História Melancholy - Capítulo 16


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Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Aomine Daiki, Kagami Taiga
Tags Aokaga, Romance
Visualizações 51
Palavras 3.494
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Chegamos ao fim! Muito obrigada a todooooos que chegaram até aqui. Escrever essa fanfic foi maravilhoso - como sempre! - espero que vocês tenham mergulhado em sentimentos intensos \o/

Um beijo no coração de cada um! E até a próxima.

Capítulo 16 - Capítulo final: Happiness


Ódio: sentimento de profunda inimizade; paixão que conduz ao mal que se faz ou que se deseja a outrem. Paixão: sentimento intenso que possui a capacidade de alterar o comportamento, o pensamento, etc; amor, desejo ou ódio demonstrado de maneira intensa.

                Carry mordeu o lábio inferior conferindo o relógio de pulso pela milésima vez aquele dia, faltava cinco minutos para as 13 horas. Então Kagami Taiga tinha algo para lhe dizer, o que seria? Finalmente tinha completado sua vingança contra Aomine Daiki?

Contra... quem?

                Seus olhos marejaram, mas a loira conseguiu barrar cada lágrima. O ódio estava presente, com certeza, assim como o amor e a paixão; cada qual destinado a uma pessoa diferente. Estava farta de ser sempre a coitadinha, a menina que nunca se destacou na escola, que nunca se destacou no trabalho, a boneca que vivia presa à sociedade medíocre dos Estados Unidos. Agora era hora de sua aparição, o palco da vida finalmente daria a ela um final esplêndido!

Besteira...

                O lugar escolhido fora o jardim de sua pequena residência, nos fundos apenas uma mesinha com quatro lugares, uma horta para temperos e o balaço que Theo amava. A grama macia era prensada pelo salto alto, que contrastando com o local pacífico, usava sua roupa social de trabalho – e como as odiava! – mas assim era melhor, mostraria que a máscara de ferro lhe caía perfeitamente. Levou os dedos trêmulos ao coque caprichoso tocando levemente a presilha de brilhantes para se certificar que ainda estava no lugar.

Queria tanto simplesmente sair correndo!

                Em poucos minutos Taiga anunciou sua chegada e caminhou em passos largos até o jardim, atrás dele, Daiki que acenou educadamente com uma das mãos enquanto ocupava a outra com a lateral de sua cadeira de rodas. Aquele indesejável objeto que nada combinava consigo.  

— Já esperava por isso _desviou o olhar _acomodem-se.

                Eles obedeceram, perderam alguns segundos observando o local antes de encarar a loira pequena de sobrancelhas franzidas.

— Então? _perguntou Taiga, fora parcialmente esquecido uma vez que seu companheiro e Carry trocavam expressões rígidas iniciando uma conversa silenciosa.

— Então que você quebrou o trato, Kagami. Agora terão que sofrer as consequências, provavelmente já disse tudo ao Aomine, não? Grande besteira a sua _disse com desdém batendo as pontas das unhas longas sobre o tampo de vidro da mesa.

— Dá um tempo! Isso vai prejudicar seu filho também! Qual é a sua?

                A aparente paciência de Taiga se esvaiu, Carry também logo deixou suas mãos tremerem perdendo sua postura fria. Mas alheio ao clima, Daiki apoiou o queixo em uma das mãos e sorriu.

                O sorriso travesso fez ambos arregalarem os olhos. Continuou a fitá-los por alguns segundos se deliciando com a expressão de assombro de ambos, tudo estava sob seu controle então se aproximou o máximo que pode de sua ex e respirou fundo tentando passar uma tranquilidade que não demonstrara quando atravessou o jardim com Taiga.

— Carry, vem cá _estendeu a mão e por incrível que pareça, a loira aceitou _está pisando com salto no jardim que deu duro para construir, está usando roupas que odeia e seu rosto está tenso. Honey, essa não é você. Quem te fez esse mal? Se foi eu então... _entrelaçou seus dedos _ prometo que concerto as coisas, não me importo em dar a minha vida para te fazer voltar a sorrir. Me diga onde está a sua felicidade que eu irei buscá-la.

                A declaração deixou Carry surpresa, mas jogou Taiga na parede. Qual era o significado as palavras de Daiki? Quem ele dizia amar mais do que a própria vida afinal? Carry? Taiga? As perguntas giraram em sua mente.

— Daiki? _o ruivo chamou seu nome, o foco da atenção do outro infelizmente não mudou.

— Encontrei a minha duas vezes, mas quero que também seja feliz. Então me diga! _o aperto na mão macia da menor intensificou.

— E-eu... não... como assim? _balbuciou _você não me conhece.

