História Me apaixonei por um delinquente - Capítulo 14


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 5.736
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Meu, a quanto tempo pessoal! Foi mal por demorar tanto para escrever, acontece que eu não posso escrever quando quero, eu tenho que ter alguma inspiração para escrever se não capitulo sai um coco, e foi por esse motivo que eu andei não escrevendo mês passado. Mas vou compensar com dois capítulos, esperem que gostem.

Capítulo 14 - Meu primeiro e ultimo amigo.


Fanfic / Fanfiction Me apaixonei por um delinquente - Capítulo 14 - Meu primeiro e ultimo amigo.

Nakayama Heiji on:

Okay, eu ouvi direito?

De todas as perguntas que ela poderia fazer, tinha que ser logo essa? Ela não podia chegar e perguntar logo o que o Shou está escondendo dela? Ia matar tanto tempo, eu iria realizar minha vingança com poucas palavras. Bem, não é que eu não queira dizer a ela sobre isso, prometi que diria tudo o que ela quisesse saber, mas não estava nos meus planos contar sobre a relação que eu e Shou tínhamos. Já fazia algum tempo que não falava sobre isso para ninguém e sinceramente? Não gostava de falar sobre isso, não gostava de falar sobre como eu era antigamente, um cara ingênuo que acreditava em amor verdadeiro e amizades duradouras.

- Tem certeza que quer falar sobre isso primeiro? – Digo esperançoso que ela mude de ideia, o que infelizmente não aconteceu, ela balançou a cabeça em negação.

- Você me disse que iria me contar tudo o que eu quisesse saber.... Pois bem, é isso que eu quero saber. Vocês dois parecem transmitir um sentimento muito forte sempre que se veem e eu quero muito intender isso. – Ela diz séria me fazendo sorrir.

- Com sentimento muito forte você quer dizer ódio e raiva? Isso é normal visto que eu o odeio assim como ele parece me odiar também, isso não é obvio? – Debocho.

- N-não... não é sobre esse tipo de sentimento que eu estou querendo dizer. – Ela olha para o chão. – Diferente de ódio e raiva... é mais como uma mágoa, que se transmiti dos dois lados, uma magoa que dá início ao ódio que vocês sentem.

Fiquei pensativo olhando para seu par de olhos brilhantes que quase não me encaravam, o que ela queria dizer com magoa? Eu até entenderia se houvesse dito que sente esse tipo de sentimento vindo de mim. É compreensivo depois de tudo que passei, mas algo que não bate é ela ter dito que esse mesmo sentimento vinha dele também, já que o crédito de me fazer sentir todos esses sentimentos conflituosos em meu coração e mente, é completamente dele.

- Você acha mesmo que aquele idiota incorrigível sentiria esse tipo de sentimento por mim? – Ri sarcástico – Não me faça rir! Ele não só tirou aquela que me era mais importante, como também me traiu. Traiu nossa amizade. É impossível que ele sinta algum tipo de magoa por isso. E se sente, por que isso agora? NÃO TEM SENTIDO!!

Olhei para ela que parecia ter se assustado com minha repentina mudança de humor. Está certo, falar sobre esse assunto sempre me faz perder o controle, eu nunca entendi o motivo de Shou ter feito aquilo, e ele também nunca me disse o motivo, não que eu quisesse saber, mas era angustiante.

Tratei de me recompor, não era isso que eu desejava, fazer com que ela se assuste está fora dos meus planos, a única coisa que queria era que ela saísse daqui com o coração partido no meio, e com ódio, nojo e medo de Shou, com o sentimento de nunca mais querer olhar ou ser tocada por ele. Se ela for mesmo importante para Shou, isso terá um grande impacto nele e eu finalmente realizaria minha vingança, podendo voltar para minha vida novamente.

- Ótimo, te contarei o que quer saber, isso era fazer com que você o veja de uma forma diferente, mas não é o bastante para que minha vingança seja finalizada. De toda forma, te contarei do mesmo jeito, se é isso que quer saber. – Ela engoliu em seco, eu podia ver que estava com medo do que eu poderia dizer, ela era visivelmente apaixonada por Shou, e eu sabia que mesmo que ela tenha ficado magoada com o que aconteceu a uns momentos atrás, ela com certeza o perdoaria. Mas agora, estava com medo de não ser capaz de perdoa-lo após descobrir como ele realmente é. Eu sei que isso irá machuca-la, e sinceramente eu não queria que fosse assim, o único que merece sofrer e aquele lixo, mas esse é o único jeito de atingi-lo.

