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História Me dê uma chance - (Min Yoongi) - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oiê!
Passando pra avisar que a capa deve ficar pronta entre essa semana e a próxima! Ou seja, logo teremos uma capinha linda e feita por uma artista que gosto muito!

Tenham uma boa leitura x3

Capítulo 3 - A Entrevista


É claro que a resposta não veio e é claro que eu sou totalmente sem noção. Eu não julgo o meu novo conhecido por ter preferido ignorar. Eu fui desnecessário e forcei uma amizade que nem deveria ter forçado. Ele só foi gentil, mesmo.

 

De qualquer forma, já estou acomodado. Estou em um apartamento perto do centro de Seul e a temperatura está mais baixa do que no Brasil. Os complexos daqui da Coreia tem aquecedor, a maioria deles, e o meu não é uma exceção. Eu não sei se desejo ligar os meus ou se eu não estou com frio o suficiente para isso. Estou em um ponto-médio entre confortavelmente com frio e, se descer mais meio grau, vou ficar com frio absoluto. Uma semana se passou desde a minha chegada em Seul e a minha entrevista com o Bangtan Sonyeondan é hoje à tarde. Eu estou bebendo uma xícara bem quente de cappuccino e admirando a paisagem. Seul é muito diferente do Brasil, em vários sentidos. Mas, mesmo assim, preciso admitir que não troco o meu país por nada.

 

Talvez seja algo bom pensar assim.

 

Eu abro o laptop e confiro a caixa de e-mails. Está de noite nos Estados Unidos, onde o meu chefe, o JD Heyman, vive. Então, não fico surpreso quando o som das mensagens apita e chega um e-mail repentinamente, do próprio dito-cujo. Lê-se:

<[email protected]>

ASSUNTO: BTS

Prezado DeLucca,

Venho, por meio deste, questionar-lhe acerca da entrevista com os garotos do BTS. Lembre-se de que é uma entrevista de suma importância, e não estou questionando a sua capacidade de entrevistar, ressalto, mas me seria tranquilizante saber que você tem tudo em mãos. 

Atenciosamente,

Editor-Chefe JD Heyman

                                                                             …

Cretino.

Eu dou um gole no meu cappuccino e sinto ele descer esquentando todo o meu corpo antes de eu responder o e-mail. Detesto quando o Heyman ou qualquer outro companheiro meta o bedelho nas minhas coisas, e a única razão de eu não ser grosseiro é que ele é o meu Editor-Chefe. Se fosse qualquer outro, eu daria uma resposta extremamente malcriada e nada cortês. Ele fez a mesma coisa com a minha entrevista com a Taylor Swift e eu falei ‘’não há com o que se preocupar’’, mas parece que ele simplesmente não confia em mim. Ou talvez eu seja paranóico em excesso e ache que todos estão me julgando. Não sei.

 

<[email protected]>

ASSUNTO: RE: BTS

Estimado sr. Hayman,

Sim, estou com tudo preparado para a entrevista e certifiquei-me de revisar as perguntas repetidas vezes no intuito de não entregar nada menos do que uma sessão perfeita. Inclusive, o senhor disse-me anteriormente que encontrarei com uma outra equipe responsável pelas fotos. Eles ainda não entraram em contato comigo, então suponho que irei encontrá-los no local estabelecido para organizarmos tudo por lá? Se for o caso, não se preocupe. Não é a minha primeira vez fazendo isso. Chegarei algumas horas mais cedo para garantir.

Cordialmente,

DeLucca

                                                                               …

Geralmente, quando a equipe de fotos não entra em contato, das duas uma: ou eles morreram ou estão ocupados demais. Não é incomum a segunda. É necessário organizar o estúdio, checar se as câmeras estão funcionando corretamente e tudo o mais. O entrevistador, ou seja, eu, não faz parte desta sequência e chego lá solamente como alguém que irá conversar com o entrevistado. No caso, os entrevistados. No plural. Será a minha primeira entrevista com mais de uma pessoa ao mesmo tempo e isso me deixa um pouco nervoso, o que não perdura por muito tempo — eu digo isso quando já estou entrando no carro e no instante em que fecho a porta, adentro no meu próprio ‘’mundo matrix’’. Todo o nervosismo, a ansiedade… Tudo aquilo fica do lado de fora do meu trabalho. Eu convenientemente engulo todas as preocupações garganta abaixo e as deixo bem escondidas. Com isso em mente, vou até o edifício combinado. O trânsito no centro de Seul é totalmente absurdo, e digo isso com tranquilidade. É quase pior do que a Avenida Brasil às 17h da tarde. Ou talvez seja tão ruim quanto. Estou em dúvida.

