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História Medo de Amar - Capítulo 34


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Notas do Autor


Heey gente, voltei com mais um capítulo, nesse vai ter um Pov Scott e um Pov Ca, espero que aproveitem! ;D

Capítulo 34 - Eu não sou do mar


Fanfic / Fanfiction Medo de Amar - Capítulo 34 - Eu não sou do mar

Capítulo  34-Eu não sou do mar

Pov Scott

-Porra, de novo Sally? 

Ela revira os olhos para mim. 

- Sim, de novo. Para de reclamar, o papai já disse que quer que você vá. 

- E desde quando eu me importo com o que ele quer? – Respondo irritado tentando me esquivar pela última vez desse compromisso. 

Ela dá um longo suspiro. 

- Tá, não precisa fazer isso por ele, mas faz isso por mim. É importante. 

Ela me lança aquele olhar de cachorrinho pidão. 

Olho pra ela.  Suspiro.Eu não acredito que vou fazer isso.

-Cadê o meu terno? 

Ela abre um sorriso grande e dá uns pulinhos de alegria. 

- Já volto! – Diz ela, saindo da sala e entrando no meu quarto para pegar meu terno. 

Jogo-me no sofá e fecho os olhos.   

Começo a me lembrar do quão ruim essas coisas costumam ser. 

Pego meu celular para ver se tinha alguma mensagem. Mas a tela apareceu um sinal de bateria fraca. Quando vou colocar ele pra carregar não encontro o cabo. 

- Sally, você viu meu carregador? 

- Jake pegou antes de sair. Ele disse que quebrou o dele e pegou emprestado o seu. 

"Emprestado”. 

- Acheiii. – Diz Sally – Vem cá se aprontar, Scott! 

- Certo  -Falei a contra gosto.

Enquanto me arrumo, Sally passa todas as instruções de etiqueta que já havia passado antes. Como se eu já não soubesse. Ultimamente ela tem feito um esforço enorme para me ver em bons lençóis com nosso pai.

- Entendeu? E também, se encontrar a Ca, tenta não fazer igual da última vez. Não vai ser legal para nenhum de vocês. 

Fico em silêncio, e lanço um olhar para ela. 

- Não vai ser legal para nós, ou não vai ser legal para você e o papai? 

Sally fica calada por um instante. Uma pontada de arrependimento me atinge. 

- Scott... 

- Não, esquece. Bom, então eu vou indo.  

Pego minhas chaves e vou em direção a porta. 

- Scott! – Ouço a voz da Sally me chamando. 

Eu paro e me viro para ela. 

- Te amo. – Ela diz, com um meio sorriso. 

Suspiro e concordo. 

- Até mais. 

*** 

Quando chego no salão, vejo tudo extremamente decorado e chique. Mas não igual a última vez, que era um aniversário. 

- Sr. Gonzalez! – Diz uma voz familiar – Quanto tempo! 

Viro-me para a voz feminina e me deparo com a Sra. Miller. Mas quando ela vê meu rosto, uma feição de decepção passa pela sua cara. 

- Ah, é o filho do Sr. Gonzalez. Vocês dois são mesmo pai e filho! De costas são muito parecidos! 

Concordo com um sorriso amarelo.

- Seu pai não pode vir ? – Diz ela, curiosa – Faz tempo que eu não o vejo. 

Sorte a sua, penso. 

- É, ele anda ocupado com os negócios dele. Venho para representá-lo. 

- Ah, entendi. Está se preparando desde agora, não é? Porque daqui a alguns anos vai ser você o ocupado. – Ela comenta, com um sorrisinho meio tenebroso. Ela me lembra um pouco a Cruella de Vil, do filme 101 Dalmatas, ainda mais com essa roupa cheia de pelos de animais. Como que essas pessoas não percebem o quão ridículas ficam às vezes? 

- Mãe! Você viu onde esta... – Uma voz soa atrás da Sra. Miller. – Scott? 

Olho além da Sra. Cruella, e vejo a filha dela. 

- Filha! O filho do Sr. Gonzalez é seu amigo? 

