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História Me Perdi na tua órbita - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


oLAAAAAA! tudo? me desculpem pela demora 😔.

Espero que gostem dessa atualização, porque eu dei meu sangue, suor e lágrimas nesse capítulo.

Capítulo 2 - 02. rojo Intenso


🐇🐤

#ÓrbitasEPlanetas.

Em diversos momentos de minha vida, eu tive vontade de rir em situações indevidas, seja em momentos de alguma conversa séria ou um acontecimento ruim, sempre tenho tendências a rir. Ah, mas quem pode me culpar? Sempre acabo perdendo o controle do meu riso quando fico nervoso mas, nunca, em momento algum, me segurei tanto quanto agora. Sentia o suor descer em minhas costas e têmpora, tamanha concentração.

Em frente à mesa da coordenadora, me segurava para não rir. Sei que é errado, mas a verruga que ela possui acima do lábio superior tirava toda minha atenção das palavras que saíam de sua boca. 

Depois do episódio rápido no pátio, me dirigi sem demora a sala da coordenadora, indo rapidamente a seu encontro, afinal, ser um novato e ainda chegar atrasado são duas coisas que eu, definitivamente, não quero ter de aturar. A primeira é inevitável, eu sei, mas a outra posso tentar mudar. Se até o homem de ferro deteu o Thanos, eu posso muito bem evitar de chegar muito depois do sinal¹. 

Vendo-a falar, minha mente viajou caminho a fora, procurando me distrair sem ter de dormir escutando-a falar as regras, afinal, eram as mesmas que em todos os colégios, qual a diferença? Não era nenhum internato, não haveria nenhuma absurda, sei que minha mãe havia  se certificada disso, aquela mulher é doida, porém ainda sim a melhor mãe do mundo. Sabe, chega uma época que você simplesmente não liga para coisa alguma e, finalmente, chegou a minha, depois de tantos dias de luta, até que enfim os de glória. Então, é, eu não estava dando a mínima para a falação desnecessária da mulher a minha frente, somente torcia, internamente, que ela me dissesse minha sala logo.

Contudo, quando pôs uma chave em frente à mim, sobre a mesa, arqueei a sobrancelha.

— Querido, eu sei que não é habitual esse tipo de coisa no país em que vivemos, afinal, isso é coisa de americanos, não é mesmo? Porém, devido a praticidade, decidimos incluir o uso de armários em nossos corredores, para os estudantes poderem se acomodar melhor. Não sei se irá usar, é só minha obrigação entregar-lhe a chave. O seu é o quinto após a escada, da esquerda para direita, no corredor três, o mesmo de sua sala, que é a 31. Tenha um bom dia, querido.

… Querido?

A agradeci baixinho e peguei a bendita chave, mesmo sabendo que não usaria os armários. Por favor, não estávamos no universo de Riverdale ou algo do tipo.

Sabe, quando se muda de escola, indo para um lugar que nem conhece você tende a ficar paranóico, achando que em todos os lugares alguém te olha ou que as risadas que estão soando ao redor sejam por sua causa, sentindo vergonha e desconforto massivo.

… Ou talvez seja sou eu e minha timidez.

Enfim, a caminho da sala, passo completamente reto pelos armários, negócio estranho, coisa de burguês safado, não saberia usar isso, sem contar que trouxe só o necessário e andar com vento na mochila é horrível. Adentrando o corretor, um arrepio sob pela espinha quando avisto o ruivo de antes escorado na janela com mais algumas pessoas. Ironicamente, sempre que olho para ele parece que tudo fica preto e branco, com somente a cabeleira laranja se sobressaindo. Bom, isso até bater o sinal e tudo voltar as cores com pessoas correndo desesperadas. 

Seja o que o tio Lú quiser.

Me misturando, paro ao lado de um garoto realmente alto e um mais baixo, esperando que fiquem sem saber da minha existência, afinal, imagina se fosse aquelas pessoas esnobes? Sou novato mas não idiota.

Mas quem disse que Lúcifer queria? Certeza que olhou para cima e disse: hoje não.

— Olá? Você é novato, não é? —  A voz grossa, porém gentil, soou. Ao virar-me em sua direção, observei o garoto alto me oferecer um pequeno sorriso, deixando-o adorável. A pele mais escura que as demais, os olhos também escuros, profundos e intensos, mas que carregavam uma bondade sem igual. Não sei, não posso afirmar nada, mas tenho certeza que meus olhos estão brilhando.