O ponto é que demoro mais de uma hora e meia para chegar no prédio de entrevista e desço tão apressado que quase me esqueço da identificação. Só me dou conta porque o guardinha coreano faz menção de me segurar pelo braço e eu preciso mostrar minha placa da Entertainment Weekly com o nome ‘’DeLucca’’. Ele se desculpa e abre passagem. Meus passos estão acelerados e o elevador parece levar uma hora para descer. O átrio do prédio está vazio, tirando uma pessoa ou outra passando por ali. Eu cogito até mesmo a possibilidade de ir de escada apenas para aliviar a minha pressa, e, detalhe, não estou nem mesmo atrasado. 

As portas do elevador se abrem e eu entro.

— Segura! — alguém grita em coreano.

Eu ponho a mão em frente às portas para o elevador não se fechar. Uma moça coreana entra ao meu lado e agradece ao inclinar ligeiramente o corpo.

Aish, essa foi por pouco… Obrigada, rapaz!

— De nada. Está indo para qual andar?

— Sétimo. 

— Ah! Você está na cobertura do BTS, também?

— Oh, sim. Eu estou responsável pelo figurino. Seu coreano é muito bom, sabia disso? 

— Obrigado. É que também estou na cobertura do BTS. Sou o DeLucca.

Woaah, agora tudo faz sentido! Sou Park Go Hye. Sabe, não é comum ver homens com a pele escura falando coreano tão bem… Você deve ser muito talentoso, sr. DeLucca! E muito esforçado! Seu horário é só daqui a algumas horas.

Eu não sei se me sinto elogiado ou ofendido, então prefiro apenas sorrir desconfortavelmente enquanto aguardamos. Quando as portas do elevador se abrem, vejo que o prédio não está tão vazio quanto eu imaginava. Pessoas correm de um lado para o outro, arrastam câmeras de gravação por máquinas suspensas no ar e outras como carrinhos no chão. Preparam, também, um fundo fotográfico de telona e Go Hye se desculpa pelo atraso à medida em que invade o salão o mais rápido que consegue. Eu me sinto um pouco acanhado e sou recebido pelo monitor geral.

— Sr. DeLucca? — Ele pergunta em inglês.

— Sou eu. 

— O senhor chegou cedo. Meu nome é Leon Libertini e estou responsável pela organização da entrevista, é um prazer.

— O prazer é meu. Cheguei cedo apenas para me acertar com vocês, ver se está tudo nos conformes.

— Está tudo indo bem, como pode ver. — Ele abre os braços fazendo menção ao número exacerbado de pessoas que caminham freneticamente de um lado para o outro. — O BTS deve chegar em breve, então tenha tudo preparado, o.k? A sala de vocês fica logo ali à esquerda, é a maior que tem aqui no salão. Venha, eu vou te mostrar.

Nós caminhamos até uma sala espaçosa com uma grande vista. Há sete poltronas bege fora a minha, de frente pra elas, e câmeras por todos os lados devidamente posicionadas. Aquela parte em específico já está totalmente cuidada e eu não consigo não-sorrir. Cuidaram muito bem do meu cantinho particular. É um lugar bem confortável.

— É do seu agrado? — pergunta Libertini. — Gostaria de mudar algo? Temos tempo.

— Está tudo ótimo, sr. Libertini. Obrigado. 

Eu vejo que tem uma mesa à direita, bem grande, e aponto curiosamente para ela.

— É onde ficarão os petiscos e as bebidas, caso você ou os entrevistados desejem. Nosso fornecedor ainda não trouxe, para que fiquem frescas. Mas se desejar algo, estamos servindo no andar de cima para quem estiver com fome. Os petiscos são exclusivos do entrevistador e dos entrevistados.

— Ah, sim. — O que ele fala não me surpreende. Já é algo comum para mim. — Sendo assim, você consegue me arrumar morangos?

Ele grita um longo ‘’Shirley!!!’’ e a dona do nome aparece em alguns momentos, apressada e com um bloco de notas. 

