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História Me after you. - Capítulo 51


Escrita por:


Notas do Autor


Antes de vocês lerem esse capítulo queria avisar que ele está um pouquinho grande para compensar o dia que fiquei sem postar, e me desculpem pelo horário que estou postando pra vocês, mas demorei mil séculos pra revisar.

Espero que vocês façam uma ótima leitura xuxus💛

Vejo vocês nas notas finais!

Capítulo 51 - Fight.


Fanfic / Fanfiction Me after you. - Capítulo 51 - Fight.

Allisson

Alojamento – quarto B22

Quando chegamos ao quarto, eu me jogo na cama. Ainda estou irritada com Justin, mas não tanto quanto antes. Não quero falar de Khalil mais do que o necessário, mas conhecê-lo só me fez ter mais perguntas que sei que Justin não vai responder.

“Desculpa. Não quis ferir seus sentimentos”, ele diz. Não olho porque sei que vou amolecer. Justin precisa saber que não vou tolerar que faça coisas assim. “Você... ainda quer ficar comigo?”, ele pergunta com a voz trêmula.

Quando olho para Justin, vejo sua vulnerabilidade. Suspiro, sabendo que não consigo continuar irritada ao ver seus olhos tão preocupados.

“Sim, claro que quero. Vem aqui”, digo a ele, dando um tapinha ao meu lado na cama. Não tenho nenhuma força de vontade quando o assunto é Justin.

“Nós estamos namorando?”, pergunto quando ele senta.

“Sim, só acho meio bobo chamar você de namorada”, Justin diz.

“Bobo?” Roo a unha, um hábito ruim do qual tenho que me livrar.

“Você representa mais para mim do que ‘namorada’. É tão adolescente.” Ele coloca suas mãos em meu rosto. A resposta faz meu estômago se revirar. Não consigo parar de sorrir, como uma boba. Justin relaxa os ombros no mesmo instante.

“Fico chateada que você não queira que as pessoas saibam sobre nós. Como poderemos morar juntos se nem conta para seus amigos que namoramos?”

“Não é assim. Você quer que eu telefone para Ryan agora mesmo para contar? E você é que deveria sentir vergonha de estar comigo. Vejo o modo como as pessoas olham para nós quando estamos juntos”, ele diz. Então Justin também repara nisso.

“Só olham porque somos diferentes, e é problema delas. Eu nunca teria vergonha de você. Nunca, Justin.”

“Fiquei com medo de que desistisse de mim”, ele diz.

“Sério?”

“Você é a única constante na minha vida. Sabe disso, não sabe? Não sei o que faria se você me deixasse”, ele diz.

“Não vou desistir de você se não me der motivo para isso”, digo, mas não consigo pensar em nada que ele pudesse fazer para que eu o abandonasse. Estou envolvida demais. Pensar em deixá-lo me causa uma dor insuportável. Eu ficaria arrasada. Apesar de brigarmos todos os dias, eu amo Justin.

“Não vou”, ele diz, então desvia o olhar por um segundo. “Gosto da pessoa que sou quando estou com você.”

Viro o rosto em sua mão. “Eu também.”

Eu o amo, amo todas as partes dele. Todas as versões dele. Gosto de quem me tornei com ele. Nós dois mudamos para melhor um para o outro. Consegui fazer com que ele se abrisse e fosse mais feliz, e ele me ensinou a viver e a não me preocupar com todos os detalhes.

“Sei que irrito você de vez em quando... bem, quase sempre, e só Deus sabe como você me enlouquece”, ele diz.

“Era pra ser um elogio?”

“Só quero dizer que não é porque brigamos que não devemos ficar juntos. Todo mundo briga.” Ele sorri. “Só brigamos mais do que as pessoas normais. Você e eu somos muito diferentes, então vamos ter que descobrir uma maneira de lidar um com o outro. Vai ficar mais fácil.”

Retribuo o sorriso e passo os dedos pelos cabelos loiros dele.

“Não compramos a roupa para o casamento”, digo.

“Ah, droga, acho que não vamos poder ir.” Ele franze a testa do jeito mais falso que já vi e beija meu nariz.

“Até parece. Ainda é terça. Temos a semana toda.”

“Ou podemos não ir e viajar para Seattle no fim de semana.” Ele ergue uma sobrancelha.

“O quê?”, pergunto, sentando. “Não! Vamos ao casamento. Mas você pode me levar a Seattle no outro fim de semana.”

“Não, é uma oferta por tempo limitado”, ele provoca, colocando-me em seu colo.

“Tudo bem, acho que vou encontrar outra pessoa para me levar a Seattle.” Sua mandíbula fica tensa e eu passo o dedo em sua barba rala.

“Você não ousaria.” Ele tenta conter um sorriso.

“Ah, ousaria, com certeza. E Seattle é meu lugar preferido em todo o mundo.”

“Em todo o mundo?”

“Sim, mas não fui para muitos lugares também.”

“Qual é o lugar mais longe para onde você foi?”, ele pergunta. Encosto a cabeça no peito de Justin e ele se recosta na cabeceira da cama e me abraça.

“Seattle. Nunca saí do estado.”

“Nunca?”

“Não, nunca.”

“Por que não?”

“Não sei, não podíamos gastar dinheiro depois que meu pai foi embora. Minha mãe trabalhava o tempo todo e eu estava concentrada demais na escola e em fazer faculdade fora que não pensava em outras coisas além de trabalhar.”

“Aonde você gostaria de ir?”, ele pergunta, acariciando meu braço.

“Chawton. Quero ver a fazenda de Jane Austen. Ou Paris. Adoraria ver onde Hemingway morou.”

“Sabia que você diria algo assim. Posso levar você.” Seu tom de voz é sério.

“Vamos começar com Seattle”, digo, dando risada.

“Estou falando sério, Alli. Posso levar você a qualquer lugar que queira ir. Principalmente ao Canadá. Você poderia conhecer minha mãe e o resto da família.”

“Hum...” Na verdade, não sei o que dizer. Ele é tão estranho... Fui apresentada como “amiga” há uma hora e agora quer me levar para o Canadá para conhecer sua mãe.

“Vamos começar por Seattle?” Dou risada.

“Tudo bem, mas sei que você adoraria conhecer o interior da Inglaterra, ver a casa onde Austen cresceu...”

