História Me dê a sua mão - Capítulo 1


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Categorias Haikyuu!!
Personagens Daichi Sawamura, Koushi Sugawara
Tags Adoção, Amor, Carinho, Daichi Family, Daisuga, Daisuga Family, Dia A Dia, Escola, Família, Fofura, Haikyuu, Homofobia, Racismo, Suga Family, Yaoi
Visualizações 119
Palavras 6.705
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Luta, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Contém cenas fortes de racismo e homofobia.

Legenda do capítulo:

tamagoyaki é um tipo de omelete japonês

Ittekimasu: Vou e volto/ Estou saindo

Itterasshai: Vá e volte/ volte logo

Oyasumi: Boa noite/durma bem.

Capítulo 1 - Não há razão pra chorar


O grande dia havia chegado. Dizer que estava nervoso era um grande eufemismo, ele não conseguiu dormir e passou a noite toda organizando o quarto do mais novo membro da família, sua ansiedade sendo palpável no sorriso que nunca sumia de seu rosto e nos olhares apaixonados que trocava com o marido. Entrar no carro e percorrer o caminho para o abrigo deixou seu estômago agitado.

Quantas vezes sonhou com aquele mesmo dia? Nos últimos dois anos, Sawamura Sugawara Koushi não pensou em nada além do seu mais novo filho. Foi uma grande decisão para ele e para Daichi, seu marido, aumentar a família e cuidar de outra vida. Eles precisaram de dois anos por puro preconceito, pra ser sincero. Daichi e ele jamais fizeram exigências como: “queremos um bebê branco”, ou até mesmo “criança de até dois anos”, haviam deixado claro que escolheriam por afeto e afinidade e portanto só precisavam ir ao abrigo, mas para um casal homossexual no Japão adotar leva anos, mesmo que o casal em questão tenha um bom histórico e as condições necessárias para se criar uma criança.

— São duas horas até o abrigo Lar da Esperança, Koushi. Durma um pouco, sim? — Daichi sugeriu vendo rapidamente de relance o estado animado do marido. Achou divertido, mas não comentou quando Koushi remexeu uma mão na outra, as bochechas coradas pelo frio, e sorriu ainda mais, quase não conseguindo conter sua alegria.

— Não posso Daichi, não consigo fechar os olhos nem por um segundo. — virou seu corpo para ter completa visão do rosto do companheiro. — Quer dizer, foram dois anos e finalmente poderemos adotar nosso menininho. Eu já nem aguentava mais ficar longe dele.

Sawamura sorriu sem desviar os olhos da estrada, entendia bem o que seu marido queria dizer já que sentia exatamente o mesmo, eles estavam esperando a chegada do pequeno garoto à dois anos e Koushi andava bastante tristonho achando que não conseguiriam adotá-lo.

— Eu sei, meu amor, mas ele não vai gostar de te ver com essas olheiras. — o outro homem disse brandamente e um olhar bobo e apaixonado tomou conta do rosto de Koushi. Sugawara Sawamura Daichi sempre foi assim; um rapaz gentil, firme, sincero e bondoso. Repousou sua mão esquerda na perna do marido, reconfortado com toda a atenção e compreensão que Daichi desprendia para si. O moreno ligou o som em uma altura ambiente e suave e Koushi olhou a paisagem pela janela, seus pensamentos voando longe.

Podia lembrar com perfeição quando decidiram que queriam ter uma filho, já havia uns dias em que a vontade de ter um ser pequenino bagunçando a casa preenchia o coração e mente do Koushi, por isso, quando Sawamura chegou do trabalho e ambos foram jantar, ele tocou no assunto.

— Daichi, eu acho que a casa está muito silenciosa ultimamente.

Por alguns minutos ambos ficaram em silêncio, apenas se encarando. Daichi estava com receio de ter interpretado de forma errônea as intenções por detrás das palavras do amante e Koushi, por sua vez, mal conseguia conter a ansiedade de saber a opinião do amado sobre uma decisão tão séria.

— Você quer dizer que precisamos de uma companhia pequena e barulhenta? — Daichi perguntou casualmente, testando a superfície do assunto, mas Daichi soube na mesma hora que suas deduções estavam corretas quando viu os olhos castanhos do outro homem se iluminarem, um sorriso cheio de dentes aparecendo em seu rosto e Koushi balançou a cabeça em afirmativa entusiasmada. Daichi sorriu fechado; porém não menos sincero ou entusiasmado.

— O que você acha? Podemos?

Daichi buscou a mão dele por cima da mesa e a apertou; os dedos entrelaçados.

— Eu acho perfeito, vamos dar entrada no processo amanhã mesmo.

Daichi sempre seria o melhor marido do mundo, disso Sugawara tinha absoluta certeza.

Entre um balançar e outro do carro, Sugawara dormiu, mas mais pareceu que ele apenas havia piscado por um pouco mais de tempo do que o normal e agora sua cabeça doía, seus olhos pesados com cansaço, mas toda a sua lentidão sumiu ao vê-lo. Abriu a porta do carro e andou apressado, pegando o pequeno corpo no colo, abraçando com saudade seu menininho.

— Papai, você veio me buscar? — a criança em seus braços perguntou e Koushi fechou os olhos tentando segurar as lágrimas. Apertou-o com delicadeza em seu abraço, sua mão segurando a cabeça de cachos macios.