— Hã… S-sou sim. — Aparentemente gago também. — Me chamo Jeongguk, prazer.

— Namjoon, Kim Namjoon, prazer. Se quiser, pode ficar perto de mim e do Yoongi, o baixinho com cara de mau aqui. — Ao desviar meu olhar, vi um garoto aparentemente menor que eu com o semblante fechado, um piercing e um hematoma no canto da boca, portando cabelos louros. Ao pegar-me observando-o sorriu, forçado.

Aquilo foi medonho e minha alma covarde quase saiu correndo.

Contudo, evitando mais estranheza, o sinal soou, fazendo todos irem ensandecidos para suas carteiras, com exceção de Namjoon, que ficou para trás e me ofereceu um sorriso gentil.

Catapimbas, as covinhas eram lindas.

Em uma intimidade que não sei de onde surgiu, talvez brotou do chão, pegou-me pelo pulso, me arrastando sala a dentro, atraindo todos os olhares que rezei tanto não receber. Bom, veja bem, um maluco com mais de 1,80cm arrastando um garoto completamente de preto e óculos redondos, que nem grau tinha, na cara para a quarta fileira a esquerda não tinha como não reparar.

Droga.

Sentei-me na terceira carteira, não muito na frente nem no fundão onde rola a baderna. Uh, odeio essa gente que não tem o que fazer, estão pouco se fodendo para a vida que terão após a escola e ficam fazendo gracinhas para aparecer. 

Se quiser chamar atenção que ponha um espanador no rabo e saia gritando que é um pavão, oras!

Segundo Namjoon, a primeira aula seria sobre relações humanas. Preciso confessar, detesto essa matéria com todas as minhas forças devido a antigos professores, afinal, pessoas que só sabem endeusar o catolicismo, o colocando em um pedestal e zombando de religiões alheias não eram, na minha visão, minimamente capacitados de desenvolver uma boa aula em ambiente escolar. Era uma responsabilidade grande demais.

Não esperava muito da professora que viria a dar aula logo ao soar do sinal, porém vendo os alunos animados com o início do ano letivo, da primeira aula do ano, uma ansiedade gostosa me consumiu. Se era assim tão aclamada, não deveria ser ruim, certo?

Bom, não consegui prestar atenção em meus pensamentos corretamente, não quanto Namjoon e o baixinho que anda com ele, Min Yoongi, levantaram-se assim que um grupo entrou na sala e, bem, minha atenção focou-se no garoto de cabelos ruivos, novamente. Veja bem, não fora de propósito, mas seus traços tão marcantes chamaram minha atenção. Os cabelos ruivos, as tatuagens coloridas e outras sombreadas em alguma parte do corpo, os brincos balançando conforme virava o rosto, as bochechas, olhos, nariz e boca, porra, uma pessoa não pode ser tão perfeita assim, olha esses lábios!

Não pude evitar o suspiro baixinho que escapou por entre meus lábios diante sua figura majestosa. Contudo, abaixei meu olhar, não quero que pensem que sou stalker doido e psicopata, principalmente por saber que fico com os olhos arregalados se penso em algo por muito tempo. 

Ao levantar, mesmo que minimamente minha vista, foi sem intenção que vi sua mão entrelaçada com a de outro menino que não me dei o direito de ver quem era.

Será que era seu namorado? 

Era tão estranho… Sentir essa euforia, mas do nada ela murchar repentinamente, doía, mas não sei dizer exatamente o motivo. Ah, sentimentos são tão fodidamente confusos. 

Em todos os anos de minha vida, era complicado lidar com os sentimentos que faziam morada em meu peito. Uma hora eram intensos demais, noutra eram rasos demais, graças a isso tendo a enjoar das pessoas muito rápido. Meio babaca, eu sei, mas não é proposital.

— Bom dia, turma! — A voz de uma mulher, meio grave, soou, capturando minha atenção instantaneamente, porra, que mulher. Nem era no sentido sexual da palavra, mas a moça a minha frente, de calças brancas e blusa de tirante florida, cabelos longos e tão negros quanto a noite e, mesmo sendo notoriamente oriental, o tom da pele mais escuro me deixaram encantados. Contudo, o sorriso que abriu nos lábios com um batom ao passar o olhar pela turma inteira e parar em mim me fez corar, inevitavelmente. — Ora, ora, aluno novo? Bem-vindo a esta escola, me chamo Hyejin, porém se quiser me chamar de Hwasa, a vontade, serei sua professora de filosofia e relações humanas ao longo do ano.

