História Melissa - Capítulo 21


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Amor, Ariel, Drogas, Melissa, Romance, Superação
Visualizações 7
Palavras 2.587
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Amores mil desculpas pela demora!! Espero que gostem do cap e por favor não me matem! ;)

Capítulo 21 - Capítulo 21


Depois de passar quase meia hora derramando lágrimas e praticamente lavando minha alma, me sinto bem melhor. Olho para cima e observo o infinito céu azul. Como é perfeito.
Nós somos meros seres nesse vasto universo e perder tempo guardando mágoas, não vai resolver absolutamente nada.
Respiro fundo algumas vezes, recuperando as forças para levantar da calçada e caminho até o meu carro. Pego uma garrafa de água e bebo quase todo o líquido dentro dela, ao parecer fiquei desidratada com esse choro todo. Eu nunca fui de me expressar desse jeito, todas as vezes que me dei mal, sempre me fechava para o mundo e pronto, estava tudo "resolvido", mas depois de hoje, percebi que não há nada de vergonhoso em chorar, ao contrario, derramar algumas lágrimas ajuda a curar a dor, a pensar com mais cautela, a perdoar.
Volto a sentar meio fio e contemplo a paisagem do lugar. Eu não reparei realmente aonde estava quando cheguei, mas agora, olhando bem ao redor, vejo que há muitas casas lindas e enormes, especialmente uma que acaba me chamando a atenção. A casa é completamente no estilo Vitoriano*, as janelas, a porta, inclusive a cerca. Quem construiu essa beleza, tinha um baita bom gosto.
Sem perceber, começo a caminhar e quando dou por mim, estou parada na porta da casa olhando o jardim interno cheio de flores, as únicas que reconheço são as rosas, mas as outras são tão lindas e tão cheirosas que não resisto e respiro fundo outra vez.
Ela é diferente de todas as outras e isso faz com que chame mais atenção ainda.
Olho mais um pouco e decido ir embora antes que o dono pense que há uma stalker do lado de fora.
Escuto um barulho e me viro tão rápido que acabo batendo em alguém que estava bem atrás de mim, e ambos caimos estatelados no chão.
-Meu Deus, me desculpa! Eu juro que não te vi! -Digo rapidamente enquanto o ajudo a se levantar. Quando olho bem o seu rosto, levo outro susto. -Ricardo?
-Oi Melissa, está tudo bem com você? Se machucou? -Ele responde enquanto limpa sua calça de moletom cinza, mas a mancha de terra só vai sair quando ele lavar.
-E-eu estou bem, me desculpa de verdade, eu não o vi e... porque estava detrás de mim? -Pergunto desconfiada. Só me faltava essa, será que ele está me seguindo?
-Eu... moro aqui, Melissa. -Levanta uma sobrancelha e me olha se segurando para não rir.
Droga! Eu estou ficando doida, é isso.
-Ah... em qual casa? -Estou totalmente sem graça nesse ponto da conversa.
Ele muda o peso de um pé para outro e depois aponta para a bela casa que eu observava a alguns minutos.
-Não acredito! Você mora aqui? Uau!Essa casa é realmente linda, mas espera um momento, aquele huh, dia que eu te dei carona, eu te levei em outro lugar. Tudo bem, estava de noite, mas eu reconheceria se tivesse visto essa casa. -Tenho a leve impressão de que estou soando como uma louca total.
Ricardo coça a cabeça confundido e um pouco sem graça.
-É uma longa história, não quer entrar, beber alguma coisa? Assim te conto tudo desde o começo.
Tira um molho de chaves do bolso e enfia uma delas na fechadura do portão. Ele espera do lado de dentro enquanto eu debato internamente se o fato de eu querer muito conhecer essa casa por dentro vai trazer uma noção errada da situação. Consigo ver o seu rosto começando a murchar com a minha demora para tomar uma atitude, ah que droga! Eu vou entrar.