— Claro que eu vim, Hikari. —  colocou-o no chão e se agachou para ficar na mesma altura que ele. — Afinal, foi o que seus papais prometeram, não é?

Hikari sorriu, a falta do dente da frente dando um charme a mais ao sorriso infantil. Daichi se abaixou abrindo os braços para um claro convite; este que Hikari aceitou de bom gosto e correu para os braços do seu outro pai.

— Estava com saudades, papai Daichi.

Daichi então o levantou, Hikari apoiando as pernas ao redor da sua cintura em busca de equilíbrio e, para firmá-lo, Daichi passou o braço por debaixo das suas coxas.

— Nós também estávamos, Hikari-chan. — o moreno respondeu com carinho.

Os bracinhos pequenos circularam o pescoço do homem mais alto e Hikari o abraçou com força, Daichi passou o nariz pelo cabelo encaracolado, sentindo o cheirinho dele, seu coração pulsando com todo o amor que um pai poderia ter por um filho.

— Senhores Sawamura, preciso que preencham os papéis da adoção. — disse Naomi, a diretora do orfanato, interrompendo a interação entre eles.

Daichi colocou Hikari no chão e disse: — Eu e o papai vamos resolver isso e você, garotinho, vai pegar as suas coisas, ok?

— Sim, papai Daichi. — Hikari concordou em um aceno enérgico. O garoto então saiu correndo porta a dentro e Sugawara trocou um olhar cúmplice com Daichi, ambos seguindo a diretora.

— Ele estava bastante ansioso para a vinda de vocês. — comentou Naomi, apontando para os papéis em cima da mesa de madeira. Daichi foi o primeiro a assinar, lendo tudo o que estava escrito na documentação. — O que me deixa receosa... — a mulher olhou no fundo dos olhos de Suga. — ...Há alguma possibilidade de que vocês venham a desistir da adoção?

Koushi ficou chocado por ela sequer cogitar algo assim, porém compreendeu a importância do questionamento e o alerta por detrás das falas da senhora. Adotar uma criança, dar falsas esperanças pra ela e depois voltar a abandoná-la era imperdoável de tantas maneiras que só de pensar em algo desse tipo já deixava Sugawara enjoado. Claro, supor que eles eram capazes de algo assim era o dever dela já que Naomi devia testemunhar várias vezes as pessoas consideradas “boazinhas” abandonando crianças depois que as adotavam. E somente por este motivo que Koushi não guardou ressentimentos ou levou a dúvida para o lado pessoal.

— Eu mal pude esperar para vê-lo, na verdade. — respondeu sincero, — Ter ele conosco é um sonho sendo realizado, Hikari é nosso filho, ele é uma parte nossa.

Com isso, Naomi pareceu satisfeita, foram então interrompidos quando bateram na porta e após um “entre” de Naomi, uma das senhoras responsáveis por cuidar das crianças abriu a porta e entrou na sala com Hikari ao seu lado. Koushi terminou de assinar os papéis e se virou vendo Hikari já nos braços de Daichi. Seu olhar caiu carinhoso sob seus dois amores, eles esperaram tanto tempo para ter seu garotinho em seus braços.

— Uma vez por mês a assistente social Hana Sayumi fará uma visita à vocês. — Naomi avisou, recolhendo os papéis. — É um procedimento padrão, nada com que se preocupar.

— Não vejo problema. — Daichi concordou.

— Então meus parabéns família Sawamura, vocês tem um novo filho.

Daichi e Koushi olharam da velha senhora para o animado garoto; que abraçava o pescoço de Daichi, exibindo um sorriso banguela.

— Obrigado. — responderam em uníssono.

Ao saírem do abrigo, Koushi abriu a porta de trás do motorista e Daichi colocou Hikari na cadeirinha, o assento indicado para a idade de até sete anos. Com o filho em segurança no banco de trás, Daichi deu a volta no carro, entrando e pegando a estrada para voltar para casa. Koushi acariciou de leve a perna dele antes de encostar a cabeça no apoio do banco e fechar os olhos. Não demorou dez minutos até ele e Hikari estarem dormindo.

Daichi seguiu dirigindo, relaxado pela música baixa e agradável que tocava e aliviado por ter sua família completa. Ele não esperava encontrar o seu filho no primeiro dia de visitas, ele e Koushi estavam ansiosos ao pisar no abrigo Lar da Esperança e a primeira criança que viram foi ele, Hikari, um garoto negro com cabelo cacheado, olhos castanhos chocolate e era pequeno demais para a idade – possuía cinco anos quando se conheceram, mas o seu tamanho lembrava uma criança de três. A timidez do garoto fez com que ele fugisse assim que Daichi e Koushi tentaram falar com ele e, mesmo conhecendo crianças de todos os tipos durante a visita, Koushi se negou a interagir com elas, buscando encontrar o pequeno garoto. Somente dois meses depois, depois de visitarem o abrigo todos os domingos, foi que Hikari deixou com que chegassem perto dele. Não foi surpresa saber que o menino era excluído dos demais e que nenhuma família queria ficar com ele, as outras crianças iriam constantemente implicar com ele por ser negro e franzino, ao saberem disso Daichi pode ver escrito nos olhos do seu companheiro que era com Hikari que iriam ficar. Eles deram entrada ao processo e continuaram visitando o menino.