Não consigo imaginar como minha mãe reagiria ao fato de eu sair do país com Justin. Ela provavelmente me trancaria no sótão e não me deixaria ir. Ainda não falei com ela desde que me ameaçou, numa tentativa de fazer com que eu me separasse de Justin. Quero evitar a briga inevitável o máximo possível.

“O que foi?”, ele pergunta, abaixando a cabeça para ficarmos cara a cara.

“Nada, desculpa, estava só pensando na minha mãe.”

“Ah... ela vai voltar atrás, linda.” Justin parece muito seguro, mas sei que as coisas não são assim.

“Acho que não, mas vamos conversar sobre outra coisa.”

Começamos a falar sobre o casamento, mas o telefone dele vibra no bolso depois de um momento. Eu me desloco para que possa atender, mas Justin não faz nenhum movimento para isso.

“Seja quem for, pode esperar”, ele diz, o que me deixa feliz.

“Vamos ficar na casa do seu pai no sábado depois do casamento?”, pergunto. Preciso parar de pensar na minha mãe.

“Você quer?”, ele pergunta.

“Sim, gosto de ficar lá. Minha cama é minúscula.” Enrugo o nariz e ele ri.

“Podemos ficar mais na minha casa. Quer ir para lá hoje à noite?”

“Tenho estágio amanhã.”

“E daí? Você pode levar suas coisas e se arrumar num banheiro de verdade. Já faz um tempo que não fico na república. Já devem estar pensando em alugar meu quarto”, ele diz brincando. “Não quer tomar um banho sozinha, em vez de com outras trinta pessoas?”

“Está bem.” Eu sorrio e me levanto da cama.

Justin me ajuda a arrumar as coisas para amanhã, e eu fico mais e mais animada para ir à república. Odiava a casa e ainda odeio, mas um banheiro de verdade e a cama grande de Justin são bons demais para deixar passar. Ele pega o conjunto de lingerie vermelha da minha cômoda e me passa, aprovando com a cabeça. Eu fico corada e o enfio na mala. Pego minhas saias antigas e uma camisa branca, porque não quero usar todas as roupas novas de uma vez.

“Sutiã vermelho com blusa branca?”, Justin pergunta. Tiro a camisa branca e pego uma azul.

“Você pode levar mais roupas e deixar lá para a próxima vez”, ele sugere. Justin quer que eu deixe roupas na casa dele. Adoro esses sinais de que vamos passar mais noites juntos.

“Pode ser”, digo, e pego meu vestido branco novo e mais algumas coisas.

“Sabe o que facilitaria muito as coisas?”, ele pergunta, colocando minha bolsa no ombro enquanto saímos.

“O quê?” Já sei o que ele vai dizer.

“Se nós dois morássemos no mesmo lugar.” Ele sorri. “Não teríamos que decidir onde ficar e você não teria que arrumar a mala. Você poderia tomar um banho sozinha todo dia. Bom, não totalmente sozinha.” Ele pisca para mim, brincando. Quando chegamos ao carro e ele abre a porta para mim, acrescenta: “Você poderia acordar e fazer seu café da manhã na nossa cozinha, e se preparar para o dia, e poderíamos nos encontrar na nossa casa no fim de cada dia. Sem essa coisa de colega de quarto ou república”.

Sempre que ele diz “nossa”, sinto um frio na barriga. Quanto mais penso nisso, melhor parece. Estou morrendo de medo de morar com Justin cedo demais. Não quero estragar tudo.

No caminho, ele apoia a mão na minha coxa e diz de novo: “Pare de pensar demais”. Escuto o telefone dele vibrar, mas Justin o ignora. Dessa vez, fico meio desconfiada do motivo de não estar atendendo, mas tiro esse pensamento da cabeça.

“Do que você está com medo?”, ele pergunta, porque não digo nada.

“Não sei. E se alguma coisa acontecer com meu estágio e eu ficar sem dinheiro? E se alguma coisa acontecer com nós dois?”

Ele franze a testa, mas se recupera depressa. “Linda, eu já disse que pagaria o aluguel. Foi minha ideia, e eu ganho mais, então posso fazer isso.”

“Não me importa quanto você ganha. Não quero que pague por tudo.”

“Você pode pagar a TV a cabo?”, ele ri.

“A TV a cabo e o mercado?”, pergunto. Não sei se estou brincando ou não.

“Fechado. O mercado... parece legal, não? Você poderia preparar meu jantar toda noite para quando eu chegar.”

“Oi? Só se fosse o contrário”, eu digo e dou risada.

“Podemos nos revezar.”

“Beleza.”

“Então você vai morar comigo?” Acho que nunca vi um sorriso tão grande nele como vejo agora.

“Eu não disse isso. Estava só...”

“Você sabe que vou cuidar de você, não sabe? Sempre”, Justin promete.

Quero dizer a ele que não preciso que ninguém cuide de mim, que tenho minhas coisas e pago por elas, mas tenho a sensação de que ele não está falando só sobre dinheiro.

“Estou com medo de que isso seja bom demais para ser verdade”, finalmente admito para mim mesma e para Justin.

Ele me surpreende dizendo: “Eu também”.

“É mesmo?” Fico aliviada por Justin se sentir da mesma maneira.

“Sim, penso nisso o tempo todo. Você é boa demais comigo e só estou esperando que perceba isso. Espero que nunca aconteça”, ele diz com os olhos fixos na estrada.

“Isso não vai acontecer”, digo, e estou sendo sincera. Justin não diz nada.

“Está bem”, digo, quebrando o silêncio.

“O quê?”

“Vou morar com você.” Eu sorrio.

Justin solta um suspiro que parece estar preso há horas. “Jura?” Seus dentes aparecem quando ele mexe a cabeça e abre um sorriso.

“Juro.”

“Você não tem ideia do que isso significa para mim, Allisson.” Ele pega minha mão e aperta, entrando em seguida na rua onde mora. Minha mente está a mil por hora. Vamos mesmo fazer isso, morar juntos. Justin e eu. Sozinhos. O tempo todo. Na nossa casa. Na nossa cama. Nosso tudo. Estou morrendo de medo, mas minha animação é mais forte do que o nervosismo, pelo menos por enquanto.

“Não me chama de Allisson, ou posso mudar de ideia”, provoco.

