História Me Ensina a te Esquecer - Capítulo 11


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Palavras 3.407
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi-oi. Estou de volta. Me perdoem a demora. Para compensar-vos por serem tão bons leitores e pacientes, amanhã, ou no máximo sábado estarei postando a continuação deste capítulo. Se segurem...
Ah, comententários! Please. Agradeço os do capítulo anterior.
Quero continuar sabendo o que estão achando.
😘

Capítulo 11 - Você vai, ou fica?


Fanfic / Fanfiction Me Ensina a te Esquecer - Capítulo 11 - Você vai, ou fica?


POV Mel


Deslizei suavemente a ponta dos dedos pelos lábios. Fechei os olhos. E relembrei. Laura me puxando de surpresa. Sua boca encostando na minha. E eu me rendendo ao seu beijo à medida que sua língua adentrava. Quente. Húmida. Deliciosa. Se misturando com a minha. Sugando-a. Sem parar. Não dando nem tréguas à respiração. 
Ela acariciava meus seios. Alisava minhas coxas. Deslizava as mãos por todo o meu corpo, como se não houvesse amanhã. 
Com força, me apertava contra si. Me fazendo sentir sua excitação. Seu desejo. Meu coração batia descompassadamente. Enquanto retribuía cada beijo. Cada toque seu. Cada amasso. Com desespero e sofreguidão. 
Só de recordar eu e Laura nos pegando naquele banco de jardim que balançava  e rangia ao ritmo de nossas carícias, meu corpo ficava em brasa.
O seu sabor adocicado permanecia ainda na minha boca. Seu cheiro inebriante colado em mim.
Cada vez que segurava uma pestana caída, entre os dedos. Que olhava o céu estrelado. Soprava as velas de um bolo. Ou, atirava uma moeda para uma fonte de água. Era algo assim que eu secretamente pedia. Meu desejo sempre se chamou, Laura. Implorava por um instante de amor. Pensava que isso era pedir “muito”. Que era impossível. Só nunca pensei que não fosse o suficiente. É que afinal, eu queria que um instante de amor, se prolongasse mais. Pelo máximo de tempo possível. E era tudo o que passava pela minha cabeça enquanto ela me beijava. Não posso deixá-la ir. Jamais…
Se deixasse que ela me levasse para casa. Arrancasse minha roupa. Me jogasse na cama e… - Imaginei. Tudo o que Laura faria comigo. Com um brilhozinho nos olhos ao mesmo tempo que mordia o lábio inferior. Daí experimentei uma pequena dor no peito. Uma amostra da desilusão que sentiria ao acordar no dia seguinte sozinha. E constatar que ela se foi. Para sempre.
Então, fui embora. Para que ela ficasse.
Faz sentido o que eu fiz? Não sei. 
Só sei que se ela entrar num avião esta noite essa decisão vai-me atormentar para o resto da vida.
Fiquei encarando a porta. Esperando ouvir o tilintar da chave. O barulho característico do rodar da fechadura. Aguardando o melhor dos desfechos. Que a qualquer momento, Laura entraria. Me envolveria em seus braços e me arrastaria para a cama. E talvez aí a gente pudesse ter aquela conversa. Urgente. Sem roupa. A mais sincera das nossas vidas. Espreitei pela janela. Todo o carro que passava eu pensava que era o de Laura. Esperei pela madrugada fora. 
Acordei com o som do despertador. Estava babando no sofá. Tinha adormecido. A coberta que trouxe para me aquecer estava no chão. Minhas costas doíam. E eu estava gelada. Mas pior que isso tudo, foi constatar que Laura não veio. 
Liguei para o seu celular. Deu sinal de impedido. Minha cabeça ficou girando.  Talvez a única coisa que Laura me poderia dar era aquele instante de amor. E eu recusei. Virei costas e me afastei na direcção contrária. 
Talvez tenha sido mesmo uma idiota. Esperando a noite toda que ela entrasse pela porta e dissesse: Eu fico…

Sabendo que isso não dependia da sua vontade. Pelo que percebi a máfia estava praticamente a obrigando a voltar para o Brasil. Pressionando a sua família. E eu vi os filmes. Se você não faz o que eles querem, começam enviando partes do corpo dos seus ente-queridos numa caixa, pelo correio. 
Tomei um duche rápido. A água não lavou minha decepção. Tampouco abrandou minha sobrecarga de pensamentos. Vesti a primeira roupa que encontrei e fui trabalhar.
