História Me deixe ser quem eu sou. - Capítulo 17


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Notas do Autor


Bom dia, e boa leitura.
Espero mesmo que gostem♥️

Capítulo 17 - O término está próximo?


                            P.o.v Melissa

O pai da Alex era realmente muito legal, mas o bolinho de bacalhau ia ficar para outro dia, então pedimos pizza e começamos a comer juntos no sofá.

- Nossa Alex, deve ter sido incrível crescer assim, meus pais iam arrancar minha mão se eu comesse qualquer coisa no sofá. - Eu sorri, mordendo outro pedaço de pizza.

- Uhum. - Ela respondeu mastigando.

- Bom meninas, está na minha hora. Vou deixar vocês comendo e resolver algumas coisas. - o seu José se levantou e sacudiu as migalhas.

- Ah mas já? São 18:00 da tarde. - Olhei para ele.

- Tenho que ir mesmo, mas outro dia a gente se vê, vou obrigar a Alex a te trazer aqui pro dia de ação de graças. - Ele sorriu, cúmplice.

- Claro, vou trazer a Mel se o Pedro não vier. - Alex olhou pro pai, séria.

- Ué, por que? - Olhei confusa.

Seu José saiu da sala sorrindo e acenando, e alguns minutos depois nós ouvimos o barulho do carro dando a partida.

-  O que tem o Pedro?

- É brincadeira, claro que você pode vir, é só que meu primo Pedro gosta de incomodar a namorada dos outros. Ele vai encher teu saco, mas é por isso que eu tô aqui. - Ela sorriu.

Nós terminamos de comer e eu insisti em lavar os pratos, após isso nos sentamos para assistir televisão.

Colocamos um filme interessante e nos sentamos perto.

Eu senti ela passando seu braço por sobre meus ombros, e não me afastei, por outro lado, encostei a cabeça em seu ombro.

- Mel? - Ela disse, me assustando.

- Hum?

- Tá dormindo? - Ela se voltou para mim.

- Agora não. - Bocejei.

- Tenho que te contar uma coisa.

- Lá vem bomba? - Perguntei, brincando.

- É.. se prepara pro ataque nuclear. - Ela sorriu, um pouco envergonhada.

Me endireitei no sofá, e pedi que ela começasse a contar.

- Então, sabe pra que meu pai saiu agora?

- Pra resolver alguma coisa, né?

- Sim, mas eu não te contei a história toda. - Ela olhou para o chão.

- O que Alex? Seu pai é ator pornô? - Eu pensei na possibilidade, mas me pareceu muito estranho, falei mesmo assim.

- O quê?! Nãooo! - Ela ria enquanto me olhava.

- Então não consigo imaginar nada mais esquisito que isso. Pode mandar a bomba que eu aguento.

- Eu entendo se você não quiser mais nada comigo depois disso, mas é que agora as coisas estão sérias entre a gente, poxa você já comeu pizza na minha casa, e quase foi intoxicada pela comida do meu pai, isso é o que eu chamo de sério. - Ela passou as mãos no cabelo e arrumou o óculos com a ponta do dedo.

- Alex, nem que você me contasse que seu pai é um alien eu ia deixar de ficar com você, até porque, puta merda que alien gata. - Sorri de canto, olhando seu rosto.

- Vou te contar do jeito que meu pai me contou quando eu era menor, isso é quase tudo que eu sei; Quando meu pai era criança ele vivia na cidade do México, em um bairro muito pobre, onde sempre tinha tiroteio e tráfico de drogas, minha avó estava tentando criar seis filhos sozinha, e as vezes faltava dinheiro até pra comida. Eles tentaram chegar nos Estados Unidos muitas vezes, e até conseguiram uma vez, mas foram deportados semanas depois, então meu pai cresceu no meio de uma probreza muito grande. Quando ele tinha uns doze anos, um rapaz ofereceu dinheiro pra ele levar um pacote pro outro lado da cidade, ele olhou aquela grana e aceitou na hora, claro. Quando ele chegou em casa com o dinheiro, eles conseguiram jantar por causa dele, e minha vó ficou tão feliz que nem perguntou nada. No outro dia o meu pai foi procurar de novo o rapaz, perguntando se tinha algum serviço pra ele. O cara levou meu pai pra um traficante conhecido daquele bairro, que apresentou meu pai pra esse mundo. O cara disse que quando meu pai crescesse ele ia fazer mais coisas, mas por hora ele ia só fazer entrega. Meu pai foi crescendo e começando a aceitar trabalhos mais complicados, que pagavam mais e acabavam sustentando a família. Minha vó também cresceu nesse meio, e achava bom que meu pai conseguia dinheiro. Um dia, quando o "chefe" do meu pai foi preso, ele assumiu o cartel e fez com que ele crescesse muito, e de algum jeito, não me pergunte como, ele chegou nos Estados Unidos, junto com os irmãos e minha vó, que já faleceu. Meu pai nunca mais parou com os negócios, e agora ele é um traficante famoso e muito procurado. 

