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História Meio amargo - Capítulo 1



Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Meio amargo - Capítulo 1 - Capítulo Único

Ochako está completamente arrependida da ideia, mas agora já é tarde.

Literalmente, já é tarde. São quase 10 e meia e ela tá aqui penando com esses chocolates que inventou de fazer para o Deku, o Iida e o Todoroki para o Dia dos Namorados. A Tsu ainda perguntou “Tem certeza, Ochako-chan? Se você comprar um da loja, será igualmente especial, ribbit, o que importa é a intenção.” A Mina deu a entender que eles nem saberiam a diferença de chocolate caseiro pra um comprado, mas Ochako as ignorou, decidida a fazer algo legal para seus amigos homens mais próximos, uma porque eles realmente merecem, o Iida é como o irmão mais velho que ela nunca teve, o Todoroki se mostrou alguém surpreendentemente divertido de conversar ao longo do segundo ano e ela está feliz em ter se aproximado dele, já o Deku, bom… dispensa comentários, é seu melhor amigo, sua grande inspiração e foi sua paixonite no primeiro ano, Ochako se sente desconfortável ao se lembrar o quanto era boba quando gostava dele, mas sente que não poderia ter tido ninguém melhor para sentir algo assim pela primeira vez.

Segundo porque ela se sentiu meio mal quando a Tooru perguntou se ela e a Tsuyu iam comprar “chocolates de obrigação” para os três garotos NA FRENTE DELES. Talvez eles nem tenham ouvido, e se ouviram, provavelmente não ligariam, mas Ochako não quer que eles recebam seu chocolate achando que ela deu porque tinha que dar, seus amigos são importantes pra ela, por isso, para mostrar que não considera “obrigação”, a manipuladora de gravidade decidiu fazer chocolate caseiro, dá trabalho, mas ela gosta de mexer com doces e, ao botar os preços na ponta do lápis, fazer chocolate ficaria alguns ienes mais barato que comprar. A ideia perfeita!

Ou foi o que ela achou.

Porque é muito difícil! O Satou deixou todas as dicas, emprestou o moedor de cacau e tudo, mas por mais que ela tente, não acerta o ponto de jeito nenhum!

O que a lembra, ela precisa fazer um pouco de chocolate pro Satou também em agradecimento por tê-la ajudado. Droga, lá se vai mais uma receita dessa coisa melequenta que ela fez!

—  Que caralhos tá acontecendo aqui? —  a luz da cozinha se acende e ela dá um pulo quando vê o Bakugou parado perto da geladeira.

—  B-boa noite, Bakugou-kun! Nada demais!  Só tava fazendo uns… experimentos.

—  De luz apagada?

—  É que eu não queria acordar ninguém…

—  Mas me acordou com esse puta cheiro doce! Que merda você tá fazendo?

—  N-nada, eu… —  ele a ignora e tira a tampa da panela pra ver o que é.

—  Tsk, literalmente, Cara de Lua, que MERDA é essa? —  ela fecha a cara e cruza os braços diante da péssima piada escatológica dele.

—  Não precisa ser grosseiro. Se você não veio ajudar, então não me atrapalha! —  Ochako revida.

—  Te ajudar? Vai sonhando! Já falei, só vim aqui porque esse cheiro doce dos infernos tá me dando nos nervos!

—  Por que essa implicância com cheiro doce? Você- —  ela se corta antes que fale o que tá pensando “Você tem cheiro de pudim e eu não reclamo!”, Ochako não conseguiu deixar de pensar nisso desde o dia em que viu o Kaminari tirando sarro do loiro explosivo ao dizer que o suor dele tinha cheiro de caramelo queimado, assim que o garoto elétrico a notou observando-os curiosamente, arrancou a toalha da mão do Bakugou e falou pra ela “dar uma fungada”, foi um movimento tão brusco que ele praticamente empurrou o pano no nariz dela, e… realmente, era um cheiro doce e tostado, como calda de pudim. Desde então, sempre que sente o cheiro, sabe que o Bakugou está por perto, tirando uma vez em que a Yaomomo deu um chá da tarde no quarto dela e a sobremesa era pudim mesmo, Ochako comeu o doce todo pensando nele… que vergonha!