- Pois bem, tudo começou a mais ou menos 3 anos atrás, acho que você já deve ter uma ideia sobre isso, mas de algum jeito inesperado, nós nos tornamos amigos, eu nunca pensei que eu poderia me tornar amigo de alguém como ele. Na época eu era só um representante de sala que procurava não chamar atenção de ninguém, só o que me importava era ter notas altas e eu não era tão popular como sou hoje. Shou continua sendo o mesmo, mas no passado ela costumava ser muito pior, bem pior.

Flashback on:

- Você também ouviu, certo? Dizem que ele quebrou todas as janelas do térreo no prédio dois!

- Ele é bem capaz disso mesmo.

- E não é só isso! No outro dia ele lutou com os delinquentes da escola Showa, e mandou todos eles para o hospital, sem ficar com nenhum arranhão!!

- Impossível! Aquele cara é um monstro!

A conversa alta de um grupinho no fundo da sala, durante a aula de auto estudo, atrapalhava meu estudo. Sinceramente, esses caras não têm noção de nada, ficam atrapalhando meu aprendizado com essas conversas inúteis deles, se estão tão interessados em falar bobagens, vão lá fora! Eu quero estudar em paz!

- Ouvi que até os professores morrem de medo dele, nenhum tem coragem e enfrenta-lo. Me pergunto se ele realmente dá tanto medo assim, gostaria de sabe qual é a sua aparência, embora ele seja da nossa sala, ele nunca deu as caras por aqui.

- Dizem que as garotas são caidinhas por ele, e que todos dia ele está com uma diferente, então ele deve ser pelo menos um pouco bonitinho, o que quer dizer que ele não deve ser tão assustador assim.

- Aposto que eu daria conta daquele punk sozinho! Todos já estão falando por aí que eu daria uma surra nele!

- Hahaha, pois eu duvido!

Um coro de risadas é ouvido pela sala.

Aquela era a gota d´agua! Eu preciso estudar para a prova de amanhã e esses pirralhos malditos não sabem calar a boca! Estão atrapalhando todo mundo! Sem me dar conta dos meus atos e esquecendo uma das minhas regras principais, de fazer o máximo para não chamar atenção, me levantei da cadeira e gritei com aqueles caras barulhentos.

- DA PRA VOCÊS CALAREM A MERDA DA BOCA DE VOCÊS, SUAS HIENAS DISFARÇADAS DE GENTE!! – Gritei com toda a força chamando sua atenção para mim, eles me olharam surpresos.

Okay, isso foi muito precipitado e idiota, quero dizer, loucura. Não deveria ter feito isso sem pensar em um plano para me livrar disso depois. Olhe pelo lado bom, pelo menos eles calaram a boca, o lado ruim é que eu vou sair dessa com pelo menos dois olhos roxos e algum osso quebrado, exagero? Acho que não.

-O que esse nerd está dizendo? Diga de novo se tiver coragem! – Eles se aproximaram de mim, com um olhar ameaçador e gritando comigo. Ótimo, lá se vai o lado bom!

Eu não tinha ideia do que fazer, fiquei paralisado no lugar, pensando se eu deveria correr ou poupar esforços de tentar fugir de pessoas que eu sabia que com meu corpo fraco, era impossível de se fugir. Eles se aproximaram de mim com expressões um tanto assustadoras. Um deles, que parecia ser o líder da trupe de hienas, me segurou pelo colarinho.

- Que foi? Não vai dizer mais nada? Cadê a sua coragem de alguns segundos atrás? Hein?!

Droga! Onde é que eu fui me meter!? Eu deveria ter ficado quieto e esperado até que eles fossem embora, por que eu dei uma de corajoso? Eu não sou assim! Agora ao invés de sair daqui perturbado por causa do barulho, vou sair daqui machucado por causa desses delinquentes imprestáveis e da minha falsa coragem.

O delinquente se preparou para me socar, mas antes que esse soco fosse disferido contra meu rosto, o barulho de uma porta sendo aberta fortemente interrompeu seu ato, prendendo a atenção de todos a ela. Por sua vez, um garoto da mesma altura que a minha, entra por ela. Todos olham para ele assustados, o que me fez me perguntar quem seria ele para chamar tanto a atenção de todos.