— Sr. Libertini, do que precisa? — A tal Shirley parece em prontidão.

— Morangos — responde Libertini. — Anota aí. Você deseja algum acompanhamento, sr. DeLucca? Chocolate? Chantilly?

— Os dois, certo? — Eu vou caminhando pelo interior do espaço para me acostumar com o carpete macio. É um lugar tão enorme que até eu estou impressionado. Não se encontra espaços assim fora de São Paulo, mas aqui é Seul. Eu sempre fico impressionado com a diferença gritante entre os prédios comerciais do Brasil e os estrangeiros. 

— Ok — diz Shirley. — Anotado.

— É só isso, obrigado. — Eu me sento na poltrona para testar sua maciez e vejo que ela é de primeira. Extremamente confortável.

Shirley logo vai embora e Libertini diz:

— Vou deixá-lo à vontade, sr. DeLucca. Se precisar de algo, basta pedir.

— Eu peço, obrigado.

      Geralmente, quando os artistas chegam em uma entrevista, eles vêm sozinhos ou com os seus motoristas. Eu nunca entrevistei um grupo inteiro de k-pop, somente a Taeyeon do Girls’ Generation uma vez, então não faço ideia se eles vêm numa van ou em coisa similar. Mesmo assim, só me resta esperar.

 

 

O burburinho começa quando o BTS chega. Ninguém aqui é novato, ninguém aqui é amador. Não somos fãs enlouquecidas ansiosas por ver os seus ídolos, mas mesmo assim, há uma comoção para que todos se preparem para embarcar em mais uma jornada de trabalho. À essa altura, o set já está completamente montado, os petiscos já estão na mesa — e tem de tudo: morangos, uma fonte de chocolate, chantilly, salames, massas francesas e até mesmo algumas coisas coreanas que não sei o nome, mas parecem saborosas —, e os garotos já estão subindo. Não ouço mais o som de tantas pessoas assim. Agora, provavelmente só estão as pessoas da Entertainment Weekly e os funcionários e assistentes já foram embora. Eu estou dentro da minha sala e decido não sair por enquanto. Vou deixar os garotos se sentirem à vontade e resolverem o que precisam resolver com o Libertini, acertar as coisas e afins. Normalmente, os entrevistados sempre vêm com um agente representante. Neste caso, deve ser algum oficial da Bighit para garantir que nada sairá dos conformes. Minha melhor alternativa e não me meter nesta parte burocrática e ficar no celular. Isto, é claro, se eu não fosse interrompido quando a porta se abre. Minha atenção se transfere do celular até a entrada e vejo um dos membros: o Kim Taehyung. Eu ajeito a postura e abaixo o celular na hora em sinal de respeito.

— Oh, com licença. — Ele fala em coreano e soa extremamente educado. — Soube que é aqui que será a entrevista. 

Eu me ponho de pé para ir recebê-lo e ofereço um aperto de mão.

— É aqui, sim. Eu sou o DeLucca, entrevistador principal da Entertainment Weekly. É um prazer conhecê-lo.

Ele aperta minha mão e sorri amigavelmente. Eu admito que me sinto surpreendido, porque Taehyung parece ser um alguém inofensivo nas fotos, mas, pessoalmente, ele tem uma mão bem grande e forte e tem uma altura legal. Não é o baixinho que eu imaginava. O que estão dando pra esses coreanos comerem? E, sendo franco, ele é muito mais bonito do que em fotos. E não é tão pálido quanto eu imaginava que fosse.

— Por que você está aqui sozinho? — Taehyung entra na sala e seus olhos exploram cada centímetro do lugar, curiosos. Quando vê a mesa de petiscos, ele abre um sorrisinho de canto. — Normalmente, quando somos entrevistados, costumamos conversar com a pessoa antes. Coisa dos bastidores.

— É que não sou muito bom em me relacionar — respondo, honesto. — Sou excelente entrevistando, mas conversar com as pessoas não é o meu ponto forte.

— Oh, sério? Você deve ser como o Suga.

Não sei se recebo isso como um elogio.

— Suga é assim também — ele acrescenta. — Acho que vocês vão se dar bem. — Então, Taehyung pega um salgadinho de camarão e come. — Uau, isso está delicioso!

— O melhor possível para os melhores do mundo, não é? — Eu tento fazer uma piada e, para a minha sorte, Taehyung ri de volta.