Mal cheguei o director me chamou à sua sala. Um jovem rechonchudo. Loiro de olhos azuis. Que falava alto. E muitas vezes sem modos. Estava resfastelado na sua cadeira reclinável de executiva. Em cima da mesa tinha uma pilha de papeis. Nas prateleiras, livros e mais livros. 
- Entre Melissa... – Com um semblante preocupado revelou. - O programa de gestão das mensalidades dos alunos não está funcionando. Ora veja… - Fez sinal para que me aproximasse.  
Observei a notificação no ecrã. Com a sua permissão, movi o rato e dei alguns cliques para descobrir o que se passava. - Sr. Silva, a licença do programa expirou… - 
- E agora? O que é que a gente faz?  - Curioso, estar perguntando isso a mim. Já que aquela questão era responsabilidade única e exclusivamente sua. Mesmo assim tentei ajudar.
- Sr. Silva, para renovarmos o programa agora teremos de pagar o dobro do valor já que não cumprimos o prazo de pagamento. – O quê?!! – Ele vozeirou. Pegou o telefone interno e gritou à secretária que chamasse um dos técnicos administrativos. Em menos de dois minutos ouvimos uma batida na porta.- Chamou Sr. Silva? 
- Então, oiça lá, oh António. Não pagou a renovação da licença do programa de gestão das propinas dos alunos?! Inquiriu em tom de acusação. 
- Não. Então, Sr. Silva eu avisei que o programa ía expirar. Lembra-se? Disse-lhe umas três vezes. E o senhor respondeu sempre que depois tratava disso. - Respondeu dando de ombros. 
- Mas, falou comigo quando? A semana passada! Porque é que não me falou ontem? Não posso ser sempre eu a resolver tudo! A lembrar-me de tudo!  - Durante meia hora ele descontou sua frustração no funcionário, lamentando ter de tratar de todos os assuntos sozinho. Fui obrigada a permanecer ali e a ouvi-lo já que em nenhum momento me deu permissão para abandonar a sala. Tampouco me atrevi a interrompê-lo. Enquanto ele gesticulava e berrava, usando palavrões como quem usa virgulas, tive uma ideia. 
- Sr. Silva, e se instalássemos outro programa? Existe um que faz exactamente o mesmo que o que costumamos utilizar e é gratuito. Se o instalássemos poderíamos ler os ficheiros antigos e aceder ao histórico de pagamentos da propinas.
- E consegue fazer isso Melissa? – Ele questionou mais calmo. Limpando o suor da testa com um lenço de lapela.
- Acho que sim… - Respondi meio insegura. Não queria que no final se não desse certo ele berrasse comigo também. O Sr. Silva suspirou cansado. Pegou numa cadeira de madeira que estava no corredor e a colocou ao lado da sua. Junto ao computador. Sentei-me e iniciei o processo de instalação. O técnico administrativo aproveitou a oportunidade para sair de fininho da sala. 
Para completar a operação eram exigidos diversos códigos e senhas de autorização. O Sr. Silva  sacou de um caderninho e começou inserindo os dados. No entanto, sempre que carregava na tecla enter, surgia uma mensagem de erro indicando que os dados estavam incorrectos. Agastado, ele me passou o caderninho e pediu que fosse eu a digitar os códigos. Era uma combinação de letras, números e símbolos aleatórios. Facilmente consegui a autorização para continuar. Depois de instalar com sucesso a aplicação, abri os ficheiros de pagamentos de propinas. O Sr. Silva agradeceu. E sorriu aliviado. Seu celular tocou. Bastou olhar para o nome que aparecia no visor para sua expressão mudar.
- O que é que esta mulher quer?! Estou farto dela! Não larga do meu pé! – Resmungou aborrecido. De seguida, atendeu com um tom de voz extraordinariamente afável. Não fosse a aquela uma ligação da dona da Escola.
- Sim, D. Carminho. Bom dia...Ía mesmo agora ligar para si…Olhe, já não estamos usando aquele programa de gestão de propinas...Sim, resolvi mudar. Encontrei um bem melhor. E que não nos custa nada. - Gabou-se. E com o peito inchado de vaidade ainda acrescentou. - Então, mas acha mesmo que eu precisava da ajuda de algum técnico para instalar? Claro que não! Instalei agora aqui na minha sala, sozinho… - Afirmou enquanto eu ainda me levantava. Ergui uma sobrancelha surpresa com seu descaramento e ao mesmo tempo com vontade de rir. Ele tapou a orelha do celular e disse. – Pode ir Melissa. Já não estou precisando mais de você...Ah, e feche a porta, por favor… - Retirei-me. Quando cheguei ao pátio as crianças já tinham acabado de tomar o café da manhã e estavam brincando. Todas menos uma. Daniel, um menino de 4 anos. De pele escura. Com feições inocentes. Mas que na verdade era a criança mais rebelde da Escola. Um pequeno terrorista como lhe apelidaram. Mais uma vez ele estava sentado num canto de castigo. Custódia a educadora mais antiga e mais brava da Escola vigiava-o de perto. 