Lana fica me encarando.  

- Ele estuda na mesma universidade que eu. – Ela responde, abrindo um sorrisinho  malicioso – É pode-se dizer que somos bem amigos. 

A mãe dela levanta uma sobrancelha para a filha. 

- Amigos, mãe! Nada mais! – Se defende, e anda para o meu lado.  – Scott, não sabia que viria!- Ela falou de um modo que tive quase certeza que sabia sim-  Mas que bom, porque a Ca não quis me acompanhar, então você pode me fazer companhia.  

Ela pega meu braço e me puxa para um canto da festa, fazendo um gesto de jóia para a mãe, que não gostou muito disso. 

Quando ficamos longe do alcance da Cruella, solto meu braço da filha dela. 

- Amigos? Eu nem sei seu nome! – Minto. 

- Lana Miller – Responde ela, cruzando os braços – Melhorou, bebê? 

Fico irritado, mas tento me conter como gratidão por ter me salvado da conversa com a mãe dela. 

- Então a Ca não veio? – Pergunto. 

- Não, ela está estudando.  

Dou  um meio sorriso sabia que esses não eram os reais motivos dela. 

- E aí, por que veio aqui? – Ela me pergunta. 

- Porque eu adoro essas festas. Comida de graça, mulheres de vestido. O que poderia ser melhor? 

- Mentiroso.- Ela me lança um olhar e fica em silêncio por um instante parece me analisar - Claro que poderia ser melhor com a Ca, não acha? 

Dei uma breve risada. Conhecia esse joguinho, ela queria arrancar alguma confissão minha. 

- Olha só, estou vendo um sorriso de Scott Baker. É porque eu falei na Ca, não é? Três opções: ou você deve estar pensando nela, ou em sexo ou em moto. É só isso que tem na sua mente mesmo. 

Olho para ela ofendido. Acho que ela também estava de mau humor. 

Tudo bem, vou jogar o joguinho dela. 

- Porque esses três pensamentos não podem estar juntos? Posso estar pensando em sexo com a Ca na moto. 

- Iiiirgh – Ela solta, enojada – Você é grotesco. 

- Obrigado. – Digo, me divertindo internamente – Você também é. 

Ela faz uma careta para mim. Mas não sinto que ela me odeia, nem quer que eu a odeie. Sinto que ela quer me testar. 

Ficamos quietos um tempo constrangedor. 

- Ei – Ela quebra o silêncio – a Ca anda diferente. 

Ela olha para mim, esperando uma resposta. 

- E eu com isso? – Respondo, realmente não sabendo onde ela queria chegar. 

Ela se irrita um pouco e olha para mim. 

- Tem tudo a ver com você. – Ela responde. 

Para mim a Ca sempre foi a Ca. Não estava entendendo nada daquela conversa. 

- Esquece – Disse ela por fim – Vou dar uma volta. Até mais. 

- Tchau – Respondi. 

Ela sai andando e me deixa sozinho em um canto. Procuro um grupo para conversar, e fico lá por longas horas.  

Um dado momento, todas as luzes se apagaram. Os múrmurios do salão começaram a ficarem mais altos. Até que um holofote se acendeu, iluminando dois homens de terno e gravata.  

- Boa noite, senhoras e senhores. Sou David, e esse é o Davi, somos os músicos dessa noite maravilhosa, em comemoração da Sr. Treinnor. Meus parabéns. Uma salva de palmas. 

Todos aplaudiram.

- Tocaremos uma bela canção de Beethoven para vocês se divertirem ainda mais nessa maravilhosa festa. 

E a dupla começou a tocar no mesmo piano. Música clássica nunca me atraiu. Mas me lembrava de quando era criança meu pai me obrigou a fazer aulas de piano. Alguns dos piores dias da minha vida. Depois o convenci, não sei como, a me deixar aprender a tocar violão. 

De repente me lembrei de já ter escutado o nome dessa dupla de pianistas antes. Principalmente do David, o estourado. Ele era bom no que fazia, mas era muito raivoso, e odiava críticas. 

