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História Me dê uma chance - (Min Yoongi) - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Repostei o capítulo após fazer alguns ajustes e achei melhor publicar no horário da tarde! Espero que não se importem com o repost.
Esse é o primeiro capítulo, pessoal! Eu decidi que vou usar toda Sexta-Feira para atualizar a história de modo que fique com um cronograma fixo e previsível pro leitor, e de modo que ele não precise se preocupar com ''quando será que atualiza?''

Espero que tenham uma boa leitura. =)

Capítulo 2 - A Chegada em Seul


O brilho incômodo do sol se encarrega de não permitir que eu durma mais do que o necessário, por mais que eu o considere a coisa mais inconveniente do mundo. Fiz questão de deixar as cortinas abertas para que eu não pudesse, literalmente, DESMAIAR na cama, mas, agora que acordei, estou arrependido. Claro, não arrependido arrependido, e sim arrependido no sentido de: eu não precisava ter ido dormir tarde. Tudo bem, tudo certo, vida que segue.

Meu voo é às três da tarde. Eu confiro o horário no relógio e…

São uma e meia.

E eu ainda preciso me arrumar.

Droga, não dá tempo...

Eu levanto da cama o mais rápido que consigo e, sem querer, chuto a latinha de refrigerante que estava no chão. O restante que ainda tinha ali, quente e sem gás, escorre para perto do pé da minha cama e começa a se espalhar... Ah, dane-se. Eu não vou limpar, e digo isso na metade do caminho até o banheiro. Meu cabelo está… ok. Decididamente não está perfeito, mas poderia estar pior. Uma coisa curiosa é que meus cachos são bem sedosos, parecidos com os de um cantor chamado Harry Styles. Eu dou graças a Deus por eles estarem bons, porque, caso o contrário, eu iria para a Coreia do Sul sem nenhum estilo. Não consigo nem tomar banho por mais de cinco minutos sem me sentir culpado e, óbvio, sem molhar o cabelo. Só jogo uma água no corpo e é isso. 

É claro que eu não esqueço o desodorante, porque tenho problemas sérios com suor quando estou nervoso, e, dada a minha viagem possivelmente atrasada — o que renderia mais ou menos uns três mil em prejuízo pra Entertainment Weekly —, eu sou bem, bem nervoso. Tanto que, quando aperto o spray, ele não acerta onde deveria no início e acerta direto na minha cara. Acabo tossindo e potencialmente intoxicado pelo cheiro de desodorante, mas agora tenho a certeza de que estou com o rostinho cheiroso, eu acho?

Tá, vamos lá. Roupa de viagem. Hã…

Eu abro o guarda roupa. Terno, não. Jeans? É, boa. Jeans combina com tudo. Eu penso isso e arremesso os jeans na cama enquanto trato de procurar mais roupas. Ok, agora… Eu preciso de alguma coisa que me deixe estiloso, e não consigo pensar em nada que não seja uma jaqueta e uma blusa preta. Mas não pode ser uma blusa comum, tem que ser de marca, e eu não me importo muito com essas coisas… Só que é um voo de primeira classe pra Coreia do Sul, e eu sei que alguns coreanos vão me olhar torto na hora de embarcar. É normal que eles olhem feio para pessoas negras, e, para ser sincero, eu acho coreanos extremamente racistas e xenofóbicos. Não vou entrar no mérito. Não tenho nada com isso. Ao menos k-pop é legal. Aqui fica o aviso: se você quer viajar e não sabe pra onde, definitivamente não vá pra Coreia do Sul. Tem uns canais no YouTube que podem te explicar melhor, sério… Claro, essa é a minha opinião, e você pode ou não concordar. Eu só vou porque sou obrigado a ir. Europa é sempre melhor quando se quer simplesmente viajar.

Estou vestido e já são quase duas da tarde e cinco da tarde quando eu saio de casa. Eu vou até o aeroporto de Uber, porque, na boa, é praticamente inviável você estacionar perto do aeroporto, e eu vou viajar, e eu não quero pagar estacionamento por semanas. Provavelmente sairia mais caro do que a viagem. Nunca subestime o poder do preço dos estacionamentos no Rio de Janeiro, especialmente perto de lugares importantes, como o Centro da Cidade, a Zona Sul e, claro, o aeroporto. Meu bolso dói só de pensar.