Passo pelo portão aberto e ele o fecha imediatamente, tenho a leve impressão de que ele acaba de suspirar aliviado, mas pode ser só mais uma coisa da minha cabeça.
Ele abre a porta da casa e faz um sinal para que eu entre primeiro. O lado de dentro é um choque total. A casa é completamente decorada com o estilo vitoriano e eu acho que meus olhos estão por sair das órbitas. É linda e totalmente perfeita. Os sofás, as cadeiras, as mesas, a decoração, até a escada é linda!
Me sento em um dos sofás brancos com os detalhes dourados e continuo observando tudo. Pareço uma criança que está visitando a Disney pela primeira vez -não que eu alguma vez tenha ido, mas minha reação deve ser a mesma.
Ricardo me deixa sozinha e volta alguns segundos depois com dois copos de suco na mão.
-Eu trouxe suco de laranja, nem te perguntei se gostava mas...
-Eu gosto sim. -Pego o copo e dou um gole para provar. Está delicioso. -Então me conte a longa historia como prometeu.
Ele assente com a cabeça e bebe um gole enorme do suco antes de começar a falar.
-"Esta casa foi construída pelo meu pai, quer dizer ele a encomendou como um presente para minha mãe. -Uau, que presentão. -Eles se casaram muito jovens, ela descobriu que estava grávida de mim e meu pai sempre foi uma pessoa de tradições, ele a amava loucamente e sempre a observava enquanto ela lia o mesmo livro uma e outra vez. Na capa havia uma casa bem parecida com essa então ele supôs que ela amaria o presente. Ele decidiu construí-la como uma forma de se reaproximarem já que estavam se distanciando e ele não sabia o porquê. Quando a casa foi terminada e ele mostrou sua obra, minha mãe simplesmente disse "obrigada, mas eu não te amo mais", juntou todas as suas coisas e foi embora no dia seguinte.
-Meu Deus Ricardo, isso é terrivel! -Coloco as mãos na minha boca enquanto falo, coitado do pai dele!
-Mas isso não termina por aí. Quando ela nos abandonou, levou somente suas roupas e alguns objetos pessoais, uma das poucas coisas que ela deixou, foi o livro que tanto lia. Em uma noite, meu pai o encontrou e acho que ele devia sentir tanta falta dela, que começou a lê-lo como uma forma de estar "perto" dela, entende? -Balanço a cabeça automaticamente. -Então conforme ele foi entendendo o enrendo, foi também entendendo muitas coisas. Vou te resumir do que tratava o livro. A historia se passa na era vitoriana aonde duas donzelas são amigas praticamente desde que nasceram, elas viviam juntas, comiam, dormiam e até tomavam banho juntas, um certo dia, uma delas começou a ter sentimentos pela amiga e decidiu fingir um sequestro para poder desaparecer e voltar disfarçada de homem. Ela acaba conquistando o coração da amiga, mas no momento de ter você sabe, relações sexuais, ela acaba confessando para a amiga que na verdade não era homem, a amiga decide que gosta dela também e as duas tem o seu tão sonhado felizes para sempre. -Ele faz uma pausa para respirar e eu prendo a respiração.
-Eu não acredito nisso! -Solto em um sibilo. -Sua mãe é homossexual?
-Exatamente. Ela não adorava a era vitoriana, ela amava a historia em si. Quando meu pai a presenteou com essa casa, eu acho que ela teve mais certeza ainda das suas preferencias. O lugar que você me deixou na outra vez, é a casa dela. Meu pai pediu minha guarda e ela aceitou com a condição de que eu passe pelo menos dois finais de semana na casa dela.
-Uau, eu estou... sem palavras. -Realmente não consigo achar uma palavra que expresse minha reação com exatidão. Caramba! Sua mãe não podia ter feito isso, não pelo fato de ser homossexual, mas pelo fato de ter abandonado a sua familia, ela deveria ter avisado antes ou sei lá pedido o divorcio, mas cara, escapar assim sem dizer nada... isso é covardia.
