História Medo de Amar - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Personagens Ana Paula Padrão, Erick Jacquin, Henrique Fogaça, Paola Carosella
Tags Farosella, Henriquefogaca, Masterchefbr, Paolacarosella
Visualizações 262
Palavras 3.635
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Obrigada pelos comentários, minha gente. Espero que estejam curtindo :)

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction Medo de Amar - Capítulo 3 - Capítulo 3

Henrique chegou ao restaurante quase uma hora depois de Paola. O dia seria curto para ele, já tinha excedido as horas de trabalho semanal de seu contrato. Antônio, sócio de Paola, era extremamente rigoroso com as questões burocráticas. Tinha pavor de recerber uma multa ou processo, evitava que o restaurante ficasse judicialmente exposto, então mantinha os funcionários em rédea curta.

Depois de se trocar apressado colocando o uniforme e a dolmã o tatuado entrou na cozinha com um sorriso de orelha a orelha que logo foi notado pelos colegas. Procurou discretamente por Paola, mas a chef não estava na cozinha.

– Vamo, gente! Salão tá cheio, hein?! – Ele entrou batendo a mão nas mesas.

– Fogaça, te ligaram umas três vezes já. Uma tal de Nanda. – Julia o avisou assim que o viu e saiu com um prato nas mãos.

– Valeu, Jujuba. Sei quem é. – Ele agradeceu colocando o avental e seguiu para a limpeza dos pratos finalizados: macarrão com pesto e muito queijo. Pegou o pano sobre a mesa e começou o serviço com cuidado. Oscilava entre finalizar o prato e limpa-lo.

– Olha a cara do pilantra de quem se deu bem essa noite, a lá. Ah!!!! – João gritou alto na cozinha enquanto bagunçava a careca do amigo fazendo todos rirem.

– Quem foi a da vez? Quero saber, hein, seu rato?! – Marcelo gritou do outro lado e Henrique se manteve sorridente. Não pelas brincadeiras dos amigos, mas porque não conseguia parar de pensar na noite que passou com a Argentina de pele macia.

– Bora, Fogaça! Vem cá, quando acabar de pegar vai recomendar pros amigos? Cês sabem que esse cara é sinistro, né?! Não para com uma. – Reinaldo comentou se aproximando do estagiário. O sorriso de Henrique foi dando lugar a um enorme desconforto que beirava a irritação. – Queria ser que nem esse verme.

– Ah, mas quem você queria mesmo não tem chance não, mermão. Ou cê acha que a chefona iria dar bola pra um estagiário? – João falou chegando perto também. – A leoa. A gostosa master do Julia Cocina. – Falou baixinho enquanto todos riam. O tatuado inconscientemente fechou o punho contra o tecido sabendo de quem se tratava.

– Não, quando ela tira aquela dolmã e vem com aqueles peitinhos tudo durinho... Caralho! Eu... – Marcelo começou a falar e Fogaça bateu fime na mesa.

– Parou com essa porra! Vamo respeitar a chef, caralho! – Todos se assustaram com a atitude repentina do homem. – E quando foi que eu saí falando com quem eu saí ou deixei de sair nessa cozinha? Bando de incento!

– Calma, parceiro! A gente tava só brincando. – João ergueu as mãos.

– Brincando meu ovo, porra! Aprende a ser homem, caralho. Não é assim não! Termina essa porra aí! Me irritou já. – Soltou o pano sobre a mesa e tirou o avental. Quando estava se retirando da cozinha esbarrou em Julia novamente. Ela segurava um livro de receita nas mãos.

– Fogaça a tal da Nanda deixou isso pra... – Ele não a deixou terminar e saiu andando.

– Gente. O que é que deu nele? – Julia perguntou assustada.

– Tá nervosinho. – João respondeu voltando para a mesa de corte.

– Nem me deixou falar. A tal da Nanda pediu pra eu entregar isso pra ele. – Ergueu o livro.

– Outra? – Marcelo esbravejou.

– Nanda? É uma morena do cabelão, que tem um corpaço? – Reinaldo perguntou a fazendo revirar os olhos.