E apesar do comportamento inicial de Hikari, o garoto se mostrou muito amoroso e carente, ele não falava muito bem e, por incrível que pareça, somente Daichi e Koushi entendiam perfeitamente o que ele queria dizer, Hikari sofria muito preconceito na sua escola então logo Koushi correu atrás e conseguiu transferi-lo para a escola em que ele trabalhava, não demorou para que vissem o quão inteligente era Hikari e o empenho que demonstrava nos estudos, mesmo que ainda estivesse no ensino básico e orgulho era a única palavra que definia os sentimentos de Daichi sobre seu filho.

Chegando no bairro residencial em que moravam, Daichi dirigiu o carro até a sua casa, parando na frente da garagem ele apertou o controle remoto e guardou o veículo, desligando o motor e se virando para acordar o marido.

 — Já chegamos, papai?

Daichi virou o rosto, sorrindo para Hikari.

— Sim, filho. Essa é a sua nova casa. — respondeu.

Hikari mexeu as pernas animado, quase pulando no banco e Daichi acariciou o rosto de Sugawara, seus olhos passeando no semblante calmo do marido, ele encostou a testa na do outro homem enquanto seus dedos brincavam com as mechas prateados do seu cabelo.

— Chegamos, amor.

Os olhos do seu marido abriram lentamente e Koushi sorriu sonolentamente, ele esfregou seu rosto contra o do marido em um gesto carinhoso antes de Daichi se afastar descendo do carro. Ele abriu a porta de trás e tirou o cinto de Hikari, dando passagem para o garoto pular alegremente para fora do automóvel. Koushi riu também descendo e chamando o filho, estendendo sua mão para Hikari segurar e ambos entrarem na nova casa do pequeno garoto.

Fascinado, Hikari andou pela sala olhando ao redor, para ele tudo aquilo era novidade; o sofá de canto, a enorme televisão pregada na parede, as poltronas no canto oposto do sofá, os aparadores com fotos. Curioso, ele seguiu para o pequeno corredor vendo três portas diferentes, todas elas abertas; a primeira porta era de um enorme quarto com uma cama tão grande que Hikari ficou estupefato, ele não sabia ser possível existir algo daquele tamanho; na segunda porta havia um banheiro com banheira! Parecia com aqueles filmes que ele e as outras crianças assistiam no dia de cinema e Hikari ficou encantado com o tamanho dela; já na terceira porta Hikari parou sem conseguir entrar. Era um quarto com paredes pintadas de azul e roxo, uma cama em forma de carro, brinquedos, um tapete verde e um guarda roupas enorme.

— Gostou do seu quarto, Hikari-chan? — Koushi perguntou, parando atrás do seu filho e sorrindo ao ver o quarto que ele e Daichi haviam feito especialmente para o garoto, mas o contentamento no rosto de Koushi esmoreceu quando Hikari se virou e mostrou um rosto coberto por lágrimas. Ele rapidamente o pegou no colo, preocupado com o que fez a criança chorar e sentiu Daichi o abraçou pelos ombros, acariciando sem pressa os cabelos do filho.

— Por que está chorando, filho?

Hikari fungou enquanto suas mãozinhas tentavam secar as lágrimas e ele se esforçava para engolir os soluços, ambos os pais esperaram pacientemente que o choro compulsivo cessasse e assim ele conseguisse explicar o motivo do pranto.

Sentaram em cima do tapete felpudo, Hikari entre as pernas de Daichi.

— Eu estou tão feliz, papais. — falou entre os soluços. — Eu nunca tive nada só pra mim e vocês me deram esse tantão de coisas.

Daichi olhou surpreso para Koushi, recebendo um olhar emocionado em troca, os dois tocados pela confissão do seu filho. Daichi levantou o rostinho infantil e lhe abriu um enorme sorriso enquanto Koushi tentava esconder as lágrimas que teimaram em cair pelo seu rosto.

— Você vai ter tudo, Hikari. Nosso filho é o melhor e vai ser muito presenteado. — Daichi prometeu, sua voz firme com a certeza do que dizia. Suas palavras fizeram Hikari voltar a abrir o berreiro, chorando ainda mais que antes e Daichi o escondeu em seus braços, seu garoto era precioso demais para aquele mundo. Koushi, chorando tanto quanto o filho, se jogou nos braços do marido também.

Daichi sorriu ainda mais feliz, o coração aquecido pelas suas pedras preciosas, os amores da sua vida.



*************

— Vamos lá garotão, hora de colocar o pijama e escovar os dentes para dormir, amanhã você tem aula cedo.

Sugawara riu quando o pequeno Hikari resmungou em seus braços e Daichi cruzou os braços, mas deixou uma risadinha escapa, já eram nove horas da noite e Hikari curvava de sono, mas ele se recusava a dormir — a verdade é que ele estava com medo de tudo ser um sonho e, quando acordasse, ainda estaria no abrigo.

— Tem que obedecer o que o papai — Daichi disse — Hikari, seja um bom garoto, ok?

Coçando o olho direito, Hikari pareceu que iria chorar e em um primeiro momento Sugawara ficou surpreso com a reação, mas logo sorriu e fez um carinho na cabeça do filho.

— Nós sabemos que você quer ficar mais com a gente, mas temos que respeitar as regras da casa.

— Sim, afinal você é o nosso garotão, não é, Hikari?

