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História Me mantenha por perto - Capítulo 25


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Capítulo 25 - Não se importar (Parte 2)


[...]

O caminho até em casa era curto e, durante o trajeto, os pensamentos de Cosima eram de que gostava de se considerar uma pessoa decente. Desde pequena, ela sempre tentou seguir regras. Mantendo o quarto arrumado, estudando para as provas, fazendo o melhor para se comportar bem com os pais.

Não era o abraço que deu em Shay que a fazia duvidar da própria integridade. Não havia nada demais, era um simples abraço entre amigas. E a noite havia sido inocente – ela não teria problema nenhum em falar sobre aquilo com Delphine.

Não, o sentimento de culpa dela era devido ao resultado do efeito em sentir o leve tremor de Shay em seus braços; o perfume suave invadindo seu olfato; os lábios rosados tão próximos quando se afastaram.

Shay era linda e sempre foi uma garota muito atraente, e se tivesse sido honesta consigo mesma, teria evitado observar os lábios dela tão perto. Em que estava pensando? questionou-se decepcionada consigo mesma. Mas, apesar disso, sabia que não era perfeita. E poderia, muito bem, se perdoar por não o ser. Era humana, assim como todos os jovens de sua idade.

Depois de guardar a caixa de ferramentas na garagem, Cosima adentrou a casa e logo uma cena lhe chamou a atenção.

– Ah, meu Deus – suspirou ela, revirando os olhos para os pais deitados no sofá se beijando – arrumem um quarto vocês dois.

Eles pararam e olharam em sua direção, Cosima sorriu de canto fazendo um gesto com a mão, dando a entender que estava brincando.

– Mas... já? – perguntou a mãe, olhando em direção ao relógio – Ainda são nove da noite, cadê a Del?

Quando havia saído de casa eles não estavam, então sentando-se diante dos pais, Cosima coçou a nuca, atualizando eles das informações.

Enquanto ela falava, Caleb sentou-se no sofá, uniu as mãos e apoiou o queixo nelas. O normal seria ele implicar com Cosima por ela ter passado algumas horas com Shay e Delphine estar na companhia de Paul, mas aquele não era um momento para isso. Ao lembrar do modo como a filha ficou abatida quando soube que Delphine não passaria a noite com ela, disse:

– Bem... não tem nada demais nisso, não é? – perguntou ele – Digo, ela estar lá com Paul e você aqui.

– Não, claro que não – disse Cosima, olhando da mãe para o pai – Eles são amigos. É importante ela se enturmar, não é?

Ambos sorriram parecendo satisfeitos com a resposta e assentiram lentamente, quase de forma sincronizada.

– Bem, parece que você e Shay se divertiram – observou Helen.

– Sim – confirmou Cosima se recostando no sofá – Vocês sabem como Shay é. Sempre muito descontraída e engraçada.

Helen sentou sobre a perna, descansando a mão na coxa do marido.

– E a torneira ficou boa? – Caleb perguntou.

Enquanto Cosima explicava para o pai o que havia acontecido com a torneira, Helen se levantou e foi para a cozinha preparar um chá para eles.

– Pai – Cosima chamou devagar, abaixando a voz – Eu queria perguntar uma coisa.

– Pergunte. – disse Caleb, franzindo as sobrancelhas

– Sabe, eu sei que você sempre foi apaixonado pela mamãe – Ela fez uma pausa, apoiando os cotovelos nos joelhos olhando para o chão – Mas, seja sincero comigo...

– Sempre – disse ele, ficando na mesma posição que a filha a olhando – O que foi?

Cosima levantou os olhos, fitando o pai por um momento antes de começar.

– Quando era mais novo, e estavam namorando, você já sentiu atração por outra garota que não fosse a mamãe? Ou outra mulher durante o tempo em que estão casados?

Em vez de responder, Caleb ficou olhando para a filha, com uma expressão intrigada.

– Não me entenda mal – adiantou-se Cosima ao perceber a hesitação do pai – Eu sei que você a ama, e acredite eu amo Delphine. Mas teve um momento hoje, apenas um momento, em que eu senti vontade de beijar Shay, saber se realmente seria como beijar uma irmã. Mas não a beijei – explicou ela, sentindo necessidade em esclarecer aquilo – Não poderia fazer isso com Delphine e nem com Shay, e mesmo que não tenha feito, isso me parece tão errado. Sabe? Isso de...

– Não é errado. Ouça... – pediu ele, a interrompendo – Quando eu era mais novo, eu sentia atração por outras garotas e aposto que sua mãe também notava outros meninos. Isso é normal e perfeitamente natural. – Caleb fez uma pausa, mantendo o olhar no da filha – Mas, o que você precisa sempre ter em mente, é o que você quer para você. Eu sempre quis sua mãe, e por isso nunca a traí e jamais faria isso.

– Eu sei – disse Cosima sorrindo de canto – Vocês conseguem manter essa paixão acesa mesmo depois de tantos anos.

– A gente se ama, filha – disse Caleb, buscando as mãos da menina, deixando entre as dele – Não se sinta mal por notar outras garotas. Isso é normal, ainda mais na sua idade. É apenas curiosidade. Mas o importante é a escolha que você faz em ser honesta e fiel.

Isso era verdade, e Cosima sabia. Também pensava dessa forma, contudo, precisava ouvir seu pai dizendo isso.

– E, bem... – continuou ele, porém hesitou por um instante – Não é qualquer garota, não é? É a Shay. Vocês sempre foram muito... próximas. Já conversamos antes sobre Shay, você já se sentiu assim por ela no passado, mas teve seus motivos para se manter somente amiga dela. – falou ele, relembrando a conversa que tiveram dois anos antes.

