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História Meant to be - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Capítulo 12 - Cartas na mesa


Quando a sessão terminou, Harley ficou esperando do lado de fora, encostada em sua moto. Pamela havia ido ao banheiro. Provavelmente para ganhar tempo. A loira já sabia como ela funcionava mesmo em tão pouco tempo de convivência. 

Pamela foi direto em sua direção quando passou pela porta de saída. Parecia nervosa, sua linguagem corporal indicava isso. Se aproximou com um pequeno sorriso tímido. Não sabia o que mais estava lhe constrangendo: ter exposto seus problemas na frente de Harley ou saber que a mesma estava apaixonada por ela. 

— Hoje a sessão foi intensa, não? — a loira quis descontrair, mas não surtiu muito efeito, porque no fim se descobriu tão ansiosa quanto Pam. — Eu não imaginava que tivéssemos a mesma doença. Você não tem os mesmos sintomas maníacos que eu. 

— Às vezes tenho episódios maníacos, mas são mais brandos e geralmente me fazem ficar obcecada com o trabalho. Acho que em cada pessoa a doença se expressa diferente. 

— Provavelmente. E a sua é tipo II, a minha é tipo I. Até nisso somos parecidas e opostas — analisou sabiamente. 

— Até nisso — concordou, pondo uma mecha ruiva atrás da orelha. — Eu... Estou atrasada, tenho um compromisso de trabalho, preciso ir, mas... Podemos conversar sobre a sessão de terapia essa noite, se você quiser.

— Sim, claro. Quando for melhor para você.

Ela é sempre tão compreensiva.

— Podemos jantar hoje? Pensei em levá-la em um dos meus restaurantes favoritos. Gosta de comida japonesa?

— Se eu gosto? — bateu palminhas como uma criança empolgada. — Deus, eu amo absolutamente tudo da culinária japonesa.

— Ótimo, então eu te pego na livraria às 20h?

Harley assentiu, feliz pelo convite. Por um momento receou que Pamela fosse se afastar após sua declaração súbita na frente de todos. A ruiva tinha esse hábito: fugir quando as coisas ficavam mais intensas, mas aparentemente estava mudando.

— Perfeito, Pam.

— Então... Eu vou indo... — apontou em direção ao seu carro, sorrindo para Harley como boba. Ainda não podia acreditar em suas palavras. “Eu tenho certeza de que estou perdidamente apaixonada.” — Até breve, Harls.

Sem se preocupar se alguém iria vê-las, Pamela a puxou pelo quadril com certa posse e a beijou nos lábios suavemente.

A loira abriu os olhos muito tempo depois, quando a empresária já estava distante. Ficou olhando para ela embasbacada, ainda não crendo na demonstração pública de afeto em frente ao lugar que faziam terapia.

Uau, Dra. Isley, uau!

 

Obviamente o dia passou arrastado. Quando Harley mais desejava que a livraria estivesse lotada para que o tempo voasse, a mesma se encontrava praticamente vazia, o que a obrigou ficar debruçada no balcão, olhando para o nada e suspirando enquanto pensava em tudo que já havia vivido com Pamela e no quanto estava apaixonada por ela em tão pouco tempo.

 

Até três semanas atrás, Harley ainda estava perdida, vivendo anestesiada pelos remédios. E de vez em quando fazendo suas típicas besteiras, como beber até ficar inconsciente e sair com a primeira pessoa que surgisse. Teve vezes que de tão bêbada, Harley nem se lembrava do rosto e do nome do cara com o qual saiu do bar. Tal promiscuidade a pôs em risco em muitas ocasiões, mas Quinn tinha sorte e por isso sobreviveu. Sobreviveu e “encontrou” Pamela, a vizinha misteriosa e inalcançável. A mulher que mudaria tudo.

 

Estava ansiosa para o jantar. Também amedrontada. Morria de medo que a ruiva enxergasse suas piores partes e corresse para o mais longe possível. Apesar de tentar aparentar segurança e agir com ousadia na maior parte do tempo, Harley Quinn podia ser bastante medrosa. Seu maior medo era o seu lado obscuro. Medo de que Pamela o visse e descobrisse que Harley não era o que ela realmente queria...

 

 

— Eu não acredito nisso! — a voz de Selina ecoava pelo carro, estavam no telefone. — Eu acho que vou entrar para esse grupo de terapia, porque as coisas mais interessantes e divertidas acontecem lá.