Dessa vez ele concordou feliz e foi cambaleando para o banheiro. Puxou um pequeno banquinho de apoio e subiu nele, buscou sua escova azul – sua cor preferida — e colocou a pasta de morango. Koushi o seguiu e também escovou os dentes, seu ato servindo para encorajar o filho e assim também poder observar para saber se Hikari estava escovando certo. Depois que terminaram, Hikari mostrou os dentes brancos e tortos e Daichi riu, o elogiou dizendo que ele estava escovando certinho e Hikari ficou bem mais entusiasmado com a ideia de dormir depois disso. Koushi o ajudou a vestir o pijama de ursinho porque mesmo que Hikari conseguisse colocar sem dificuldade a blusa de manga longa, a calça longa se provou uma verdadeira batalha e Hikari perdeu feio.

— Você pode me contar uma historinha, papai?

Koushi sorriu e concordou, ele abriu o guarda-roupas e pegou um livrinho infantil, se sentando no tapete. Daichi apagou as luzes do quarto, deixando apenas a do abajur para facilitar a leitura do companheiro.

Com uma voz baixa e doce, Sugawara passou a contar um conto sobre um bravo guerreiro que precisava salvar a princesa da torre em que estava presa, a torre que era guardada por um temível dragão e a cada palavra sussurrada, os olhos cor de chocolate de Hikari piscavam cada vez mais sonolentos até que, minutos depois, ele ressonava baixinho, totalmente submerso nos puros sonhos que somente crianças tinham.

— E então eles viveram felizes para sempre — Koushi murmurou, fechando o livro e observando com carinho Hikari dormindo.

— Venha Suga, vamos deixá-lo dormir.

Ambos levantaram do tapete e Koushi puxou o cobertor, cobrindo Hikari até o pescoço, ele acariciou sua bochecha gordinha com as pontas dos dedos e beijou seu rosto com carinho. Daichi o abraçou pelos ombros quando se afastou do seu filho adormecido.

— Durma bem, garotão. — sussurrou, desligando o abajur e saindo do quarto em seguida.

Os dois homens seguiram para o quarto ao lado, Daichi deixou a porta aberta no caso de Hikari estranhar a casa e ficar com medo enquanto Koushi trocou de roupa, seus pensamentos focados na sua nova vida. Assim que terminaram de se aprontar, Daichi puxou Koushi para deitarem na cama, abraçando a sua cintura, seu peito encostado nas costas de Suga.

— Parece um sonho tê-lo aqui. — Koushi disse silenciosamente aproveitando a presença sólida do marido.

— Eu sei — Daichi murmurou, seu nariz encostado nos fios claros sedosos do outro homem.

— Eu fico com medo de não conseguir cuidar bem dele.

A confissão não foi surpresa, Daichi conhecia bem seu amante e podia ver seus temores no olhar dele, o homem mais alto o abraçou com mais força, passando confiança com o gesto de companheirismo.

— Nós vamos ficar bem, — afirmou. — O importante é amá-lo, o resto aprendemos com o tempo.

Koushi se aconchegou mais contra o marido, fechando os olhos, se sentindo mais calmo.

No dia seguinte, ele levantou alegre e se apressou a trocar de roupa em seguida acordou Hikari e o fez escovar os dentes, separando o seu uniforme e o avisando para se vestir antes de descer para fazer o café.

Cantarolando uma música infantil, Koushi pegou o bolinho para colocar na lancheira de Hikari, o bento também já estava pronto em cima da mesa e ficou satisfeito com a riqueza de alimentos que seu filho teria para comer durante o dia.

— Dia, papai. — Hikari o cumprimentou entrando na cozinha, já mais acordado.

Koushi se virou para o filho, agachando para abraçá-lo.

— Dia, Hikari-chan.

Hikari soltou uma risadinha feliz, sentado na mesa para tomar o café da manhã e Koushi colocou a vasilha com uma porção de arroz cozido e tamagoyaki na frente do filho e se sentou ao seu lado, minutos depois Daichi apareceu, já vestido com seu terno para trabalhar e a família tomou seu desjejum em harmonia. O primeiro a sair foi Daichi que se despediu com um beijo no rosto de Hikari e um selinho no marido.

— Ittekimasu, — murmurou para o parceiro, beijando de leve o pescoço sensível.

Eles trocaram um olhar apaixonado antes de Daichi responder com carinho, — Itterasshai.

Hikari olhou a interação com curiosidade e resolveu imitar o pai.

— Itteras... — ele começou a dizer, mas parou em dúvida, se sentindo envergonhado sem saber como era a pronúncia certa.

— É i-tte-ra-sshai, — Koushi ensinou pacientemente — Repete com o papai.

— I-tte-ra-sshai, — o garoto falou devagar e com dificuldade.

Daichi acariciou o rosto do filho, sorrindo com orgulho e Koushi cutucou suas costelas de leve, provocando cosquinhas em Hikari.

— Você conseguiu — Koushi comemorou e Hikari gargalhou por conta das cosquinhas, balançando a cabeça feliz.

— I-tte-ra-sshai, papai Daichi.

— Obrigado, Hikari-chan.

O pequeno garoto acenou satisfeito e contente por ter conseguido, era muito bom ter papais que lhe ensinavam tudo o que não sabia ou o que não conseguia fazer direito sem ficarem bravos ou fazerem piadas maldosas.

Koushi olhou seu garoto com ainda mais encanto, sem saber o quanto ele poderia ser amoroso.

