1. Spirit Fanfics >
  2. Me Deixe Ficar >
  3. Papéis do passado

História Me Deixe Ficar - Capítulo 7


Escrita por:


Capítulo 7 - Papéis do passado


Fanfic / Fanfiction Me Deixe Ficar - Capítulo 7 - Papéis do passado

— Será que vai da certo? 

Claro que vai. Você seguiu a receita direitinho? 

Fiz que sim com a cabeça.

Então vai da certo. E se não der, fazemos outra. 

A noite estava muito bonita, e meu pai estava me ensinando a fazer lasanha. Um de seus pratos favoritos. Ele também me ensinou várias outras receitas, nossa atividade favorita juntos era cozinhar

No meio de tantas cobras, você não quer ser a presa. O medo de ser sufocado e esmagado até a morte faz você tomar atitudes que irão te prejudicar um hora ou outra em sua vida. Tem coisas que conseguimos fugir, mas outras temos que encarar frente a frente. As merdas que tinha feito, as atitudes que tomei e cada decisão que achei ser a certa estavam tendo as consequências. Me arrepender? Sim, eu sofria com essa parte do arrependimento mas também tinha que lidar com a culpa e o peso na consciência. O peso era grande, e não adiantava chorar, já tinha acontecido e infelizmente eu não poderia mudar nada. Não dá pra fugir, você encara e lida com isso de qualquer forma que lhe convém. Fácil não é uma opção que você escolhe e não dá pra fugir da própria consciência, você não foge de si mesmo.

Tinha sido um assalto, meu pai reagiu e o cara disparou a arma em sua direção, teve uma testemunha que chamou o socorro e a polícia. Por ter câmeras em uma das casas próximas onde aconteceu, a polícia teve acesso e só por isso conseguiu identificar os assaltantes que agora pagam pelo que fizeram.

Por ainda ser de menor, minha tia se tornou minha tutora legal por ser a parente mais próxima. Como ela morava em outro bairro mais distante, tive que me mudar para sua casa. Cobrimos alguns móveis da antiga casa com lençóis e ela disse que deixaria eu decidir o que faria com a propriedade, se seria vendida ou alugada. Isso foi uma coisa que decidi esperar para decidir. Ela me recomendou que seria melhor vender, assim poderia usar o dinheiro para faculdade ou outra coisa mas acabei nem pensando nisso. Não tinha condições para ficar pensando em um futuro, quando nem mesmo conseguia lidar com o passado e nem o presente. Mais uma decisão que deixei de lado.

Eu tinha uma nova casa, quarto e escola. Um lugar onde as pessoas não se importavam com minha presença, elas simplesmente me ignoravam e em particular preferi que fosse assim. Por meio que namorar Sasori antes de todos os acontecidos ele me ligou algumas vezes mas simplesmente ignorei, não queria contato com nenhuma daquelas pessoas de antes e o mais longe possível era melhor e para não terem nenhum outro tipo de contato comigo exclui todas as redes sociais evitando receber qualquer mensagem.

Na escola nova tentei ficar na média, já que antes minhas notas eram horríveis por matar aulas e ignorar tudo que era ensinado, e por causa disso percebi que era uma burra já que metade do conteúdo do último ano acabei perdendo. Tentei repor tudo que precisava saber para passar nas provas no decorrer do ano, chegava em casa comia algo rápido e me trancava no quarto para estudar, eram livros que pegava na biblioteca da escola e videoaulas no YouTube, teve uma garota super gentil que me passou algumas anotações mas algumas coisas ainda eram difíceis de entender. Minha rotina virou aquela, escola e casa para estudar.

Tentava me manter no controle e não surta por causa da minha mente e de toda aquela merda. Mas no final de toda a noite me pegava chorando baixinho sentindo toda aquela dor sozinha, mas eu não questionava nada só continuava a sentir tudo porque era o meu fardo, minha responsabilidade.

Yumi não questionava muito, mas seus olhares a denunciavam. Nossa convivência era pacífica, ela não me perguntava muitas coisas e só conversávamos na hora do jantar, somente o necessário. Mesmo que as duas em casa era como se estivéssemos sozinhas. Em uma madrugada em que levantei para buscar água ouvi ela falar com alguém por telefone.

Ela só fica no quarto, não é de falar muito - Sei que era errado escutar a conversa de outros escondido, mas se ela falava de mim eu queria saber o que era. — Eu sei. Mas eu sou a única parente próxima, não posso simplesmente deixá la sozinha por aí. - Pausa. — A mãe abandonou ela quando criança, ninguém sabe o motivo. - Depois da última fala sai daquele corredor, não queria ficar ouvindo mais nada.

Tudo começou a se juntar novamente, um problema se juntou com o outro embaralhando tudo de uma vez. Eu já não sabia como lidar com tantas coisas daquela forma. 

Passei muitas noites tentando entender o real motivo da partida da minha mãe. Mebuki simplesmente se foi porque queria ou teria algo escondido que eu não tinha noção? Várias coisas se passaram pela minha cabeça em um só trailer, onde muitas coisas aconteciam se parar. Era difícil tirar uma conclusão concreta do que possivelmente a levou a me abandonar. Mas teria ela realmente me abandonado? Ou ela só escolheu ir embora? Mas porque ela mandava cartas contando algumas coisa e revelando seus endereços atuais?