— Não é pra tanto… Só estamos dando realmente duro! Ainda temos muito o que melhorar. Gentileza a sua.

Que garoto fofo.

Libertini e um agente da Bighit chega na sala, acompanhados, também, dos outros seis membros restantes. E mesmo que tenham dez pessoas na sala, uma mesa de petiscos, oito cadeiras e câmeras por toda parte, ainda há muito espaço disponível. A sala não está nem perto de ficar apertada. 

— … E essa é a sala onde ocorrerá a entrevista com a Entertainment Weekly, feita por um dos nossos melhores contratados, o sr. DeLucca. — Libertini aponta para mim e eu cumprimento amigavelmente o agente da Bighit com um aperto formal de mão. Os meninos do BTS continuam atrás, quase como se estivessem esperando a permissão do oficial da Bighit para entrar. O único que já está dentro é o Taehyung, que parece estar se segurando para não comer mais um salgadinho de camarão.

— É um prazer, senhor — diz o homem da Bighit, em inglês. — Sou Choi Hyun Kwo, o responsável por acompanhar o Bangtan Sonyeondan nesta entrevista. E estes são…

Ele faz sinal para que os meninos se aproximem.

— Kim Namjoon, Kim Seokjin, Min Yoongi, Jung Hoseok, Park Jimin, Jeon Jungkook. E Kim Taehyung, que, aparentemente, já se apresentou. Enfim, eis o BTS.

Todos os meninos acenam e, agora, Taehyung se junta a eles. Namjoon toma a frente e, como líder do grupo, aperta minha mão.

— Sou DeLucca. É um prazer conhecê-los, BTS.

— O prazer é nosso. — O coreano Namjoon se comunica comigo em inglês. Não tenho certeza se ele sabe que entendo seu idioma nativo e, então, digo:

— Se for de sua preferência, pode se comunicar comigo em coreano. Eu tenho domínio do idioma.

— É mesmo? Que impressionante. Vou dizer isso aos meninos.

Ele repassa a informação para os membros do BTS e eu posso jurar que Seokjin suspira de alívio. Todos os outros começam a rir e eu acabo sorrindo também, mesmo que não entenda o porquê. Min Yoongi é o que mais permanece quieto e distraído — não exatamente distraído, mas como se não se importasse tanto com passar uma boa impressão e estivesse mais atento à beleza do lugar do que a mim ou à entrevista.

— Podemos começar, então? — eu pergunto, agora em coreano para me certificar de que todos entendam. — Como vocês já devem saber, quando terminarmos, teremos uma sessão de fotos pra capa da revista, tudo bem?

Eles fazem que sim, assim como Libertini e Hyun Kwo. Uma assistente vem ligar as câmeras conforme eu e o grupo coreano nos aproximamos das poltronas. 

No geral, é uma entrevista bem engraçada. Quando pergunto algo sobre dança, eles fazem questão de mostrar os movimentos, não só mencionar. Às vezes, J-Hope até mesmo levanta da cadeira para fazer questão de dançar o passo inteiro e eu não me aguento e começo a rir. Não são tantas perguntas que faço, visto que é uma exclusiva. Finalmente, chego em Suga e faço a pergunta que eu mais queria fazer:

— A próxima pergunta é para o Suga: antes de uma entrevista, você costuma ficar nervoso ou é apenas mais uma dentre muitas?

Eu mordo meus lábios pela possibilidade de ele não gostar da pergunta. Os meninos olham para ele em busca de uma resposta e Suga pensa um pouco antes de falar, dizendo, enfim:

— Normalmente, eu costumo ficar nervoso antes de uma entrevista assim como fico antes de cada show. Eu tento me distrair com outras coisas e, hmm… Costuma funcionar. Acho que… acho que não importa se você é famoso. Sempre que vai fazer algo importante, é normal se sentir nervoso. Eu sou humano.

Os meninos brincam e batem palmas com a resposta e eu cogito a possibilidade de entrar na brincadeira. Bato palmas uma ou duas vezes e a resposta dele me convence. Uma coisa é que Min Yoongi é, dentre eles, o que menos parece se importar e algo me diz que ele é um dos que mais sente as coisas. Talvez ele só use uma máscara para se proteger. Talvez… Talvez já tenha passado por muita coisa e seja por isso que ele soa tão distante. A resposta dele me convenceu. Convenceu mesmo.