Ele se direcionou a nós com a cabeça baixa e as mãos nos bolsos, seu cabelo escuro e sua franja longa, tapava seu rosto não deixando que víssemos sua expressão facial.

 - O que foi cara? Também está afim apanhar!? – Diz o cara que me segurava pelo colarinho, numa tentativa falha de amendronta-lo. O garoto não parou ou recuou, muito pelo contrário, ele continuou se aproximando cada vez mais de nós, até que parou ao nosso lado e sem qualquer aviso agarrou o braço que me segura fortemente.

- É você que anda dizendo por aí que... – Ele olhou para nós, nos deixando visualizar um olhar terrivelmente frio e intimidador que me fez tremer dos pés à cabeça, aquele não era um garoto normal. Não só eu, mas o cara que me segurava também sentiu o perigo que aquele cara transmitia com apenas um olhar. – ... pode acabar comigo?

O delinquente ficou estranhamente pálido, e me soltou na hora, perecia que seus braços haviam enfraquecido de uma hora para outra. Passei a mão pelo meu pescoço dolorido, e olhei para o garoto com o olhar tão gélido quanto o inverno. Aquilo tudo me deixava intrigado, por que um garoto que não parecia ter tanto músculos ou tanta altura quando o cara do lado, poderia deixa-lo tremendo no lugar.

 - N-Nishimura... Shou? – O cara disse gaguejando.

Esse nome... eu já o ouvi antes... seria esse garoto o cara dos rumores, que essas hienas comentavam a alguns segundos atrás? Se sim, ele não parece ser tão forte, o que mais me preocupa é esse olhar em seu rosto, isso sim me deixa arrepiado.

- Olha, você sabe meu nome, parabéns. Agora faça-me um favor, e responda o que eu te perguntei. É você ou não? – Disse Nishimura com um olhar ainda mais penetrante.

O cara ficou parado por um tempo no lugar sem saber o que fazer, engolindo em seco, mas depois voltou a si, e se tornou novamente o cara arrogante e cheio de si que ele era.

- E se for? O que você vai fazer? – Dizendo isso, ele soltou seu braço bruscamente da mão de Nishimura, rindo de sua cara.

- Eu? Eu não vou fazer nada, o que eu quero é que você me mostre se isso é realmente verdade ou é tudo da boca para fora. –  O garoto sorriu para ele, colocando a mão no bolo novamente. – Ou o que? Você não pode? Está com medo?  Faremos assim, leve seus amigos junto, garotas gostam de ficar perto uma das outras, não é? Eu não farei questão. – Ele olhou para o grupinho no canto da sala que estremeceram.

- Tem certeza? Então faremos assim, vamos colocar um nanico como você no seu lugar, os rumores sobre vocês certamente são falsos, é impossível uma garotinha como você fazer mal a uma mosca! – Ele dizia tudo com muita coragem, embora eu pense que por dentro ele estava gritando igual um bebe recém-nascido, disso eu tinha quase certeza. Ele olhou para seus amigos e fez um movimento com a cabeça para que eles o seguissem. – Vamos mostrar para esse garoto quem manda aqui.

- M-mas cara, ele é mesmo o cara dos rumores, não podemos subestima-lo!

- No final vocês só vão ficar olhando, acreditem em mim. Vamos! – Eles se entre olharam e decidiram ir com ele. – Vamos para um lugar mais calmo Nishimura.

 Nishimura riu, ele parecia transmitir confiança, e parecia se divertir com os comentários insultuosos que os garotos diferiam contra ele. Eu assistia eles saindo da sala, mas percebi que antes de sair andando atrás deles, Nishimura Shou, virou-se para mim olhando em meus olhos.

- Se não é capaz de se defender, então não de uma de corajoso e faça algo sem esperar consequências. – Ele se virou e se foi silenciosamente assim como entrou, me deixando de mãos atadas na sala.

Quem ele pensa que é para me dar um sermão? Espero não o encontra nunca mais! Esse tipo de gente que pensa que pode dar sermão nos outros só porque salvou uma outra por coincidência, realmente me irrita! Já perdi tempo demais, eu deveria estar estudando agora! Tudo culpa daqueles idiotas! Só espero que depois deles surrarem aquele garoto, eles não voltem aqui para fazer mais barulho!

