História Melancholy - Capítulo 5


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Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Aomine Daiki, Kagami Taiga
Tags Aokaga, Romance
Visualizações 41
Palavras 4.115
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O cap atrasou alguns dias #sorry... é que no final de semana postei o cap final de MidoTaka e um oneshot AoKise (vão conferir s2) ~ \o/ mas aqui estamos! Boa leituraaaaaaaaa.

Capítulo 5 - Capítulo V: Sunny Days


O moreno despertou, mas não abriu os olhos de imediato, ficou a imaginar o que tinha acontecido...? Ah claro! Passaram o restinho da noite bebendo vinho na casa da mãe de Kagami e então foram dormir. Só isso? Ah, burro, transaram também – ainda podia sentir o lençol molhado quando movia a perna para o lado. Ok, agora sim podia abrir os olhos.

– ‘Morning.

– ... _tentou responder, mas foi cortado por um longo bocejo.

– Dormiu feito um morto.

Tinha um sorriso bobo em seu rosto, ele observava Taiga com carinho e queria eternizar aquela imagem para sempre em sua memória.

– Como se sente? _sua resposta foi um selinho estalado nos lábios _parece que está bem! Com fome? Eu sabia que sim.

Daiki rolou os olhos, se estava faminto por que não disse desde o começo? Se ergueu da cama fazendo uma pequena careta, suas costas sempre ficavam doloridas quando passava muito tempo sem fazer fisioterapia – já estava acostumado.

– ...Taig- _trincou os dentes na metade da frase, o ruivo continuava a se trocar distraído.

– Vou ver o que a dona Ruth está fazendo pra gente, ah para, ela está pensando nesse final de semana desde que falei que viríamos! Deve estar na cozinha gritando com os empregados.

– Vou me arrumar e já apareço... ah, na cozinha?

O ruivo apontou para si num gesto de afirmação.

– Tem toalha, escova, pasta de dentes, tudo no banheiro. Pode escolher uma camiseta no guarda roupa, nossas malas estão no meu apartamento (esqueci que viríamos para cá). Mum! _abriu a porta já chamando pela ruiva _se precisar de mim...

– Vai logo!

– Mum!! _saiu do quarto apressado fechando a porta ao sair.

– ...beleza _voltou com seu problema de segundos atrás, ele queria mesmo se arrumar, mas e ai? Onde estava sua maldita cadeira de rodas?! _ah puta que pariu _tinha a deixado na sala, fora carregado até o quarto. Carregado! O que um pouco de álcool não fazia? Jamais deixaria tal coisa se não estivesse extremamente cansado.

Ele odiava aquela vida, a humilhação diária de precisar depender de algo e o orgulho maior do que precisava. Respirou fundo e começou sua árdua caminhada até guarda-roupas e banheiro. “My bad”.

Kagami Taiga nunca em sua vida se ocupara tanto num simples café da manhã, além das cinco ligações de seu secretário o avisando das mais variadas obrigações – hoje é final de semana! Reclamou para ele – ainda queria ele mesmo fazer panquecas, aquelas famosas panquecas que fazia com uma mão só quando adolescente e que Daiki amava. Estava com uma leve dificuldade de jogá-las no ar pela falta de pratica, sua mãe insistiu para que apenas a virassem com a espátula, mas ele retrucou: panquecas só podem ser chamadas de panquecas se forem viradas no ar! Não percebeu quando a ilustre visita apareceu na cozinha se escorando na parede, a senhora Ruth, que levou um susto pois não sabia que ele podia de fato andar mesmo que um pouquinho, permaneceu em silencio deixando o garoto se aproximar o suficiente de seu filho para lhe tocar no ombro.

– Bom dia, Taiga!

– Oe!! _o segurou pela cintura largando a frigideira no fogo.

– Estou bem, relaxa _tentou se livrar do aperto olhando de canto para a mulher que sorria gentilmente _Taiga, não vou cair.

– Seu besta... tsc, segura ai e observe!

Com o braço livre despejou o resto da massa na frigideira e espalhou, esperou os segundos contados para então girá-la no ar. A massa de aroma bom deu uma volta completa e caiu novamente na chapa rendendo um assovio de satisfação do moreno.

– Muito bom chefe de meia tigela, aposto que queimou umas duas antes de acertar.

– Apostou certo, vamos comer?