- Mãe, sério? Piano? Achei que você ia contratar músicos mais animados! Até eu toco melhor que eles. – Escutei uma voz vinda perto dos Miller.  

Era Lana. Olhei para ela na hora.

Na mesma hora David parou de tocar, seguido de Davi. Sua cara começou a ficar vermelha. Todo mundo ficou em silêncio, esperando uma reação. 

- Ah é, mocinha? Então por que não vem aqui e toca? – Disse ele, curto e grosso. 

Lana ficou pálida. Acho que ela não pretendia dizer aquilo muito alto.  

- Ah, me desculpe, não foi isso que eu queria... – Ela começou, tentando manter o controle da situação. 

Os músicos se levantaram e desceram do palco. 

- Vem cá, mocinha. Sua vez. Você não toca melhor? 

Eu conseguia ver o orgulho dela borbulhando pelos seus olhos. Então ela se levantou da cadeira e começou a andar até o palco. Suas mãos estavam tremendo, e seus pais muito surpresos para reagir. 

Não estava gostando daquela situação. Não que tivesse uma relação forte com Lana, mas fiquei com dó da menina, e se fosse pra manchar a reputação que fosse a minha, nunca liguei muito pra isso. 

- Não é justo – Eu soltei – Ela nunca vai conseguir tocar melhor que vocês, porque ela está sozinha. Vocês formam uma dupla. 

Todos olharam na minha direção. 

Droga o que eu to fazendo?  

- Então seja a dupla dela. – Um deles disse. 

Olhei para Lana, que estava com os olhos de arrependimento. Ela mexeu os lábios. Tentei fazer uma leitura labial. Entendi “eu não sou do mar”. Fiquei com uma cara de dúvida, ainda olhando para ela e saindo do meu lugar, indo em direção ao palco. Todos estavam em silêncio. 

- Eu não sei tocar – Ela sussurrou para mim, quando me aproximei dela. 

Que diabos ela estava pensando em subir em um palco para tocar? Ela é doida!  

Só podia ser a melhor amiga da Ca.  

- Só mexe os dedos e finge que está tocando. Deixa o resto comigo. – Eu disse passando por ela. 

Sentamos lado a lado no piano. Sorte que meu corpo era grande o suficiente para cobrir a visão da plateia de seus braços. 

- Não vão chorar depois, viu – Eu falei para os músicos. 

Comecei a extrair tudo o que eu havia aprendido do piano quando criança e comecei a tocar. 

Lana fazia bem seu trabalho. Eu consegui tocar algo parecido com Beethoven. Mas umas partes eu inventei. O som não saiu ruim. No final todos aplaudiram mais do que eu esperava. 

Os músicos saíram no meio da apresentação. Quando saímos do palco, várias pessoas nos parabenizaram. Não sabia se era em respeito a filha da organizadora da festa ou porque tínhamos tocado bem mesmo. E eu não me importo em saber a resposta. 

Quando todos já haviam esquecido do acontecimento, Lana chegou até mim e me abraçou. 

- Obrigada, Scott. – Disse ela – Eu teria morrido se não fosse por você. 

Ela se soltou de mim, sorridente. 

Dou um sorrisinho.

- Sou seu “amigo”, não é? – Digo, lembrando do começo da festa - Acho que você me deve uma.  

Lana dá um suspiro. 

- Sabia que não era de graça. O que você quer? 

Dou um sorriso.  

- Me conta onde a Ca gosta de ir. 

Ela ficou me olhando estranho, como se eu fosse louco. 

- Como assim? Você vai levá-la para um encontro? 

- Eu não preciso responder a sua pergunta. Quem salvou sua pele fui eu. 

Ela me analisou por um tempo. 

- Praias são o fraco dela. – Ela diz por fim.

Abri um sorriso malicioso. Praias... Biquíni... Gostei. 

- Obrigado. Essa informação foi muito importante. E mais uma coisa: não conte para ela. Nossa “amizade” fica aqui, o que acha? – Digo, estendendo minha mão, como se estivéssemos fazendo um trato. 