Voltei a estudar tranquilamente, o dia passou, e aqueles caras não voltarem, nem no outro dia, e nem no outro. Ouvi dizer que eles estão no hospital, muito machucados para se quer aparecer na escola, era inacreditável que um garoto muito menor que eles, tenha feito todo esse estrago. Nishimura Shou não apareceu mais na sala depois daquilo, e eu sinceramente dava graças a deus porque eu com certeza não queria o ver de novo.

O rumor de que Nishimura Shou falou comigo, se espalhou em toda a escola, criando um mal-entendido, e foi por isso que pela primeira vez, eu fui chamado pelo conselho estudantil. Sinceramente, eu não tinha muito certeza na hora do por que fui chamado, pensava que era por que eu seria convidado a participar do conselho, mas ao descobrir o real motivo da minha visita a eles, minha boca formou um O, eu não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir da boca da presidente.

- Você ouviu o que eu disse, Nakayama-san? Queremos que você tente se aproximar de Nishimura, ele parece ir com a sua cara, achamos que só você pode fazer tal proeza.

O QUE!? De onde vocês tiraram essa ideia estupida?!

- Ouvimos dizer que Nishimura entrou em uma briga para te ajudar, se vocês se tornarem amigos, vai ser muito mais fácil controlar aquele garoto inconsequente! Ele não aparece nas aulas, vive vadiando por aí, estraga o patrimônio escolar e entra em brigas, isso deixa a escola com um nome sujo!

- E o que eu tenho haver com isso!? Não associe aquele delinquente comigo! Eu sou um bom aluno, não me misturo com tipos como ele! – Falei nervoso – E ele não entrou em uma briga para me ajudar! Foi só uma coincidência, okay?!

Que droga de rumores! Como eles puderam pensar que aquele cara iria se mover para me ajudar? Ele só queria ter uma cara para socar, que felizmente, não foi a minha!

 - Está certo, podemos ter dado muita atenção aos rumores, sinto muito por esse mal-entendido...

- O importante é que vocês entendam. Se me derem licença então... tenho coisas mais importantes para fazer! – Me virei irritado para ir embora, mas fui interrompido pela voz da presidente.

- Mas mesmo assim... queremos que você realize esse trabalho para nós. A tempos estamos querendo implantar esse plano para controlar o comportamento de Nishimura Shou, só precisávamos de alguém disposto a realiza-lo, e essa é a oportunidade perfeita, Nakayama Heiji.

- E quem é que disse que eu estou disposto a realiza-lo? Eu só quero levar uma vida calma e invisível na escola! Fazer parte de um dos rumores dessa escola não foi ideia minha, eu nunca quis que isso acontecesse, além disso se eu fizer o que estão dizendo meu desejo será completamente arruinado e eu serei o centro das atenções que nem ele!

- Entendo o seu desejo, mas a escola não liga se você quer ou não fazer, decidimos que você era alguém perfeito para isso. Sabemos sobre as dificuldades que sua família está passando agora e a escola está disposta a lhe oferecer uma bolça de 50%, melhorando muito as coisas para você e sua família. O que me diz?

Okay, eu admito, essa oferta é definitivamente convidativa, quero dizer, uma bolça de 50% de desconto é mais do que eu poderia pedir, ainda mais agora, mas a pergunta é, eu estou disposto a fazer isso? Não, não é nem essa a questão, a questão é...

-Você acha que Nishimura está disposto a ser meu amigo, ou até mesmo melhorar seu comportamento por estar comigo? – Eles se entre olharam com a minha pergunta, ótimo, eles nem pensaram sobre isso, grande plano o deles.

 - É bem pensado, mas se caso não der certo, pensaremos em um plano B. Por enquanto você terá que fazer de tudo para se tornar um amigo para ele.

- Até quando isso? – Perguntei impaciente.

- Até arrumarmos um plano B para isso, ou até você conseguir se tornar amigo dele.

- E se eu desistir antes do tempo estipulado? –Perguntei já sabendo que talvez eu não consiga esperar tanto tempo.

- Todos os benefícios são retirados, e a sua carta de recomendação para o ensino médio não será entregue a você, dificultando sua entrada em uma escola de boa qualidade. – Ela diz tudo de uma forma seca, de modo que eu nem ousasse pensar nisso, tarde demais querida

Estralei minha língua irritado, sem uma carta de recomendação é quase impossível entrar na escola que eu quero! Esse conselho realmente está pegando pesado.