– Sim – concordou Cosima –, eu tive medo de magoa-la quando precisássemos seguir caminhos oposto depois do ensino médio. Também tive medo que eu nunca me apaixonasse de verdade. – Cosima suspirou olhando para o chão – Crescemos juntas. Ela sempre foi minha melhor amiga, entende? – ela ergueu os olhos para o pai novamente – Eu só queria a proteger de alguma dor que eu pudesse causar a ela.

Caleb ficou em silêncio por um momento, pensando no que a filha dissera.

– Mas você ama Delphine, certo? – perguntou ele.

Se ela amava Delphine? Seu pai sairia correndo se soubesse o quanto.

– Eu juro, eu sou insanamente apaixonada por Delphine, não duvide disso – afirmou Cosima, seus olhos estavam em seu pai, não escondendo sua honestidade.

– Eu não duvido filha. Só queria me certificar que você fez uma boa autoanálise.

Cosima assentiu sorrindo, e as palavras que seu pai diria a seguir, ainda seriam lembradas por ela muitos anos mais tarde.

– E por amar ela, você sempre fará a escolha certa. – Caleb sorriu estudando o rosto da filha por um momento – Sabe filha, na vida às vezes a gente encontra algumas barreiras, algumas vezes se confunde ou fica em dúvida e não há problema nenhum em se perder, desde que você encontre seu caminho de volta. Quando você ama alguém, essa pessoa se torna seu farol, e mesmo que você se perca, você acaba encontrando seu caminho novamente até ela.

Sorrindo, Cosima assentiu e refletindo sobre aquilo se aproximou e abraçou demoradamente o pai, grata pela compreensão e por suas palavras tranquilizadoras. Parada na porta da cozinha, Helen franziu as sobrancelhas segurando as xícaras de chá quando Cosima se aproximou, estalou um beijo em seu rosto e depois a apertou em um abraço de urso antes de ir para o quarto.

– O que houve? – Perguntou Helen ao marido, colocando as xícaras sobre a mesa de centro.

– Ah, nada demais – respondeu ele a puxando pela mão – Nossa filha é uma adolescente e está confusa. Mulheres fazem isso com a cabeça de quem gosta de mulheres, sabia?

– Seeei – disse Helen rindo ao sentar no colo do marido – Mas, é algo para se preocupar? Acha que vai ficar tudo bem?

Caleb ficou em silêncio por um momento, observando o rosto de Helen e pensando na breve conversa com a filha. Ele e Helen já consideravam Delphine como membro da família, e não tinha dúvidas quanto aos sentimentos da filha para com a namorada. Além disso, sentia-se orgulhoso com a menina, tinha certeza que Cosima jamais faria algo para ferir Delphine. E era isso que ele e a esposa esperavam da filha.

– Não se preocupe, querida. Tenho certeza que vai ficar tudo bem – Caleb fez uma pausa, afastando uma mexa dos cabelos negros e lisos da esposa – Nós temos uma boa filha, e tenho certeza que as escolhas que ela fará no futuro, nos deixarão orgulhosos.

***

– Você está acordada? – perguntou Cosima ao telefone na manhã seguinte.

Delphine lutou com o lençol e se sentou na cama ao reconhecer a voz dela.

– Agora estou.

– Então vamos. O dia está passando. Levante, soldado.

Sentindo uma pontada de dor de cabeça, Delphine esfregou os olhos, pensando que, pela animação na voz, Cosima devia estar acordada há horas.

– Do que está falando?

– Do fim de semana, oras. O que você planejou?

– Nada. Pensei que você iria trabalhar hoje. Por quê?

– Tirei folga hoje. Levante-se e se vista. Eu estava pensando numa coisa. Vai ser um ótimo dia. Tenho planos pra você na minha casa. Meus pais estão trabalhando, podemos passar o dia juntas. O que acha?

– Acho ótimo. – Respondeu Delphine, sorrindo.

– Tá legal. Faz o seguinte...

*

Depois de tomar um banho, se vestir e tomar uma aspirina para aliviar a dor de cabeça, Delphine estava empurrando um carinho devagar pelo corredor do supermercado, pegando o que era preciso para o almoço. Cosima prometera cozinhar para ela e, embora a lista que Cosima passou por telefone não a empolgasse, estava disposta a lhe dar uma chance. A morena já havia dito que não sabia cozinhar, e não podia negar, além de surpresa com essa atitude dela estava curiosa para provar o que ela iria preparar.

Contudo, apesar de Cosima ter jurado que a comida ficaria boa, Delphine não achava que algo que incluía batatas fritas e picles se qualificasse como um almoço fino. Mas a morena pareceu tão animada que ela não quis magoá-la.

Ela ainda estava sentindo o corpo um pouco cansado, mas estava animada para passar o dia com a namorada. Enquanto fazia as compras ela tentou lembrar a que horas havia chegado em casa na noite anterior, porém, sem sucesso. A única coisa que lembrava era que bebeu mais do que de costume, não ficou embriagada, mas também não estava em condições de dirigir e Mike (um rapaz que trabalhava como garçom no restaurante) levou seu carro para casa, a pedido de Paul.

Quase no fim das compras, Delphine percebeu que se esquecera de uma coisa. Estava examinando a seção de temperos, tentando lembrar se Cosima precisava de cebola picada ou temperada, quando sentiu o carrinho parar de repente ao esbarrar em alguém.

– Ah, desculpe-me – disse automaticamente – Não vi você...