— Vamos rapazinho, senão você vai se atrasar para a escola então vá e pegue sua mochila para sairmos, Hikari-chan. — Suga disse.
Contente, Hikari balançou a cabeça, seus olhos brilhando com um sorriso banguela e aberto no rosto.



***********

Daichi estranhou quando chegou em casa e a encontrou em completo silêncio, ele começou a ficar preocupado e procurou pelo marido e filho com medo de que alguma coisa houvesse acontecido, visto que Koushi já deveria ter saído do colégio com Hikari, mas ficou aliviado ao vê-los dormindo na enorme cama de casal. Sem fazer barulho, Daichi retirou seu paletó e a gravata, se livrou dos sapatos sociais e desabotoou os punhos, se despindo do resto das suas roupas no banheiro compartilhado do quarto e tomando um rápido banho, ele vestiu então uma roupa folgada e se deitou ao lado de Suga, abraçando a cintura do outro homem e apoiando sua mão na do filho.

O primeiro a acordar da soneca improvisada foi Koushi, que saiu de fininho para preparar o jantar — normalmente Daichi o faria, mas como ele aparentava cansaço acima do comum, Suga preferiu cozinhar ele mesmo.
Como de costume, Koushi cantarolou enquanto separava os ingredientes para cozinhar o jantar, era uma mania que adquiriu ao longo dos anos e sempre o deixava de bom humor. Estava tão concentrado que mal notou Hikari entrar na cozinha.

— O que está fazendo, papai? — perguntou sonolento.

Suga se virou e olhou para o filho, dando um sorriso. — Estou fazendo o jantar, Hikari-chan.

Hikari coçou os olhos e bocejou, olhando ao redor, ele teve uma ideia e subiu correndo em direção aos quartos retornando segundos depois com uma folha e lápis de desenhar, ele subiu na cadeira e sentou na mesa, fazendo uma companhia silenciosa para o pai que cozinhava. Quando a última panela foi desligada, Koushi olhou para o relógio grande na cozinha que marcava sete e meia da noite, ele deveria acordar Daichi ou caso contrário seria difícil dormir mais tarde.

— Hikari-chan, poderia acordar o papai pra mim? Diga para ele que o jantar já está pronto.

Hikari acenou em concordância antes de descer da cadeira. Andou apressado até o quarto dos pais e subiu na cama, se deitando em cima de Daichi.

— Papai — chamou, cutucando a bochecha dele. — o papai Koushi disse que tá na hora de jantar.

O braço forte de Daichi circulou o corpo pequeno e o apertou enquanto esfregava o restolho ralo em seu rosto com a mão livre, já estava sem fazer a barba há um bom tempo. Com diversão sonolenta, Daichi esfregou o rosto contra o pescoço de Hikari e o seu filho logo soltou uma risadinha, se contorcendo e tentando fugir do abraço.

— Para, papai! Faz cócegas!

— Eu sei, garotão. — Daichi respondeu, rindo e deu um beijo estalado na bochecha gordinha, se sentando na cama e, vendo a chance fugir, Hikari saiu de cima dele e correu porta afora. Daichi então se espreguiçou antes de seguir o seu filho com um sorriso nos lábios.

Eles comeram o jantar em alegria, escutando um Hikari animado pelo dia que teve na escola e quando terminaram os três se juntaram para lavar a louça; Daichi lavando e enxaguando, Hikari secando e Koushi guardando — Hikari havia insistido em pegar o banquinho que usava para escovar os dentes e seus pais não tiveram opção além de deixá-lo ajudar, supervisionando bem para que ele não se machucasse. Terminada a tarefa, a família seguiu para a sala de estar, um desenho animado foi colocado e Hikari parecia gente grande; quieto, principalmente focado e apenas rindo de uma cena engraçada ou exclamando surpreso quando alguma coisa surpreendente acontecia. Suga era só sorrisos observando o filho e Daichi mal podia aguentar o sentimento avassalador que tomava conta do seu peito. Ser pai era aquilo? Ter o coração fora do corpo batendo no peito de outra pessoa? Ser capaz de desistir de qualquer coisa apenas para fazer e ser o melhor para o filho? O sentimento quente e intenso que tomava sua mente e seus sonhos tinha nome, tamanho e um sorriso banguela.
Hikari era sem dúvida o ser mais precioso que Daichi teve o prazer de conhecer. Koushi olhou para o marido e ambos trocaram um olhar apaixonado, não era preciso dizer mais nada, eles sabiam o que se passava na mente um do outro, afinal os dois eram pais de uma criança muito especial.
Os dias que se passaram eram basicamente imperceptíveis. Daichi e Koushi aproveitavam cada minuto com o filho, aprendendo devagar como serem pais e guardando cada momento especial na memória – e nas fotos que estavam sempre tirando; principalmente de Hikari e seus sorrisos. O tempo passou voando, como era de costume quando você se diverte, se entretém e vive, Hikari agora estava fazendo oito anos e Koushi resolveu fazer a sua festa com o tema de super-heróis.

Havia sido uma festa pequena nos fundos da casa deles, convidaram apenas os amigos íntimos e a família de ambos, algumas crianças colegas de Hikari também foram convidadas, mas nenhuma apareceu. Foi naquele momento que a situação especial da família deles começou a pesar.