Eu olho o relógio durante todo o trajeto, impaciente. No caminho, o motorista me faz algumas perguntas aleatórias, como ‘’ah, pra onde você vai?’’ e outros comentários como ‘’ah, Coreia? Que legal! Mano, minha filha adora cá-pope’’. É claro que eu não ri nem nada assim, já estou acostumado com as pessoas do Rio falando ‘’cá-pope’’. Especialmente as mais velhas. 

À distância, posso ver conforme o aeroporto se aproxima. Tem pelo menos uma centena de carros buzinando sem parar, vendedores de trânsito com balas, refrigerantes e eu até decido abaixar o vidro e pegar um pouco de biscoitinho amanteigado, porque, sério, saí de casa sem comer nada e… Já mencionei os preços? Os preços do aeroporto são absurdos. Coisa de pagar vinte reais em um pão de queijo e um refri. Não dá. Prefiro esperar o serviço de bordo que é de graça e é uma bela refeição — na verdade, são várias refeições, mas não entremos no mérito.

Quando finalmente chegamos, eu desço do carro um pouco mais rápido e nem tenho certeza se o cara ouviu o meu ‘’bom trabalho’’, que foi quase sufocado pela batida rápida da porta. Duas e quarenta e oito… Preciso mesmo correr. Eu ultrapasso o portão de entrada e trombo com uma pessoa no caminho, e, na verdade, nem peço desculpas porque me esqueço completamente disso. Quando me lembra, ela já se fora. E eu estou dentro do grande aeroporto Santos Dumond, um lugar que, para ser honesto, me lembra muito um shopping. O saguão de entrada é enorme, com placas eletrônicas que mostram os horários dos vôos assim que você põe os pés do lado de dentro. Tem lojas por todos os lados, desde lojas de comida até de lembrancinhas. Vejo pessoas carregando malas de um lado para o outro, algumas com pressa, outras nem tanto. Algumas estão sentadas, provavelmente porque chegaram cedo demais para o seu voo; outras, no entanto, discutem perto da área de tickets. Minha passagem foi comprada pela internet, então eu só sigo até o segundo andar através da escada rolante, já que não preciso passar por ninguém. Uma coisa chata é que eu sou abordado por uma pessoa no caminho, uma mulher de uniforme vermelho, que diz:

— O senhor gostaria de fazer o nosso cartão? É por um preço super acessível e, com fidelidade, você ganha voos de graça!

— Eu tô meio atrasado… — Faço menção de sair andando, agradecendo em seguida, mas ela não me permite ir, pois ainda mais alguns passos na minha direção.

— Só vai levar um momento, não se preocupe!

Eu sei que é mentira. Essas coisas normalmente levam uns quinze minutos, sendo otimista. É quando um rapaz que eu nunca vi na vida passa do meu lado, apressado, e eu o ouço falar no telefone:

— Eu nunca estive aqui, tá?! — Ele grita bem alto para o celular. — Não sei onde fica a plataforma certa. Ah, cara… Já são quase três e quinze. Eu não vou encontrar!

Eu conheço o aeroporto como a palma da minha mão. Eu nego uma segunda vez para a mulher e digo que, definitivamente, não dá. Me afasto o mais rápido possível e sei que ela está me xingando mentalmente, mas não me importo o suficiente para isso. Encalço o homem em poucos segundos, visto que ele para por alguns instantes para ler as placas. 

— Ei, mano, e aí. — Eu o abordo do jeito mais carioca possível. Mesmo assim, falo de forma extremamente rápida. — Está procurando as plataformas?

Não consigo deixar de sacudir a perna, ansioso por conta do horário.

— Pera, dá licença. — Ele afasta o celular do rosto e responde: — Estou, sim. Não sou daqui.

— Eu sei onde ficam. — Já ameaço sair andando antes mesmo de terminar a frase, já que, por mais que eu queira ajudar, não tenho tempo. — São pelo outro lado. Aqui, você só vai dar a volta antes de sair lá. Por aqui é mais rápido.

Eu já estou andando e nem vejo se o cara ainda está atrás de mim. Não posso parar pra esperar alguém, e, felizmente, eu o vejo chegar ao meu lado. Estamos andando extremamente rápido, quase correndo, e eu já estou começando a suar e sentir as minhas pernas doerem. Cruzamos algumas ‘’esquinas’’ antes de chegar à entrada das plataformas e eu ainda não me permito relaxar. Por sorte, a fila não demora muito.

— E aí, pra onde você vai? — pergunto da forma mais descontraída possível. 