- Pode deixar eu fico com esse pestinha… - Falei me aproximando. Ela afastou-se praguejando algo impercetível. Sentei-me ao lado do pequeno.
- Vá, me conta, o que você aprontou dessa vez? - Perguntei num tom condescendente. Ela abriu os braços e inocentemente respondeu. - Eu? Nada.
- Então, porquê você está de castigo? 
- Eu ofereci uma bala de menta para Carolina. Aí veio o Carlinhos e tirou a bala da mão dela. Aí eu o empurrei. Ele caiu e começou chorando… - Resumiu.
- Daniel, já disse para você. Quando é assim me chama. Já sabe que não pode brigar com seus coleguinhas… - O repreendi.
- Mas é que você não estava. E eu tenho de defender a Carolina. Ela é uma das minhas namoradas! - Referiu convictamente.
- “Uma das suas namoradas”? O quê? Você tem mais que uma? - Perguntei.
- Sim. Tenho cinco. A Carolina, a Ana, a Larissa, a Latoya e a Inês. – Enumerou orgulhoso.
- E elas sabem que são suas namoradas? - Ele me olhou como se eu fosse louca.
- Claro que não! Elas não podem saber… - A hora do recreio terminou e as crianças foram levadas para as suas respectivas salas. Mirei meu celular. Nada de notícias de Laura. Liguei, mas ela não atendeu. Tive a manhã toda ocupada em actividades com as crianças. Na hora de almoço sentei-me ao lado de Daniel já que ele sempre fazia manha para comer.
- Vi uma bactéria na sopa… - Afirmou sério. Ergui a sobrancelha.
- Daniel, as bactérias são invisíveis… 
 - O que é isso? - Questionou fazendo uma careta.
- Significa que não se vêm… - Expliquei. Ele franziu o sobrolho e deu um sorriso sapeca de lado.
- Eu também sou invisível… 
- Se você fosse invisível, eu não conseguiria te ver…  - Indiquei o óbvio. 
- Espera um pouco… - Ele me olhou com uma expressão de sabichão.
- Daniel, você não vai se esconder, pois não? – Podia ler seus pensamentos.
- Não… - Ele assegurou rindo. Depois levantou-se. E me fitando o tempo todo com um ar de malandro, contornou a mesa e desapareceu debaixo dela.
- E agora tia Mel? Consegue me ver? Não, disse para você que eu era invisível? - Espreitei debaixo da mesa e lá estava ele. Descoberto desfez-se em gargalhadas. 
Só mesmo ele para distrair minha cabeça do assunto, Laura. 
Quando voltei quase de noite para o apartamento, ele estava vazio e silencioso. Entrei na sala e desabei no sofá. Tinha a esperança secreta de encontrar Laura. Mas, ela não estava. Pensei em conferir se suas roupas continuavam no roupeiro. Mas, não tive essa coragem. Não queria constatar que ela realmente partido. Que a perdera para sempre…
Felizmente para mim, Glória me ligou obrigando-me a mastigar, engolir e a digerir, em seco, esse facto.
- Então amiga, ela foi mesmo embora? - A comiseração patente na sua voz me fez sentir ainda pior.
- Hum-hum...- Respondi sem vontade para elaborar. No entanto, Glória queria que eu comentasse, desenvolvesse, exemplificasse, descreve-se, justificasse, cita-se Laura e dissertasse mais sobre o tema. Nunca vi pessoa mais curiosa! Ainda me brindou com um, “foi melhor assim”. E eu numa tristeza ridícula, que me estrangulava o peito, com vontade de fechar os olhos e hibernar por um tempo indeterminado ainda tinha de ouvir esse tipo de pérola!
- Glória, estou adorando nosso papo… - Referi ironicamente. -...Mas tenho de ir ver a panela que está no lume… - Menti.
- Tudo bem, amiga. Mas, oh…Se precisar de falar, eu estou aqui…É só ligar… - Sei que tinha boas intenções. Mas, isso seria a última coisa que faria.
