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História Me Chame de Anjo - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Donzela em apuros


Fanfic / Fanfiction Me Chame de Anjo - Capítulo 15 - Donzela em apuros

Saint Paul, Minnesota

Estou aqui novamente. Correndo entre a densa floresta. Nada faz sentido, como da outra vez: não sei para onde estou indo. Mas algumas coisas são familiares.

Ainda é como o outro sonho que tive. A mulher aparece diante de meus olhos. Paro bruscamente ao ver a mesma do meu outro sonho. A sensação de perseguição é horrível, mas esse rosto já é reconhecível.

- Fica longe de mim!

Seu rosto agora era diferente. Não bem o rosto, mas a expressão. 

- Calma Isabella, há dois lados da história e você terá de entender.

- Saia daqui. Eu não te conheço. Como sabe meu nome?

- Há de tomar cuidado com eles dois. 

 - Quem? Quem é você? Por que não me deixa em paz?

 - Eu estou tentando te salvar. - diz a mulher desconhecida por mim, tentando me acalmar. - Eu só digo uma coisa... Angeline.

Abro os olhos bruscamente. Como na vez que sonhara com a mesma mulher, se é que são a mesma pessoa.

Estou ofegante e suando frio. Esses sonhos tem de parar. Eu preciso descobrir o que é isso, mas não sei nem por onde começar.

Me levanto da cama e pego a toalha de banho.

Tudo ainda é nítido demais. Parece que sua voz ainda ecoa na minha cabeça. 

Entro no banheiro e ligo o chuveiro. Deixo a água esquentar.

- Acordou cedo hoje. - diz mamãe.

Ela pega algumas roupas sujas no banheiro, as que ficam no balde.

- É... estava sem sono. Não consegui dormir. - checo a temperatura da água. - Mãe, acho que a pressão da água está ruim. Não esquenta.

- Vá no banheiro do seu irmão. Ele já tomou banho. Tem treino mais cedo hoje.

- Tá legal. - desligo o chuveiro.

Pego a toalha e minhas roupas e saio do quarto. Poucas vezes entrei no quarto de Austin. É estranho.

Entro no quarto do meu irmão. O quarto era escuro, frio. Dificilmente entra luz dentro desse quarto, pelo que vejo. Era até arrumado, exceto por algumas roupas nos pés da cama de solteiro.

Caminho até o banheiro do quarto, porém, não consigo deixar de notar alguns papéis na escrivaninha. Estavam espalhados. Como que jogados. 

Sou levada pela curiosidade, e me aproximo da escrivaninha.

Havia de tudo. Desenhos, textos escritos e impressos, coisas até escritas pelo próprio Austin.

Pego um dos papéis com algo escrito.

- Você só pode estar brincando comigo... - sussurro com a mão na boca.

Austin estava desenvolvendo uma pesquisa completa, sobre lobisomens.

Havia coisas sobre linhagens, como um lobisomem se transforma em um, meios de matar eles. Entre outros.

E não acabava por aí!

Além de pesquisas sobre matilhas, e como funcionam, tinha desenhos feitos a mão, pelo meu próprio irmão.

Mapas, anotações dele… o que ele planeja com isso? Ah não...

Em um breve momento, ele terá de me explicar, o porquê de tudo isso.

(...)

- Tenham uma boa escola. - disse mamãe se despedindo de nós.

- Obrigada. - dissemos em uníssono. 

Mamãe fica parada na varanda de casa. 

Antes de entrar no carro, me viro e olho para a casa. A frente bem feita, havia algumas flores de acônito, a pintura creme que deixa a casa modernizada. Então, analiso mamãe. Seu sorriso cativante. 

Até que entre no carro, e ligue o mesmo, ela não sai da varanda. Então aceno, e começo a dirigir.

- Está quieta hoje. - diz Austin enquanto dirijo.

- Hoje é sexta-feira. Amanhã é sábado. Dia da festa. Tenho hoje somente. - explico para o menor.

- Há coisa a mais aí.

- Mais tarde falamos sobre.

- Tudo bem. - diz ele aflito. - Sobre o quê? O assunto...

- Coisas que achei no seu quarto. - eu disse encarando o menor. 

Ele parece ter entendido, porque virou a cabeça para a janela, e passou a mão no cabelo. Natural dele. Nervoso.

Estaciono na escola. Eu e Austin descemos do carro.

 - Tenha uma boa aula.

Não respondo. Está tentando comprar meu silêncio.

Ele suspira fundo, então, começa a caminhar até seus amigos.