Vi que, assim que a mulher entrou, as pessoas se aquietaram, conquanto Namjoon, Yoongi, o menino ruivo e companhia sorriram, animados, saudando a mulher com um bom dia humorado. Eu, por outro lado, só acenei timidamente. 

Qual é, eu posso ser um cavalo a maior parte do tempo, mas ainda sim tenho vergonha de falar com professores novos.

— Bom, é um prazer ver tantos rostos conhecidos por aqui, nesta turma, aqueles que repetiram, empenho, galera! — Andou tranquilamente, enquanto gesticula com força fazendo a sala rir. Até mesmo eu me permiti sorrir um pouquinho. — Estão se sentindo ansiosos para o início do último ano no colégio? Já tem planos para o futuro? O que pretendem fazer quando a escola, uma etapa importante da vida de qualquer pessoa, acabar?

Com aquilo, meu peito pesou. Só tinha dezoito anos, não era nada esplendoroso, não tinha um objetivo fixo, embora designer gráfico fosse minha maior paixão, medicina ganhava espaço, assim como literatura e qualquer cargo que fazia referência com o espaço. Eram muitas coisas martelando na cabeça.

Eu desejo, de verdade, ser médico. Porém há tantas coisas que me agradam. Servir na Marinha seria um sonho de consumo, mas iria me adaptar a rotina? E se escolhesse medicina, como seria quando fosse perder algum paciente? Mesmo odiando, tenho consciência que sou sensível, talvez até mais outros seres humanos, então era uma preocupação verdadeira, fora que como pagaria os estudos? Além da mensalidade absurda, os gastos com materiais seriam muito além da conta.

Nem mesmo sei se conseguirei terminar a escola, e mesmo que não deixe isso transparecer, me assusta.

— Posso ser sincero? Eu não gostaria de que a escola fosse algo necessário na vida. — Uma voz grossa soou, me fazendo olhar em sua direção, vendo que pertencia a um menino de cabelos castanhos e bandana verde. Ele pertencia ao grupo do ruivo.

—  E porque não? — Encostada em sua mesa, de braços cruzados, Hwasa indagou, mas não o deu tempo de responder. — Sei que é uma época difícil, dolorosa e muitas vezes traumática, acreditem, eu sei. Já fui adolescente, passei pelas mesmas coisas que vocês, porém em uma época diferente. O mesmo bullying, as mesmas piadinhas pela pele mais escura, os mesmos padrões estéticos pairando sobre os pensamentos, o padrão heteronormativo… Eu sei, pessoal, sei o que passaram, mas é para isso que serve o ambiente escolar.

Após sua fala, houve silêncio, podendo ouvir-se somente as respirações tensas de alguns, outros perdidos em pensamentos sobre a reflexão. Os saltos da mulher transitando, com os olhos afiados atentos em cada um.

— Se não houvesse uma preparatória para o mundo real, digamos assim, como você iriam ser? Ninguém aprende a ser adulto, ninguém tem as opiniões formadas até entrar na escola. Do primeiro ao quinto ano, as séries primárias é puramente feita de diversão. Do sexto ao nono vocês aprenderam uma enxurrada de coisas. Do primeiro ano ao último, o terceiro ano do colegial, você põem as informações em jogo. É nesse período que irão determinar se serão boas ou más pessoas, entendem? Eu queria poder acabar com todo bullying e preconceito, mas não posso, sinto muito. Confio que, um dia, o mundo irá ser melhor, porém agora não é. É um lugar cruel, sério e terrível, você sente como se toda uma carga densa fosse depositada em suas costas quando abandona a escola, a casa dos pais e vai atrás da independência, porque a partir dali é só você por si mesmo. Muitas pessoas aqui tiveram de ser independentes rápido demais, porém se não fosse a escola, com relatos, com exemplos e afins, como poderiam lidar com isso? Em um mundo onde o poder reina, a única coisa que pode combatê-lo é o conhecimento. 

Minha respiração era forte, assim como as dos demais. Apesar do contexto, era algo forte, para de pensar. 