Ela olha minha mão e me olha com um olhar de filha da Cruella. 

- Acho perfeito – Diz ela, apertando minha mão

***

Pov Ca

Bom o que aconteceu foi que eu estou oficialmente de recesso, no fim das férias, mas de recesso. Quer dizer eu acho, até que a Sra. Bathers diga o contrário, o que vai ser difícil já que ela está muito ocupada se preocupando com a viagem dela para o Sul da França.

E eu com certeza sou uma garota muito patética para já estar entediada, mas é sério, é claro que eu queria essas férias, é só que eu queria sair ver gente, mas bem, Lana não está exatamente disponível, já que nem a vi ainda desde ontem, com certeza está na casa do novo namorado.

E a solução mais agradável encontrada para isso foi ir para o orfanato.

Liguei pra cá para saber se precisariam da minha ajuda pela manhã, e a Vivam quase beijou meus pés porque eu não sou a única de férias, e não tem tantos funcionários e voluntários para dar conta integralmente das crianças.

Enfim estou aqui organizando as doações de brinquedos, organizando eles, substituindo os antigos e também limpando a brinquedoteca, já que as crianças não estão aqui, mas sim brincando lá fora, e alguns também estão dormindo, principalmente os menores.

E depois de quase uma manhã inteira arrumando as coisas aqui, já está quase na hora do meu turno com o Scott, as crianças já almoçaram inclusive eu as acompanhei, para meu consolo, mas agora tenho que dar uma geral, acho até que mexi em caixas de brinquedos que estão aqui faz no mínimo uns 2 anos.

Peguei o meu celular coloquei o fone com uma música não muito alta e comecei a dar uma varrida e uma última geral antes da nossa hora dar. E honestamente acho que me empolguei um pouco com a música que tinha começado que era “24k Magic- Bruno Mars” e comecei a dançar e até a cantar um pouco alegremente. Acho que a minha dancinha estava um pouco engraçada, porque consegui ouvir um risinho, já que graças a Deus o som não estava tão alto.

Virei para trás e vi Scott parado no batente da porta, e como ele estava gato, diferente do que eu imaginava, estava despreocupado, com a mão no bolso, o cabelo dele estava mais bagunçado que o comum, ouso dizer que já estava na hora de cortar, e aqueles olhos contra a luz do dia pareciam ainda mais claros.

-Por favor não pare- Falou enquanto eu tirava o meu fone- Estava ótimo.

-Tenho certeza que sim – Falei irônica, tentando disfarçar um pouco da vergonha.

Ele deu uma risadinha.

-É sério, já pensou em fazer carreira de dança, tenho certeza que iria humm...Fazer sucesso – Disse risonho.

-Estou vendo que o seu humor já está ótimo de novo – Comentei andando lentamente na direção dele.

Ele deu um meio sorriso.

-Difícil não ficar depois disso – Falou e em um movimento rápido me puxou para ele.

Senti o meu corpo colidir ao dele, e prendi o ar.

-Você está quente hoje – Sussurrou no meu ouvido – Estou com vontade de fazer uma loucura – Falou e senti a boca quente dele tocar meu pescoço, me deixando arrepiada e sentindo uma onda passar por todo o meu corpo e parar no meu útero.

Não sei o que aconteceu, mas por um momento me senti realmente com vontade de fazer uma também. Puxei a cabeça dele pelo cabelo até a minha boca, e o beijei de maneira selvagem, ele retribui puxando meu corpo mais para o dele, e continuamos ,coloquei minha mão por debaixo da camisa dele a fim de tirar ela, mas nessa hora senti o sorriso dele e a mão pegando a minha e me impedindo. Mas que porr...

Ele parou de me beijar e sorriu .

-Nunca imaginei que eu que ia ser o ajuizado em alguma situação com você – Disse divertido.

Não respondi nada por que ainda estava ofegante demais, ele então pegou e começou a pentear meu cabelo com os dedos calmamente, enquanto a onda já ia embora e eu recobrava a minha consciência que parecia ter ido passear no Japão. Dei um sorrisinho sem jeito pra ele.