-E você, como você reagiu a tudo isso, quero dizer, uau... deve ter sido dificil.
-Na verdade, quando isso aconteceu, eu era criança ainda então meio que não liguei muito.
-Eu sinto muito Ricardo, vocês não mereciam isso. -É a coisa mais coerente que consigo dizer no momento.
Passamos a tarde inteira conversando de outros assuntos e me arrependo da atitude que tomei com ele. Ele é super legal e educado, eu fui a que ofereci amizade e eu mesma ignorei o garoto, coitado.
Acabamos mudando o foco da conversa e rimos bastante durante a tarde toda, ele me contou sobre sua infancia em duas casas, a primeira vez que conheceu a namorada da mãe e ficou confundido se devia chamá-la de mamãe também. Ricardo é bem maduro para a sua idade, e reagiu à separação tão naturalmente que eu não sei se eu conseguiria fazer o mesmo.
Em certo ponto acabamos concordando em ver um filme e ele se ofereceu para fazer pipocas, já que "um filme não se aprecia com as mãos vazias", segundo ele.
Eu pude perceber duas coisas hoje:
A primeira: chorar não nos transforma em pessoas fracas, ao contrario, nos faz mais fortes, e a segunda: durante toda a tarde, eu praticamente esqueci da razão de ter chorado.
Desbloqueio o celular para ver as horas e me surpreendo ao emcontrar três ligações perdidas de Ariel. Como eu não escutei o toque? Será que ele já foi liberado?
Aperto o botão ligar e ele atende imediatamente.
-Melissa...-sussurra. Ele parece aflito o que me preocupa bastante.
-Ariel, acabei de ver suas ligações, está tudo bem? Você já foi liberado? Se quiser eu te levo para casa e...
-Eu estou ferrado Melissa. -Solta de repente e meu coração perde uma batida.
-O-o que aconteceu? -Estou com tanto medo no momento que sinto um frio na barriga, como se estivesse em uma montanha russa.
-O garoto ele... ele me denunciou.
-M-mas ele não vai retirar a denuncia? O seu pai não conversou com o pai dele?
-Eles conversaram mas o pai dele está furioso. Eu já fui liberado, posso ir para casa mas eles vão me processar por danos físicos e morais, se eu sair culpado posso pegar até dois anos de prisão. Eu... eu não sei o que fazer Melissa. Eu sinto muito, eu...
-Ariel, fica tranquilo, nós vamos resolver isso, okay? Eu vou te ajudar, pode ter certeza.
-Melissa, não há nada a ser feito. Varios garotos filmaram a briga e ele tinha tantos hematomas no rosto que quase não enxergava. O nariz quebrou em três partes...
Mas que merda! O que esse garoto fez! Droga Ariel!
Levanto do sofá em um pulo e vou até a cozinha. Ricardo está no celulaf enquanto espera as pipocas ficarem prontas no microondas.
Paro bem na sua frente, abro a boca varias vezes, mas não consigo dizer uma palavra. Não sei se devo dizer algo sobre Ariel, minha vontade no momento é gritar até ficar sem voz.
-Aconteceu alguma coisa Mel? -Ele pergunta quando vê meu rosto preocupado.
-Eu... preciso ir... meus pais me ligaram e precisam de mim. -Faço a melhor cara para ele não perceber que estou mentindo.
-Tudo bem, não tem problema. Nos vemos amanhã no colegio? -É quase palpável a ansiedade do garoto.
-Sim, nos vemos amanhã, obrigada por tudo Ricardo. -Começo a sair da casa mas ele pega meu braço suavemente e eu paro no meio do caminho, morrendo de medo de que tente me dar outro beijo.
-Foi muito divertido passar a tarde com você, amiga. -Ele pisca os olhos e eu entendo a indireta. Ele sabe muito bem qual é o seu papel nessa confusão toda.
Acabo cedendo e lhe dou um abraço rápido antes de correr até o meu carro.
Preciso ajudar Ariel.