- Okay, pensarei com cuidado sobre isso. Agora eu posso me retirar?

- Pode sim, se decidir cooperar venha até nós, você tem uma semana para pensar sobre isso.

Sai de lá pensando em todas as possibilidades possíveis, se era mais acolhedor a ideia de passar o tempo tentando me tornar amigo de Nishimura, ou perder minha recomendação e uma grande oferta. Eu sabia que me tornar amigo daquele cara era impossível, afinal, olha para mim, eu nunca tive sequer um amigo, isso nunca foi um problema para mim, mas agora tenho que tentar ser amigo do maior delinquente da escola, fala sério, como alguém sem experiência vai conseguir essa proeza?

O outro dia já chegará e agora eu tinha 6 dias para decidir o que eu faria, cheguei mais cedo na escola, ninguém ainda havia chegado, entrei em minha sala e lá estava ele, o autor dos meus pesadelos, a pessoa que não saia da minha cabeça nem se eu quisesse. Ele estava debruçado sobre sua mesa, roncando que nem um motorista de caminhão. Me aproximei para confirmar se era mesmo quem eu pensava que era.   

O cabelo preto tapava seu rosto, mas com certeza era ele, eu só o vira uma vez, mas desde aquele dia sua aparência ficará pregada a minha mente. Me perguntei como seria se eu fosse amigo dele, como agiríamos? Ele ia parar de ser tão inconsequente? Eu faria bem a vida dele? As perguntas não paravam de rodear minha mente, e ele estava incluso em todas, eu nunca pensei em ter amigos, muito menos um do tipo dele, mas algo me dizia que ele não era tão ruim quanto parecia ser. Não, no que eu estou pensando!? Ele levou cinco pessoas que pareciam ser muito maiores do que ele para o hospital, quem sabe o que ele faria comigo visto que eu sou um fracote, se eu tivesse eu lutasse com uma minhoca a minhoca síria vitoriosa!

 Tentei me afastar dele, eu estava muito perto, se ele acordasse seria problemático para mim, mas quando tentei fazer isso, uma mão agarrou fortemente meu braço me fazendo olhar para seu dono.

- Veja se não é o gatinho medroso de antes! Ainda se metendo em confusões que não pode dar conta? – Um par de olhos azuis acinzentados me olhavam com frieza, mas que não pareciam demostrar essa emoção.

- Você... se lembra de mim? – Perguntei desacreditado.

- Não esqueço de um rosto quando vejo um. – Ele riu – O que faz aqui tão cedo?

- Eu? O que você faz aqui! – Digo surpreso.

- Bem, digamos que eu não dormi em casa hoje. – Ele diz com um sorriso puchado..

- Você dormiu aqui!? – Não pode ser.

- Algo assim... Olha gatinho medroso se você puder ficar bem quietinho pra mim dormir eu vou ficar feliz, mas se atrapalhar meu sono, pode ter certeza que EU vou colocar VOCÊ pra dormir, compreendeu bem? Estamos entendidos? – Ele me olhou com seus olhos frios como gelo.

- E-entendi. – Digo com uma faísca de medo, u não planejava mesmo ficar lá por muito tempo, mas uma coragem inesperada tomou conta de mim, a mesma que tomara conta de mim no dia em que eu o conheci. – É Nakayama Heiji...

- O que? – Ele me olhou confuso levantando uma de suas sobrancelhas.

- Meu nome... é Nakayama Heiji. – Digo o mais firme que eu conseguia.

- Entendo, então o gatinho medroso se chama Heiji, interessante. – Ele riu da minha cara, mas era dessemelhante ao riso de deboche que eu ouvi naquele dia, era diferente... nesse momento me veio à mente que talvez ele pudesse ser diferente do que eles diziam ser.

- Eu... Gostaria de agradecer... quero dizer, pela última vez, com aqueles caras.

- Por que está me agradecendo? Não fiz aquilo para te ajudar, os rumores devem ter te subido a cabeça, acredite, eu não ligo para o que acontece com você ou com qualquer outro.

- Eu sei! Sei que não fez aquilo para me ajudar, mas mesmo assim, me ajudou, obrigado. – Eu tinha de dizer aquilo de qualquer jeito, afinal era a verdade.

Ele ficou sem palavras, apenas ficou me olhando como se eu fosse a coisa mais esquisita do mundo.