Eles se sentaram à mesa da cozinha mesmo – dispensaram a sala de jantar – uma mesinha redonda de quatro lugares adornada por um vaso de flores laranja, a única peça colorida em contraste com o resto exclusivamente branco.

Apenas não desista,

Estou me esforçando

Por favor, não desista,

Não vou te decepcionar

Fiquei confuso, preciso de um segundo para respirar

Só continue se aproximando

O que você quer de mim?

Pronto, é fácil de ver

Que você é lindo

E não há nada de errado com você

Sou eu, sou estranho

Mas, obrigado por me amar

Porque você está fazendo isso perfeitamente

Ei, vai devagar

O que você quer de mim?

Sim, estou com medo

O que você quer de mim?

–---------- + --------------------

– Uaaaaaaau! Isso é incrível!! _Theo corria do pai para Taiga sem saber se expressar realmente _vocês se conhecem desde o colégio?! Por que não me contou, Taiga?

– Porque eu não sabia que seu segundo sobrenome é Aomine _apertou suas bochechas fazendo o mesmo espernear _como eu ia desconfiar que você é filho dele?

– Ficaram esse tempo todo sem se falarem? Sabe, já tenho 10 anos.

Eles riram, realmente dez anos para uma criança se assemelhava a eternidade, mas para adultos aquilo era apenas um tempo mal gasto que não viam passar. Theo voltou a sentar no colo de seu pai agora se lembrando do presente que havia comprado quando soube de sua visita, tirou um embrulho da mochila e entregou.

– Comprei chocolates, ops _tapou a boca _não era para contar... desculpe.

– Adoro chocolates _abriu o pacote envolto no papel verde claro e retirou um dos bombons _abra a boca.

– Não posso comer doces antes do almoço.

– Ah você não quer? Então eu como _e enfiou a bolinha inteira na boca.

– N-não... _sua voz diminuiu, ele fez um biquinho meigo e acabou aceitando um segundo bombom oferecido pelo mesmo.

– O que quer almoçar? Onde o tio Taiga irá nos levar?

– Hn... outback?

– Out! Vamos comer no out e depois no fliperama. Por favor Taiga, por favor!

– Quem manda é seu pai hoje _afagou os cabelos curtinhos do garoto _podemos ir à Disney amanhã, o acham?

– Ew! _responderam em conjunto, até eles ficaram assustados com tal fato e se entreolharam. Nesse momento a relação entre eles ficou um pouquinho mais forte.

– Mano, achei que... poxa, só eu gosto de lá? Tal pai tal filho, seus chatos.

Taiga era uma criança, uma criança grande. Os dois já sabiam disso a muito tempo e o admiravam secretamente – de formas diferentes, claro. O almoço não foi apenas para se divertirem, Taiga tinha que conversar a sério com ambos e esperava sinceramente que Theo entendesse a situação. Ele podia ser muito esperto, porém só tinha 10 anos. Um pouco antes da sobremesa o ruivo reuniu coragem o suficiente para começar.

– Theo, me diga... _olhou para Daiki perdendo parte da confiança, ele queria contar aos dois que estava com o processo em mãos para ser reaberto ainda assim o assunto delicado nunca parecia ter boa hora.

– Theo, você iria visitar o Japão comigo?

A pergunta de Aomine surpreendeu o ruivo, Theo não teve a mesma reação – ele já devia ter feito o convite outras vezes – era um bom primeiro passo para introduzir o assunto.

– Claro, quer dizer, tenho um pouco de medo porque não sei ler quase nada e... a mamãe vai estar longe. Tem a escola também! E o basquete, mas é uma visita não vai demorar muito tempo, né? Já fui para Londres com a vovó, ficamos uma semana, será assim também, papai?

– Ficará o tempo que quiser, vai gostar de conhecer meus outros amigos. Sua obachan está com saudades.

– Ah! Você é amigo do Akashi? _se lembrou de súbito algo relacionado.

– Jogamos no fundamental juntos.

– Aposto que você era o melhor! Puxa, geração dos milagres não é? Que incrível. E ainda era melhor do que o Taiga!

Taiga e Daiki concordaram em contar tudo ao pequeno, pelo menos no campo da amizade, falaram sobre os jogos no colegial e como se conheceram. Daiki também contou como fora seu fundamental, os jogos de basquete e a geração dos milagres; Theo nem se importou de não conseguir se equiparar ao pai. A inocência do garotinho não o deixava perceber que Daiki ficava profundamente triste por não poder mais jogar – ou não poder ser tão bom quanto – de tempos em tempos Taiga percebia que o brilho em seu olhar apagava e ele se perdia em memórias que agora se tornavam dolorosas.