— Não preciso conhecer, só venha e se apoie em mim... dessa vez não te deixarei sozinha. Lá atrás fui covarde, perdi para os problemas e lamentos, hoje não sou mais assim graças ao Taiga, encontrei minha salvação e liberdade ao lado dele, estou satisfeito com isso... obrigado meu amor—murmurou sorrindo e olhando de canto para ele _agora me diga o que posso fazer por você. Para também se sentir livre. _o discurso pronto veio com facilidade em sua mente, tinha bons sentimentos pela garota, afinal ela era a mãe de seu filho amado e queria de alguma forma dar um basta em todos os caminhos tortos da menina bem como satisfazer seus sentimentos.

— Quis acabar com a sua vida _ela reclamou _com a droga da sua vida!

— Sim e fiquei irado com isso _sua expressão fechou por um mero segundo_ mas a vida é uma só e está a desperdiçando comigo. Amor, ódio, paixão! Você dizia que os três pilares estão sempre juntos. Está na hora de refletir sobre eles...

                Ódio... ódio, odeio a pessoa que puxa as cordas da minha vida, quero ser livre. Amor... amor? Amo meu filho mais do que tudo na vida, quero que cresça forte e honesto como o pai. Paixão...

— Foi tão, tão forte que quis te machucar! Foi tão intenso que te quis só pra mim!! Minha mãe descobriu que escolheu ficar com Kagami Taiga e riu de minhas escolhas _desabafou sem perceber que logo falava mais consigo mesma do que com os presentes _ela riu de mim, me jogou no chão... por todos esses anos, a pessoa que jurou me amar me traiu sentindo prazer na minha derrota. Estou cansada, Daiki, cansada de viver.

                A loira espalmou as mãos na mesa e deixou que as lágrimas caíssem uma a uma no tampo de vidro, Daiki sabia que ela precisava de alguns minutos para se recuperar e aproveitou o breve intervalo para se aproximar de Taiga e lhe tocar no ombro, aquele gesto dizia: está tudo bem, confie em mim. O ruivo acenou se envergonhando intimamente por pensar que talvez o moreno fosse lhe trocar ou lhe abandonar. Estava apenas inseguro.

                E se ele se sentia assim, imagine a mulher á sua frente.

— Carry, desista de nos chantagear _sua expressão agora se tornou totalmente fechada _você já perdeu a minha confiança e a admiração da sua mãe, não perca a última coisa que lhe é mais cara... vamos lá, honey, o Theo precisa de você. Se não parar, será presa.

 - O q-que? Presa? _seus olhos arregalaram como duas bolas de gude verdes e brilhantes.

— Bom _coçou a nuca um pouco sem paciência _você foi longe demais. E o celular do Taiga é grampeado, sabe... a Mione é nossa Hermione Granger afinal _retirou de trás de si um pequeno gravador _se você tentar, pode até conseguir um escândalo ou dois, mas antes de vê-los na mídia estará atrás das grades. O processo contra você está pronto, só falta encaminhar para a delegacia; quer arriscar quem faz uma cesta mais rápido?

                O choque das palavras causou uma tremedeira incontrolável na garota, ela pareceu não perceber o ar a sua volta fazendo sua mente girar. Tinha ido longe demais, sabia que sim, o ódio lhe cegou de forma que nada importava. Ser presa, ser morta, ser abandonada... nada, até encarar Daiki de frente, fazia real sentido em sua vida; mas depois de tantas palavras, oras doces, oras frias, acabou abrindo os olhos.

— ...eu paro _murmurou admitindo derrota, sua voz amedrontada denunciou o quão amadora estava sendo.  

— Ótimo. Vamos, Taiga _deu um leve puxão em sua blusa.

— Espera! Co-como assim está indo embora? E tudo o que disse antes foi mentira? _Carry tentou se aproximar, mas foi impedida por Kagami.

— Oras, eu trouxe sua felicidade. Se fosse outro estaria na cadeia, sem a guarda do seu filho, sem a sua liberdade. Você é que entendeu errado... “não, você foi ingênua” _completou em pensamentos _ não disse que faria os seus caprichos. Me diga, como mais posso trazer sua felicidade se não dando um recomeço?

                Tanto Carry quanto Kagami estavam estáticos, as palavras frias e maliciosas saíram como veneno de sua boca.

— Disse que... traria a minha felic- _parou no meio da frase, seu orgulho de repente a fez perceber a real intenção do outro _...você é mais cruel do que imagina.

