História Me Chame de Anjo - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Anjo, Bella, Kat, Sangue, Sobrenatural
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Palavras 1.873
Terminada Não
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Espero que gostem 😊❤

Capítulo 15 - Verdade nua e crua



           Saint Paul, Minnesota


            16 de agosto de 2018

   
              Quinta-feira


Na sua infância, em certas tempestades, você já deve ter sentido medo. Como uma criança como "qualquer outra", eu imaginava monstros debaixo da cama. No armário. Então eu fechava os olhos, contava até três, e corria do quarto, para ir ao da minha mãe. E lá, aninhada nos seus braços, eu me sentia segura. Protegida.

Eu não cogitava, até quando eu teria essa proteção. Eu não fazia ideia até quando eu precisaria. Mas uma coisa eu sabia: uma hora eu teria que enfrentar tudo sozinha. E minha mãe não estaria lá para me proteger. 

Isso, ela que dizia.

Mas... e quando a coisa está na sua escola? Te rondando. Como se estivesse sussurrando: " eu estou aqui...". E você tivesse que proteger - e quer - aqueles que convivem com o seu medo. 

Você está com medo. Mas quer proteger aqueles que você quer bem, do medo. Do seu medo.

Como? Essa é uma boa pergunta.

Recuar ou atacar? Contar ou ocultar?...

O que eu vou fazer? Essa é também  uma boa pergunta.

O despertador toca. Desligo ele no segundo toque. Tenho hoje e amanhã.

Passo as mãos no rosto. Um minuto de cada vez.

- Bom dia. - diz animada Amber do outro lado da linha.

Acabei de sair do banho. Visto as peças íntimas, e visto a calça jeans.

- Bom dia Am. - falo rindo do seu entusiasmo. - Estou feliz que sentiu falta de conversar comigo.

- Convencida você, hein? - diz ela irônica.

- Então, como está Londres? - perguto deixando o celular na escrivaninha, no modo viva-voz.

- Olha, bastante movimentado. Ontem comecei um curso de desenho. É legal lá.

- Parece bom, estou feliz que está gostando.

- Sim, é, papai disse a mesma coisa. E Saint Paul?

- Está a fim de saber algumas coisas sobrenaturais? - pergunto vestindo um cardigã preto. Com uma blusa listrada por baixo.

- Ok... - diz ela receosa. E curiosa ao mesmo tempo. Eu também ficaria.

Resumo os acontecimentos desde domingo, quando ela foi embora. E olha que se passaram quatro dias. Conversamos por mensagens, desde que ela foi embora. Mas não entrei no meio "sobrenatural".

Tento excluir Christopher da conversa. O máximo possível.

- Uau... olha eu não sou especializada em casos sobrenaturais, mas sou especialista em dramas entre amigas. Fala com Katherine, que você e Stephanie, querem o bem dela, que ela é alguém especial para vocês, e você não quer ve-la magoada. E que isso é algo infantil da parte dela. E ela está ignorando isso.

- Pois é... Agora por isso naquela cabecinha loura, é a parte complicada.

Amber ri.

- Vocês podiam vir para o Thanksgiving Day*. - falo passando rímel. - Digo... você e papai.

- Sim, seria legal... - diz ela feliz com a ideia. - Tenho que ir, escola, sabe como é?

- Claro, boa escola, Am.

- Para você também Bella.

A chamada é desligada. Pego o celular e guardo na bolsa.

- Amber? - pergunta mamãe batendo na porta.

- Sim, estávamos conversando sobre... nada. Coisas aleatórias.

- Entendi.

- Sabe... podíamos chamar eles para o Thanksgiving Day.

- Sim, é uma boa ideia... Mas sua vó vai vir também.

- Acho que não terá problema, ela sabe também.

Mamãe cruza os braços, e apoia o peso do corpo num pé só.

    - Ela... não sabe?

     - Nada que não resolvemos... Isso é algo que eu tenho que resolver. Dramas familiares demais para você.

    - Tudo bem.

    - Agora vá.

     Saio do quarto, e desço as escadas.

     Pego uma maçã na mesa e coloco na mochila. 

    O que é um drama familiar, perto de um drama sobrenatural? De vida ou morte?

    Quer saber? São dois problemas a mais na minha cabeça. É complexidade demais para minha mente lerda.