South Korea — Ele detém-se de alguns momentos antes de se dar conta de um possível erro. Seu inglês, pelo o que percebo, é perfeito, aliás. — Digo… Coreia do Sul.

— É o mesmo lugar que eu. Vamos viajar no mesmo avião, eu acho. Que horas são aí?

Eu pergunto mesmo tendo um relógio no pulso. Ele olha no celular e fala:

— Três pras três. — E eu quase tenho uma parada cardíaca. Quando ele diz as horas, sinto que sua voz sai em um tom de súplica. 

— Vamos chegar a tempo. Depois de passar pela revista da plataforma, é só chegar nos portões. Primeira classe?

— Executiva. 

— Acho que não vamos nos ver, então. 

— É…

É só uma conversinha fiada para quebrar o gelo. Nada demais.

Nós passamos pela revista e eu olho uma vez no painel para me certificar de que estamos indo para o lugar certo. Nesta altura, nós estamos os dois suados e ofegantes, mas só paramos quando, depois de passar pelo portão um, dois, três e quatro, chegamos no quinto e as pessoas já estão entrando no avião. Dentro das plataformas, onde ficam os portões, o aeroporto é ainda mais bonito. Trata-se de uma cúpula cilíndrica que comporta as pessoas, as lojas e te passa a sensação de estar suspenso em uma bolha — com a incidência do sol, tudo fica com um aspecto azul. Estou tão apressado que não me distraio nem mesmo pelo delicioso cheiro de café, de salgados, de pão. Eu enfim paro em frente ao portão, e, agora, só resta nós dois aqui.

— Che--.... — Não consigo falar direito, meus pulmões se esforçando para recuperar o fôlego perdido. — ---...gamos.

Ele dá um tapa no meu ombro em agradecimento. O homem que cuida das passagens está nos olhando como se fôssemos dois loucos. Por instinto, eu passo a mão no meu cabelo para garantir que ele está inteiro.

— Senhores? — O homem permanece nos observando de forma curiosa, e, enquanto recuperamos o fôlego, somos os únicos restantes na entrada do avião. — Passagens, por favor.

Eu me recomponho e pego a passagem, ofertando-a ao responsável por elas. Ele pede, também, minha identidade, a qual eu também dou antes de conceder a minha passagem. Antes de passar pela ‘’bolha’’, como eu acho o tubo que liga o avião e a plataforma, eu peço o número do cara. Já que vamos juntos para a Coreia do Sul, seria legal ter alguém com quem conversar. Ele concorda em me passar e nos perdemos quando seguimos para rumos diferentes. Sei que não o verei de novo, mas vai ser legal ter pelo menos um número conhecido na Coreia. Um brasileiro no meio de xenofóbicos. Qualquer coisa, peço pra ele ligar pra polícia se precisar.

Vai sonhando, Lucas.

Vai sonhando.

                                                                                        [...]

 

Se o aeroporto do Rio de Janeiro é incrível e parece um shopping, o aeroporto de Seul parece uma cidade completa. Ele é deslumbrante, extenso e muito mais tecnológico e chique. Até o cheiro é diferente — no Rio, cheira a pão, café, salgados e pão de queijo. Em Seul, cheira a tantas coisas que desconheço, mas imagino que sejam massas da região ou coisa parecida — já provei kimchi algumas vezes, e, para ser honesto, não faz muito o meu estilo. Prefiro coisas gordurosas e nada saudáveis. Isso já me deixou em maus lençóis nas festas da Entertainment Weekly, porque, lá, as pessoas são muito chiques e eu sou só um homem que teve sorte na vida por ser criativo, bom com pessoas e bom com palavras na hora certa. Só. Não falo como um executivo, não tenho o vocabulário de um ricasso da Zona Sul do Rio de Janeiro nem nada assim; mas, quando eu estou em entrevista, ninguém pode me bater. E quando tenho que redigir uma matéria, sou absolutamente imbatível. Sou assim no trabalho, não na vida — e me orgulho disso. 

Eu não me recordo muito bem do aeroporto de Seul, mas sei o básico. Me perco algumas vezes e peço informação uma hora ou outra. Um fato interessante é que ninguém me para pra me oferecer nada. Imagino que devam pensar que eu não sei nada de coreano ou qualquer coisa assim e sou só um estrangeiro aleatório. Quando eu enfim alcanço a zona de descida, há um homem me esperando com uma placa escrita ‘’DeLucca’’, e eu sei que é o enviado para me receber. 