– Não faz mal... estou bem – respondeu o rapaz, virando-se.

Delphine ergueu as sobrancelhas.

– Paul?

– Ah! Oi, Del – respondeu ele, sorrindo, parecendo tão impressionado quanto ela em se esbarrarem ali – Como vai?

– Bem. E você?

Paul vestia uma camisa social clara, parecida com a que ele estava usando na noite anterior, as mangas dobradas na metade do antebraço, o corte bem feito do tecido caro desenhava as curvas dos músculos em seus braços e o perfume que ele usava, embora não fosse forte, chegava ao seu olfato daquela distancia.

– Estou ótimo – disse ele, com um leve sorriso brincando em seus lábios – Dormiu bem? Nenhuma dor de cabeça?

– Só um pouco – respondeu ela, erguendo os ombros – Acho que exageramos um pouco no chopp...

– Ah, não. Nada preocupante. – sorriu ele, descansando o peso do corpo na perna esquerda – Foi uma noite divertida, o pessoal gostou muito de você.

– Eu me diverti muito. Gostei deles também – declarou ela, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha – Ouça, mais uma coisa sobre ontem à noite, obrigada por ter me dado a carona e ...

– Não foi nada – Paul a interrompeu, acomodando a cesta do supermercado no braço – Não fiz nada demais. E a propósito, você está linda hoje.

Paul disse isso como um amigo diria, sem segundas intenções, e ela sorriu.

Merci.

– Não apenas hoje – reforçou ele a olhando – Você está sempre muito... elegante.

– Elegante? – Delphine riu, arrumando os cabelos para trás.

– Para não dizer linda de novo – Paul ergueu os ombros de leve.

– Você sempre fala isso.

– Quer que eu pare de repetir?

– Não. Pode achar estranho, mas gosto que me coloquem num pedestal. – Delphine revirou os olhos e Paul riu.

– Bem, farei o possível para mantê-la nele. – disse ele e se enterneceu com o som da risada dela, era primeira vez em que a ouvia naquela manhã.

Uma mulher vinha pelo corredor da direção deles, com o carrinho cheio. Delphine e Paul chegaram para o lado para que ela passasse.

– Olha, estava pensando em uma coisa – começou Paul – Hoje à tarde vamos fazer alguma coisa lá em casa, uns amigos meus vão lá, vamos jogar sinuca e cartas. Estava pensando se você gostaria de ir. Temos uma sala de jogos muito bacana e posso levá-la para jantar depois.

Delphine não respondeu imediatamente e, notando sua hesitação, Paul continuou:

– É só um jantar, nada mais. Não é um encontro. Eu juro. E se você não quiser, tudo bem, podemos apenas passar a tarde juntos, tenho certeza que você vai curtir a galera.

Delphine olhou para o lado, depois para ele de novo.

– Acho que não é uma boa ideia – disse torcendo o nariz, sorrindo sem jeito.  – Sinto muito, mas eu tenho planos com Cosima hoje, vou passar a tarde com ela.

Sabia que Cosima não se importaria se ela decidisse ir, porém, ela parecia tão animada para passarem um tempo juntas, que não era capaz de simplesmente mudar os planos encima da hora.

– Tudo bem, eu entendo – respondeu Paul – Só pensei em convidá-la – Ele sorriu – Fica para próxima então? Quem sabe podemos ir no festival de inverno semana que vem, não é? – Paul deu um pequeno passo para o lado – Bem, ainda preciso comprar algumas coisas, vim buscar uns aperitivos. Vejo você por aí?

– É claro.

– Até segunda – disse Paul se aproximando de repente e lhe dando um beijo suave no rosto.

*

– Como é mesmo o nome disso? – perguntou Delphine.

Cosima estava em pé junto ao fogão, na casa dela, a carne moída ainda chiando na frigideira.

– Hambúrguer creole.

– Então é cozinha cajun?

– Sim – respondeu ela – Por que acha que pedi as duas latas de caldo? É isso que dá o autêntico sabor.

Só mesmo Cosima para considerar caldo de frango da Campbell's o autêntico sabor da cozinha cajun, pensou Delphine passando a mão nos cabelos rindo baixinho.

Enquanto ela cozinhava, Cosima compartilho o que fizera na noite anterior. E Delphine fez o que pode para se manter interessada e, principalmente, não ficar enciumada por Cosima ter jantado sozinha com Shay e quando perguntou como havia sido sua noite, por alguma razão, Delphine pegou-se omitindo a informação de que bebera além do esperado e Paul a levou para casa.

Não era como se estivesse mentindo, era?

Não. Apenas não era nem um pouco relevante isso.

Quando a carne estava pronta, Cosima acrescentou o caldo, ketchup e mostarda antes de começar a mexer. Aproximando-se, Delphine se apoiou nela para olhar a mistura, com uma expressão de desagrado.

– Lembre-me de comprar uma lasanha congelada da próxima vez, como garantia.

– Tudo bem. Agora você está fazendo piadas, mas daqui a pouco achará que está almoçando no paraíso.

– Não duvido disso.

Cosima se chocou contra ela fingindo protesto e sentiu o corpo de Delphine se mover com ela.

– Alguém já lhe disse que você tende a ser sarcástica? – perguntou Cosima.

– Algumas vezes. – respondeu Delphine, abraçando a morena por trás – Mas acho que foi você mesma.

– Sempre tive certeza de que eu era uma garota inteligente.

– Eu também – disse Delphine – Não é seu cérebro que me preocupa, mas seus dotes culinários.