– Theo, mas me diga, não sente falta da sua mãe? Passa bastante tempo sozinho _tentou voltar ao foco.

– Hum... _ponderou alguns segundos enquanto se distraia com o canudinho _as vezes.

– E não seria legal poder... ficar com o Daiki quando ela estivesse ausente? Sabe, passar as férias e essas coisas.

– Seria muito legal, por que não vem me ver mais vezes?

Bingo! Daiki captou o sentido da conversa estreitando os olhos, seu coração deu um salto só de imaginar que talvez Taiga tivesse conseguido algo significativo.

– Sabe o que significa... não calma, sabe por que seus pais não moram juntos?

– Taiga, não tenho cinco anos. Eu sei que a minha mãe tem a minha guarda, ma-mas ela disse que isso é porque... o Daiki não quis _sua voz diminuiu.

Não só Daiki, mas Taiga também sentiu a cólera subir por todo o corpo. Carry fora fria o suficiente para contar tal mentira, dizer que o próprio pai não tinha a guarda por recusa; Theo nem mesmo usou a terminologia ‘pai’ para contar tal segredo. Com certeza o garotinho sofrera um bocado por isso e agora Daiki entendeu o motivo de seus telefonemas serem sempre ignorados ou respondidos com frieza, só melhorou quando começou a mandar cartas – tinha mais tempo para escrever e ganhou seu coração. Nunca conversaram sobre a separação, seu acidente ou os motivos dele morar somente com a mãe, Theo tinha muitas pessoas ao seu redor e aprendeu com elas as coisas mais difíceis da vida.

Daiki o admirava muito, ele quando criança só passava os dias caçando cigarras – e sinceramente era assim que deveria ser – sentiu pena do pequeno Theo ser obrigado a pensar em todas aquelas coisas complicadas e amadurecer antes do tempo.

– Eu quero muito que você venha morar comigo também _desabafou _desde o começo, só que... sua mãe tinha melhores condições. Ela tem melhores condições _se corrigiu pesaroso _não sou tão rico quanto ela, meu apartamento em Tóquio é pequenininho assim _fez um gesto com os dedos _e... não posso te ajudar quando precisar, estou preso nessa cadeira. Por isso _sua voz embargou, mas continuou firme _por isso tenho medo que seja infeliz lá. Ainda assim sempre desejei de coração que morássemos juntos e eu queria vir mais vezes, mas não tenho condições.

Ele se calou, se continuasse a falar seria impossível segurar suas lagrimas. O misto de sentimentos fazia seu coração apertar cada vez mais, o desespero de se desculpar pela ausência e tentar se explicar o fazia tremer dos pés a cabeça.

– Papai _o chamou com a voz alarmada _sei que não me abandonou! Muitas pessoas me explicaram direitinho o que está acontecendo. A mamãe só falou aquilo por medo de me perder, não fique bravo tá?

“Ah inocência...” Pensaram em conjunto.

– E papai mais uma coisa _se ajoelhou no banco estendendo os braços _eu te amo! E vou te ajudar sempre que precisar, aposto que faz muito mais coisas numa cadeira de rodas do que as pessoas normais por ai. U’re my hero.

A declaração foi tão fofa que os marmanjos reagiram como uma menininha, eles abraçaram o pequeno e entraram numa competição para ver quem dava mais beijos na bochecha – eca, parem com isso! – ele reclamou e esperneou, mas não pode vencê-los.

Theo foi deixado em casa perto das 19 horas, Carry os esperava no portão com sua mãe, que estava curiosa para dar uma olhada tanto em Taiga, quanto no pai da criança, a senhora já idosa olhou com desprezo para o moreno de cabelos azulados e fez força para ser simpática. Cada vez que o ruivo olhava a loira de olhos enormes sua vontade era de esganá-la. “Mulherzinha ordinária” Pensou em cadeia até se despedirem e voltarem ao carro. Eles deixaram a construção sem delongas, Daiki olhou pelo retrovisor até virarem a esquina. Aqueles pequenos gestos que cortavam o coração do ruivo.

Por que a vida tinha que ser assim afinal?... ela tinha que ser assim?