– Não olhei pro corpo, né?! Mas de resto parece ser a mesma pessoa sim. Por que?!

– Ah, é a namorada dele, porra! – Ele respondeu fazendo um gesto com a mão.



...


Fogaça voltou para o vestiário sentindo seu sangue ferver. Sabia que teria de se controlar muito dali pra frente já que os colegas vez ou outra faziam comentários sobre a beleza de Paola. Respirou fundo algumas vezes e abriu o armário pegando sua mochila. Tirou um papel de dentro enquanto se acalmava e decidiu ir procurar pela chef. Tinham se despedido com um clima estranho pela manhã e não se falaram depois disso.

Pensou numa boa desculpa e seguiu para o escritório administrativo se deparando com a porta fechada. Recoou algumas vezes antes de finalmente criar coragem para seguir em frente com seu plano mental.

– Chef? – Henrique bateu na porta a abrindo e entrando com apenas metade do corpo. Ela se manteve olhando para o que estava fazendo e ele entrou inteiramente fechando a porta.

Paola estava concentrada em uma pilha de papel diante de si. Usava seus óculos de grau e mordia a tampa de uma caneta quando o percebeu entrar. Passou horas ensaiando em como dizer pra ele que não poderíam ir em frente. 

O que Raquel disse no café havia mexido com a Argentina, ainda que ela não quisesse. Sentia-se insegura com a fama de pegador do bonitão e depois da noite que tiveram não queria a lembrança de mais uma relação fracassada e cheia de mágoas. 

– Trouxe o cardápio de sugestão das sobremesas que a gente começou ontem. – Ele disse levantando um papel enquanto parava diante dela.

– Pode deixar aí em cima. – Ela disse apontando para a mesa com a cabeça ainda sem encara-lo. Ele colocou o papel diante dela sobre o móvel.

– Você não estava na cozinha. Estranhei. – Ele observou enquanto ela se levantava indo até um móvel de ferro cheio de gavetas abrindo-o.

– Estoy no administrativo hoje. – Falou colocando um fio de cabelo atras da orelha. Vestia sua dolmã e um jeans, mas não tinha um lenço nos cabelos como de costume. – Antônio, Antônio... O que é que você fez...?! – Resmungou o nome do sócio baixinho se concentrando na gaveta diante de si procurando alguma coisa.

– Precisa de ajuda? – O estagiário perguntou coçando a cabeça raspada enquanto a olhava concentrada.

– No. Obrigada! Puedes ir. – Respondeu séria empurrando o óculos mais pra perto de seu rosto.

Fogaça virou-se para sair, mas desistiu. Percebia a frieza da mulher e não sabia lidar com o modo em que ela o estava evitando. Sabia apenas que não queria novamente o distanciamento de início entre os dois. Adorava Paola. Era sua amiga, sua professora. Adorava descobrir que apesar das aparências tinham muito em comum. Principalmente na cozinha. Definitivamente na cama.

– Você vai me evitar até o fim do estágio ou só até a gente começar a fingir que não dormimos juntos? – Ele perguntou de repente a surpreendendo. Ela voltou seu olhar para ele.

– Como? – Fingiu-se de surpresa. Ele a encarou inclinando a cabeça e cruzou os braços diante de si sem dizer uma palavra. Ela suspirou e fechou a gaveta caminhando até o cozinheiro enquanto coçava a cabeça. – Fogaça... – Começou a falar num tom mais suave enquanto parava diante da mesa de frente pra ele e apoiou a bunda na quina do objeto. – Yo... O que aconteceu... – Disse pausadamente. Ele descruzou os braços e soltou um sorriso sarcástico a interrompendo.

– Beleza, Paola. Já entendi. Não gasta teu português não. – Disse se virando para sair.

– Que? – Ela o fez parar. Ele voltou para olha-la.

– Paola, eu não sou nenhum moleque. Eu não sei se você tá arrependida, se pra você não foi tão bom – Ele disse gesticulando enquanto ela o olhava com os lábios entreabertos negando com a cabeça. – ou se você só tem vergonha de dizer pras pessoas que dormiu com o estagiário.