Corro o mais rápido que posso e rezo para não ganhar nenhuma multa, senão papai me mata.
Quando finalmente chego na delegacia, a mesma moça que me atendeu no outro dia, me diz que ele foi liberado a algumas horas e que disse que iria para casa.
-Obrigada. -Respondo e corro de volta para o carro.
Corro novamente pela cidade e faço de tudo para não atropelar alguém.
No caminho tento encontrar una saída para esse problema.
Dizer que o garoto o provocou não vai adiantar, acho que a solução é se oferecer para pagar os danos em troca ele não o processa. Eu sei que o pai do Ariel tem dinheiro logo isso não vai ser nenhum problema para ele.
Entro na rua da sua casa e diminuo a velocidade conforme vou chegando mais perto.
Pego o celular para avisar que estou aqui, mas acabo não precisando, pois Ariel está parado no portão da casa conversando com um homem.
Eu tenho a impressão de que o conheço de algum lugar... de onde será? Espera! É o mesmo cara que estava brigando com Ariel naquele dia que o segui! Será que ele veio tirar satisfação de novo? Ah não, se Ariel se meter em outra briga ele estará mais ferrado ainda!
Sem pensar muito nas consequencias, estaciono o carro de qualquer jeito e desço correndo. Paro ao lado dos dois e somente nessa hora Ariel percebe minha presença.
-Melissa, o que está fazendo aqui? -Pergunta assustado. Seu rosto pálido me surpreende, mas não tempo para isso agora. Não o respondo, ao contrario, coloco o dedo bem no meio do peito do desconhecido e começo a dizer um monte para ele.
-Escuta aqui camarada, se você veio causar mais problemas, eu sugiro que vá embora ou eu terei que tomar providencias e...
-Garota, qual é o seu problema, hein? -O cara segura o meu dedo e o aperta me arrancando um leve gemido de dor.
-Se quiser continuar inteiro, é melhor tiraa a mão dela, parceiro. -Ariel rosna e o cara dá uma risada malvada, mas surpreendentemente me solta e cruza os braços. -Melissa o que pensa que está fazendo aqui? -Pergunta com raiva. O que deu nele?
-Eu vim te ajudar seu babaca, ai te vi com esse cara -aponto para o homem com o braço e ele me olha feio- e não podia te deixar fazer outra besteira, você está por um fio, Ariel.
-Eu não preciso da sua ajuda, garota!
-Qual é o seu problema hein? -Grito e o desconhecido dá outra risadinha. -Está rindo do quê, babaca? -Viro meu rosto para o homem e ele levanta uma sobrancelha.
-Parece que você não compartilha todos os teus segredos com a sua namoradinha em parceiro? -O que diz é para Ariel, mas seu olhar está em cima de mim.
-O que é tudo isso Ariel? -Pergunto olhando de um para outro. Estou mais confusa ainda.
-Cala a boca Caio, e Melissa, o fato de  termos tranzado algumas vezes, não te dá o direito de tirar satisfação do qhe faço ou deixo de fazer, além do mais já te disse, não preciso da sua ajuda garota. -Seu olhar não condiz com as suas palavras, mas mesmo assim elas doem tanto, como se cem adagas estivem sendo empurradas lentamente no meu coração sem dó nem piedade.
Olho para o desconhecido e de fato ele não tem nenhuma arma nem nada nas mãos, exceto... uma sacola de papel.
-Tudo bem princesa, se você quer assim, assim será. Não me procura, não me liga e me faz um favor? Esquece que eu existo.
Saio dali caminhando até o carro. Por mais que queira correr, não quero dar esse gostinho a esses dois idiotas. Por um segundo, meu coração otário acredita que ele virá correndo atrás de mim dizendo que tudo o que disse foi um erro, mas quando eu já estou dentro do carro e ele continua conversando normalmente com o tal Caio sem nem olhar para mim, posso sentir o exato momento em que meu coração se parte em mil pedacinhos.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...