–------------ + -----------------------------

– Então, o que acha de reabrir o processo?

Horas depois, finalmente em casa e acalentados por cobertas e lareira, Daiki e Taiga conversavam sobre o assunto que virou a pauta do dia. Apesar de estarem quentinhos, o ruivo ainda podia sentir uma leve tremedeira vinda do corpo colado ao seu, não importava o quanto tentasse o ódio por Carry tê-lo tirado de si e as mentiras descobertas hoje não o deixava relaxar. Reabrir aquele maldito processo era o que mais gostaria na vida, porém não o faria se Theo fosse sofrer qualquer tipo de injúria, o pequeno já tinha coisas demais para pensar e não precisava entrar no meio de brigas. Tentaria um acordo com a loira de pelo menos poder levá-lo para passar as férias se assim ele desejasse, felizmente Theo era decidido o bastante para bater o pé nas coisas que queria sem ceder os pedidos da mãe. Aquilo enfim poderia dar certo.

Taiga o puxou para mais perto lhe roubando um beijo na bochecha, deu o assunto por encerrado por hora pensando no que fariam no dia seguinte.

– Quer visitar algum lugar?

– Ah... não consigo pensar em nada agora, você e Theo me fizeram andar feito turista por ai o dia todo _de um breve sorriso _eu que parecia a criança no final das contas.

– Claro! Você é o turista aqui... _ele respirou fundo hesitando sua próxima frase, ultimamente a coragem tinha dado lugar a insegurança de forma rápida _está cansado?

– Um pouquinho, esse fuso horário.

Taiga chegou mais para o lado e deixou que o outro deitasse em seu colo, o sofá por maior que seja pareceu pequeno para dois homens de adultos e espaçosos. Ficou a acariciar os fios macios apreciando o silencio e sua companhia tão querida, o som da tv não chegava aos seus ouvidos tamanha a distração.

– Nem acredito que ficamos longe por quinze anos. Mas que droga.

– Não vamos perder o contato agora, fique tranquilo! E poderá ir me visitar com o Theo também.

Seus planos eram extremamente simples e que antes do encontro com o ruivo ele nem sonhava em realizar, estava agradecido pela luz no fim do túnel, não conseguia pensar num meio de demonstrar o que sentia naquele momento. Kagami Taiga já o salvara uma vez quando o derrotou na winter cup e agora mais uma, assim como da primeira, aparecendo do nada, virando sua vida ao avesso e o fazendo se apaixonar por aquele sorriso gigante.

Sua felicidade sendo resgatada de um mar profundo e gelado, mãos quentes o tragaram para fora como se fosse a coisa mais simples do universo. Somente ele para saber de todos os seus segredos e medos. Taiga era a peça que sempre faltou em sua vida, uma peça solta que insistia em se perder de tempos em tempos.

Ainda assim, prefiro vê-lo livre a afundá-lo comigo.

Mais uma vez perdido em sua falta de lucidez, ergueu a mão e puxou a nuca para baixo roçando os lábios macios de Taiga nos seus.

– Amo você, Taiga. Desde aquela época, por todo esse tempo... e certamente até o fim da minha vida.

Pronto estava dito, encontrou seu momento perfeito ainda que fosse arriscado. Não ia se quebrar ao ouvir a tão corriqueira rejeição, agiria como sempre: sorrindo. Não tinha problema se ele o amasse de outra maneira, apenas queria tirar dentro de si a angustia de ter aquelas palavras presas na garganta.

– Pode dizer, Taiga _continuou num sussurro fechando os olhos _sabe que não odia-lo por nada desse mundo.

– Daiki...

Eles se encararam por alguns segundos, ambos os olhos brilhando pelos sentimentos confusos.

– Me desculpe, Taiga _roubou um selinho _não faço mais isso.

– N-não se desculpe!

Taiga tapou os olhos do amigo com uma das mãos, seu rosto estava totalmente corado sem fazer ideia de como reagir, quando ouviu as mesmas palavras, anos atrás, soube lidar com a situação muito melhor. Na época ele apenas se desculpou por não poder corresponder e então se despediram; demorou alguns dias para voltarem com a rotina normal, porém nada que atrapalhasse sua mente. O que tinha mudado agora? De repente não soube nem mais como respirar e o coração estava louco dentro do peito.

Onde está a maturidade agora?!