(...)


- Não sei como estou vivendo perto do Alex? Acho que vou ser ator quando crescer. - diz Austin recostado no banco do carona.

- Então precisamos atuar até sábado. Preciso dar um jeito nisso. Katherine não pode ir.

- Também me preocupo com Christopher, sabe? Ele é... indefeso. Está cercado de pessoas diferente dele.

    - Sei como é...

    - Bella, posso ... perguntar algo

Aperto o volante aflita com o seu tom.

- Claro, o quê? - pergunto dirigindo, enquanto olho para a estrada.

- O que você e Christopher tem? E isso não é crise de ciúme-de-irmão mais novo.

- Somos apenas... amigos. Se há algo é da parte de Christopher. Mas o que ele fala é da boca para fora. É o jeito irônico dele de ser.

    - Se você diz...

    Tiro o cinto de segurança, quando estaciono na escola. Austin faz o mesmo. Desço do carro, e travo às portas dele.

    - De qualquer forma, tome cuidado. Com Maya também, ela não parece de confiança.

    - Claro. - falo ajeitando o cabelo. O vento era leve, e nem tão frio. Mas era o suficiente para fazer algumas madeichas balançar com o vento. - Se cuida e boa aula. - digo caminhando até a entrada da escola.

    - Igualmente. - diz Austin indo conversar com alguns garotos ali.

Sinto um arrepio do começo do pescoço até minha espinha, quando vejo Victoria e Alex conversando na entrada da escola.

Katherine também estava com ele.

- Oi gente. - digo tentando disfarçar a tremedeira da voz.

Como eu vou tirar essas duas de perto dele?

- Oi Isabella. - seu tom áspero me atinge profundamente. Tento engolir o nó na garganta. Alex mantinha seu sorriso no rosto.

Porém, quando olhava para mim, seu sorriso era do tipo " se falar ou fazer algo vai ver só".

- Oi Ka-Katherine. Tudo bem? - forço um sorriso.

- Melhor impossível. - seu sorriso falso é fim da linha para mim.

- Que bom. Vic pode vir no banheiro comigo? - pergunto querendo sair dali o mais rápido possível.

- Claro. - diz Vic estranhando meu tom de voz.

Com Katherine vai ser impossível. Mas Victoria será fácil de manter afastada dele.

Caminhamos pelos corredores como nunca antes. Quão mais longe deles, mais aliviada fico.

- O que foi Bella? Não sou tão rápida. - reclama a ruiva.

- Você precisa saber da verdade.

Assim que entramos no banheiro, tranco a porta. Claro, antes checo se está vazio.

Paro diante de Victoria com os olhos fechados. Respiro fundo. Me preparando para o que vou dizer.

- Alex... Alex é um lobisomem. - falo rápido.

Seus olhos azuis meio escuros, antes brilhantes, agora estam agitados. Arregalados.

- Como?...

Vic se apoia na pia do banheiro. Ela passa a mão nas suas madeixas ruivas.

- Meu Deus... como isso é possível? - diz Vic desesperada. - Como você descobriu? É só uma teoria né?

- Infelizmente não. - digo.

- Ah meu Deus. - Victoria leva as mãos ao rosto.

 - Descobri antes de ontem. Quando eu e Stephanie fomos até um lugar fechado, que por infelicidade do destino, era a casa de Alex. Vimos... ele se transforma.

- E Katherine? Céus, você e Stephanie estam brigadas com ela. Vocês mal se falam.

- Pois é. Tenho que fazer algo antes de sábado.

- Você quis dizer nós, certo? - diz Victoria vindo até mim. Ela segura minhas mãos e olha em meus olhos. Me sinto pequena. A sensação é a mais estranha, de todas que eu já sentira. - Vamos conseguir.

- Como? - dou de ombros.

- Eu conto para ela. - diz Victoria firme.


(...)


- Onde vocês estavam? Procurei vocês por toda parte.

Eu e Victoria nos sentamos nos nossos lugares. Ela atrás de mim, Katherine na minha frente. E Stephanie do meu lado.

- Estávamos no banheiro. - explica Victoria.

- Sorte de vocês que o professor não chegou. - diz Steph nos tranquilizando.

Assim que Stephanie fala, o professor de literatura, sr. Wright, entra na sala.