“Você disse que só amigos e parentes te chamam assim. Acho que já tenho esse direito.” Ele se lembra disso? Acho que disse logo que o conheci.

“Está certo. Pode me chamar do que quiser.”

“Ah, linda, eu não diria isso, se fosse você. Tenho uma lista de coisas safadas de que gostaria de te chamar.” Seu sorriso é malicioso e tenho vontade de ouvir essas coisas safadas, mas me controlo, não pergunto nada e contraio as pernas. Ele percebe, porque sorri ainda mais.

Quero dizer que ele é um pervertido, mas me perco nas palavras. A rua está cheia de carros, e vemos que o jardim está cheio de gente quando paramos na frente da casa.

“Droga, não sabia que ia ter festa. É terça. Viu? Esse é um dos problemas...”

“Tudo bem. Podemos subir direto para o quarto”, interrompo, tentando afastar a irritação dele.

“Tudo bem”, ele suspira.

Entramos na casa lotada e subimos a escada. Quando penso que consegui escapar sem encontrar ninguém que conheço, vejo um tufo de cabelo ensebado e loiro no topo da escada.

Khalil.

Justin nota a presença de Khalil no mesmo instante que eu, então se vira para mim e de novo para ele, e fica tenso na hora. Por um segundo, parece que vai voltar comigo, mas Khalil nos vê, e sei que Justin não vai fugir para não criar um clima ruim. Ao nosso redor, a festa está animada, mas só consigo me concentrar em Khalil e em seu sorriso malicioso, que me dá arrepios.

Flashback on

“Já cansou de dar chilique?”, Justin pergunta quando pegamos a estrada.

“Chilique? Você não pode estar falando sério!” Minha voz toma o carro pequeno.

“Não sei qual é o problema de ter chamado você de amiga. Só fui pego de surpresa”, ele mente, e consigo perceber isso pelo modo como desvia o olhar.

“Se tem vergonha de mim, então não quero ficar com você”, digo. Cravo as unhas na perna para não chorar.

“Não diz isso.” Ele passa a mão pelos cabelos e respira fundo. “Alli, por que acha que tenho vergonha de você? É ridículo”, ele diz.

“Divirta-se na festa hoje.”

“Eu não vou. Só disse aquilo para o Khalil sair do meu pé.”

“Se não tem vergonha de mim, então me leva à festa.” É uma péssima ideia, eu sei, mas quero que ele prove.

“De jeito nenhum”, Justin diz, rangendo os dentes.

“É disso que eu estou falando.”

“Não vou te levar porque Khalil é um idiota, só pra começar. E o porto não é lugar pra você.”

“Por que não? Sei me cuidar.”

“Khalil e os novos amigos dele não têm nada a ver com você, Alli. Eles nem têm a ver comigo. São todos drogados.”

“Então por que você é amigo deles?”, pergunto, revirando os olhos.

“Existe uma grande diferença entre conhecer e ser amigo.”

“Então por que Ryan anda com ele?”

“Não sei. Khalil não é o tipo de cara para quem se diz não”, Justin explica.

“Então você tem medo dele. Foi por isso que não disse nada quando ele deu em cima de mim”, digo.

Khalil deve ser bem barra-pesada para Justin ter medo dele.

Justin me surpreende quando começa a rir. “Não tenho medo dele. Só não quero provocar o cara. Ele é cheio dos joguinhos, e se eu brigasse por sua causa você ia virar seu próximo jogo.” Os nós de seus dedos ficam brancos de tanto que ele aperta o volante.

“Ainda bem que só somos amigos, então”, digo, e olho pela janela para a bonita vista da cidade passando. Não sou perfeita. Sei que estou sendo infantil, mas não consigo me controlar. Entendo por que Justin fez o que fez, se esse Khalil é um cretino, mas nem por isso dói menos.

Flashback off

 

Lembrei da nossa discussão dentro do carro mas logo voltei a realidade quando chegamos ao topo da escada, Khalil olha para mim com surpresa e diz: “Não pensei que veria vocês dois aqui. Já que não puderam ir ao porto”.

“Pois é, acabamos de chegar...”, Justin começa.

“Ah, eu sei por que vocês vieram.” Khalil sorri e dá um tapa no ombro de Justin. Eu me retraio quando ele olha para mim. “É um prazer ver você de novo, Alli”, Khalil diz tranquilamente.

Olho para Justin, mas ele está concentrado demais em Khalil para me notar.

“É mesmo”, digo.

“Foi bom vocês não terem ido ao porto. Os policiais chegaram e acabaram com a festa, então viemos para cá.”

O que significa que os amigos esquisitos de Khalil estão aqui, em algum lugar — mais pessoas de quem Justin não gosta. Deveríamos ter ficado no meu quarto. Pela cara de Justin, ele está pensando a mesma coisa.

“Que merda, cara”, Justin diz, e então faz menção de ir.

Khalil segura seu braço e diz: “Vocês deviam descer para beber com a gente”.

“Ela não bebe”, Justin diz, deixando clara a irritação na voz. Infelizmente, isso só parece incentivar Khalil ainda mais.

“Mesmo assim. Vocês deviam descer para se divertir. Eu insisto”, ele diz.

Justin olha para mim e arregalo os olhos tentando dizer Não!, em silêncio. Mas ele concorda com Khalil. Que droga!

“Desço daqui a pouco. Vou dar uma passada no quarto”, Justin diz, e então me puxa pelo braço antes que Khalil possa dizer alguma coisa. Ele abre a porta e me apressa para entrar, depois volta a fechá-la.

“Não quero descer”, digo a ele enquanto coloca minha mala no chão.

“Você não vai descer.”

“E você vai?”, pergunto.

“Sim, só um pouco. Não vou demorar muito.” Justin passa a mão na nuca.

“Por que você não disse não?”, pergunto. Para alguém que diz não ter medo dele, Justin parece ter receio de contrariar Khalil.

“Eu já disse, é difícil dizer não para ele”, Justin explica.

“Ele sabe de alguma coisa sobre você ou algo assim?”

“O quê?” Justin fica corado. “Não... ele é só um idiota. E não quero confusão. Principalmente quando você estiver por perto”, Justin diz e dá um passo na minha direção. “Não vou ficar muito tempo lá embaixo, mas conheço Khalil, e se não descer para beber ele vai subir aqui, e não quero que chegue perto de você”, Justin diz e me dá um beijo no rosto.

