1. Spirit Fanfics >
  2. Melhores Tempos >
  3. Daqui pra frente

História Melhores Tempos - Capítulo 47


Escrita por:


Notas do Autor


Hi hello meus amigos pandas.
Era pro capítulo ter saído ontem mas né, probleminhas técnicos kkk mas cá estou então boa leitura!

Capítulo 47 - Daqui pra frente


Fanfic / Fanfiction Melhores Tempos - Capítulo 47 - Daqui pra frente

Depois de toda a confusão do dia anterior, o sábado amanheceu ensolarado. Seria um ótimo dia para um casamento, isso se a própria noiva o quisesse. Valéria se olhava no espelho, tocando volta e meia no enorme e bufante vestido branco, nas jóias em seu cabelo. Estava visivelmente nervosa, apreensiva, com medo, incerta, mesmo que a mãe e a sogra estivessem do seu lado a tentando confortar.

 

Na mesma mansão estavam influencers, fotógrafos e jornalistas importantes que iriam registrar o grande evento que seria o casamento do empresário. Os filhos da Ferreira, ao contrário da mãe, estavam bem mais audaciosos e decididos. Perambulando pelo enorme local, pararam perto de uma fresta aberta como os bons curiosos que eram. Ainda mais por se tratar do futuro padrasto que estava por trás da mesma, conversando com uma das outras convidadas. Os gêmeos certamente levariam uma boa bronca por estarem ouvindo conversas que não fossem a eles, mas o diálogo em questão parecia mais interessante do que colocar uma falsa máscara de felicidade para os convidados.

 

Rafaela - Isso não me parece uma boa ideia… - observava uma troca de cheques e sorrisos entre os dois

Mateus - Esse pilantra está armando alguma coisa. - também sussurrou

 

Xxx - Finalmente esse pesadelo vai acabar e vamos poder ir embora dessa cidade.

Heitor - Está certo. Com a venda desses quadros podemos ir de vez para Paris, tomar um bom Salon e admirar a Torre Eiffel, com esses seus olhos espetaculares- exibia um sorriso sorrateiro no rosto - Sua parte está toda aqui, contadinha. 

Xxx - Só isso? Deveria ganhar um presente por todo o meu esforço. 

Heitor - Acho que tenho o presente certo para você bem aqui. - a aproximação foi imediata

 

O queixo dos irmãos foi ao chão quando Heitor segurou firme a nuca da moça e os dois engataram em um beijo afoito. Mateus teve de se segurar e segurar a irmã para não invadir a sala. O que puderam fazer foi tirarem fotos e gravarem um pequeno vídeo do momento.

 

Não muito longe do cômodo, Davi procurava por qualquer indício de onde estivesse Valéria. Durante os últimos dias juntou as provas necessárias e foi até o local onde ocorreu a maldita viagem anos antes. Descobriu que foi dopado, por isso não se lembrava direito do que havia acontecido no dia e somente se deu por vencido pela foto tirada no momento. Provavelmente a mulher havia sumido, mas tinha as provas das câmeras de segurança indicando o ocorrido. 

 

Adam caminhava ao seu lado, vez ou outra pegando petiscos das mesas do lugar e acenando para pessoas que não conhecia, por pura simpatia. 

 

Adam - Quem você está procurando? - perguntou subitamente ao mais velho

Davi - Eu… Na verdade… Você sabe onde está a sua mãe? - se abaixou na altura da criança

Adam - Talvez no último quarto lá em cima, é longe de toda essa gente.

Davi - Sabia que conseguiria me ajudar. - deu um beijo na testa do pequeno e voltou a caminhar

 

A surpresa se deu quando encontrou os dois filhos mais velhos também em frente a porta do quarto no qual a Valéria se arrumava. 

 

Rafaela - O que foi, pai?

Davi - Eu tenho um assunto para tratar com a mãe de vocês, podem esperar um pouquinho?

Mateus - Nós também temos um assunto urgente, não dá pra esperar.

Adam - Então entrem todos de uma vez, minha mãe não gosta de enrolação. - tomou a liberdade de abrir o quarto

 

Davi quase caiu para trás quando viu a Ferreria no vestido branco. Ela estava deslumbrantemente linda. Não sabia bem como reagir e só se deu conta de que estava quieto quando a porta foi fechada novamente.