—  Eu o quê?

—  Você… é chato!

—  Nossa, tô tão ofendido, vai falar que eu sou bobo e tenho cara de mamão também?

—  Sim, você tem!

—  VOCÊ QUE TEM! —  ela acharia graça nessa trocação infantil entre eles se não estivesse tão agoniada com o ponto do chocolate. Ela descruza os braços e corre para a panela, mexendo com a colher e checando a receita novamente —  Tsk, chega pra lá, Cara de Lua.

—  Bakugou-kun, tem muito espaço do outro lado da bancada pra você passar e… —  ela diz sem olhá-lo, só sentindo quando ele a empurra pro lado e toma a colher dela —  Ei!

—  “Ei” nada! Vou consertar essa sua cagada antes que você queime essa porcaria e ative o alarme de fumaça!

—  Engraçado, porque você disse “vai sonhando” quando eu perguntei se você tava aqui pra me ajudar.

—  Considere-se num sonho, então. —  sabe-se lá porquê, isso a deixa corada. Ok, mentira, ela sabe o porquê, Ochako teve sim um sonho em que cozinhava com ele, foi há muito tempo e talvez seja resquício da memória daquele infortunado acampamento do primeiro ano em que ela testemunhou as impressionantes habilidades dele com uma faca. Diferente do acampamento, em seu sonho eles não estavam lado a lado, e sim… bem mais próximos, e ele dizia coisas do tipo “Você não tem jeito, hein, Carinha de Lua? Deixa eu mostrar como se faz…”, o resto do sonho é vergonhoso demais pra ficar recapitulando… pelo menos enquanto ele tá por perto de verdade —  Aqui, pra ver se tá no ponto, é só enfiar uma faca, se ela não conseguir furar, é porque tá bom.

—  Jura? Ain, droga! Então eu desperdicei uma receita inteira achando que por estar duro, tinha queimado!

—  Se você tivesse fazendo isso de luz acesa, que é o certo, também daria pra ver pela cor se tá queimado ou não. A não ser que fosse chocolate meio amargo, que já é mais escuro mesmo.

—  Ah não, eu decidi fazer ao leite mesmo…

—  É, dá pra perceber por esse puta cheiro enjoativo! Credo, quem come um negócio desses?

—  Espero que o Iida-kun, o Todoroki-kun e o Deku-kun… —  ela diz, meio sem graça — V-você não gosta de chocolate ao leite, Bakugou-kun?

—  Não gosto de coisa doce no geral. —  ele dá de ombros, nem notando que ela fica tensa.

—  M-mas chocolate meio amargo nem é tão doce, né? O… o nome já diz, é… meio amargo.

—  É, tem uns que não são tão ruins assim. —  na linguagem negativista dele, isso é equivalente a “Eu gosto de alguns tipos de chocolate meio amargo”. Ela dá uma olhada no tablete que está na bancada, “79% de cacau” é o que diz a embalagem. Pra ela, isso não é “meio amargo”, e sim “mega amargo”, bom… ainda é chocolate, não tem como não ser gostoso, né? Ochako espera que sim. —  Enfim, qualquer merda serve se você vai dar praqueles três idiotas.

—  Não, não serve “qualquer merda”, são meus amigos e eles merecem algo bacana! Por isso mesmo preferi fazer chocolate caseiro!

—  Sei, é aquela besteirada de mulher de “colocar seus sentimentos” no chocolate.

—  Sim. Q-quer dizer, não! D-depende, só estou… colocando meus sentimentos de amizade, se é isso que você quer dizer.

—  Até no do Deku?

—  P-principalmente no do Deku. —  ela desvia o olhar, envergonhada por falar de seu ex-crush na frente do… atual crush.

—  Hum… então isso é “chocolate de obrigação”? —  ele dá um meio sorriso.

—  Não! Por que todo mundo fica falando isso? Não é por obrigação!

—  Aquieta o rabo aí, Bochecha! Tô querendo dizer que se você dá chocolate no Dia dos Namorados pra alguém que não é seu namorado, então é chocolate por obrigação!

—  N-não, não concordo muito com isso, mas… entendi o que você quis dizer… —  porque ela podia muito bem não dar chocolate para seus amigos e eles não se ressentiriam, Ochako realmente quer presenteá-los.