“Ah”, suspiro.

“Preciso que você fique aqui. Sei que não é o ideal, com a música tocando lá embaixo, mas não quero que desça, ou vamos acabar subindo muito tarde.”

“Certo”. Não quero descer mesmo. Odeio essas festas, e definitivamente não quero ver Caitlin se estiver aqui.

“Estou falando sério. Combinado?”, ele diz, com suavidade na voz.

“Combinado. Mas não me deixa aqui por muito tempo”, peço.

“Pode deixar. Precisamos assinar a papelada para o apartamento amanhã. Depois que você sair da editora. Não quero ter que me preocupar com essas merdas de novo.”

Realmente não quero ter que lidar com festas ou com o fato de meu quarto ser pequeno demais. Quero comer na cozinha em vez de no refeitório, quero a liberdade da vida adulta. Viver entre o campus e a república só me lembra de como somos crianças.

“Bom, volto logo. Tranca a porta quando eu sair e não abre de novo... Eu tenho chave.” Justin beija minha boca depressa e se vira para a porta.

“Nossa, você está agindo como se alguém fosse me matar”, brinco, para acabar com a tensão, mas ele não diz nada antes de sair. Reviro os olhos, mas tranco a porta mesmo assim. Não quero nenhum bêbado entrando no quarto à procura de um banheiro.

Ligo a televisão esperando abafar um pouco o barulho do andar de baixo, mas não paro de pensar no que está acontecendo. Por que Justin tem tanto medo de Khalil, e por que ele me assusta tanto? Será que estão jogando Verdade ou Desafio de novo? E se desafiarem Justin a beijar Caitlin? E se ela estiver sentada no colo dele como da outra vez? Odeio o ciúme que tenho dela... me enlouquece. Sei que Justin já dormiu com muitas garotas, e até deu uns amassos em Steph, mas Caitlin é a que mais me irrita. Talvez porque sei que ela não gosta de mim e sempre tenta esfregar o casinho que teve com Justin na minha cara.

E porque você a encontrou com a língua dentro da boca dele naquela primeira festa, meu subconsciente lembra.

Por fim, todos esses pensamentos me vencem. Sei que deveria ficar na minha e deixar a porta trancada, mas meus pés têm outros planos e, quando percebo, já estou descendo a escada de dois em dois degraus para encontrar Justin.

Quando chego lá embaixo, vejo os cabelos mechados horrorosos de Caitlin, que veste uma roupa minúscula. Para meu alívio, Justin não está por perto.

“Ora, ora, ora”, alguém diz atrás de mim. Eu me viro e vejo Khalil de pé a poucos centímetros. “Justin disse que você não estava se sentindo bem. Ele é um mentiroso.” Khalil sorri e pega um isqueiro do bolso, que acende com o polegar. A chama aparece, e ele a aproxima da manga da jaqueta jeans para queimar um pouco do desfiado.

Decido dar continuidade à mentira de Justin. “Eu não estava me sentindo bem mesmo, mas melhorei um pouco.”

“Tão rápido?” Ele ri, divertindo-se.

A sala parece bem menor agora, com tudo aquilo de gente na casa. Balanço a cabeça afirmativamente enquanto observo o lugar, desesperada à procura de Justin.

“Vem comigo, quero que conheça alguns de meus amigos”, Khalil diz. Sua voz me causa arrepios.

“Hum... A-acho melhor procurar Justin”, gaguejo.

“Ah, vamos. Justin está com eles”, ele diz, esticando o braço para passá-lo pelos meus ombros.

Eu me afasto para me esquivar, tentando dar a impressão de que não entendi o que ia fazer. Penso em subir de novo para que Justin não saiba que desci, mas tenho a sensação de que Khalil vai me seguir ou contar para ele. Ou as duas coisas.

“Certo”, digo, desistindo. Sigo Khalil em meio à multidão e ele me leva para fora, para o quintal. Está escuro, exceto por algumas luzes na varanda. Começo a me sentir nervosa por passar com ele pelo quintal escuro até que meus olhos encontram os de Justin, que se arregalam surpresos, depois furiosos. Ele faz menção de se levantar, mas volta a se sentar.

“Veja quem está andando por aí sozinha”, Khalil diz, apontando para mim.

“Estou vendo”, Justin murmura. Ele parece muito bravo.

Paro na frente do pequeno círculo de rostos irreconhecíveis reunidos ao redor do que parece uma fogueira feita com pedras grandes, mas sem fogo. Há algumas garotas ali, mas a maioria são caras durões.

“Vem aqui”, Justin diz e se ajeita para abrir espaço para mim na pedra sobre a qual está sentado.

Eu me sento e ele lança um olhar que me faz entender que se não houvesse tanta gente ao nosso redor estaria gritando comigo. Khalil se inclina para a frente e diz alguma coisa no ouvido de um cara com uma camiseta branca rasgada e cabelos pretos.

“Por que você não está no quarto?”, Justin pergunta baixinho.

“Eu... não sei. Pensei que talvez Caitlin...”, começo a dizer, mas percebo que a resposta é idiota.

Você não está falando sério”, ele diz com um tom exasperado e passa a mão nos cabelos. A atenção se volta para nós quando o cara de cabelos pretos me entrega uma garrafa de vodca. “Ela não bebe”, Justin diz, e pega a garrafa das minhas mãos.

“Ela sabe falar, Bieber”, outro cara diz. Ele tem um sorriso bonito e não é tão assustador como Khalil ou o cara de cabelos pretos. Justin ri um pouco, mas sei que é uma risada falsa.

“Cuida da sua vida, Ronnie”, ele diz de um jeito tranquilo.

“Quem quer brincar?”, Khalil pergunta, e eu olho para o Justin.

 “Por favor, diz que não é Verdade ou Desafio. Sinceramente, é muita infantilidade”, resmungo.

“Ah, gostei. Bonita e direta”, Ronnie diz, e eu dou risada.

“Não tem nada de errado em fazer um joguinho de vez em quando”, Khalil diz, e Justin fica tenso ao meu lado.

“Na verdade, estávamos pensando em jogar strip pôquer”, outro cara diz.

“Ah, de jeito nenhum”, digo.

“E chupa e assopra?”, Khalil diz, e eu me retraio e fico corada. Não sei bem que jogo é esse, mas não parece algo que eu queira jogar com esse grupo.