Olá, sr. DeLucca — ele fala em inglês. — Eu sou seu recepcionista, Marshall Parker. Como foi o seu voo?

Muito tranquilo — respondo-o no mesmo idioma. — Pegamos uma turbulência, mas nada sério. 

— Fico feliz! O nosso motorista está aguardando. O fuso-horário está te incomodando?

Ele pergunta no exato instante em que eu bocejo. Cheguei a pegar no sono uma vez ou outra, mas não a dormir de fato.

— Estou bem. Terei muito tempo para descansar.

— Não é da minha conta, mas… Soube que será um evento dos grandes, hein?

— Dos grandes. É. Bangtan Sonyeondan. Eles são bem famosos por aqui.

No caminho, aponto para uma lojinha repleta de acessórios do BTS. Até travesseiros. Devem ser oficiais, porque vejo a sigla da BIGHIT em um letreiro chamativo e brilhante.

— No mundo todo — concorda Marshall.

— É. — Eu pego meu celular e envio uma mensagem para o cara do avião. ‘’Boas-vindas a Seul’’. — No mundo todo.

Nosso carro está aguardando do lado de fora do aeroporto. O motorista nos cumprimenta com um sonoro ‘’annyeonghaseyo’’ que me deixa extremamente desconfortável, isto porque ainda estou sofrendo com o fuso-horário e nada me irrita mais do que pessoas me desejando bom dia quando eu estou sonolento. 

— Vamos direto para o seu apartamento, o.k? — pergunta Marshall.

— Sem problemas. Eu realmente poderia deitar em uma cama bem confortável agora. 

— Continue dando duro, sr. DeLucca. 

Eu não respondo. Estou tão cansado da viagem que decido poupar o máximo de energia possível, mas, para não ser desagradável, dou um sorrisinho. O carro acelera e nós começamos a entrar na maravilhosa Seul, uma das cidades mais bonitas que já conheci. O motorista educadamente me apresenta me apresenta as estátuas da cidade, o nome das rodovias e eu vou concordando com a cabeça. Eu já conheço Seul, mas não quero ser tão desagradável. Eu não chego a ser impertinente neste nível. Eu sou moderadamente impertinente, o que, para mim, é uma qualidade. Quanto mais vamos avançando para dentro de Seul, menos eu vejo casas, e mais eu vejo prédios; até estar imerso em uma imensidão de enormes prédios, com pouca ou nenhuma árvore por perto. É só luz, placas, carros, transeuntes — vários — e prédios. Lembra-me um pouco de NY. O centro de São Paulo também não é tão diferente, apesar de não chegar nem aos pés. O centro do Rio de Janeiro nem se fala. É medíocre em comparação a isso aqui. 

Meu celular vibra.

‘’Já está acomodado?’’

Eu sorrio. Gentileza a dele me responder tão rápido.

‘’Estou estacionando daqui a uns cinco minutos. E você?’’

Demora algum tempo até que a resposta venha.

‘’Olhando pras minhas malas e pensando o que vestir primeiro.’’

Eu acabo rindo um pouco mais alto. Marshall olha para mim, curioso, e eu tenho a sensação de que ele está tentando olhar meu celular. Provável que seja só paranóia minha, o que não me surpreenderia. Sou extremamente paranóico com privacidade.

Eu penso algumas vezes, dedilho as teclas, a tela, arrasto… Subo, desço… Talvez eu devesse… Ou talvez não… Estou muito incerto acerca de algo até que, quando vejo, meus dedos já estão enviando uma mensagem e eu não tenho autocontrole o suficiente para impedi-los.

‘’Aí, topa conhecer Seul comigo? Podemos ir juntos num bar daquelas regiões cheias de estrangeiros.’’

Não espero a resposta. Eu decididamente tomei a decisão errada e vou parecer um stalker. Só fecho o celular e me preparo para conhecer o meu novo apartamento. Por alguma razão, não consigo parar de pensar nos meninos do Bangtan Sonyeondan. O que será que eles estão fazendo agora? Será que se sentem tão ansiosos quanto eu? Considerando que eles já fizeram isso mil vezes, eu diria que não… 

Bingo. Mais uma pergunta.

Escrevo no meu bloco de notas: perguntar para os meninos se eles ficam nervosos antes de entrevistas para grandes revistas. Mas… pra qual deles eu faço essa pergunta?

Pensa, pensa… Você leu sobre eles… Qual se encaixa mais?

Já sei. Min Yoongi.



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