- Bom dia alunos, hoje, é dia de debate. - diz o sr. Wright se sentando na ponta da mesa. - Iremos falar sobre um livro clássico da literatura. O pequeno príncipe. Alguns já devem ter lido, não é possível que não. Mas... há algumas frases do livro, que são usadas como reflexão. Para a vida mesmo. Uma das mais famosas é...

- Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. - diz Christopher.

- Exatamente essa Christopher. - diz o sr. Wright sorrindo diretamente para Christopher.

- Qual é... o sentido dessa frase para vocês? - diz o professor gesticulando. -  Claro, há tantas outras, porém escolhi essa. Que é mais reflexiva. Qual é o significado dessa frase para vocês? Alguém?

A turma fica em silêncio. Me disponibilizo.

- Srta. Collins.

- A questão não é cativar alguém. É a pessoa te cativar. Nunca se sabe se ela te cativou. Talvez você se preocupa com ela em vão.

- Na verdade, sr. Wright, tudo é uma questão de não cobrar demais com a pessoa, certo? - interrompe Katherine. - Apenas deixar ela ser feliz, se você se sente responsável por ter cativado ela, é responsabilidade sua deixar ela ser feliz.

- Muito bem observado srta. Griffin. Alguém tem mais uma opinião.

Uma garota levanta a mão.

- Srta. Hartvens.

- A Katherine falou algo sobre cobranças com essa pessoa, acho que uma amizade ou um amor não deveria viver disso.

- Correto srta. Hartvens.

Christopher levanta a mão.

- Sr. Parkers? Estou vendo bastantes mentes funcionando.

- Victoria disse que uma amizade... ou amor, não deveria viver de cobranças. Mas depende.

- Depende de quê sr. Parker?

- Se a pessoa se importa com você.

- E está só te iludindo nisso. - opina Sean.

- Sean tem razão sr. Thompson. Acho que você está se referindo ao sentimento de irmandade com essa pessoa. Mais que um melhor amigo, e sim um irmão.

- Ou irmã... - sussurra Stephanie.

- E se a pessoa que você tanto confia, considera, se sente responsável por ter ela cativada, não quer magoar... te deixa? Ou te magoa. Ou... não quer ver você feliz. - diz Kath com a voz firme.

- Ai, srta. Griffin, vai depender de pessoa para pessoa. - diz o sr. Wright. - Pessoas protegem aqueles que amam.

- É como dizem... é loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou.

- Tem toda razão srta. Phillips.

A sala fica em silêncio. Ninguém opina em mais nada.

O sinal toca anunciando nossa próxima aula.

- Bom pessoal, quero que pesquisem uma das frases do livro, e me façam uma pequena redação sobre. Até a próxima aula.

O professor sai da sala acompanhado de alguns alunos.

- Qual sua aula agora? - pergunta Stephanie.

- Espanhol. E você?

- Inglês. Nos vemos no intervalo?

- Tudo bem.

Stephanie e Victoria sai juntas da sala.

Katherine sai logo em seguida. Sem olhar para mim.

Isso já é infantilidade. E muita.


(...)


- Tudo bem, vai mesmo falar com ela? - pergunto quando nos aproximamos do carro da tia de Victoria, Elisabeth.

- Katherine apesar dos pesares, é minha amiga. Eu só preciso de um tempo para processar tudo... e então conto a ela. - diz a ruiva, abrindo a porta do carro e se encostando na mesma.

- Ela não quer nem olhar na nossa cara. - diz Stephanie se referindo a nós duas.

- Bom... - ela respira fundo. - Até amanhã. - diz sorrindo e entra no carro.

- Até... - diz eu e Stephanie em uníssono, enquanto o carro se distancia.

- E que a sorte esteja conosco.

- Amém. - diz Stephanie olhando a loura abraçada com um cara, do outro lado do estacionamento.

Ele a beija por alguns segundos. Então ela abraça sua cintura, por ele ser um tanto maior que ela.

Ele abraça ela, fazendo um leve carinho no seu cabelo.

Então nos encara. E seu sorriso manipulador... desafiador... aparece.

Como se nos dissesse:

" Eu tenho controle de tudo. E todos"




      


Notas Finais


* Thanksgiving Day : Dia do Ação de Graças. Jantar com familiares, geralmente.


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