— Talvez _deu os ombros _mas saiba que não desisti de você, honey, de verdade. Apenas precisa ficar um tempo sozinha. Refletir, sonhar mais alto, sei lá... qualquer coisa que eu não fiz quando estava naquela cama _acabou sorrindo sem querer _sunshine—murmurou se perdendo num pequeno relapso de memória, acabou perdendo um segundo ou dois num sorriso lindo _...enfim, vamos esquecer essa sua maluquice. Pense no nosso filho.

— ...hn _acenou de forma positiva, ainda um pouco perdida.

— Passar bem _resmungou e finalmente deixou o jardim. Não fez questão de olhar pra trás, o tempo tomaria conta do resto.

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                O Camaro preto atravessou a avenida em direção ao litoral, Kagami resolveu estacionar num local privado longe do assédio da mídia para que pudesse relaxar por alguns minutos. Tinham saído da casa de Carry logo em seguida à discussão e durante todo o caminho, não trocaram uma só palavra. Aomine permanecia perdido em alguma boa lembrança e as palavras de caridade do moreno ainda percorriam a mente exausta do ruivo. Não conseguia chegar a nenhuma conclusão.

                O vendo ameno fez o moreno bocejar involuntariamente, sentou na areia fofa esperando o momento certo para começar a falar. Ele tinha que se explicar afinal.

— ...ficou surpreso? _começou ainda prestando atenção nas ondas que quebravam no rochedo não muito distante.

— Sim. Você literalmente persuadiu Carry a falar a verdade, nunca achei que faria daquela forma.

— Hn, mas entenda _acariciou sua mão que estava largada sob o colo _ela machucou a pessoa que eu amo, faria muito pior se fosse um pouco menos maduro... se tivesse 17 anos. Tudo o que sinto agora é raiva.

— ...

— Quem sabe com o tempo _respirou fundo _porém não espero que as coisas vão voltar a ser como era. Sabe, eu... fiquei com um pouco de pena, aquela mãe dela é horrível.

                Seu olhar porém dizia claramente que uma coisa não justificava a outra.

— Theo também merece a presença de nós dois agindo como seres humanos racionais... espero mesmo que o tempo de jeito em tudo _concluiu se calando por vez, ficou claro que pelo menos naquela tarde não queria mais tocar no assunto. Taiga o respeitou apesar de ter mil perguntas e sua mente.

— ...o som do mar, fazia tempo que não parava para ouvi-lo _comentou sem jeito, tentando quebrar o clima pesado. Seu sorriso contagiante mostrando os caninos branquinhos, entretanto, foi mais do que o suficiente.

— Nós... bom, todos nos distanciamos de algumas coisas seja lá o motivo, o que importa é algo ou alguém nos fazer voltar para essas... coisas _ tentou se explicar sem muito sucesso _ quando aconteceu meu acidente eu... _divagou _ não percebia esses pequenos detalhes, achei que tudo estava perdido. Pode soar estranho, mas eu queria que... ah... bom, não é nada _ficou extremamente sem graça desviando o olhar para o céu.

— Me diga _o abraçou com mais vontade.

Aomine olhou para o por do sol, as nuvens róseas passeavam sem pressa pelo céu límpido. Estava uma tarde maravilhosa e em sintonia com seu coração tranquilo era quase impossível não continuar a dizer tudo o que sentia. Era como se fosse água, totalmente transparente e queria que Taiga tomasse conhecimento disso.

— Não fique bravo, ok?

— Prometo _beijou sua bochecha.

— Queria que o Kise estivesse aqui, não que ele realmente estivesse aqui entre a gente! _tentou uma pequena piada que não arrancou o menor sorriso de Taiga, desistiu_ mas sabe... seu jeito animado de ver a vida, essas coisas que cada um tem de diferente.

— Hm... _Kagami fez uma careta de desaprovação, ainda assim afagou seus cabelos _sério mesmo? Ryota Kise é a pessoa que está sentindo falta nesse exato momento?

— Não! É que meio que me acostumei com isso. Desde o fundamental até hoje sou mimado, admirado e amado por alguém que não se importa com nada realmente. É uma sensação... ah, como explico... que você se acostuma? Como acompanhar um seriado desde seus 14 anos e ele ainda não ter final.

— ...hn.

— Ok, chega _riu _desculpe por isso. Só queria falar dele mesmo, mas já passou _Taiga jamais compreenderia afinal.

                Ele queria contar a pequena lembrança que teve quando estava conversando com Carry; Kise fora a pessoa que lhe ajudou primeiro a se levantar e olhar para o futuro. Mesmo que o loiro talvez não tivesse consciência disso, seus esforços nunca foram inúteis, dias após dias naquele hospital lhe trazendo o sol... era melhor guardar pra si. Certos fatos não são para serem compartilhados. Taiga riu dando um selinho carinhoso em seu pescoço.