-Já fizemos isso algumas vezes – Falou olhando diretamente para mim- Ainda não cansou de ficar envergonhada?

Se antes meu rosto não estava vermelho, agora com certeza estava igual a um pimentão.

Ele riu com a minha reação e então beijou minha testa. E bem nessa hora como se tivesse planejado as crianças entraram.

***

-Scott, hum...Posso te perguntar uma coisa? – Falei me virando para ele depois de guardar a última boneca.

Ele franziu o cenho e me olhou.

-Pode... – Falou, mas pareceu receoso.

Sei que devia estar preocupado se eu iria perguntar do passado ou do pai dele.

-Você...hum... – Falei chegando mais perto – Você viu o namorado da Lana noite passada? – Perguntei rápido.

Ele me olhou por um instante surpreso.

-Não – Falou devagar.

-Tem certeza? Tipo não viu ninguém com ela, conversando sei lá? 

Ele me olhou com certeza achando estranho.

-Não, quer dizer não vi ela a noite inteira então...

Suspirei.

-Droga.

Ele me olhou como se eu fosse um alien.

-Humm, posso te perguntar por que você quer me usar para saber qual o namorado da sua melhor amiga, a comunicação está falhando entre vocês, hein?

Dei um meio sorriso.

-Você não faz ideia – Falei fechando a caixa de brinquedos – Estou tentando descobrir quem ele é faz mais de um mês, algo me diz que não é coisa boa...

- Uma coisa do tipo um cara que vai partir o coração dela? – Perguntou irônico.

Revirei os olhos.

-Não, um cara do tipo que vai se aproveitar dela – Falei fazendo um sinal de dinheiro com os dedos para saber se ele tinha entendido.

Ele pareceu enfim entender.

-Olha Ca, não é porque sua amiga não te contou quem é o namorado dela que ela esteja namorando um vigarista, aliás se ela soubesse tenho certeza que daria um pé na bunda dele ao invés de  esconder ele – falou de modo cético – E tem mais, só gente rica entra em festas como as de ontem.

O olhei.

-Nem todos... –Falei ele me olhou como se desaprovasse meu comentário –Olha eu sei que ele estuda direito na mesma faculdade que a gente...e eu andei fazendo umas pesquisas, e não achei ninguém com um nome renomado entre os alunos, logo...

-Ninguém ? – Perguntou um pouco divertido.

Dei uma risadinha.

- A menos que você esteja namorando minha melhor amiga, o que não seria uma boa notícia para você – E lancei um olhar ameaçador.

Ele deu uma gargalhada.

-Está com ciúmes Anders?

Revirei os olhos.

-Enfim, eu estou enlouquecendo com todo esse mistério – Confessei.

Ele me olhou.

-Certo só cuidado para não julgar o garoto errado – Disse e eu apenas concordei.

E nos dirigimos à saída.

-Scott, eu tava pensando, já que eu já estou de recesso poderíamos remarcar o encontro para essa semana. 

-No meio da semana?

-Na sexta, a menos que você tenha algum compromisso, e daí tudo bem a gente deixa no sábado mesmo – Falei rápido.

Ele me olhou.

-Por mim pode ser sexta– ele falou dando de ombros.

-Beleza! – Falei empolgada, ele olhou para mim e deu um sorrisinho.

-Tá achando que vai arrasar comigo, né?

Eu dei risada.

-Pode apostar! – Dei uma piscadinha e tirei o capacete da mão dele o colocando.

-Ei nem te ofereci carona! – Falou 

Eu dei risada.

-Mas ia dar- falei brincando.

Ele riu e apenas balançou a cabeça em sinal de desaprovação.

***

Cheguei em casa e o apartamento estava vazio de novo, fui em direção da cozinha para tomar uma água fresca, abri a geladeira e enchi meu copo com água, então parei e fiquei olhando o calendário. Era quase agosto, folhei as páginas dele até chegar em dezembro, e olhei o número circulado de vermelho, meu embarque.