- Okay... Olha só quero te deixar claro, eu não jogo para esse time, então nem adianta que eu...

- DE QUE MERDA VOCÊ ESTÁ FALANDO!? Eu também não jogo para esse time, seu retardado!! – Falei nervoso, como ele podia pensar que eu estava cantando ele?! Esse cara é muito convencido mesmo! Segundos depois da minha explosão, ele caiu na gargalhada, sinceramente, o que é tão engraçado!?

- Desculpa, é que nunca vi um homem me agradecer, quero dizer, e bem difícil alguém me agradecer mesmo mulher, não estou acostumado com isso. Normalmente me pedem perdão com os joelhos no chão e com a cara roxa com uns tons de vermelho do sangue.

- Você está precisando de mais amigos do que eu. – Debochei, e foi aí que eu me lembrei do que a presidente disse, ser amigo dele não devia ser tão insuportável. Ao me ver ele parecia alguém mais descente de perto, não custa tentar, não terei uma segunda oportunidade dessa. – Bem, já que nós dois não temos amigos, que tal virarmos?

Ele me olhou sem expressão espantado pelo que eu acabara de dizer, mas logo depois fechou a cara me olhando com raiva.

- Foi isso que o conselho pediu para que você fizesse? – Aí foi a minha vez de me espantar, como ele sabia disso? – O que? Achou que eu fosse idiota? A tempos que o conselho está planejando algo para poder me controlar, então resolveram te usar dessa vez, não é? Eu já deveria imaginar, alguém me agradecendo por algo não é normal. Por que? Achou mesmo que eu ia cair nesse papinho de vamos ser amigos, do nada? Cai na real cara, eu sei que tipo de pessoa eu sou! Alguém em sã consciência nunca me faria um pedido desses.

- Espera, não foi por causa disso que eu te agradeci! Eu-... – Ele se levantou e me puxou pelo colarinho olhando bem em meus olhos.

- Escuta aqui Gatinho Medroso, você acha mesmo que poderia se tornar meu amigo? Se eu quisesse um amigo eu já teria feito um, mas eu não quero, sabe por que? Ninguém é bom o suficiente para mim, afinal, meu passatempo é destruir e bater em qualquer coisa que me irritar. Veja. – Ele chutou a mesa que ele anteriormente dormia, ela caiu rapidamente no chão com uma força inacreditável, fazendo que um estrondo ecoasse na sala de aula vazia e fria. – A mesa era muito dura para mim dormir direito, isso me irrita, por isso ela mereceu isso. Se você me irritasse eu faria a mesa coisa com você, sendo meu amigo ou não. Então, vê se desaparece da minha frente ou eu vou dar um jeito de te deixar irreconhecível até mesmo pra sua mãe. Do mesmo jeito que fiz com aqueles idiotas do outro dia. – Ele me soltou com violência fazendo com que eu caísse no chão, e em seguida foi em direção a porta, saindo por ela.

 Droga! Não era isso que eu queria! Que merda! Mas onde eu estava com a cabeça quando disse que não seria ruim ser amigo dele? Acorda Heiji, ele é um delinquente, e ainda por cima o pior da escola, ele só vai trazer prejuízo para você, o plano era não se envolver com ninguém e não chamar atenção dando maior importância para os estudos não era!? Eu vou dar um jeito na mensalidade, e quanto a carta de recomendação, é só ficar entre os 5 primeiros na classificação da escola, eu consigo, eu sou um bom estudante!

Embora eu quisesse me convencer daquilo, minha cabeça ainda girava, eu nunca tive a necessidade de ter amigos, mas eu senti naquele dia, que talvez não fosse tão ruim. As palavras de Nishimura não saiam da minha mente, não importa o quanto eu pensasse, para mim, elas não passavam de palavras falsas, que serviam para afastar qualquer forma de vida que se atrevesse a se aproximar dele. Eu também usava aquela estratégia, não daquela forma, mas também fazia de tudo para me separar das pessoas para meu próprio bem.

Para mim, ele também usava essa mesma estratégia, mas parecia que ele queria proteger as pessoas dele, ou até mesmo, proteger ele das pessoas. Nishimura parece confiar muito pouco nos outros, por algum motivo desconhecido, eu queria saber o porquê disso tudo.