Eu precisei de uns minutos para absorver tudo que tinha ouvido. José Diaz, o homem simpático e sorridente, um traficante internacional? Nossa.

Isso era perigoso, eu não sabia realmente quem era o seu José, ele parecia um pai normal, mas agora, sabendo de tudo isso, me parecia difícil acreditar que tudo ficaria bem. Se o José era procurado, quando tempo levaria até a polícia chegar na Alex, e em mim? Ela tinha um sobrenome diferente, mas isso não significava nada.

Por um segundo eu tinha certeza que deixaria Alex e seu passado, presente e futuro complicados pra lá, iria embora e seguiria com minha vida.

Então eu olhei pro seu rosto, tão incrivelmente perfeito. Os olhos verdes me fitavam, como se ela esperasse meu surto. Tudo parecia tão irreal quando comparado com ela, e eu sabia no meu inconsciente que ela podia me dizer qualquer coisa, eu nunca seria capaz de deixá-la. 

- Tá bom.

- Tá bom? Tá bom o que Melissa? - Ela me perguntou, ansiosa.

- Eu não me importo, pra mim, nada mudou entre nós. - Tentei dar um sorriso, mas ainda estava abalada por todas essas informações, e uma delas me preocupava mais do que as outras, será que a Alex poderia ser presa também?

- Ah meu Deus, você é tão doida, garota. Nem sei se fico aliviada por você não surtar e não me deixar, ou se fico puta por você se colocar em tanto perigo, por eu te colocar em perigo. - Ela enfiou os dedos no cabelo, levantando-os.

- Não tô em perigo, não em quando a minha segurança gata estiver aqui. A gente vai enfrentar tudo do jeito que tem que ser, juntas. - Sorri pra ela e me aproximei.

- Melissa, isso é sério. O negócio do meu pai é grande, sempre tem gente tratando disso aqui, alguns são legais, quase família, mas tem gente de tudo que é tipo, gente perigosa. - Ela me encarava para eu prestar atenção.

- Alex, presta atenção você. Não é a senhorita que saí vendendo droga por ai, certo? - A encarei.

- Não, eu nunca me envolvi com isso, e nem quero. O que eu quero é ficar longe daqui, me matriculei no internato justamente por isso.

- Então pronto. Nada vai me impedir de ficar com você, depois do episódio com o Gabriel e de toda a história eu só consigo ter mais certeza disso. - Sorri e entrelaçei nossos dedos.

- Preciso de outra coisa Mel, não conta pra ninguém. - Ela segurou minhas mãos nas suas.

- Deixa comigo, sou sua melhor agente secreta. - Bati continência e sorri. - Alex, de verdade, obrigada por confiar em mim pra me contar tudo, eu sei que deve ser difícil. 

- Eu não podia continuar te colocando em perigo sem você saber de nada. Agora, já que você é piradinha e irresponsavelmente não se importa com isso, vamos fazer outra coisa. - Ela sorriu e puxou minha cintura para perto.

- O que?

- Me beija. - Eu juntei nossos lábios, num beijo profundo, e por um momento, esqueci todos os problemas do mundo.


                  P.o.v Alexa


Mesmo depois de insistir muito, e muito mesmo, Melissa chamou um táxi e foi pra casa dela, dizendo que seria muito incômodo dormir aqui.

Eu estava preocupada por ela ter que enfrentar o furacão sozinha, mas também estava aliviada de ter exposto meu pior segredo, e ela ter reagido com um " Tá bom".

Eu conheço a peça o suficiente pra saber que ela ficou quase doida por dentro, mas sorriu e acenou por fora.

Era complicado, por um momento eu achei que ela ligar pra polícia, depois eu achei que ela ia surtar, e depois fiquei feliz que ela só disse que não tinha problema. Afinal de contas, não é normal ter um pai traficante, e uma casa falsa. Amanhã eu podia acordar na Guatemala, fugindo das investigações.

Por um lado, eu não queria envolver ela nisso, quando ela soube, passou a ser muito mais perigoso pra todo mundo.

Eu queria ela longe disso tudo, mas eu também precisava dela perto de mim e eu estava afundada nessa merda mais do que ninguém. Era muito egoísta, eu devia pensar no bem dela antes de qualquer coisa, mas só de imaginar outro dos nossos afastamentos, eu já sentia como se fosse desmaiar. 