Cosima riu e ao sentir a respiração quente de Delphine contra seu pescoço, fechou os olhos suspirando.

– Estava com saudades – sussurrou ela.

– Nós nos vimos durante todos os dias – A loira sorriu percorrendo as mãos na cintura dela, enquanto beijava pausadamente seu pescoço.

– É verdade – admitiu Cosima, pendendo a cabeça para o lado – Mas não tivemos tempo de realmente aproveitar um momento juntas.

Além das janelas, o movimento do vento frio batia em ondas contra a vidraça naquele início de tarde nublado. Quando Cosima finalmente virou e erguendo a cabeça para encontrar seu olhar, Delphine a envolveu num abraço.

– Qual o tamanho de sua saudade? – perguntou roçando os lábios nos da morena.

– Vou te mostrar – sussurrou Cosima, roçando os lábios no queixo da loira uma vez, depois outra, deslizando a língua quente em sua pele, sentindo Delphine arrepiar com seu toque. Ela fechou os olhos antes de subir os lábios por seu pescoço e beija-la lentamente na boca, deleitando-se com a umidade intoxicante de suas línguas se envolvendo suavemente.

Ficaram ali na cozinha, abraçadas, beijando-se e saboreando uma a outra sem pressa ou urgência, até que Cosima se afastou. Ela desligou o fogo aceso no fogão e então, pegando a mão de Delphine novamente, puxou-a até seu quarto.

Elas se beijaram de novo e Cosima começou a abrir os botões da blusa da loira, sem pressa. Delphine sentiu os dedos da morena em sua pele e depois a mão dela se mover para o fecho de seu jeans. Com os olhos fechados, ela sentiu seu corpo aquecer quando Cosima abriu o botão, e puxou o zíper a beijando no pescoço, antes de sumir as mãos e as enterrar em seus cabelos.

Je t'aime tellement – sussurrou Cosima contra sua pele.

O quarto pareceu não ser nada além de sombras e do eco das palavras dela. De olhos fechados, enquanto a morena despia suas roupas a beijando, Delphine suspirou.

– Ah, Cosima... – Sussurrou ela, sentindo a respiração quente da morena descendo em sua pele, indo de encontro ao cós de sua calcinha.

Fizeram amor lentamente, desfrutando e saboreando o toque uma da outra. Enquanto se movia sobre ela, Cosima suspirava sussurrando o quanto a amava. Durante os momentos que seus olhares se encontravam, uma vislumbrava na outra o tamanho do prazer que compartilhavam e sentiam naquele momento. Suas mãos percorriam pelas costas da morena, sua pele arrepiava e seu ventre estremecia com Cosima soprando seu nome como se fizesse uma súplica abraçada ao seu corpo.

Quando terminaram, elas ficaram deitadas, abraçadas e sorrindo calmamente, trocando beijos suaves e caricias carregadas de ternura. Meia hora depois, fizeram amor pela segunda vez. Enquanto Delphine se movimentava sobre o corpo da morena, arrepiava-se com as mãos que percorriam por seu corpo. Em meio aos gemidos, ela estremecia com o quadril de Cosima se movendo vagarosamente no mesmo ritmo que o seu, levando sua mente perder-se com as estocadas cadenciadas e os lábios quentes que saboreavam sua pele.

Era sublime a sensação de seus seios se roçando, os mamilos endurecidos se apertando, enquanto seus olhares se encontravam e as respirações quentes se misturavam com os sussurros voluptuosos que escapavam de suas gargantas.

*

Passava das quatro da tarde e elas ainda estavam na cama. Delphine observava Cosima fazendo pequenos movimentos circulares com os dedos na barriga dela. Quando não conseguiu mais aguentar, se contorceu e riu, segurando a mão dela para que parasse.

– Faz cócegas – protestou.

Cosima beijou a mão dela e a encarou.

– A propósito, você foi ótima.

– Ah, então agora é assim? – perguntou Delphine, erguendo as sobrancelhas – Como se eu fosse uma aventura de uma noite e quisesse massagear meu ego para não se sentir culpada por se aproveitar de mim?

– Não, é verdade. Você foi ótima. A melhor do mundo. Eu nunca imaginei que pudesse ser assim.

Apesar da sinceridade nas palavras da morena, Delphine riu graciosamente por algum tempo, antes de respirar fundo, suspirando.

– Não que você tenha muito com o que comparar, não é?

– Eu não preciso ter com o que comparar – afirmou Cosima com o tom doce, antes de envolver carinhosamente seus lábios em um beijo. Tão suave. Quase como o movimento do ar sob as asas de um beija-flor.

– Clichês, clichês – brincou Delphine, quando seus lábios se separaram.

– Não acredita em mim?

– É claro que acredito. Eu fui ótima – disse Delphine, repetindo as palavras da morena – A melhor. Você nunca imaginou...

Cosima começou a lhe fazer cócegas antes que ela pudesse terminar e Delphine deu um gritinho, contorcendo-se para fugir da mão dela. Sorrindo, Cosima se apoiou num dos cotovelos, a encarando.

– E a propósito – disse ela, erguendo uma sobrancelha – Eu não me aproveitei de você. – Delphine virou de lado para vê-la melhor e então puxou o lençol.

– Ah, não? Tudo que eu sei é que em um minuto eu estava vendo você preparar nosso almoço e, no seguinte, nossas roupas estavam espalhadas pelo quarto.

– Eu fui muito sedutora, não fui? – perguntou Cosima, com a expressão absorta.

– Foi – Delphine sorriu estendendo o braço e passou o indicador no rosto da morena.