- Ok, obrigada. Mas, eu estou bem. - Falei como se aquilo fosse de facto verdade. Como se não me importasse. Ou, custasse...
Desliguei a chamada e fiquei completamente imóvel por uns minutos. Depois agarrei um travesseiro. Encostei a cabeça num dos braços do sofá. E esperei o sono me levar. 
Estava quase fechando os olhos quando o barulho da porta se abrindo me sobressaltou. Levantei-me num pulo e corri até à entrada. 
- Laura…- Ela estava bem ali na minha frente. Com uma expressão séria no rosto. Sua roupa era diferente da véspera. Usava um terno azul escuro, extremamente chique. E uma blusa de seda, branca. Minha vontade era abraçá-la. No entanto, freei minha alegria. Me dando conta que o facto dela estar ali, não significava que iria ficar. Provavelmente, só tinha vindo buscar suas coisas e se despedir. O seu jato privado deveria estar em algum hangar, a esperando. 
Cruzei os braços e a encarei meio na defensiva. 
- Veio se despedir de mim? Uma chamada bastava para dizer “adeus”. Escusava perder a viagem….
- Bem, nós duas conhecemos muito bem seu histórico no que toca a atender chamadas no celular… - Referiu ironicamente. Nos olhamos em silêncio. Segundos depois,  Laura começou se explicando.
- Gostava que compreendesse… - Tentou se aproximar me oferecendo antecipadamente consolo. Como se eu quisesse, ou precisasse dele. Recuei, instintivamente. Já sabendo que ela iria me magoar.
- Eu compreendo. Só não aceito… - Não aceitaria sua pena. 
- Mel… - Ela deu um passo em frente. Estreitando seus olhos verdes para mim. Eu continuei retrocedendo. - …Me perdoa, por não poder dar o que você tanto quer. O que você realmente merece. Tenho compromissos. Dos quais não posso fugir. E um noivo. Com o qual vou casar… Não quero que crie expectativas. Não vou terminar minha relação com ele para ficar com você. Por favor, não alimente essa fantasia. As coisas são como são. E isso simplesmente, não vai acontecer…
Aquelas palavras doeram mais que um tapa na cara.
- Não criei nenhuma expectativa. Você nunca me prometeu nada. Não sou uma completa idiota… - O pior é que era. Tempo de constatar e reconhecer que tinha me ferrado. Meus olhos brilhavam. Eu empurrava as lágrimas para dentro, para que não saíssem. 
- Não quero magoar você… - Cocei os olhos. 
- Lá vem você com essa ladainha de novo…Mas, fique descansada. Não me magoou. Está tudo bem. - Laura, caminhou até mim. Na ansia de me afastar acabei batendo com a anca num dos móveis e derrubando alguns objectos. 
- E então, o que você está esperando? Volta para o seu noivo! - Falei sem esconder minha frustração, arrumando rapidamente os objectos caídos. Ela hesitou. - ….Não quero que se atrase e perca o voo…por minha causa... - Ela ergueu uma sobrancelha.
-  O avião é meu … - Frisou. Logo a seguir tentou encurtar nossa distância.  
- Mesmo assim seu noivo não vai ficar nada contente se você se atrasar…ou, a máfia…Isto deduzindo que um grupo de criminosos altamente perigosos valoriza a pontualidade...
- Sim, na verdade eles respeitam muito a pontualidade… - Ela aumentou repentinamente seu tom de voz, irritada. - Você pode parar quieta por um segundo, por favor? Pára de fugir de mim! 
- Então fica no seu canto! Ou, vai embora de uma vez! Não percebo porque está demorando tanto…Não conhece a porta? Porta, Laura. Laura, porta. Agora você pode ir! E por favor, não me chama para ser madrinha dos seus filhos! Posso te adiantar que a minha resposta vai ser não!... - Eu estava em ponto de ebulição. Laura, franziu a testa. E me fitou com um ar complacente. Pousou uma revista em cima do mesmo móvel contra o qual eu tinha acabado de chocar. 
- Eu disse que… Não conseguiria te dar o que você tanto quer e merece…Não disse que não conseguiria te dar nada… 
- O que é isso? – Perguntei confusa.
- Lê, por favor, é a edição de amanhã…
Olhei de soslaio para a conceituada revista “Internacional, Business”, especializada em temas como economia, negócios, política e tecnologia. Laura aparecia em destaque na capa. Com um magnífico vestido preto. Muito elegante. Um exclusivo Chanel. A maquiagem realçava ainda mais a cor dos seus olhos. Em letras garrafais encontrava-se escrito:
“Laura D’Ávila, muda-se para o Canadá”
Peguei imediatamente no exemplar querendo saber mais. Minhas mãos tremiam ao segurá-lo.