Porém, ela sorriu, aguardou-nos retomar a calma e escreveu no quadro sua matéria.

— Turma, vamos aprender um pouquinho sobre relações humanas, de fato? — Após se virar, sentou-se a cadeira disposta atrás de sua mesa, apoiando as mãos entrelaçadas em cima da superfície plana. — Eu e todos os professores utilizamos um determinado arquivo de estudos designado pelo governo, porém, escolhemos quais vamos abordar e como, essa justamente é onde entro. Muitos vêem relações humanas apenas como uma aula sobre catolicismo, eu sei, porém dessa vez será diferente, vos prometo.

A atenção de todos já haviam sido dirigidas para a professora, inclusive a minha, apesar de saber que logo mais iria perder o foco.

— Por favor, atenção, peço que todos anotem o que será discutido a seguir. — Após as apresentações, virou-se de frente para a lousa atrás de si, arrancando algumas risadinhas dos alunos por prender atenção em seu quadril e pernas fortes. Com os risinhos, comecei a me sentir incomodado. Ela era autoridade dentro daquele espaço, não poderiam fazer esse tipo de coisa.

Contudo, alheia ou nem tanto, escreveu "Todas as religiões reconhecidas" no espaço branco, voltando a olhar-nos com um brilho no olhar e sorriso debochado.


🐇🐤


— Sinto que saí de lá mais inteligente. — Yoongi deu o ar da graça, pela primeira vez.

E apesar de não externar, concordo plenamente com ele. Eu admito que se fechar os olhos consigo visualizar perfeitamente professora Hyejin explicando calmamente o primeiro tema desse ano: religiões. O que mais gostei é que ela fez questão de frisar que seria todas as religiões que conseguisse dar para uma determinada dupla de alunos, o que para mim é ótimo. Lembro de vê-la falando sobre a umbanda, me senti representado, já que cresci em meio a esse mundo.

O que? Surpreso que não exista só o cristianismo? Que há diversas religiões com doutrinas lindas que não fazem pressão psicológica? (Sim, estou quebrando a quarta parede já no segundo capítulo, foda-se).

Dentro das paredes do castelo de cartas que minha mãe construiu para me proteger do mundo, conheci o mundo da umbanda, frequentando-o desde muito novo, sob a doutrina do gegê². Era diferente, algo novo no país em que vivo, me senti bem vendo a professora Hyejin falar com tanta segurança e respeito sobre isso. Foi gostoso e libertador.

Mas, é como dizem, até aí tudo bem.

Com o intervalo, o que eu deveria fazer? Continuar seguindo Namjoon e Yoongi hyung? Deveria dar meia volta e me sentar no banquinho? Na escada? Definitivamente, era desconfortável ficar atrás de ambos sem nem ter recebido um convite para tal. Imagina se eles querem se livrar de mim mas não podem por não quererem parecer mal educados? Droga… Era melhor eu me afastar.

Então, estanquei no lugar.

Ok, preciso admitir que não foi a idéia mais inteligente da minha vida, afinal em um curto intervalo de doze segundos, duas pessoas trombaram em mim, além de me xingar de, droga, retardado.

— Jungkook? Não vai vir? — Juro que quase chorei escutando a voz de Yoongi, correndo rapidinho até estar ao lado deste, rindo um pouquinho com a diferença de altura.

— Normalmente ficamos com as crianças no intervalo, ajudando as monitoras, porém vamos para o refeitório, tem cachorrão. — A voz grossa de Namjoon soou animada, me fazendo quase derreter ao ver o sorrisão com as covinhas aparentes. Vontade de descer o murro, porra de garoto fofo.

Porém, só acenei e sorri, estilo aquela garota que a Barbie interpreta em a Princesa e a Pop star.

Sabe, eu realmente me sinto em um seriado, todos parando para analisar, grupinhos de patricinhas nojentas que te olham com desgosto. Ou pode ser eu com meu all star surrado não tenha sido agradável para o senso de moda delas, enfim. Era divertido observar os garotos do time de basquete que, pasmem, não eram metidos a hetero top, bom, acho que alguns são, mas pelo que já caiu em meus ouvidos o capitão deles, um tal de Park, era assumidamente bissexual. Será que ele também falava que "caiu na vila o peixe fuzila"?