– O que? Fogaça, você está confundindo as coisas.

– Será? Eu não sei quanto a você, mano, mas eu tô muito dentro dessa porra. – Ele a olhou no fundo dos olhos. De repente Paola sentiu parte de sua insegurança descer pelos seus pés. Se sentia dividida entre o que sempre ouviu sobre ele e confiar no que estava sentindo.

A Argentina era durona, não era qualquer um que deixava entrar em sua vida e em seu coração. Havia sofrido demais nos últimos relacionamentos e não queria investir tudo de si em algo sem futuro. Gostava dele e sabia que seria questão de pouco tempo pra que estivesse perdidamente apaixonada. Talvez já estivesse perdida nele em pensamentos.

– Yo só no quero perder mais ninguém. – Ela soltou decidida sem desviar o olhar do dele. O estagiário sentiu seu corpo inteiro amolecer. Queria abraça-la e prometer que jamais a deixaria. Mas sabia o quão cruel isso seria. Sabia que não poderia prometer o que estava além de suas mãos. – Somos amigos. Acima de tudo, nos tornamos assí. – Ela encolheu os ombros. – Você tem seu jeito, sua vida. – No quero que as coisas mudem entre a gente. E nós dois, Henrique. Nós dois somos muito diferentes.

– E você tem medo?!... – Ele concluiu se aproximando. Seus corpos quase colados, mas sem tocar um no outro. – Quem foi o cuzão que te feriu tanto assim, hein?! – Ela desviou o olhar. Ele sentiu seu peito apertar vendo-a prestes a chorar.

A segurou pelo rosto com as duas mãos e depositou um beijo na testa da mulher a puxando para um abraço. Ela fechou os olhos e encostou no peito do homem. Ele tinha cheiro de massa, queijo e pesto. Tinha cheiro de casa.

Ficaram abraçados em silêncio por poucos segundos até que Paola saiu de seu abraço. Ele mexeu nos cabelos dela enquanto a chef limpava os resíduos de lágrimas em seu rosto.

– E se a gente for devagar? Até você se sentir segura e perceber que eu sou menos do que a minha fama, que inclusive se fez quando eu era solteiro? – A voz dele era grave e divertida o que a fez sorrir. – Hm? Uma boa?

– Si. – Ela respondeu sorrindo e acarinhou os antebraços dele. – Yo só te peço pra no comentar com ninguém. – Ele a olhou confuso. – Por enquanto. – Se corrigiu rapidamente.

– Eu entendo. – Ele deu de ombros e ela se afastou indo para o outro lado da mesa. – Você vem? – Apontou para a saída com a cabeça.

– Acho que vou pegar um pouco de ar lá fora, depois te encontro na cocina. – Disse olhando para os botões de sua dolmã. Retirou a roupa deixando a mostra uma blusa preta de alças finas que marcavam seus seios. Ergueu seu olhar para o tatuado e o percebeu a encarando. – No me olha assí. – O repreendeu inclinando a cabeça.

Henrique a olhava numa mistura de carinho e desejo. Queria poder agarra-la ali e senti-la a seu redor mais uma vez. Ainda tinha o cheiro delicado dela em seu corpo e sabia que a cozinheira ainda carregava consigo a sensação do peso dele sobre ela.

– Assim como? – Cruzou os braços outra vez.

– Como se estivesse me vendo nua. – Seus olhos se encarando firmemente.

– Quem me dera.

– Fogaça... – Sorriu o repreendendo enquanto dava a volta na mesa passando por ele outra vez, que a puxou pelo braço de repente.

– Eu ainda tenho algumas lembranças. – Sussurrou perto da orelha da mulher.

– Não brinca assí.

– Quem disse que eu tô brincando? – A puxou pela cintura a fazendo ficar de frente pra ele. Ela colocou as duas mãos em seu tórax.