Teve também a vez em que ela queria se encontrar comigo, mas por causa do meu orgulho decidir não ir. Se eu a encontrasse teria respostas para as minhas perguntas? Ela me contaria a verdade ou iria falar mentiras?

A cada dia que se passava uma nova dúvida nascia em minha cabeça, mas eram só dúvidas que precisam de respostas. Respostas verdadeiras e sinceras, mas será que eu as merecia? 

...

O decorrer do ano foi passando, e nada de novo acontecia em minha vida era só aquela rotina de escola e estudos e nada mais. Me segurava a não cair em hábitos antigos novamente, mas sempre havia uma garrafa de qualquer bebida alcoólica escondida pelo meu quarto mesmo que eu lutasse para não cair naquelas tentações. 

No final do ano letivo, alguns alunos me convidaram para participar da formatura mas optei por não ir. Yumi continuava a falar sobre alugar a antiga casa, e guarda o dinheiro para alguma outra coisa que eu quisesse no futuro. Eu não sabia o que queria fazer e ser no futuro e nem ao menos sabia se teria um.

Demorou algum tempo para ter certeza se iria fazer o que estava pensando a algum tempo mas se eu quisesse respostas só havia uma única pessoa que responderia todas as minhas perguntas. Não foi muito fácil decidir, não sei se estava preparada para reencontrar minha mãe, mas precisava fazer aquilo. 

Voltei a casa antiga depois de uma manhã de aula, se quisesse mesmo fazer isso precisa de algumas informações. Ao entrar na casa percebi a poeira que tinha se juntado por não estar sendo limpa, acendi a luz da casa e comecei a caminhar na direção do porão onde as coisas velhas ficavam guardadas, e onde as cartas também haviam sido colocadas. 

Se em cima estava sujo, lá embaixo estava pior, e tudo que estava lá era coberto por poeira e teias de aranha. Fiquei com um pouco de medo de encontrar algum rato ou inseto asqueroso que provavelmente tinha por ali.

Procurei pelo antigo baú que era usado para guardar algumas coisas pequenas, onde eu guardei a caixa média de madeira escura e envelhecida. 

Estava no canto da parede junto com alguns móveis antigos. E ao abrir, lá estava a caixa que procurava. Dentro dela estava tudo como tinha deixado a um algum tempo atrás. Os papéis já eram um pouco envelhecidos mas ainda possível de ler, fui olhando uma a um e analisando datas e endereços. Minha mãe tinha andado por vários lugares, fiquei curiosa para saber o que ela fazia em cada um deles, essa seria mais uma das outras perguntas que faria. Ao analisar cada uma daquelas cartas algumas notei nunca ter visto antes, o motivo era porque não eram direcionadas a mim mas sim ao meu pai. 

Meus pais trocavam cartas? Aparentemente sim. Fiquei indecisa sobre ler ou não, não me parecia ser certo mas ao mesmo tempo que não fosse errado. Juntei tudo dentro da caixa e arrumei para ir embora, aquela poeira já me fazia mal. Tranquei tudo novamente e comecei a ir embora, o caminho seria um pouco longo mas seria bom para pensar e decidir o que realmente iria fazer dali adiante. 

Se eu queria as respostas que precisava eu realmente deveria ir atrás da minha mãe? O que fez ela ir embora? Falta de opção ou escolha? Ela estava certa ou errada? 

Nada parecia fazer muito sentindo, e porque meu pai escondeu que se falavam para mim? 

Depois de tomar banho e jantar, me sentei no meio da cama para analisar cada carta melhor. Comecei pelas do meu pai, para entender melhor o motivo de tudo, talvez encontrasse algo ali.

Fui lendo atentamente cada uma, era só coisas aleatórias que minha mãe contava como, os lugares que conhecia ou como ela estava e seus próximos destinos. Mas algo no final de uma me chamou muita atenção. 

"Sinto tanta falta de nossa filha, todas as noites me lembro daquele sorriso lindo que ela tem. Não consigo evitar não chorar ao me lembrar da minha princesinha, ao me lembrar de suas mãozinhas quentinhas e pequenas em meu rosto e quando ela dizia o quanto me amava. Eu sinto tanta falta dela, que as vezes é difícil suportar tudo sozinha, sem suporte para me segurar mas ai me lembro do quanto ela sorria para mim ao me ver fazendo suas vontades e é isso que me encoraja a continuar. Ver o sorriso dela novamente me da forças para continuar a lutar, porque no final de tudo eu sei que toda essa força ira valer a pena se no final ela estiver ao meu lado, dizendo que me perdoa por toda a dor que eu estou fazendo ela passar. Eu ainda sonho com o dia em que ela irá sorrir novamente para mim, e dizer o quanto está feliz ao me ter ao lado dela novamente, porque se for para morrer, que seja com a Sakura ao meu lado segurando a minha mão e dizendo que me perdoa por todos os meus erros do passado e que me ama. Ela é o que eu mais amo nesse mundo, e sem ela nada é tão colorido." 