 

Pamela havia telefonado para a melhor amiga e contou sobre sua manhã. Claro que sim. Selina tinha de ser sempre a primeira pessoa a saber de qualquer coisa da sua vida.

 

— Foi surreal, Selina. A forma como ela disse, como olhou para mim ao fazê-lo — de tão emocionada, até sua voz estava diferente e a amiga percebeu. — Nunca ninguém me olhou daquela maneira, nunca vi tanta verdade nos olhos de alguém com quem me relacionei.

 

— Exceto nos meus, que transbordam de amor por você — brincou e as duas riram juntas. — Ah, minha amiga, eu estou tão feliz! Se alguém no mundo merece se apaixonar perdidamente e viver um grande amor, esse alguém é você. Aproveite, não tenha medo. Me diga que irá ver Harley ainda hoje e dizer a ela que está apaixonada também! — seu tom era de ordem.

 

— Eu a convidei para jantar, sim, mas não sei ainda o que vou dizer. Estou digerindo, Selina. E sabe que sou meio lenta.

 

— Meio? Só não seja demais! Harley é uma garota incrível e está apaixonada por você e nós duas sabemos que isso é recíproco. Não perca tempo, Pamela Isley.

 

— Obrigada por me ouvir. Amo você!

 

— Eu também te amo. Me mande mensagens depois!

 

— Okay, tchau.

 

— Tchau.

 

Pamela ficou um tempão dirigindo, era algo que adorava fazer e a ajudava a pensar. Sim, estava pensativa. Como não ficar? Uma mulher como ela, sempre acostumada a solidão, de repente se via apaixonada pela vizinha, que morava do lado do seu apartamento e fazia terapia junto com ela. Podia ser um pouco demais e por isso demandava que Pamela pensasse com calma, que tivesse clareza do que pretendia.

 

Não tinha dúvidas que estava apaixonada por Harley Quinn e de que queria ficar com ela, mas tinha medo de machucá-la com suas inseguranças e necessidades súbitas de espaço. Tinha medo de afastá-la ainda que sem querer, daí vinha a necessidade de conversar abertamente com ela. Faria isso no jantar e todas as vezes que fossem necessárias. Comunicação em relacionamentos era fundamental, leu isso alguma vez em uma revista. Provavelmente era verdade.

 

Os meninos passaram o dia tirando sarro de Harley por causa do nervosismo dela, mas no fim eles a acalmaram, garantindo que seu encontro seria perfeito e que Pamela estava caidinha por ela.

 

Quando deu 20h, o estômago de Harley começou a ficar esquisito. Ele só melhorou no momento que Pamela atravessou a porta da livraria, mas em compensação seu coração quase entrou em colapso, porque a ruiva carregava um buquê de rosas vermelhas em mãos e estava ainda mais linda do que quando Harley a viu pela manhã.

 

 

— Espero não estar atrasada — Pamela disse assim que parou na frente da loira. Eram exatamente 20h02. — São pra você — estendeu o buquê perfeitamente montado. Harley o segurou com mãos trêmulas.

 

— Você não está atrasada... E... Uau... — a loira encarou as flores de perto e respirou o perfume delas. Ficou tão nervosa que achou que desmaiaria ali mesmo, na frente de seus amigos que observavam a cena com sorrisinhos. — Meu Deus, Pamela, são lindas! O arranjo ficou lindo.

 

— Fiz especialmente pra você — os olhos verdes estavam mais intensos e o sorriso de Pamela ainda mais radiante. Parecia que estava querendo conquistar Harley, mas isso já havia acontecido... — Espero que esteja com fome, porque eu estou morrendo! Vamos?

 

Harley piscou algumas vezes e balançou a cabeça, fazendo-a funcionar. Ficou tão boquiaberta com o buquê que seu cérebro quase paralisou. Então olhou para Pamela, assentindo com empolgação.

 

— Estou faminta! Mas antes, deixa eu te apresentar meus meninos... — Harley virou e os viu praticamente tentando se esconder atrás de uma prateleira. — Floyd, Flag, venham aqui conhecer a Pamela.

 

Meio sem jeito, os dois homens saíram de trás dos livros e se aproximaram. Ambos se surpreenderam ao ver Pamela de perto, porque a mesma era ainda mais bonita e intimidadora.

 

— Prazer, eu sou o Flag — o loiro estendeu a mão e ela pegou num aperto firme.