Tanto quanto quer presentear esse grosseirão ao seu lado.

—  Tsk, que seja! Vai untando aquela travessa ali, seu troço já tá bom.—  ele resmunga, e Ochako faz como ele pede, essa parte pelo menos é fácil —  Vai cortar em quadrado mesmo? Ou vai usar aquelas forminhas toscas de coração e essas merdas?

—  Ah não, vai em quadradinho mesmo! Não precisa ser tão elaborado, é só uma lembrancinha! —  ele dá um sorriso arrogante, nem precisando falar o que está pensando, se ela não quer nada elaborado, é porque é “por obrigação”. Ele corta tudo em quadrados perfeitos e uniformes e entrega a bandeja pra ela.

—  Logo vai ficar duro, aí vai ser um saco pra cortar, tenta usar sua individualidade pra ver se os quadrados se soltam mais fácil, sei lá.

—  Ah, eu pensei mesmo nisso quando tava vendo como faria pra cortar! —  ela diz animadamente, feliz por eles terem pensado na mesma coisa. Pra alguém que diz se esquecer das individualidades e nomes de seus colegas, de calouros e veteranos, o Bakugou sempre parece muito ligado no que Ochako pode fazer com sua Gravidade Zero, mas ela tenta não pensar muito nisso para não criar ilusões.

—  Tá, que seja. —  ele dá de ombros —  Essa receita aí rendeu bastante.

—  Ah, é mesmo! Bom, eu queria dar um pouco pro Satou-kun, já que ele me emprestou o moedor de cacau e… ah, vou dar para as meninas também! Eu… hã… daria um pouco pra você também, mas… ah, você vai ganhar um monte de chocolate das calouras, né, senpai popular?

—  Tsk, tá falando igual ao Kirishima, fica quieta! —  ele fica vermelho, é tão fofo que ela quase esquece a própria vergonha.

—  Só tô brincando! E de todo jeito, você… nem gosta de chocolate ao leite, né?

—  É… —  ele murmura, evitando olhá-la. Ela acharia fofo se não visse o olhar dele deslizando para a embalagem colorida na bancada, dá pra vê-lo lendo o nome da marca e a quantidade de cacau.

—  Ah, esse aqui é… hahaha, eu… preciso tirar dessa embalagem e... —  ela pega o tablete e coloca dentro da jaqueta, dando um sorriso sem graça —  ...ainda não embrulhei.

—  Não te perguntei nada. —  Bakugou rosna antes de dar as costas a ela e se retirar da cozinha, andando em direção ao elevador.

Que bom que ele não perguntou mesmo, porque Ochako acabaria falando que este é o que ela comprou pra ele. Claro que ela queria fazer o dele também e “colocar seus sentimentos” no doce, mas ela não tem muita confiança em suas habilidades culinárias.

E eis a diferença entre dar esses chocolatinhos para seus amigos e dar chocolate para ele, o Iida, o Todoroki e o Deku ficariam contentes com qualquer coisa que ela lhes desse, o Bakugou só se contenta com o que há de melhor, e ela quer tanto dar-lhe o melhor, oferecer o chocolate que se destacará entre todos os inúmeros embrulhados em embalagens chiques e decoradas por corações que ele receberá das calouras amanhã, como ela (ainda) não é capaz de fazer esse chocolate, restou-lhe comprar um, provavelmente não vai se destacar, mas ela sente que fez uma boa aposta nesse com teor de cacau 79% cuja embalagem promete ser uma “explosão de sabor”.

E o embrulho que ela escolheu é bem bonitinho, com estampa de corações explodindo.

Mesmo que o Bakugou nem saiba, tem tudo a ver com ele, e tem tudo a ver com o que ela sente sempre que ele e seu cheiro de pudim estão por perto.


***

É por isso que ele odeia chocolate.

Katsuki teve que dispensar o treino da tarde com o Kirishima por causa de uma porra de uma diarreia! Ele nunca passou tanto ridículo ao ir à sala da Recovery Girl pra pedir um remédio… pra isso!

—  Todo ano é assim! Sempre tem um menino que se empolga com os chocolates que ganha e vem parar aqui. —  ela diz num tom meio na bronca, meio afável.