Cada palavra ali so me cativou mais a fazer o que eu queria. Cada linha era uma dúvida que surgia, eu precisava reencontrala novamente. Saber se suas palavras eram verdadeiras, se haviam sentimentos verdadeiros naquelas palavras escritas naquela carta de alguns anos atrás, saber os motivos, as razões e a partir de cada respostas que recebesse tomaria a maior decisão de toda a minha vida. Eu perdoaria a minha mãe e poderiamos esquecer o passado, voltar a viver juntas como mãe e filha. Poderíamos? Eu a perdoaria? 

Continuei a terminar de ler aquela carta, no verso tinha algo a mais.

"Se precisar de algo não exite em me ligar, estou em um endereço fixo" 

Havia um número de telefone abaixo e por algum certo impulso peguei meu celular e comecei a discar. Chamou algumas vezes e uma voz que apesar de estar diferente ainda era conhecida. Meu corpo todo tremeu e minha voz desapareceu naquele exato momento. 

— Alô? - Era a voz da minha mãe ali. Eu tinha total certeza que era ela. — Quem é? 

Eu poderia começar a falar algo se quisesse, ou se conseguisse. Mas desliguei aquela ligação e bloqueei o número para que não podesse retornar a chamada. Se fosse para descobrir algo que fosse perguntando pessoalmente, olhando em seus olhos verdes iguais aos meus. Porque era em seu olhar que eu sabia a verdade, seu olhar não poderia vacilar, ele a entregava sempre que estava mentindo para mim. Eu precisava pergunta encarando ela em seu olhos. 

Colocamos a casa antiga para alugar, assim eu juntaria o dinherio que precisaria usar naquela longa viagem. Não demorou para achar alguém interessado, então no primeiro pagamento já guardei tudo. 

Usaria aquele pequeno espaço de tempo para me planejar melhor, não podeira simplesmente ligar o carro e sair dirigindo por ai, mesmo que fosse isso o que eu fosse fazer. 

Calculei a rota que seria usada, todas as cidades que passaria e pedágios. A cidade de Yamagata seria meu destino final, seria entorno de 676 quilômetros, e 9 horas dirigindo. Não poderia passar aquele tempo toda na estrada, então ia precisar do dinheiro para hospedagem, gasolina e alguns outros gastos que precisasse e seria necessário. Provavelmente seria 2 dias na estrada contando com minhas paradas para descansar, então precisaria de roupas. Fiz minha mala, precisei colocar algumas peças a mais porque não saberia o tempo que demoraria naquela cidade. Se ficaria hospedada em algum hotel ou na própria casa da minha mãe, isso iria depender de como as coisas iriam ficar. Admito que pensei que se tudo se resolvesse eu ficaria por ali mesmo e arrumaria algum emprego, mas como disse antes dependia de como as coisas ficariam. 

Fiquei muito ansiosa com toda aquela espera, os dias pareciam lentos demais. As vezes vinha a incerteza mas me desfazia desses pensamentos, eu precisa fazer aquilo. 

Yumi foi uma coisa que pensei durante aquela espera, eu não só sairia sem avisar mas deixaria alguma carta explicando algumas coisas, se eu falasse algo pessoalmente ela com certeza poderia me impedir de ir. 

Quando já tinha o dinherio suficiente que precisasse, não tardei a ir logo. Quanto mais rápido, melhor seria. O carro que meu pai tinha ficou para mim, então ele seria o meu meio de transporte por já ter a idade necessária para poder usá-lo legalmente. Pedi uma revisão antes, por estar alguns meses parado mas estava tudo certo. Naquela manhã que Yumi saiu para o trabalho, me aprontei para sair logo deixando a carta em cima da mesa da cozinha. Disse o que precisava fazer e que se tudo desse certo eu provavelmente não voltaria, pois estaria ao lado da minha mãe. Falei também para ela não se preocupar muito que assim que podesse mandaria messagem ou ligaria dando notícias. Disse para ela seguir normalmente com sua vida como antes, sem a minha presença. Não saberia sua reação, nem como lidaria com aquilo, mas desejei que ela ficasse bem. 

Aquela manhã de tempo frio seria um novo início em minha vida, eu só não sabia que ele seria tão complicado. 


Notas Finais


Esse primeiro parte da fanfic se encerra aqui, e agora vamos entrar na próxima onde tudo vai ficar bem mais interessante, contagem regressiva para Sasuke aparecer.

Eu realmente não sei quando o próximo vai sair, já tenho ele todo planejado mas não escrevi nada ainda. Tenho uma importante decisão pra tomar sobre o futuro da Sakura, não vai ser muito fácil. Vou voltar nos outros capítulos para fazer betagem, não se preocupem que não vou alterar nada na história então não precisa reler, só vou corrigir erros e alguns furinhos.

Leitores fantasmas aparecem, preciso saber o que estão achando ;) vamos interagir.

Até a próxima <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...