Eram 19:45 quando eu me despedi da Melissa e pedi pra ela me mandar mensagem caso a chegada dela não fosse bem recebida. Eu nem sequer sabia o que ela ia inventar pros pais.

Resolvi me deitar mais cedo que o normal só porque não tinha o que fazer, mas em vez de dormir, fiquei por horas me virando na cama, sem conseguir pegar no sono.

Quando eu finalmente cochilei, tive sonhos agitados, com a Melissa, meu pai e todo o trabalho dele. Quando acordei, minutos depois o despertador tocou.

Eu tomei um banho, coloquei o uniforme, retirando de próposito a gravata borboleta, e desci arrumar alguma coisa pra comer, acabei comendo uma fatia da pizza fria de ontem, e chequei o celular.

Melissa <3 (agora mesmo): Bom dia, acordou no horário hoje?

Você (agora mesmo): Se eu te contar, nem consegui dormir.. Mas e você, dormiu em casa?

Melissa <3 (agora mesmo): Não, eu voltei pro colégio, achei melhor.

Você (agora mesmo): Por que não me disse? Eu poderia ter ido aquela hora também. 

Meu pai ainda não havia chego em casa, isso era bem normal na verdade, ainda bem que eu aprendi a andar de metrô aos 6 anos.

Peguei o primeiro, ainda tive que caminhar um pouco, mas cheguei a tempo pra primeira aula. Me sentei na carteira da sala de Matemática e tentei não dormir sentada, infelizmente Melissa quase não tinha aulas comigo, graças as minhas tentativas ridículas de me afastar. Parece que meus planos nunca dão certo, mas nesse caso eu tinha que dar graças a Deus por isso.

Quando o sinal tocou, eu saí dos devaneios e fui pra próxima aula, física.

Só por Deus, quanta aula de exatas nessa escola. Mas física eu e a Mel tínhamos juntas.

Quando o professor pediu as questões do trabalho, meu sangue gelou e eu olhei em pânico pra ela, que percebeu e balançou uma folha, enquanto sorria com diversão.

O resto do dia passou rápido, após o almoço, tive duas aulas de inglês e uma de geografia, e depois fui pro meu dormitório, feliz pela segunda-feira ter praticamente acabado. A felicidade durou até eu perceber a pilha de lição de casa se acumulando na escrivaninha.

Como a boa aluna que sou, é claro que eu deixei tudo lá e deitei na cama pra mexer no celular.

Alguém entrou sem bater no quarto, e eu me virei pra perceber que era a Laura, namorada da Nicole.

- Aí meu Deus, desculpa achei que a Nicole estivesse aqui.

- Sem problemas, mas ela deve estar na biblioteca, aquela nerd. - Fiz uma careta.

- Tudo bem, eu vou lá, até mais. - Ela saiu tão rápido que nem me deu oportunidade de responder.

- Dona Alex, quem era aquela mocréia saindo correndo seu quarto? - Me surpreendi com aquela voz conhecida.

- Era a namorada da Nicole, veio procurar por ela, Mel. - Eu larguei o celular, me virei e aproximei dela.

- Hum. - Ela murmurou, com a cara emburrada.

- Hmm tá com ciúme é? Pra você ver o que eu passo com o Gabriel - Sorri e passei os dedos em seus lábios, desmanchando o bico. Colei seu corpo ao meu e a beijei com vontade, agarrando sua nuca e passando meus dedos por seus cabelos loiros. E a senti colocando as mãos em minhas costas com certa força.

- Senti sua falta. - Falei em meio ao beijo, já sem fôlego. 

- Ei, Alexa. Tá na hora do jantar, senta comigo hoje. - Ela me pediu, ainda com as mãos coladas em meu corpo.

- Tem certeza que quer fazer isso, pode parecer simples, mas e a história com o Gabriel, ele não deve ter engolido o jeito que eu cheguei na sua casa sem que ele te visse sequer dar um telefonema. - Encarei seus olhos azuis brilhantes, e percebi que ela estava um pouco insegura.

- Alguma hora vai ter que acontecer, eu me recuso a aceitar essa situação com ele. Eu quero você, e ele vai ter que arranjar outra pessoa pra incomodar.

- Tá bom, me dá outro beijo e vamos jantar.

Ela me deu um selinho e mordeu meu lábio inferior, aquilo deixou todos os meus sentidos aguçados, como uma injeção de adrenalina. 

- Você ainda vai me matar, Melissa. - Ela sorriu e pegou minha mão. 

Então, saímos de mãos dadas do quarto, pela primeira vez.


Notas Finais


Então, o que acharam?
Obrigada por ler até aqui 💜


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