***

O tempo passava e a semana do prazo ia acabando, mas eu já não me importava mais com isso, eu queria saber o motivo dele ser daquele jeito, eu sabia que havia um motivo, mas ele fazia questão de esconder tudo de todos. Agora eu realmente queria ser seu amigo, mas não era por causa da presidente, na verdade, eu não sabia o motivo de querer isso, mas eu queria entender o porquê.

Faltavam apenas um dia para dar a notícia para o conselho de que eu não iria conseguir ser seu amigo. Andava pela rua para voltar para escola quando encontrei rostos “ quase “ reconhecíveis por mim. Os garotos do dia que conheci Nishimura estavam lá, como sempre conversando alto, o que me permitiu ouvir o plano deles.

- Esperaremos aqui, dizem que ele sempre passa por aqui antes de ir para casa, o pegaremos de surpresa e então com a ajuda disso aqui – Ele olhou sorrindo para pedaço de madeira em sua mão – Apagaremos ele, e o faremos pagar pelo que fez! – Eles riram cada um com seu pedaço de madeira na mão.

Eu não podia acreditar no que ouvia, não importava que tipo de monstro Nishimura podia ser, ele ainda era um humano, ele não podia com aquilo, era muito para ele, eu tinha que fazer alguma coisa ou ele sairia com mais do que alguns arranhões pelo corpo. Mais uma vez, uma coragem que eu não sabia de onde vinha, preencheu meu corpo, ela está aparecendo muitas vezes desde aquele dia. Andei até eles, o pôr do sol ainda iluminava as ruas e agora iluminava meu rosto chamando a atenção deles.

- Ei, suas hienas disfarçadas de gente, vocês não conseguem nem mesmo saber a hora que devem falar baixo?

- Ei, se não é o Nakayama, veio para pegar o soco que eu fiquei te devendo daquela vez? Eu não faço questão de lhe dar ele agora.

- Isso é covardia, sabia? Digo, eu não entendo nada de lutas, mas levar um pedaço de madeira como arma para atacar alguém que não gosta, é meio injusto né?

- Idai se for?  O que você tem com isso? Não me diga que durante o tempo que eu estive fora vocês decidiram se ajudar como amiguinhos? Own que lindo! – Ouvi o resto das hienas gargalharem ao seu lado.

- Pois é, por isso eu não posso deixar que faça o que quiser. Você me perguntou o que eu iria fazer? Pois bem veja com seus próprios olhos. – Peguei meu celular e disquei o número da polícia – Alô? Queria denunciar uma tentativa de ataque na rua... – Eles pareceram surpresos, aposto que nunca pensaram que eu poderia chamar a polícia, esses idiotas que só sabem resolver as coisas aos socos...

Antes que pudesse dizer qualquer coisa um dos caras me atacou com o bastão de madeira, foi uma ótima ideia chamar a polícia bem na frente deles, sinceramente, quem é o idiota aqui? Depois que conheci Nishimura meu cérebro tem ficado cada vez mais burro! Ele vai me acertar com a porra do bastão! Maldito o dia que eu conheci esse cara, estou ficando tão inconsequente quanto ele!

Antes que a arma alcançasse meu rosto alguém o segura me protegendo do ataque.

- Você é idiota?! O que pensa que estava fazendo com esses caras?!

- Nishimura?! O que está fazendo aqui?! – Digo surpreso, não esperava que ele apareceria.

- É isso o que eu te pergunto!! – Disse com raiva em seu olhar.

- Eles iam te atacar, eu não podia deixar eles fazerem isso!

- Isso não tem nada a ver com você! Só vai embora daqui!

- Ele veio! – Um dos caras vem em nossa direção e tenta o atacar, mas eu não podia deixar que o machucassem, se não nada daquilo que eu fiz teria sentido, o empurro em pensar muito e sou acertado.

- O que você fez!? – Ele me perguntou com uma expressão preocupada, seus olhos estavam arregalados e ele me segurava pelos braços. Eu sabia... alguém tão ruim não poderia fazer esse tipo de expressão. – Eu não te disso para você não se meter em brigas que você não pode ganhar!?

- Eu fiz isso por que... – eu olhei para ele – é isso que os amigos fazem, não é, seu imbecil?

Ele olhou para mim impressionado com o que eu disse, mas depois riu.

- O imbecil aqui é você, você vai apanha por me considerar meu amigo e tentar me defender idiota!

- Cala a boca, eu não devo ser tão fraco assim! – Ri.