O que me deixa preocupada com ele, é o fato de que ele está se afundando nisso. Não quero que ele corra perigo. Ainda que ele não me ouça.

Queria poder deixá-lo de fora de tudo isso, Katherine já está metida nisso até o pescoço.

- Bella!

Me viro na direção da voz, e retribuo o sorriso da garota dos olhos azuis.

- Viu a Vic? - pergunto quando me solto dos braços de Stephanie.

- Não. Ela vai falar com a Kath, né? Estou sabendo.

 - Pois é.

- O que aconteceu com você e Austin? Estavam estranhos. 

- Encontrei uns papéis na escrivaninha dele, hoje mais cedo.

 - É isso? - pergunta ela. - Não é drama demais, srta. Collins?

- Stephanie, não quero ele no meio disso! Pode não ser nada, mas… - eu disse com os braços cruzados. - Caramba, ele já anda colado com o perigo. Vai saber que tem algo maior que essa… pesquisa dele.

- E eu achando que ele só jogava videogame. - Balanço a cabeça negativamente.

Procuro Katherine, ou Alex pelo campus. Devem estar lá dentro.

O sinal da escola toca. Primeira aula. 

- Vamos entrar?

- Sim.

Subimos o pequeno lance de escadas. Como tínhamos armários um do lado do outro, Katherine não tinha como escapar de mim.

Entretanto ela não se dava o trabalho de olhar para mim.

- Não pode nos evitar para sempre.

- Se fossem menos protetoras. - disse a loura em tom sarcástico.

- Nós? Ah, claro! - Stephanie cruza os braços.

A loura se afasta sem mais. Afago levemente o ombro de Steph.

- Hoje a farsa acaba. - falo sorrindo fraco.

- Que Deus te ouça. - diz ela levantando as mãos aos céus.

Caminhamos pelo corredor até nossa primeira aula - que por acaso é espanhol. Mas não chegamos muito longe.

- Stephanie e Bella, preciso falar com vocês. - disse uma voz atrás de nós em tom de urgência.

Victoria Hartvens. Eu e Steph nos entreolhamos confusas, mas mesmo assim a seguimos. Entramos nós três em uma sala vazia.

- Preciso da ajuda de vocês. Uma das duas.

- Para?... - pergunta Stephanie curiosa. 

- Eu posso entrar na mente de vocês, e acessar a memória do dia que vocês foram na casa do Alex. Então eu posso mostrar para Katherine. - disse a ruiva. 

- Tudo bem. Mas alguém vai ter que ficar de olho lá fora. - eu disse com as mãos na cintura. 

Stephanie e eu nos olhamos, nos perguntando em silêncio, qual das duas iria dar acesso a nossas mentes.

- Stephanie fica lá fora.

- Tudo bem. - Ela sai e fecha a porta. O bom, é que ela pode apenas sussurrar, que eu irei ouvir. 

- Tá legal, pronta?

- Sim. - eu disse fazendo careta.

Victoria e eu damos as mãos, então ela fecha seus olhos. Repito o mesmo gesto.

É quase como o dia na minha casa. Só que era mais "interior".

- Veni ad me. - disse Victoria. - Ostende mihi.

Uma certa pressão começa, como se fosse uma dor leve de cabeça. A tontura que me atinge é forte. É preciso que eu apoie o peso do corpo num pé só, para não cair.

A leve pressão vai e vem. Certas vezes intensas, outrora não.

Após uns seis minutos, tudo passa. A tontura. A pressão na cabeça. Acabou.

- Você tá legal? - pergunta Victoria.

- Sim, foi só uma tontura leve.

- Sinal vermelho, Maya no corredor. - sussurra Stephanie do outro lado.

- Maya está aqui, vamos. - eu disse apressando a ruiva.

Ela pega sua bolsa, e eu faço o mesmo. Saímos da sala, e Stephanie nos segue.

Victoria vai para sua aula de cálculo, e eu e Steph vamos para a de espanhol.

Posso estar louca, mas juro que senti  o olhar de Maya sobre nós. 

(...)

- A gente precisa achar um jeito de tirar a Katherine, de perto do Alex. - diz Victoria comendo seu sanduíche. - É nossa única chance.

- Eu sei. Mas como? A Katherine acha que temos inveja dela porque ela conheceu alguém, mas a verdade é que ela apenas está sendo levada para uma armadilha. . eu disse passando as mãos no cabelo pela décima vez no dia. - Nem sabemos o que ele quer com uma sangue-de-anjo. 