 

Valéria - O que vocês querem aqui? 

Rafaela - Nós temos uma coisinha aqui que talvez você queira ver.

Valéria - Crianças agora não é uma boa hora pra ficar vendo vídeos de cachorrinhos nadando e-

 

Toda a fala e pensamentos da morena foram por água abaixo quando viu as fotos e vídeos no aparelho celular. Teve de parar um momento para sentar e pensar. Tonteou e lhe faltou ar. Estava perdida, mas não sentia nada mais do que decepção. O que havia de errado consigo? A culpa certamente seria sua por não conseguir segurar um bom parceiro. Tudo só piorou quando escutou dos próprios filhos sobre a conversa que o homem tivera com a mulher. Estivera a usando durante todo esse tempo, seria possível ser tão idiota assim?

 

O Rabinovich tomou partido ao olhar o vídeo e novamente quase caiu para trás ao reconhecer a mulher como sendo a mesma que o dopou na noite da viagem. Com as pistas e os fatos a prova, não restava dúvida da teoria: tudo tinha sido somente um plano. Durante anos foram enganados e postos como burros de carga, tudo só pelo dinheiro e fama. E agora nada mais fazia sentido. Por pedido da noiva, os gêmeos levaram Adam para fora do quarto e também se dispersaram. Foram longos  os minutos em silêncio, somente Davi de peito apertado vendo a confusão no olhar da amada.

 

Agora já estava sentada no pequeno sofá que havia ali, e Davi acabou sentando ao seu lado já exausto de pensar.

 

Valéria - O que eu faço, Davi? - sua voz saía fraca

 

O Rabinovich suspirou e olhou para o teto.

 

Davi - Me sinto tão perdido quanto você.

Valéria - Quer dizer… o que a gente viveu nos últimos anos? A gente realmente viveu? Ou tudo estava só sendo parte de um plano, e nós sendo feitos de marionetes?

Davi - Não sei mais o que pensar- a mulher suspirou e também encarava o teto - O que você vai fazer agora?

 

O lugar se tomou por silêncio novamente, até Valéria olhar para o cacheado e transpor um sorriso arteiro.

 

Valéria - O que mais eu poderia fazer? A gente só tem uma saída.



 

Com o tradicional som de entrada tocando no jardim, o véu cobria boa parte do caminho até o altar. Heitor sorria do outro lado, sendo que Davi como seu padrinho se segurava para não o voar no pescoço. Rafaela e Mateus estavam junto de Adam na primeira fileira, ainda não sabendo que rumo tudo tomaria. Quando a Ferreira se pôs em frente ao homem, o mesmo retirou seu véu da cara e lhe beijou as mãos. Em seu íntimo, desejou lhe estapear até não ter mais forças.

 

Tudo ocorrendo conforme o planejado, somente até a dita frase: 

 

Padre - Se alguém tem algo contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre.

 

De início veio o silêncio, mas somente até Valéria puxar o ar necessário para iniciar os pensamentos em voz alta.

 

Valéria - Eu tenho, senhor Padre- sorriu para Heitor que estava confuso - Eu tenho porque esse homem na minha frente é uma fraude. - riu em deboche

Heitor - Valéria…?

Valéria - Ele é um estúpido, arrogante, mesquinho e totalmente esnobe- os presentes já começavam a chochichar - Eu nunca me casaria com alguém tão sujo e manipulador como você, seu aproveitador barato. Se tivesse o mínimo de inteligência teria conversado sobre o seu plano maligno em um lugar privado e longe de tanta gente, não em uma sala qualquer no dia do seu casamento.

Heitor - Do que você está falando? Deve ser um mal entendido-

Valéria - Mal entendido coisa nenhuma! - soltou-se bruscamente das mãos do moreno - Eu entendi muito bem o seu joguinho, estava me usando esse tempo todo. Pra que, hã? Por fama? Por dinheiro? Até onde pensou que poderia me enganar? 

Heitor - Você não está falando coisa com coisa Valéria, quer um copo de água com açúcar?