 

— E eu sou o Floyd. É um prazer, senhorita.

 

— O prazer é meu Floyd e Flag. Agora vou roubar a amiga de vocês, ok?!

 

— À vontade, já estamos cansados dela — Floyd brincou e Harley mostrou a língua para ele. — Ela estava ansiosa pra esse jantar.

 

— Floyd! — Harley cerrou os olhos para ele, furiosa. E depois encolheu timidamente diante do olhar de sua... Ficante? — Não liga, eles falam demais. Vamos logo antes que eles comecem a me difamar.

 

— Só dizemos a verdade — Flag adicionou.

 

— Vou ter que pegar o contato de vocês para me contarem mais coisas depois — Pamela entrou na brincadeira. — Mas foi realmente um prazer, rapazes. Qualquer dia marcamos algo os quatro, que tal?

 

Harley se surpreendeu positivamente com a oferta dela aos seus amigos. Floyd e Flag eram homens simples, não tinham a mesma classe e nem nível escolar que Selina, mas ainda assim Pamela estava disposta a conhecê-los, porque eles eram seus amigos.

 

— Com certeza! — os dois sorriram para a ruiva.

 

— Até logo.

 

— Divirtam-se!

 

Harley ao lado da mulher mais linda do mundo, segurando um buquê que a mesma a havia presenteado. Sentiu-se privilegiada.

 

Quando chegaram no belíssimo carro, Pamela abriu a porta para a loira entrar. Ela estava realmente caprichando em seus gestos. Não que Pamela não fosse educada e gentil o tempo todo, mas havia algo a mais naquela noite. Algo especial. Doce.

 

Os olhos azuis se esbugalharam diante da beleza e sofisticação do restaurante escolhido e por um instante se achou inadequada para frequentá-lo, especialmente com suas roupas nada chiques.

 

— Uau, Pam. Esse lugar é incrível — falou meio boba enquanto caminhavam em direção à mesa reservada.

 

— Espere para ver a comida e o vinho!

 

E novamente Pamela teve um gesto amável, ela puxou a cadeira para que Harley se sentasse. Era melhor do que qualquer filme romântico que a loira já havia assistido, porque era real.

 

Assim que a botânica se sentou, um garçom muito educado e bem uniformizado se aproximou com a carta de vinhos e com o menu, mas a ruiva sugeriu que elas escolhessem o rodízio, que incluía basicamente tudo, assim Harley poderia desfrutar e se fartar...

 

Pamela pediu um Merlot que foi servido em tempo recorde.

 

— Eu não imaginei que viríamos num lugar tão chique, senão teria ido para casa me trocar — Harls falou com bom humor.

 

— Você está linda, Harley. Perfeita — os olhos verdes a olhavam daquele jeito incrivelmente intenso que a deixava sem fôlego. Pamela esticou o braço e segurou na mão dela por um momento. — Perfeita como sempre.

 

O coração de Harley batia na altura de seus tímpanos. Nunca experimentou uma alegria tão gritante. Estava perdidamente apaixonada por uma mulher incrível, que estava lhe tratando como uma princesa. Como ninguém nunca havia lhe tratado antes.

 

Outro garçom surgiu trazendo os primeiros pratos. Pamela via a alegria nítida no rosto da loira, o jeito como ela sorria largamente diante da comida era incrível. Parecia uma criança apresentando aquela felicidade pura e quase irracional, inatingível aos adultos que nunca se satisfaziam com nada.

 

— Oh meu Deus — Harley falou com a boca cheia após colocar um pedaço de salmão grelhado na boca — Isso é divino... Acho que deixei de ser agnóstica agora.

 

Pamela riu, encarando a outra mulher sem disfarçar. Mais do que a comida deliciosa, a ruiva estava ali com o intuito de desfrutar cada segundo ao lado de sua vizinha pela qual estava irremediavelmente apaixonada.

 

— Prove o vinho e você verá Deus — garantiu, pegando em sua taça.

 

Harley pegou sua taça, Pamela ergueu a sua e elas levaram aos lábios ao mesmo tempo, ambas desfrutando lentamente do sabor incomparável do delicioso vinho chileno enquanto trocavam olhares que só amantes compartilhavam.

 

— Se eu tomar mais algumas taças desse vinho, certamente eu verei Deus essa noite — Harley brincou e logo estava enfiando um sushi na boca.