Ele aceita o remédio em silêncio e sai da sala sem falar mais nada, já revirando os olhos quando o Kirishima e o Pikachu, que insistiram em vir com ele e esperá-lo —  provavelmente teriam entrado junto na consulta se ele desse uma brecha — se levantam da salinha de espera e vão até ele.

—  E aí, cara? Melhorou? —  o Kirishima pergunta.

—  Não, ainda mais tendo que ver essa cara de merda de vocês dois.

— Haha, você não tá podendo falar de merda agora não, bro. —  o Pikachu ri, e Katsuki sente uma pontada no estômago ao lembrar que fez um comentário igualmente nojento relacionado à merda para a Uraraka ontem à noite. Idiota!

—  A gente tomou um susto! Nem sabia que você tinha comido o chocolate, aí do nada começa a passar mal!

—  Pois é, na verdade a gente ficou é chateado porque você sempre dá seu chocolate de Dia dos Namorados pra mim e pro Sero, a gente ficou esperando esse ano e nada!

—  Pô, Kaminari, deixa de ser guloso! Cê ganhou um monte esse ano!

—  É, você também, seu garanhão! —  o Pikachu pula no pescoço do Kirishima pra tentar bagunçar o cabelo dele —  Mas o Bakubro sempre ganha os melhores! O “creme du la creme” como o Aoyama diria.

—  Acho que ele não diria isso não, mas ok…

Katsuki nem tá mais prestando atenção nas idiotices desses dois, só pensando que realmente ganhou o que é considerado o melhor em se tratando de chocolate, as embalagens eram de lugares pra quem tem grana, cheios de sabores com frescuras e o escambau.

E mesmo assim ele comeu tudo, o loiro não teve muita escolha se queria mesmo achar o chocolate dela, aquele que ela tentou disfarçar e esconder quando ele viu. Verdade seja dita, ele queria ganhar o chocolate caseiro dela igual os outros idiotas, mas só a ideia do dele ser diferente e isso significar alguma coisa (se o chocolate é diferente, talvez ela o veja de um jeito diferente do que vê os imbecis com quem anda pra baixo e pra cima) o deixou mais animado.

Mas como ela tirou da embalagem e colocou num embrulho, ele não sabia qual deles era o dela, então… como o idiota que toma decisões idiotas sempre que a vê, tipo deixá-la sentir o cheiro do suor dele e decidir ajudá-la a fazer chocolate às onze da noite, ele percebeu que o único jeito de comer o presente dela era… comendo todos os outros.

Tudo uma bosta, uns negócios tão doces que faz a língua dele formigar só de lembrar, uns recheios esquisitos com frutas azedas pra caralho e até chocolate branco, que é uma bomba de gordura, ele pôs pra dentro. Essas meninas são tudo doidas e não sabem nada sobre ele. Se queriam impressionar, não conseguiram.

Só tinha um que era gostoso, doce na medida certa com um sabor predominantemente amargo, daqueles que vai abrindo o paladar até que explode na boca, bom pra caralho!

Katsuki torce pra que aquele fosse o dela. Bom, pelo menos o fez pensar nela: doce na primeira mordida, mas cujo sabor vai ficando mais intenso conforme se mastiga, até que parece explodir e se transformar em algo incrível e único.

Tudo a ver com ela, e o que ele sente por ela sempre que Uraraka tá por perto.


Notas Finais


Nada mais romântico para uma fic sobre Valentine’s Day que um belo piriri, né nom?

Tem vários trechos dessa one que, se tirados do contexto, parecem um pornô muito vulgar huahuhuahus.

Bom, claramente o tema #6 é Valentine’s Day, minha inspiração pra esse negócio dele comer todos os chocolates pra comer o dela veio do mangá Kakao 79%, inclusive, no Audio Drama desse mangá, os dubladores do casal principal são os dubladores da Ochako e do Katsuki, então na minha cabeça, isso é uma migalha kacchako.

Por algum motivo, foi minha fic favorita de toda a semana, mesmo que seja bobinha e levemente escatológica huahuahuahus

E amanhã é o último dia! Mas não fique muito triste, eu continuarei nesse tema de doces, sem piriri dessa vez, eu prometo.


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