Ele já esperava que essa confissão poderia vir e acreditou estar preparado para ela, parece que não afinal. Daiki ainda esperava por alguma reação, paciente sem retirar a mão de seu rosto ou dizer algo.

– Você é uma pessoa maravilhosa _disse por fim.

– Você também, Taiga.

O beijo cálido veio naturalmente, uma constatação tão corriqueira entre eles que não fazia mais sentido dizer.

O sexo daquela noite foi um pouco mais meloso do que de costume, agora que Daiki pode expor seus sentimentos de maneira solida, se sentiu livre para aumentar o numero de carícias e beijos. A noite de amor foi totalmente bem recebida pelo homem de cabelos flamejantes, Daiki ainda sentia a confusão em seu olhar, suas mãos aos poucos começavam a tremer mais do que de costume e pouco falava. Ainda assim fez o que deveria fazer e o moreno retribuiu da forma que lhe melhor condizia, sendo gentil.

O casal adormeceu abraçados na madrugada fria, depois de poucas horas de sono, Daiki despertou com aquela estranha sensação de estar bem descansado, Taiga ainda respirava profundamente ao seu lado com a cabeça parcialmente coberta pelo grosso cobertor. Seu pequeno conto de fadas chegava ao fim em passos lentos, eles passariam o Domingo com Theo e então voltaria para o Japão. Bom? Ruim? De uma coisa tinha certeza, sentiria saudades imensas de seu grande e único amor.

Claro que não tinha mais 17 anos, não ficaria se remoendo a vida toda. Muito pelo contrário, Aomine Daiki já tinha desistido a muito. Agora era hora de pensar em seu filho pequeno e na aposentadoria que estava por vir, seus pais também idosos requeriam cuidados quase que diários... errado pensar que com 32 anos apenas o final da vida viria, mesmo assim ver um futuro totalmente novo seria estar pensando como um adolescente. Algumas coisas poderiam a vir sofrer mudanças, mas não tudo. O céu por fim sempre seria cinza.

– Obrigado, Taiga _murmurou procurando não se mexer demais, apenas o suficiente para encarar seu rosto melhor.

Os primeiros raios de sol invadiram o quarto acertando diretamente o rosto adormecido de Taiga, Daiki, que ficara acordado o resto da madrugada toda praticamente, o descobriu para que o calor não sufocasse. O ruivo resmungou puxando a coberta de volta para cima, mas como se de repente lembrasse que aquilo não era exatamente normal em sua rotina, abriu os olhos assustado.

– Ah! Que susto, esqueci de você _disse com a voz embargada dando um apertado abraço de urso.

Taiga me mexeu pra lá e pra cá tentando se encaixar no corpo quente de Daiki, toda aquela movimentação fez o moreno ficar com uma inconveniente ereção – e por sinal, foi acompanhada por mãos travessas.

– Há-há, parece que alguém já acordou.

– Idiota _deu um tapinha em sua mão retirando-as de sua região intima _culpa sua que acorda se esfregando em mim.

– Você é quente e tem a pele macia, além disso tem um cheiro gostoso... sabe, mesmo depois dos treinos você ainda tinha esse aroma bom. Puta que pariu, Daiki! Você é desnecessariamente gostoso.

Se ele tivesse 17 anos, iria ouvir aquilo e cair de boca em Taiga, literalmente. Estava acostumado a ser elogiado (gostava muito), porém a diferença para sua vida atual é que nunca mais pensara em si mesmo daquela maneira. Certamente seu corpo ainda era sarado – afinal abdominal era um dos únicos exercícios que podia fazer sozinho – e a idade só tinha o deixado seu rosto mais bem esculpido. Ainda assim ouvir da boca daquele que ama as mesmas coisas de quando era jovem fez seu coração querer explodir. Daiki não tinha fama de nada, nunca ganhou mais do que um mísero salário, não era mais inteligente ou mais bonito do que ninguém ao seu redor, ainda assim se sentia a pessoa mais sortuda do universo por ter a atenção daquela pessoa.

Daquela pessoa que o mundo aclamava.

Ele o amava ao ponto de dar sua vida pelo ruivo, infelizmente isso nunca aconteceria... ele nunca teria a chance de provar que Taiga era amado naquela profundidade.

– O que foi? _Taiga acariciou seu rosto _seus olhos encheram de lágrimas.

– Teu cu, é só sono. Agora senta aqui que eu quero te foder mais uma vez antes de levantarmos.