— E qual é o seu maior sonho, Suga?

Essa pergunta não estava planejada. E foi uma pergunta branda demais. Eu não deveria ter feito. Meu cérebro agiu sozinho.

— Eu, hmmm… Não tenho um maior sonho. Não sei se é porque eu tenho sonhos demais ou porque eu não tenho sonho nenhum. Musicalmente, meu maior objetivo é ganhar um grammy. Eu escrevo música desde jovem e… É, música é tudo pra mim. Um grammy. É o que eu quero, por agora.

Eu penso em questionar, mas fico quieto. Ele não me disse o sonho. Me disse o seu objetivo como artista. Que tipo de sonhos Min Yoongi deve ter? Alguém que não tem nenhum sonho ou que tem sonhos demais… Isso é complexo. Estranhamente complexo. Minhas mãos estão suadas e eu nem sei o porquê.

— Bem, BTS, vocês são incrivelmente divertidos. Adorei passar um tempo com vocês. Parabéns pelas conquistas, sucesso!

Eles batem palmas junto comigo e sorriem. Suga parece pensativo, e mesmo sorrindo, ele continua parecendo distante. É como se estivesse em dois lugares ao mesmo tempo. A magia sobre fazer perguntas incisivas é não apenas extrair informações, mas fazer com que o entrevistado pondere a respeito delas. E imagino que Yoongi esteja passando por esse processo. 

Alguns flashes estouram e a assistente diz:

— Gravação encerrada! Bom trabalho, pessoal!

Os meninos dizem ‘’Wooow!’’ e se levantam. Jimin se espreguiça depois de levantar e Jungkook pergunta se ele está cansado. Jimin nega. Namjoon aperta minha mão uma segunda vez.

— Essa foi uma das entrevistas mais divertidas que já tivemos, obrigado por esse momento.

— Eu é que agradeço. — As minhas mãos estão tremendo enquanto apertam as de Namjoon. Ele deve perceber que estou nervoso se eu prolongar o toque por tempo demais. — Agora vocês podem tirar as fotos ali, naquele fundo branco. Já estão acostumados com isso, não é?

— Claro! 

Suga é o único que não levanta de imediato. Enquanto todos os garotos estão indo até a sessão de fotos dentro da sala, Yoongi ainda está se levantando. Eu trago o melhor do ‘’meu eu entrevistador’’ e decido perguntar:

— O que achou da entrevista?

— Foi… legal. — Ele coça o próprio queixo, pigarreando em seguida. — É, foi legal.

— Você parece estar distante, Suga. Aqui em ‘’off’’, se fiz uma pergunta que te deixou desconfortável, eu posso tirar antes de enviar pra edição. Assim, nunca nem vão saber que a pergunta foi feita.

Eu mordo a minha língua no instante em que falo. Isso não é certo. Mas a minha última pergunta não foi planejada e temo que tenha sido ela que tenha deixado o garoto Yoongi tão disperso. 

— Não, não se preocupe. Não houve pergunta alguma que me deixou desconfortável. Mas sua última pergunta foi inesperada.

— Até para mim, se quer saber — admito. — Quando perguntei sobre as entrevistas, foi porque também estava um pouco nervoso. Pensei que fosse algo exclusivo meu, ou insegurança, mas você é membro da maior boyband do mundo e também se sente assim. Me deixou surpreso.

— E eu pensei o contrário — ele diz, honesto. Pela primeira vez, o brilho de um sorrisinho quase invisível surge no rosto de Suga. — Imaginei que vocês é quem já tinham feito muito isso e não se importavam mais. Saber disso me deixa mais tranquilo.

Eu rio.

— Você tem um desejo legal. Ainda em ‘’off’’... Suga, você sabe que querer um grammy é uma ambição de trabalho, não é? Não é bem um sonho...

Ele fica quieto por alguns instantes e volta a ficar sério. Algo me diz que falei demais.

— Sei. Olha, eu preciso ir.

Eu me sinto tão constrangido que sinto vontade de atravessar o chão em direção ao subsolo. Ele se despede de mim com um aceno da cabeça e segue até os outros meninos para a sessão de fotos e eu vou logo atrás para me juntar a eles. Nesta, para a editora, eu preciso aparecer como o entrevistador. Lá fora da sala, eles tirarão as fotos sozinhos para fazer parte da revista, divulgação etc. Essa é provavelmente a última vez que eu vejo o BTS em toda a minha vida, e despedidas nem sempre são tão legais. Eles são tão ocupados que nem mesmo devem aparecer para me dar tchau depois que terminarem as fotos lá fora. Eu não os culpo. O nosso ‘’tchau’’ de agora já deve ser mais do que o suficiente, é a única obrigação deles.