 

Elas foram comendo e falando uma coisa ou outra sem importância, como por exemplo do livro que Pamela havia acabado de ler. Discutiram uns vinte minutos sobre a história.

 

— Ellie era muito precipitada, uma completa maluca — a ruiva disse meio séria e Harley praticamente se ofendeu.

 

— Eu não acho! — fez um ligeiro bico. — Eles eram muito jovens por isso agiam por impulso, além disso a Ellie era mimada então é compreensível as ações dela.

 

— Mas mesmo depois dos anos que passaram, quando eles se reencontraram, ela ficou hesitante entre Noah e o noivo bobão, não gostei disso.

 

— Você não ficaria? — a perguntou surpreendeu Pam. — Eles ficaram anos longe um do outro, ela conheceu outro cara, ficou noiva... Mudar a vida de cabeça para baixo de repente por outra pessoa pode ser assustador.

 

— Sim, eu entendo essa parte, mas ainda assim. O sentimento deles, o amor que eles sentiam um pelo o outro não deixava espaço para esse tipo de dúvida — defendeu com convicção. — Por isso Noah é meu favorito, porque ele sempre soube que Ellie era o grande amor de sua vida e nunca recuou.

 

Harley pareceu pensativa. Terminou sua terceira taça, já estava ligeiramente alterada. Pamela tinha um bom ponto, não podia negar. O mais interessante da discussão não era nem pensar sobre a história, mas sim na vida real e em como as opiniões delas podiam refletir quem eram.

 

— Você seria como ele, então? — Harley a encarou profundamente. — Faria tudo por amor? Largaria tudo? Mudaria sua vida?

 

A pergunta deixou Pamela sem reação, foi totalmente inesperada. As vezes ela se esquecia de como Harley podia ser intensa e ousada.

 

Bebeu mais um gole de seu vinho para limpar a garganta.

 

— Eu não sei, porque nunca amei ninguém... — murmurou, sendo o mais sincera possível. — Mas se eu amasse, se eu amar...

 

Elas se encaravam.

 

A comida, a música baixa, as vozes das outras pessoas, tudo havia ficado suspenso. Estavam presas no olhar uma da outra, ninguém mais existia, nada mais importava.

 

— E você, Harley?

— Sim — respondeu na mesma hora sem nenhum sinal de dúvida.

 

Pamela se viu ainda mais presa nos meteoros azuis.

 

Certamente, se estivessem a sós, esse seria o momento em que ela beijaria aqueles lábios perfeitos e seguraria o corpo pequeno contra o seu, mas como não podia... Era melhor seguir com a conversa, que ainda não havia chegado no ponto que realmente importava.

 

— Eu queria jantar com você, passar tempo juntas, claro, mas eu te convidei hoje principalmente para falarmos sobre a sessão de terapia — explicou quase que formalmente, tentando fugir da magia que Harley causava nela.

 

— Falemos sobre a sessão de hoje, então — Harley sorriu, disfarçando seu nervosismo.

 

Pegou a garrafa de vinho e encheu sua taça mais uma vez. Claro que Pamela queria tocar no assunto da sessão, afinal, havia dito em alto e bom tom que estava apaixonada... Por ela.

 

— Eu disse coisas sobre mim hoje que você não sabia. Contei que tenho transtornos graves, falei das minhas inseguranças, do meu medo. Me abri no grupo de propósito, por você — Harley não escondeu sua surpresa ao ouvir aquilo — Porque eu queria que você, Harley, soubesse sobre mim e eu não acho que teria conseguido te contar aquilo tudo se estivéssemos sozinhas. Mas eu precisava que você me conhecesse por inteira, porque desde o início você tem se mostrado tanto para mim, então eu queria fazer o mesmo.

 

Sem explicação, Harley se viu tomada por uma grande emoção que encheram seus olhos, mas ela se conteve. Abriu um pequeno sorriso.

 

— Eu fico feliz que tenha compartilhado comigo essas coisas, Pamela. O que eu mais quero é te conhecer, saber tudo sobre você, sobre o que sente...

 

Foi a vez da ruiva ser pega em cheio com aquela declaração, um sorriso nervoso surgindo no canto de seus lábios.

 

— Harleen Quinzel, você é... Algo a mais — suspirou, fazendo a loira rir baixinho. — Quer dizer que não se assustou com o fato de eu ter tantos problemas?