– Para com isso. – Falou baixinho tentando não sucumbir. Ele se aproximou e a beijou no pescoço. – No, no, no, no, no. – Se afastou o empurrando. – Para! – Sussurrou quase num sopro de voz. – Já pensou se alguém entra? Chega, vai embora. – Ela riu o fazendo rir também.

– Tá bom, tá bom. Eu vou. – Ergueu as mãos em sinal de rendimento a soltando. – Mas só se você prometer jantar comigo essa noite. – Ela sorriu com a proposta.

– Assim? De repente? – Ele assentiu. – Mas...

– Assim. De repente. – A interrompeu. – Sem desculpas. Topa? – Fogaça propôs levando as duas mãos para o bolso da frente. Ela contorceu o corpo fazendo um movimento de talvez com a cabeça. – Tenho um sim? – Ela assentiu.


...




Era quase meia noite quando Fogaça encontrou Paola a quatro ruas do Julia. Ela  já não usava a roupa de mais cedo. No momento vestia um all star branco, uma blusa de manga curta azul e seu repetitivo jeans. Já o estagiário usava um tênis marrom, calça jeans, blusa preta e uma jaqueta de couro na mesma  cor. Ela lhe deu um beijo no canto da boca, colocou o capacete e subiu em sua garoupa agarrando firme a cintura do homem. Seguiram caminho em silêncio com ele os guiando sem que ela soubesse pra onde iriam. Alguns minutos depois chegaram ao local.


– O que estamos fazendo aqui? – Paola perguntou curiosa quando Fogaça parou a moto em frente a um grande parque.

Os dois desceram e a morena olhou em volta deparando-se com uma enorme placa com o nome do lugar. "Parque Buenos Aires" dizia o letreiro, azul pichado, em sílabas garrafais.

– Pensei que íamos jantar, no que ia me sequestrar. – Ela brincou tentando disfarçar o nervosismo enquanto ele desligava a moto.

– E vamos.

– Bom, acho que chegamos tarde porque parece fechado. – A morena observou se aproximando das grades presas por um enorme cadeado.

– Vem! – Ele segurou na mão dela a guiando para drentre algumas plantas. Paola sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Um gesto tão simples e cheio de carinho e significado. Deram de cara com uma entrada lateral que, para a surpresa dela, estava aberta. – Conheço uns truta que me deram uma moral. A gente tem o parque só pra nós dois essa noite. – Falou caminhando de mãos dadas com ela enquanto entravam no local. – Se chama "Parque Buenos Aires", eu vim bastante aqui quando era moleque. Me ajudava a pensar. – Falou enquanto os dois seguiam em frente iluminados por poucas luzes acesas, sem soltar a mão dela. – Andava de skate.... – Apontou pro lugar com sua mão livre. – Sentava perto do lago e ficava brincando de jogar pedrinhas nele.

– Para quicarem até chegar ao fundo!?... – Ela completou compartilhando da lembrança e sorriu. – Eu também fazia isso quando era criança. – Ele a olhou com doçura e ela desviou o olhar encarando o chão por um instante tentando esconder um semblante triste.

– Ei... – Ele a chamou parando de caminhar e levantou o rosto dela com a ponta dos dedos, pelo queixo. Ela parou diante dele olhando em seus olhos. – Quer voltar?

– No. – Ela negou com a cabeça reafirmando. Os dois voltaram a caminhar. – É para ser uma noite alegre. – Ele assentiu.

– Não tá muito longe, é bem ali. – Apontou para frente e Paola estreitou os olhos. Viu apenas uma claridade de longe, mas continuou caminhando.

Quando chegaram perto ela o olhou completamente surpresa. Havia uma toalha estendida no chão com um cesto grande, duas garrafas de vinho e duas taças. O local ficava sobre o cais de madeira, praticamente na beira do lago e era iluminado por pequenas lâmpadas quadradas em duas das pontas do tecido forrado no chão. Duas mantas dobradas estavam encostadas no cesto os precavendo do frio da água próxima a eles. No chão tinham algumas flores lilás e rosa que haviam caído de uma árvore por perto. Tudo muito simples e despretensioso.