Valéria - Não tenta mais esconder, vai ficar cada vez mais feio para você depois que o vídeo for exposto.

Heitor - Que vídeo você...

Valéria - Isso mesmo. O vídeo de você e da sua amante barata quase se engolindo agora a pouco no escritório.

 

Agora o outro estava sério, além de raivoso. Seu castelo de cartas estava desmoronando da pior forma.

 

Heitor - Você não faria isso. - rosnou e a Ferreira se aproximou

Valéria - Não só faria como já fiz. Você mexeu com a pessoa errada seu ridículo- quase cuspia em seu rosto - Além do mais, temos mais um ponto nessa jogada toda! - gritou em alto e bom som, enquanto os jornalistas ficavam cada vez mais afoitos - Eu também te traí, meu bem. - deu de ombros e se voltou para Davi

Heitor - Sua piranha desgraçada, o que você está fazendo?! - foi segurado pelo Padre ao seu lado

Valéria - Te traí sim, e valeu por todas as suas fodas mixurucas. - riu de deboche e parou em frente ao ex-marido - Valeu ainda mais porque foi com o melhor homem da minha vida, foi com homem pelo qual eu sou apaixonada desde os meus sete anos de idade… - riram com a lembrança - Valeu muito mais a pena porque pude perceber que nunca deixei de amá-lo.

 

Com todos os convidados conversando e um barulho sem fim de fotos, Valéria segurou firme a mão de Davi e deixou um selar ali.

 

Valéria - Vamos sair daqui. - sorriu largo, sendo retribuída na mesma intensidade

Davi - Só se for agora.

 

E assim fizeram. Em meio a confusão e gritos, os dois saíram correndo sem nenhum destino aparente. Sem mentiras, sem manipulações, sem fingimento. Só duas pessoas apaixonadas e ligadas por uma antiga lenda de fio vermelho. Interligadas para todo o sempre, onde quer que fossem, fosse o que acontecesse.

 

~*~

 

Tudo aconteceu muito rápido, e quando se deu conta Jaime já estava novamente no hospital. Ironia do destino fazer daquele um lugar tão frequentado pelo Palilo. Agora entubada em uma das camas, estava sua tia que fora encontrada em um beco qualquer, totalmente ferida e com altos níveis de drogas nas veias. Estava a horas assim, e sua situação só piorava. O que mais poderia acontecer consigo? Estava fadado a ter uma vida de infelicidades uma atrás da outra?

 

O céu pareceu ter fechado para si quando o médico parou em frente a porta e o chamou para conversar. Os ruídos dos aparelhos mal e mal eram ouvidos com a tensão.

 

Médico - Sinto muito, Jaime. Ela está na mesma situação e só tende a piorar- o Palilo optou por ficar quieto - Como você é o único que a procurou durante esse tempo, estamos só esperando pela sua decisão.

 

Uma hora ou um mês, era a questão. Jaime não sabia para onde correr, e a realidade era que não tinha para onde correr. Ligou rapidamente para a mãe e comunicou o ocorrido, ouvindo os primeiros indícios de choro quando estava prestes a desligar. Por mais que não tivesse contato há anos, Dona Eloisa apreciava a cunhada e sempre torceu por sua melhora. Mas talvez isso agora não fosse mais possível.

 

Em exatamente uma hora, os batimentos pararam. Em um mês as risadas seriam esquecidas, os jantares de sexta à noite, as esperas por uma ligação ou um sinal de vida, talvez até sua voz. Mas Jaime não se permitiu chorar, não ali.

 

Se debateu até o último segundo e foi para casa, encontrando a esposa dormindo e o primo recém acordado.

 

Jaime - Oi pequeno, está com fome?

Caio - Não, sede.

Jaime - Tudo bem, vou pegar um pouco de água pra você.

Caio - E a mamãe?

 

Parado no meio da cozinha, o mais velho olhou para o nada por alguns segundos. Tremeu ao encher um copo pela metade e o entregou para o pequeno. O pegou no colo e colocou-o em cima da bancada da cozinha.

 

Jaime - Eu acho… Que a sua mãe vai ficar um tempo longe, pequeno. Mas não se preocupe, você vai ficar aqui comigo e com a Cleme, ok?