“Nunca ouvi falar. Mas não, obrigada”, digo. Pelo canto do olho, vejo Justin sorrindo.

“É um jogo divertido, mais ainda depois de beber um pouco”, outro cara diz.

Penso em pegar a garrafa de Justin e tomar um gole, mas tenho que acordar cedo e não posso estar de ressaca.

“Não temos garotas em número suficiente para chupa e assopra”, Ronnie diz.

“Posso conseguir algumas”, Khalil diz, e entra na casa antes que alguém reclame.

“Sobe, por favor”, Justin diz baixinho para que só eu escute.

“Se você vier comigo...”, respondo.

“Está bem, vamos.”

Quando nos levantamos, ouvimos um chamado vindo do círculo.

“Aonde você vai, Bieber?”, um dos caras pergunta.

“Subir”, ele responde.

“Ah, por favor. Não nos vemos há meses. Fica mais um pouco.” Justin olha para mim e dou de ombros.

“Beleza”, Justin diz, e me guia de volta para a pedra grande.

“Volto já, fica aqui e não sai”, ele diz, e eu reviro os olhos, achando bem irônico que me deixe com o grupo que deve ser o pior de todos.

“Aonde você vai?”, pergunto antes de Justin se virar.

“Pegar uma bebida. Talvez você precise de uma também.” Ele sorri e entra.

Olho para o céu e para as pedras para evitar que alguém fale comigo. Não dá certo.

“Há quanto tempo você e Justin se conhecem?”, Ronnie pergunta e toma um gole de bebida.

“Alguns meses”, respondo com educação. Alguma coisa em Ronnie me conforta. Meus sentidos não ficam em alerta máximo como com Khalil.

“Ah, pouco tempo”, ele diz.

“Hum, sim, pouco. Há quanto tempo você o conhece?”, pergunto, pensando que posso aproveitar a oportunidade para conseguir mais informações sobre Justin.

“Desde o ano passado.”

“Onde vocês se conheceram?”, pergunto, procurando parecer casual.

“Numa festa. Bom, num monte de festas.” Ele ri.

“Ah, então você é amigo dele?”

“Você é xereta, não?”, o cara de cabelos pretos diz.

“Sou, sim”, respondo, e ele ri. Eles não são tão ruins, não tanto quanto Justin fez parecer. Onde ele está?

Alguns momentos depois, Justin aparece com Khalil e três garotas. Por quê? Os dois parecem estar conversando. Khalil dá um tapinha no ombro de Justin e eles riem.

Justin está trazendo dois copos vermelhos. Fico aliviada ao ver que Caitlin não está no grupo de garotas atrás deles. Ele se senta na pedra comigo e olha para mim com um olhar brincalhão. Pelo menos, parece mais relaxado que antes.

“Pega”, ele diz, e me dá um dos copos.

Olho para o copo por um segundo e o pego. Uma bebida não vai me fazer mal. Reconheço o gosto na mesma hora. Na noite em que Ryan e eu nos beijamos, tínhamos bebido isso. Justin olha para mim e passo a língua pelos lábios para sentir o gosto da bebida.

“Agora temos garotas”, Khalil diz, apontando as recém-chegadas.

Olho para elas e procuro me controlar para não julgá-las. Estão vestindo saias bem curtas e blusas idênticas, mas de cores diferentes. A de rosa sorri para mim, então decido que gosto mais dela.

“Você não vai jogar”, Justin diz em meu ouvido. Sinto vontade de dizer que vou fazer o que bem entender, mas ele se inclina e passa o braço na minha cintura. Olho para Justin, obviamente surpresa, mas ele só sorri.

“Eu te amo”, Justin sussurra. Seus lábios estão frios na minha orelha, e estremeço.

“Certo, então todo mundo sabe como funciona”, Khalil diz em voz alta. “Precisamos fazer um círculo menor. Mas, primeiro, vamos animar essa festa.” Ele sorri e pega algo do bolso. O isqueiro aparece de novo e ele acende um objeto branco e pequeno.

“É maconha”, Justin diz para mim baixinho. Imaginei que fosse, apesar de nunca ter visto antes.

Balanço a cabeça e Khalil leva o baseado à boca, traga e solta uma fumaça branca, oferecendo o cigarro a Justin. Ele recusa balançando a cabeça. Ronnie aceita, traga profundamente e começa a tossir alto.

“Alli?” Ronnie me oferece o cigarro.

“Não, obrigada”, respondo, e me aproximo de Justin.

“Certo, vamos jogar”, uma das garotas diz e pega algo da bolsa enquanto todo mundo sai das pedras e forma um círculo menor na grama.

“Vamos, Justin!”, Khalil resmunga, mas ele balança a cabeça, recusando-se a ir.

“Estou de boa, cara”, Justin diz.

“Precisamos de mais uma garota, a menos que vocês queiram correr o risco de beijar Dan”, Ronnie ri. Deve ser o cara de cabelos pretos. Um ruivo calado com uma barba vasta dá um trago no baseado e o entrega a Khalil. Termino minha bebida e pego a de Justin. Ele ergue uma sobrancelha para mim, mas me entrega o copo.

“Vou chamar Cait. Ela com certeza topa”, a garota de saia rosa diz.

Ao ouvir esse nome, meu ódio se torna maior do que meu bom senso e digo: “Vou jogar”.

“Sério?”, Khalil pergunta.

“Ela pode?”, Dan pergunta com um sorrisinho para Justin.

“Posso fazer o que quiser, obrigada”, respondo, e lanço a ele um sorriso inocente, apesar do tom autoritário.

Sei que não devo olhar para Justin. Ele já havia dito para eu não brincar, mas não consegui me controlar. Viro o resto da bebida e me sento ao lado da garota de saia cor-de-rosa.

“Você precisa se sentar entre dois caras”, a garota diz para mim.

 “Tudo bem”, eu digo, levantando.

“Também vou brincar”, Justin resmunga e se senta. Eu me sento ao lado dele por instinto, mas continuo evitando seus olhos. Khalil se senta ao meu lado também.

“Acho que Justin deveria se sentar aqui para deixar as coisas mais interessantes”, Dan diz, e o ruivo concorda balançando a cabeça.