Em baixo surgia uma breve nota sobre o tema. 
“CEO transfere sede de negócios do Grupo D’Ávila do Brasil para o edifício Roger’s Building em Vancouver, Canadá.”
- Você… - Eu estava tão perplexa que esqueci como se formulavam frases. - …Comprou um edifício e mudou a localização da sua sede em um dia? 
- Ela se aproximou de mim. Dessa vez,  não me afastei. Permiti que invadisse meu espaço pessoal. 
- Bem, você me deixou altamente motivada… - Ela sorriu maliciosamente. Alisou meus ombros. Desceu a mão até o meu peito. 
- Nossa seu coração está a mil à hora! – Constatou.
- Isso porque você chegou. Me enrolou durante um tempão. Em vez de dizer logo que ficaria! Isso pouparia meu coração de corridas desnecessárias! - Ela riu e humedeceu o lábio inferior com a língua. - Ainda bem que está se divertindo... - A repreendi. Ela abriu os braços.
- O que é que você queria que eu fizesse? Que começasse por onde a gente parou...você sabe...nosso assunto inacabado. Sem primeiro esclarecer alguns pontos fundamentais?... - Sim. Definitivamente, sim. Cocei o queixo. Pus-me a pensar. Haviam melhores jeitos de usar a boca do que para falar. Ela me fitou e revirou os olhos como se adivinhasse meus pensamentos. - ...Não! Claro que não poderia fazer isso! Eu me preocupo com você... 
- Quem me dera que se preocupasse menos… - Aquela frase simplesmente escapou dos meus lábios. Pela sua expressão pude perceber que não ficou nem um pouco feliz em ouvi-la. Mas a verdade, é que seu excesso de cuidado era a causa dos meus suspiros. Das minhas longas respiradas. E das minhas insónias á noite...
Laura, me encurralou contra o móvel. Premindo seu corpo contra o meu. Não deixando nem um só milímetro de espaço entre nós. - Mel, não quero que se iluda... - Sua voz se transformou num sussurro. - ...Que se apegue... – Aproximou perigosamente seu rosto do meu. Seu perfume era um atentado aos  sentidos. Com os olhos cravados em mim o tempo todo, ela se encaixou entre as minhas pernas. Desceu sua mão até meu sexo. Pressionando-o entre o tecido da calça. Fechei os olhos. E delirando com seu toque gemi. - ...não quero que sofra... - Ela enfiou a outra mão atrás da minha nuca. Segurou meus cabelos. E trouxe meus lábios para ela. Me devorando com sua boca. Sua língua buscava a minha com urgência. Húmida. E quente. Eu já estava viajando. Até que ela descolou bruscamente nossas bocas.
- Entendeu, Melzinha? 
- Hum-hum... - Eu busquei sequiosa de novo o abrigo dos seus lábios. Mas, ela se afastou ligeiramente.
- Você prestou atenção a alguma coisa que eu disse? - Ela sorriu olhando para a minha boca. Se divertindo com o meu desespero. 
- Sim-si-si... - Eu disse comendo a única  sílaba da palavra. Recapitulei. - Entendi. Não me iludir…Não me apegar...Não sofrer...Percebido. Check. Check. E check... - Ela mordiscou meu pescoço suavemente. - Linda menina... - Ao mesmo tempo continuava massajando minha zona íntima. De repente, me bateu uma insegurança.
- Laura...Eu nunca fiz isso antes...com uma mulher? Não sei como se faz... – Confessei entre suspiros.
- Sério? E eu que pensava que você era uma profissional... - Ela debochou de mim. Inacreditável. Fiz uma careta.
- Não fique brava. Mas, é muito complicado... - Ela disse com a cabeça submersa no meu cabelo. Passeando a língua pela minha nuca. Entrei em pânico. Afinal eu recorri ao método da chantagem sexual, para ela ficar. E resultou. Só que agora Laura estava reclamando seu prémio. E eu tinha receio de não satisfazê-la. - Sério? É assim tão difícil?
- Sim. Eu nem consigo explicar por palavras... - Seus olhos estavam estranhamente escuros. Um verde perverso. - ...Vou ter de te mostrar... - Engoli em seco. - ...E como é que vocês educadoras costumam dizer mesmo? Ah! Eu explico as vezes que forem necessárias até você aprender...




 



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