Depois da festa de Hikari, ele não estava mais tão sorridente e parecia ainda mais recluso do que nos dias em que Koushi tentou se aproximar durantes as visitas ao orfanato. Por mais que Daichi e ele tentassem descobrir o que ocorria, Hikari nunca dizia algo sobre sua mudança súbita de comportamento. Esse silêncio deixou Koushi ainda mais preocupado e ele mal conseguia dormir a noite, então decidiu passar na sala de aula do filho em busca de respostas, ele queria perguntar o que aconteceu para que seu menino agisse tão introvertido, mas a professora da classe de Hikari desconversou, dizendo que continuava tudo a mesma coisa e que não tinha nada errado acontecendo com ele, ainda assim, alguma coisa dizia para Koushi que ela havia mentido e, com o coração apertado, ele soube que tinha algo muito ruim acontecendo com o seu pequenino. Como orientador pedagógico, Sugawara decidiu que observaria o comportamento das outras crianças e, como ele previu, seu instinto desenvolvido pela sua nova paternidade não havia mentido; não demorou dois dias até que Koushi testemunhasse a zombaria e implicância que as outras crianças faziam com Hikari.

Furioso, Koushi pediu uma reunião de urgência com a professora Mahina que declarou não ter visto nada daquilo acontecendo, porém Suga sabia que era mentira porque ele a viu notando as crianças intimidando seu filho e desviando o olhar, fingindo não ver o que estava acontecendo. Por conta disso, Mahina foi afastada do cargo e os pais das crianças envolvidas foram chamados na escola. Koushi não ficou surpreso com os olhares de nojo que recebeu e nem com o sarcasmo e maldade com o qual eles se referiam a si e sua relação homoafetiva.
Sempre soube que sofreria preconceito quando escolheu se casar com Daichi, mas ele nunca quis que algo assim atingisse seu filho.
Mesmo depois da conversa que tiveram, as crianças não pararam e, quando Koushi as questionou, uma resposta simples e maldosa foi o que recebeu:

— Esse macaco viado merece apanhar pra virar homem.

Koushi não soube como reagir a esse comentário feito por uma criança de nove anos.

Depois de contar uma historinha para Hikari dormir, Suga passou a noite toda chorando nos braços de Daichi.

— Eles chamaram meu filho de macaco, Daichi. — resmungou soluçando. — Meu bebê, meu garotinho!

Sawamura abraçou o companheiro com mais força, acariciando os seus cabelos prateados e o consolando da melhor forma que podia.

— Vamos mudar o Hikari de escola. — Daichi sugeriu. — Vamos procurar uma escola que tenha estruturas para cuidar dele.

Koushi assentiu e se agarrou mais ao marido, seu peito estraçalhado por ver o sofrimento que seu menino estava passando e não podendo fazer muito para ajudá-lo.

Na manhã seguinte, Koushi sentou de pernas cruzadas no tapete do quarto de Hikari, seu filho na sua frente, o semblante antes alegre da criança estava triste e Hikari não olhava o pai nos olhos.

— Preciso que converse comigo, Hikari. — Suga começou com a voz calma. — O que está acontecendo na sua escola?

Hikari continuou em silêncio e Koushi tentou muito não voltar a chorar, como podia existir no mundo pais tão cruéis? Ensinando crianças puras a praticar bullying com outra criança menor e mais frágil que eles e ainda por cima contaminando os filhos com racismo e preconceito. Koushi jamais entenderia a alma venenosa que o ser humano poderia ter.

— Papai viu as crianças implicando com você, — ele confessou e assim que as palavras saíram da sua boca, Hikari soltou um soluço e chorou compulsivamente.

Koushi engoliu três vezes tentando desesperadamente não chorar junto com o filho, permitindo a criança extravasar a dor em suas lágrimas, esperando pacientemente até que o choro acalmasse.

— V-você também me o-odeia, papai?

A pergunta feita entre soluços deixou Suga em choque. Não. Não, não, não, não, não. Não era possível que seja por aquilo – por achar que seus pais o odiavam, que Hikari vinha se comportando estranho. A realidade da questão foi como um tapa bem dado na sua cara, durante todos aqueles dias em que buscou descobrir o que andava acontecendo com o filho, Koushi nunca cogitou que o verdadeiro motivo de Hikari estar tão triste fosse uma duvida implantada na sua cabeça sobre o amor que ele e Daichi sentiam, em algum momento alguma criança deve ter dito algo que criou a dúvida do amor que ambos sentiam por Hikari. Sempre pensou que fosse por estar sozinho na escola e estar sendo intimidado e tomar ciência disso deixou Koushi com tanta raiva que ele sentiu como se pudesse cuspir fogo.

— De onde você tirou isso, Hikari-chan? — perguntou tentando se manter calmo. — Eu e o papai Daichi amamos você mais do que tudo. Você é o nosso filho.

Hikari negou tentando limpar as lágrimas com as mãozinhas gordas.

— Mas você e o papai são brancos e eu pareço um macaco.

Escutar aquilo foi o pingo d'água. Respirando fundo, Koushi tirou as pequenas mãos do caminho e limpou o rosto do filho, ele chegou bem pertinho, olhando nos olhos cor de chocolate com seriedade e sorriu.

— Não me importa a sua cor, Hikari. Seja branco ou negro, alto ou baixo, menino ou menina, você é o nosso filho e nós te amamos. Nunca deixe que ninguém diga o contrário.