Justin revira os olhos e se senta à minha frente. Não entendo essas posições. Por que importa quem vai se sentar ao lado de quem? Quando Dan vem para o meu lado, começo a me sentir nervosa. Ficar entre ele e Khalil é mais do que desconfortável.

“Podemos começar?”, a garota de verde resmunga. Ela está sentada entre Justin e o ruivo. Khalil pega o que parece ser um pedaço de papel de uma das garotas e o leva à boca.

O quê?

“Pronta?”, ele pergunta para mim.

“Não sei jogar”, confesso, e ouço uma das garotas rir.

“Você tem que colocar a boca do outro lado do papel e sugar o ar. O objetivo é não deixar o papel cair. Ou vocês se beijam”, ele explica.

Ah, não. Olho para Justin, mas ele está olhando para Khalil.

“Começa para que ela possa ver”, a garota que está do outro lado de Khalil diz.

Não gostei nada dessa brincadeira. Espero que ela termine antes da minha vez, ou da vez de Justin. Além disso, todos parecem meio grandinhos para fazer uma coisa dessas. Por que universitários sempre querem um motivo para se beijar? Observo enquanto o papel é passado da boca de Khalil para a da garota sem cair. Prendo a respiração e Justin pega o papel de uma garota e passa para a outra. Se ele beijar uma delas... Suspiro aliviada ao ver que o papel não caiu. O papel cai entre o ruivo e a garota de saia amarela e seus lábios se encontram. Ela abre a boca e eles dão um beijo de língua. Desvio o olhar. Quero levantar e sair daqui, mas meu corpo não se mexe. Sou a próxima.

Ai, meu Deus, sou a próxima. Fico nervosa quando Dan se vira para mim com o papel na boca. Ainda não sei bem o que devo fazer, então só fecho os olhos e encosto os lábios do outro lado, puxando o ar. Sinto o ar quente no papel quando Dan o assopra, mas vejo que ele está usando força demais e que não tem como não cair. Sinto o papel na minha perna, e em seguida o hálito quente de Dan, que aproxima sua boca da minha. Assim que ele encosta em mim, é puxado para trás.

Abro os olhos e vejo Justin em cima de Dan, com as mãos apertando seu pescoço.

Eu me afasto enquanto Justin bate a cabeça de Dan na grama, com as mãos ainda envolvendo seu pescoço. Por um segundo, eu me pergunto se teria feito a mesma coisa no chão de concreto da varanda ou nas pedras, e sei a resposta quando ele levanta o braço e dá um soco na cara de Dan.

“Justin!”, grito e me levanto. Todo mundo só observa, e Khalil parece se divertir, assim como Ronnie.

“Façam isso parar!”, imploro, mas Khalil só balança a cabeça negando quando Justin dá mais um soco no rosto já ensanguentado de Dan.

“Já estava para acontecer há algum tempo. Os dois que se resolvam.” Khalil ri para mim. “Quer uma bebida?”

“O quê? Não, não quero uma bebida! Qual é seu problema?!”, grito.

Uma multidão se reuniu ao nosso redor e vibra com a briga. Vi Dan acertar Justin algumas vezes, bem menos do que foi acertado o que me deixa aliviada, mas também quero que Justin pare de machucá-lo. Tenho medo de tentar detê-lo eu mesma, então, quando Ryan aparece, grito para chamá-lo. Ele olha para mim na mesma hora e se aproxima.

“Faz o Justin parar, por favor!”, eu grito. Todo mundo parece animado com a briga, menos eu. Se Justin continuar batendo em Dan, vai matá-lo. Eu sei que vai.

Ryan meneia a cabeça rapidamente e dá alguns passos na direção de Justin. Segura a camisa dele e o puxa para trás. Ele é pego de surpresa, por isso é facilmente afastado do corpo inerte de Dan. Furioso, Justin tenta acertar Ryan, que desvia do soco e coloca as duas mãos nos ombros dele. Ryan diz algo a Justin que não consigo entender, e então faz um meneio de cabeça na minha direção. Os olhos de Justin estão arregalados, os nós dos dedos sangram e a camiseta rasgou onde Ryan puxou. Ele está ofegante, como um animal selvagem atrás de uma presa. Não me aproximo, porque sei que está bravo comigo. Mas não tenho medo de Justin como sinto que deveria ter. Apesar de ter acabado de vê-lo perder a cabeça da pior maneira possível, sei que nunca me machucaria, fisicamente falando.

Com o fim da briga, o pessoal começa a voltar para dentro da casa. O corpo encolhido de Dan permanece no chão, e Khalil se abaixa para ajudá-lo a se levantar. Ele fica de pé e levanta a camisa para limpar o rosto ensanguentado, então cospe uma mistura de saliva e sangue, e eu desvio o olhar.

Justin vira a cabeça em sua direção e faz menção de ir até ele, mas Ryan o segura com força e o detém.

“Vai se foder, Bieber”, Dan grita. Khalil para entre os dois. Ah, sim, agora ele quer fazer alguma coisa. “Espera até sua...”, Dan começa a dizer.

“Cala a boca, porra”, Khalil diz.

Dan olha para mim e dou um passo para trás. Fico pensando no que Khalil quis dizer com “Já estava para acontecer há algum tempo”. Justin e Dan pareciam estar se entendendo bem há alguns minutos.

“Entra!”, Justin grita, e imediatamente sei que está falando comigo.

Decido obedecer, pelo menos uma vez, e me viro e corro para dentro da casa. Sei que todo mundo está olhando para mim, mas não me importo. Passo entre as pessoas e subo a escada correndo para o quarto de Justin. Devo ter me esquecido de trancar a porta quando saí, porque, para piorar, vejo uma mancha vermelha enorme no carpete bege. Alguém deve ter caído e derrubado bebida. Ótimo. Corro para o banheiro, pego uma toalha e abro a torneira. Tranco a porta do quarto assim que entro e tento limpar o carpete furiosamente, mas a água só aumenta a mancha, que fica bem pior. A porta se fecha e eu tento me levantar antes de Justin entrar.

“Que porra você está fazendo?” Ele olha para a toalha em minha mão e para a mancha no chão.

“Alguém... Eu me esqueci de trancar a porta quando desci”, digo, olhando para ele. Suas narinas se abrem e ele respira fundo. “Desculpa.”

Justin está furioso e não posso nem me irritar com ele, porque é tudo minha culpa. Se eu tivesse permanecido no quarto, como ele pediu, nada disso teria acontecido.