Eu me contentava lindamente em resumir minha pansexualidade com o meme: "entrou no mato tomou no rabo".

O baque de minha cabeça na porta do refeitório me despertou de pensamentos longuíneos, trazendo também a vontade de morrer. Céus, que vergonha. Ao fundo, pude escutar as risadas alheias, já sentindo meus olhos enchendo-se de lágrimas, porém uma mão em meu ombro me tirou a vontade de sair correndo. Vi Namjoon com um sorrisinho divertido, mas assim que viu meu estado, mudou para um gentil, puxando-me em direção à uma mesa qualquer.

E de verdade, a vontade de ser uma toupeira só cresceu. Era pedir demais um buraco para enfiar a cara. 

Até aí tudo bem.

— Tudo bem? Se machucou? — Uma voz doce soou atrás de mim, arrepiando todos os pelinhos de meu corpo. Nossa, que voz gostosa.

Mas calma, Namjoon e Yoongi estavam em minha frente então…? 

— Hein?! — Admito que virar de nariz franzido e expressão confusa não foi a melhor das idéias, afinal, eu iria fazer que expressão vendo o ruivo da entrada me olhando com preocupação? Nossa… Ele era ainda mais lindinho de perto. Mamãe, ajuda aqui, acho que perdi o ar.

— Eu vi você batendo a cabeça, está bem? — De tão abobado, só concordei, sinalizando meu estado de por fora bem por dentro em pânico, meus divertidamentes correndo de um lado para outro enquanto tudo pegava fogo… Que foi incendiado com gosto pelo sorrisinho aliviado, com direito a eye smille³ e tudo. — Que bom, fico aliviado. A propósito, sou Park Jimin, cuidado, viu? 

Tão rápido quanto veio, saiu, não sem antes cumprimentar Namjoon e Yoongi-hyung.

Já se perguntaram o que são as cores? O que causam elas? Na verdade, são feixes de fótons que sobressaem determinadas células da retina dos glóbulos oculares, elas então levam informações pré-processadas ao nervo óptico. A tonalidade da cor então é determinada pela quantidade de ondas que ela reflete, dando então a diferença entre os tons neons e pastéis, por exemplo.

Ok, mas já se perguntaram sobre o significado delas? Em Gris⁴ o vermelho, por exemplo, expressa a raiva. Entretanto, observando os fios rubros intensos do — agora conhecido — antes desconhecido Park Jimin. Nunca havia questionado a escolha da paleta de cores que possuía, porém vendo uma explosão de vermelho colorir meu mundo antes de cor alguma, preso ao preto e branco, diria que vermelho alaranjado agora era a cor da descoberta, adrenalina. Tons monocromáticos passaram a desaparecer conforme meus olhos não se desgrudaram da figura em toda sua imponência. Era como a cor de Marte.

— Jungkook! — O susto que levei com Namjoon quase me tacando a caneca de suco não há como ser descrito. Quase levantei e pedi licença para ir atrás de minha alma que com certeza saiu correndo.

Olha lá ela, dobrando o corredor.

— Agressivo. Que foi? — Não preciso de um espelho para saber que havia um bico em minha boca. O que posso fazer? Era involuntário.

— Tava' babando no Park, quer que faça as mão?

De tão surpreso, quase taquei meu pãozinho na carinha de Yoongi, arregalando meus olhinhos nada pequenos, praticamente berrando um "O QUE?!". Pelo olhar dele, acho que irei passar dessa pra melhor. Foi um prazer conhecer a todos. 

Mentira, abaixei minha cabeça e fiquei quietinho, morrendo de vergonha. Ótimo Jungkook, Belo jeito de começar o primeiro dia de aula, chamando atenção. O plano era passar despercebido, não é possível que não consigo nem ser discreto, primeiro carimbando meu rostinho na porta do negócio, agora isso. Ô Deus, ajuda aí vai.

O bom de ser agnóstico é chamar por Deus sem peso na consciência, mesmo que logo em seguida vá dizer que ele não exista.

— Vai assustar o garoto, hyung! — Levantei a cabeça a ouvir a voz de Namjoon-hyung, como assim ele não é mais velho que Yoongi? Minha cabeça tombou para o lado sem que pude controlar, afinal, estava confuso, poxa. 

Contudo, quietinho fiquei, com um bico na boca que não conseguia ficar. Pelo restante das aulas foi assim.