– E sabe que eu te amo – disse Cosima, aproximando o rosto beijando o canto da boca da loira.

– Sim, eu sei.

Cosima se afastou, a fitando no rosto.

– E eu aqui tentando falar sério pra variar – disse ela, erguendo as sobrancelhas. Apesar das palavras, o tom de Cosima era descontraído e brincalhão – O mínimo que você pode fazer é dizer que também me ama.

– Quantas vezes você quer que eu diga isso?

Ela olhou para Delphine, depois pegou a mão dela de novo e beijou a ponta de cada um dos dedos.

– Uma vez, ao menos? – ela fez uma pausa – Eu gostaria de ouvir você dizendo. – Cosima sorriu, beijando demoradamente a palma da mão da loira a olhando nos olhos – Por mim eu diria que te amo todos os dias pelo resto da vida. – completou ela, roçando seu nariz ao da francesa.

Ah, aquilo foi doce, pensou Delphine sorrindo.

– Bem, já que me ama tanto, pode terminar aquilo que estava fazendo pra gente comer? Estou morrendo de fome.

– É claro, princesa. – Disse Cosima levantando para pegar suas roupas, e os preservativos usados – E "aquilo" é um hambúrguer creole.

*

Meia hora depois elas estava sentadas à mesa do porão, com Delphine olhando para seu prato.

– Isto é um Sloppy Joe – anunciou ela.

– Não – discordou Cosima, pegando seu sanduíche – É um hambúrguer creole. O Sloppy Joe é um sanduíche de carne moída com molho de tomate.

– Mas você prefere o sabor típico da Louisiana, com seu caldeirão de cultura francesa, africana, americana e franco-canadense refletindo na cultura negra e cajun.

– Exatamente. – concordou Cosima, com um aceno de cabeça – E não se esqueça de comer os picles. Eles são parte importante da experiência.

Delphine olhou ao redor do pequeno porão, tentando ganhar tempo.

Embora as principais peças do mobiliário fossem antigas eram de razoável bom gosto, havia detalhes espalhados por todo lado que deixava claro que Cosima tinha um estilo de vida de nerds do mundo todo. Como os quadros de super-heróis da Marvel, os posteres de de volta para o futuro, os jogos de tabuleiro, as pilhas de livros que provavelmente ela leu durante a semana ali embaixo, as fitas de filmes clássicos arrumadas em ordem alfabética ao lado da televisão. Os tênis no canto próximo a porta, uma coleção de latas de refrigerante vazias na mesinha de centro, uma pilha de gibis ao lado e o walkman encima.

Delphine se inclinou sobre a mesa, para prender a atenção de Cosima.

– Adorei o clima que você criou está noite. Só precisamos de uma vela pra eu me sentir em Paris.

– É mesmo? Acho que eu tenho uma.– Cosima sorriu de canto. Ela se levantou e abriu uma gaveta. Um instante depois, uma pequena chama tremulava entre elas.

– Está melhor? – perguntou voltando a se sentar.

– Igual a um dormitório de faculdade.

– Em Paris?

– Hum.. acho que me enganei. Está mais para...

– Vai experimentar ou está com medo? – Cosima a interrompeu rindo.

– Não. Vou experimentar. Só estou fazendo suspense.

Cosima fez um sinal com a cabeça em direção ao prato.

– Ótimo. Então pode ir pensando num bom modo de se desculpar com a chef.

Delphine revirou os olhos e pegando o sanduíche deu uma mordida. Cosima a observou avaliar o sabor enquanto mastigava.

– Nada mau – disse depois de engolir.

– Nada mau? – Cosima ergueu as sobrancelhas.

Delphine olhou para o sanduíche, com um leve ar de surpresa no rosto.

– Na verdade, está muito gostoso.

– Eu falei. É o caldo de frango que dá o sabor.

Delphine pegou um picles e piscou um olho.

– Vou tentar me lembrar disso. – Ela sorriu e enquanto mastigava o picles observou Cosima mordendo o sanduíche – Está muito bom, acho que você vai sobreviver a faculdade comendo Sloppy Joe. – provocou.

– É um hambúrguer criole – repetiu Cosima, erguendo as sobrancelhas – E claro que não – Acrescentou ela, mordendo o sanduíche novamente – Vou aprender cozinhar mais algumas coisas e posso comer pizza também. Embora a ideia não agrade muito minha mãe – Cosima ergueu as sobrancelhas – Ela quer que eu aprenda cozinhar coisas saudáveis...

Elas passaram a próxima hora ali no porão, conversando tranquilamente e saboreando a companhia uma da outra. Depois saíram e foram assistir a um filme. Delphine deixou Cosima escolher e não reclamou quando ela se decidiu por um romance água com açúcar. E quando Cosima ficou com lágrimas nos olhos no meio do filme e se aconchegou nela até o fim, a loira esqueceu a crítica mordaz que estava preparando em sua mente.

Era tarde quando Cosima a deixou em casa e mais uma vez se beijaram apaixonadamente no carro estacionado em frente a residência Cormier. Perdendo a noção do tempo e espaço, Delphine sentou sobre a morena, gemendo e suspirando contra o beijo. Quando as coisas começaram esquentar, Cosima disse que precisava ir para casa, mas prometeu que voltaria no dia seguinte logo pela manhã.

*

No domingo foi a vez de Delphine cozinhar para Niehaus, que não parava de tagarelar com Maicon e Sabrina enquanto ela preparava o almoço.

