a tatuagem em seu pescoço, aquilo parecia um tipo de código ainda, quase como se eles estivessem sido etiquetados. Não sabia exatamente o porquê não se incomodava em ter virado, nem em ter verificado se realmente não havia nenhuma marca de tortura física nele, embora tenha chegado a conclusão que o cruel parecia se interessar apenas pelo seu psicológico. Voltou a dar as costas para ele quando o chuveiro desligou.

Os dois se enrolaram em toalhas e caminharam em silêncio até os armários. Amelia não sabia explicar exatamente o por que tomou aquela decisão, não esperou mais do que três segundos depois de ter pensado naquilo para de fato agir.  Talvez tudo o que eu precise fosse sentir qualquer coisa que não angustia, o coração batendo dolorido no peito, a mente indo de um lado para o outro sem nunca descansar.

Ele agarrou Newt pela cintura e o abraço forte, ele ficou sem graça por alguns instantes então a abraçou também. 

 — Vocês só tem mais cinco minutos pra terminar o banho — a voz da guarda veio da porta, não havia entrado no vestiário só entreaberto a porta rapidamente.

Os dois se soltaram, mas foram juntos até os unicos armários abertos. 

Junto com suas novas mudas de roupas Amelia encontrou uma agenda, parecia com a que usavam quando corredores, era pequena, fechada com um elástico e um lápis parecia preso nela. Ela abriu o pequeno caderno e encontrou vários rabiscos dentro dele, vários rostos, alguns muito familiares, no canto das páginas estava escrito seu nome, embaixo de cada assinatura havia um ano, as páginas mais recentes datam de quando ela deveria ter 16 anos, e nelas era mais fácil reconhecer o rosto dos Clareanos, ela encontrou Alby. Por que lhe entregar um caderno cujos tantos rostos ela nunca mais veria? Era maldoso demais até para eles.

Haviam páginas em branco ainda, na última página usada havia escrito com uma letra familiar: escreva para ele.

Ela prendeu o caderno na cintura, então quando pegou a camisa uma seringa rolou dela. Newt a pegou a tempo de impedi-la de cair no chão, não era feita de vidro, mas ela o agradeceu pois não queria o risco de quebrá-la.

— O que diabos é isso? — Newt perguntou um pouco expressado, embora tenha tentado não soar assim.

— Está tudo bem New?

— Me desculpe, não sei por que fiquei irritado de repente… Só, acho que fiquei tempo demais sozinho.

Ela sabia o por que, e se preocupava com isso. Amelia não pensou em nada melhor, então o beijou. Newt arregalou os olhos por alguns instantes, suspirou, então agarrou os ombros dela 

— Amy… 

— Foi só para você voltar a respirar normal, estava bufando já…  — ela levantou a seringa — Isso não é nada pra agora — ela a segurou com firmeza na mão, ela se sentou em um banco, Newt se sentou do lado dela a fim de pôr os sapatos — Tenho tido lembranças minhas de volta desde que saímos da Clareira.

— Por que não me contou antes?

— Não achei oportunidade pra isso e não são úteis como as de Thomas, por isso achei melhor não dizer nada… Queria que soubesse, afinal, não escondemos muito um do outro.

— Tenho quase certeza que não dava para esconder mesmo que quiséssemos.

Ela riu.

— Eu te amo… 

— Eu também te amo, sei que deveríamos dizer isso com mais frequência, mas precisamos esconder essa seringa, algo me diz que não deveria estar aqui.

— Tem razão, me desculpe.

Ele sorriu passou os dedos por sua nuca.

— Acho que ainda lembro como fazer tranças... 

Newt mal havia acabado a trançar o cabelo dela envolta da seringa quando a guarda entrou para apressá-los, eles saíram em silêncio do vestiário e a acompanharam pelos corredores sem janelas para um grande refeitório, várias mesas e cadeiras estavam ocupadas com os Clareanos e as garotas do grupo B, todos pareciam fingir naturalidade em seu reencontro, mas o clima não era nada amigável ali. 

Seus olhos rodaram todo o salão até encontrá-lo, Minho foi o primeiro a levantar, Newt e Amelia tinham esquecido da saudade depois do que aconteceu no banheiro, mas ela voltou como um tiro no peito.  

Minho sorriu, mas havia um brilho duro no olhar que mostrava que ainda não tinha voltado inteiramente ao que era, embora se esforçasse ao máximo para agir como se fosse o mesmo de antes. Ele já fez isso antes. A culpa também foi do CRUEL. 

Os dois o agarram no mesmo tempo, abraçando o amigo com força.

— É claro que vocês estavam juntos — ele disse enquanto era apertado pelos dois.

— Acabamos de nos encontrar depois de semanas e é isso que você decide nos dizer? — Newt disse num tom sério.

Minho olhou para Amelia rapidamente como se pedisse autorização, ele sorriu como sempre.

— É claro que senti falta de vocês seus trolhos idiotas, mas queria saber por que demoraram tanto.

— Nós também fomos separados Minho, faz muito pouco tempo que nos encontramos — ela não mentiria pra Minho e por isso acrescentou — Ta demoramos mais do que precisávamos, mas estávamos sem um banho a quase 4 semanas. 

— Nossa deve ter sido um ótimo reencontro então…  — ele riu, mas logo ficou sério — Desculpe Mellie, só que os garotos…

As risadinhas podiam ser ouvidas pelos três.

— Inacreditável que a infantilidade continua grande por aqui — Newt segurou o ombro do Clareano com carinho — Não liga Minho, são umas crianças de boca suja.

— É culpa do histórico de vocês com banheiros! — Caçarola disse baixo.

— Nem mais uma única palavra Caçarola, nenhuma — Minho disse sério — Guarde um pouco para Thomas. 

— Tommy não chegou ainda? 

— Sempre é o Thomas — Amelia suspirou — Vamos nos sentar.

Ela deu de cara com Teresa se levantando, ela veio com tudo para cima dela, mas Amelia deu um passou para trás. Não foi por maldade, apenas um movimento automático.

— Eu achei que…  — ela disse claramente ofendida.

— Me desculpa Teresa, você furou meu pescoço dá ultima vez.

— E quanto mais eu preciso pedir desculpas por isso?— ela perguntou irritada.

Nenhuma desculpa seria o bastante.

— Só me dê algum tempo Tessa.

— Está bem.

Thomas mal havia chegado quando o Homem Rato passou pela fileiras de cadeiras, enquanto batia palmas. Aparentemente retiraram alguma coisa chamada Dissipador da cabeça deles. E com o mesmo sorriso desconfortável de antes ele completou que isso os fariam receber todas suas memórias de volta. Até a última delas.

 



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