Justin passa as mãos no rosto, frustrado, e dou um passo na direção dele. Seus dedos estão machucados e sangrando, e me lembro da briga na noite da fogueira. Ele me surpreende ao pegar a toalha da minha mão e, num reflexo, eu me retraio um pouco. Seus olhos estão confusos e Justin inclina a cabeça enquanto usa a parte limpa da toalha para limpar as mãos.

Imaginei que ia quebrar tudo e gritar comigo, mas ele me castiga com seu silêncio, o que acaba sendo bem pior.

“Pode dizer alguma coisa, por favor?”, imploro.

As palavras dele vêm mais lentas do que o normal. “Alli, pode acreditar que você não quer que eu fale agora.”

“Quero, sim”, digo. Não suporto essa fúria silenciosa dele.

“Não, não quer”, ele resmunga.

“Sim, eu quero! Preciso que converse comigo, que diga o que foi aquilo lá embaixo!” Agito as mãos em direção à janela e ele cerra os punhos.

“Porra, Alli! Você não para de forçar a barra! Eu disse para você ficar na porra do quarto, várias vezes, e o que você fez? Ignorou, como sempre. Por que é tão difícil ouvir o que eu digo?”, ele grita, depois dá um soco com força na lateral da cômoda, rachando a madeira.

“Talvez porque você ache que pode mandar em mim!”, grito.

“Não é isso que estou fazendo. Estava tentando manter você longe daquele tipo de merda. Avisei que eles não são caras legais, e mesmo assim você desce, vai atrás de Khalil e ainda participa daquela brincadeira idiota! Que merda foi aquela?” As veias grossas no pescoço dele aparecem sob a pele, e tenho medo de que estourem.

“Eu não sabia como era a brincadeira!”

“Mas sabia que eu não queria que você brincasse, e só entrou na onda porque iam chamar Caitlin, e você tem essa obsessão absurda por ela!”

“Como é? Absurda? Talvez seja justificada pelo fato do meu namorado ter transado com ela!” Minhas bochechas ardem. Meu ciúme e minha antipatia por Caitlin podem ser exagerados, mas Justin quase matou um cara agora por tentar me beijar.

“Olha, desculpa dizer isso, mas se você for encrencar com todo mundo com quem transei, é melhor mudar de faculdade”, ele diz, e fico boquiaberta. “Mas você nem ligou para as outras garotas”, ele diz, e meu coração acelera.

“Que garotas?” Estou ofegante. “Aquelas três que brincaram com a gente?”

“Elas e todas as outras da festa.” Ele não demonstra emoção na voz ao dizer isso.

Tento pensar em alguma coisa para falar, mas não tenho palavras. O fato de Justin ter dormido com aquelas três garotas e basicamente toda a população feminina da WCU me deixa nauseada, mas a pior parte é como ele joga isso na minha cara. Devo parecer uma idiota com Justin, porque todo mundo sabe que sou só uma das muitas com quem ele transou. Sei que está irritado, mas isso é demais, até mesmo para Justin. Parece que voltamos no tempo, quando o conheci e ele me fazia chorar de propósito quase todos os dias.

“O que foi? Está surpresa? Não deveria”, ele diz.

“Não.” E não estou surpresa, nem um pouco, mas estou machucada. Não pelo passado dele, apenas pelo modo como me tratou por estar com raiva. Justin disse aquilo só para me machucar. Pisco rapidamente para impedir que as lágrimas venham, mas não funciona, então me viro e seco os olhos.

“Vai embora”, ele diz, caminhando em direção à porta.

“O quê?”, eu pergunto, virando o rosto para ele.

“Vai embora, Alli.”

“Para onde?”

Ele nem olha para mim. “Não sei... Volta para o dormitório... Você não pode ficar aqui.”

Não foi isso que pensei que aconteceria. A dor em meu peito aumenta a cada segundo de silêncio entre nós. Por um lado, quero implorar para que me deixe ficar, e quero brigar até que diga por que reagiu daquele jeito lá embaixo. Por outro lado, um lado maior, a frieza dele dói e me envergonha. Pego a bolsa da cama e a coloco no ombro. Quando chego à porta, olho para Justin na esperança de que peça desculpa ou mude de ideia, mas ele se vira para a janela e me ignora totalmente. Não faço ideia de como vou voltar para o dormitório, já que Justin veio dirigindo e eu tinha a intenção de passar a noite com ele. Não me lembro da última vez que fiquei sozinha no meu quarto, e essa ideia me irrita. Parece que chegamos aqui há dias, e não horas.

Quando chego ao fim da escada, alguém puxa minha blusa por trás, e eu prendo a respiração ao me virar, torcendo para que não seja Khalil nem Dan.

É Justin. “Volta para cima”, ele diz, com a voz desesperada e os olhos vermelhos.

“Por quê? Pensei que quisesse que eu fosse embora.” Olho para a parede atrás dele.

Justin suspira e pega minha bolsa, então sobe a escada de novo. Penso em deixar que fique com ela e ir embora mesmo assim, mas foi minha teimosia que me colocou nessa situação, pra começo de conversa.

Bufo e o sigo até o quarto. Depois de fechar a porta, ele se vira e me encosta contra ela.

“Desculpa”, ele diz, olhando nos meus olhos, depois encosta sua boca na minha e apoia uma das mãos na porta de modo que eu não consiga sair.

“Me desculpa também”, sussurro.

“É que... perco a cabeça às vezes. Não dormi com aquelas garotas. Bem, não com as três.”

Eu me sinto um pouco aliviada, mas não totalmente.

“Meu primeiro ímpeto quando me irrito é rebater com mais força ainda, machucar a outra pessoa o máximo que posso. Mas não quero que vá, e sinto muito por ter te assustado batendo no Dan. Estou tentando mudar, por você... ser quem você merece, mas é difícil para mim. Principalmente quando você faz alguma coisa de propósito só para me irritar”, ele diz, então leva as mãos ao meu rosto e seca as lágrimas que escorreram.

“Não fiquei assustada”, digo.

“Não? Você parecia amedrontada quando peguei a toalha.”

“Não... Bem, talvez um pouco quando você pegou a toalha, por causa da mancha no chão. Mas, durante a briga com Dan, só fiquei com medo por você.”