Naquela semana era aniversário da morena, e ela parecia empolgada com a oportunidade de talvez Sabrina e Maicon passarem um dia com elas, Caleb e Helen

Delphine fez linguado recheado com carne de caranguejo e legumes salteados, acompanhados por uma garrafa de Sauvignon Blanc para ela e Sabrina, e suco de uvas frescas para Niehaus e Maicon.

– Não é hambúrguer creole, mas acho que serve – brincou Cosima ao se servir.

Quando a morena chegou cedo naquela manhã, Delphine ainda estava dormindo, mas sua consciência foi lentamente recobrada com o corpo de Cosima sobre o seu debaixo do edredom. Sorrindo, ela despertou com beijos leves, caricias suaves e a voz harmoniosa da morena a chamando baixinho, pedindo que acordasse.

Ela acordou, mas não saiu imediatamente da cama. Não precisou de muito para instigar Cosima e, em meio as carícias, a convencer de fazer amor. Depois de um banho, foram ao shopping em Owen Sound. Delphine comprou um conjunto de lingerie novo, um vestido e um par de sandálias entre outras peças de roupas. Quando voltaram para a cidade, passaram no supermercado e depois de saborearem o almoço que preparou, a francesa experimentou a lingerie para Cosima ver.

Quando ela saiu do banheiro, Cosima arregalou os olhos e levantou correndo da poltrona para ir atrás Delphine que correu por todo o quarto, rindo e gritando, até Cosima pegá-la no banheiro e levá-la para a cama onde elas caíram às gargalhadas, e alguns minutos depois estavam emboladas sob os lençóis abafando os gemidos com beijos quentes, em meio a olhares sôfregos e mordidas intensas.

*

– Putt Putt ? – perguntou Delphine quando elas entraram no estacionamento no fim da tarde. Estava de jeans, como Cosima. Depois que tomaram um banho de chuveiro juntas, Cosima lhe dissera que não se arrumasse demais, e agora ela entendia o motivo – É isso que você quer fazer esta noite?

– Não só isso. Há muitas coisas para fazer. Eles também tem videogames. E um campo de minigolfe.

– Aaah – exclamou ela – Estou animadíssima.

– Porque sabe que não pode me vencer – disse Cosima, torcendo o nariz.

– Eu posso. – Delphine ergueu as sobrancelhas – Sou como Tiger Woods quando se trata dessas coisas.

– Então prove.

– Está bem. – Delphine concordou, com um brilho desafiador nos olhos.

Elas saíram da caminhonete e se dirigiram à cabine para pegar os tacos.

– Vermelha e branca – Disse Cosima, apontando para as cores das bolas de golfe – Qual é a aposta? – perguntou olhando para Delphine, enquanto o atendente sumia atrás do balcão.

– O que você quer? – perguntou Delphine, bancando a ingênua e se aproximou sussurrando a aposta no ouvido de Niehaus.

– Continue assim que não vou ter nenhuma pena de você no campo. – avisou Cosima, apertando a cintura da loira.

– Nem eu. – Delphine sussurrou mordendo a orelha da morena.

Alguns minutos depois chegaram ao primeiro buraco.

– A bebezinha, primeiro – disse Delphine, apontando para Cosima.

Ela se fez de ofendida antes de pôr a bola no lugar. O primeiro buraco exigia que a bola passasse por um moinho giratório antes de ir para um nível mais baixo, onde ficava o buraco. Cosima se posicionou ao lado da bola.

– Ouça, você é apenas um ano mais velha que eu. – Disse ela, ameaçando a jogada com o taco – Agora, preste atenção e aprenda.

– Apenas jogue – pediu Delphine revirando os olhos.

Cosima ameaçou mais três jogadas antes de bater com força na bola, que passou pela abertura no moinho e pelo túnel antes de parar a menos de 20 centímetros do buraco.

– Está vendo? – perguntou ela – É bem fácil.

– Chegue para o lado, vou lhe mostrar como se faz.

A morena abafou o riso e se posicionou ao lado para observar. Delphine pôs a bola no chão e a lançou, rápido e sem planejamento. A bola bateu nas pás do moinho e voltou para ela.

– Hum... sinto muito – disse Cosima, balançando a cabeça – É uma pena.

– Só estava me aquecendo. – Disse Delphine, juntando os cachos em um coque.

Agora ela demorou um pouco mais para recuar e bater de novo na bola. Fazendo o mesmo que Cosima havia feito na jogada. Dessa vez conseguiu, e quando olhou para ver onde caíra, viu-a rolando na direção do buraco até desaparecer de vista.

– Bela tacada – admitiu Cosima – Mas foi sorte de principiante.

Delphine deslizou as unhas na nuca da morena, aproximando os lábios dos dela.

– É tudo parte do plano. – sussurrou piscando um olho.

*

Paul estava recostado contra a parede no sotão da casa de Victor, com uma cerveja na mão, analisando o grupo de amigos, muitos dos quais assistiam à televisão. Victor era fã de Charles Barkley, o grande jogador de basquete do Philadelphia 76ers, e quis o destino que o time de Charles estivesse jogando contra os Hornets nas eliminatórias. Embora a maioria dos convidados preferisse estar vendo os Knicks, o time já tinha jogado na quarta-feira. Alguns estavam bebendo desde que chegaram ali e já falavam com a voz arrastada.

– Bela camisa – comentou Victor enquanto se aproximava.

– Eu sei – respondeu Paul – Você já disse isso duas vezes.

– E vou continuar a dizer. Não quero nem saber se foi mandada fazer na puta que pariu. Você está parecendo um empresário.

– E daí?