– Nossa. – Ela disse baixinho expirando fundo.

– Um pouco brega, eu sei. – Ele disse passando a mão na cabeça a fazendo rir.

– Si. – Respondeu rindo. – Um pouco. Mas é lindo. – O olhou com carinho e se aproximou do homem. Ele a segurou pela mão. – Obrigada. – Sussurrou acarinhando a mão dele com o polegar.

Henrique reparou cada detalhe do rosto da mulher diante dele. Ela era sexy e tinha um mistério que o estigava a querer desvendar. Parecia tão frágil às vezes e outras tão dura, isso o confundia. Levou as mãos para a cintura dela e a puxou para perto.

Seus rostos próximos sentindo o hálito um do outro. Ele roçou a boca nos lábios pequenos da chef e ela mordeu a boca dele devagar logo emendando num beijo delicado, seguindo suas mãos para o pescoço do tatuado. Um beijo curto, inteso e íntimo.

– Quero saber o que preparou pra gente. – Falou com a boca na dele e gargalhou como uma menina enquanto se afastava. Sentou-se no chão e ele repetiu a ação dela.

– Eu espero que tenha dado tudo certo porque é uma receita sua.

– Minha? – Perguntou retirando seu tênis.

– Sim. – Ele a copiou, mas sem usar as mãos. – Na verdade eu treinei isso por um bom tempo, mas nunca imaginei que você fosse experimentar nessa circunstância.

– Ai, que medo, Henrique. O que é? – Ele sorriu misterioso e pegou um embrulho dentro de um dos cestos. – No! Não acredito! – Ela riu levando as duas mãos para a boca quando ele começou a abrir.

– Empanada. – Fogaça confirmou.

– Que lindas!! – Ela exclamou com o sotaque carregado. Ele soltou uma de suas famigeradas gargalhadas. – Ficaram lindas.... – Ela disse pegando uma. – E estão quentes ainda.

– Tenho meus truques.

– Adorei!

– Gostou?

– Amei! – Paola se inclinou o puxando pela nuca e lhe deu um beijo suave. – Tem de carne... Que delícia! Como você? Quando?

– Ah... segredo. – Respondeu risonho. – Mas quem me deu a ideia sem querer foi a Raquel.

– Sério? – Perguntou partindo uma empanada ao meio. – Oh, fez um barulhinho, viu?! Isso é bom. – Mordeu o encarando.

– Ela adora empanada, comentou essa semana de um lugar que ela sempre ia comer empanada, mas que fechou.

– Hm... Ai que delícia, Fogaça. – Se deliciou sorridente enquanto se fazia no recheiro da massa. Ele pegou uma e deu uma grande mordida olhando o jeito delicado que ela tinha de comer. – Como vocês começaram esse assunto? – Ela disse terminando de mastigar, se esticou e passou o dedo no canto da boca dele limpando-o do molho. Levou o dedo para a própria boca e o lambeu.

– Paola.... – Ele a repreendeu contendo um sorriso safado a fazendo se dar conta do que tinha despertado nele. – Se você continuar fazendo essa porra vai ficar difícil me concentrar na comida, hein?! – Sorriu mordendo mais um pedaço a olhando. Colocou a empanada no prato e limpou as mãos uma na outra.

Ela ergueu as mãos em sinal de rendimento. Henrique se esticou e pegou as duas taças e o vinho ao seu lado. Entregou uma para Paola, abriu a garrafa e preencheu os vidros com o líquido avermelhado.

– Mira... – Ela disse e tomou um gole de sua bebida. – Quem é o Guilherme que suyo irmã disse hoje de manhã?

– O Gui? É meu irmão aquele desgraçado. – Ela arregalou os olhos. – O moleque é um demônio! – A Argentina riu.

– Como assí? – Perguntou ainda gargalhando. Ele deu de ombros. 

– A gente se trata assim.

– Entendi. – Ela deu de ombros também olhando para a empanada em sua mão sessando o riso.

– E você? – Ele se ajeitou se sentando com uma perna erguida onde apoiou seu braço.

– O que tem eu?