A travessia do refeitório a sala de aula não ocorreram tantas coisas importantes a serem citadas, a não ser o tal Park Jimin com a mão na cintura de um garoto de pele mais escuro o qual eu não sei quem é nem faço questão de saber. Era estranho ver que ele era de duas salas avançadas, digo, eu ficava na sala 14 e ele na 16, acabando com minhas fantasias de querer olhar seu cabelo ruivo o tempo todo.

Que foi? Era bonito, poxa.

De volta a sala de aula, queria por um saco na cabeça sempre que um novo professor chegava, me cumprimentando e falando as mesmas coisas que os outros falavam. Eu só sorria e concordava, ouvindo Namjoon e Yoongi rir da minha cara.

Incrível, a intimidade já tá assim é?

— Tenho cara de palhaço agora? — Resmunguei, bicudo.

— O que?! Não! — Namjoon exclamou, usando um tom dramático que eu sabia, SABIA, vir merda. Portanto, já preparei minha maior cara de cu e olhei pra ele, vendo pela visão periférica Yoongi morder o lábio. Claramente se segurando para não rir, o safado. — Jun, você é o circo todo. 

A vai a merda. 

Somente me contentei em virar de frente novamente, querendo explodir ouvindo as risadinhas divertidas, mas logo esquecendo da raiva quando pediram para formarem grupos e eles prontamente me incluíram na panelinha, fazendo-me sorrir.

Droga, não gostaria de ficar tão sentido com isto, mas não dava para ignorar, sabe? Antes sempre fui eu quem pedia para participar de grupos quando era obrigatório e pessoas que nunca tinha visto antes na minha vida, abriram um espacinho pra mim da mais livre e espontânea vontade. Era estranho, mas fiquei feliz, feliz demais. Certeza que meus olhos brilhavam, porque assim que encontraram com os de Yoongi ele sorriu, com um sorriso gengival que eu achei a coisinha mais fofinha do mundo, por isso grudei as mãos nas bochechas gordinhas, balançando o rosto branquelo de um lado para outro, fazendo-o fechar a cara e Namjoon rir de modo audível.

O resto das aulas foi assim, até começar cair a noite e o sinal bater, o que não vou mentir, deu um alívio. Aqueles textos de geografia estavam me estressando.

Namjoon e Yoongi disseram que tinham um compromisso, se não iam me acompanhar até em casa. Como forma de despedida, deram uma bagunçada nos meus cabelos, e um beijinho na testa. 

Não vou mentir, eu adorei. Sempre fui adepto a contato físico, eu gosto de dar carinho, mas ainda mais de receber. Seja um abraço quentinho ou um beijinho na testa mesmo, não sei, sentia-me especial, querido. Além de ser algo gostosinho. Era bom ver que eles não tinham a masculinidade frágil, porque poderiam muito bem me dar só um tapinha nas costas, afinal, homens não podem demonstrar afeto em público. Era meio ridículo, mas muitas pessoas de mente fechada não entendiam isso. Aqui, na Coréia, era comum a homoafetividade, mas não a homossexualidade. O por quê? Nunca saberei, amor é amor, independente de quem o pratique. As vezes, uma relação entre dois homens é mais saudável do que um casal hetero. Nossa, o desgosto que eu sinto passando pelo stories da vida vendo gente dizendo "Fé nas maluca", "queria uma surtada assim pra mim" ou se não "não posso ir em tal lugar porque meu namorado não deixa", nojo.

A ida até em casa, com meus pensamentos longes foi interrompida quando, esperando o sinal fechar para atravessar a rua, vi Park Jimin, o garoto de cabelos ruivos sentado na calçada, com o celular na orelha parecendo exausto, com direito a mão na testa e tudo.

Repentinamente, eu só quis poder tirar aquela angústia de si.

É estranho como ficamos encantados por uma pessoa ao ponto de só ela passar na sua cabeça, sempre. Agora, mesmo com um dia que conheço o Park, os tons de laranja que via rua adentro me lembrava o tom de seus fios. Parecem macios, perfeito para se fazer cafuné. Enfim, era engraçado, para não dizer meio maluco porque, droga, você sente vontade de fazer qualquer coisa para vê-la bem.

Ou, de novo, sou só eu e minha mania de não conseguir ver ninguém triste, meu coração apertava, como se uma mão de ferro o segurasse.