– E você ainda pergunta? Nós vamos sair hoje a noite. Vamos destruir essa cidade e nos divertir à beça, e você está vestido como se tivesse passado a tarde em reuniões dentro de um escritório. Nem parece você.

– É meu novo eu. Acho que aprendi a gostar de me vestir assim.

– Você realmente aprendeu muitas coisas. Mas preciso dizer que meus amigos estão morrendo de rir.

Paul ergueu o copo e bebeu mais um gole. Havia uma hora que ele estava segurando aquele copo e a cerveja já estava quente.

– Isso não me incomoda nem um pouco – disse ele, erguendo os ombros – Metade deles está com camisetas compradas em shows de bandas de rock e a outra metade esta usando jaquetas jeans. Eu ficaria diferente de todos, independente do que estivesse vestindo.

– Isso até pode ser verdade – respondeu Victor com um sorriso forçado no rosto – Mas observe a energia que está trazendo à festa. Não posso nem imaginar ter de passar a noite inteira com...

Gradativamente a voz de Victor foi sumindo e Paul surpreendeu-se pensando em Delphine. Lembrando de quando se despediram quando a levou para casa no meio da madrugada. Teve um momento, antes dela sair do carro, que ela se aproximou beijando demoradamente seu rosto, e ele sentiu a pele aquecer exponencialmente com o toque suave de seus lábios.

Quando ela sorriu agradecendo a carona, sentiu vontade de puxa-la e beijar sua boca. Mas não o fez, simplesmente porque ela havia bebido e parecia meio alta.

Ela havia gostado de seu novo carro, veloz e potente, e ficou imaginando se Delphine já havia surfado ou praticado snowboard (surfe na neve). Parecia improvável, mas ele tinha a estranha sensação de que ela estaria aberta a isso se houvesse uma oportunidade.

Paul gostava de uma vida mais intensa. Não, melhor dizendo, precisava de uma vida mais intensa. Era seu jeito de ser desde que se lembrava. Na infância pedalava em alta velocidade e nas férias surfava em Outer Banks. E agora era um jovem adepto de esportes radicais, até comprara uma moto onde fazia trilhas e voava, subindo uma rampa de terra e sentindo a descarga de energia percorrer seu corpo quando aterrizava com segurança.

Delphine gostaria disso? Indagou-se fazendo uma nota mental para perguntar a ela no dia seguinte quando se vissem. Ele sabia muitas coisas sobre ela, já tivera um namorado e gostava de se aventurar com ele. Conhecia-a um pouco melhor a cada dia. E, por exemplo, sabia que Delphine estava com Cosima esta noite, provavelmente fazendo alguma nerdisse.

Niehaus não era de se aventurar. Sempre certinha, a senhora perfeição irritantemente calma. Uma água de salsicha sem sal que iria, rapidinho, entediar a francesa.

Uma hora ou outra, pensou ele, Delphine iria perceber que ela e Cosima não tinham grande coisa em comum.

Um barulho veio do grupo que, diante da televisão comemorava, arrancando-o de seus pensamentos. Copos de cerveja eram passados de mão em mão, enquanto eles vibravam com a reprise de Barkley fazendo uma cesta de três pontos e Paul percebeu que Victor ainda falava alguma coisa.

– Tenho medo de perguntar o que você planejou para mais tarde. – Disse, notando que o amigo não percebera que ele não estava ouvindo.

– Não se preocupe. É surpresa. – anunciou Victor, fazendo uma pausa – Por que você esta aqui, grudado nessa parede, em vez de estar assistindo o jogo, cara? É sua pré festa, enfim dezesseis anos nessa semana, hein? Que tal eu pegar outra cerveja pra você e então começarmos a nos divertir de verdade?

– Estou bem – disse Paul – Estou me divertindo.

Victor analisou o amigo.

– Você mudou – concluiu.

Sim, mudei mesmo, pensou Paul. Mas não disse nada.

Victor balançou a cabeça.

– Sei em que você está pensando, mas...

– Mas o quê?

– Isso – respondeu Victor – Tudo isso. Seu modo de se vestir, de agir...É como se eu não soubesse mais quem você é.

Paul deu de ombros.

– Talvez eu esteja amadurecendo.

Victor começou a arrancar o rótulo da sua garrafa de cerveja, enquanto respondia.

– É, pode ser.

*

– Sorte de principiante! – repetiu Cosima.

No meio do campo, elas estavam empatadas até a última tacada de Delphine, que fez a bola ricochetear na parede e cair no buraco. A loira foi buscá-la com ar de superioridade.

– Por que quando eu acerto é sorte e quando você acerta é habilidade? – perguntou erguendo as sobrancelhas. Cosima ainda estava olhando para o curso que a bola seguira.

– Porque é – respondeu ela – Você não tinha como planejar isso!

– Parece que você está ficando nervosa.

– Não estou. – Cosima arqueou uma sobrancelha.

Tentando conter o riso e manter a seriedade, Delphine mordeu o lábio inferior e correu as unhas da nuca da morena, passando por entre seus seios, até seu abdômen.

– Pois deveria. Você detestaria ser vencida por mim e perder a aposta.

– Você não vai me vencer – declarou Cosima.

– Como está o placar?

Niehaus enfiou o cartão de pontuação e o lápis em seu bolso traseiro.

– Não importa. O que importa é o final. – Disse Cosima e começou a andar altivamente na direção do buraco seguinte, com Delphine rindo pelas suas costas.