- Eu só... não entendo a dele. Ele nos desafia. - diz Stephanie gesticulando. - Parece que está protegendo o sobrenatural dele, quem ele é… mas não quer que Katherine saiba. Para atacar provavelmente, mas e se existisse a possibilidade... de ele... É, esquece. É uma suposição.

- O que Stephanie? - pergunta Victoria.

- E se ele... estiver apaixonado por ela?

Eu e Victoria reviramos os olhos e demos risada.

- Eles são inimigos naturais. É um caso Bella e Edward da realidade real e moderna. - explico para os olhos azuis.

- Isso seria meramente impossível Steph. Bella tem razão. - disse Vic. - E se é isso que ele quer passar, melhor se esforçar mais.

- Sim, eu sei. Como disse, é uma suposição. - explica Steph.

- Tudo bem meninas? Posso me sentar? Obrigada.

Aparentemente do nada, Maya se senta do lado de Victoria, com seu mesmo sorriso da aula de Educação Física.

- Tudo bem Maya?

- Vou bem Isabella. - enfatiza o meu nome. - Obrigada por perguntar.

- Ótimo. - falo por fim.

- Viram Kath e Alex? Eles são tão fofos né? 

Claramente, ela está testando nossa sanidade. Porque, mais uma provocação, eu vôo no pescoço dela.

Mas é claro que isso é um teste conosco.

- É, são sim. - diz Victoria indiferente.

- Você não acha Stephanie? Isabella?

Stephanie apenas dá de ombros. Só pelo seu rosto, dá para ver que ela quer fugir o mais rápido possível dali.

- Você não respondeu Bella. - diz a morena amigavelmente.

Me endireito na mesa, colocando os braços sobre a mesma. Encaro os malditos olhos verdes.

- Não. - falo firme. - Não acho. Não me parece real.

- E o que te faz pensar isso? - diz ela sem se abalar, respondendo rápido.

- Não vou com a cara dele. - disse me referindo à Alex.

- Ok. Opiniões são livres, certo? - diz ela firmemente. - Mas que eles se gostam… isso eu não duvido.

Maya simplesmente se levanta, e sai andando.

- Eu poderia pegar aquelas florzinhas,  e enfiar garganta abaixo nela. - disse Stephanie irritada, se referindo as flores de acônito.

- Eu sei. Eu também. - diz Victoria.

O sinal para a próxima aula toca. Nós levantamos para irmos para a aula de Educação Física.

- Vão na frente, eu vou beber um pouco de água.

- Ok, não demora. Sabe como a sra. Clark é.

- Sim, eu sei. - dou uma risada nasal.

O bebedouro não ficava muito longe, era do lado da cantina. A água era gelada, e a sensibilidade no dente era grande. Mas a sede falava mais alto.

Como alguns fios de cabelo encostavam na água, usei uma mão para segurá-los.

É nesse momento, que sinto alguém agarrar meu cabelo, e me puxando para trás.

Maya Williams.

- Você se acha esperta demais Bella. Tá na hora de ouvir verdades meu anjo.

- O quê foi querida? A verdade dói? - pergunto tirando suas mãos do meu cabelo rapidamente. - Está se sentindo ameaçada? 

- Por você? - ela ri nasalmente. - Escuta aqui... Eu faço minhas regras. Eu não vou me rebaixar, ou me calar porque alguém se meteu onde não foi chamado. Você… deveria se sentir ameaçada.

Não precisei pensar muito para saber, que ela se referia ao dia em que vi seu irmão se transformar em lobo.

- Adivinhe? Eu também faço minhas regras. E também não me calo. Porque, Maya, só é eu fazer isso. - estalo os dedos. - Que eu conto a Katherine, que ela namora um lobo. 

- E não contou ainda por que? Está brincando com o fogo Collins. - ela agarra meu braço forte. - Acha que eu não sei? Se pensa que nós, os Williams, vamos nos calar porque você e sua mãezinha, fazem parte de um maldito conselho de fundadores, na qual nos perseguem...

- Do que você tá falando? - tiro meu braço da sua mão. - Minha mãe não faz parte disso.

Ela ri balançando a cabeça negativamente.

- Então a boneca achou que era da floricultura para casa, da casa para a floricultura? - ela ri novamente, dando leves batidas no meu rosto. - Pobre menina.

Simplesmente não consigo dizer nada. Minha mãe mentindo para mim? De novo? Não é possível.

- Isso só pode ser uma grande armação sua.