Sentei no banquinho em frente a bancada, me lembrando de como tudo começou.

***

Flashback on

-Como você quer que eu fique calma Texeira?! – Disse surtando – Eu perdi tudo! 

O olhei desesperada ele me olhou com pena.

-Perdi minha casa, a empresa da minha família, minha mãe – Falei sentindo minha voz sufocar e o choro vindo – Eu estou sozinha não tenho ninguém...

Me sentei no sofá e não consegui me conter comecei a chorar. Ele sentou do meu lado e passou a mão nas minhas costas me consolando, enquanto os soluços só aumentavam.

-Carol, isso não é verdade – Disse e eu o olhei ainda sentindo as lágrimas escorrerem, ele as secou - Você tem seus amigos...

Dei uma risada seca o interrompendo.

-Como se eles realmente fossem meus amigos, meu namorado já terminou comigo, quem será que vai ser o próximo? – Perguntei com raiva.

Ele me olhou sério.

- Se ele terminou com você quer dizer que não tinha intenções verdadeiras.

O olhei, claro que sabia que era verdade, mas quem então teria no meio de todos, honestamente depois de tudo que passei não consigo acreditar que pelo menos um dos meus amigos tenham “intenções verdadeiras”.

-Bom isso só prova de que, sim, estou sozinha – Falei olhando para fora da janela do escritório dele.

-Nem tanto – Falou colocando a mão encima da minha, o olhei.  Ele tirou do paletó uma carta – Sua mãe tinha deixado um testamento e tudo direitinho até...

-Ele ser anulado, eu sei.

Ele deu sorriso com compaixão.

-Sim, mas há uma conta reservada para você que eu estava analisando os papéis, não foi atingida pelo golpe – O olhei com esperança – Não é um valor muito alto considerando que é tudo que tem – Disse e me mostrou o papel da conta com o valor dela.

Peguei o papel e o olhei com esperança, não era realmente muito alto, mas era melhor do que nada.

-Se me permite, diria para você terminar o último ano do ensino médio com ele, e também usá-lo para pagar uma faculdade.

O olhei.

-Não acredito que o dinheiro dê para tudo isso.

-Não se se manter na sua escola atual, e entrar em uma faculdade sem nenhuma bolsa.

-Está sugerindo que eu mude de escola?

Ele concorda.

-Se ficar na que está atualmente, só nesse último ano vai gastar mais da metade desse valor.

Concordei pensativa.

-Bom e à respeito de estar sozinha... – Ele limpa a garganta – Acredito que tenha sim amigos que irão te amparar, o senhor Miller já veio me procurar para ser o seu Guardião Legal nesses últimos dois anos até completar a maioridade.

O olhei surpresa, não acredito que o pai da Lana vai fazer isso por mim, quer dizer a esposa dele era muito amiga da minha mãe e eu e Lana somos muito amigas também, mas nossa...

-Se concordar já vou arrumar os papéis – Eu concordei com a cabeça surpresa, ele sorriu em aprovação e se levantou indo até sua mesa – E bem tem uma última coisa, ainda a respeito de “estar sozinha” – O olhei me levantando do sofá- Já pensou em ir atrás do seu pai.

O olhei completamente surpresa.

-Honestamente, não.

Ele sorriu como se já soubesse que essa seria minha resposta.

-Bem, sendo Lily uma grande amiga minha e sabendo que ela ia te querer mais amparada possível, mesmo que por ele – Ele fez uma pausa e me olhou, abriu uma gaveta – Tenho o endereço dele.

Peguei o cartãozinho da mão dele com cuidado e li atônita.

-Mas ele não é daqui.

-Sim.

-O que sugere que eu faça? – Perguntei ainda surpresa.

-Isso é com você, se quiser se contate com ele, mande uma carta ou algo do tipo. Bem e se não quiser, permaneça como está, a decisão é sua.

O olhei e concordei.

Flashback off

 


Notas Finais


Uau aconteceu bastante coisa nesse capítulo, o que acharam? Me contem nos comentários e até o próximo ;)


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