*

Quando o jogo acabou, a maioria dos amigos de Victor permaneceu perto da comida, fazendo questão de comer até o último pedaço de pizza, até que Victor finalmente os expulsou dali. Dentro do carro, ele se adiantou para dar as instruções a Paul e junto com outros três amigos no banco de trás do carro, ele dirigiu os ouvindo elogiar a droga do ronco do motor.

Ele dirigiu em silêncio, desejando pela primeira vez estar em casa ao invés de sair. Paul foi o último a sair do carro quando chegaram ao destino. Com um longo balcão de granito e efeitos de iluminação, o lugar era elegante e estava cheio, abarrotado de jovens. Do outro lado das janelas de vidro, parecia só haver lugar para ficar em pé.

– Achei que você gostaria de começar por aqui – disse Victor.

– E por que não? – concordou Paul

Paul seguiu Victor e os outros que haviam chegado para dentro do bar. A maioria das pessoas estava vestida a última moda. Ele logo concentrou a atenção em uma linda loira sentada na outra ponta do bar, que parecia estar tomando um drinque tropical. A algumas semanas atrás, ele teria se oferecido para lhe pagar uma bebida e, assim, iniciaria uma conversa. Agora, vê-la fez com que ele se lembrasse de Delphine.

– Quer beber alguma coisa? – perguntou Victor. O amigo já tinha conseguido abrir caminho até o bar e estava inclinado para frente, tentando chamar a atenção do barman.

– Eu estou bem, por enquanto – gritou Paul, esperando ser ouvido em meio ao barulho ensurdecedor. Ele inspecionou o bar e em uma das extremidades, achou ter visto uma garota com quem havia saído. Jane "alguma coisa". Ou seria Jean? Não fazia diferença, e ele voltou os olhos para a loira que agora olhava em sua direção.

Victor se aproximava insistindo que ele pegasse uma bebida e a moça sorriu. Ali, diante daquele sorriso doce, Paul achou uma boa forma de evitar responder as perguntas de Victor, querendo saber porque ele estava estranho.

Mais tarde, depois de se livrar dos amigos, Paul levou Andrea para a casa dele e ambos ficaram na varanda, olhando o céu. Encostado em Andrea, ele passou os braços ao redor da cintura dela, subindo as mãos para seus seios. A loira encostou a cabeça nele e suspirou. Paul beijou o pescoço dela e o calor de seus lábios a fez estremecer. A lua projetava um brilho prateado nas árvores.

– É tão lindo aqui – disse ela – Tão quieto!

– Shh. Não diga nada. Apenas ouça.

Era estranho, mas ele não queria ouvir a voz dela e sabia muito bem o motivo: Não era Delphine com sua voz aveludada. Estava com outra garota, que não significava nada para ele, mas seu corpo era macio e quente e ela o desejava.

– E a lua...

– Shh – repetiu ele.

Alguns minutos depois, quando estavam juntos na cama, Andrea gemeu e fincou os dedos nas costas de Paul, mas ele lhe dissera para não fazer nenhum som. Não sussurrar, não falar. Dando a desculpa que era para seu pai não ouvir.

Paul se moveu em cima de Andrea, sentindo seu calor e umidade o apertando, e a respiração entrecortada contra seu pescoço. Delphine, desejou sussurrar e de olhos fechados, desejou ouvir ela gemendo com aquele sotaque delicioso em seu ouvido.

– Mais forte...

O som da voz de Andrea o trouxe de volta.

– Shh – sussurrou, mas não acelerou os movimentos. Continuou lentamente, com as mãos afundadas nos cabelos macios e loiros de Andrea, sabendo que estava perdido. Que estava apaixonado por Delphine Cormier.

*

– Como está o placar? – perguntou Delphine.

Elas estavam no último buraco e agora Cosima parecia séria. Sabia que estava com uma tacada de desvantagem; a primeira bola havia saído do campo e parado atrás de uma pedra, tornando impossível a jogada seguinte. Ela enxugou a testa, ignorando o sorriso no rosto de Delphine.

– Você pode estar na frente. Mas cuidado para não estragar tudo no último buraco.

– Certo – disse Delphine.

– Ou vai acabar perdendo.

– Certo.

– Quer dizer, você detestaria estragar tudo no final.

– Certo.

– Então, faça o que fizer não cometa nenhum errinho.

– Hum... tem razão, treinadora. Obrigada pelo incentivo.

Enquanto ria, Delphine pôs a bola no lugar e ficou de pé perto dela. Respirou fundo se concentrando olhando alternadamente para a bola e o buraco. Deu a tacada e a bola rolou devagar até parar a três centímetros do buraco. Eu gostaria de ter uma câmera, pensou ao olhar para Cosima. A expressão no rosto dela era impagável.

– Parece que você está ficando nervosa – insistiu ela – Acho que precisa acertar esta para empatar e, de onde está, isso não vai ser possível .

Cosima ainda estava olhando para a bola. Por fim se virou para Delphine e deu de ombros.

– Tem razão – reconheceu – O jogo terminou.

– Rá!

Ela balançou a cabeça, enquanto falava:

– Detesto admitir, mas eu realmente não me esforcei muito esta noite. Deixei você ganhar.

Delphine semicerrou os olhos e hesitou apenas por um instante antes de ameaçar Cosima com seu taco erguido, enquanto Cosima fazia uma tímida tentativa de fugi. A loira a alcançou, virou-a e a puxou para perto.

– Você perdeu – disse – Admita.

– Não – disse Cosima, encarando-a – Você entendeu errado. Posso ter perdido a partida, mas acho que ganhei o jogo.

– Como assim?

Niehaus sorriu, inclinando-se para beijá-la.



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