— Deixo falar do Kise, sou uma pessoa legal, mas não exagere ok? Só uma vez por mês.

— Oi?

— Oi? Vamos comer alguma coisa?

— ...claro, meu amor. Estou morrendo de fome! Que tal aqueles hambúrgueres que só existem aqui?

                Taiga se levantou batendo a areia da roupa.

— Vem! Vamos caminhar por ai um pouquinho.

— Ah... tem certeza? _apesar de não ser aparente, sentiu seu rosto corar _pra que?

— Por nada, só quero ficar ao seu lado enquanto o sol se põe.

— Hm _concordou com um aceno, se levantou lentamente e se pôs ao lado dele.

Os passos lentos ainda eram vergonhosos apesar de ambos já estarem acostumados. O silencio trouxe junto sentimento de angústia, medo de um futuro incerto; por mais que um problema estivesse solucionado, Aomine tinha medo de outros piores surgirem e ser incapaz de seguir em frente com aquele sonho. A insegurança voltou como um fantasma abalando sua calmaria de segundos atrás; como era horrível a sensação de estar saindo de uma depressão. Será que algum dia ficaria totalmente livre?

— Sinto falta daquela época _confessou _falta de correr, saltar, jogar basquete de verdade_ comentou para o nada, esperando que Taiga o entendesse.

— ...Daiki.

— Queria tanto _olhou para suas mãos calejadas _por que isso teve que acontecer afinal? Veja no que me tornei, estamos andando á cinco minutos e meus joelhos já estão doendo _esboçou um sorriso sarcástico, mas em seguida a tristeza tomou conta de si novamente.   

— Não faça isso com você, pare por favor _suplicou tentando beijá-lo, Aomine o afastou virando o rosto.

— Me desculpe.

— Daiki, olhe pra mim _foi ignorado _hey, mesmo que odeie sua condição atual, saiba que vou estar aqui por você. Sempre.

                Kagami não pode fazer muito, suas palavras eram lindas, porém nada apagaria o fato de Aomine Daiki ter perdido o movimento parcial de suas pernas e isso para sempre seria o fardo que carregaria. O moreno balançou a cabeça e recomeçou a caminhada.

— Tenho medo de... sei lá do que eu tenho medo _deu os ombros _me desculpe, acho que não estou falando nada com nada hoje.

— ...posso fazer alguma coisa por você? _e apesar de se mostrar forte, teve medo da resposta.

— Claro, já está fazendo _sorriu _está caminhando comigo, isso é... _fez um gesto de ombros_ obrigado.

Quando estou triste, e, oh, minha alma, tão cansada
Quando os problemas fazem o coração pesar
Então, eu paro no meio do silêncio
Até você vir e sentar-se por um instante comigo

 

Você me levanta para alcançar montanhas
Você me eleva para andar sobre o mar
Eu sou forte quando estou sobre seus ombros
Você me levanta mais do que eu possa alcançar.

 

You raise me up – Josh Groban

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Cinco meses depois – Los Angeles.

— Oe! Se apertem mais, não consigo enquadrar todo mundo na foto! _Taiga ralhou pela segunda vez fazendo um gesto de impaciência com as mãos _Kise, saia daí! Esse é o meu lugar _correu para o lado de Aomine se abaixando em seguida.

— Não, vou ficar do lado do Aominecchi também _choramingou.

— Atenção!!! Três, dois, um...! _contou Midorima e no exato momento todos sorriram.

                A foto fora revelada pela máquina de forma instantânea, ficara perfeita.

— Quem diria... _comentou Takao olhando por cima dos ombros de Midorima _a geração dos milagres e amigos todos juntos numa única foto. Que medo.

— Realmente.

— Isso é um item da sorte _reclamou Satsuki _vocês não mudam mesmo.

— Gostou da foto? _Taiga trouxe para Daiki uma cópia _acho que podemos colocar numa moldura assim que tamparmos a cara do Kise.

— Hey! Eu ouvi _o loiro se aproximou com as bochechas rosadas.

— Jamais faríamos isso, Kise _abrandou o moreno _amei, colocaremos na sala.

— ...ok _concordou o ruivo com uma careta cômica.

                Os amigos se dispersaram pelo jardim de Midorima, Daiki pediu que Taiga lhe trouxesse o máximo de churrasco que conseguisse usurpar da churrasqueira protegida por Murasakibara e descansou as costas na cadeira de vime o observando de longe. Viu Momoi correr atrás dos gêmeos enquanto Kuroko conversava despreocupadamente com Akashi e Shintaro, viu também Takao entrando na cozinha ao lado com pratos sujos nas mãos a fim de empilhá-los na pia, só não encontrou Kise em seu campo de visão e teve que virar a cabeça para ambos os lados até localizá-lo ao fundo, admirando suas costas. Sorriu.