Hikari assentiu e abraçou o pai parecendo muito aliviado, Koushi quase sentiu a raiva ferver novamente só de pensar que em todo aquele tempo seu garotinho só estava com medo que eles não o amasse. Depois de um abraço bem apertado, Koushi encostou a testa na do filho, sentindo o calor dele mais um pouquinho, mas então Hikari perguntou:

— O que é viado, papai?

Koushi fechou os olhos com mais força. Ele é só uma criança e era tão injusto que apenas com oito anos Hikari já precisasse lidar com o preconceito apenas porque as pessoas não conseguiam aceitar as diferenças.

— Viado é uma palavra feia. — explicou com a garganta apertada.

— Mas é assim que chamam você e o papai.

Segurou o rosto gordinho com ambas as mãos, olhando bem nos olhos puros do seu filho.

— Eu e o papai somos um casal incomum e muita gente não gosta desse tipo de relação, mas você não deve deixar de amar ninguém só porque os outros julgam errado. — Koushi disse, acariciando a bochecha redonda com o dedão. — Sempre que algo assim acontecer você deve falar comigo e com o papai Daichi, entendeu?

Hikari acenou e pulou no seu colo e naquele dia Koushi deu muito amor e atenção para o filho, sendo acompanhado por Daichi quando o marido chegou do trabalho. Ele revezaram para contar uma historinha de dormir e Hikari deu boa noite para os dois antes de fechar os olhos, o sorriso banguela voltando ao rostinho dele.
Assim que teve certeza que Hikari estava dormindo, Koushi contou para Daichi o porquê de Hikari andar tão triste, o homem mais alto ficou furioso e, no dia seguinte, ele mesmo pegou a transferência de escola do filho enquanto Koushi cuidava da criança em casa.



******************

— Vamos Hikari-chan, não precisa ficar com vergonha.

Ir para uma nova escola parecia uma boa ideia, isto é, até que eles realmente fossem para essa nova escola. Entrar em um lugar desconhecido era amedrontador para Hikari, mesmo que seus pais estivessem com ele. Daichi e Suga estavam na entrada da escola tentando convencer o garoto a, pelo menos, passar pelos portões, porém ele não parecia confortável em um ambiente estranho. Isso, é claro, era culpa do tratamento que ele recebeu na última escola, mas dessa vez, no entanto, Hikari não precisava se preocupar, pois várias crianças viviam como ele; em uma família diferente e com condições diferentes. Ainda assim, como a criança ansiosa que ele era, Hikari não entendia essa diferença e tudo o que ele esperava era viver a mesma coisa que passou nos últimos meses.
— Hikari — Daichi chamou e Hikari se virou para o pai temendo o encontrar bravo, mas Daichi apenas sorria, parecendo bastante tranquilo. — Estamos com você, não precisa ter medo. E o papai Koushi vai estar na escola o tempo todo, então se alguma coisa acontecer, você pode chamá-lo.

Suga havia pedido transferência e agora iria trabalhar como orientador naquela escola, no mesmo lugar em que o filho começaria a estudar. Ele não queria imaginar o que aconteceria com Hikari se não estivesse lá para descobrir o que faziam com ele, só o pensamento o deixando ansioso, então decidiu ficar por perto para cuidar dele pessoalmente.

Hikari voltou seus olhinhos para a enorme estrutura e engoliu em seco, respirando fundo, ele pareceu se munir de coragem antes de entrar na escola. Daichi e Suga trocaram um olhar cúmplice, sorrindo orgulhosos com o filho corajoso. Eles seguiram seu filho pelos corredores da escola, ficando mais tranquilos quando, assim que Hikari entrou na sala de aula, várias crianças se aproximaram e a possibilidade de Hikari se enturmar na sua classe pareceu real, a diferença de tratamento era enorme e pesava no coração aliviado dos papais de primeira viagem.

— Não precisam se preocupar, papais. — a professora da classe de seu filho, Hyuuga Akemi, assegurou com um gentil sorriso. — Irei cuidar do Hikari-kun com todo carinho e atenção.

Daichi acenou, sabendo que não havia nada a temer, ele havia conversado com Akemi quando visitou a escola, ela é casada com uma mulher transexual e adotou uma garotinha há alguns anos, portanto ela entendia perfeitamente a condição especial de sua família. E não era só ela, muitas crianças ali vinham de famílias diferentes e também detinham aparências diferentes então Hikari não se sentiria deslocado. Eles então assistiram um pouco da aula apenas para assegurar que seu filho ficaria bem — foi bom perceber o quanto as outras crianças gostavam dele. Após isso, Daichi se despediu do filho e do marido.

A manhã passou rapidamente e Hikari estava tão animado quando voltaram para casa que ele caiu duas vezes; na hora de entrar no carro e na hora de sair dele. Koushi ficou preocupado, mas, depois de ver que ele estava bem, soltou uma risadinha com a empolgação do filho.

— Você precisa se acalmar, Hikari-chan.

Riu ao lembrar que vivia dizendo a mesma coisa ao seu antigo kouhai, Hinata. Pensando bem, Hikari parecia bastante com ele e Koushi fez uma anotação mental de o convidar para conhecer seu filho e também seria bom vê-lo depois de tanto tempo, as últimas vezes que se encontraram foi no seu casamento e no casamento de Hinata com Kageyama. Quem imaginaria que um clube de vôlei renderia tanto? Agora ele e Kageyama continuavam jogando na faculdade e logo mais seriam profissionais. Ah, aqueles foram bons tempos.