– Sem irmãos?

– Si, sem irmãos. – Ela colocou a empanada ao lado da dele e mexeu a taça com o vinho. – Soy hija única. Meus pais faleceram recentemente na verdade. – Ela desviou o olhar e tomou um longo gole da bebida esvaziando a taça.

– Eu soube do acidente na piscina. E de todo o resto. – A voz dele era doce e gentil. Sabia que tudo era muito doloroso pra ela. – Foi terrível. Eu sinto muito.

– Acidente. – Ela repetiu a palavra erguendo as duas sobrancelhas, a deixando reverberar enquanto segurava a taça com as duas mãos a encarando. – Yo também sinto.

– Você acha que não? – Henrique pegou a garrafa e encheu o copo da chef outra vez. Ela respirou pesadamente. Seus olhos começando a marejar.

– No sé. Talvez. – Ergueu a cabeça forçando um sorriso sem mostrar os dentes. – Foi tudo muito difícil, sabe, Fogaça?! Tem sido. E yo acho que vai ser sempre. Perder o pai, a mãe, assí, de maneira tão súbita, tão trágica... – Ela disse pausadamente num tom suave fazendo movimentos com a cabeça. – É uma impotência... Um VAZIO tão, tão, imenso. – Ele se aproximou sentando mais perto e a abraçou. Ela sentiu seu corpo despencar sobre o peito dele e, inconscientemente deixou que algumas lágrimas rolassem pelo rosto.

– Eu não posso nem imaginar. – Sentiu o cheiro do cabelo dela e beijou o topo de sua cabeça. – Você é uma mulher muito forte, sabia?! – A puxou para encara-la. – Você é diferente de todas as pessoas que eu já conheci, Paola. Você é... É forte, corajosa, determinada. – Ele sorriu. – Brava pra caralho. – Ela riu olhando pra ele. – Uma puta cozinheira, empresaria. Você é incrível.

– Yo soy como qualquer outra: nasci mulher. E isso já me fez corajosa. Os sonhos que eu tenho não tem limites. – Se olharam com carinho.

– Lindinha... – Sorriu pra ela. – Como se diz "bonita" em espanhol?

– Guapa. – Respondeu baixinho e risonha.

– Guapa. – Ele repetiu. – Você é muy guapa. Tá aí, um bom nome pra um restaurante. Qualquer dia você pode abrir um com esse nome: Guapa.

– La guapa. – Ela organizou entrando na brincadeira.

Poucas vezes Paola se sentiu à vontade com um homem a ponto de se abrir dessa maneira. Mas tinha certeza que jamais sentiu por outro todas as coisas que começava a sentir por Henrique e isso a apavorou. Ele segurou o maxilar da morena com uma das mãos e a puxou para um beijo intenso cheio de cuidado. Logo o beijo se tornou urgente e ele a inclinou aos poucos sobre a toalha.

– Vai manchar. – Ela sussurrou com a boca na dele quando quase derramou vinho em si mesma. Ele sorriu, colocou sua taça de lado fazendo o mesmo com a dela a seguir. Voltou-se para a cozinheira e a puxou de volta para o beijo descendo a mão para a cintura dela.

– Tô louco de saudade do seu corpo, sabia?! – A voz dele era quente e rouca contra o pescoço dela. A deitou sobre a toalha e deitou meio corpo sobre ela. – Dessa pele. – A mordeu no ombro e ela fechou os olhos. – Desse cheiro.... – Cheirou seu colo. – Você é um vício. – Completou mordendo o queixo da mulher. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos e brincou com seus lábios nos do homem, que levou a mão para a perna dela.

– Se controla... – O repreendeu risonha segurando a mão dele. – Estamos em público.

– Não tô vendo ninguém além da gente. – Os dois riram.

– Então era esse seu plano? – Ele afirmou e depois negou.

– Vamos sair daqui? – Ela assentiu.

– Dorme comigo essa noite? – Sussurrou com a boca na dele. – Quero que conheça a minha cama. 


...





Notas Finais


Quem vai dizer que Farosella não é real?


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