Caio - Vai demora? - coçou os olhos ainda sonolento

Jaime - Acho que sim… Acho que sim.

 

Naquele momento Jaime não teve coragem de falar a verdade, não naquela hora. Talvez dissesse passado algumas semanas, ou meses, ou anos. Talvez falasse que sua tia fora morar com os anjos e estava protegendo-os de longe. Talvez falasse. Mas naquela tarde somente colocou o pequeno para dormir novamente e chorou em silêncio o vendo sonhando, vendo como tudo foi tão pouco, como tudo seria tão diferente.



 

Nem viu quando adormeceu sentado ao lado da cama, despertando com murmúrios baixos e estranhos vindos do quarto à frente. Caminhou até o local e logo correu para socorrer a esposa que estava sendo sufocada por Marcela. Tirou o travesseiro da loira e a colocou para longe.

 

Jaime - Mas que porra você pensa que tá fazendo?! - berrou

Marcela - Mas-Mas ela… Ela te roubou de mim Jaime, eu não podia deixar assim… - murmurou

Jaime - Marcela, isso foi há ANOS atrás! É por isso que você veio até aqui?! - estava exaltado

Cleme - Jaime… - segurou o braço do marido

Marcela - M-me d-desculpa… - gaguejava e começou a chorar logo em seguida, soltando o travesseiro no chão como se fosse fogo

 

Jaime estava começando a ficar perdido, entrando em outro nível de desespero. 

 

Jaime - Tudo bem, tudo bem. Respira fundo. - ajudava a morena que agora estava sentada

Cleme - Fala com ela. - disse com dificuldade e olhou de relance para a outra mulher

Jaime - Você tá-

Cleme - Eu não tô maluca- cortou sua fala - Ela não tá bem, precisa de mais ajuda que eu.

 

Frustrado, Jaime se virou e viu de relance uma seringa perto da janela. Ela estava drogada? 

 

Agora encolhida perto do grande armário, com os cabelos desarrumados e chorando compulsivamente, quase não reconheceu a mulher que lembrava de anos atrás. Suspirou e parou perto de si.

 

Jaime - Você por acaso anda se drogando?

Marcela - O quê? Eu? - arregalou os olhos teatralmente - Não não não, eu larguei isso, eu não uso mais. - falava mais para si mesma do que para o Palilo

Jaime - Marcela olha aqui- segurou em seus braços e a fez parar de se balançar - Você precisa de ajuda. Quer que eu ligue para alguém? - encarou-a

Marcela - Eu- eu não preciso. Não preciso de ninguém, tá tudo bem. - tentou se livrar mas Jaime manteve as mãos

Jaime - Você precisa sim de ajuda, porra! - gritou, até mesmo assustando Clementina - Você precisa sim de ajuda, fala logo! - podia se ver o nervosismo em seu olhar

Cleme - Hey Jaime. - levantava da cama

Jaime - A minha tia… A minha tia acabou de morrer por causa dessa merda- dizia frustrado - Não vai pelo mesmo caminho que ela. Por favor.

 

A esposa se pôs atrás de si e lhe abraçava desajeitadamente, enquanto Marcela estava paralisada.

 

Jaime - Eu não posso ver outra pessoa morrer hoje, eu não posso. - poucas gotas de lágrimas escorreram pelas bochechas vermelhas enquanto o aperto ficava mais solto

 

Ainda assustada e atônita, a loira abaixou o olhar e enxugou o rosto molhado. Já um pouco melhor, Clementina chamou um táxi para a loira e se despediu da mesma na porta do apartamento. 

 

O quarto do casal se encheu de silêncio naquela noite, no ar só pairava o íntimo sentimento de conforto. Resquícios de esperança brilhavam nos olhos do pequeno Hugo nos braços da mãe, ao passo que Jaime pensava que poderia finalmente ter uma boa noite de sono em algum dia adiante. Hora ou outra olhava para Caio brincando com a ponta da coberta, e se pegava perguntando quando seria o dia em que tudo voltaria a ficar bem.


Notas Finais


Contagem regressiva então, falta poucoo
Me contem tudo o que estão achando, adoro ler os comentários :)
BYE BYE


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...