— Onde está meu garotão? — Daichi falou alto assim que entrou em casa.
Segundos depois um furacão surge no meio da sala na forma de um Hikari pulando no colo do seu pai.

— Eu fiz um desenho pra vocês, papais! — anunciou com alegria.

Koushi largou os vegetais que estava cortando e foi para a sala, todos os três sentando no sofá. Hikari mostrou o seu desenho orgulhosamente; no papel ele estava no meio com Koushi ao seu lado direito e Daichi ao esquerdo, havia também um bichinho peludo perto deles, a casa no fundo e o carro no lado da casa.

— Está muito bonito, meu amor. — Suga elogiou e então apontou para a bola de pelos, uma sobrancelha levantada em questionamento. — Mas quem é esse?

Hikari estava praticamente pulando no sofá tamanha era a sua agitação.

— Esse é o Shiro, o bebê cachorro! A gente o encontrou no fundo da escola, perto da quadra. A Akemi-sensei disse que, se os senhores deixassem, eu poderia ficar com ele. — Hikari explicou e Koushi piscou surpreso , olhando para Daichi que parecia tão sem palavras quanto ele. Ele voltou a olhar para o filho e abriu a boca para dizer que precisavam pensar bem sobre aquela decisão, mas Hikari foi mais rápido.

— Ele estava jogado e muito machucado, pelo o que a sensei disse, ele deveria estar passando fome também. — eles ficaram em silêncio por um tempo e Hikari continuou olhando para o cachorrinho desenhado no papel. — Sabe, papais, o Shiro me lembrou de quando eu vivia sozinho antes de vocês cuidarem de mim então eu pensei que, assim como vocês fizeram comigo, a gente podia cuidar dele.

Diante daquela confissão eles não precisavam conversar porque não havia outra resposta além de:

— Claro. Nós vamos cuidar dele. — Koushi responder emocionado.

— Sim, Hikari-chan, ele faz parte da nossa família agora. — Daichi complementou e os abraçou, o peito apertado tamanho o amor que sentia.

Os três jantaram felizes e Hikari contou os seus planos para o futuro, todos eles se resumiam a dar banho no Shiro; dar comida ao Shiro e brincar muito com o Shiro. Koushi ouviu com atenção, satisfeito de ver seu filho tão animado e Daichi explicou vez ou outra como ele deveria cuidar do pequeno cachorrinho. Antes de dormir, Hikari agradeceu os pais por deixar que ele ficasse com Shiro. Koushi mordeu os lábios sem saber como conter tanto amor, ser pai é melhor do que pensou, ter um ser humano que depende de você, que te ama de uma forma tão pura e inocente e é feliz com tão pouco... Realmente não tinha preço.

Na cama, Koushi trocou afagos carinhosos com o marido, um beijo calmo transmitindo o amor que sempre sentiu por aquele homem. Daichi foi sua primeira paixão; corajoso, bondoso, leal e sincero. O homem da sua vida.

Ele dormiu nos seus braços como o de costume.

No entanto, no meio da noite, Hikari os surpreendeu com algo que nunca havia feito: ele se esgueirou por entre as cobertas e deitou no meio deles. Koushi estranhou, pois o comportamento do filho e as fungadas lhe alertaram que algo de errado havia acontecido.

— O que houve, Hikari-chan?

— Eu tive um pesadelo, papai. V-vocês tinham i-ido e-embora... — ele não conseguiu terminar, caindo no choro e nos soluços novamente.

— Foi só um sonho ruim, garotão. Isso nunca vai acontecer. — Daichi sussurrou, seu braço passando ao redor de Hikari de forma protetora.

— O papai vai cantar pra você, tente voltar a dormir, sim? — Koushi propôs e Hikari assentiu, se aconchegando mais nos braços dos pais.

— Não tenha medo, pare de chorar. — Koushi começou, cantando bem baixinho. — Me dê a mão, venha cá. — segurou a mão do filho. — Vou proteger-te de todo mal — ele encostou sua testa na do seu menininho. — Não há razão pra chorar.

Ele pode ver os grandes e redondos de Hikari o observando maravilhado, a pureza que emanava deles era tão preciosa que Koushi segurou a pequena mão com mais firmeza. Os seus pesadelos se resumiam em perdê-lo também; vê-lo sofrer foi como ter seu coração esmagado dentro do peito e Koushi nunca mais queria vivenciar algo igual ao que presenciou no antigo colégio do seu filho. Ele protegeria seu menininho com sua alma, dando sua vida de fosse preciso.

Koushi sentiu a mão de Daichi se juntar a sua em cima da de Hikari e fechou os olhos, feliz demais para expressar em palavras o quanto os amava.

— No seu olhar eu posso ver, — continuou. — A força pra lutar e pra vencer. — abaixou mais um pouco a voz, — O amor nos une para sempre, não há razão pra chorar. — fungou de leve, as emoções fortes em seu peito querendo transbordar pelos seus olhos. — Pois no meu coração, você vai sempre estar. O meu amor, contigo vai seguir. — Hikari passou a ressonar lentamente. — No meu coração, aonde quer que eu vá, o meu amor contigo vai seguir…

Conferiu se o pequeno já havia adormecido e então olhou para cima, Daichi encontrou seus olhos, o amor brilhando nas íris castanhas. Tranquilo, Koushi repousou sua cabeça no travesseiro e fechou os olhos.

— Oyasumi, Hikari-chan.


Notas Finais


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