Porém, antes que pude fazer qualquer coisa, vi quando levantou e saiu em disparada, perdendo-o de vista ao dobrar da esquina. O caminho até em casa foi doloroso, porque queria ter feito algo, a expressão de exaustão que ele aparentava, o que chuto ser mental, não é saudável. Não era algo bonito de se ver, tampouco "sexy" como muitos dizem, ele poderia estar sofrendo…

Mas não é como se eu tivesse tempo para algo, pois logo em seguida sinto um peso se jogando sobre minhas pernas, sendo este Jihyun, meu irmão mais novo, de apenas quatro aninhos.

— Mano! Você chegou! — É inevitável não sorrir, amava tanto ele, mesmo que me deixasse irritado na grande maioria das vezes. Nas outras, me fazia sorrir igual abastado.

— Oi, Hyun, cheguei. — Ele ficou pendurado no meu pescoço durante todo o caminho até parar em frente à padaria de minha mãe, que ironicamente também era nossa fonte de renda e onde eu morava, já que a casa ficava acoplada. — Oi, mãe! 

Ela só me olhou por estar atrapalhada com os clientes, então tudo que fiz foi sorrir e passar pelo portão lateral, não queria interromper ela. Detalhe: os vinte quilinhos de Hyun continuavam pesando no meu braço, o desgraçado para um saco de farinha, inferno. O coloquei no chão logo que cheguei a cozinha, indo para meu quarto. 

Ah, é revigorante estar em casa e poder me jogar na minha cama. 

Sabe, depois de um dia estressante muitas pessoas têm diversas formas de desestressar: umas socam coisas — normalmente os doentinhos que querem chamar atenção —, outros costuram, já outros transam ou só se martubam (o que já fique claro, é uma ótima medida) e tem que, eu apesar de adorar fazer esse último, só fico encolidinho' na cama com os fones no último volume, o que parece levar, junto com as batidas, todo o cansaço e estresse diário.

Droga… Já perdi as contas de quantas vezes Boss Bitch, da Doja Cat, repetiu em meio as aleatórias. E pensar que descobri esse hino enquanto via vídeos no Tiktok, com os artistas do Grammy representando as pessoas fodonas. 

Deprimente.

Ai, ai, sem perceber, eu dormi. E só acordei de novo as cinco da manhã, com baba no rosto e com os olhos inchados, se bobear, se me perguntassem, não saberia dizer quem eu era. Aquele soninho tava gostoso, poxa. 


🐤🐇


Novo dia, dia novo. Era um saco acordar cedo e não ter porra nenhuma para fazer, então só me contentei em levantar antes do previsto, arrumar meu quarto, varrer, passar pano e depois lavar bem as minhas mãos com sabão e álcool gel, afinal, quem sabe quando uma pandemia pode surgir.

Detalhe que fiz tudo ao som de playlist em um mix qualquer da Halsey, no YouTube.

Quando enfim deu o horário de sair de casa, coloquei meus fones sem fios que quase tive de me prostituir para pagar. Ah, qual é? Pagariam para pegar nesse corpinho aqui, eu hein.

Durante o caminho fui percebendo detalhes que me passaram despercebidos anteriormente, talvez por ser tarde e eu estar com o sono tomando meu corpo. Padarias, cafeterias, até mesmo uma… Loja de tatuagem? Não, pera, é estúdio de tatuagem. Era bonito, chamava-se Filter. Será que o significado era que, dependendo do desenho que dizer, terá uma versão diferente de si mesmo? Bem, se fizer uma tatuagem de lobo na panturrilha, por exemplo, a calça cobre, mas quando revelada, dá um aspecto mais feroz. Conquanto, se fizer um pêssego próximo ao cóccix, vai ser bem depravado.

Eu acho, enfim, o corpo é de cada um e se quiserem tatuar um pinto na testa eu não nada haver com isso.

E, honestamente? Quem liga pra tatuagens quando se tem um doguinho na sua volta?

— E aí, campeão! Que coisinha mais linda que você é. É, você mesmo. — O cãozinho que não sei de que raça é porque meu conhecimento pra isso é zero se movia todo feliz a minha volta, mesmo que seu cheiro não fosse um dos mais agradáveis. Um cachorro de rua… Ainda estava gordinho, o que significa que foi abandonado a pouco tempo. Ok… Isso acabou com meu dia, como pessoas podem ser tão cruéis de abandonar criaturinhas tão doces? Mesmo que eu prefira gatos, isso não se faz, é desumano.