– Seu desejo é uma ordem.

Daiki gemeu ao aperto forte em sua cintura, e pensar que ficara com medo de não mais ser bom o bastante para dar prazer para aquele homem... rapidinho ele fazia Taiga se perder em luxuria e implorar por mais e mais. A química entre eles era indiscutível. Ponto.

A manhã veio e foi preguiçosamente, o casal só tomou coragem para levantar e tomar um banho depois de muitos risos e histórias bobas do passado. O almoço repleto de carboidrato e gordura tirou Taiga da dieta, mas ele não se importou, nada importava quando Aomine estava consigo realmente e agora, no comecinho da tarde enquanto esperavam Theo para mais uma visita, eles se comportavam feito crianças na frente da tv de, de acordo com Daiki, trocentas polegadas.

– Ai caralho! _Taiga estremeceu ao ver o rosto feio do zumbi _temos que passar por aqui?!

– Sim, tente não gastar muita munição... porra, Taiga! Munição, munição _repetiu _me dê só cobertura eu mato eles.

O personagem de Daiki correu a frente matando cinco zumbis com headshot e um na faca – que tipo de monstro você é?! – exclamou o ruivo tentando acompanhar o ritmo frenético de Resident Evil. O vídeo game estava encostado até o moreno dizer que seria uma boa eles distraírem Theo com aquilo, já que a chuva forte voltara a cair do lado de fora. O inocente Taiga achou que Daiki tinha perdido a mão depois de tantos anos sem jogar... que besteira, o moreno era viciado. Ainda. Se pá daria uma lavada até no pequeno, outro viciado, ou então ficariam horas jogando deixando o ruivo de lado.

Que beleza!

Como era nostálgico estar com Daiki! Tinham feito tantas coisas que há muito não se lembrava, ficou encantado ao saber que ele ainda tinha os mesmos gostos e que não os abandonara. Mais uma vez aquela pontada chata de mudança, por que tinha se deixado levar pelo dinheiro tão facilmente? Nunca mais saíra de casa para ir ao fliperama, nem mesmo sentou para ver filmes ou cozinhar curry. Tudo isso, que era parte de si, fora perdido em meio de festas, mulheres e jogos de basquete; estava com saudades de ter uma vida normal. Será que voltaria com seus antigos hobbies depois que Daiki fosse embora? Esperava que sim... não, com certeza iria! Ele tinha trazido a si uma imensa vontade de resgatar o velho Taiga e isso não tinha preço. Agradeceu em pensamentos olhando para o rosto concentrado do mesmo, ele resmungava uma instrução ou outra esperando que Taiga estivesse prestando atenção.

– Hey.

– Hn? O qu-

Taiga pausou o jogo e puxou o outro pela nuca lhe roubando um beijo estalado, eles sorriram meio encabulados.

– Mas é monte mesmo, quase morremos sabia?

– Nem ligo... _estavam tão perto que conseguia perceber cada tracinho escuro das íris de Aomine _e pensar que você quase me deixou naquele acidente.

Daiki engoliu em falso. Realmente o acidente poderia tê-lo matado, mas... “Quem me deixou foi você, idiota”.

– Sei o quanto deve ser doloroso... bom, pelo menos imagino _sua mão que em outra situação desceria até a coxa, repousou no joelho _justo você que detesta depender de qualquer coisa e sempre viveu sozinho.

– Relaxa _afastou a mão do amigo _você não precisa pensar nisso. Decidi que daqui para frente pensarei mais no meu filho e quero dar um futuro para ele também, e claro que vou pensar no que faço com meus pais já que sou filho único. Lamentar não adianta.

– ...e você?

“E eu? Vou estar sempre pensando em você como minha felicidade, Kagami Taiga” Respondeu em pensamentos deixando seus lábios serem enfeitados por um breve sorriso.

A conversa fora interrompida por Theo, o pequeno estava acompanhado por Carry que educadamente adentrou a residência seguindo pelo hall de entrada até a sala. Taiga fora puxado para frente do vídeo game enquanto ela pedia um minuto da atenção de Daiki; eles iriam até o jardim longe do olhar curioso do dono da casa. O ruivo os seguiu com os olhos até onde pode e um pequeno bolo formou em sua garganta, estava com medo do que ela poderia lhe dizer.

>>> 


Notas Finais


Um beijo no coração de cada um e bom meio de semana!


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