 

— Me assustar? — riu novamente e fez um gesto com as mãos se apontando. — Olhe para mim, Pamela. Eu tenho tantos ou mais problemas que você. Não que eu esteja comparando, porque não tem como comparar sofrimento nem nada assim, mas eu quero dizer que apesar dos transtornos e do problema com seus pais, você se saiu tão bem. Olhe só para você! — falou com verdadeira admiração. — Uma mulher tão forte, independente, que luta por aquilo que acredita, que tem seu próprio negócio, que se tornou PhD naquilo que amava... Eu te admiro pra caralho.

 

— Ah, Harley... Se estivéssemos a sós... — seu olhar foi direto para a boca carnuda e pintada de vermelho. — Eu te beijaria agora.

Harley teve a coragem de corar mesmo sorrindo travessamente.

 

— Eu iria adorar, mas podemos fazer isso depois, não se preocupe.

 

— Com certeza. Essa noite eu vou te beijar inteira — falou quase num sussurro, de um jeito tão erótico que Harley apertou suas coxas embaixo da mesa, sentindo seu sexo vibrar.

 

— Então... — pigarreou — Era só sobre isso que queria falar?

 

Pamela respirou fundo. Ainda faltava uma parte, as duas sabiam.

 

Um garçom diferente as interrompeu para perguntar se queriam mais alguma coisa e Pamela pediu outra garrafa de vinho, porque a delas havia acabado e certamente precisariam de muito álcool.

 

— Sobre o que você disse hoje cedo... — Pamela sentiu que estava tremendo e deu graças a todos os deuses por estar sentada, porque senão suas pernas falhariam. — Sobre... Você sabe...

 

— Estar apaixonada? — Harley sorriu travessamente, adorando ver a ruiva tão nervosa diante dela, tão frágil.

 

— Isso.

 

— O que tem?

 

Claro que Harley não ia facilitar as coisas para Pamela. Se a ruiva realmente tinha intenções de aprofundar aquele relacionamento, de consolidá-lo, ela precisava se expor em todos os sentidos, precisava ser clara sobre seus pensamentos, sentimentos e desejos.

 

Era óbvio que Pamela queria dizer algo sobre a declaração de Harley na sessão de terapia, então que dissesse logo, com suas próprias palavras.

 

— Você realmente quis dizer aquilo? — perguntou de repente, séria. Porque a pergunta era importante. — O que eu quero dizer é: você realmente está apaixonada por mim?

 

De repente Harley também ficou séria, seu sorriso desapareceu. Não porque não estivesse mais feliz, mas porque a pergunta demandava seriedade.

 

Apesar do medo súbito que lhe abateu, não podia mentir nem fugir. Sobretudo porque não queria voltar atrás. Harley Quinn estava absolutamente certa do que sentia por Pamela Isley e não mentiria sobre isso ainda que sua resposta pudesse custar caro.

 

— Sim — disse fraco, olhando dentro dos olhos verdes. — Eu estou completamente apaixonada por você, Pamela — sem querer duas lágrimas repentinas desceram por seu rosto.

 

Pamela precisou puxar o ar pela boca e mesmo assim não pareceu suficiente. Sua cabeça girou, mas ela estava certa de que isso não tinha nada a ver com a bebida.

 

Harley Quinn está apaixonada por mim. Por mim!

 

Depois de alguns instantes para processar a informação, Pamela abriu um sorriso de orelha a orelha e seus olhos também carregavam a mesma emoção que os azuis.

 

— Sabe de uma coisa, Harley Quinn?

 

— O quê? — a loira perguntou receosa, quase caindo em prantos e correndo para o banheiro.

 

— Eu também estou perdidamente apaixonada por você.

 

Harley ficou quase um minuto em silêncio, a expressão totalmente indecifrável. Num primeiro instante pareceu assustada, depois... Surpresa? Encantada? Pamela não sabia dizer.

 

A loira ficou de boca aberta, os olhos azuis arregalados, brilhantes em direção à Pamela. Então, depois de tanto tempo, um sorriso bobo surgiu, luminoso como o sol. Junto dele veio mais duas lágrimas teimosas escorrendo por seu lindo rosto.

 

— Merda, Pamela! Sou eu quem queria pular em você agora e beijá-la até o mundo acabar.

 

— Podemos providenciar isso. Quer ir para casa agora?

 

— Oh, sim, por favor!

 

Depois daquelas declarações, o que elas mais ansiavam era privacidade.

 



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