Mas, o que mais doeu mesmo foi quando me ergui e ele veio atrás de mim.

— Ah, não, não! Eu vou querer te levar pra' casa, fora que estou indo para escola… Não posso levar você, campeão, desculpa. Mas prometo que volto aqui com um saquinho de pedigree pra você! — Como se me entendesse, o cachorrinho tombou a cabeça para o lado e sentou a bandinha gorda no chão, me fazendo rir, mesmo que tenha que dar o dinheiro da minha merenda para comprar a comida.

Dobrando a rua, já consigo ver os portões da escola, não entendendendo porque não tem praticamente ninguém da minha turma ali. 

Bom, isto até eu ver o quadro de horários sinalizando que tinha até duas aulas vagas, querendo me esmurrar por ter esquecido de algo assim. O desgraça, eu poderia estar dormindo perfeitamente bem, quentinho, confortável, mas não, estou aqui, por NADA. Só dando na minhas cara mesmo.

Sim, eu sei que cara se usa pra cavalo, então xô.

Resignado, me contento em ir até a quadra de basquete, que também é usada para jogar handebol, que em tempos de corona vírus não é nada indicado viu coleguinha. Conformado, coloco minhas músicas no aleatória e deito-me sobre as arquibancadas, no primeiro banco, com o braço sobre os olhos. Sei lá, vai que alguém entre e eu dormi? Ninguém merece ver essa visão do inferno, vão ficar traumatizados. 

Até aí tudo bem, tudo certo.

Mas um filho desprovido de uma mãe que possa o educar, porque pai não sabe fazer isso, quer dizer, a maioria, chegou empurrando a porta do ginásio com força, fazendo ela bater na parede com tudo e eu, consequentemente, quase ter um ataque cardíaco, sentando na hora pronto para xingar o indivíduo de todos os nomes e palavrões possíveis e que eu conheça, mas minhas boca se cala quando vejo que entrou é Park Jimin com o rosto banhado em lágrimas porém, ao me ver, secou elas rapidamente, caminhando sem exitar em linha direção.

Desvia, filho, vira vai, não precisa se curvar para mim pelo amor da puta que pariu garoto, meu rosto vai explodir de tão vermelho, puta merda.

— Me desculpe, Jungkook-ssi, eu não queria lhe assustar. — Jungkook-ssi? Porque eu fiquei tão afetado por isso? Saí de meus pensamentos quando vi que ele permanecia de cabeça baixa, rapidamente me levantando e balançando as mãos, não deixando de notar que era mais alto que si.

— N-não se desculpe! Está tudo bem, mesmo! 

Pensando bem, ele deveria ter ficado com o rosto baixo, assim eu não me sentiria tão constrangido. Sentia as batidas do meu coração ressoando através de meus ouvidos, deixando-me em estado de torpor em ver seu rosto tão de perto. Os olhos inchadinhos e ainda levemente vermelhos pelas lágrimas derramadas momentos antes, o nariz achatado, as bochechas gordinhas, os fios rubros que tanto gosto e a boca carnuda, ela parece ser tão macia… Assustado, voltei o olhar para seus olhos, vendo como me fitava com intensidade, quase como um lobo prestes a atacar sua presa.

A presa, no caso, era eu.



Notas Finais


¹ Referência a Vingadores: Ultimato.
² Um tipo de divergência da umbanda.
³ Sorrir com os olhos.
⁴ Referência ao Jogo Gris.

Olá? Eu peço desculpas pela demora :( nem sequer sei se alguém ainda lê essa bebê, porém ainda sim, me perdoem, não é intencional. Não há muita coisa a dizer kk.

MPNTO é algo que eu amo escrever, que é feita de coração, dado de coração aberto a todos que quiseram dar uma chance a ela e ler, mas ainda sim é algo que eu posso errar. Haverão diversos pontos que quero trabalhar com ela, mas, por favor, se eu errar, em alguma palavra ou informação, me digam, POR FAVOR. Aliás, vão jogar Gris, o jogo passa uma mensagem incrível.

txt: @taewidow.

Até a próxima, sim? ♡


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