É o que acontece, obviamente. Eu me despeço dos meninos, que ainda parecem bastante animados e fico por aqui mesmo, jogado na poltrona da sala agora vazia. Detono meia dúzia de petiscos e meus deliciosos morangos antes de voltar para o celular e enviar um e-mail para o sr. Hayman e dizer que tudo correu bem. Depois disso, vou conversar com a edição para ver se tudo foi registrado corretamente, a qualidade do áudio e afins. Para a minha sorte, tudo ficou excelente. Por último, retorno à sala de entrevista e olho uma última vez a janela e registro a paisagem de Seul com a câmera do celular. É uma forma de guardar no coração da minha entrevista. Ainda estou pensando naquele menino, o Yoongi. E, para a minha surpresa, sr. Libertini bate na porta e eu viro em sua direção.

— sr. DeLucca, tem alguém que quer vê-lo.

— Ah, claro — respondo. — Não estou fazendo nada demais.

Ele faz sinal com a mão e Suga aparece. Eu me surpreendo de imediato. Acho que fiz algo errado? Não sei. Encurto a distância com ele e o cumprimento uma segunda vez.

— Eu queria me despedir — diz Suga. — Você foi o primeiro entrevistador que mostrou interesse no que penso, não no que o Suga do BTS tem que dizer às câmeras. Foi… hmm… uma atitude nobre.

Eu boto a mão na bochecha, envergonhado. 

— Ah, obrigado. Não foi nada demais. Eu levo minhas entrevistas muito a sério… Quando pergunto algo, é porque realmente quero que a pessoa se questione e pense sobre. Não apenas coisas para gerar cliques e likes. Não gosto de perguntas bobas como ‘’cor favorita’’ e tudo mais.

Yoongi fica em silêncio por alguns instantes e parece em dúvida sobre dizer algo ou não. Eu já estava tirando foto da paisagem, então talvez…

— Podemos tirar uma foto juntos, Suga? Uma selfie. De despedida.

Alguma coisa me incomoda em saber que é provavelmente a última vez que vou vê-lo em toda a minha vida, mas, felizmente, ele concorda e eu acabo dando um sorrisinho. Quero gravar este momento na memória, porque sem dúvidas foi a minha entrevista mais especial — isto porque sinto que estou conversando com alguém que sente, e sente muito, mais do que o normal. Eu sou excelente lendo as pessoas e sei que Min Yoongi é mais do que parece ser. É alguém que eu gostaria de ter por perto para poder desvendar os mistérios que o circundam. Pego, então, meu celular. Ele faz um coração coreano com os dedos e eu faço um sinal de paz e amor. Três… dois… um… Foto tirada.

— Obrigado, Suga. — Eu apago o celular e o coloco de volta no bolso.

— Pode me chamar de Yoongi — ele diz aquilo em um tom de relutância. É quase como se ele não quisesse estar entrosando tanto, mas não pudesse evitar. — Você é um excelente profissional. Podemos trocar e-mails sobre trabalho. 

Eu engasgo.

— É permitido?

— Não há nada que impeça. E afinal, eu gosto de bons profissionais. Posso acabar precisando de você uma hora ou outra. Não gostaria de perder contato.

Ele transfere o peso de uma perna para a outra, um tiquinho nervoso, de uma forma bem imperceptível. Se não fosse o fato dele parecer inquieto — o que eu percebo muito bem —, eu não diria que ele está um pouco nervoso. Diria que ele está normal. Mas, como eu disse, sou ótimo percebendo as nuances das pessoas. Não é por acaso que sou o melhor da Entertainment Weekly.

— Tudo bem — respondo, por fim.

Eu estou me esforçando para soltar o ar bem devagar e não suspirar de alívio. Eu sei que é apenas uma oportunidade de trabalho e tudo mais, porém, eu realmente achei esse homem muito interessante. Ele me parece ser mais do que os olhos podem ver. 

Não sei. Acho que seríamos bons amigos, se o universo permitisse.

Quem sabe.

 



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