“Por mim?” Ele endireita um pouco os ombros e se gaba: “Ele não me acertou quase nenhuma vez”.

Reviro os olhos. “Fiquei com medo de que você matasse o cara ou algo assim. Podia se encrencar por isso”, explico.

Ele ri. “Me deixa entender: você estava preocupada com as repercussões jurídicas da briga?”

“Para de rir. Ainda estou brava com você”, digo, cruzando os braços. Não sei exatamente o que mais me irritou além do fato de Justin ter dito para eu ir embora.

“Ainda estou bravo também, mas você é muito engraçada.” Ele encosta a testa na minha. “Você me deixa maluco”, ele diz.

“Eu sei.”

“Nunca escuta o que digo e sempre briga por tudo. É teimosa e impaciente.”

“Eu sei.”

“Você me provoca e causa um monte de estresse desnecessário, sem falar que quase beijou Dan bem na minha frente.” Seus lábios tocam meu pescoço e eu estremeço. “Você diz as coisas mais irritantes e depois age como uma criança quando está brava.” Apesar dos insultos — reclamações a respeito de coisas que, no fundo, acho que ele gosta em mim —, sinto um frio na barriga enquanto beija minha pele. Justin empurra o quadril contra o meu. “Mas apesar de tudo o que estou dizendo... estou completamente apaixonado por você”, ele diz, e chupa a pele sensível abaixo da minha orelha.

Passo os dedos pelos cabelos de Justin, e ele geme, coloca as mãos na minha cintura e me puxa para si. Sei que há mais coisas para dizer, mais problemas para resolver, mas, no momento, só quero me perder nele e esquecer esta noite.

No que parece uma tentativa desesperada de se aproximar de mim enquanto nos beijamos, Justin leva uma mão à minha nuca. Sinto toda a sua raiva e toda a sua frustração se transformar em desejo e afeto — sua boca está faminta, e seus beijos parecem escorregadios enquanto ele anda para trás comigo. Justin me guia com uma mão no quadril e a outra na nuca, mas tropeço nos pés dele e perco o equilíbrio quando suas pernas chegam à cama, e nós dois caímos de costas nela. Em uma tentativa de tirar o controle dele, subo em seu peito e tiro minha blusa e minha malha ao meu tempo, ficando apenas de sutiã de renda. Ele arregala os olhos e tenta me puxar para baixo para beijá-lo, mas tenho outros planos.

Levo as mãos às costas e abro o fecho do sutiã, depois desço as alças pelos ombros e deixo a peça cair na cama atrás de mim. As mãos de Justin estão quentes quando ele coloca as mãos nos meus seios, acariciando-os com intensidade. Seguro seus pulsos e afasto as mãos dele da minha pele, balançando a cabeça. Justin inclina a cabeça, sem entender, e eu saio de cima dele e desabotoo suas calças. Ele me ajuda a puxá-las até o joelho junto com a cueca. Meus dedos imediatamente envolvem seu pênis — ele inspira forte e, quando o encaro, seus olhos estão fechados. Eu o masturbo lentamente e me abaixo, levando corajosamente sua ereção à boca. Tento me lembrar das orientações da última vez e repito o que sei que gostou.

“Porra... Alli”, ele diz, e leva as mãos aos meus cabelos. É a primeira vez que ficou tanto tempo sem dizer nada no sexo, então percebo que senti saudade de seus comentários, e me divirto com isso.

Movimento meu corpo e continuo a dar prazer a ele, acabando entre seus joelhos.

Justin se senta e me observa. “Você fica tão gostosa assim, com essa boca deliciosa me chupando”, ele diz, e puxa meus cabelos com mais força.

Sinto o calor entre minhas pernas e mexo a cabeça mais depressa, querendo ouvi-lo gemer meu nome de novo. Minha língua passa pela cabeça do pênis e ele ergue os quadris um pouco, entrando ainda mais fundo em minha boca. Meus olhos começam a lacrimejar e mal consigo respirar, mas ouvir meu nome saindo de sua boca diversas vezes torna tudo muito melhor. Segundos depois, ele tira as mãos dos meus cabelos e as leva ao meu rosto, impedindo meus movimentos. Sinto o cheiro metálico de seus dedos sangrando, mas ignoro o reflexo de me afastar.

“Se quiser fazer mais alguma coisa antes disso é melhor parar de me chupar.”

Não quero falar, mostrando como estou desesperada para que ele faça amor comigo, então só me levanto e tiro a calça jeans. Quando começo a tirar a calcinha, Justin me impede com a mão.

“Quero que fique com ela... por enquanto”, ele diz. Eu concordo, e a ansiedade me consome. “Vem aqui.” Justin faz um gesto e tira a camisa. Ajeitando-se na beira da cama, ele me puxa para cima de seu corpo.

Nossos amassos estão menos quentes, e a tensão raivosa entre nós diminuiu. O peito de Justin está vermelho e os olhos, arregalados. A sensação de me sentar no colo dele quando está totalmente nu e pronto — e eu só estou de calcinha — é deliciosa. Ele pressiona minha lombar com a mão espalmada enquanto se esfrega em mim de novo.

“Eu te amo”, ele murmura enquanto me beija e coloca minha calcinha de lado. “Eu... te amo...”

Eu me surpreendo ao sentir o prazer desse toque. Justin movimenta os dedos devagar, bem devagar, e eu me movimento para a frente e para trás para aumentar o ritmo.

“Isso, linda... porra... Você está sempre tão pronta para mim”, ele geme, e eu continuo a me movimentar contra sua mão. Minha respiração e meus sussurros se intensificam, e a rapidez com que meu corpo reage a Justin ainda me surpreende. Ele sabe tudo o que deve fazer e dizer.

“Você vai me escutar a partir de agora. Está bem?”, ele diz com os lábios em meu pescoço, mordendo a pele com gentileza.

O quê?

Diz que vai escutar o que digo, ou não vou deixar você gozar.”


Notas Finais


Do ódio ao amor, eu não aguento esses dois. - Alli aceitou morar com ele😍
Quanto tempo mais Justin vai esconder a aposta de Alli? e como vocês acham que ela vai descobrir?

Não esqueçam de comentar - vcs sabem o quanto a opinião de vocês é importante pra mim, e o número de comentários caiu bastante :(( - favoritem também xuxus

Beijinhos da Ju e até o próximo capítulo <3


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