— Hn... _sorriu de volta, sem jeito.

                Daiki se levantou e caminhou lentamente até ele, Kise o esperaria pacientemente.

— Como você está? _perguntou para o menor sentando-se ao seu lado.

— Bem _dera a resposta corriqueira, o moreno nunca tinha percebido quando adolescente, mas o loiro jamais expunha seus próprios sentimentos para ele que não fosse os bons, uma forma distorcida de proteção e afeto.

— Sei... _afagou seus cabelos macios _você não muda nunca.

— ...é, eu sei _murmurou _parece bem.

— Estou sim, obrigado... Kise _sua voz de repente tomou um tom sério.

                Depois de terminar sua desavença com Carry e acertar sua vida com Taiga, faltava tirar o que lhe corrompia por dentro toda vez que via o amigo. Prometeu a si mesmo que, ao se firmar novamente como o homem que fora no passado, agradeceria de forma apropriada mesmo que o outro não julgasse necessário.

                Foram então para dentro da casa, longe as conversas alheias e de Kagami Taiga; ele não queria que o amado existisse por aquele breve momento. Precisava ser assim. Ao entrarem se acomodaram no sofá.

— Ryota, como você está? _repetiu a pergunta.

— ...já-já disse que estou bem _gaguejou _o que foi, Aominecchi? Fiz algo errado?

— Você nunca fez nada de errado _tirou sua franja que caía sobre um dos olhos.

— Então...? _disse com o fio de voz que ainda lhe restava.

— Quando eu estava... não, quando nos conhecemos até hoje e por todo o tempo que ainda estaremos vivos... obrigado... por me amar sem esperar nada em troca. Queria poder te retribuir da melhor forma possível, mas sei que não é possível; reconheço que se o Taiga não tivesse existido em minha vida faria muito melhor por sua felicidade. Meu reconhecimento é o máximo que posso te oferecer _sua expressão se tornou cheia de culpa, os olhos semicerrados e os lábios curvados para baixo confirmavam isso _seja feliz de alguma forma, Kise, posso estar sendo prepotente, porém... você é muito importante pra mim. Mesmo.

— Aom-... _as lágrimas encheram seus olhos e a garganta fechou. Tudo o que pode fazer para se expressar fora apertar com força suas mãos.

— Quando foi me visitar, logo que me mudei, o sexo foi incrível. Você foi ótimo.

— Pare... _murmurou _não precisa fazer isso por mim...

— Não vou dizer que o Taiga aprova eu estar aqui falando essas coisas pra você... _olhou de canto para a porta, sabia que o ruivo estava perto e esperava que o mesmo não fosse ciumento ao ponto de ouvir escondido, mas não podia culpá-lo se o fizesse _preciso fazer isso. Agora me diga, por favor... como você está?

                O loiro chorou copiosamente e em meios aos soluços desabafou.

— Eu te amo, me dói muito te ver lá fora com ele! Por toda a minha vida... _respirou fundo _sempre quis dizer que não, não está tudo bem... me desculpe, Daiki, por te amar dessa forma...

— Bom, finalmente você me disse _sussurrou _agora é a minha vez de cuidar de você, uh? Sempre que tiver tempo pode vir me visitar.

— Hum _acenou.

— Também te amo, Kise _puxou sua nuca e beijou afetuosamente sua testa, viu o menor corar da cabeça aos pés. Depois de todo esse tempo ele ainda conseguia o deixar totalmente sem graça.

Era o suficiente.

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— Então... finalmente Aomine Daiki é totalmente de Kagami Taiga agora? _perguntou o ruivo na volta para casa. Daiki teve que refletir alguns segundos para entender o intuito da conversa.

— Ah... você ouviu _coçou a nuca um pouco preocupado _me desculpe por te fazer passar por isso.

— Era algo que você precisava fazer.

— Uhum e ele não virá nos visitar tão cedo, relaxe.

— Bom mesmo _fingiu um falso rancor, Daiki sabia que no fundo Taiga o desculpara.

— Enfim sós e sabe... me sinto tão bem!

                Taiga teve o vislumbre do Daiki de 17 anos. Sorriu. Finalmente seus fantasmas tinham sumido; agora estava tudo bem.

FIM <<<


Notas Finais


PS: Confesso que amo esse finalzinho com o Kise s2.


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