- Jura? Seja esperta querida. Estão distribuindo por aí flor de acônito como se fossem panfletos. Isso não vai nos parar. - diz ela se aproximando. Como cobra, para dar o bote. - Sobre Katherine... Bella... Faça o que quiser. Porque, como disse antes, eu faço minhas regras. Eu sou mais forte que você imagina. Mais que você. O que eu sou capaz…

Ela não sabe sobre mim. Stephanie ou Victoria. Espero que não. É o que parece.

- E para eu chegar no Christopher... e falar o que você é. É assim. - Maya estala os dedos na minha frente.

Não… não, não, não!

- Você não sabe nada sobre mim.

Ela me encara de cima abaixo. Ri nasalmente.

- Pobre menina.

E simplesmente sai andando.

(...)

- Isabella? Cadê você? Sorte sua a sra. Clark não ter sentido sua falta.

- Seguinte Stephanie: Maya sabe sobre nós. Ou sabe, ou suspeita. Precisamos agir e agora. Ela deve saber de algo e vai contar a Christopher. - explico rapidamente enquanto caminho pelos corredores do segundo andar, do terceiro prédio. Minhas mãos tremem.

- Mas ele não sabe nada sobre isso. Meu Deus do céu. Eu e Victoria vamos dar um jeito de dar o pé daqui. Você procura Katherine, e leva ela para um lugar seguro. Eu e Victoria te achamos lá.

- Tudo bem. Vamos logo com isso. - falo andando depressa. - Agora, pelo amor de todos os deuses existentes, sabe em que aula Katherine estaria agora?

- Pelos meus cálculos...  Ah, economia. Eu acho.

- Tá legal, vou estar na sala de hoje cedo. Outra coisa importante - respiro fundo antes de dizer. - Alex está aí?

A linha fica silenciosa. Posso ouvir meu coração bater rápido sem esforços maiores.

- Está, só ele. Christopher não está aqui, ainda bem.

A sensação de alívio é enorme.

- Obrigada Steph, agora saiam já daí.

- Ok, estamos a caminho.

Desligo o telefone. Os saltos baixos da minha bota, batem firmemente no chão. Quando viro em um corredor, onde possivelmente seria a aula de economia, ouço barulhos de saltos conjuntos com os meus. Paro bruscamente, atenta.

Estava certa, os barulhos eram realmente de saltos.

Meus olhos se fixam no final do corredor. Uma silhueta nem tão alta, aparece caminhando no final do corredor. 

Engulo em seco. Cravo as unhas na palma da mão. Sinto as pernas gelarem. De repente, começo a reconhecer.

Era uma garota. Ela era loira. Era Katherine Griffin.

- Graças a Deus.

Poderia chorar agora. O alívio enchia meu corpo. Saber que nem Maya, ou Alex estavam a rodeando, como se fosse um objeto de demonstração, um troféu, fazia eu acreditar que conseguiríamos mudar isso. 

Mas, antes, preciso tirar ela daqui.

- Isabella? O que tá fazendo aqui?

 - Depois eu explico, você precisa vir comigo, agora Katherine.

- O quê? Maya, o que está acontecendo?

Maya? Como assim Maya?

Me viro, e no mesmo instante vejo a maldita dos olhos verdes caminhando confiante em nossa direção.

- Vem, agora - digo. 

Corro como nunca com Katherine, agarrando sua mão. Mesmo sem entender, ela corre junto comigo. Ela tenta esconder, mas está evidente seu medo de Maya.

- Se lembra do que falei Kath? Ela não é sua amiga, ela tem inveja de você. Ela, e Stephanie, não quer ver você feliz. Vem comigo.

Então foi ela que colocou isso na cabeça dela? É claro, Katherine seria esperta demais para isso.

Katherine e Maya sustentam o olhar de ambas. É como se Maya estivesse a hipnotizando. Só com o olhar.

- Você não quer ir. No fundo sabe disso Kath. 

- Continua correndo Katherine, não a ouça.

Começamos a correr pelos corredores, na mesma intensidade.

Quando nos aproximamos da sala vazia de hoje cedo, um garoto que conheço de algum lugar aparece.

O tal Max. O que estava com Alex no dia em que ele se transformou.

Seus olhos tomam o mesmo tom dos de Victoria, quando vai reproduzir um feitiço. Intensos. Ele é um bruxo.

- Isabella cuidado. - grita Katherine.

A pressão na minha cabeça, tira minha sanidade. Tenho que me ajoelhar no chão para tentar respirar. É sufocante.

Sinto meu cérebro fritar. Grito. Mas não sou acudida.

Então, desmaio.

 A última coisa que ouço, é Katherine pedir socorro, e chamar meu nome



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