- Se você conseguir derrubar pelo menos um, eu considero o que você falou e paro de te chamar de gatinho medroso.

- Pois bem, eu aceito.

Começamos a lutar com os caras, foi quando eu descobri que Nishimura era realmente forte, ele derrubava um atrás do outro, eles estando ou não armados, eu por outro lado, fazia o possível para me manter de pé e cobrir a costas de Nishimura, mas no final eu acabei bem machucado, e ele não estava tão bem assim. No fim conseguimos derrotar os caras que ficaram espatifados no chão.

- Tem certeza que quer ser meu amigo? – Ele me olhou agora sério, parecia aqueles filmes de ação que o personagem principal pergunta para o outro se ele está pronto para morrer por aquilo.

- Eu faria isso se eu não quisesse? Você parecia tão solitário que eu fiquei com pena.

- Eu? Olha só quem fala! Aposto que nunca teve sequer um amigo.

- Então vamos fazer isso direito agora. – Estendo uma para ele – Eu sou Nakayama Heiji.

- Sou Nishimura Shou, e se você quiser ser meu amigo pode esperar muito pela frente, tenho várias regras. – Ele olhou para minha mão estendida – E eu não aperto a mão das pessoas, isso nunca.

É sério isso? Ele é mais chato do que eu pensei... talvez eu deva fazer alguma brincadeira... só para descontrair, afinal, amigos fazem esse tipo de coisa, né?

- Quer saber? Mudei de ideia, por que não nos tornamos mais próximo do que amigos?! – Me aproximei de seu queixo e o toquei – Podemos... ser amantes. – Assoprei em seu ouvido e sua expressão foi imperdível, eu tinha razão quando disse que ele não era tão assustador assim, me despus a chorar de rir – Estou brincando cara, você realmente caiu nessa. – Limpei uma lagrima no canto do meu olho.

Gargalhei como nunca antes, não sabia que tinha um lado brincalhão dentro de mim, estou me descobrindo cada dia mais, talvez ter encontrado Nishimura fosse a melhor coisa que me aconteceu.

- Dá uma dessa de novo e eu coloco de baixo de sete palmos de terra. – Ele disse sério mesmo eu sabendo que só estava brincando.

 - Foi mal, foi mal!

Depois disso conversamos mais, e eu descobri lados meus e de Nishimura o que me fez muito feliz, nunca pensei que podia ser tão divertido ter alguém para conversar. No outro dia fui até a sala do corpo estudantil.

Eu e Nishimura havíamos planeado cada coisa que eu falaria para eles, é claro que eu tive que mudar algumas coisas se não ficaria muito forte, mas isso se tornaria uma mensagem de Nishimura para que eles não tentassem mais mexer com ele, e o troco por terem me chantageado.  

- E então, tomou sua decisão?

- Tomei, quero que vocês enfiem essa proposta onde bem quiserem, não sou um brinquedo que fará tudo o que vocês pedirem por causa de dinheiro. Eu vou dar meu jeito. – Olhei para porta e o chamei com uma voz fina –Ah sim, amor, vem aqui dar um oi para os nossos colegas.

Nishimura entrou na sala como planejamos e segurou minha cintura.

- E ai, parece que vocês perderem de novo. Obrigado pelo presente novo tchau, tchau. – Saímos da sala gargalhando, mas não sem ver as expressões chocadas do pessoal do conselho. Eu e Nishimura fazíamos uma ótima dupla, era realmente divertido fazer coisas como essas de vez enquanto, realmente divertido.

Passamos a maior parte do ano juntos, nos tornamos próximos, e contávamos tudo um para o outro, ele me contou por que agia daquela forma, e que não iria parar, não tentei impedi-lo, por que mesmo que eu fosse seu amigo eu não tinha direito de fazer isso, ele escolheu o seu jeito de desabafar com o mundo.

Tudo parecia bom demais, eu tinha um amigo, minhas notas continuavam altas, eu me divertia quase todo o tempo, e me metia em brigas por causa de Nishimura, o que me ajudou a ficar mais forte, embora eu odiasse entrar em brigas. Até que ela apareceu, a mulher da minha vida... Yoshida Yuka.


Notas Finais


O que acharam? Por favor comentem ai, isso ajuda muito minha auto estima para continuar a historia! Lembrem-se de deixar sua pergunta para nossos personagens para um capitulo especial, se voc~e ainda fez suas perguntas corre la!


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